WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Hella Brenneman - Perlúdio

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    King Narrador

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    Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 18/5/2016, 23:56

    31 de Agosto, 2005, 18:00


    A noite passada fora corrida e arduamente trabalhosa. Seu espírito guardião havia lhe mencionado de véspera do perigo que o dia seguinte mostraria ser. Seu alerta para a capela foi bem visto, afinal Isabella Gardi avisara da tempestade que iria chegar. Mas nenhum dos membros de cabala esperam a gravidade que a tempestade se mostraria ser. O sono havia terminado por volta das cinco da tarde do verão e as nuvens impediam qualquer efeito da maldição de Rafael. Só que não houvera tempo para análises do fenômeno. A capela estava instável e se mostrava propensa á desabar contra a cidade. O que causaria um colapso colossal de proporções inimagináveis.

    De tal forma todos os membros da capela passaram a noite inteira de trinta de Agosto fortificando os rituais elementais da morada. O seu trabalho havia sido bastante dedicado nas salas inferiores ao 5º círculo. Lugar onde outrora os mais jovens haviam estudado e agora eram eficientes catalizadores energéticos. Como grandes baterias sinéticas. Haviam quatro selos, todos interligados em quatro triângulos. A arquitetura que os ligava era a essência de seu ritual primevo para anular a gravidade da rocha matriz que sustentava a estrutura. Toda a força da tempestade havia abalado profundamente a ligação dos pontos de poder.

    Manter os reagente funcionais requereu de sua concentração por horas. E sua sensibilidade com a rocha chegou a altos níveis, possibilitando notar a presença do misterioso constructor atuando de um lado para o outro do interior da rocha pura. O mesmo aparentava estar tão ocupado quanto ti em otimizar o processo. Positivamente, Isabella lhe acompanhou na composição final do ritual para enaltecer o feitiço. Outro apoio foi de Thierry Avril que não saiu de seu lado em momento algum, prestando ajuda na condução de cada etapa. Era como se o mesmo se mostrasse muito aberto ao seu entendimento sobre os espíritos da terra. Com o trabalho em equipe foi possível terminar com a trepidação da capela e qualquer chance da mesma recuperar sua gravidade.

    Já estava no auge da madrugada quando você pôde subir novamente. Foi desta vez sua vez de ajudar sua irmã de círculo. A varanda que fazia um círculo perfeito ao redor do térreo da capela possuía seis selos elementais. Todos ligados herméticamente de forma muito sensível e precisa. Dois selos para representar o controle sobre a água e o ar, um terceiro selo indicando a ligação das essências com a quintessência. Os outros três selos eram espelhos dos mesmos. A Guardiã dos Rituais já havia feito com a ajuda de sua prole, Cristina Burnier, o primeiro re-ajuste dos selos antes de cooperar com a estabilidade de seus rituais. Agora a mesma precisava de ajuda para completar sua parte.

    Assim Jaqueline Roy, que havia ido para a cidade sob instruções de Mirela regressou para poder ajudar nesta finalização. Saymon Courtney que estava ajudando o regente à realizar seus avançados rituais no telhado também se juntou. Assim tendo seis membros para ajustar os selos sistematicamente, na ordem coordenada que Gardi havia instruído. Este processo requereu muita sincronia e precisão para poder ser completado. Com o mesmo finalizado, toda a estrutura flutuante enalteceu sua barreira contra a potência do vento e da chuva que passava sobre a mesma. Uma poderosa barreira elemental foi consolidada.

    Com o ritual completado era finalmente possível ver a cidade por debaixo da chuva. Era uma visão assustadora e absolutamente exótica. Toda Nova Orleans estava às escuras. Apenas a luz dos trovões permitia ver com mais clareza. A água podia ser vista pelas principais avenidas criando grandes canais marítimos. O Rio do Mississípi estava cinco vezes maior e parecia engolir a cidade por inteiro. Os pântanos pareciam consumidos por grandes fontes de neblina. A margem oeste da cidade, do outro lado do rio, território do sabá, parecia estar em estado mais calamitoso ainda. Só que no geral, toda a região metropolitana estava em estado absoluto de emergência.

    Era possível imaginar as complicações que Stephanie Estrada deveria estar enfrentado. Afinal ela estava responsável pelos carniçais da linhagem e por toda a comunidade mortal sob influência do clã. O que era um território muito grande inclusive. Manter a ordem sob o caos como aquele, poderia se mostrar um grande desafio. Henri Tallet, cuidando da sede falsa e de entrada da capela, no solo, deveria estar passando por muitos problemas para se resolverem também. Felizmente Saymon quando regressara do centro urbano, dissera que os dois lá embaixo estavam conseguindo cuidar bem de suas obrigações com louvor.

    O som dos raios e trovoadas, como grandes explosões divinas as quais iluminavam todas as nuvens, se mostravam absurdamente potente. Quase ensurdecedor. O fim do ritual de Isabelle foi a deixa para o regente completar seu próprio e complexo escudo sobre a capela. Passara a noite inteira reforçando selos herméticos elementais de ar preenchidos com quintessência. Enquanto completava nos mesmo uma estrutura celestial, fazendo uma mistura homogênea de essências elementais. Todo o telhado das torres da capela estavam com seus círculos energéticos milimetricamente posicionados. O resultado se mostrava como um poderoso imã da energia da tempestade. Ao qual caía sob a capela sem gerar dano na mesma. O poder da natureza era convertido diretamente em energia sinética armazenado nas baterias energéticas no subsolo.

    O trabalho em equipe bem orquestrado e funcional da capela chegava à se assemelhar com um grande formigueiro. Onde cada formiga sabe sua função por puro instinto e não hesita um segundo em realizá-la. A noite começou de forma apocalíptica e se mostrava ter se equilibrado. Como um grupo de marujos em alto mar mantendo o navio ileso da tempestade. A noite se mostrava estar terminando quando Christopher conseguira completar sua árdua tarefa. Minutos depois Stephanie chegava pela sala do portal se mostrando bastante estuneada, raro não ver a mesma sorrindo. O próprio regente se juntou no térreo para se atualizar com ela sobre o estado da cidade.

    Entretanto a noite se mostrava prestes a acabar e não houve muito tempo para conversas. O próprio Patriarca da linhagem fez uma aparição para todos os presentes na varanda circular. Com exceção de sua segunda prole, todos estavam ali. Aaron se mostrava estar mais exausto que todos os demais. Como se o peso de sua idade pesasse em suas costas. Algo surpreendente de se ver, pois o mesmo nunca se mostrara chegar naquele nível de exaustão. Era difícil saber o que o mesmo pesquisara e fizera ao longo da noite, mas seu rosto deixava claro um alto nível de preocupação. O que culminou no mesmo marcar uma reunião para o dia seguinte logo no começo da noite. Todos deveriam estar presentes e apresentar relatórios sobre suas últimas ações e conclusões da atual situação. E foi assim que a noite finalmente terminou.



    A noite chegara tranquila. Mais um despertar fora do horário natural. Ainda era seis da tarde. Mas a noite já era forte e a chuva não se mostrava parar. Entretanto a capela estava estável agora. O que lhe permitia poder finalmente focar em todos os outros problemas que aquela chuva estava para trazer. A hora de estudar e analisar chegara. E por isso a reunião se mostrava tão importante. Assim sendo você teve um certo tempo para se preparar para aquele evento.

    Saindo de seu quarto minutos depois, você logo se posicionou pela a escada em espiral que ia para o piso inferior. As velas sempre acesas detalhavam seu caminho até a grande sala de reunião logo acima do térreo. Uma grande cúpula infestada dos livros mais diversos e profundos sobre os mistérios do plano etéreo. Junto de bom textos filosóficos, grande parte da antiga coletânea macedônica de Daphné. A porta da grande sala estava já aberta. Com duas estátuas na entrada. Uma de Poseidon com velas na ponta de seu tridente. E a outra bem similar, entretanto feita no estilo romano do Deus Neptuno.

    No interior da biblioteca se mostrava haver a grande mesa de reuniões. A qual sempre era automaticamente remanejada para se sincronizar com a posição dos membros da capela. Era uma mesa redonda de três camadas. As camadas mais internas dela era para os membros de mais alta patente, enquanto as distantes se destinava para os de menores. Dez eram os assentos e nenhum estava preenchido ainda. Afinal nenhum dos anciões havia chegado. Mas os neófitos já estavam na entrada conversando em voz baixa. Nada surpreendente, afinal o sono das crianças sempre tendenciou à ser mais curto.

    Ao seu lado, em um belo vestido com cor de esmeralda, chegava Stephanie. Agora sorridente como sempre fora. Ela se aproximava de você enquanto tirava seu chamativo chapéu de penas em uma mesura típica dela para então lhe cumprimentar com um suave e desconfortável toque em seu ombro. Algo típico naquela espanhola, que sempre falava contigo em sua língua mãe.

    - Ontem poderíamos ter virado uma cratera no solo se não fosse por você. E nem preciso dizer que ainda estou com a sensação de estar encharcada. Espero hoje conseguirmos algumas respostas para este evento não natural. Estás otimista?

    Mesa Tremere:
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    Danto Jogador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 25/5/2016, 18:09

    A noite anterior foi extremamente exaustiva, mas rendeu bons frutos. Dediquei-me profundamente durante todas as horas em que estive acordada nos reparos que a grande tempestade causou as estruturas umbrais da capela. De certa forma, foi interessante ver a cooperação de todos de maneira tão dedicada, dos mais jovens aos mais antigos, excluindo é claro a figura de Meu Senhor que como sempre, estava distante a cuidar de seus assuntos distantes dos nossos olhos. Os verdadeiramente antigos não ficam passos à frente, como nós jovens costumamos pensar, eles ficam na realidade, quilômetros à frente. Mas enfim, a segunda noite começava.
    Após meu despertar, realizo um dos meus mais cotidianos rituais que se resumia a uma simples gota de sangue mortal virgem nas extremidades da face e uma folha seca de menta no interior do meu sapato esquerdo. Era uma realização simplória de um ritual que auxiliava a manutenção de uma aparência sempre impecável.
    Após guardar os reagentes em seus devidos frascos, caminho por dentro do meu quarto até o closed onde escolho a roupa que usarei durante a reunião que se seguirá, minha ansiedade pelas palavras de Meu Senhor eram extremamente visíveis. Era na mais profunda solidão que eu me sentia confortável suficiente para deixar todas as minhas expressões à mostra, já que em contato com outros, haviam prioridades, leis, hierarquias e posturas a serem demonstradas. Enfim, após quinze minutos de espera pela ativação do ritual, eu finalmente escolho o vestido e sigo em direção a sala da grande reunião que acontecerá em breve.
    Meus olhos prontamente encontram a figura de Stephanie, o toque era algo realmente incomodo, uma quebra dos laços de etiqueta tradicionais que eu jamais permitiria que fossem quebrados por qualquer um. Mas Stephanie não era qualquer um, assim, ao invés dos típicos olhos de censura, eu apenas olho para a mesma e respondo de maneira educada, no idioma que eu me sentia mais confortável em pronunciar.

    -Boa noite Senhorita Estrada, eu fico lisonjeada por suas palavras, mas independente da situação é necessário sempre iniciar diálogos com um pouco mais de etiqueta e talvez um pouco menos de tato não é mesmo?! Bom, me perguntas sobre otimismo, eu não creio que seja esta uma hora coerente para tais vertentes de construções lógicas, minhas expectativas são realistas, dessa forma, sigo profundamente preocupada e atenta aos fenômenos anormais que acontecem neste instante...

    Uma pequena pausa na minha fala é propositalmente feita apenas para que eu fosse capaz de observar as reações da senhorita Estrada, seu sangue espanhol era extremamente forte em suas atitudes. De certa forma, era sempre revigorante conversar com alguém em meu idioma natal.

    -Em resumo, sinceramente querida Stephanie, precisamos de respostas e espero que Meu Senhor seja capaz de fornecer alguma.

    Roupa escolhida para a noite:
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    King Narrador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 30/5/2016, 14:25

    - Claro Senhorita Brenneman, nunca me lembro que você prefere ser chamada assim. Mas como sempre digo, me chama de Steph. E no resumo da minha pergunta, sua resposta foi não. Bom, não me surpreende, a situação está mais que calamitosa na cidade. Não sei como os outros distritos lidaram com a catástrofe, mas se não fosse eu e meus carniçais ontem, teria acontecido uma chacina generalizada.

    Como costumeiro a Magus da Corrupção sorri de forma excêntrica e então se dirige para dentro da sala. Era permitido para membros do 6º ciclo entrarem na sala de reuniões mesmo sem a presença dos mais antigos. Regalia que os neófitos bem graduados do 5º ciclo não compartilhava. Lá a mesma parecia procurar por alguns livros enquanto esperava os outros chegarem. Assim, aproveitando a deixa, Thierry, aquele que lhe ajudou no dia anterior, se aproxima fazendo uma bem esperada mesura.

    - Boa noite Senhora Brenneman. Confome pedido fiz uma checagem dupla mais cedo nos selos inferiores para confirmar se estão estáveis. Felizmente estão, seu trabalho ficou impecável.

    Chegando pelo corredor podia então finalmente ver o primogênito e sua prole, o regente, se aproximando. Ambos estavam focados em uma profunda conversa. Enquanto Isabella vinha atrás carregando pelo menos uns cinco livros. Eles se aproximavam de vocês logo na porta. E parecia que Christopher iria interromper sua conversa para conversa com você e os outros neófitos.


    Última edição por King Narrador em 3/6/2016, 14:50, editado 1 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 31/5/2016, 04:45

    Olhando para Stephanie se distanciar, respondo de maneira muito breve a minha irmã de circulo, com palavras singelas e um tom verdadeiro de voz.

    -Stephanie é mil vezes mais bonito do que Steph... Nomes tem grandes importâncias minha cara, grandiosas importâncias que as vezes são ignoradas.

    Minha atenção é então atraída pela voz do jovem que me auxilou muito no caos da noite anterior, claramente faltou algumas saudações na postura do mesmo e meus olhos de censura não iriam perdoar nem por um instante sequer.

    -Primeiro, peça permissão para iniciar um diálogo com um superior. Você ainda possuí méritos pela noite anterior meu jovem, fizestes um excelente trabalho mas não me diga o óbvio a cerca do meu trabalho, não cabe a ti elogiar um superior. Mas cabe ao teu superior reconhecer tua capacidade, a Capela agrade e agora reflita sobre tuas falhas...

    O sermão ainda tinha alguns versos, mas a presença de meu Senhor e de meus irmãos de sangue é prioritária, principalmente quando Christopher demonstrava a clara intenção de se aproximar, e assim, sem olhar para Thierry eu faço um sinal indicando que ele deveria se afastar. Assim, eu me encaminho em direção a Christopher, fazendo uma enorme mesura para o mesmo e uma maior ainda para meu Senhor. Ao contrário do esperado eu não digo nada, nem sequer olho diretamente para ambos após a minha mesura, era através do exemplo que eu iria ensinar a todos os jovens da capela. Apenas quando eles solicitarem eu falarei ou direcionarei meus olhos para ambos. Meu dever era inicialmente de apenas sudar meus superiores e reconhecer que ambos são aqueles que eu reconheço como líderes.
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 3/6/2016, 18:28

    Thierry abaixa a cabeça de leve demonstrando compreender o que lhe era dito. Com a ordem de se retirar, o mesmo dá três passos para trás e muda seu foco de atenção na medida que os mais antigos chegam. Seu senhor se mostrava cansado, como se tivesse passado muito tempo se esforçando em algo de natureza particular dele. O olhar sério era compartilhado pelo regente também. O que fazia seus instintos serem acionados, pois sua intuição lhe dizia que seu nome era o assunto da conversa que eles tinham finalizado. Sem delongas foi o regente, Christopher, que se dirigiu a você primeiro.

    - Boa noite Brenneman. Nos acompanhe por favor. Peço que fique afiada para a segunda sessão nossa reunião, pois teremos uma reunião não circular ao termino desta. E sua irmã não esta a par desta ainda.

    O regente falava em um tom relativamente baixo enquanto vocês andavam para o interior da sala. Seu senhor estava à frente com Isabella a qual o respondia que Mirela e Jaqueline já estavam a caminho. As últimas à chegar para começar a reunião. Sempre fora interessante a relação das duas. Afinal, por mais que a prole de Mirela é Stephanie, a Magus do Sangue sempre teve uma relação maior com a prole desta. Tratando em muitas ocasiões Jaqueline como sua própria prole, enquanto sua legítima tinha uma relação mais distante com a anciã. Só que sua atenção era para as palavras de seu irmão de sangue. Afinal o aviso dele lhe fazia sentido. Uma reunião não circular era a forma dele se referir à uma reunião unicamente com as proles diretas de Aaron e o mesmo. Algo extremamente raro de ocorrer. No caso a última vez que isto ocorrera fora após sua chegada de Dallas.
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    Danto Jogador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 4/6/2016, 03:51

    -Vossa excelência, seus pedidos são ordens. Agradeço pela notificação a cerca da próxima reunião.

    Respondo meu irmão com o mesmo tom de voz utilizado pelo próprio, após o pronome de tratamento coerente ao cargo que ele ocupa, uma breve mesura é realizada, não por falta de educação ou incapacidade de realizar, pelo contrário, era necessário simbolizar minha reverência ao regente, mas era também necessário iniciar rapidamente a reunião circular, caminhando então em direção a minha cadeira reflito brevemente sobre minha irmã e a delicada próxima reunião.

    "Mirela é e sempre será um desafio à minha lógica. Minha irmã de sangue cainita jamais se conformou com as próprias limitações e seus olhos sempre desprezaram os meus, é uma lástima que ela não veja Stephanie como prole. Entretanto é de total responsabilidade dela a relação que ela constrói com a própria linhagem, mas é inevitável evitar os olhos de censura para tais ações. Conversando livremente com uma jovem de círculos tão distantes em uma situação como esta... E muito me preocupo com a segunda reunião, minha preocupação é tão grandiosa que terei que me esforçar para dar algum mérito a esta que está para ocorrer. As palavras ditas aqui são para os neófitos e aprendizes, as palavras que serão ditas lá, essas sim me afetarão diretamente."

    Ao finalmente me colocar ao lado da cadeira que me é direcionada, espero pelas ordens para finalmente me sentar e aguardar pelas palavras do meu Senhor que se mostrava exausto, seria talvez a inevitável hora de seu descanso?!
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    King Narrador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 20/6/2016, 23:33

    Sem nenhuma hesitação o Primogênito sentou em sua cadeira de mogno pálido revestido de seda azul na almofada. Com exceção das almofadas que eram iguais à todas das outras cadeiras, a cor mais clara e rara da madeira deixava nítido a hierarquia. Não só a distância do centro da mesa era uma característica de autoridade afinal, outros elementos deixavam tais características tangíveis dentro dos próprios círculos. Cada detalhe e posição de cada cadeira daquele centro de reunião mostrava toda a árvore de linhagem e hierarquia daquela capela.

    O aceno para todos sentarem só foi dado alguns segundos depois do ancião sentar. No momento preciso que Mirela adentrou a sala junto da última neófita. As duas de roupa vermelha escarlate pareciam desfilar sua beleza e roubar a atenção da silenciosa sala na medida que se aproximavam. De tal forma, mais que ritualisticamente, o regente sentou e todos o acompanharam em seguida. Muitos colocando em cima da mesa, na área pre-determinada em sua frente, livros e pergaminhos com anotações. Estava claro que todos haviam se preparado.

    As mãos de Aaron se juntaram trançando seus dedos enquanto todos se preparavam. Tanto na mesa central como nas bifurcações laterais da mesma e complexa mesa de múltiplas camadas. Assim o antigo permaneceu de olhar vago esperando um curto período de tempo, basicamente até o regente terminar de se preparar com os pergaminhos e penas que colocava sobre a mesa. Era estranho a sensação, afinal por mais que o ancião parecia olhar para o vazio com seus cansados olhos, parecia nítido que este lhe observava. Era como se ele estivesse olhando diretamente para ti, só que a imagem do mesmo enganava os seus instintos. Algo sutil e ao mesmo tempo extremamente complexo e impossível de se compor certeza absoluta sobre o fato. Só que sua sensação mais sensível de lidar com grandes antigos lhe deixava claro a possível anomalia.

    O regente colocava na sua frente inúmeros papéis em branco que tinham suas pontas enroladas em rolos de papiros. A parte inferior continha mais papel enquanto a de cima estava na ponta. Eram ao todo dez papiros. E para cada um era colocado um tinteiro com tinta escarlate e uma pena de corvo amarelo. Onde o marrom e o branco era coberto por uma camada amarela revelando a raridade de tal ferramenta. Assim, um singelo ritual de preparo foi completado e quando Aaron começou a falar todas as dez penas começaram a escrever juntas. Copiando suas palavras, mesmo que nenhuma letra aparecesse no papel escrito.

    - Boa noite companheiros de capela. Hoje teremos uma reunião de alerta da capela sobre o tema da tempestade do Katrina. Seguindo o estilo de relatos. Como de costume começaremos nossos relatos dos menores círculos para os maiores. Com as palavras sempre passando em sentido anti-horário. E para cada relato relevante, todos terão direito de contra-argumentar. Seguindo claramente a mesma hierarquia. A menos que alguém possua alguma notícia absolutamente extravagante para nosso debate, peço que comece nossa reunião de imediato. Assim começando a Senhorita Jaqueline Roy. A qual devo admitir estar interessado em saber de primeira mão sobre o estado da corte na capital luisiana.

    OFF - Ordem: Jaqueline Roy 5º, Thierry Avril 5º, Saymon Courtney 5º, Cristina Burnier 5º, Stephanie Estrada 6º, Isabella Gardi 6º, Hella Brenneman 6º, Mirela Jules 7º, Christopher Lapeyre 7º, Aaron Daphné 7º.
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    Danto Jogador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 25/6/2016, 02:27

    Os olhos do meu Senhor estavam a me observar com uma atenção maior do que o habitual, era algo que não poderia simplesmente ser ignorado. Apesar de acreditar que grande parte dos cainitas da minha idade jamais seriam capazes de interpretar esse específico olhar de um antigo, posso afirmar com enorme convicção que minha experiência em Dallas me despertou em relação aos realmente antigos. Mantendo o mais profundo e respeitoso silêncio, levanto meus olhos diretamente para meu Senhor, com a única intenção de demonstrar que eu havia entendido perfeitamente o que ele havia me dito na ausência do verbo.
    Enquanto Aaron abria a reunião, eu coloco as minhas duas mãos sobre a mesa à minha frente. Ao contrário de todos os outros ali presentes que carregavam anotações, pergaminhos, livros, tomos. Eu não precisava carregar nada além da minha própria mente e minhas certezas. Então, confiante eu levo meus olhos na direção de Jaqueline Roy.

    "Saber sobre a corte pode ser sim algo interessante, até mesmo muito relevante. Mas não é algo que pode afetar diretamente a segurança da capela, afetando no entanto, o rebanho e os neófitos e antigos de outros clãs. Espero que ela tenha informações utilizáveis."
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 29/6/2016, 12:51

    A sensação de estar sendo observada finalmente acabava quando a reunião começou de uma vez. Jaqueline Roy não hesitou em começar seu discurso. E enquanto o fazia as penas acompanhavam cada palavra. O nível de respeito era nítido em sua postura e sua fala. O que esplicava como a tradicionalista filha do Primogênito aprovava a mesma.

    - Vossa eminência, relatarei então minha expedição de noite passada. Dado as ordens da Gran Senhora Jules parti para a corte de Nova Orleans em busca do vitae da Primogênita Ventrue Megan Willian Kasper e da Ancilae Harpia Ellen Manfro Cascorni. Com as cartas da capela consegui meu acesso até a câmara onde a Primogênita adentrou em torpor. Todo o meu caminho foi só acompanhado de carniçais e muito menos que o usual. Muitos deles pareceram não serem capazes de chegar na corte noite passada. Afinal o primeiro andar inteiro da Catedral estava submerso, como o resto da cidade. Depois de eu conseguir o vitae me encontrei com a Harpia, que de mal gosto aceitou em oferecer um pouco de seu sangue também. Fora a única membra que encontrei na corte inteira. Ela me disse que os neófitos jovens se refugiaram na Elísio não oficial e os mais antigos que não adormeceram foram para o Elísio oficial. Também me passou a confirmação que o Senescal e o Príncipe adentraram em torpor também. Não só eles como todos os outros Primogênitos, exceto nossa eminência da capela e o Malkaviano.

    O primeiro à fazer perguntas foi Aaron. Sua voz quase rouca soou forte quando ele se pronunciou. O regente do seu lado só se mostrava muito pensativo e totalmente absorvido no assunto.

    - Me diga cara Jaqueline Roy, como estava o corpo da senhora Finger. O vitae foi extraído com dificuldade ou a mesma estava com uma grande reserva consigo?

    - Vossa excelência, ela estava com suas reservas bastante altas. Era como se a mesma apenas estivesse adormecida. Nunca estudei sobre um torpor desta magnitude antes.


    Era nítido ver os olhos do Regente e seu senhor darem quase que inconscientemente uma leve arregalada quando esta notícia foi dada. Mas eram discretos o suficiente para que apenas seus olhos acostumados com reuniões de antigos permitissem ver tal detalhe.

    - Conforme eu pedi, você checou a aura da Harpia, certo?

    Mirela Jules agora fazia seu questionamento. Ela parecia estar satisfeita com as notícias. As quais ela já deveria saber por ter conversado com a neófita antes e de ter tido oportunidade de estudar os viates também.

    - Sim, ela estava atônita demais para notar minha análise, como a senhora sugeriu que ela estaria. Muitas tonalidades de azul escuras pálidas junto de uma enorme composição de laranja. O vermelho pálido escuro estava fraco e meio desbotado, quase sendo consumido por essas novas cores. Entretanto vi aquilo que já suspeitávamos. Bem discreto, mas fácil de notar numa situação de tensão como essa, manchas negras, como se fosse raios entrelaçando a aura como um todo.


    Última edição por King Narrador em 22/7/2017, 19:00, editado 1 vez(es)
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 4/7/2016, 18:37

    "Com já suspeitavam? Suspeitar de um crime como este e nada fazer é negligenciar as leis que consolidam a nossa sociedade. Entretanto, antes de julgar é necessário interpretar os fatores. De nada serve julgar uma ação negligente de maneira superficial, tendo em vista, a natureza difusa de minha irmã".

    Os pensamentos em minha mente surgiam após o término da frase da jovem Roy, meus olhos então finalmente procuram pelos novatos ali presentes e param sobre a imagem da mulher que havia iniciado a reunião. E apenas quando tenho total certeza de que nenhum superior irá indaga-la, lanço uma pergunta direta e simples.

    -Provastes o vitae recolhido da harpia Senhorita Roy? Caso a resposta seja positiva, compartilhe conosco o resultado obtido. Caso negativa, compartilhe conosco as razões que a levaram a crer que uma análise de uma aura é mais confiável do que o vitae.

    Minha atenção era focada na figura da jovem, não haviam razões para desviar os olhos e assim como não haviam razões para elevar minha voz ou realizar qualquer tipo de ação humilhante contra a mesma. A pergunta era feita em um tom único, seguro, direto e calmo. Era uma pergunta e nada mais e por sua natureza sincera, me restava aguardar por uma reação honesta por parte da jovem.
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por King Narrador em 6/7/2016, 15:18

    - Minha senhora. Seguindo o protocolo da Senhora Jules eu evitei de provar, a mesma ficou condicionada a tal tarefa. Apenas trouce para a mesa minha própria análise como a primeira evidência sólida da suspeita que a Senhora Jules havia me alertado anteriormente.

    Aaron a cortou com um leve aceno da mão, com todo seu ar respeitoso de sempre. Ele não parecia nada feliz com a informação passada. Assim prosseguiu de forma calma.

    - Satisfeito por contribuir com a informação sobre uma evidência sobre uma diablere na Harpia Ventrue. Caso Mirela Jules me passe mais prova tangíveis deste fato, essa situação será lidada unicamente pelo Primogênito. Agora vamos prosseguir. Thierry Avril, relate.

    Atípico o Primogênito se referir a si mesmo na terceira pessoa, entretanto o mesmo se mostrava interessado em prosseguir de imediato a série de relatos, levando então para o membro do 5° que havia lhe ajudado noite passada. O mesmo parecia um pouco nervoso ao se pronunciar.

    - Vossa excelência, todos os selos estão em perfeito estado esta manhã. Não houve nenhum enfraquecimento de ontem para hoje. As proteções conseguiram conforme o planejado impedir qualquer deterioração.

    - O que pode tanto significar que o elemento atípico da tempestade ocorreu apenas ontem ou que nossas barreiras completamente repeliram qualquer nova interferência. Algo à comentar sobre o assunto em questão minha cara Hella Brenneman?
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 6/7/2016, 15:50

    [Percepção + Acuidade para obter informações da Rocha de Sustentação]
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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Dados em 6/7/2016, 15:50

    O membro 'Danto Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 3, 8, 5, 3, 5, 1, 6
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    Danto Jogador

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    Re: Hella Brenneman - Perlúdio

    Mensagem por Danto Jogador em 6/7/2016, 19:53

    Minha atenção é completamente focada em meu Senhor, era de extrema importância responde-lo em todas as oportunidades e situações, é um dever e uma honra servir à um grandioso membro da capela de Ceoris. Então, com a minha típica postura polida e ereta, eu elevo minha voz até um tom calmo e seguro para todos os ali presentes me ouvirem sem falhas ou excessos.

    -Sim Vossa Excelência, existe algo a ser adicionado a fala do senhor Thierry Avril. Durante as primeiras horas da tempestade uma forte interferência destrutiva corroeu a mágika da rocha de sustentabilidade. Esta apresenta nesse exato momento uma situação segura desta interferência que colocou toda a segurança da capela em risco, o que levanta a grande possibilidade de que a tempestade em questão tenha uma origem sobrenatural. As tarefas por mim definidas para o senhor Thierry Avril foram todas cumpridas com louvor e a segurança que temos neste exato momento de permanecermos sentados sobre a pedra de sustentação é um mérito conquistado pela dedicação do mesmo em assegurar os selos. Entretanto, serão necessários estudos muito mais aprofundados no futuro próximo, tendo em vista a magnitude dos fatos e sua não ortodoxa origem.

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