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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

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    King Narrador

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    Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por King Narrador em 3/6/2016, 15:25

    30 de Agosto, 2005, ???




    O Miasma passava por seu corpo com intensidade. Era como uma bruma negra que ia se infestando ao redor de seu corpo. Como uma gosma que não influenciava seu tato, mas sua alma. Cada passo para dentro dele gerava uma sensação profunda de morte. Similar à sensação de adentrar a umbra. Estava claro que aquele piso da masmorra que Izabel criara para seu senhor estava arquitetado nas raízes mais profundas do mundo espiritual. Aquele trabalho havia sido orquestrado por espíritos antigos, aos quais a própria havia conferido liberdade de suas algemas ao mundo físico caso a ajudassem à construir tal prisão.

    A sala final era o vazio absoluto. A escuridão total. O vácuo do abismo. A falta de perspectiva deixava o plano inteiro desconexo. Sensações de tempo e vida eram irrelevantes ali. Havia a sensação de tamanho descomunal daquele lugar. O poder obscuro fluía de forma latente. Claramente era a obra prima da Maga Cainita. Deixava óbvio o quanto a mesma queria proteger o corpo de Franco. Não era claro para você o porquê dos Baalis queriam tanto usurpar do ancião, mas a lealdade de sua senhora era clara. Afinal aquele Giovanni havia conseguido manter o avatar dela intacto, e quando um senhor faz isso pela sua prole, sua recíproca deve ser de total lealdade.

    Tumba:


    Assim no meio do escuro foi possível ver. Surgindo do nada. O único ponto estático no meio do nada absoluto. O túmulo de Franco. Totalmente feito de mármore enegrecido. Com desenhos de anjos por toda a superfície de tumba. Entretanto a distância de você para com o mesmo parecia ser infinita. Era como se este pudesse ser visto, mas não ser tocado. Havia algo no meio, algo poderoso. O poder lhe dava vertigem. Como se sobrepujasse sua besta por completo. Não custou muito tempo para esta presença se pronunciar. A voz da mesma entrava em sua mente apenas com o significado emocional das palavras que se falava. Mas não havia língua alguma no diálogo que surgiu.

    - Filho da Arquiteta. Viestes aqui pois busca poder, afinal és fraco sozinho. Sua jornada termina aqui. Agora vá embora.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 4/6/2016, 04:09

    O abismo, o fim, as trevas.
    Atravessar o véu do mais profundo obscuro plano era uma experiência que jamais seria esquecida por mim, nada parecido jamais havia me ocorrido. Nem navegar no próprio rio dos mortos se aproxima desse vazio, dessa tortura ausência de tempo. Tempo, algo tão efêmero e tão necessário para a construção de laços empáticos, sociais e culturais. Tempo, uma ferramenta poderosa nas mãos dos filhos de Caim, uma ferramenta com duas pontas afiadas que fortifica e enfraquece.

    "Me recordo dos estudos mortais, buscávamos o Eter, uma essência além dos elementos primordiais. O enorme conflito em torno dessa busca custou tantas vidas, tantos sonhos, tanto tempo. O Eter nada mais é do que este miasma, o nada, o vazio, a ausência, o infinito... O profundo tudo que jamais será menos do que o necessário para o começo..."

    Finalmente, algo que meus olhos possam interpretar.
    Anjos esculpidos na tumba de um pecador, sarcástico e trágico. Caminhando em vão na direção da tumba percebo a presença, era o último obstáculo a ser vencido, Geyaguga, um espírito que eu jamais serei capaz de deter, não importa o que eu faça nesse exato momento em já perdi. E é na derrota que eu preciso me forjar, pois se minha promessa se cumprir, sairei deste local com Franco Giovanni e todas nossas futuras interações começará com a minha prévia derrota. Afinal, o que eu sou diante de tal força? Um colosso das trevas é o que projete o outro colosso das trevas dos inimigos. Reunindo minha coragem, eu respondo a voz do poderoso espírito.

    -O filho da Arquiteta vem aqui em busca sua própria honra. Minha jornada não acaba aqui, ela começa aqui. Agora eu jamais recuarei. Dois erros e um acerto, eu realmente sou fraco sozinho. Mas atente-se, pense novamente, eu estou sozinho?


    Após a pergunta ser feita, eu tiro do bolso interno do paletó o frasco com o vitae que irei utilizar para acordar Franco Giovanni e sem aguardar pela resposta, eu provo daquele vitae. Era a única forma que não estar sozinho naquele momento. Era a única forma de provar que eu poderia sim ser poderoso.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 10/6/2016, 16:53

    [Off: Teste de Raciocínio + Acuidade]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Dados em 10/6/2016, 16:53

    O membro 'Danto Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 1, 9, 7, 8, 3, 8, 4, 5
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    King Narrador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por King Narrador em 20/6/2016, 23:34


    Queda. Esta era a melhor palavra para descrever. O gole seco e ardido do líquido negro com pequenos tons avermelhados lhe tirou o senso de equilíbrio. O chão imaginário que pisava no escuro absoluto desparecera e a queda começara. Sua garganta parecia arder com uma sensação de frio profano enquanto o resto de seu corpo experimentava a alta velocidade através do vazio.

    Espasmos e tremedeiras tomavam conta de seus músculos agora dormentes. Seus tendões se tensionavam inconscientemente. Enquanto suas pupilas pareciam dilatadas. Como em um grande susto, seus pulmões reagiram como se tivessem inspirado uma ou duas vezes. Só que este apenas absorvera o vácuo perpétuo. Enquanto todos os seus sentidos pareciam lhe abandonar, seus instintos se mostravam desorientados também. Afinal era possível ainda sentir a presença do antigo espírito, da mesma forma como era possível não senti-lo. E da mesma forma também, como era possível captar a presença de entidades jamais compreensíveis para sua mente.

    O tempo era absolutamente irrelevante naquela queda. Era impossível mesurar quanto deste passara, afinal sua mente estava em estado puro de delírio e em ardência, sobre os efeitos daquele sangue que ainda restava em partes dentro do receptáculo em suas mãos. O poder do mesmo parecia superior à qualquer resistência mental sua, sua besta parecia adormecida como se estivesse em torpor. Só que tal torpor foi tão absolutamente instantâneo que seu corpo e alma não adentraram no mundo de Morpheu de imediato. Havia algo barrando o mesmo de se apagar.

    Em algum instante absolutamente irrelevante do tempo e espaço a força que lhe impedia de entrar em torpor reagiu de completo. Vinha de sua cabeça e corria por todo o corpo parando com os espasmos. Todos morreram e terminaram no exato momento que seu coração realizou uma única e absolutamente fascinante batida, como se algo em você ainda estivesse vivo. E então sua consciência se despertou e um sentimento de baque foi sentido. Tocara no fundo do abismo que caíra. Seu pseudo torpor terminara por completo.

    O escuro não tomava forma diferente da qual a falta absoluta de luz se revelava. Mas sensações de lugares iluminados vinham a sua mente. Como o som de ondas. A sensação de espumas junta de uma água fria do inverno tocando em seus tornozelos. A areia macia em seus pés. O cheiro forte a misteriosamente perceptível de maresia vindo em uníssono com o vento. Junto com o estranho, arrepiante e sinistro sentimento de estar banhado pelo sol. Era como se você estivesse de pé na margem de uma praia. Mesmo que seus olhos nada lhe mostrassem. Com exceção de uma possível silhueta na sua frente. Parecia um homem de costas sentado mais a frente entre as ondas.

    Esta silhueta parecia exacerbar uma presença destoante de tudo que já existira. Era como se existisse e não existisse ao mesmo tempo. Um paradoxo perpétuo no fundo do abismo inelegível. Uma aberração da existência como um todo. Esta se deleitava sobre as águas como se estivesse meditando. Um mantra parecia ser entoado pela mesma, mas não eram palavras que entravam em sua cabeça. E sim uma memória. Uma memória da fala que aparentava que tal silhueta falava ao vento que soprava do mar.

    Frases ao Vento:
    Qui nell’isola
    il mare
    e quanto mare
    esce da sé stesso
    in ogni momento,
    dice di sì, di no,
    di no, di no, di no,
    dice di sì nell’azzurro,
    nella spuma, nel galoppo,
    dice di no, di no.

    Non può stare tranquillo,
    mi chiamo mare, ripete
    battendo su una pietra
    senza ottenere di convincerla, allora
    con sette lingue verdi
    di sette cani verdi,
    di sette tigri verdi,
    di sette mari verdi,
    la percorre, la bacia,
    la inumidisce
    e si colpisce il petto
    ripetendo il suo nome.

    Oh mare, come ti chiami,
    oh compagno oceano,
    non perdere tempo e acqua,
    non scuoterti tanto.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 25/6/2016, 03:03

    "Eu não posso cair tão profundamente nas trevas, esse é o destino natural dos filhos de Caim, mas eu me recuso a seguir o natural. Não, não e não. Absolutamente não. Independente do tempo, emergirei deste fim obscuro."

    Assim eu pensava enquanto caia, mas no exato momento em que meus sentidos me colocam a beira de uma praia, não me restam forças. Meus joelhos vão imediatamente de encontro à areia, meus olhos se fecham por alguns instantes... O sol... O calor... A máxima Luz...
    Estonteado pela maré de sensações vivas que eu jamais serei capaz de sentir em toda minha vida, é realmente difícil estabelecer automaticamente qualquer tipo de interpretação ou até mesmo erguer alguma lógica sobre as palavras ditas ao vento.

    "Foco"

    Digo para mim mesmo, esforçando-me para ficar de pé. E afastando a euforia, dedico-me a reagir. Seria necessário responder alguma coisa para a silhueta que estava a minha frente, seja lá quem ela for, ou o que ela for. Haviam padrões em sua fala e esses padrões eram o começo de qualquer construção racional que poderá se formar em uma resposta inicial.

    "Negar o não é dizer sim. Estamos então em uma ilha e em minha frente existe algo tão forte e potente quanto o próprio Oceano, seja Poseidon, seja lá qual nome ele puder possuir. Um espírito tão poderoso e magnífico que não existem águas que possam afoga-lo. Pensando assim, esse espírito pode ser um sobrevivente do grande dilúvio... Sete é outra grande força nessa fala, sete cães verdes, sete tigres verdes, sete mares verdes. O número sete é presente em toda filosofia e literatura sagrada desde os tempos imemoriais até os nossos dias. É sagrado, perfeito e poderoso, afirmou Pitágoras. É um número místico por excelência. Indica o processo de passagem do conhecido para o desconhecido, a soma do espírito com a matéria. O sete se manifesta no Candelabro de sete braços ,Menorah, que representa tanto a divisão em Quatro partes da órbita da Lua, que dura 4 vezes 7, quanto os sete planetas. Usado por Moisés em seu Templo e nos mais sagrados templos de Jerusalém, o Menorah de ouro queimava o mais puro e virgem óleo de oliva e significava diretamente o judaísmo. Existem também as vertentes cristãs para o número sete, mas sinceramente, eu prefiro não colocar em consideração, além é claro, o fator divino e perfeito do mesmo quando este se refere à Deus. Agora, o Verde... O verde significa a renovação, a esperança, o rejuvenescimento. Mas, se colocado junto ao vermelho ou amarelo, provoca um fortalecimento de energias negativas, como a inveja, posse e até mesmo a raiva. Os mares, os cães e os tigres podem sim expressar esses sentimentos."

    Abrindo então os lábios, o receio era enorme e o esforço maior ainda. Pela primeira vez em minha vida, eu estava a gaguejar. Utilizando o mesmo idioma que o vento se pronunciava, eu me fazia presente em frente aquelas águas.

    -Oh, grande m-mar. Estou sem e-esperanças, s-sem saber, s-sem sentir e amedrontado. E-estou pela p-primeira vez em minha vida... estou pela primeira vez sozinho! Completamente sozinho! Perdoe-me oh grandioso. Meus inimigos são maiores do que eu, meus desafios são inalcançáveis por mim. Tenho que alimentar os famintos, os perdidos, os jovens e sozinho sou incapaz. Preciso de tua ajuda, oh grandioso.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por King Narrador em 1/7/2016, 17:05

    As palavras perderem a prosa e se tornaram frases com sentido explícito. O italiano agora soava mais como um latim antigo. A sensação de que aquela conversa fosse apenas uma lembrança permanecia. Mas agora essa lembrança era nítida. estava claro que você jamais esqueceria este momento, mesmo nada sendo visto de seus olhos. Afinal só é refletido para nossos olhos aquilo que é repelido pelos outros, e aquela presença na sua frente não repelia nada. Era a junção absoluta.

    - Solidão... Bela palavra para descrever nossas escolhas... À mim sequer meus filhos ficaram, me traíram e me abandonaram como os raios de luz... Mas sozinho nunca estaremos. O mar é a vida que não mais possuímos. E ele está aqui... Sempre perto de nós... O único elo que me permite ainda existir... Não abandone as águas, são elas que guiam nossas escolhas... Mas você não deveria estar aqui... Vós brilha mais que o sol que nunca verei... Está na hora de retornar. Va!

    A silhueta que sua mente fazia crer esta na sua frente, logo na rebentação da praia, parecia finalmente parar de contemplar o mar. Com um provavél movimento brusca a presença se virou. A sensação de estar sendo observado se tornou absoluta. Nada ainda era possível de ser visto. Mas sua mente sentia um vazio absoluto. Uma definição de trevas nunca antes compreendida em sua mente. Sua mente sentiu como um grande choque, era quase impossível encarar tal energia obscura. Seus sentidas começaram a ficar fracos, como se seu corpo estivesse sendo totalmente apagado.

    OFF - Teste de Conciência
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 4/7/2016, 18:39

    [Off: Teste de Consciência]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Dados em 4/7/2016, 18:39

    O membro 'Danto Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 5/7/2016, 15:08

    Silêncio.
    Meus lábios se fecham e eu apenas escuto a resposta daquela entidade, não havia mais o que ser dito, mas havia muito a ser interpretado. A escuridão me devora, não sinto o meu corpo e ao invés de me desesperar e buscar com todas as minhas forças mentais a luz, dessa vez não será assim. É simplesmente redundante procurar por algo que eu já sou, é redundante desesperar-se sob a escuridão. Afinal, somos nós os filhos de Caim e à nós sempre haverá trevas. O grande choque que invadia a minha mente era uma dor profunda, mas era essencialmente uma lição essencial a ser aprendida...

    "Minha Senhora estava enganada, o vitae não pertence a Ashur e eu não poderia estar mais feliz em descobrir isso. Sinceramente, estava profundamente desesperado em me aproximar de uma criatura tão desiludida quanto o progenitor dos Cappadocian. Estava aterrorizado com a ideia de me lançar nas insanas trevas que circundavam a mente desse ser, mas agora percebo que era tudo um erro. Veja só, estava em frente à uma praia italiana, onde um ser de trevas que também fala em italiano se refere com estima ao mar. Ele foi abandonado pelas próprias proles, traído, negado. Essa criatura é o criador de Montano, Boukephos e Gratiano. O Vitae pertence ao progenitor do clã LaSombra! E isso não poderia ser mais brilhante! Apesar do termo brilhante ser ligeiramente sarcástico nessa ocasião, eu não poderia deixar de utiliza-lo, afinal, um pouco de humor me cai bem em meio a essa sensação entorpecente de sumir para todo o sempre... Durante longos anos eu lutei contra as trevas, colocando-me como algo superior, purificado, maior. Eu busquei a Luz com todas as minhas forças, estudei profundamente e cheguei hoje a ser comparado com o próprio Sol. Mas a história me diz algo importantíssimo, aqueles que alcançam apenas a luz sempre tem as piores quedas... O próprio conto católico sobre Lúcifer é o exemplo primordial. Então, é inevitável pensar que para ser um homem de Luz eu preciso ser um homem de Trevas, pois não há uma sem a outra. Para ser o grande farol à iluminar as almas perdidas no oceano de trevas, preciso eu ser capaz de domina-la e não de simplesmente destruí-la, pois no vazio coisas piores que as trevas surgem..."

    E sem nenhum medo, sem nenhum pesar, eu me entrego as trevas. É chegada a hora de retornar.

    "A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva"
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por King Narrador em 6/7/2016, 15:46


    Seus olhos abriram. Sua cabeça doía. Era como uma enorme dor de cabeça. Seu nariz sangrava. Dava para sentir sangue escorrendo pelo seu ouvido. Era seu corpo reagindo desesperadamente à descompressão. Um humano teria virado uma poça de sangue caso tivesse enfrentado algo do gênero. Afinal vós não está mais na umbra. Estava meio caído no chão da cripta. A chuva fazia seu som do lado de fora. Era noite densa e a porta da cripta estava aberta. Podia ver as gotas empoçadas nos ladrilhas do lado de fora. Dentro pouca água entrara. A sala era octogonal e não havia nenhuma outra porta ou escadaria para baixo. Era basicamente a sala de entrada que você passara mais cedo. Podia até notar um pó branco onde residia os esqueletos antigos. Mas não havia nenhuma escada para baixo ou continuação no corredor. No plano físico só havia este cômodo. E neste havia no meio, quase que na sua frente o caixão de Franco Giovanni. Com apenas uma fina camada de mármore como obstáculo do fim de sua tarefa. Todavia havia mais um elemento nesta cena que não havia antes. Um segundo caixão. Este de madeira de baixa qualidade encostado de pé na parede do fundo da sala, onde na umbra seria a escada para as catacumbas.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato V - Beach of Eternity

    Mensagem por Danto Jogador em 6/7/2016, 19:47

    Atordoado pela descompressão, eu caminho com enorme dificuldades em direção à cripta. Apoiando a mão esquerda na parede próxima à entrada da mesma, fazendo uma pequena pausa para recompor todos os sentidos e calmamente analisando todo o ambiente interno pelo mundo físico. Um alívio dominava meu peito ao ver finalmente o caixão de Franco em minha frente, uma sensação tão positiva que eu sequer me atento inicialmente a presença do segundo caixão, compreendo a sua existência apenas quando eu finalmente retomava minhas forças e caminhava até o caixão de mármore e apoiava a mão direita sobre o mesmo.
    Então, retirando do bolso do terno o lenço típico que ali ficava guardado eu dou início a uma calma limpeza do sangue que estava em minha face. Para então depositar novamente o lenço no bolso frontal do terno, respirando fundo enquanto fazia pequenas reflexões sobre o segundo caixão.

    "Um caixão de madeira simples, encostado no fundo da sala. No exato local onde seriam as escadas na Umbra... É muito mais do que curioso e não posso deixar de pensar que apesar da simplicidade, jamais um ser qualquer estaria posto ao lado de Franco em seu leito de descanso eterno. A curiosidade é algo insaciável para aqueles que vivem do conhecimento não é mesmo?"

    Então, caminho em direção ao caixão mais simples de madeira, me posicionando à frente do mesmo e olhando para a água que se aglomerava na entrada do local. Abro um pequeno sorriso na face, as águas seriam de agora em diante um fator essencial na minha existência. E com essa segurança, eu abro o caixão com cautela para ver quem estava posto ao lado de Franco Giovanni.


      Data/hora atual: 22/10/2017, 17:07