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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

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    Danto
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    Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 10/5/2016, 16:04

    Março de 2002, Berlim.
    Quinta Noite

    A escuridão envolveu seus olhos, as areias brancas desapareceram e um poderoso vento frio lhe agarrou pelas extremidades corporais, puxando-o para cima com força, arrancando-lhe do mundo dos mortos... Assim terminou a sua viagem para uma terra distante e a milhares de anos, esquecida.

    Seus olhos se abriam, vendo o teto do quarto onde outrora você havia realizado o ritual de comunicação com as estrelas. O carpete continuava queimado mas a sensação temporal era outra, o mais estranho era notar que as suas roupas estavam molhadas, mas não havia nenhum indicativo físico de que você havia deixado aquela sala. Tudo havia ocorrido em outro plano existencial, no exato momento em que encontrastes e recebestes as palavras da Percursora na sua mente, teu corpo havia caminhado para um reino próximo, a força mística da Percursora se revelava ainda maior do que o já demonstrado.

    A porta do quarto então se abre, seus olhos então corriam lentamente até a mesma para encontrar a face de Gunther. O seu antigo carniçal e atual prole estava de pé, com a adaga que lhe fora dada em uma bainha em sua cintura. Ele sorria o ver que você estava acordado e se aproximava.

    -Senhor? Bem vindo de volta, a Senhora Katarina nos disse que você estava em uma viagem astral. Assim, apenas o observamos e tomamos conta para que você não entrasse em torpor ou algo parecido. Por sinal, a Senhora Katarina tem sido bem generosa em me auxilar com o básico... Bom, bem vindo à Sexta Feira, treze de março de 2002. A maldição do sono acabou completamente hoje, mas vem se enfraquecendo dês de ontem.

    Sangue e Força de Vontade Atuais:
    King:
    Pontos de Sangue 5/15
    FdV 7/7


    Última edição por Danto em 11/5/2016, 16:32, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 10/5/2016, 19:25

    Müggelwerder, Enoche, Ur. Lich da Tal'Mahe'Ra, Veronika Nikolaevna, Seth, Inzr de Eridu, Kementiri, Cretheus. Tantos lugares, tantas pessoas, tantos poderes e tantas informações. Tudo isso foi real, mesmo parecendo que não foi. Minha viajem foi longa e árdua. Não me admira ter passado tanto tempo. Minhas ações sob meu corpo são lentas. A luta contra a inércia é forte. São toneladas de pensamentos que correm por minha cabeça. Mas juntos deles um alívio. Pois se eu fiz tudo isso para ajudar ao término do feitiço do sono, em algo eu tive êxito. Mesmo eu sendo apenas uma ferramenta. São as ferramentas que constróis os futuros. E que o futuro que eu tenha criado seja mais justo.

    - Boa noite Gunther. Espero que vós entenda o porquê de eu não ter lhe ajudado em seus primeiros passos noite passada. Entretanto, eu ficaria interessado que você me contasse como foi saciar sua primeira sede e sentir sua primeira noite.

    Me levanto como um velho sorridente. Não como aquele guerreiro indomável que adentrou Ur com uma adaga flamejante. Minhas forças pareciam enfraquecidas e esquecidas. Mas lentamente vou me acostumando com meu próprio corpo e me aproximando de minha prole. De ouvidos abertos para tudo que a mesma me falar. Para então, quando estiver bem próximo dela, poder perguntar.

    - Esta noite promete muito, e isso inclui o começo de meu treinamento com sua pessoa. Mas me diga por obséquio. A Senhora Katarina ainda está em nossa residência? E a minha cara Amélia, já respondeu sobre meu convite?


    Última edição por King Jogador em 13/5/2016, 10:44, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 11/5/2016, 16:57

    Gunther se aproxima para oferecer ajuda à você se levantar e enquanto o auxiliava ele escutava as as suas perguntas com atenção, balançando a cabeça positivamente para indicar que havia compreendido o que estava a perguntar, assim que você se colocava de pé, o jovem cainita observa o arredor e finalmente volta a falar.

    -Ontem meu acordar foi desesperador, a fome é literalmente a pior de todas as sensações. Apesar de já possuir alimento bem próximo, não posso negar que a besta rugia de maneira insaciável e se não fosse por interferência da Rainha, eu teria me perdido para o frenesi meu Senhor. Mas posso afirmar também que é magnífico o sentimento de ser muito mais do que um mortal. Agora, sobre as suas questões, a Senhorita Amélia está a caminho. Consegui entrar em contato com ela logo no começo dessa noite. E a Rainha não se encontra aqui nesse instante, ela saiu a poucos minutos em direção ao Palácio de Berlim, os noticiários disseram que ocorreu um grande incêndio no mesmo na noite passada.

    Enquanto Gunther falava, você finalmente era capaz de sentir completamente o seu corpo novamente. E a fome que ele citava também ecoava dentro de você, uma sede incontrolável e voraz, uma fome desesperadora e dolorosa. Havia urgência em se alimentar.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 13/5/2016, 10:44

    Droga Katarina! Eu tenho tanta coisa para lhe contar, para lhe sugerir e opinar. Só que eu já havia lhe falado dos perigos de ir até o castelo. Eu estou ciente do poder que está em jogo com a sua ida para lá. Mas estes perigos são reais, e mesmo poderosas como és, pode não ser o bastante. Assim sendo, tenho que tentar buscar outras soluções. Gustav é um perigo para todos e uma afronta para a justiça. Depois das coisas que eu vi e do tão insignificante toda esta cidade é para outras perspectivas, não possuo medo de encarar os desafios de Berlim.

    Mas não existe linha de frente nesse processo. Mesmo com a execução do conclave, o mais forte leva a vitória. E é em momentos como esse que precisamos de aliados. Só assim poderei levar a justiça para a mesa de reuniões dos amaldiçoados. E esse problema precisa ser resolvido rápido, pois as serpentes estão chegando e esta cidade está próxima de ver dias muito turbulentos. O fogo no castelo é apenas uma pequena amostra do que está para chegar.

    - A luta contra a besta é uma batalha eterna. Mantê-la adormecida é o que nos faz continuar conscientes. Deixá-la nos conquistar é tão ou mais abominável que a morte final. E acredite em mim, eu já passei por ambos e escolho a morte final mil vezes ao frenesis. Agora permita-me fazer os preparativos para a chegada da Senhorita Amélia. Fico grato por vê-lo saudável.

    Me direciono até a sala de espelhos. A sede é insuportável, afinal quase não exercito meu sangue em meu dia a dia. Se não fosse pela maldição da aparência estática, eu provavelmente seria um velho gordo agora. A grande interrogativa é saber de onde me alimentarei. Meu ritual com meus convidados consegue deixar minha fome esmaecida por um tempo. O que me dará tempo para me alimentar. Mas do que me alimentarei? Só me satisfaço com meus próprios clientes, afinal normalmente eu possuo mais clientes do que necessidades de utilizar meu próprio sangue. Terei de pensar no assunto.

    Por hora me direciono para o quarto de espelhos e começo meu simples ritual de receber Amélia. A mesma sempre foi positiva em com minha forma discreta de recebê-la. Afinal descrição foi algo que ela sempre gostou que eu demonstrasse. Assim, ao adentrar a sala procuro o interruptor da luz. E então giro a roda mecânica acima do mesmo, deixando a iluminação da sala no limite da penumbra. Aquela tecnologia sempre me foi interessante, nunca me fez muito sentido dês de quando Hamlin insistiu em instalar, mas é muito mais eficiente que ter que ficar apagando e ascendendo as velas dos castiçais. E finalmente quando a iluminação estiver beirando as sobras, irei para um armário do outro lado da sala pegar um panos negros. E então pacientemente cobrir cada espelho de dentro da sala. Minhas ações são como se aquilo fosse um ritual de recepção, afinal tudo no meu cotidiano está ligado de alguma forma à ações ritualísticas.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 16/5/2016, 01:26

    Precisos sete minutos após você terminar de cobrir todos os espelhos, a porta da entrada da sua loja se abre, o soar do sinete chama a sua atenção e pelo corredor principal você é capaz de ver uma mulher se aproximando. Usando um vestido simples de cor azul petróleo, uma sapatilha de mesma tonalidade e nenhum outro detalhe, a mulher se aproximava olhando para os espelhos cobertos. Tocando seus panos com delicadeza, a aparência era da própria Amélia, mas o grande desafio era saber se seria a própria Amélia que estava ali ou um dos vários seres que utilizavam aquela face pela corte Oriental.
    A lágrima escalate, como era chamada pelos mais antigos, fazia constantes visitas à você durante os vários anos que atuou fora da prisão como membro da corte de Katarina. Demonstrando sempre uma mente muito aberta as suas visões e interessadíssima nos deslumbres do futuro que você poderia oferecer, Amélia era uma apaixonada pelo obscuro. Mas ao longo dos anos as previsões começaram a destoar, um mês elas se reveriam a um certo acontecimento, no outro, era algo completamente diferente. Ou seja, Amélia era realmente várias pessoas ao mesmo tempo. Um mistério poderoso e intrigante, afinal, qualquer Nosferatu antigo poderia manter o mesmo costume.

    -Boa Noite Kiril... Espero que tenha tempo suficiente para me ouvir esta noite.

    Amelia:
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 17/5/2016, 22:32

    Este clã sempre teve e sempre terá meu respeito. Não existe pecado sobre a senhora de todos eles nesta cidade. Claro que seus planos se desvirtuam dos de minha senhora, mas o respeito que eu nutro por eles é inabalável. E Amélia... Como eu amo uma boa charada, e a mesma sempre se mostrou assim para mim. Um mistério pedindo por uma resposta. Porém, esta resposta é apenas uma metáfora, afinal não há necessidade de buscá-la. O objetivo de nossa relação é o segredo de nossas palavras. Por mais que minha natureza é passar minhas palavras para os outros, com ela o palco é diferente. E os panos nos espelhos estão lá mais para mim do que para ela. Para me lembrar do quão importante é manter palavras de sabedoria adormecidas. Da mesma forma que nunca comentei em voz alta com ninguém fora Aarch, a minha visão de seu futuro.

    - Tempo para vós, eu tenho todo o tempo do mundo. Entretanto me surpreendo pedires isto de mim. Afinal costuma-se ser eu à falar e você à escutar. Já que é de minha natureza como profeta falar e a vós, uma boa espiã, ouvir. Logo, por mais que adoraria poder profetizar sobre as últimas e próximas noites, e falar a ti sobre teu futuro, estou mais que ansioso e grato por poder escutar à sua voz de sabedoria.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 18/5/2016, 03:57

    Amélia sorria ao ouvir as suas palavras, balançando a cabeça positivamente ela concordava apenas com os gestos e inicialmente sem palavra alguma. Em silêncio ela se aproximava e passava por você, passando a mão pelos planos que cobriam os espelhos a Nosfreatu se atreve a sentar no seu lugar e apontando para a almofada onde os seus convidados normalmente se sentavam, ela diz.

    -Sente-se Kiril, para esta reunião eu proponho que os papéis se invertam. Eu serei o guru e você o espião, eu falarei e você escutará e no final do que eu tenho para lhe dizer, entenderás a razão dessa pequena falta de educação e rompimento de barreiras tão cuidadosamente estabelecidas. Mas é como você mesmo acabou de dizer, por mais que você adoraria poder profetizar sobre as últimas e próximas noites, eu irei fazer isso. Mas não necessariamente com profecias. Então, qual é a tua resposta Kiril? Aceitarás a minha inversão?!
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 19/5/2016, 15:48

    Um sorriso curioso aparecia em meu rosto. A mesma estava realmente disposta à me prover segredos. Algo que nas últimas noites estava recebendo em demasia. Saber usá-los ao meu favor se tornará uma missão inusitada para mim. Preciso manter minha mente afiada para compreender os verdadeiros motivos da ação dela. E não posso perder a oportunidade de provar do vitae dela depois, ou perderei minha sanidade em menos de uma hora. E ainda possuo perguntas para ela me responder. Mas por hora, é a vez de deixar ela confortável. Assim sento na poltrona cruzando as pernas enquanto encarava ela com uma feição amigável.

    - Ora ora... Não há motivos para achar que estás à fazer alguma falta de educação. Apenas uma situação exótica, nada que não realce ainda mais minha curiosidade. Afinal já faz mais de três dias que vós me procura. Pois muito bem, podes começar quando almejar. Só lhe peço que não requira de meu sangue, como eu faço quando estou no seu papel, estou praticamente seco depois de minha última viajem. Mas, por favor, comece.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 23/5/2016, 16:32

    -O sangue sempre será algo magnifico para vocês feiticeiros de Caim, não se preocupe Kiril, eu não sou uma feiticeira e o magnífico para mim é diferente.

    Responde Amélia, sentada no lugar onde você estava tão acostumado a ficar durante essas conversas e pequenas reuniões a cerca de possíveis visões, impressões e previsões. Ela então observa você em silêncio durante alguns segundos até mudar completamente de postura, os vários encontros entre vocês no passado haviam ensinado a nosferatu várias coisas, principalmente a lidar com o próprio futuro e com o futuro dos outros seres que possuíam aquela mesma face. Ela assumia uma postura idêntica a sua e com um sorriso na falsa face a mulher dá inicio.

    -Eu vejo fogo Kiril. O fogo se espalhará pelo céu de toda a Europa do Oriente ao Ocidente. Mas essas chamas não são metafóricas. Pois vejo armas de guerras. Tanques e soldados. Humanos presos em uma grande guerra. Minha mente finalmente mostra essa cidade. Da mesma forma que a vi a mais de sessenta anos atrás. Em cinzas, com a poeira subindo. Os palácios não estarão de pé caso minha visão seja completada. Mas vejo duas aves de rapinas apreciando os corpos carbonizados deste lugar. Vejo vingança nos olhos delas. Vejo sangue. Estas duas aves são corvos, observando o desespero e as cinzas. Minha visão então morre no meio do sangue, Kiril. Mas minha memória não me trai. Pois quando vi a primeira derrota do Grande Senhor Gustav, eu vi três corvos sendo abatidos. Este animal em específico possui um contesto próprio em minha visão e o senhor sabe qual é. Mas cabe à mim fazer as especulações...

    Uma breve pausa e a mulher se colocava de pé, rompendo a pequena brincadeira de inversão de papeis. Uma expressão séria se desenhava na falsa face que ela possuía e finalmente as verdadeiras intenções eram reveladas.

    -É através dos Corvos que Odin observa o mundo dos mortais, em nosso cenário os corvos serão para sempre as proles do grande e imbatível Deus de Sangue, Gustav, aquele que colocou-se no trono e de lá nunca saiu. Entretanto, os corvos tem nomes, Wilhelm e Frederich. O conflito entre os dois irá gerar o fim de tudo que conhecemos, digo porque sei o que digo! Anarquistas marcham para Berlim, o Sabá se fortifica e constrói exércitos, Gustav acorda de seu sono, Peter é uma farsa inevitável, Katarina será executada. O conclave será um mar de sangue! E os corvos irão se alimentar de nós... As serpentes rastejam pelos escombros da cidade, famintas e furiosas. Kiril, fogo e enxofre cairá dos céus, Berlim será destruída! Nossos pecados são grandes de mais para serem perdoados, a grande guerra está próxima de mais e existem aqueles que dançaram felizes em meio a caos.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 23/5/2016, 21:42

    Minha misteriosa Nosferatus. Contas para mim a mesma profecia que a falsa Katarina ouvira de mim. Minhas palavras se espalharam rápido pela cidade, devo presumir. Mas é mais que isso. Amélia não me conta uma versão diferente de minhas palavras. Está me contando exatamente minhas palavras... ela sabe tudo. A melhor espiã que já conheci...

    - Interessante... Muito interessante. A senhorita, minha doce Amélia, sempre conseguiu me surpreender com seus mistérios. Ver minha própria profecia sendo dita por você realmente me explica sobre a inversão de papeis. Deixa claro a ingenuidade de minha parte em contar profecias sem certeza sobre para quem e como estou à passá-las. E preciso dizer, profecias só se tornam verdade se existir pessoas para acreditar nela. Essa em específico, existe muitos que acreditam... Logo me preocupo com a mesma.

    Me levanto devagar. Mostro um sorriso singelo e simpático antes de fazer uma cortesia. Não consigo esconder o entretenimento daquela amostra de conhecimento da Nosferatus, junto de uma feição mais pensativa. Me ajuda a ver o quão fácil é retirar segredos de mim. Eu não guardo nada, sou um livro aberto. Devo aprender à rasgar algumas páginas deste livro e escondê-las bem. Ando um pouco em meio círculo ao redor da almofada no chão e prossigo falando com alto tom de respeito.

    - Sua análise se mostra muito perspicaz, como você sempre foi. Ao meu ver porém, o nome dos corvos pode ser mais complexo que uma simples nomenclatura. Eles são metáforas de forças poderosas que presam pela carniça. São oportunistas. O próprio Sabá e os Anarquistas poderiam entrar nesta metáfora, como inúmeros outros... A farsa de Peter me chamou a atenção há algumas noites, não me surpreenderia se Magnus, irmão de Gustav, estivesse em seu lugar. Não sei ainda o que pensar sobre isso, fora o fato de crer no total fantoche que Wilhelm possa ter se tornado. A vontade dele sempre foi fraca em minhas visões. Logo está na hora daqueles que realmente representam a justiça consertarem os erros dos incapazes.

    Minhas teorias ficam apenas mais fortes. O que me deixa só mais preocupado com o futuro de Katarina. Ainda mais com o verdadeiro significado dos corvos. Amélia sabe bem quem são os potenciais oportunistas. Da mesma forma que sabe como minha senhora está prestes à ser usada para derrubar os príncipes. Situação conturbadora. Agora sem sorriso, me aproximo de minha cadeira.

    - Eu posso ter sido apenas um escravo, condenado ao principado desta cidade pela eternidade. Mas nas últimas noites eu tive uma epifania e um renascimento. Sou agora mais do que nunca antes fui. Tive uma nova visão sobre essa cidade. Uma que compartilharei com você com prazer. Sobre um futuro mais tenebroso que a guerra que está para chegar. Permita-me agora lhe contar minha nova profecia.

    Sento finalmente na minha cadeira. Relaxo na almofada e viro meus olhos para cima. Deixando os mesmos relaxarem e destoarem da visão da sala escura. Voltando a focar na lembrança das duas visões que tive com as Serpentes. A primeira na banheira que abraçei Gunther e a segunda quando me confrontei com Seth. Minha voz então sai em um tom profundo e pesado.

    - O sangue e a água se esverdearão. Como um profundo verde musgo. O corpo dos jovens serão tragado até o fundo profundo deste mar de lodo. Mas essa corrupção se espalhará por toda a superfície. E uma marca ficará evidente na superfície desta cidade. Uma serpente. Todos serão tragados por ela, pois a mesma irá se fincar no coração metropolitano. E planejará destruí-lo, sugando sua vida. O macabro se tornará cotidiano enquanto a serpente estiver à espreita. A mesma irá crescer no coração dos inocentes antes de devorá-los. A danação está chegando em Berlim. Os Filhos de Seth estão à caminho.

    Abro meus olhos e mantenho um semblante tão sério como aquele que tive quando atravessei os portões de Ur. Como se minha própria vontade tivesse se revigorado depois de profetizar.

    - Precisamos estarmos fortes antes de minha profecia se tornar realidade. A justiça deve prevalecer, caso almejarmos um conclave eficaz e a capacidade de nos prepararmos para o caos. Por isso preciso de sua ajuda. Chegou a hora da morte final de Gustav e Frederich.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 26/5/2016, 02:56

    Amélia demonstrou pela primeira vez em longos anos de convívio uma expressão real, a profunda apreensão após ouvir a sua profecia sobre os seguidores de Seth, ela poderia e normalmente rebateria todos os argumentos à você apresentados, mas as profecias e o oculto sempre foram para ela uma grande prioridade. Não foi atoa que durante os seus primeiros anos como Guru Oriental, ela foi uma das que lhe forneceu muito suporte social para evitar represálias dos fanáticos pela figura de Gustav.
    Ela então caminhou em silêncio durante alguns segundos pela sala de espelhos cobertos, parando de costas para você ela finalmente fala.

    -Então os rumores finalmente se mostram tangíveis. Ouvimos ecos, por todos os esgotos, movimentações, gritos, urros. Kiril, algo grandioso está circundando a Alemanha! A ultima vez que tais ecos foram ouvidos, uma titã do sangue de Caim se ergueu em Moscou e lá levantou uma cortina impenetrável de corrupção e agonia. Devo assumir que me surpreendo com tais nomes saindo de teus lábios querido Guru. Frederich e Gustav precisam morrer, mas será que sem eles nós não estaríamos mais fracos contra algo tão grandioso que está à caminho? Imagine, se uma nova Baba Yaga acontece, em Berlim, quais serão as dimensões dos estragos!? Digo, teremos um conclave e todos que participarão dele estarão sujeitos à morte final!?
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 29/5/2016, 00:02

    Ecos pelos esgotos? Me atormenta imaginar algo poderoso vindo para esta cidade. Tudo que Kemintiri almejava fazer aqui, ela conseguiu. Se viesse alguém tão ou mais poderoso que ela, conseguiria tomar a coroa que quisesse e pregar destruição por toda a terra. Amélia comparar essa nova ameaça com a lenda de Baba Yaga apenas me deixa mais apreensivo. Quem Seth enviou para a germânia? Mas essa pergunta não é para agora. Amélia está me testando, preciso deixar claro que não sou tolo com minha iniciativa.

    - Como poderíamos ficar mais fracos sem eles? Apenas pela ausência do sangue potente deles? Do que vale essa potência se não há seguidores?

    Faço as perguntas com um tom questionador, mas sem alterar o tom de voz. Me mantenho nítido no olhar da Nosferatus enquanto prossigo com minha conclusão. Sendo o mais calmo possível e exacerbando o que ela já sabe, para deixar claro minha iniciativa.

    - Eu vi os Gangreis abandonarem a Camarilla da cidade. Já os Malkavianos, ficaram divididos graças à má gestão de Frederich. Má gestão esta, que deixou os Brujah ainda mais fragmentados em Berlim. O Clã das Rosas e dos Feiticeiros são intolerados por estes dois pecadores. Até o próprio Clã dos Sangue Azuis está brigando entre si. Com eles vivos não existe harmonia nesta cidade para empregarmos a justiça contra o passado ou contra a ameaça futura. Não há forma desse conclave ser funcional com a presença de sequer um desses dois. Então... Permita-me...

    Tiro de minhas vestes o plano estelar de Corona Borealis e coloco em cima da mesinha lateral da cedeira. Pegando a Adaga de Madrepérola, faço um curto corte em minha mão para acionar a reserva de emergência de vitae contida na arma. Assim, com o Foco principal de Vitae escorrendo pela lâmina, perfuro de leve cada campo celeste da constelação dos reis do norte. E então pergunto para as estrelas.

    - Ó Constelação de Corona Borealis, com sua sabedoria sobre o destino dos Reis do Norte. Digas para mim, dentre os próximos três círculos lunares, quando será a melhor oportunidade para se tentar arrancar a vida de Gustav Breidenstein?

    Convocar a Lua Caçadora
    Teste de Percepção + Ocultismo
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Dados em 29/5/2016, 00:02

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 8, 2, 7, 10, 10, 3, 6, 3, 9
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 31/5/2016, 04:33


    Amélia não lhe respondeu nenhuma palavra, ela apenas optou por assistir ao seu ritual antes de falar qualquer coisa, afinal, seria através dele que você poderia obter a resposta mais importante para o futuro da cidade. Quando derrubar Gustav, a maior e mais valiosa de todas as respostas, algo que por muitos e muitos anos vários procuraram com todas as forças de suas vidas e acabaram mortos, destruídos ou esquecidos. E assim veio a resposta, sua adaga foi guiada pela força da Corona Borealis para fora do tecido, para fora de todas as constelações, para o nada. O vazio. A sua resposta era o vácuo, o infinito, o além... Para sua pergunta não havia resposta. E as impressões das estrelas invadiram a sua mente.

    "Nunca haverá uma hora para a morte de Gustav, pois se o filho da própria morte for destruído, a fúria dela cairá sobre todos e não haverão sobreviventes. O Príncipe das Trevas precisa estar de pé quando o grande mal chegar ou a grande serpente devorará todos. A resposta é nunca até que a grande batalha seja vencida. E quando isso acontecer, a primeira lua cheia será a resposta"

    Amélia, ansiosamente indaga.

    -Então Kiril, qual é a resposta?!
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 3/6/2016, 22:48

    - Vós és sabia minha queria Amélia. Mais do que esse velho retrógrado com quem falas, pelo menos. Sua análise sobre a necessidade de manter a posição de Gustav até o fim da ameça externa é compartilhado pelas estrelas. Não há momento ideal para o fim do Punho de Ferro de Berlim antes de lidarmos com os inimigos que se aproximam.

    Minhas palavras saem arrastadas à princípio. Afinal sempre é conturbador passar por um ritual delicado. As informações tendem à fervilhar em minha cabeça. Entretanto não exito em sorrir, afinal minha acompanhante naquela sala se mostrava muito inteligente. E a mesma ainda sabe muitas coisas que eu deveria saber. Posso sentir isso. Entretanto não sou um Nosferatus hábil na arte da barganha de informações. Sou um profeta que conta as verdades. Sei guardar um ou dois segredos, mas este é o momento de eu demonstrar confiança. Logo falarei o que sei.

    - Entretanto as estrelas responderam minha pergunta. Afinal um dia o inimigo que se aproxima poderá ser eliminado. E quando este dia chegar, a informação que eu possuo agora se tornará a informação mais valiosa desta cidade. Algo que lhe concederei de bom grado dado nossa próspera aliança, use com sabedoria. Quando a grande batalha for vencida, a primeira lua cheia será a data ideal para a morte final de Gustav Breidenstein.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 4/6/2016, 05:07

    Amélia sorriu.
    Um sorriso tão sincero que não lhe restou dúvida alguma, era a própria prole de Rasputin que estava à sua frente, nenhum sorriso no mundo poderia ser tão bem executado daquela maneira. Não era um sorriso de felicidade, muito menos trazia algum sinal de perversidade. Era um sorriso de satisfação. A informação finalmente havia chegado aos ouvidos de quem precisava realmente ouvir.
    Ela dá vários passos rápidos na sua direção, parando a sua frente e levando o dedo indicador a frente da sua face para balançar ele negativamente.

    -Não, não e não. Não querido Guru, você é extremamente importante. Não és retrogrado, és o que és e o respeito profundamente por isso. A ti cabe as interpretações do além mundo, a mim cabem as interpretações do tangível. E é por isso que digo que não iremos de maneira alguma manter Gustav exatamente onde ele está, precisamos da força dele, não do título ou da influência. Entenda, o que ele oferece à Berlim é uma presença... Eu não posso propor nada à você, mas posso propor algo a outro alguém. O sangue potente de Gustav e o sangue potente de Frederich podem ser muito mais úteis em outros corpos... não concorda?! Eu jamais apoiaria qualquer tipo de pecado, muito menos uma afronta a máscara. Mas você não concorda que o sangue potente pode ser muito mais bem utilizado por líderes verdadeiros?
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 9/6/2016, 15:58

    Para aquela que já sabia tudo sobre mim praticamente, conto meus mais importantes segredos. Não adianta tentar esconder da mesma. Apenas garantir que escolhi o lado certo. Assim avalio a suposição dela. Soa interessante, é apenas um deslocamento de pecados. Porém um bom líder saberia lidar com seus pecados e depois aceitar um julgamento justo para poder reinar em paz e prosperidade. Assim concordo com a cabeça e começo meu raciocínio em voz alta.

    - Seu ponto de vista se mostra muito interessante. E devo concordar o sentido que o mesmo faz. Mas antes de eu falar mais alguma coisa, note a cor de minha pele... Nestas últimas noites eu tive um despertar, não só me livrei de meu laço, como me livrei de todos os pecados que transbordavam em minha mente. Sigo agora a justiça inexorável, logo compartilho sua relutância. O pecado de sua sugestão é latente, todavia um líder digno poderia aceitar esse pecado em prol de um bem maior. Isso claro, se este for honrado o suficiente para aceitar um julgamento depois.

    As palavras seguintes são pronunciadas com mais calma. Afinal são destas que vêm o meu desejo desta conversa. Preciso garantir a segurança de minha senhora. Devo reduzir o número de oportunistas atrás dela. Preciso de mais influência entretanto. E o único clã que se mostrou propenso à me ajudar com isso foram os Nosferatus.

    - Eu almejo ajudar a cidade de Berlim trazendo a justiça para mesma. Não apenas como um guru que eu sempre fora, mas como uma das encarnações da justiça nesta cidade. E para isso almejo mais aliados que compartilhem de minha visão de justiça. Espero poder encontra isso com sua ajuda, minha querida Amélia. E estou disposto à lhe ajudar no possível. Sabes que pode confiar em mim, afinal lhe dei minha mais preciosa informação sem pedir nada em troca. Entretanto aceitaria agradecidamente uma gota de seu sangue em meu típico ritual. Noite passada foi bastante cansativa para mim.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 17/6/2016, 03:45

    Amélia observou a sua pele quando você enfatizou o fato da mesma estar mais escurecida do que anteriormente, era um indicativo que agora, finalmente, o vitae de Haquim havia atingido o teu corpo com toda a potência que verdadeiramente possuía. A Nosfreatu então caminhou até outro espelho, segurando os panos que escondiam a face espelhada o mesmo com as mãos.

    -Eu notei sim que estas mais enegrecido Kiril, inicialmente creditei isto à algum efeito mágico. Mas fico realmente surpresa com a tua fala, creio que os outros Assamitas que aqui residem ficarão curiosos com essa tua purificação. Mas peço aqui uma pequena pausa, eu sinceramente e verdadeiramente que a tua nova missão neste mundo seja em busca da justiça e eu irei sim ajuda-lo como sempre fiz. Mas não espere de mim, em momento algum uma postura a favor ou contrária a justiça. Eu aprendi com muito esmero que a Justiça é extremamente subjetiva, paradoxal e maleável. Assim, não posso concordar com o termo inexorável. Entretanto, não acredito que seja essa a verdadeira intenção das tuas palavras, no caso, discutir sobre justiça não é conveniente neste momento eu digo. E assim digo, da mesma forma que você foi gentil ao me informar a tua visão eu serei gentil e lhe ensinarei algo essencial para próximas negociações que você possa vir a manter. Jamais, em hipótese alguma, exponha as razões que devem ser consideradas para a obtenção de algum favor. No caso, eu sei o quão importante foi a sua informação e me lembrar que ela foi dada por ti sem preço, é deselegante, desnecessário e um erro que pode enfurecer o teu interlocutor.

    Ela então puxa o pano para revelar diante o espelho o absoluto nada. Ela não possuía reflexo. Em seguida a mulher sorri para a própria ausência que havia no espelho a sua frente, retomando então as palavras.

    -Eu não lhe darei uma gota do meu sangue Kiril, você precisa de muito mais do que isso. Peço então que aguarde alguns minutos para que uma parte do meu rebanho chegue até a tua loja e lhe ofereça alimento próprio. Agora, lhe proponho um desafio. Porque eu não possuo reflexo diante este espelho?
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 19/6/2016, 21:59

    - Esta palavra de fato é bastante drástica. Inexorável... Não se preocupe, eu entendo perfeitamente os permeios que minha filosofia impera e sei que para que a verdadeira justiça seja alcançada no final, sacrifícios devem ser feitos no caminho. Afinal, como sequer o destino é inexorável, como a justiça seria? É claro que minhas visões alcançam a realidade, mas o caminho usado pelas mesmas é sempre destinto. Assim sendo serei sábio em usar palavras cautelosas como justiça apenas com aqueles que realmente considero meus aliados. Como vós.

    Uma questão interessante que ela pondera. Será difícil eu encontrar pessoas que compreendem claramente a mudança que eu passei e a nova perspectiva que eu tenho. O equilíbrio de uma cidade estar totalmente balanceado de acordo com o nível de justiça na mesma é uma visão complexa para se ter. por mais que é claro que a falta de justiça e o desequilíbrio desta cidade estão juntos. Devo evitar o uso de palavras dramáticas e ser mais objetivo em minhas ações. Deixo as filosofias para minhas visões e a justiça para algo que farei com minhas mãos. E minha alma.

    - Entendo perfeitamente o que me dizes sobre insinuar que minha informação foi ofertada do graça enquanto objetivos obscuros residem por detrás. No caso seria o de provar minha lealdade com sua pessoa. Afinal, sendo franco, samaritanismo não existe como também não existe o termo "refeição de graça", sempre existe intenções ocultas, mesmo que puras. Em outros tempos, com outras perspectivas em mente, eu jamais iria tentar jogar de política em uma corte cainita, como planejo fazer em breve. Mas os tempos são outros e suas palavras refletem de uma sabedoria que irei absorver.

    Tempos conturbados. E pensar que eu almejo conversar com membros sem ser dentro desta sala. Em outras épocas eu apenas contaria meus segredos e me manteria sentado aqui para "viver" uma nova noite. Mas Katarina está em perigo, as serpentes estão chegando e o fim de mais de meio milênio de conservadorismo desta corte está para terminar. Eu preciso me movimentar e para tal, preciso aprender muito sobre política e sobre aqueles que me rodeiam.

    - Falastes dos Assamitas locais. Sei que não são muitos em número, o que não significa muito para tal engenhoso Clã. Assim me pergunto qual seria a interação deles para com minha pessoa após saberem de minha purificação. Seria possível que eu em oposição ao meu senhor, conseguiria aliados entre os servos de Haquim? Outra pessoa memorável de me reencontra seria o Tremere que a Lady Aach me apresentou algumas noites atrás. Feiticeiro muito peculiar. Acredito que um reencontro com tal pessoa poderia ser muito positivo para mim. Discordas?

    Finalmente Amélia descobre o espelho depois de oferecer sangue do rebanho dela. Nunca tive muito interesse em sangue mortal. Entretanto eu iria ter de tragar dessa sangue fraco esta noite. Afinal a gota do sangue dela apenas me manteria em sã consciência por uma ou duas horas. Eu iria ter de matar minha sede de alguma forma. A alternativa dela é a ideal. Fico muito grato e irei sempre demostrar isso. Mas agora ela me chama a atenção para algo muito mais profundo. Uma imagem sem reflexo para a espiã perfeita, nada mal... Assim frio as testas enquanto descanto minhas mãos no descanso da poltrona para finalmente voltar a falar de forma analítica.

    - Uma falta de reflexo no plano físico. Ou um corpo desprovido de alma, como os leigos diriam. Muito fascinante, a senhora sempre foi de me surpreender. Seu desafio é realmente engenhoso, afinal como um estudante do oculto como sou, conheço algumas formas deste fenômeno ocorrer. Como o mesmo é fruto de uma maldição aprofundada no ramo das sombras e da ausência de emissão de luz para superfícies de capacidades ressonâncias no plano espiritual, é claro que o maior foco deste sintoma esta no Clã que é ligado ao reino das sombras de forma latente. Como tal maldição pode também ser imposta sobre todos que possam tentar aprender de suas artes sobre o manuseio das trevas do abismo. Como da mesma forma que um Amaranto mal executado pode causar esse tipo de sequelas. Só que as mesmas podem advir de vários outros momentos não necessariamente ligados com o abismo, como um simples abraço mal feito ou um tenebroso rito de criação indevidamente executado. Entretanto estou falando muito e como sempre não sendo direto. Afinal existe outras formas de esconder um reflexo. Acredito que um domínio avançado da ofuscação poderia cooperar com uma possível ilusão. Afinal minha querida Amélia, nesta sala agora, eu só observo aquilo que vós me permite observar. Já que seus poderes sob a arte da visão são impecáveis.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 21/6/2016, 00:01

    Amélia ouviu todas as suas palavras sem tirar os olhos do espelho vazio que refletia apenas o cenário do interior da sua propriedade e nada além disso. A nosferatu então finalmente tirou os olhos da superfície espelhada e deu inicio a resposta.

    -Por partes querido. Inicialmente sobre os Assamitas, sinceramente, eu acredito que sim. Você tem a cor que eles tem, provavelmente desenvolverá o vicio pelo vitae que eles possuem e é por causa desse vício que eu prefiro que devido a tua fome, seria mais prudente alimenta-lo com mortais aleatórios. Agora, vamos a próxima parte a última eu receio. Vamos a questão do meu reflexo certo?

    Ela então volta a caminhar na sua direção, fazendo uma pequena pausa como se algo tivesse vindo à mente da mesma. E levantando a mão direita ela estala os dedos e comenta sorridente.

    -Ah! Sim! Claro, perdoe-me pela pressa mas tenho uma péssima notícia sobre os Tremere locais. A capela deles foi incendiada em um ataque imprevisto por uma força ainda desconhecida por nós, mas acredita-se que seja talvez uma força Tremere Antitribu que chegou à cidade durante o sono dos antigos... Agora sim, sobre meu reflexo....

    Ela para a sua frente e com um semblante mais sério finalmente explica o enigma.

    -Quando jovem eu tentei ir para longe, muito longe. Meus hábitos eram naturalmente mais selvagens e minha vontades incontroláveis, assim eu cometi um pecado e a punição imposta por Karla foi justamente a remoção de meu reflexo. Para sempre. Ela, com as próprias mãos arrancou dos meus olhos e dos olhos dos outros a capacidade de interpretar o meu reflexo como uma imagem. A minha grande Senhora é cruel, poderosa e inexorável.

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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 24/6/2016, 14:17

    - Assamitas... Conseguir um contato com eles poderia ser muito bom para meu próprio futuro. Afinal já paguei um alto preço pelo pecado de meu senhor ter desertado. E ainda há muito para eu aprender sobre minha própria origem.

    Existe muito sobre minha essência que eu preciso aprender agora que minha verdadeira alma despertou. Conhecer melhor a essência de meu clã pode ser algo importante para mim. Mesmo que não de grande urgência. Almejava poder me reunir de novo com os Tremeres, afinal aquele que eu conheci possuía muita determinação em destronar Gustav. Mas percebo que não é a hora ideal de procurar por eles.

    - Uma fatalidade! Não esperava nada assim para o clã dos feiticeiros. Nas últimas décadas se mostraram fortes na cidade, algo dessa magnitude é devastador, terrível notícia. Vejo então que qualquer tentativa de se aproximar deles deva esperar as feridas dos mesmo se cicatrizarem. O que não me surpreenderia que fosse em um pequeno espaço de tempo.

    Inexorável ela disse? Ora, ora, minha querida Amélia. Vejo que está me manipulando para buscar as alianças que melhor lhe forem conveniente. Mas felizmente para nós dois, essa manipulação é sagaz e bem sucedida. Karla Aach saberia proteger essa cidade em período de crises e manter a justiça e liberdade em seu território. E a mesma fez um acordo comigo que me daria Katarina. Por mais que ela não possa me dar algo que eu já tenho, significa que ela não pode matá-la também. A menos que a mesma suje suas próprias palavras, o que por algum motivo me faz acreditar que não é uma possibilidade latente.

    - Complexa sua história... Conheci pouco a Lady Aach, mas posso sentir coerência em suas palavras. Ela se mostrou deveras poderosa, influente e inexorável... Me pergunto quando terei a honra de encontrá-la novamente.
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por Danto em 1/7/2016, 15:00

    -Minhas últimas considerações sobre o incêndio na capela Tremere... Alguns informantes apontam a sobrevivência de um neófito e do despertar de um antigo que estava adormecido na capela dês de sua construção. Ainda não existem mais informações de sobreviventes, mas acredito que alguns adormeceram fora da capela, o que é um grande alívio para todos nós. Precisaremos dos Tremeres mais do que nunca no futuro tenebroso que nos aguarda.

    Amélia agora à sua frente, observava a sua face e as suas reações com olhos analíticos que sempre demonstrava possuir. Era uma clara indicação que o tempo dela à sua frente estava finalmente chegando a um fim e as últimas palavras dela foram.

    -Existem duas lideranças do clã Assamita na cidade. Os independentes respondem à autoridade da vizir Zehra, a atividade deles é bem pequena em Berlim, quase que essencialmente comercial ou política. Não existe nenhuma tentativa de expansão territorial, mas existe uma grande comunidade turca mortal à se aglomerar. O futuro é interessante para eles. A segunda liderança reside no Sabá e é uma figura violenta, Arda, Serafim de Caim é um antitribu famoso por destruir completamente a Camarilla de Varsóvia... Bom, por hora me despeço meu caro, peço para que aguarde a chegada das fontes de alimentação. Boa sorte para nós no conclave de amanhã.

    [Off: Ultima ação para o final do ato]
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    Re: Ato X - Narrativa de Kiril: From Whom The Bell Tolls

    Mensagem por King Jogador em 4/7/2016, 13:35

    - Quando a senhora acha que é a hora ideal para os Tremeres voltarem para a ativa na resolução de nosso futuro, solicitaria que me passasse o contato com Kai Ammermann. Já sobre os Assamitas, prefiro uma distância segura do Sabá, a última vez que tive lá, por mais proveitosa que fora, quase que morri, não gostaria de testar minha sorte com despostas. Um encontro com a Vizir Zehra seria de meu interesse no entanto.

    Me levanto devagar e me dirijo até a porta de saída. Um sorriso era desenhado em meu rosto. Afinal tudo que eu esperava da reunião tinha sido alcançado. Não saberei se escolhi o lado certo, mas posso sentir em meu novo senso de justiça que fiz a escolha mais pragmática. Só devo contar que a Lady aach mantenha sua palavra de não matar aquela que prometeu para mim. Quando me aproximo da saída da loja faço uma mesura para Amélia.

    - Então percebo que é hora de nos despedirmos por enquanto. Nossa troca de informações foi muito intrigante. Ficarei de mente aberta em relação à suas recomendações. Me alimentarei de bom grado e depois irei ajudar minha prole à se acostumar em seu novo estado enquanto me preparo para o conclave de amanhã. Tenha uma boa noite senhorita Amélia.

      Data/hora atual: 24/6/2017, 17:51