WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

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    Danto
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    Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 14/5/2016, 05:37

    Março de 2002, Berlim.
    Quinta Noite


    O Barão Vermelho ficou para trás, o convite de Kotlar envolvia uma breve viagem motorizada até uma casa simples no subúrbio de Berlim. Localizada a oito quadras de distância do Barão Vermelho, a casa era como várias outras que a circundava, uma simples residência de pessoas pouco importantes. Dieter então estacionava o carro e olhava com enorme respeito para a direção da porta daquela residência...
    Lilian também havia ficado para trás, afinal, o convite tinha sido feito apenas para você e a jovem filha da Lua também não se demonstrou interessada em conhecer alguém que ela já conhecida, a lógica dos Malkavianos era sempre inusitada no fim das contas.


    Kotlar desligou o carro popular que dirigia, tirou as chaves e as colocou no bolso antes mesmo de sair do veículo. Sem nenhuma pressa ele abre a porta e coloca os pés para fora, esgueirando o corpo para o lado de fora, para enfim colocar-se de pé e fechar a porta. Iniciando uma caminhada silenciosa até a porta da residência, ele bate duas vezes na porta de madeira simples. Aguardando uma resposta, ele virou-se para olhar na sua direção e comentou de maneira sutil.

    -A residente dessa casa é a minha Senhora. Ela esteve lá no começo de tudo, nas primeiras noites na Espanha até a a noite dos Espinhos... Ela acordou do torpor no começo da década de 30 e meu abraço a ajudou a se recolocar na nova realidade.

    Antes que a sua resposta fosse pronunciada, a porta se abria e revelava a imagem de uma mulher de baixa estatura e corpo magro. As vestes da mesma eram muito modernas, qualquer jovem do século vinte poderia simplesmente vesti-las diariamente e ela parecia bem confortável com as novas tendências de vestimenta. Ela sorri ao ver Kotlar e estende uma mão para puxar o Barão para um abraço maternal, logo em seguida ela soltou o Barão dos braços e permitiu a entrada de vocês dois na residência simples que ela havia escolhido como refúgio em Berlim. Ela então olhou diretamente para você e estendendo a mão direita, ela se apresenta.

    -Isabella Correlli, sexta de meu vitae, prole de Altamira, Senhora de Kotlar. Seja bem vindo a minha casa meu jovem.

    Kotlar entrava na sala de estar e ainda de pé falava em um tom mais alto de voz.

    -Correlli, ele veio em busca de conhecimento, de história, de possibilidade e acima de tudo. Ele precisa de nós. Você não se importa em contar a história da causa não é mesmo?!

    A anciã abre um pequeno sorriso no rosto, nesse instante você é finalmente capaz de ver a movimentação facial da mesma. Um tom profundamente pálido preenchia toda a superfície da pele de Correlli, não havia nenhuma dúvida, ela era uma antiga provavelmente tão antiga quanto teu próprio Senhor ou até mais. A mulher então responde.

    -Claro que não será um problema compartilhar o que vivi por tantos anos, os horrores que as chamas da Inquisição causaram, as sangrentas batalhas, o fervor da revolução do século quinze. Vamos jovem, entre e sente-se. Temos muito a conversar...

    Correlli:



    Última edição por Danto em 3/7/2016, 22:55, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 14/5/2016, 13:33

    Deixando as dependências do Barão Vermelho, Simon voltou a vestir o sobretudo gasto, novamente o peso do livro mais cedo apresentado se fez presente no bolso da roupa.

    Sério e calmo o cainita aceitou bem o silêncio dentro do carro, seus olhos se prendiam em cada movimento feito para guiar a possante máquina, enquanto seus pensamentos eram organizados e analisados da melhor forma.

    A idéia de Kotlar ser um cainita ainda era estranha demais para de Simon a aceitasse por completo, mas o mundo novo, cheio de possibilidades que se abriu ao adentrar no Pub, era tentador demais para ser ignorado. A simples idéia de deixar aquilo fazia com que a besta do cainita reagisse.

    " O que nos inquieta tanto? Por quê você se rebela se já conhece o limites de suas correntes?! Nossa corrente.."

    Foi o som da porta do carro batendo que desfez as divagações do cainita, saindo do veículo Simon deixou que o ar frio da noite tomasse seu corpo. A besta dentro do cainita se aquietar mesmo que por pouco tempo, a convivência e o tempo ensinará a ambos viverem sobre o mesmo corpo e pele.

    Seguindo Kotlar o cainita demonstrou um leve ar de surpresa ao ouvir sobre a senhora deste, sem perceber um tremor se apossou do corpo do cainita quando a porta se abriu.

    A cena que se seguiu fez Simon relaxar sem ao menos perceber, adentrando na casa assim que permitido o cainita respondeu o cumprimento com educação:

    - Simon Valentin Weber... Embora não goste do Valentin... Sou o sétimo filho da terra e a besta criada por Wotan Otto... agradeço a recepção...

    " Ela parece nutrir certo sentimento de carinho por Kotlar... O que possívelmente indica que a criação dele não foi só para sanar seu desconhecimento da nova era...


    Observando os movimentos de Kotlar, Simon estudou o sorriso de Correrei. A palidez da pele e as palavras desta indicavam alguém realmente velho, tão velho quanto Wotan ou até mais. A simples possibilidade da qual Wotan temia acontecerá, ainda existiam cainitas velhos e de força equivalente, isso fez com que o semblante de Simon fechasse um pouco.

    - Eu ficaria grato de poder escutar sua história..
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 16/5/2016, 02:02

    -Primeiramente, peço um pouco de paciência, a história será longa e pausas serão tomadas para a abertura de discussões.

    Comenta a anciã Brujah que caminhava até a sala e sentava-se em uma poltrona simples e velha. A postura da anciã era completamente incompatível com as roupas que ela havia escolhido para vestir, ela se portava como uma mulher da alta nobreza medieval, sua coluna reta, pernas e joelhos unidos, mãos repousando precisamente sobre as penas com as pontas dos indicadores se tocando com suavidade.

    -Muitos associam a Revolta Anarquista como um eco profundo das atrocidades cometidas em Cartago, mas eu não era sequer viva durante esse passado a tanto tempo esquecido. Meu Senhor era, ouvi suas histórias e relatos durante muitos e muitos anos, mas sinceramente eu prefiro acreditar que tudo começou com um único homem, um mortal. Seu nome era Ugolino di Anagni, ou simplesmente, papa Gregório IX, o pai da Inquisição, a dedicação de Gregório contra as heresias era intensa e fanática e os inquisidores percorreram toda Europa com o suporte da figura de Gregório IX, como representantes máximos da vontade do Papa, eles julgaram, queimados e devastaram milhares de vidas. Entretanto, havia algo à mais na Inquisição, uma motivação especial, eles sabiam... Não se engane jovem Simon, os mortais sempre souberam de nós. Sempre. Não todos mas uma parcela importante deles... E foram esse notórios mortais que estruturaram uma sociedade no interior da Inquisição de Gregório IX. A assim chamada Sociedade Leopoldo levantou suas espadas e ascendeu suas fogueiras para nós, as criaturas das trevas. Qualquer ser de tendencias sobrenaturais era prontamente perseguido e caçado pela Sociedade que utilizava todos os recursos que a Igreja Católica poderia fornecer. Peço para que se lembre que estamos falando de um período histórico pós Peste Negra, a quantidade de mortais era pequena, milhares de mortes ocorreram durante os anos negros da peste dos ratos, população reduzida e frágil significa poucas fontes de alimentação para os filhos de Caim. Enquanto a sociedade mortal se regenerava e lambia suas próprias feridas, a Inquisição levou seu império de trevas e ódio diretamente para a porta dos Cainitas de toda Europa. Os anciões da época conseguiam se proteger nas profundezas de suas terras, em seus refúgios milenares, em seus vilarejos ocultos e microscópicos. Mas a melhor de todas as estratégias para esses anciões era deixar suas proles mais jovens como iscas... Eles acreditavam que a vida dos jovens apaziguaria o ódio da Inquisição e os afastaria de suas terras.

    A anciã faz uma pausa e olha para Kotlar e depois para você, deixando que seus pensamentos construíssem as reflexões necessárias. Ela então prosseguiu.

    -Duas vozes dentro da sociedade Cainita ecoaram em meio ao caos. A primeira fora de Rafael de Corazon, clamando a necessidade da Máscara e que nós deveríamos nos reduzir a simples sombras, o silêncio seria a nossa melhor forma de sobrevivência. A segunda e mais potente voz, foi a voz do Ventrue Hardestadt, foi ele que clamou pela construção de uma sociedade consolidada e unida entre os Cainitas, a chamada Camarilla. Defendendo que a união seria a única força capaz de resistir aos expurgos da Inquisição, circundado por anciões extremamente antigos e tradicionalistas, ele construiu tradições e fortificou a imagem dos Príncipes... Mas seria inevitável, era muito óbvio. Não era uma questão de união, mas sim uma questão de auto preservação! Nenhum neófito foi escolhido como Justicar ou Príncipe, muito menos como membro do Circulo Interno ou qualquer cargo de expressão, apenas os antigos receberam títulos, posses, poderes e voz. Então, a terceira voz ecoou e abalou todas as estruturas da sociedade cainita, com um grito de liberdade, Galaric do Clã Brujah elevou sua voz. Ele se pronunciou afirmando que a Camarilla era apenas uma forma de dar mais força para os antigos que atiravam suas proles nas chamas da Inquisição, seria a Camarilla uma força de controle ainda mais potente e organizada sobre os jovens, aglomerando todos eles na linha de frente e sob as falsas promessas de proteção, esses neófitos ofereciam seus corpos e seus vitae para a causa da Camarilla. Galaric abriu novamente as feridas que a queda de Cartago havia causado no coração do clã Brujah, apontando a tirania dos Ventrue sendo mais uma vez demonstrada. Hardestadt e seus companheiros de milênios de idade orquestraram o assassinato de Galaric e o Brujah morto se trans formou em um mártir. Incontáveis jovens se encontram no discurso de Galaric, incontáveis tiveram seus corações tocados, mas foi uma mulher que reagiu primeiro. A quarta voz ecoou pela Europa... Patricia de Bolingbroke. Patricia era uma neófita britânica que lançava ataques constantes contra a monarquia local baseada exclusivamente em seu desprezo por tudo que a monarquia representava. Até que os monarcas revidaram com tanta força que ela se viu obrigada a fugir, escondendo-se na Espanha, Patricia ouviu sobre Galaric e seu assassinato. Enfurecida ela se levantou! Junto com vários outros neófitos espanhóis abandonados por seus Senhores para sofrerem nas chamas da Sociedade Leopoldo, ela construiu um exército. E ela levou a tempestade de fúria desses jovens para o refúgio de Hardestadt... Patrícia e seus aliados invadiram o castelo, destruíram todos que lá estavam e a própria neófita diablerizou Hardestadt... Essa foi a faísca que ascendeu o fogo da revolta anarquista, um fogo que se alastrou ferozmente por toda Espanha e depois atingiu toda a Europa... Assim começou a Revolta Anarquista. E eu lhe pergunto Simon, você conhece algum antigo cainita? Como ele se comporta? Como ele se põe no mundo? Como ele rege o rebanho? Você entende a fúria de Patrícia?!
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 17/5/2016, 00:21

    Simon esperou que Correlli o guiasse, sendo o ultimo a se sentar o cainita permaneceu ereto, a postura da Brujah era estudada com afinco pelos olhos negros de Simon. Os gestos velhos contradiziam com a aparência moderna, as roupas apesar de caírem bem sobre o corpo esguio de Correlli contrastava com os gestos e postura.

    Acenando positivamente para as palavras desta Simon deixou que seu corpo relaxasse afundando de leve na poltrona, porem a primeira frase de Brujah fez com que Simon a olhasse surpreso. O cainita havia visto parte da Inquisição, mesmo que pouco e protegido pelas muralharas do Monatério ao qual serviu.

    " Então o mundo cainita não consegue fugir completamente da influencia dos mortais?! Sera que o mundo deles tem essa capacidade?"

    A primeira onda do discurso de Correlli fez com que o cainita sentado afundasse mais ainda na poltrona, encobrindo seus olhos com as mão entrelaçadas Simon estudava cada palavra da mais velha, o peso e a forma como eram ditas, tudo pesava sobre o raciocínio do austríaco.

    " Humanos... Homens e mulheres tiveram em força para lutar contra nós cainitas... Como conseguiram vestir-se de tal coragem para se atirar contra criaturas amaldiçoadas com a força de impérios..."

    Voltando sua vista para Kotlar por alguns segundos Simon voltou a enterrar seus olhos sobre a segurança de sua mãos...

    " Ela veio da Nova Catargo... Conheço bem os motivos mortais para essa guerra sem sentido... Vivi sobre o aspecto religioso e conheço a loucura que se esconde nas escrituras sagradas... Na figura de Jesus o herdeiro divino... Mas como... Como eles poderiam se rebelar contra as crianças de Caim? Quanto mais próximo do primeiro mais poderosos podemos ser... Mas se a ganancia consome os de sangue forte a diluir a maldição? O quão fraca ela pode se tornar? Milhares morreram para peste... Olhos mais atentos poderiam muito bem estranhar a cura repentina de um camponês, ou a capacidade de não adoecer de alguns nobres... É tolice imaginar que uma entidade com força e meios não caçaria os cainitas... E mais tolice imaginar que crianças perdidas e jogadas aos lobos não entregariam seus senhores em busca da minima proteção... Ou se rebelariam se forçados a isso..."

    Levantando seus olhos em direção de Correlli, Simon afastou seus pensamentos conforme as palavras desta se tornaram presentes.

    O austríaco conhecia bem os nome de Rafael de Corazon e  Hardestadt, nomes do qual Wotan demonstrava o mais puro desprezo, nomes do qual seu senhor se gabava de nunca ter se curvado ou aceitado.

    Ouvindo sobre a dor do clã Brujah e os nomes que incitaram as revoltas Simon arcou seu corpo para frente, novas informações eram adicionadas ao conhecimento do cainita, informações do qual Wotan não possuía enterrado em seu próprio orgulho e maldição.

    " A Camarilla se revestiu de um falso poder, jogou na fogueira as crianças desnecessárias e fortificou uma muralha em torno de seu castelo... Seria inevitável que algum descontente uma hora levantasse sua voz... Cala-lo foi um erro, deu força a suas palavras e liberdade para os mais novos desejarem a liberdade... Os cães sarnentos se viraram contra os donos... Sem comida e ferido o mais fraco cão pode se tornar o lobo mais voraz... Diablerizou... O que significa isso? Que poder seria capaz de poder destruir alguém muito mais poderoso? "

    A pergunta de Correlli fez com que Simon a encarasse em silencio, fechando os olhos e abaixando a cabeça o cainita deixou que seus pensamentos construíssem uma linha mais segura, reposicionando informações e complementando-as com o que havia ouvido. Por fim Simon levantou os olhos primeiro para encarar Correlli depois Kotlar.

    - Essa fúria... Eu posso entender... Existe um vale esquecido por todos... Lá as pessoas vivem em uma Bávaria ilusória, acreditam estar ainda no século VIII, quando Wotan começou a rege-los... Meu criador é prole de Gwazi, um cainita do antigo continente Africano... Ele teve outras crias mas nenhuma delas parece ter marcado profundamente Wotan... Não ao ponto dele lembrar de seus nomes e personalidades... Meu criador preferiu ignorar o mundo a sua volta, se esconder e governar pessoas esquecidas em  um local em que tratou de esconder do mundo...

    Abaixando um pouco mais o corpo Simon apoiou a face em suas mãos, suas palavras eram ditas de forma automática, porem o corpo do cainita estremecia toda vez que o nome de seu senhor era dito...

    - Eu nasci em uma Áustria dividida e em guerra, fui enviado muito cedo para a segurança de um Monatério, e lá pude ver o que a Inquisição fez com um dos noviços... Hoje compreendo que ele sofria de ataques epiléticos... Mas na época ele foi julgado e queimado em uma fogueira por estar possuído... Nunca vou me esquecer do cheiro de carne queimando... O vento soprou pelo Monatério e aquele cheiro ficou entranhado durante meses pelas paredes do local... Eu fui um herbalista em vida, salvei vidas de doenças simples enquanto os padres rezavam em busca de uma cura divina... Tolos! Eu tinha um pouco mais do que vinte anos quando fui enviado a outro monatério... O caminho da viagem cruzava as fronteiras do domínio de Wotan... Eu tinha um tomo em meus pertences... Um tomo proibido, achado alguns anos antes em uma caverna durante a expansão do Monastério... Foi esse tomo que fez com que Wotan não me matasse como fez com os outros padres que comigo viajavam... Levado a Wotanweiller o servi por mais de cem anos... Escolhendo seus sacrifícios de sangue pelo começo da noite e entregando um corpo destroçado e morto aos parente no começo da manha... Fiz coisas terríveis enquanto minha vontade era dobrada e as lembranças permaneciam como um presente grego... Eu tentei diminuir a desgraça deles lhes ensinando o que podia... Curando doenças e melhorando suas vidas... Mesmo assim quando o sono veio Wotan me criou... As pessoas que eu ajudei se voltaram contra mim... E no final da noite de minha crianção doze famílias foram despedaçadas por minha besta... Na mesma noite eu desafiei Wotan... Ele riu quando me dobrou sem fazer força...

    Por entre as mãos de Simon uma lagrima de sangue pingou no chão, o cainita permanecia na mesma posição enquanto seu corpo respondia sem ao menos que esta se desse conta, a besta parecia inquieta e mais do que nunca solitária enquanto ouvia as palavras do cainita.

    - Todo o trabalho que fiz como humano não me valeu em nada, o medo de minha presença se fez mais rápido do que pude imaginar, enquanto Wotan dormia eu continuava seu legado de medo... Levou dez anos antes que ele despertasse, antes que me ensinasse o que era um cainita... A natureza de minha maldição... Depois disso fui enviado de volta ao mundo... Não sem antes ele me prender a sua vontade... Fazendo com que eu retornasse ao seu chamado... Caso tentasse resistir meu corpo seria destruído... Me perdi o que pude no mundo... Queria recuperar o tempo perdido... O conhecimento e as mudanças que me passaram despercebidas... Mas antes que me sentisse satisfeito Wotan me obrigou a voltar... Novamente fiz com que aqueles humanos pudessem melhorar sua vida... Eu não queria nada em troca, mas ainda era obrigado acomete atrocidades... Foi em 1945 que Wotan adormeceu... Eu me joguei no mundo com avidez... Vasculhei tudo que estava ao meu alcance... Tentei buscar uma saída para minha corrente... Tudo em vão... Oficialmente abandonei Wotanweiller ha alguns anos...

    Levantando os olhos manchados de sangue Simon encarou Correlli com força, havia um ar de alivio sobre os ombros do cainita mas a dor estampava sua alma.

    - Eu entendo Patricia... Entendo sua busca por liberdade... Entendo sua fúria e ardor em busca de algo maior... Então eu lhe pergunto Lady Correlli... Que pecado eu cometi para ser lançado ao inferno? Ser a cria de um de um monstro e no final ser igual a ele?!
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 18/5/2016, 03:50

    -João diz que todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei. Tiago diz que o indivíduo sempre peca quando se sente levado a satisfazer seus próprios desejos em lugar da vontade de Deus, portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando. Pecado original, pecado mortal e pecado venial... Perspectivas católicas, judaicas, protestantes. O pecado, Simon, o pecado não existe.

    Responde Corelli, que ao terminar de falar se colocava de pé e seguida na sua direção. As botas dela causavam sons secos contra o assoalho de madeira velha, rangendo levemente e a borracha causava pequenos picos agudos quando se arrastava pela superfície irregular. Ela então parou na sua frente e sem perguntar qualquer coisa, leva a mão direta em direção as suas mãos, rompendo com força a união dos seus dedos e expondo a sua face.

    -Você não é culpado de nada além de seu próprio medo. O seu Senhor é exatamente como os Senhores da minha época foram, monstros capazes de fazer a terra se curvar, fortes como legiões de bárbaros ferozes. Implacáveis, intocáveis, inexoráveis... Intolerantes, ignorantes e incultos! Eles aprisionavam suas crias em laços de sangue, algemas eternas, medos capazes de faze-los esconder as próprias faces quando falavam o nome deles. Levante a tua face garoto, erga-se, liberte-se! Eu vi com meus próprios olhos os mais inabaláveis anciões caírem! Eu vi a prole do progenitor Lasombra marchar contra o castelo de seu Senhor e sair de lá vitorioso! Eu arranquei o coração de precisamente quarenta e três anciões, eu vi suas bestas, seus frenesis, seus poderes titânicos. E neles eu cuspi e sobre os corpos deles eu forjei a minha liberdade e a liberdade de meus irmãos e irmãs! Não existe culpa criança, a culpa é apenas mais uma algema que você nutre por medo. Você não é uma exceção, você não é o único, você não é o último. Eu vivi como uma escrava de meu Senhor durante trezentos anos! Quando ele finalmente entrou em torpor eu atravessei uma lasca da porta em seu peito para que ele nunca mais levantasse de lá e fugi, em prantos, sem destino, apavorada! Eu fugi! Os ecos das vozes da Revolução chegaram aos meus ouvidos e eu os ouvi, engoli o meu pavor e empunhei minha espada. Nós aprendemos a destruir o laço de sangue, Simon, nos aprendemos a nos libertar em meio de muita dor, sangue e horrores inigualáveis. Nós ensinamos aos antigos o verdadeiro Medo. Então, aqui vai a sua resposta criança. Somos todos monstros, somos todos pecadores, somos todos amaldiçoados. Mas se os netos de Caim mataram seus criadores, o que nos impede de fazer o mesmo? Monstros devem ser destruídos pelos verdadeiros heróis. E todo herói cai antes de se levantar. É hora de levantar.
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 18/5/2016, 12:44

    Preso sobre o peso de suas próprias correntes Simon ignorou o som das botas de Correlli sobre o chão de madeira, o cainita não conseguia compreender em totalidade a primeira resposta da anciã a sua frente.

    " Se o pecado é irreal porque eu padeço dessa punição?!"

    Assustado com o toque repentino o cainita colocou as presas para fora em um puro ato de preservação, porem as palavras da mulher a sua frente fizeram com que estas se recolhessem, a besta do austríaco levantou-se quando o mesmo não sabia como agir.

    "...todo herói cai antes de se levantar... Como... Como eu posso fazer o mesmo... Como posso quebrar essas malditas correntes do medo que me aprisionam?!"

    Sentindo seu corpo reagir da mesma forma que sua o besta o fazia Simon não conseguiu evitar de se levantar, mais alto do que Correlli o cainita o olhava com respeito mesmo que ainda temeroso de seus atos...

    - Eu quero... Quero lutar por minha liberdade... Mesmo que não saiba como... Lutar pela alma de cada pessoa que matei em nome de Wotan... Faze-lo pagar por cada atrocidade que cometi... Cada resquício de dor e ódio que fiz nascer... Quero faze-lo com minhas próprias mãos... Atravessar o coração daquele monstro... Mesmo que no final isso consuma meu corpo... Me livrar de cada elo que me prende a ele... Dessa corrente de medo que não enferruja... Destroçar esse monstro que insiste em viver... Mesmo que no final eu morra tentando...

    Todo o corpo do cainita estremecia, cada músculo se retesava transparecendo a tensão que Simon carregava sobre seus ombros, mesmo assim o semblante sério deixava claro a resolução de cada palavra dita por este.
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 20/5/2016, 05:15


    Kotlar reagia imediatamente quando você mostrava suas presas para Isabella, colocando-se de pé o Barão também exibia as presas em uma demonstração de que estaria desposto a enfrenta-lo caso você tentasse qualquer coisa. Mas a mulher apenas levantou a mão com a palma da mão aberta para o Barão, indicando que ele deveria parar naquele momento. Ela olhou no fundo dos seus olhos sem nenhum segundo temer as reações que a sua besta fazia em seus corpo, ela procurava a sua alma, ela procurava algo tão profundo que você sequer sabia que poderia ainda existir dentro de você, ela procurava com os olhos a sua vida, a sua essência, ela procurava por você.

    -Permita-me...

    Ela dá um passo a frente e estende as mãos na direção do seu rosto, segurando o mesmo com força. Era a primeira vez em tantos anos de existência que alguém mantinha um olhar tão fixo na sua face, nem sequer quando você foi humano isso acontecera. A anciã Brujah então finalmente falou.

    -Permita-me ajuda-lo criança, pois és um filho perdido como todos nós outrora fomos. Escute minhas palavras, quando as minorias não tem suas necessidades e desejos debatidos pelos que possuem o poder, só existe uma reação natural. Violência. Nós lutamos contra o poder, todas as noites de nossa vida. Não me refiro ao poder do sangue, ao poder de Caim, não. Eu me refiro ao poder de controlar a vida, o consumo, a alma, o desejo, a moral e a existência do outro. Quem é você sem Wotan? Quem você é Simon?! Me mostre esse monstro que está dentro de ti agora, me mostre o teu ódio, a tua força, a tua fúria. Vamos! Deixe tudo sair! Você não irá jamais me fazer recuar, somos iguais eu e você Simon, equivalentes. Grite! Soque! Odeie! Rompa! Destrua! BASTA!

    No final da frase ela grita com força contra a sua face, sua besta estremece de raiva pura. O frenesi estava muito próximo, mas a mulher então se aproximou ainda mais e os olhos dela finalmente encontravam o que procuravam. Ela via você.

    -Não há mais o que temer Simon... Estamos juntos agora. E juntos iremos lutar contra o Poder, começando por Berlim e terminando sobre as cinzas de Wotan.
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 20/5/2016, 16:22

    Os olhos de Simon se voltaram para a imagem de Kotlar quando o mesmo se levantou mostrando as presas, o ato do cainita parecia pensado e demonstrava claramente o desejo de proteção sobre Correlli, mas entre os cainitas ali presentes ainda era a diminuta mulher que mantinha a ordem e a calma diante dos ânimos exaltados.

    Voltando seus olhos para Correlli, Simon sentiu seu interior ser vasculhado, sua besta recuou diante disso, aquele ato era estranho e desconhecido ao cainita, sem resistir ao toque Simon abaixou-se para que a anciã pudesse tocar sua face, o simples ato fez com que o corpo do austríaco tremesse, um gemido seco e grosso escapou da garganta deste enquanto as palavras da Brujah eram ditas.

    " O que ela quer de mim?!"

    Cada vez mais a besta do cainita parecia ganhar força, tentava sobrepujar a mente do cainita e domina-lo enquanto o mesmo lutava com toda sua vontade para permanecer dono de seu corpo, fechando os olhos quando o tom de voz de Correlli aumentava Simon sentiu que suas mãos seguravam o pulso da mulher, sem desprender força porem ainda assim havia sido a besta que o havia feito.

    " Dominar ou ser dominado... Não... Esta na hora de me encontrar... Percorrer meu próprio caminho... Não de me entregar a maré..."

    Abrindo os olhos para encarar a mulher mais baixa, foi Simon que empurrou o rosto até que as duas testas se encontrassem, ainda com as presas a mostra e lutando para se manter no controle o cainita não desviou o olhar ou se escondeu perante Correlli...

    - Nomes são títulos... Eu me intitulo Simon Weber... Se isso é real ou não...Não me cabe saber... Não sou o monstro que Wotan quer que eu seja... Não sou o padre que fui instruído a ser... Sou um perdido... Se para me conhecer eu preciso fazer com que Wotan vire Cinzas... Assim eu o farei... Mas acredito que aqui... aqui eu posso me encontrar... mas preciso de ajuda...
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 24/5/2016, 02:45

    Kotlar que observava toda a cena de uma distancia próxima, voltava a se sentar agora mais calmo após a sua resposta. O instinto era algo muito forte dentro do clã Brujah e você sabia muito bem disso, era uma fúria instintiva que os fazia defender seus ideias acima de qualquer custo. E com uma voz calma, o Barão comenta.

    -A realidade é uma construção de nossas capacidades cognitivas e subjetividades, a sua realidade jamais será a minha e a nossa jamais será a de minha Senhora. Mas o real é necessariamente compartilhado pela própria natureza humana de construção de ferramentas sociais que nós herdemos sem restrições. Nomes são signos, cada qual com sua significância de acordo com aquele que o interpreta. Em suma, a realidade sempre cabe a nós saber, mesmo que a nós não caiba saber.

    A frase complexa do Barão faz Correlli sorrir e ela olhava para a sua besta sem teme-la, levando uma mão ao seu rosto ela tocou sua bochecha em um afago materno, em seguida a mão da mulher segura o seu queixo e inesperadamente, ela levanta você do chão pela ponta do seu queixo. Era uma força monstruosa, semi divina, que tirava seus pés do chão e mostrava imediatamente qual besta era a mais forte naquela casa.

    -Assim é como você é acostumado a ver as relações correto, pela força, pela selvageria, pela raiva. Permita-me contar a ti o que esses três pilares significaram para nós nas noites após a destruição do Ventrue Hardestadt. Isso é claro, se você ainda tiver o interesse de me ouvir contar o passado que nos forjou... E fique tranquilo jovem Simon, nós iremos ajudar você sim.

    Ela então solta o seu queixo e de maneira informal, dá um leve tapa no seu peito e virando-se para voltar a próprio lugar ela aguarda pela sua resposta para dar continuação as explicações.
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 24/5/2016, 12:22

    Os olhos de Simon se voltaram para Kotlar enquanto este falava, era um sinal claro de respeito, mesmo que toda o musculatura do filho da terra ainda estivesse tensa, a besta parecia ter aceitado bem o fato de não poder destruir e estraçalhar da forma que queria, mesmo assim esta forçava seu companheiro a permanecer tenso.

    " Guerreiros e filósofos... Suas causas são sua existência... Como eu os invejo... Invejo essa capacidade de sentir e deixar que sua fúria seja guiada por uma filosofia maior..."

    O toque na face de Simon fez com que a besta recuasse surpresa, o própio cainita demonstrou a insegurança do que aquele ato despertava em seu ser, encarando a mulher foi impossível para Simon deixar que seu corpo relaxasse mesmo que por sua vontade.

    Sendo erguido pelo queixo besta e cainita entraram em um consenso comum sobre a força de Correlli, mesmo menor a mulher ainda era mais velha e muito mais poderosa do que sua estatura aparentava demonstrar, porem o pequeno e displicente tapa em seu peito fez com que Simon a olhasse perplexo.

    Levou algum tempo para que o cainita reagisse aquilo, ainda de pé Simon sentiu a curiosidade tomar-lhe a mente da mesma forma que sua besta se aquietava por completo. Sim o cainita mais do que nunca queria aprender, mas não entendia como uma oferta de ajuda poderia ser dada assim sem muitos compromissos.

    Voltando a se sentar Simon fechou os olhos por alguns instantes, sua mãos se agarravam aos seus joelhos enquanto a mente do cainita voltava a se organizar.

    - Peço desculpas... Não era minha intenção perder o controle... Sim eu gostaria de continuar a escutar Lady Correlli... Agradeço suas palavras e a intenção de ajuda...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 31/5/2016, 00:39

    -Não há razões para pedir desculpas Simon, estou aqui para ensinar e não para repreender.

    Respondeu Corelli que ainda se ajeitava em sua cadeira para dar um recomeço as histórias sobre a grande revolução de muitos anos atrás. Dessa vez, a mulher sentava-se na poltrona de forma irregular, desprezando a postura clássica que havia apresentado anteriormente. Ela inclina o corpo para frente antes de retomar a fala, deixando os longos cabelos caírem por cima do ombro esquerdo.

    -A queda de Hardestadt ecoou por toda Europa, um eco que destruiu os castelos, varreu vilarejos e ergueu colunas de fogo. Vários neófitos se inspiraram pelas história de Patricia e esses vários se uniram em pequenas armadas no conflito direto contra os antigos tiranos, assim o banho de sangue começou, a raiva nos guiou pelos campos de batalha, nos guiou para os refúgios desses antigos. Afinal se um neófito é capaz de diablerizar um antigo, porque outros não seriam capazes? Aliás, foi nessa época que o termo amaranto deixou de ser utilizado, passando a ser diablerie, influência da cultura católica espanhola é claro. Todos os jovens estavam convencidos que não havia mais a necessidade de se alimentar das migalhas de poder deixadas pelos antigos, muito menos desejavam ser fortificações ou exemplos de sucesso de uma linhagem. Os jovens compreenderam finalmente que eles eram Cainitas e que todos os Cainitas tinham ambições e desejos assim como os antigos também tinham, eles tinham o Direito do Sangue...

    Corelli faz uma breve pausa e abre um pequeno sorriso, era como assistir a um contador de histórias recitar seu mais adorado conto. Com esse sorriso ela retomava a história.

    -Os grandes primeiros conflitos de tropas de neófitos contra os domínios de antigos aconteceu na Espanha, durante todo o Século XV. Nós arriscávamos tudo em prol de nossos ideias. Atacávamos com fervor a cada noite e logo as histórias sobre nós se espalhou por todo Mundo, os Príncipes de outras terras, naturalmente temerosos, apertaram ainda mais seus punhos sobre suas terras e seus súditos, com medo, os Senhores se tornaram ainda mais cruéis. E naturalmente, os oprimidos se ergueram juntos. Mas entenda, eramos hordas e mais hordas de jovens enfurecidos, perdemos vários conflitos por falta de liderança, estratégia e conhecimento. Possuíamos a força, mas não possuíamos a lógica. E assim ele se uniu a nós, o primeiro Líder de Guerra, o primeiro Barão, o primeiro Comandante. Gratiano de Veronese. A situação dos jovens Lasombra não era diferente da minha ou da de outros e Gratiano viu na revolução uma esperança, ele se uniu ao nosso lado e nos ofereceu algo que estávamos precisando, uma liderança. Foi graças a ele que nós fomos capazes de construir formas de comunicação entre as tropas, ele nos enfileirou em verdadeiros pelotões militares e nos ajudou a espalhar as palavras e ensinamentos de rebeldia. E o mais importante de tudo, foi ele que viajou até os Balcãs e construiu a nossa aliança com os Assamitas... Quando Gratiano retornou a Espanha junto com a força Assamita, nós vencemos! Até que na metade do século XV, a revolução explodiu também na Itália, os Lasombra locais, liderados por Gratiano e vários revolucionários espanhóis, marcharam contra os antigos da Itália, nosso objetivo era chegar até a Sicília. Anos de conflitos e finalmente arrancamos a cabeça da serpente, o progenitor Lasombra foi destruído! E seguindo o exemplo de Patricia, Gratiano diablerizou o próprio Senhor. Você conhece certo essa história certo? A história sobre a queda dos antideluvianos Lasombra e Tzimisce?! Eu apenas presenciei uma...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 31/5/2016, 19:15

    Concordando com um leve aceno Simon permaneceu com os olhos presos na figura de Correlli, o ar altivo e medieval deu espaço para a desenvoltura moderna que acompanhava as roupas da antiga.

    " A postura muda conforme a história se embrenha mais no âmbito revolucionário... Eu estranharia isso de alguém tão velho... Mas em Correlli parece natural demais para que seja estranhado... Porque ela é diferente?!"

    Perguntava-se o cainita ao ouvir cada palavra da Brujah, o termo diablere porem parecia fazer que a besta do cainita se interessasse mais ainda pelas palavras ditas, incomodado por isso Simon buscava na mente qualquer vestigio que pudesse lhe indicar o que aquilo significava, quando a palavra amaranto se fez presente o cainita pode por fim compreender do que se tratava.

    - Conheço no geral a queda dos antideluvianos... Posso presumir que o termo Diablere seja o equivalente ao Amaranto... talvez seja infantilidade mas, acredito que caso Gratiano se levantasse mais cedo não teria tido o sucesso em sua cruzada... As hordas de neófitos talvez não o tivessem aceitado...

    Cruzando as pernas com cuidado Simon afundou na poltrona fechando os olhos por alguns instantes, a mente do cainita vagava entre a história contada com interesse, por fim abrindo os olhos este encarou Correlli por alguns instantes antes de perguntar:

    - Qual deles tu viste cair? Isso é claro se me permites saber...  Sei que muitos devem ter perdido sua existência nesses combates, e mesmo no fim acredito que a recompensa não tenha valido as perdas... Pelo menos eles tiveram um outro tipo de Liberdade, uma que os grilhões de seus senhores não seria capaz de alcança-los... Mas tenho a impressão que o numero de perdas sofridas tenha ajudado a figura do Barão...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 4/6/2016, 05:02

    -Diablerie e amaranto são sim a mesma coisa meu caro, o primeiro termo é atualmente muito mais popular, já o segundo caiu no esquecimento como várias outras palavras como Gehenna e Autarca. O passado virou mitologia para os olhos dos mais jovens, graças a postura manipuladora da Torre de Marfim que os distancia das próprias origens...

    O desprezo pela Camarilla era algo tão claro e puro nas palavras de Corelli que era impossível de se passar despercebido pelos teus ouvidos pouco sensíveis ao convívio empático com outros cainitas. A anciã então se colocou de pé e esticou a mão direta para frente, abrindo a palma e esticando os dedos para em seguida cerrar o punho de uma só vez. No mesmo instante, todas as sombras do ambiente correm para dentro da mão fechada da anciã, seus olhos se assustam e sua besta imediatamente recua. Não era um domínio normal da Tenebrosidade, era algo além... Ela sabia como domar as trevas.

    -Eu estava no pelotão de invasão do grande castelo negro na Sicília. O nosso objetivo era invadir o Castel d’Ombro na ilha, vencendo o território conhecido como Mare d'Ombre. Eram os feudos diretamente ligados ao próprio neto de Caim, os humanos da região se referiam ao antigo por uma nomenclatura terrível: Laza Omri Baras, o Deus do Rio de Trevas em uma tradução menos literal e mais próxima do significado. As batalhas pelos feudos foram terríveis, mortais sacrificavam suas vidas em prol da segurança de seu grande Deus Obscuro, cainitas jovens, cainitas antigos, cainitas muito antigos, também faziam o mesmo que esses mortais... Mas quando finalmente chegamos ao Castel d’Ombro, o exército era apenas um pequeno grupo. O Assamita Hulul e suas duas proles, Gratiano e seus irmãos de clã, Nahir e Oliver. E por fim, as Irmãs da Fúria, Eleanor e Eu. Nós adentramos o castelo e não encontramos nenhum defensor, nenhuma alma, nenhuma sombra. Estava vazio, Gratiano então nos levou até o local de sono de seu Senhor e lá encontramos as trevas... Das trevas saímos apenas três, além de mim, Hulul e Gratiano. Todos os outros jamais retornarão...

    Corelli abre a palma da mão, libertando as sombras que retornavam amedrontadas e desesperadas para seus lugares de origem. A antiga então voltava a se sentar e olhando para a própria prole ela sorriu. Uma lágrima de sangue se formava em seu olho esquerdo e logo escorria pela face.

    -Ele sorriu. No final, ELE sorriu para nós. Nós três estávamos no chão bebendo de seu vitae e ele nos olhou sorrindo... As cinzas então preencheram todo o chão. Hulul se levantou negro como a noite e urrou em vitória. O barão se colocou de pé em silêncio, virou-se e caminhou para nunca mais ser visto. Eu, bem... eu me escondi na Escócia até a convenção dos Espinhos ser anunciada. Sinceramente, nós vencemos e os custos desta vitória foi terrível, profundamente terrível! Ela foi muito mais importante para os outros, para os que lutavam longe daquele castelo macabro. Ela foi importante para os atuais Ventrue, Toreador, Brujah, Malkaviano, Nosferatu e Gangrel à se juntarem ao Sabá, ao Anarquismo e a qualquer outra facção além da Camarilla e do Inconnum. O Sabá de Berlim hoje é regido por um Ventrue, graças a nós. Entende a importância do nosso sacrifício? Acho que para finalizarmos, basta apenas contar sobre a Convenção... E a nossa derrota irremediável...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 4/6/2016, 15:38

    Atento as palavras de Correlli fazia com que Simon curvasse seu corpo para frente, se suas mãos não estivessem sobre o encosto da cadeira que usava muito provavelmente seriam cruzadas em suas costas.

    " Transforme a cultura em lendas e faça com que as crianças as ignorem... Um método simples mas eficaz quando se quer alienar o mais fracos e as massas... Punir aqueles que se rebelam cria um exemplo do que não se fazer... "

    Estudando os movimentos da Brujah quando esta se levantou, Simon sentiu todo seu corpo retesar ao vislumbrar o que Correlli demonstrava. A besta recuou enquanto a face do cainita era estampada no mais puro medo, as sombras de toda a sala obedeciam a cainita e se acumulavam na palma desta.

    Recuando na cadeira Simon sentiu a força que fazia para permanecer parado, suas mão porem continuavam a se agarrar aos braços da cadeira com força, forçando o seu controle Simon engoliu em seco ao ver a lagrima nos olhos de Correlli.

    " Irmãos... Como é sentir alguma coisa por essa palavra? Mesmo depois de tanto tempo ela ainda sente... Porque então eu sou indiferente a isso?"

    Batendo de leve um dos pés de encontro ao chão Simon tentou relaxar seu corpo, baixando a vista em sinal de respeito este permaneceu em silencio por um curto período de tempo.

    - Sinto por suas perdas... Não posso dizer que entendo o tamanho de seu sacrifício... Mas espero que os frutos dele ao menos tenham ajudado a aliviar um pouco isso... Não é a primeira vez que os frutos amadurecidos são colhidos por outros... Realmente é uma pena que isso aconteça mas a Ignorança as vezes pode ser vista como uma Benção... Infelizmente não fazemos parte da parcela que prefere se manter na escuridão... A luz é cruel ao revelar detalhes demais e as verdades que eles tem...

    Erguendo os olhos Simon por fim reconquistou o controle do corpo, passando a mão sobre os cabelos negros, deslocado o Tzicismice se esforçava para compreender todas as nuncias das palavras de Isabella, mesmo assim havia coisas que o cainita tinha suas próprias dificuldades e duvidas.

    - Espero que isso não lhe seja um estorvo... Aprendi muito com suas explicações, mais do que seria capaz de aprender por minha própria conta...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 10/6/2016, 02:26

    Correlli caminhou até sua prole, colocando a mão direita no ombro de Kotlar ela iniciou a última parte de toda a história que poderia contar naquele primeiro encontro.

    -Após a queda dos antediluvianos, a batalha virou ao nosso favor e nós passamos dos limites. Os exageros cometidos durante os conflitos contra os antigos atraiu os olhos dos nossos maiores inimigos e assim a história se repetiu diante nossos olhos... Os anciões se escondiam em seus refúgios remotos e adormeciam em torpor. Enquanto isso a Inquisição se aproximava à passos largos e quando ela finalmente chegou com a Sociedade Leopoldo, o massacre foi inevitável. Estávamos expostos e confusos, o Barão havia simplesmente desaparecido, os cainitas da Europa Oriental eram ainda mais brutais e monstruosos do que nós, os Assamitas tinham sua própria missão à ser executada. Até que os rumores de uma estruturação social entre cainitas cresceu, de uma noite para a outra, com o nome de Hardestadt na liderança. Um fato bem estranho, considerando que o mesmo já havia falecido, mas acredito que o nome é algo como um título para os Ventrue, enfim, a Camarilla foi forjada com a intenção de curar as feridas abertas pela Inquisição e pela Revolta. Mas dessa vez, as palavras de Hardestadt alcançaram muitos ouvidos, inclusive ouvidos dentro dos Revolucionários que temiam a Inquisição e a fúria dos mortais. Em 1486, na cidade de Viena, ocorreu uma reunião entre antigos que resultou na criação do Círculo Interno e assim foi fundada oficialmente a Torre de Marfim. Aos poucos ficou inviável manter a luta contra a Sociedade Leopoldo e a Camarilla ao mesmo tempo, tentamos lutar por mais sete anos. E finalmente, na data de 23 de Outubro de 1493, os líderes da Revolta foram convocados pelo Círculo Interno da Camarilla para a elaboração de um tratado de Paz. Os líderes então viajaram até Hampshire na Inglaterra, mais precisamente até a Abbey of the Sacred Crown em um pequeno vilarejo chamado Thorn, próximo à Silchester. Todos eles, inclusive eu, fomos até o local com a certeza absoluta de que nós lutaríamos até as nossas mortes para não retornar ao posto de subalternos dos antigos, mas a razão falava forte em nossas mentes e uma negociação era muito melhor ser feita enquanto nós ainda possuíamos alguma força e poder de influência. E sinceramente, o acordo de Paz na Convenção na cidade de Thorns foi muito mais uma declaração de rendição do que qualquer outra coisa, nós perdemos a guerra. Nos foi garantida anistía pelos crimes cometidos durante a Revolta sob o juramento de compactuar com as Leis da Camarilla, não eramos obrigados a participar dela, mas eramos obrigados à obedecer suas Leis. Os Assamitas receberam a terrível maldição do Clã Tremere e mantiveram sua postura Independente. Mas a grande surpresa veio do clã Lasombra...
    Os líderes Lasombra não estavam interessados em se render, eles queriam uma negociação justa. Com as suas intenções negadas, eles se enfureceram e negaram absolutamente tudo que a Camarilla defendia. Tomados pelo ódio, eles abondaram a convenção antes mesmo que essa terminasse e deixaram para trás a cidade de Silchester em cinzas. Quinze anos depois, eles e os Tzimisce fundariam das sombras e dos escombros da Revolução uma nova seita, o Sabá.
    Com o Tratado de Paz assinado, a paz pode existir novamente na Europa. Eu sinceramente não acho que foi uma simples rendição como o Sabá adora afirmar, nós tínhamos que tirar algo de tudo que havíamos feito. Nós destruímos dois antediluvianos, nós destruímos incontáveis antigos, provamos o nosso ponto: A força da maioria é inabalável. A tirania dos anciões jamais foi a mesma, eles ainda se colocam acima dos jovens, mas os jovens não são mais escravos de sangue, não são mais escórias eternizadas à servidão... Não publicamente...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 10/6/2016, 14:52

    Durante todo o discurso de Isabella, Simon se manteve estático e silencioso, na verdade a unica coisa que se movia no cainita eram seus olhos que estudavam a cena que se seguia.

    De pé ao lado de Dieter Kotlar, a mais velha entre os três cainitas continuava a intricada história dos acontecimentos que marcaram para sempre a existência de toda a sociedade Cainita espalhada pelo mundo.

    " Ecos... tudo a nossa volta, são ecos... Ecos de escolhas, de propósitos... Do passado... Porque agora então haveria mudanças? O que está acontecendo em Berlim para que essa cadeia de Ecos seja quebrada? Alias eles pretendem quebra-la, ou simplesmente permanecer em meio a ela?!"

    Movendo-se um pouco Simon se arrumou na poltrona, cruzando as penas o cainita depositou as mãos sobre a perna cruzada enquanto voltava a olhar para Correlli e Kotlar, mantendo a postura ereta levou algum tempo para que Simon se expressar.

    - Acredito que levarei muitas noites para digerir adequadamente todos os pormenores da história que me foi revelada... Não sei ao certo... Não sei se a revolta Lasombra tem bons fundamentos... O Sabá me parece apenas um bom modo de continuar a cultivar monstros presos em coleiras... Um descuido e mesmo depois de muito tempo a Igreja ainda pode virar seus olhos para os filhos de Caim... Entendo que no final tenha sido melhor seguir as leis da Camarilla, recuperar as feridas e fortificar a causa em meio ao caos que foi a santa Inquisição... É dificil opinar verdadeiramente sem esquecer detalhes e avaliar corretamente... Não vivi essa época ou lutei essas batalhas, apenas desfruto da colheita plantada por outros...

    Se recostando para trás Simon voltou seus olhos para o teto, sua mente ainda vagueava entre inúmeros pontos ressaltados por Isabella, mesmo assim era quase impossível para o mesmo realmente chegar a uma conclusão palpável.

    Voltando a olhar para Correlli e Kotlar, Simon esperou alguns instantes antes de indagar:

    - Eu fui guiado a Berlim ao acaso, mas na frança rumores sobre algo grande acontecendo aqui se espalharam... Nada certo, mas ao que posso ver tinham um fundo de verdade não?
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 16/6/2016, 15:59

    -Acredito que essa parte é referente a você, querido.

    Comenta Correlli, direcionando a voz à Kotlar. Ela continuava parada no mesmo lugar, de pé ao lado do Barão de Berlim. Esse por sua vez olhou diretamente para você e relaxando a postura,deu inicio a uma revelação surpreendente.

    -Não seria apenas um fundo de verdade, mas sim, uma verdade inteira. Veja só, algo novo surge à nossa frente e as leis e tradições dos antigos já não se aplicam a nós, estamos hoje em uma sociedade que avança cem anos em dez. Os neófitos de hoje são essencialmente diferentes dos antigos de outrora, por isso digo, que uma nova revolução está para começar. E o primeiro golpe será amanhã aqui em Berlim.

    A anciã olhou para Kotlar por alguns instantes mas nada falou, mas apenas caminhou em direção a cadeira onde estava anteriormente sentada e lá se repousou novamente. O jovem Barão agora olhava para você aguardando as suas reações.
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 17/6/2016, 11:55

    Os movimentos de Dieter chamaram a atenção de Simon, até então o cainita havia mantido uma postura rígida, mas o simples passar de locutor feito do por Isabella havia colocado o Barão novamente em seu lugar.

    " De criança a regente... Ele respeita sua senhora, não a teme... Ela por sua vez parece ter sentimentos sinceros quanto a Dieter... Por isso o respeito... Ela é muito mais velha do que nós dois juntos, a força guardada nesse corpo pequeno seria o suficiente para destroçar-nos sem esforços..."

    Ouvindo as palavras de Kotlar, Simon se ergueu da poltrona, escolhendo uma pequena distancia para andar o cainita cruzou os braços atras do corpo deixando que o corpo se movimenta-se por vontade própria.

    Levou algum tempo para que Simon parasse no meio do caminho e endireitasse a postura, voltando a olhar para Kotlar este mostrou os dentes no que seria seu melhor e primeiro sorriso em sua vida depois de Wotan.

    - Posso entender agora o porque do convite para permanecer em Berlim nas proximas noites... Assim como a longa explicação que acabo de receber de Lady Correlli... Compreendo seu ponto de vista sobre a nova era cainita que vivenciamos... As trevas da Idade Média deixaram espaço para a névoa densa deste seculo... Aqueles que procuram a luz a encontram, aqueles que não o fazem se enterram na escuridão... Diga-me... Como pretende criar uma revolução? E onde sera o primeiro golpe do martelo que vejo em suas mãos?!
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 20/6/2016, 23:21

    O Barão sorri ao ouvir a sua pergunta e sem demoras ele responde com um tom firme na voz e uma convicção que é muito rara de se ver até mesmo nos mais bravos e poderosos heróis de fábulas milenares.

    -As verdadeiras as revoluções não concernem a pequenas questões, mas nascem de pequenas questões e põem em jogo grandes questões. E para que cada revolução seja executada é necessário primeiramente remover as luvas de seda que cada um nós veste à anos. O primeiro golpe será contra algo que todos são ensinados à se preocupar, será pequeno, será contra a maior de todas as tradições. Enquanto a Camarilla estará em reunião em seu querido conclave, nós iremos expor a máscara no fio da navalha. Um ataque será feito, nada grandioso, só os mais atentos poderão ver inicialmente o perigo que ele levantará à mascara. Em alguns dias, a Camarilla toda será capaz de vê-lo porque os mortais farão toda repercussão.

    Correlli olha surpresa para a própria prole e sem pensar duas vezes, claramente surpresa com a revelação, a antiga indaga.

    -Você tem certeza de que romper a máscara é algo prudente?

    Kotlar então olha para a própria Senhora e responde.

    -Não vamos destruir a Máscara de uma só vez, mas iremos causar uma rachadura profunda no centro da mesma.

    Correlli, claramente incomodada com a situação retruca mais uma vez.

    -E como vocês serão capazes de controlar o tamanho da rachadura?

    O Barão abre um sincero sorriso na face e responde com os dentes à mostra, como se estivesse a se deliciar com o receio da própria Senhora.

    -Nós não vamos.

    A antiga fecha a face em um ar de reprovação e mergulha em um silêncio completo. Um silêncio desconfortável que dura quase dez minutos, até que enfim Kotlar olha para você e comenta de maneira breve.

    -Acredito que seja hora de retornarmos ao Barão Vermelho e encontrar um local seguro para você, correto Simon?

    Isabelle logo se levanta e caminha para o interior da própria casa, saindo da sala, mas sem antes dizer.

    -Se tiver interesse, tens meu convite para permanecer em meu refúgio Simon.




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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 21/6/2016, 13:16

    Simon observou a postura de Kotlar, era clara a confiança que o Barão exalava em sua postura e voz, o que deixou o cainita surpreso quando Correlli o questionou sobre suas ações.

    " Ela esta descontente com isso? Mas Kotlar parece saber o que faz... Porque ele atacaria a aliança existente com a Camarilla? Em meio a politicagem interna a Torre demoraria a perceber o ataque e mais ainda para agir contra isso... Porque arriscar isso?! Será que uma oferta melhor foi feita... O que nos leva ao Sabá... Eles teriam se arriscado a esse ponto? Começo a acreditar que talvez tenha sido um erro vir a Berlim... Mas já que estou aqui..."

    O silencio que se apoderou da sala fez com que Simon se enterrasse em seus pensamentos, surpreso com as palavras de Kotlar o cainita demorou a entender a deixa usada pelo Barão, quando o fez este ouviu atentamente as palavras de Correlli.

    Engolindo em seco Simon abaixou seus olhos até a bolsa depositada cuidadosamente ao lado do lugar em que estivera sentado, dentro da bolsa guardado em seu fundo estava o antigo cantil de água de Simon, dentro do cantil a sina do cainita, a terra do qual necessitava todas as noites para descansar assim como seu antigo terço de sua época mortal.

    Recolhendo a bolsa Simon se pôs de pé, olhando para Kotlar este deu um passo na direção que Isabelle havia seguido.

    - Não sei o que planejas... Mas estou curioso... Caso não se incomode prefiro ficar... Posso facilmente chegar ao Barão Vermelho daqui e não gosto da ideia de ser um estorvo... Quanto aos 5 dias... Acredito que irei permanecer... Ao termino deles deverias repetir a proposta novamente... Berlim já não é a mesma que eu conheci e começo a acreditar que nunca a conheci bem...
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 22/6/2016, 23:36

    -Faça como desejar Simon, és livre e não se esqueça disso. Até mais ver meu caro. Com sua licença minha Senhora...

    Assim dizia Kotlar, se despedindo e caminhando para a saída da casa de Correlli. A Anciã apenas sinalizou com a cabeça, dando a "permissão" para que sua prole saísse e mantendo-se em silêncio até que a porta se fechasse. Voltando a andar, a antiga adentra a pequena biblioteca pessoal que possuía onde anteriormente era a cozinha da pequena casa, afinal, qual seria a utilidade de uma cozinha para a casa de uma Brujah tão antiga?! Ela então se senta em uma das cadeiras e olha para você.

    -Agora que estamos distantes dos olhos de Kotlar, digo diretamente à você, Simon... Eu conheci o seu Senhor durante a era das Trevas, lembro-me que o mesmo era alvo de alguns Tzimisce que o odiavam profundamente. Assim como também me lembro deles afirmarem que o mesmo simplesmente desapareceu sem deixar vestígios. Me diga, o que você realmente busca nessa cidade?! Já que nenhum antigo membro da linhagem mais tradicional e arcaica do clã da terra, simplesmente perambula por regiões.
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 23/6/2016, 12:29

    Simon permaneceu em silencio enquanto Kotlar se despedia deixando a casa de sua senhora, perdido entre pensamentos o cainita seguiu a figura de Isabelle, ver que o local da pequena biblioteca já havia sido uma cozinha o fez andar pelas pratilheiras de livros com curiosidade.

    " Sou livre enquanto o tempo me permitir... O quanto isso significa?!"

    As palavras de Correlli chamou a atenção do cainita, parado este a encarou por algum tempo em silencio, não havia expressão na face do austríaco nem mesmo quando a pergunta foi feita.

    Deixando a bolsa encostada em uma das prateleiras Simon tocou com curiosidade nos livros, andando sem pressa por entre os volumes este voltou a encarar Correlli.

    - Eu começava a me perguntar quando alguém me indagaria sobre isso... E sinceramente não tenho uma resposta... Por muito tempo não tive resposta nenhuma alem das que meu Senhor me supria... E se conheceste ele sabe que não eram exatamente as melhores... Não sei como alguém de linhagem tradicional se porta... Nem mesmo aqueles que são infectados pela doença da carne... O único espelho que tive foi o de meu senhor... O exemplo vivo de se egocentrismo e loucura dominadora... Houve um tempo que pensei que poderíamos ser amigos... Mas essa ilusão não viveu por muito e depois disso... Bom ele não é um senhor amoroso...

    Andando até a cainita Simon estendeu o livro de Kotlar, o mesmo livro que anos antes havia conseguido ao acaso.

    - Sera que a unica resposta que eu conheço para o que é ser um cainita se resume a simples palavra monstro... Porque não vejo isso em seu relacionamento com Kotlar, mesmo descontente você não o esmagou como meu senhor o faria... Não lhe arrancou as presas ou lhe chamou de criança imatura... O quê lhe difere de meu senhor? Lady Correlli... O quê?
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Danto em 28/6/2016, 17:00

    A pequena anciã Brujah se aproxima e pega o livro, abrindo um pequeno sorriso ao ver o exemplar que estava em suas mãos e em seguida comenta ainda com o mesmo sorriso.

    -Essa foi a primeira coisa que eu li após despertar de meu sono, ainda assustada com as enormes construções, com as caixas de ferro que atravessavam rapidamente os caminhos de pedra negra lisa. E ao terminá-lo eu tive a certeza que o escritor seria minha nova prole, é estranho pensar que eu ainda não fui em busca dos meus outros filhos. Tenho no total, três proles... Cada uma criada em uma época diferente e que certamente recebeu uma forma diferente de instrução... Mas você está certo Simon, somos monstros.

    Ela então estende o livro novamente para você e olhando nos seus olhos ela responde.

    -Você me lembra muito os neófitos e ancillaes que eu encontrava durante a Revolta Anarquista, és de certa forma, um elo perdido meu jovem...

    Ela então se vira e caminha até a janela da pequena biblioteca que outrora fora uma cozinha, colocando uma mão no vidro ela finalmente responde a sua pergunta.

    -O que me difere do seu Senhor?! Eu sou um monstro assim como ele é, talvez até potencialmente mais terrível ou não. Mas eu, ao contrário dele, sei como os verdadeiros monstros se parecem. E nós não somos nada perto dessas criaturas. Verdadeiros demônios, monstros titânicos capazes de romper a realidade à bel prazer. Eu lutei nas mais brutais guerras que a história cainita possuí, ele não. A resposta é curta, mas não é simples. A diferença está no medo... Ele acredita ser temível e eu vivo aterrorizada.

    [Off: Ultima ação para o final do Ato]
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

    Mensagem por Jess em 28/6/2016, 21:12

    Toda e qualquer ação e palavra de Isabelle foram escutadas e avaliadas por Simon, saber sobre as proles da Brujah o fizeram avalia-la melhor, a aparência eternamente jovem de Correlli escondia o que a cainita havia vivenciado, escondia o passado sem muitos esforços.

    Recebendo o livro de volta o próprio Simon teria sorrido se o soubesse como, ouvir que era um elo perdido entre gerações de cainitas lhe parecia estranhamente correto.

    " um elo perdido... Sim estou perdido... Perdido a mais tempo do que realmente posso me lembrar... Mas não sou um Elo... Não ligo nada... Apenas acorrentado a Wotanweiller..."

    As palavras sobre a natureza monstruosa da Maldição de Caim deixaram um ar surpreso transparecer no rosto do austríaco, mas o simples mencionar de ter medo vindo de Correlli pegou o cainita desprevinido.

    - Devo dizer que me é estranho saber que alguém como você tem medo... Mas não diga que Wotan não o tem... Pelo contrario ele o tem e muito... Ele teme o mundo e sua evolução mais do que qualquer coisa... Por isso fugiu... Ele teme aqueles mortais que o servem como cordeiros... Porque de baixo de suas pelas pode haver o lobo... Por isso os domina... Não posso julgar a extensão de seu medo... Mas posso lhe dizer que é bom senti-lo... Sim talvez sejamos apenas monstros... Mas ja fomos humanos... E como humanos ainda sentimos... O medo é a primeira coisa que sentimos quando humanos e talvez seja essa a ligação que ainda temos com o que eramos com os monstros de agora...

    De pé o cainita se mantinha parado enquanto observava Correlli, a incapacidade de saber como agir com outra pessoa mesmo com um cainita o prendia ali, parado e estático...

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    Re: Ato II - Narrativa de Simon: The City Set On An Hill

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