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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

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    Danto
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    Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 17/4/2016, 00:02

    Março de 2002, Berlim.
    Terceira Noite


    A criança escutou a sua resposta em silêncio por vários segundos, abaixando-se calmamente para pegar o saco que antes cobria a própria cabeça e coloca-lo novamente sobre a face. Em seguida, ela balança a cabeça negativamente duas vezes, dá dois passos para trás e faz um rodopio em meio a um salto.
    Seus pequenos pés tocam a superfície do gelo como se fossem duas âncoras de grandes galeões. A superfície branca de gelo se rompe em incontáveis fragmentos, a água gelada toca os seus pés e em uma fração de segundos o seu corpo inteiro caia dentro do rio de almas mortas.
    A terrível sensação de sentir seu corpo ser atravessado pelo imaterial.
    Milhões de criaturas humanoides semi-corpóreas subiam desesperadas para a superfície e incontáveis delas passavam por dentro de você, a cada toque, você sentia um frio cruel e horripilante.
    Cada toque daquelas monstruosidades causavam em sua memória um despertar inusitado, seus piores pesadelos começavam a ecoar em frente aos seus olhos.
    Os corvos de Odin, O suicídio do Grande Líder, A fúria de Gustav, O fim dos tempos, A Gehenna e todos os piores pesadelos que já lhe ceifaram o descanso.
    Seus olhos lacrimejaram sangue, sua mente estava agonizando em tormento e dor.
    A falta de ar dos seus pulmões o levavam até o fundo do lago em uma velocidade extremamente rápida, havia uma força que o dragava...

    Seus olhos se fecharam, mas seus pés tocaram uma superfície sólida. Seus olhos se abriram e a sua frente havia um caminho. O guardião não estava mais a sua frente e havia cumprido com o prometido, ele havia o ensinado a caminhar pelo gelo e o a única maneira era simplesmente não caminhar. E através das águas dos mortos, você finalmente chegava em frente ao refúgio daquela que estava a sua espera.

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 17/4/2016, 21:30

    Morte... Apenas morte e caos. Não consigo reagir à tantos espíritos de forma mais empírica. Não existe forças em meu corpo contra a escuridão profana que permeia a minha cidade. Apenas tenho recursos para tentar contorná-la, mas nunca combatê-la diretamente, se fosse isso que eu quisesse. Sou apenas mais uma pequena peça no tabuleiro, totalmente descartável, por mais exótica que seja. Só que não entregarei o jogo, preciso salvar minha senhora. Tem de haver uma luz no fim do túnel de alguma forma. Mesmo que sequer meu corpo queira reagir contra.

    Caio contra o chão sólido demonstrando a força de um velho ancião. Com o corpo curvado luto brevemente contra a incansável força da gravidade para só depois me dar conta de onde estou. A visão se mostra desfocada aos meus olhos cansados. Era como se eu tivesse perdido uns cem anos de vida. Como se aquele rio negro tivesse drenado parte de minha imortalidade para si mesmo. Deixando aqueles mortos mais sedentos por dor e amargura. Só que não posso fraquejar mais. Preciso terminar a jornada de hoje, caso queira de fato concluir meu caminho. Ando devagar até a pequena choupana. Não olho para as águas, apenas para frente.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 00:27

    A cada passo dado em direção a casa, um ranger diferente era realizado pelas madeiras tão velhas quanto você que faziam parte do longo caminho. E a cada passo dado, melhor seus olhos conseguiam perceber a casa a frente.
    De paredes marrons, sem porta, com duas janelas frontais e apenas um dois andares.
    Madeiras antigas, fragilizadas e em péssimo estado de conservação. Com mais atenção, você nota que a porta da casa ficava no segundo andar, algo completamente sem nexo para a casa de um mortal. Mas o ilógico certamente era a grande força ali, sendo menor apenas que a sensação de ruína que todo o arredor lhe mostrava.
    Você estava de fato em Berlim, mas em uma Berlim morta e sem nenhuma esperança.
    Apesar das árvores ao entorno da casa estarem vivas, elas não pareciam estar sendo nutridas por algo saudável, tendo em vista que suas folhas, troncos e raízes eram inteiramente cinzas e em algumas variações de tonalidade do mesmo cinza primordial que as coloria.
    A porta do segundo andar se abre e uma figura feminina aparece, um corpo alto e seco, pele e osso. Longos cabelos lisos, negros e crespos escapavam da mascara poderosa e assustadora de um animal morto a séculos atrás, a potência do vitae era a primeira coisa que você era capaz de sentir, logo em seguida, a certeza de que finalmente você havia chegado ao seu destino.

    -Meu nome é Veronika Nikolayevna, você é a criatura que tentou me localizar pelas estrelas. Diga e esteja preparado para ouvir...

    Nikolayevna, A Necromante :
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 18/4/2016, 16:02

    Esse mundo dor mortos... Parece uma previsão macabra de nosso próprio mundo se outra guerra chegar à esta terra. Mas enquanto houver liberdade para mim e minha senhora, seguiremos os caminhos dos justos em busca de uma solução. Esta casa no entanto para ser o fim do poço, o fim de todas as esperanças. Mas já me disseram que quando se chega no fundo, é mais fácil olhar para cima e analisar cada detalhe do poço como um todo. E é por isso que estou aqui. Busco o conhecimento.

    Quando a antiga aparece posso apenas observá-la. Não almejo observar a aura de um ser tão poderoso, não preciso disso para compreender a potência de seu sangue. Se essa potência veio ou não pelo pecado, talvez seja melhor não saber. E sua personalidade com certeza deve ser uma que detestaria eu tentar saber mais do que me é oferecido. Assim, mecho a cabeça para baixo em um sinal singelo de respeito.

    - Meu nome é Kiril da Bulgária, sou aquele que pediu para as constelações de Órion e Sagittarius para me dizerem sua localização. Busco conhecimento sobre o sono profundo que decaiu sobre Berlim. A Águia Negra me recomendou buscar sua assistência.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 17:32

    A antiga mulher de uma linhagem secular se senta na beirada do segundo andar, logo a frente da porta e aponta o chão para que você também se sentasse. Era um enorme avanço para qualquer tipo de negociação ou conversa, um convite para se sentar era sempre um sinal de boa fé, independente da religião ou dos costumes de algum cainita.
    Aguardando o término da sua movimentação para iniciar a conversa, a antiga russa observava o arredor com os olhos da caveira que estava posta sobre a própria cabeça. A maldição de Caim era extremamente severa com aqueles ditos "Percursores do Ódio", implicava a eles uma horripilante forma similar ao dos Nosferatu, mas ao invés da podridão, os Percursores eram eternamente cadavéricos e esqueléticos. A mascara e as longas vestes eram apenas uma tentativa da mesma de minimizar os efeitos da maldição que lhe destruiu o corpo.
    Enfim, ela dava inicio a um diálogo extremamente importante para o seu futuro e o futuro de sua Senhora.

    -Águia Negra você diz, um Lich essa criatura é. A mão então está desesperada por respostas e minhas suspeitas são reais, diga-me, jovem Búlgaro, por que não foi afetado pelo feitiço da antiga Setita?! Eu não adormeci pois ela veio até mim antes. A conheci milênios atrás, a Camarilla ainda nem sequer era posta como um ideal...Mas você, eu sinto ela dentro de ti. O que aconteceu contigo ?!
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 18/4/2016, 18:23

    Sento no chão assim que a mesma senta ali em cima. Vejo de bons modos aquela conversa que estava para começar. Poderia ter começado de forma muito pior, mesmo sabendo que já havia esbarrado com um guardião. Mas agora me foco em absorver o que a mesma diz sobre a verdadeira mão negra. E então reflito sobre o que aquela Deusa fez comigo. Era uma mudança profunda demais para uma parte dela não ter ficado em mim. Não só minha mente funcionava com mais clareza, como todo o meu corpo se mostrava mais jovem do que nuncas antes fora. Isso me leva a me questionar sobre a mesma pergunta que a percursora fez.

    - Não vejo motivos para lhe contar meias verdades, então serei direto, afinal todos nós buscamos respostas. Eu era um escravo de um secular laço de sangue e a mesma me ofereceu liberdade em troca de meu sangue para um ritual de julgamento, como a mesma disse. Depois que acordei meu corpo já havia mudado, mas ainda não sei precisamente o que ela fez comigo ou o que ela planejava com o ritual para despertar um antigo artefato.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 22:25

    -Um ritual de julgamento?! Os temores da Mão estavam corretos então, a serpente exilada dará inicio a sua jornada contra as serpentes que servem ao Deus da Corrupção... Seu corpo se modificou após você ceder o teu vitae a ela. Kiril, eu entendo que a pergunta é extremamente explicita e não se sinta obrigado a aceitar. Mas eu poderia provar do teu vitae?! Tenho uma enorme suspeita de que você cativou a matusalém de alguma forma, ambos foram escravos, a empatia não é algo distante nem mesmo para o mais antigo dos amaldiçoados filhos de Caim.

    Perguntou a Anciã do alto do segundo andar. Era impossível ver qualquer expressão facial da mesma, mas a sua cordialidade e limpeza no diálogo era notória, talvez ela fosse tão antiga ou até mesmo mais antiga que a anciã nosferatu e Gustav, mas mesmo assim, ela o tratava como um igual diante a situação em que vocês se encontravam. Porque os extremamente antigos pediam permissão e os anciões não?! O que mudou tão profundamente na cultura dos cainitas para distanciar tanto as naturezas dessas gerações?!
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 19/4/2016, 14:27

    O que aconteceu nesse mundo? Depois de homens como Gustav nascerem a forma de ver o mundo mudou. Nunca mais tivemos impérios grandiosos como os da era ancestral. Nunca mais tivemos esse respeito e humildade. Vejo justiça e compreensão no espírito dessa antiga. Da mesma forma que vi nos olhos daquela Semi-Deusa do Nilo. Não há como negar à mesma um pedido ao qual ela poderia ter pedindo ou não. Mas fico surpreso em ver que foi a empatia daquela antiga que trouxe a mim o maior desejo de minha não vida. Como um sentimento tão humano pode ainda existir em alguém tão antigo como estes?

    - Meu vitae é seu para experimentar, não hesitarei em oferecer. Devemos agir juntos para entendermos a situação ao qual nos encontramos. E devo admitir que fico surpreso em saber que cativei uma matusalém, apenas pedi pela mesma a liberdade de meu laço, pedido esse que teria feito à vós, caso eu nunca tivesse encontrado com ela.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 22:47

    -Enquanto analiso teu sangue, permita-me explicar a ti algumas pequenas coisas que podem fazer uma enorme diferença para o decorrer dessa reunião...

    Comentou a senhora Nikolayevna que inclina o corpo para frente e permite a própria queda em direção ao solo. Caindo como uma verdadeira rocha maciça sobre a terra, o tremor é sentido intensamente por você e ecoa ferozmente por toda a água que rodeava a ilha onde vocês estavam. Era apenas a força natural daquela mulher, não havia nenhum efeito de sangue ou potência, fatos que aumentavam ainda mais o medo que a sua besta nutria naturalmente pela antiga que agora caminhava na sua direção. As próximas palavras dela eram ditas no seu idioma natal, pronunciadas com uma fluides que poucos possuíam em Berlim.

    -A Tal’Mahe’Ra, ou simplesmente, a verdadeira Mão Negra é uma seita. Mais antiga do que qualquer outra e fundada por nenhuma só pessoa, não há Hardestadt para a seita. Ela foi construída a mais de três mil anos antes de cristo e tem como grande crença que o Sangue de Caim será uma ferramenta de julgamento para o final acicalipto do mundo que conhecemos. Os membros da Mão são herdeiros do vitae de Caim que conseguiram chegar aos mais profundos reinos do submundo umbral e lá encontraram a antiga cidade de Enoch. Dita pelos Nodistas como a segunda cidade, onde Caim viu seu sangue ser espalhado, onde os progenitores foram abraçados... Existe é claro, muita mitologia envolvida em tudo isso. Mas o temor da Tal'Mahe'ra é de quem a antiga Setita chamada de Kemintiri alcance a cidade de Enoch e de lá, arranque o que não deve ser removido.

    Enquanto falava, a antiga Percursora tirou a mascara que cobria a própria face. Revelando uma face mumificada e seca, havia apenas uma camada quebradiça de pele posta sobre os ossos, os olhos estavam ali presentes, mas ressecados e estranhamente soltos devido a falta de pálpebras. Ela esticou a frágil e esquelética mão esquerda na sua direção esperando que você colocasse a sua mão sobre a dela, para então com a mão direita, fazer um furo pequeno em sua carne com a unha. Levando então o pouco de sangue que estava grudado na unha até a boca.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 19/4/2016, 23:52

    Tal’Mahe’Ra... Esse tipo de informação não se encontra nos livros que eu pesquisei. E foge em absoluto do meu conhecimento. Afinal sou pior que um reles amador no mundo da umbra. Quanto mais conhecer suas profundezas. Me admira pensar que a Águia Negra acreditou que eu era capaz de ajudar a resolver essa situação. Me vejo apenas como um feiticeiro excêntrico sem nada de especial para a situação. Entretanto não posso permitir que esse julgamento seja eterno, pois um veredito tem que chegar. O sono tem que chegar ao seu fim e os culpados no julgamento pagarem por seus erros. O torpor eterno não pode ser a solução.

    Observo as palavras de Nikolayevna com bastante atenção. Vendo o rosto da mesma uma vaga lembrança dos esgotos de Berlim me vêem a mente, algo relativo à aparência de Karla, mas esta ainda me fugia à memória. Todavia fico mais atento ao sangue ser retirado pela mesma. Fazia me lembrar das infinitas vezes que retirei sangue de meus clientes para ser sua sorte e fortuna. Mas nesses casos sempre usei para me alimentar e ao mesmo tempo utilizando uma Adaga de Presa de Urso. Somente quando o sangue é retirado eu regresso à falar.

    - Na carta que o Lich me mandou dizia que Kemintiri estava prestes à subir as muralhas. Que muralhas seriam essa? As da segunda cidade?
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 20/4/2016, 20:52

    -Precisamente, o temor da Águia Negra é que a antiga Kemintiri seja capaz de subir pelas muralhas de Enoch e adentrar a sagrada cidade... Que atualmente se encontra em escombros e que esta sendo cuidadosamente reconstruída pela seita... Existem segredos que não podem jamais serem revelados e memórias que devem ser para sempre esquecidas...

    Respondeu Nikolayevna instantes antes de terminar de provar do seu vitae, ela colocava o dedo quase inteiro no interior da boca e o removia apenas quando não houvesse mais vitae no mesmo. Era claramente uma cena ritualística, você entendia muito bem dessas necessidades, talvez nem fosse necessário que ela tomasse do seu sangue ou que sequer tivesse que ser daquela maneira, mas as ações de performance dos rituais era uma parte essencial, partindo do ponto de que toda magia precisa que os dois lados do elo de testemunho realmente acreditem no que está a ocorrer.
    Ela então fecha os olhos e se mantem em silêncio, até o corpo dela começar a reagir violentamente à alguma coisa, parecia que uma entidade havia assumido o corpo da mulher ou que pelo menos tentava brutalmente toma-lo a força. A batalha se seguiu durante alguns segundos, até ela finalmente abrir os braços, arregalar os olhos completamente brancos e encarar profundamente a sua face.

    -Sórdidos traidores! Lutei ao lado de meu pai no barco solar para ele dar o controle a meu fraco irmão? Eu sou o verdadeiro Deus! O verdadeiro e único! Eu sou a violência, a guerra, o deserto e a escuridão! Senhor de Nakhthorheb , Seterpenre , Maatkare , Ta-urt , Kemintiri , Nefertiti e Nephthys. Ajoelhe-se! Traidor do sangue de Caim, ajoelhe-se diante o grande Deus do Egito! A sacerdotisa bastarda deixou em ti um fragmento da resposta...

    As palavras ecoavam, cada nome citado causava uma enorme rachadura no céu, rompia o assolho do lago e causava enormes redemoinhos de caos na água que circundava a ilha. O corpo da anciã voltava então a trepidar e a se contorcer. Ela agarra com força o próprio tronco, fecha os olhos e finalmente tomava controle de seu próprio corpo novamente.

    -As serpentes estão vindo! É muito pior que poderíamos imaginar! KIRIL! A DANAÇÃO ESTÁ VINDO A BERLIM...o seu sangue...o seu sangue é a única resposta...
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 21/4/2016, 20:00

    - Ajoelhe vós diante do julgamento que virá!

    As palavras foram difíceis demais para serem contidas. Aquele que havia possuído o corpo de Veronika fazia um desafio aberto. As consequências já ocorreriam de qualquer forma. Mas aquela matusalém me cativara da mesma forma que assim eu fiz à ela. Este ser incorporado na minha frente é tudo o que a minha visão deturpada de Katarina me gerava no passado. Entendo perfeitamente o rancor da semi-deusa. É um ser que merece ser abatido pelo destino. A hora do mesmo virá. E preciso permitir que todos estejam preparados para lutar contra seus servos.

    Respiro forte depois de bravejar minhas palavras no final da conversa. Era difícil agir com ímpeto em frente a tamanha presença. Poderia eu estar arriscando minha certidão de óbito eterno. Todavia não podia deixar de alertar o mesmo do pecado que cairá sobre o mesmo. Eu não sou um traidor de Caim, mas ele é um criminoso das regras do percursor. E criminosos têm de ser julgados. Por isso não temo os planos de Kemintiri. Então depois da Percursora falar, a respondo.

    - Eu tive uma visão mais cedo esta noite. Eles de fato estão vindo, parecem desesperados com os planos da Senhora do Nilo. Entretanto ainda não entendo o porquê da mesma não poder concluir sua missão, mas o mais importante. Se a senhora puder responder, é claro. Porque meu sangue é a resposta, o que Kemitril deixou nele de tão especial?
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 22/4/2016, 02:32

    -Os sórdidos filhos de Enoch são realmente detestáveis...

    Resmunga Nikolayevna que ainda se dedicava a própria recomposição de postura e atenção durante a sua fala, a anciã observa os arredores e principalmente para as águas que circundavam a ilha, ainda turbulentas e com enormes redemoinhos de fúria. Balançando a cabeça negativamente, a face esquelética e horrível da mulher secular assumia uma expressão de desgosto muito clara, não era algo relacionado a você, mas certamente ao espírito que havia assumido o corpo dela anteriormente. Esforçando-se para se acalmar, ela então responde.

    -O problema não é objetivo que ela procura mais os meios que ela escolheu utilizar, causar mais impactos a tão frágil estrutura umbral de Enoch, causaria uma tempestade de dimensões inimagináveis e o grande temor da Mão é, que com a queda de Enoch, os verdadeiros antigos acordem... Pois é lá que as consciências deles dorme. Compreende!?

    Ela então faz uma pausa, para que você fosse capaz de raciocinar sobre as palavras dela e então retomava a fala, respondendo a sua questão.

    -Ela deixou algo no seu vitae, me falta capacidade e conhecimento para compreender profundamente o que é. Mas minha alma me afirma que no teu vitae existe algo que pode trazer ela de volta... Entenda, não há como sair de Enoch a não ser que lhe seja dada a permissão, mas o que há no teu sangue é justamente a permissão... Quando se atravessa os muros de Enoch, seu corpo morre. Teu sangue pode garantir o renascer das cinzas de um corpo amaldiçoado, de qualquer um.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 22/4/2016, 03:55

    Paro então para raciocinar coçando o rosto enquanto ainda me recupero de meu ato de coragem contra Seth. Inicialmente fico surpreso com o poder que a Deusa me deu. Como poderia um reles aprendiz como eu ter o poder da Phoenix? Nunca pensei em mil anos que tanta responsabilidade cairia sobre minhas mãos. E eu como um tolo pensando que apenas os perigos de Gustav, Sabá e Karla eram a perdição da cidade. Somos apenas pequenas moscas dentro do grande tabuleiro que este planeta é. Mas eu tenho meu papel e tenho que saber como exercê-lo. Preciso seguir aquilo que for mais justo e correto. Não só para mim ou minha senhora, mas para todo o povo da cidade ao qual eu vivo. Então de braços semi cruzados em uma posição analítica começo à falar de maneira clara e polida.

    - Permita-me tentar entender a situação. A senhora Kemitril conseguiu um item chamado de Pilar Djed, uma relíquia de Osíris. A qual para ser aberto requeria um ritual de julgamento, e a cidade de Berlim serviria como melhor catalizador do ritual. Com tal ritual completo, a mesma conseguiria adentrar Enoch para completar seu destino. Mas deixou em mim um mecanismo de regresso. Agora caba a mim trazê-la de volta do mundo dos mortos. E quando eu a trazer, o ritual de julgamento e o sono eterno terminam. Entretanto se eu a trouxer agora, o plano dela nunca será alcançado e caso eu a traga depois do que ela planeja, podemos nos deparar com a guerra final. É este o dilema ao qual me encontro, sábia Nikolayevna?
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 23/4/2016, 18:57

    -Seu raciocínio é interessante, mas me permita oferecer a você um pouco do meu pensar...

    Responde Nikolayevna que fazia um sinal com o dedo indicador pedindo para você esperar um instante, a mulher então se dá ao longo e trabalho trabalho de recolocar a mascara de caveira sobre a face, recompondo-se a montagem inicial de seu semblante macabro, a mulher parecia muito mais confortável com a face escondida por de trás daqueles ossos. Enfim, ela retoma a fala.

    -Veja bem, eu discordo em vários aspectos do teu raciocínio e lhe digo o motivo através da minha própria forma de ver os fatos que nos circundam. Primeiramente, não há nenhum ritual de julgamento em curso, o julgamento é o resultado do feitiço do sono que libertará os adormecidos dessa cidade de suas algemas e os lembrará das verdadeiras razões. O ritual na realidade é erroneamente definido como ritual do sono, é na verdade, um ritual de purificação... A mente daqueles que sonham estão indo profundamente no passado e nas memórias afim de oferecer a todos uma chance de se recolocar, que reencontrar o próprio caminho. O julgamento será realizado assim que todos acordarem e o julgamento já está em curso, sob o nome de Conclave. Os filhos da Camarilla estão nesse exato momento se organizando para tal acontecimento... Ou seja... o julgamento acontecerá com Ela aqui ou não.

    A antiga percursora faz uma pausa e dá inicio a uma caminhada ao seu arredor, circundado você ela retoma a frase.

    -Isso nos leva ao teu dilema. Que ao meu ver seria, permitir ou não que Ela ultrapasse os muros de Enoch. Se você assim permitir, um futuro negro nos aguardará. Se você não permitir, irá trazer Ela de volta e irá frustrar os planos inciais da mesma. Entretanto, me diga, porque ela daria à você a possibilidade de frustrar os próprio planos e o ausentaria da purificação? Talvez ela tenha em mente que o esta fazendo é arriscado de mais?
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 23/4/2016, 22:38

    Um conclave?! Esta será a situação terrível que pode levar a cidade para uma guerra final. Minha senhora nunca esteve em tanto risco como neste momento. Preciso ser o melhor guarda-costas que este mundo já fez. Preciso prever os movimentos do inimigo de alguma forma para poder impedir que ela se torne uma peça de manobra para os oportunistas tomarem a cidade para si.

    - O que a senhora diz faz sentido. O julgamento então é um ato literal. Um ritual de purificação, então essa foi a chave para que Kemintiril se direcionasse para a cidade perdida pelas areias do tempo... E pensar que ontem eu jamais iria gastar minha energia para pensar sobre isso. Mas agora sinto necessidade grande de entender melhor sobre esse passado que à nós jovens foi negado.

    Ainda sentado, como estava dês do começo, cruzo totalmente os braços. Meu semblante pensativo fica mais evidente. Afinal é muita informação para absorver. O mundo da mágika é mais complexo que apenas uma simples sentença. O arranjo das palavras tecem N verdades e mistérios. Saber desvendá-los é uma arte para poucos. Se não para nenhum, só que tirar sentido de dentro do tecido da realidade é algo plausível. Assim regresso para minha razão e prossigo com minha fala.

    - Meu dilema... Uma coisa é a antiga confiar em mim ao ponto de me fazer de receptáculo de seu retorno. Mas dar a mim o poder de decidir sobre o destino dela? Se assim ela o fez por achar que é arriscado demais, significa que a mesma precisa de ajuda. Nem mesmo os mais antigos conseguem cumprir seus destinos sem o apoio alheio. A humildade faz a verdadeira força. E então vejo que não foi o acaso que nos fez nos encontrar.

    Neste momento pego em meus pertença minha Adaga de Madrepérola. Seguro a mesma delicadamente pelo cabo expondo a lâmina em vertical para cima. Observo o fio do aço de Damascos da mesma para finalmente concluir meu raciocínio.

    - Existe uma forma de podermos entrar em contato com ela. Pelo menos em teoria. Esta adaga milenar, tão antiga quanto Gustav Breidenstein, pode ser a chave. Se em meu corpo corre a essência da antiga, eu tenho capacidade de entrar em contato com ela. Só que a umbra profunda seria uma grande barreira para que meu ritual fosse completado. Entretanto temos vós, afinal não teríamos nos encontrados se não houvesse uma necessidade oculta para tal. Seus poderes sobre a mortalha poderiam ser o suficiente para permitir que entrássemos em contado com Kemintiril e assim completarmos o destino desta de forma não desastrosa.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por Danto em 24/4/2016, 23:40


    Nikolayevna o escutou, mas permaneceu em silêncio como se estivesse a refletir profundamente sobre o assunto. Circundando você pela sétima vez, ela finalmente parava de andar. Naquele exato momento as águas se aquietam, o enorme som da enxurrada que selava os turbilhões de água invadia o seu ouvido. O céu se abre, nuvens cinzas dão lugar para um enorme véu negro sem uma única estrela, nem sequer uma lua lá havia.
    Uma gota de chuva cai sobre a sua face, mas seus olhos simplesmente eram incapazes de vê-la.
    A gota se transforma em uma tempestade, mas seus olhos simplesmente eram incapazes de ver.
    A anciã ergueu as mãos em direção ao véu negro de mortalha que enegrecia o céu, dedos retos e finos, trepidando como galhos secos de uma árvore morta. Da palma das mãos o próprio sangue dessa verteu, escorrendo pelos braços, ao tocar na grama e na terra, o sangue fervia como magma. Areia se transforma em vidro, grama se transforma em cinza.
    O magma expande seu calor para todos os lados, mas seus olhos não era capazes de vê-lo.
    Ás águas do lago evaporavam por causa do calor, mas seus olhos não viam o vapor ir para lugar algum.
    Nikolayevna então começa a murmurar palavras incompreensível por debaixo de sua máscara de ossos, sua carne começava então a aparecer e a preencher o vazio entre suas peles e ossos. A máscara enfim desaparecia, longos cabelos negros caem da cabeça da anciã e encobrem sua face. Onde antes havia nada, agora havia o cálido corpo feminino.
    A tempestade se transformava se intensificava, mas seus olhos não viam uma gota sequer cair dos céus.
    O calor queimava suas roupas lentamente, mas nenhuma chama era vista.
    Você estava de olhos fechados...

    Nikolayevna então inclina a face na sua direção, caminhando sobre os cristais de vidro, ignorando as feridas profundas que aquelas pedras transparentes e afiadas causavam em sua carne, deixando um enorme rastro de sangue para trás. Ela agarra a sua face molhada com as mãos encharcadas de sangue e ele corrói a tua carne como se esse fosse veneno. Os dedos da mulher agarram os ossos da sua face. E a anciã então recita.

    -Quanto mais alto, mais baixo
    Todas as coisas vêm do mesmo lugar
    Agora você é a vítima, carregado, pelo vento...
    Se você quer aprender os segredos
    Abra os seus olhos!

    Com a última frase, o véu negro da mortalha acima se rompe, expondo uma enorme ravina que era espelhada no deserto que contornava a ilha onde vocês estavam, pois não havia mais nenhuma água, apenas terra e vidro. Uma fissura do céu ao chão, das raízes as alturas.

    -Sinta a morte. Pois apenas as almas dos mortos podem alcançar o submundo, através do esquecimento, através da película e através do fosso... Apenas assim a tua voz até ela chegará. Abra teus olhos! Abra teus olhos! Faça! E eu manterei a sua alma morta até o ponto em que possa trazê-lo de volta. Abra teus olhos pois não há tempo!

    E enquanto as últimas palavras da anciã eram ditas por ela, você sentia a falta de ar, uma enorme dor no tórax e a sensação de estrangulamento. Não haviam mais palavras a serem ditas pela sua boca, seu corpo ardia profundamente e sua carne fervia. A morte olhou profundamente no fundo de sua alma e o agarrou com força, puxando-lhe com potência e o arrancando de seu próprio corpo. A morte era a própria anciã e seu corpo estava imóvel a sua frente. A morte então o solta e se abaixa para pegar a suas adagas, encostando em cada uma delas e as entregando para você.

    -Vá para a ravina do chão ao céu, a ponte até onde deverás ir...Quando for capaz de ver as muralhas, pare, não ouse botar teus pés sobre as areias que a circundam! De lá deverás gritar por ela...

    A Verdadeira Face da Anciã:


    [Ultima ação para o final do ato]
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    King Jogador

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Kiril: A Dama do Lago

    Mensagem por King Jogador em 25/4/2016, 09:39


    Uma gota cai, eu não a vejo. O magma se alastra, eu não o vejo. O vapor se esmaece, eu não o vejo. O fogo queima minhas roupas, eu não o vejo. A dor entra em ressonância, me paralisa e eu a aceito. Cada centímetro daquela sensação. Eu estou morrendo... Antes tarde do que nunca. Não há lugar para o medo na frente da própria morte. Assim me esforço para me mover. Saio da posição sentada que estava. Mas não para levantar e sim para me ajoelhar. Me ajoelho diante a morte. E então com as costas eretas abro os braços. Aceito minha morte como uma velha amiga. A abraço e a respeito. Caminharei ao seu lado sem hesitar. Irei ao fundo do tártaro para trazer justiça. Deixo meu medo em meu corpo mundano. E avanço para a transcendência com minha Adaga de Madrepérola em mão, meu farol, minha sinaleira, minha Viajante da Dor e agora da morte também.

    Abro os olhos e vou para ravina.

      Data/hora atual: 22/10/2017, 20:53