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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

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    Danto
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    Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 01:38

    Março de 2002, Berlim.
    Quarta Noite


    A troca de palavras pelo ritual de apresentação ecoavam profundamente na mente de todos os neófitos ali presentes. Assustados eles se entreolhavam preocupadíssimos como o que estava para acontecer, Cassandra se mostrava tão assustada quanto os outros dois. O próprio maestro olhou aos arredores e respondeu rapidamente.

    -Eu irei esconder os corpos dos antigos da capela, tenho que seguir as ordens prescritas pelo Regente. Irei me retirar, desejo a vocês boa sorte.

    Para sua surpresa o Maestro estava muito mais ciente do que estava acontecendo na entrada da capela e sempre esperar nenhuma reação o construto simplesmente sai corredor do sala, Cassandra corre em direção a saída e olha assustada para o lado de fora, em direção ao primeiro andar.
    Haviam escadas ligando todos os andares, não haviam caminhos escondido e nada do gênero, os feitiços da capela pareciam ter sido totalmente destruídos e rompidos em uma reação imediata a sua resposta.
    E pela entrada da capela, você vê a figura terrível de Edgard.
    A pele do homem estava profundamente pálida, a idade havia causado modificações severas no mesmo. Tirando o gorro de cima da cabeça, revelando-se careca e com veios negros pulsantes por todo corpo. Você sentia a feitiçaria negra correndo pelas veias deturpadas e malignas daquele que um dia foi o teu irmão. Os olhos brilhantes em chamas verdes, estavam próximos a um frenesi brutal.
    Sem dizer uma única palavra, ele ergue as mãos e atira rajadas poderosas de fogo verde contra as estantes e o ambiente do primeiro e segundo andar da capela de Berlim.
    Atrás do seu irmão estavam dois homens e uma mulher. E era a mulher que falava em um tom provocativo.

    -Corram crianças feiticeiras, a fúria de Edgard não é a das mais controláveis...

    O neófito de origem latina, Bernardo Sison, entra automaticamente em Rötschreck e os aspectos do pavor escarlate lhe dominavam o corpo. Ele corre pelas escadas em direção aos andares superiores completamente descontrolado. Jürgen Kocher, o outro neófito paralisa de medo ao ver as chamas vermelhas e Cassandra dá um enorme grito de pavor e corre para o interior da sala onde a pequena reunião de vocês acontecia.

    [Off: Teste de Coragem dificuldade 7 para vencer o medo do fogo completamente é necessário ter 5 sucessos. Você pode fazer um teste adicional a cada ação até acumular 5 sucessos totais. O uso de pontos de força de vontade garantem controle total para um ação/post, mas não garante sucesso nos testes.]
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 19/4/2016, 20:10

    Off: Teste de Coragem, 4 dados. Dificuldade 7.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 20:10

    O membro 'Stian' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 4, 9, 9, 7
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 19/4/2016, 21:10

    Off: Segundo teste de Coragem, dificuldade 7. 4 dados.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 21:10

    O membro 'Stian' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 8, 2, 9, 9
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 23:04

    As chamas esverdeadas consumiam com selvageria as colunas e as estantes de dentro da capela. Edgard adentrava o lugar com os olhos tomados pela raiva, o poder da feitiçaria daquele homem estava incrivelmente mais poderosa do que você se lembrava, por onde ele havia andado? Da onde vinha tanto poder? Porque as veias dele estavam tão negras?! Quais eram os segredos da terrível capela Goratrix?! Essas eram umas das incontáveis perguntas que surgiam em sua mente que lutava contra a própria besta.
    A batalhe contra o medo das chamas foi vencida, mas era apenas o começo.
    Quando sua consciência se fez presente novamente, a imagem do corpo do jovem Bernado caindo das escadas e sendo devorado pelas chamas infernais a assombrou, o outro jovem Tremere simplesmente caia no chão em posição fetal, incapaz de reagir e tendo sua vontade inteiramente quebrada pela própria besta. Cassandra era a única que não estava mais por perto, ela havia corrido no começo de tudo para o interior da sala. Quase oitenta porcento do interior da capela já estava inteiramente mergulhada em chamas. Do teto, caiam livros, pedaços da estrutura e vários tomos e pergaminhos em brasas...

    -QUEM PENSAS QUE É?! COMO OUSA CUSPIR TAIS INSULTOS CONTRA MIM? EU SOU O RESPONSÁVEL PELA TUA EXISTÊNCIA! AJOELHE-SE E IMPLORE POR MISERICÓRDIA! NÃO SERÃO AS PROTEÇÕES DESSE AMADOR QUE A PROTEGERÃO!

    Urrou Edgard que só tinha um único foco: Você.
    Os outros companheiros dele davam boas risadas do corpo do jovem que se debatia no fogo, desesperado como um peixe fora da água. A mulher entretanto, observava os arredores com atenção. E comentava em um tom baixo de voz.

    -Controle-se Edgard, se não ele irá controlar você a força... Não vinhemos aqui para brincar com esses bruxinhos... Essa é a tua irmã?! Entendo a tua raiva, mas por favor, recomponha-se imediatamente...






    Os Invasores :


    Edgard:






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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 20/4/2016, 00:39

    Culpa. As palavras ameaçadoras de Isabelle para seu irmão de sangue haviam gerado a destruição da Capela, a morte de um neófito, a vergonha de estar impotente na frente de um Membro anti-tribu, a desgraça para seu nome e sua linhagem. Seus olhos já marejados de lágrimas rubras e desesperadas, seus olhos moviam-se pelo ambiente novo que adentrava sua visão, o corpo do neófito em chamas, os livros e tomos preciosos da Capela despencando das prateleiras, danificados permanentemente por aquelas estranhas chamas verdes, as dúvidas de como tudo havia acontecido com tamanha facilidade para aqueles quatro estranhos.

    Dor. A visão de Edgard a sua frente, fazia sua mente se distanciar e retomar os dias em que ainda compartilhavam a vivênvia na mesma Capela. Embora de lados opostos de diversas teorias e estudos, nunca haviam existidos atritos perigosos entre os dois. Mas na noite em que suas visões anteciparam uma provável traição por parte de Edgard que desejava o sangue de seu Senhor Francesco. Nunca saberia se realmente sua premonição era verdadeira, por ser o mais antigo da linhagem de Francesco, Edgard foi exilado da Capela de Roma e escapou da própria destruição pela relevância do avanço de seus estudos na capital Italiana.

    Desespero. O que fazer em frente àqueles monstros? Queimaram um jovem cainita vivo, destruiram o conhecimento adquirido e reunido através de séculos, senão milênios de existência da Casa Tremere, isso tudo para o que? Me ver? Sentir nosso medo? Demonstrar seu poder pessoal? O que é essa estranha mulher? Sobre quem ela fala?

    Suas lágrimas nos olhos, faziam com que os mesmos permancessem em um abrir e fechar constantes, as mãos tentavam ocultar a face do medo, do desespero e daquela dor que a cainita sentia. Era uma recepção totalmente indesejada e com certeza seria inesquecível para a não-vida inteira de Isabelle, isso se a mesma continuasse a existir após este encontro com o furioso Ancião Tremere. Sua voz saia fraca, quase um suspiro, um sussurro de autopiedade, palavras desconexas, confusas, medo nos tons das silabas, o idioma alemão não vinha em seu lugar apenas o italiano de sua terra natal:

    - Você...quem...por que tudo isso?...minha existência...o que fez por mim?...não entendo...

    "Por que? Por que? Por que? Amaldiçoo o dia em que recaiu sobre mim esta maldição de predileção do futuro, maldito foi o dia em que me tornei uma Tremere, talvez esta dor toda não existisse se Edgard tivesse concluído seu plano de tomar o poder de Francesco...ele realmente seria capaz de fazer mal a nosso Senhor? E se estava engana e Edgard foi julgado injustamente...?"

    As palavras retomaram a força e ela gritava com as mãos sobre a face, os joelhos dobrados tocavam o chão e seu corpo pendia totalmente para frente fazendo com que sua cabeça quase tocasse o chão, ela implorava para aquele horror enfim terminar, seus gritos provavelmente ecoariam na memória destruída do pobre jovem Tremere que restava em prantos, não haviam proteções suficientes naquela Capela para barrarem o poder de Edgard, assombroso e repentino pela passagem dos anos, as defesas de uma Capela deveriam ser instransponíveis, no entando o inimigo entrou sem problemas, como se já o tivesse feito no passado. Os gritos eram abafados e piedosos pela posição em que Isabelle se encontrava:

    - O QUE QUEREM DE NÓS????!!! O QUE QUEREM DE MIM???!!! ME LEVEM DAQUI, ACABEM COM ESTE INFERNO, POUPEM OS MAIS JOVENS! PEGUEM O QUE QUISEREM!!! NÃO POSSO SUPORTAR MAIS NENHUMA MORTE POR MINHA CAUSA!!! EDGARD...POR FAVOR...EDGARD...


    A face levantou-se e olhava agora diretamente em prantos para o Feiticeiro da Capela de Goratrix, as lágrimas vermelhas tornavam a visão da face do mesmo rubra como o sangue que escorria pelo pescoço e blusa de Isabelle.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 20/4/2016, 21:12

    Edgard tremia em ódio e fúria, mas a mão direita da estranha mulher que estava junto com ele e os outros invasores, tocou o ombro do mesmo. Ela sussurrou algo em seu ouvido e a fúria pareceu se dissipar com tanta velocidade quanto havia surgido. O ódio ainda ficava impregnado nos olhos do ancião Tremere que a encarava com veemência, e então, finalmente você obteve uma resposta vinda de Edgard, uma resposta que vinha com a triste cena do corpo do jovem neófito se transformando em pó, com a imagem do outro caído próximo aos seus pés em torpor devido ao medo intenso que havia sofrido.

    -O meu nome não é Loriet, o teu nome não é Loriet. Não se iluda criança... Você ousa se referir a mim como uma vergonha, como um ser que não tem o sangue Tremere nas veias. Não existe sangue Tremere, nosso sangue é o sangue dos Salubri, dos Tzimisce e dos Gangreis, somos usurpadores e não cometa o erro de se vangloriar de maneira tão pífia. Você anseia tanto pela minha destruição, sem ter sequer uma razão para isso, serei então o melhor irmão que você poderia ter... Lhe darei tantas razões que lhe faltarão dedos nas mãos para conta-las. Se desejar me odiar, desejar que o sol e o fogo consumam minha carne, assista.

    Erguendo a mão direta novamente, Edgard começa a construir uma bola de fogo vil em sua mão, Cassandra então simplesmente sai correndo de dentro da sala, passando por você e abrindo os braços a sua frente, gritando intensamente.

    -Parem com essa loucura agora! Não importa quem sejam ou porque se odeiam! A capela não sofrerá por isso! Vocês são estrangeiros que não foram convidados, como podem ser tão infiéis à própria mágika que sai de suas mãos? Parem de destruir os conhecimentos da capela! PARE!

    Edgard então desfaz o fogo e faz um sinal para que Cassandra descesse. A jovem prontamente reage positivamente e desce correndo as escadas em direção a Edgard, ele aponta para a neófita e diz.

    -Ela é muito mais coerente do que você, irmã, que se coloca abaixo das assas dos antigos e insulta os outros feito uma criança sórdida. Um simples empurrão e cá esta você de novo, de joelhos e aos prantos. O que eu quero de você? Foi você que me denunciou sem razões para o nosso Senhor, meu banimento é a tua culpa, a destruição da capela de Roma também e toda a dor que eu puder infligir a essa mundo, também será. Me diga, o que você quer de mim! Eu convenci nosso Senhor a te abraçar, Eu a trouxe para a casa Tremere, Eu a libertei das chamas da inquisição! E você me paga com desdem, traição e falso orgulho? Foda-se o nome Loriet e tudo o que ele não significa, meu nome é Edgard Ashworth!
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 20/4/2016, 22:37

    Isabelle imaginou estar sentindo seu corpo mais leve, a sua destruição parecia vir das mãos de seu próprio irmão de sangue, enquanto o mesmo concentrava aquela energia desconhecida em uma das mãos. As palavras duras dele e o ódio embora não compreendidos por completo, assaltavam a memória da cainita naquele momento.

    Enquanto o corpo do neófito tornava-se pó, a mesma mantinha a face ensanguentada pelas lágrimas que derramara frente aquela destruição e pela culpa que lhe consumia. Seus olhos acompanharam as chamas até ver a imagem de Cassandra, gritando com os intrusos e também de sua salvação através de um simples sussurro da desconhecida mulher de vermelho.

    - Edgard...me conhece a mais tempo do que todos nesta cidade e muito melhor do que nosso Senhor...assim como você, herdei o nome Loriet do próprio Francesco como uma tradição de linhagem, fui em minha vida mortal Isabelle Cibella Cannizzaro...e quando me tornei parte de nosso clã, conhecido nos tempos antigos como Usurpadores, o nome de Francesco corou minha entrada nos estudos e desejos do clã...a origem advinda do sangue Salubri, Tzimisce e Gangrel me foi revelada alguns séculos depois...mas, essa história toda você já conhece, estava lá e foi um dos que me apresentaram na Capela de Roma...

    A cainita agora começava a levantar-se lentamente, os braços envolvendo o corpo em sinal de insegurança e autoproteção. Sua face estampava ainda o medo e a culpa pelos acontecimentos que haviam culminado com a destruição daquela parte da Capela.

    - Não queria que você fosse exilado, sempre me perguntei se realmente trairia nosso Senhor, se reclamaria o sangue do mesmo para você, se trairia a mim e a Maurice, você e ele realmente...pareciam como irmãos...

    A Tremere humilhada, caminhou em direção a Edgard enquanto Cassandra também o fazia, ser comparada com a neófita havia sido um insulto grave, mas não haveria ninguem para punir o ancião Edgard.

    Parando a poucos passos de seu irmão mais velho, ela baixou a cabeça, mantinha os olhos nos pés dele, reconhecia ele como superior a ela independente de sua posição na hierarquia do clã, mesmo sabendo que ele provavelmente não respeitaria a mesma, pelo menos não dentro daquela Capela.

    - Minhas visões, nunca erraram anteriormente. Eu era uma jovem cainita, assustada e temendo a fúria de meu próprio Senhor. Temia as retaliações advindas de nossos superiores se você realmente tivesse consolidado o que minha visão havia me apresentado...se soubessem que eu possuia algum tipo de intuição sobrenatural, com certeza eu seria posta em uma estaca no sol, ao invés de você.


    Ela ergueu a cabeça, um olhar de seriedade percorria a face de fúria de seu irmão mais velho, suas lágrimas não caiam mais, ela manteve-se resoluta.

    - O ódio de nosso Senhor por você, me cegou. Me fez querer sua destruição quando sequer provou-se seu crime. Sou uma tola, séculos estudando manuscritos e apredendo as variadas artes de Burnier, e aqui estou incrédula com a falta de sabedoria e senso que tenho demonstrado desde que ouvi sua voz. A você meu irmão mais velho, devo muito mais do que desculpas, sendo Loriet ou não, tenho uma divida com você...

    Finalizou a Tremere que voltava a caminhar em direção ao ancião.

    - Você veio até aqui em busca de um abraço, aqui estou eu, humildemente a sua disposição.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 22/4/2016, 02:52

    Edgard sorriu com a sua resposta e deu um único passo a frente, apontando o dedo indicador na sua direção ele começou um discurso que ecoariam profundamente na sua alma, para todo o sempre.

    -Quando se pensa que já tentou de tudo que tuas forças podem, ainda sim existe a possibilidade de se tomar as decisões certas. Entretanto, escolhe cometer os mesmos velhos erros, desequilibrando facilmente a balança. Escute-me, Loriet, quando se vive no limite entre a vida e a morte, não há outro caminho se não jurar diante o livro da morte que jamais irá perecer pelas mãos daqueles que insistem em cometer, assim como você, os mesmo erros tolos. Você sabe me dizer o que a vida ou a morte significam? Você sabe me dizer porque algumas coisas são tão preciosas e outras insignificantes? O que faz de ti melhor ou maior do que essa jovem? Tudo pode ser simplesmente tomado pelas mãos do destino. Você é capaz de reconhecer isso?

    Ele balança a cabeça negativamente e então dá mais um passo na sua direção, ficando realmente próximo de ti mas sem sequer encostar um único dedo em seu corpo. A face de Edgard estava calma, mas seus olhos demonstravam uma profundidade singular, havia dor, tristeza e força naqueles olhos.

    -Não há desonra em ser comparado com alguém que você julga inferior, existe desonra em inferiorizar alguém que você sequer conhece com base apenas nos títulos que por você foram herdados. O seu medo me causou profundos tormentos, Isabelle, graças a você todos aqueles que um dia considerei companheiros e irmãos viraram suas faces à mim. E o que você ganhou com isso? O nome de um homem que lhe causava medo? Você é apenas uma criança irmã, acostumada com bajulações e anciões interessados no seu poder, nada que conquistou até hoje é teu! Eu caminhei pelo jardim dos mortos! Eu caminhei no submundo dos mais profundos infernos! Abracei meus pecados e deles forjei meu poder! 

    Ele olha profundamente para você e remove o sorriso da face, falando com uma voz direta e de maneira simples.

    -Eu jamais encostarei uma única mão e você... Não sabendo que ainda é um simples poço de amarguras e incertezas. Você me deprime Isabelle...

    Edgard então se vira bruscamente e começa a caminhar em direção a saída, mas para a surpresa de todos, Cassandra dá vários passos atrás do mesmo e o segura pela mão. Em prantos e simplesmente encantada pelas palavras de Edgard, a jovem suplica.

    -Por favor, leve-me contigo! Por favor, me salve do destino de ser como a senhora Isabelle, me mostre um caminho! Por favor!

    Edgard segura firmemente a mão da jovem e olha para ela por cima dos ombros.

    -Vamos embora jovem e farei de ti a minha nova aprendiz.

    Edgard e seus companheiros exóticos então começam a sair da capela, Cassandra segue fielmente o seu antigo irmão em direção a saída da capela. Ele parecia determinado em não causar mais nenhuma destruição no interior da mesma e até as chamas desapareciam como mágica. Quase oitenta porcento do interior da capela havia sido consumida pelas chamas, a estrutura certamente não aguentaria por mais do que quatro noites. E um enorme vazio devorava o teu intimo, porque ele acolheu uma desconhecida e não você? Havia razão e verdade nas palavras dele? E se todos os antigos até hoje a consideraram apenas uma ferramenta?
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 22/4/2016, 17:32

    Já não era de agora que Isabelle se considerava apenas uma ferramenta nas mãos dos antigos, por mais cautelosos que estes fossem, seja Francesco ou Burnier. As palavras de Edgard, como o mesmo desejava, tocou profundamente em seu intimo. Seus pensamentos vinham como facas, cada vez ferindo mais e mais o cerne da existência da cainita até as noites de hoje. Tudo que ela havia feito, era pelo propósito de seu Senhor e Mentor, nada por ela própria. E Edgard passara por coisas terríveis como ele mesmo disse, e a dor o fez entender tudo que a Tremere neste momento anseava descobrir. Mas o único caminho para estas revelações era a dor?

    Enquanto seu irmão mais velho saía levando surpreendentemente Cassandra, Isabelle disse em tom sério:

    - Tive uma visão antes de chegar a Berlim, Edgard. Sua face, em meio a muitos jovens neófitos queimando...no entanto, pude sentir sua agonia e dor intensamente através desta visão e não é diferente agora. Vi Berlim queimar, junto com ela você e todos os cainitas presentes nesta cidade amaldiçoada, assim como eu. Isso soa insignificante ou precioso para você? Levando em conta nossa existência, seria o fim que muitos buscam? Ou a morte verdadeira que muitos renegam com todas as forças?

    Ela então observou toda a destruição que havia na Capela, não temia punião alguma, porque as defesas eram frágeis como papel, pensava que até mesmo ela poderia invadir a Capela se quisesse. O Regente não era alguém tão poderoso quanto Francesco, e a equiparação real com o Regente de Paris seria uma afronta ao mesmo. Edgard era agora um ancião poderoso, movido pela angustia e tristeza que demonstrava agora e também em sua visão.

    - Esta maldição que carrego desde que era mortal, uma vez fez com que eu afastasse você de todos, seguindo agora o caminho da dor, do ódio e da tristeza. Conto-te agora o que vi, para que saiba o que espera ou não você neste caminho que trilhas. Voltaremos a nos ver, com certeza, e terei respostas às perguntas que me fez agora.

    "Edgard...Edgard...afastaram-no do caminho de nosso clã...não posso mais considerá-lo um inimigo...ele caminha agora na trilha da dor...da solidão...és um cainita amargurado e antigo, com poderes suficientes para me destruir, no entanto não fez isso...eu deveria buscar a redenção do mesmo? Ou deveria eu trilhar o mesmo caminho dele? Sou uma simples ferramenta dos anciões de meu clã? Angus Burnier e Francesco me usaram este tempo todo? Este tempo, estive enganada pensando que meus olhos estavam abertos? Vivi uma ilusão...? Maldição!"

    Os olhos de Isabelle acompanharam Cassandra abraçando seu novo mestre, aceitando o aprendizado que Edgard acabara se negando a lhe instruir devido às palavras ditas pela Tremere. A jovem neófita, embora avançada nos estudos, era prole de Wahlgren, também da linhagem de Luchtaine e posteriormente da linhagem de Burnier. O Sabá possuia uma nova assecla, e a Camarilla perdia-se com os antigos dormindo.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 23/4/2016, 19:10

    Edgard ouve as suas palavras e para de andar, os companheiros dele então param já na saída da capela, ele faz um gentil gesto para distanciar Cassandra de seu corpo e entrega as jovens sob os cuidados da mulher de vermelho que havia adentrado a capela, ele então se vira pela última vez para olhar diretamente para você. Com um pequeno sorriso no rosto ele responde.

    -Você entendeu tudo errado, Cannizzaro, sim eu caminhei durante algum tempo de minha não-vida por um trágico caminho. Mas veja agora, quantos estão ao meu lado e quantos estão ao seu... E não, eu não irei considerar a tua visão por um único motivo. Elas não significam absolutamente nada para mim, você jurou me ver assassinando o nosso Senhor, acredito que isso não tenha acontecido não é mesmo?! Você nasceu com um dom e o transformou em maldição... Tenha uma péssima noite, senhorita Cannizzaro... Até breve.

    Ele então se vira e faz um sinal para que seus companheiros saíssem da capela, deixando o local sem guardar a sua resposta e mesmo que houvesse alguma, ele simplesmente não daria sequer um simples olhar para trás... Você estava então, sozinha em meio ao caos.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 25/4/2016, 08:59

    A Tremere observou os instrusos irem embora, com as últimas palavras de Edgard ditas, ela voltou-se para o interior da Capela. A destruição alcançava seus olhos, o neófito destruído, todo aquele conhecimento, toda aquela sabedoria, protegida por algo tão pifio. Segredos e mistérios do clã, simplesmente queimados por desleixo na proteção dos mesmos ou Edgard era assim tão poderoso agora?

    A dor da culpa ainda mantinha-se funcional, seus olhos paravam de observar sempre antes de chegar aos restos queimados do neófito que havia sido destruído, era agonizante olhar aquela forma, realmente os cainitas tornavam-se pó ao serem destruído, sua essência mágica ou não, tornava-se apenas um punhado de cinzas, que o vento poderia levar. Isabelle apertou com força a foto no bolso de seu casaco, a angústia de não poder fazer nada, de se encontrar impotente frente ao poder do Sabá, ao poder de seu próprio irmão, não conseguiu evitar a morte do neófito, nem a queima da Capela. Berlim mostrava suas presas para Isabelle, e ela as temia.

    "Pierre...Maurice...o que eu fiz? Edgard destruiu tudo aqui...destruiu juntamente minhas certezas...carregou meus pensamentos de dúvidas, se eu era apenas uma ferramenta dos antigos de nosso clã para seus propósitos ocultos...minou minhas capacidades premonitórias com dúvidas, afinal, ele não havia entendido por que é uma maldição...sempre alguém próximo a mim morre em minhas visões...realmente, ele não conseguiu trair Francesco...mas e se eu não tivesse advertido nosso Senhor? Teria ele tentado...maldita dúvida que me assola...Berlim se mostra não convidativa e há muita coisa oculta aqui...os anciões precisam acordar novamente de seus sonos...a base política e dominante da Camarilla advém dos anciões como Dmitra Ilyanova e com eles dormindo se torna frustrante as defesas da mesma...temo que se este feitiço do sono não findar em algumas noites, não existirá Camarilla para um Conclave..."

    Isabelle parou de frente ao degrau da escadaria que levava para a sala onde estivera com os neófitos, ela apoiou a mão levemente na madeira do corrimão e proferiu lentamente para o nada:

    - Maestro?
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 25/4/2016, 20:51


    Sua mão tocou levemente o corrimão e ficou inteiramente coberta por cinzas, até um pequeno som de rachar de madeira foi ouvido e o pedaço que você tocou se desfazia em pequenos farelos e cinzas. Sua voz ecoou para o nada... Maestro... Maestro... Maestro... Apenas o eco respondia a sua voz e chamado.
    Silêncio.
    Nada havia no local, ninguém estava ali. Nenhum som sequer era emitido por alguma forma viva, as cinzas aglomeradas que outrora foram um jovem neófito da capela ainda estavam aglomeradas em um canto qualquer. O outro jovem ainda em torpor jogado no chão como se fosse apenas uma mobília sem utilidade.
    Silêncio.
    O ranger da estrutura de madeira do primeiro andar ressoava com temor aos seus ouvidos, andar por ele seria extremamente arriscado por causa dos enormes danos feitos pelo fogo verde e vil que correou tudo ao arredor, seus olhos então são capturados por um barulho...
    Após longos minutos de puro silêncio, um livro despenca do alto, o doloroso som do ar sendo cortado e da gravidade empurrando com desgosto o livro que se espatifava no chão e se transformava em mais cinzas. Naquele instante, passando pela entrada mística que ocultava o interior da capela dos olhos mortais, você vê um homem de idade avançada, barba quase totalmente grisalha, cabelos com várias porções da mesma cor. Ele usava um sobretudo que ocultava o corpo inteiro, sua pele era branca como o marfim. Os seus olhos tremeram ao ver a imagem daquele homem, era simplesmente impossível que ele estivesse presente naquela cidade e muito menos em uma capela em ruínas... Mas sim, era o próprio Michael Kretschmann, a prole mais antiga de Lotharius, irmão mais velho de Karl Schrekt e criador da famosa linha da conjuração da Casa Tremere.

    -Eu me daria ao trabalho de uma apresentação formal, de belas palavras ou saudações. Mas perdoe-me a minha ausência de paciência e educação dessa próxima sentença... O que infernos aconteceu à capela de Berlim minha jovem?

    Michael Kretschmann:
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 27/4/2016, 08:21

    Os olhos da Tremere procuraram sinais de Maestro, o construto mágico que guardava a Capela, mas ele não havia atendido ao seu chamado. Os objetos desintegravam-se ao mero toque das mãos nuas da cainita, ela olhava aquele corrimão despencando e fechava os olhos antes que o mesmo tocasse chão e virasse pó. A dor daquela destruição ela haveria de suportar, sua soberba com Edgard acarretou na destruição de grande parte da Capela de Berlim logo na noite de sua chegada.

    Seus olhos então depararam-se com Michael Kretschmann, prole do poderoso Lotharius e irmão de sangue do antigo Justicar Karl. Sua mente começava a trilhar preceitos para o mesmo estar ali parado a sua frente, em Berlim, em uma Capela destruída e acordado naquela cidade onde os antigos ainda dormiam vitimas do feitiço do sono.

    Ela faz uma mesura formal quando vê o mesmo, o reconhecimento é praticamente instantâneo, ouvindo as palavras sem paciência do antigo, ela responde de maneira respeitosa e sem rodeios:

    - Boa noite Sr. Kretschmann, a Capela foi destruída pelo Sabá, um ancião anti-tribu de minha própria linhagem. Cheguei a Berlim a poucas horas e fui enviada pelo Sr. Burnier da Capela de Paris, meu nome é Isabelle Loriet.


    "Michael Kretschmann...prole de Lotharius...antigo Príncipe de Viena...meu clã demonstra interesse nesta Capela em particular...e nada melhor do que mandar um membro tão antigo como Kretschmann para investigar e organizar o lugar...afinal, conforme o Sr. Burnier...existem rituais proibidos sendo realizados e esta morte repentina de Luchtaine...muito mal explicada para alguém que é da própria linhagem do mesmo..."
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 27/4/2016, 17:08

    -Então o jovem Loriet realmente construiu uma linhagem para si, seria interessante se a sua resposta não colocasse a culpa desse fatídico acontecido sobre a imagem de um irmão de linhagem. Agora me diga, se esse antitribu causou tudo isso ao arredor, porque você não o impediu ou sequer demonstra qualquer tipo de exaustão pós enfrentamento?!

    Indagou o antigo Tremere que caminhava pelo primeiro andar, intrigado pelas profundas feridas que foram deixadas pelo fogo verde no interior da capela, enquanto aguardava a sua resposta ele se encaminhava até a proximidade da escadaria e analisava cautelosamente as cinzas que minutos atrás, pertenciam ao corpo do neófito destruído no ataque.

    -Essa é a única morte?!

    Pergunta novamente Michael Kretschmann que demonstrava uma enorme curiosidade sobre tudo que havia acontecido ali, ele flexiona os joelhos e toca nas cinzas do neófito destruído, fechando brevemente os olhos como se dedicasse bons pensamentos para a alma daquele que se foi. Mas antes de responder ao antigo, a imagem de um neófito adentrando a capela chamou a sua atenção. Ele parecia assustado e desnorteado como se não esperasse nunca encontrar a própria capela naquele deplorável estado.

    [off: O Miac se juntará ao seu tópico. A sequência de posts será: Pah, Miac e eu. Por favor, aguardem os turnos!]
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 27/4/2016, 20:21

    - Edgard...

    Isabelle parou de pronunciar as próximas palavras antes mesmo que elas saíssem de sua garganta, a visão do neófito recém chegado não lhe afetava, provavelmente algumas respostas deveriam ser respondidas pelo mesmo, nada de mais.

    - Edgard é muito mais antigo, mais de dois séculos separam meu abraço do dele. Foi exilado, acusado de traição contra o Regente de Roma, Francesco Loriet. Não possuo poder suficiente para detê-lo, além do que ele não estava sozinho, haviam mais três Membros com ele. Um embate sozinha, seria apenas para encontrar mais rapidamente minha morte final Senhor. No entanto, Edgard pareceu ainda respeitar a própria linhagem a que procede, esta é a razão de ter sido deixada ilesa, mas é realmente uma pena e me culpo pela destruição deste aos seus pés.... Ele foi embora levando consigo uma neófita como aprendiz recém recrutada do mesmo. Cassandra era o nome dela, prole de Wahlgren.

    Ela permaneceu observando os movimentos do ancião, temia por uma retaliação advinda do mesmo, ela jamais possuiria poder para equiparar a vontade de Edgard, mas havia falhado gravemente em relação ao tratamento que deu ao seu irmão de sangue, agora um poderoso ancião do Sabá.

    Com o neófito recém chegado agora mais próximo, seus olhos encontraram ele, aguardava apenas uma simples apresentação para explicar-lhe o ocorrido, se Michael Kretschmann assim permitisse.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Miac em 27/4/2016, 21:21

    Ulrich ainda permanecia incrédulo com as palavras de Rebeka, só que ao ver a cena de sua capela destruída o mesmo se sentia como no passado, apenas um peso, aquilo estava sendo mais difícil de aceitar que o imaginável para ele, seus passos eram lentos e seus movimentos letárgicos, era como se realmente tudo que ele queria para si fosse arrancado da forma mais brutal e desumana possível.

    Ele havia passado pela barreira estilhaçada, como odiou deixar seu sangue ali, como xingou Valerius por aquilo, nunca deu valor de fato para tudo aquilo e agora tudo aquilo que ele dava valor eram cinzas, seus joelhos encontram o chão ao ver a cinzas que o homem estava a pegar e a voz da mulher ali apenas soou em sua mente. Suas mãos se fecharam puxando para o interior delas os restos do que eram livros, pergaminhos e a Capela em si. Seus olhos começavam a ficar vermelhos e um grito saiu de sua garganta com extrema violência.

    - VOCÊ ME DISSE QUE EU NÃO DEVERIA ME PERDER ENQUANTO OS REFORÇOS NÃO CHEGASSEM! EU FIZ TUDO QUE OS ANTIGOS FALARAM! E NO FIM TIVE MINHA CASA QUEIMADA...pra quê isso? MAESTROOOOOOOOOOOOO! PRA QUE ISSO?

    O Jovem Tremere se levantou como se estivesse completamente esgotado, seus olhos permaneciam fixos nos dois ali presentes, a irã lhe consumia com voracidade, o medo lhe consumia por temer que a culpa caísse sobre ele pelo que havia acontecido ali, ele estava organizando um conclave junto de todos, mais apenas ele poderia cuidar da capela, o mesmo apontou para a mulher e falou de maneira ríspida.

    - Cala boca e pare de mentir! Cassandra nunca iria com esse filho da puta que queimou a Capela, ela sente orgulho de nós, eu vi em seus olhos, este Edgard não respeita nada, ele destruiu a Capela, meus sonhos e meu futuro...EU AMALDIÇOOU ELE! Juro por Deus que irei faze-lo pagar por cada pagina queimada, por cada fragmento de madeira carbonizada...o que vou falar para o Arconte de Lucinde!? Deus!

    As mãos iam até sua cabeça segurando seus cabelos com força, seus olhos permaneciam arregalados e demonstrando um total desespero por aquela situação. Suas presas saltavam e uma especie de gruindo de dor ecoou de sua boca.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 28/4/2016, 15:14

    O ancião Tremere observou as palavras de Isabelle com cuidado e logo virou seus olhos para Ulrich que gritava assustado ao adentrar o local, o antigo se levanta sem pressa alguma e fala em um tom baixo de voz olhando para o neófito.

    -Jovens espirituosos e dramáticos...

    Em seguida ele olha em direção a Isabelle e comenta de maneira breve.

    -Então isso foi causado por um bando do Sabá que possuí entre eles um Tremere Anti-tribu poderoso e experiente. Entendo suas palavras jovem Loriet, agora peço para que por favor, permaneça por perto pois precisarei de todas as mãos possíveis para reconstruir ou mover a capela para outro local.

    O homem então finalmente olha diretamente para Ulrich, fazendo um sinal com o mão para o mesmo se colocar de pé. Ele caminha na direção do neófito enquanto falava com calma, mas nem por isso, o tom de sua voz soava simpático.

    -De pé. Eu entendo a sua dor ao ver a capela ao qual pertencia nesse estado, mas jamais ouse repetir uma atitude como essa. Entenda que essa não é a primeira capela Tremere a ser destruída, nosso primeiro lar foi destruído, pilhado e nossos primeiros irmãos e criadores foram devorados e queimados. Os ignorantes reagem com violência ao ver o incompreensível. Cabe a nós, os instruídos a nos recolocar sempre e jamais desistir. Entretanto, independente da caótica situação, relembro a você jovem que existem profundas razões para a manutenção do respeito, da hierarquia e da razão. Comportar-se como um selvagem enfurecido faz de ti similar aos ignorantes... Coloque-se de pé e honre as memórias que possui dessa capela, faça algo útil, procure por sobrevivente, sejam eles livros ou colegas aprendizes. Faça tua reverência aos que partiram, mas não ouse, nunca mais insultar um membro de um ciclo superior. Pois se assim fizer... Não haverá razões nesse mundo que me impedirão de transforma-lo em cinzas e cala-lo eternamente. Coloque-se de pé e me diga se foi capaz de entender.

    O homem então finalmente para de andar e se apresenta com calma. Olhando diretamente para Ulrich.

    -Sou Michael Kretschmann, irmãos mais velho de Karl Schrekt, finado Justicar Tremere e Senhor do Regente dessa capela. Venho a Berlim para participar do conclave e realizar uma investigação dos fatos que envolvem a morte de meu irmão. Você falou o nome da atual Justicar Ventrue e citou uma arconte, o que sabes sobre o Conclave, jovem?
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Miac em 28/4/2016, 20:18

    Ulrich ouviu a palavra " bando do Sabá ", seus olhos ardiam ainda mais em fúria, até que ouvir a ordem do antigo, o mesmo arregalou os olhos e se pós de pé de imediato. A fúria em seus olhos tomavam rumo a olhos curiosos que ouviam atentamente ao que aquele homem falava, sua presença era poderosa assim como sua voz, ele balançou a cabeça positivamente e algumas vezes negativamente enquanto aquele homem falava.

    - Fui completamente capaz de entender senhor!

    Como ele havia esquecido de como os velhos eram meticulosamente frios e racionais em suas ações na capela e até mesmo fora, naquele momento ele entendia que sua irã não iria trazer frutos algum. Seus olhos se arregalaram ainda mais quando ele ouviu o nome e de quem aquele homem era irmão e senhor.

    " Realmente não deveria agir assim, só que não me desce que essa mulher nem ao menos esteja ferida em trombar com o bando que destruiu nossa capela, ela nem mesmo parece se importar com isso, é como se tudo estivesse sobre controle, não irei me desculpar pelas palavras, eu precisava disser isso, apenas não repetirei este ato...!"

    O jovem Tremere olhou para as cinzas e abaixou a cabeça fazendo um sinal da cruz e voltou seus olhos para Michael, o mesmo começou a falar de maneira mais calma e em um tom firme, não de autoridade e se impondo para com ele, mais sim não desejando falhar com suas palavras.

    - É uma honra conhece-lo Sir Michael Kretschmann, sei de algumas coisas meu Senhor, primeiramente devo me apresentar. Sou Ulrich Heike Klaus, cria da Senhora Maggie Aartrox Valerius que é prole do adormecido Belenus Luchtaine, membro do segundo circulo de magia! agora com relação ao conclave Sir Kretschmann, este irá acontecer daqui a duas noites, já está quase tudo pronto, juntamente com as Harpias estamos tratando desses assuntos, será um julgamento pelos membros que virão.

    Ulrich deu uma leve pausa e olhou para a mulher que observava tudo, logo ele se voltava para Michael novamente.

    - Lady Lucinde, Justicar Ventrue. A mesma ficara reclusa como solicitado. Senhora Tatiana Stepanova, Alastor de Lucinde Ravnos e mais dezesseis carniçais, irá ficar nas proximidades onde a Lady Lucinde ficar. Senhora Dmitra Ilyanova, Arconte de Lucinde Brujah e mais doze carniçais, ficara hospedada no oriente. Sir Maurice Loriet, Arconte de Lucinde Tremere e mais dois carniçais, ele deseja ficar na capela meu senhor, só que agora não sei mais como agir! William Biltmore, Chancellor do Círculo Interno Malkaviano e mais cinco carniçais, ficara o mais próximo do Conclave e este terá as informações dos dois Senescais de Berlim. Lorde Zelios, Dux Bellorum Nosferatu e mais quarenta quarenta carniçais, terá todo o poder militar da Camarilla Ocidental. Sir Stalest Coursain, Arauto do Círculo Interno Ventrue e mais dezesete carniçais, ficara no local mais luxuoso de Berlim. E mais uma coisa, fui até o Oriente e consegui trazer alguns cainitas de lá, incluindo o próprio Senescal. Apenas constando que todas as exigências já estão praticamente prontas, menos o de nosso Arconte.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 28/4/2016, 21:02

    "Linhagem de Belenus Luchtaine?? Este neófito presunçoso? Salamander queimaria sua prole se visse um de sua linhagem agindo assim frente aos anciões do clã. Não há repreensões a serem realizadas contra este tal Ulrich...depois das palavras de Kretschmann...pouca coisa que eu diga surtirá algum efeito neste jovem cainita...Como assim? Mover a Capela? O que ele pretende fazer? Se bem que como Mestre antigo da linha da conjuração, não devo menosprezar o poder de Sir Michael..."

    - Arconte Maurice Loriet, meu irmão de sangue e também mortal. A propósito, como não pude me apresentar, pois ordenou brevemente que me calasse como se eu própria tivesse queimado a Capela...me chamo Isabelle Loriet, prole de Francesco Loriet. Sexto ciclo de mistérios.

    Isabelle caminhou até bem próximo a Ulrich e fitou-o profundamente, sem dizer nenhuma palavra mas mantendo a postura repreensiva que tentava negar a si própria.

    "A fragilidade da Capela de Berlim era impressionante, Edgard ultrapassou as proteções sem o mínimo esforço..."

    A Tremere voltou os olhos para o ancião irmão de Karl e disse de maneira a realizar um relatório do que acontecera:

    - Senhor, fui enviada pelo Regente Angus Burnier de Paris, para verificar o torpor repentino de um Membro de sua própria linhagem, Belenus Luchtaine. Encontrarei-me com meu irmão no Conclave e com outro Membro chamado Pierre, também da casa Tremere.

    Enquanto falava o nome do cainita também conhecido como Salamander, Isabelle passou os olhos novamente pela face de Ulrich e voltou os mesmos em direção a Kretschmann, continuando:

    - Através do Ritual de Apresentação, Edgard comunicou-se comigo e disse estar em frente a entrada da Capela, sabendo de seu exílio pelo clã, menosprezei seu poder e arrependo-me até o mais ínfimo ponto de minha existência por ter feito isso. As proteções da Capela de Berlim, não fizeram com que Edgard tivesse problema algum para ultrapassa-las. O que aconteceu a Capela, foi um ato inteiramente de fúria por algo que falei ao agora auto denominado Edgard Ashworth. Devo dizer, Ulrich, tens sorte de não estar na Capela, ou este seu desrespeito talvez não tivesse sido tolerado por Edgard.
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Danto em 30/4/2016, 18:53

    Michael ouve todas as palavras, mantendo-se em silêncio por um longo período. Para enfim olhar diretamente para Ulrich e responde-lo de maneira simples e direta.

    -Entendo, isso me faz ter certeza absoluta de que os antigos da cidade realmente estão dormindo. É uma notícia que ecoou pela Europa por rumores, rumores que se revelam então fatos. Já que em hipótese alguma os anciões de uma cidade permitiriam que neófitos ficassem responsáveis por uma tarefa tão importante com membros tão próximos do Circulo Interno. Ulrich, suba as escadas e procure por sobreviventes e pelos antigos da capela. Precisamos sair daqui o mais rápido possível.

    Em seguida o antigo Tremere se vira e caminha em direção a Isabelle, parando em frente a mulher ele a encara profundamente para finalmente falar, em um tom forte de censura e repreensão.

    -Você menosprezou um ancião Tremere? Sabendo que o Regente desta capela estava adormecido? A senhorita foi infinitamente inculta e ignorante com tais atitudes e a destruição da capela esta exclusivamente sob a sua responsabilidade. Como você esperava que os rituais de proteção feitos pelo Regente continuassem ativos com o mesmo em torpor? Sem consciência não existe Mágika isso é o básico das realizações da vontade do sangue que permeia os conceitos básicos da Taumaturgia. Sinceramente... Vocês jovens são grandes decepções, a modernidade deve atrofiar algumas partes da mente moderna. Entre em contato com seu irmão ou com esse tal Pierre, os informe que não há mais capela Tremere e procure para vocês um refúgio temporário na cidade. E por favor, faça isso fora da capela antes que você cause mais destruições por sua presunção e péssima capacidade de raciocínio.

    Michael então caminha em direção as escadas, indo em direção ao corpo do jovem que se encontrava em torpor próximo a sala de reuniões do Primogenito Tremere.

    [Off: Miac, retorne ao seu post e faça lá a sua ação de ir em busca dos sobreviventes]
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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

    Mensagem por Stian Jogador em 2/5/2016, 13:06

    A decepção pela repreensão de Michael abalava o espirito fragmentado de Isabelle após o breve encontro com Edgard. Tantos séculos nas noites cainitas que tamanha represália jamais havia sido feita contra ela, normalmente eram elogios vindos do Mentor ou de seu Senhor, regras rigidas existiam, mas desde que chegara em Berlim, aquela noite havia sido provavelmente uma das piores de sua não-vida, começando pela visão do inicio de seu despertar.

    "Procurar um refúgio...? Para nós três? Ele não quer um Arconte na Capela?..Pela primeira vez em séculos, me encontro sozinha...muitos me acham mimada por estar sempre sob a proteção dos Regentes, seja ele meu Senhor ou o próprio Sr. Burnier...vou procurar um lugar por conta própria, não será dificil, devo me manter apenas atenta ao território e meus rituais para descanso tratarão de manter o sol afastado..."

    Enquanto as duras palavras de Sir Michael se chocavam com o semblante desesperador daquele encontro, a Tremere apenas ouvia tudo de cabeça baixa, não iria contra as palavras do ancião, desrespeitar um ancião por noite deveria ser o limite de sua própria capacidade. Duvidava de si mesma, duvidava de tudo que havia aprendido..era ela uma simples ferramenta da tal Jyhad dos anciões? Um objeto de poder nas mãos de Francesco e depois Burnier...suas visões haviam sido usadas estes tempo todo...?

    As milhares de perguntas e dúvidas surgiam na cabeça de Isabelle Loriet, mas ela deveria deixar a Capela, mesmo que temporariamente, sabia em sua consciência que responderia pela destruição da mesma quando houvesse tempo, sua atitude desmedida havia corroborado com a ruína atual da sede Tremere em Berlim.

    Ela caminha então para fora da biblioteca, deveria procurar um dos carniçais de Maestro, para recuperar seus pertences e partir em busca de um refúgio temporário.

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    Re: Ato III - Narrativa de Isabelle: Chuva de Sangue

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