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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

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    Danto
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    Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 9/8/2016, 04:22

    14 de março de 2002, Berlim.
    Sexta Noite


    A chuva caia em gotas pesada das nuvens do céu de Berlim. A sensação terrível de que uma inevitável tragédia estava para acontecer não abandonava seu coração em nenhum instante, a sua frente encontrava-se Violetta, com sua estatura reduzida e seu corpo magro e uma clássica expressão francesa de desgosto e descontamento na belíssima e jovial face que possuía. Os cabelos dela estavam incrivelmente molhados, as roupas também, uma clara demonstração de que a rapidez utilizada anteriormente havia lhe custado um glorioso vestido que agora se encontrava com várias falhas e rasgos. Ela sorria brevemente olhando diretamente para você, ainda em silêncio ela se inclinava para baixo, tirando os saltos que estavam claramente quebrado, atirando-os para o lado, resmungando em francês.

    -Sinceramente, correr por essas faixas negras é detestável. Como eu sinto falta da terra, da grama e dos cascalhos de outrora...

    Em seguida, ela se aproximava de você. Estendendo-lhe a mão direita, encarando-a com os olhos castanhos profundos que possuía, levemente amendoados e poderosos como sempre foram. Calmamente a prole de Villon diz, em seu francês natural, que era sem dúvida nenhuma o mais belo e melódico francês que você já havia ouvido na vida. Eva e grande parte da corte de Paris tinham um francês mais seco, ríspido e rápido. Mas Violetta falava de maneira mais suave, com pausas perfeitas e uma preocupação natural com cada acentuação e reverberação das palavras.

    -Eu ouvi todas as suas palavras, minha filha perdida e ingrata que hoje caminha entre os mais sórdidos e que deita com as maiores e piores escórias que esse mundo poderia produzir. Eu ouvi e eu já considerei todas elas, negarei todas elas e lhe direi o porquê. E só direi porque meu amor por ti é infinito e cego ao ponto de me conduzir até Berlim em sua procura. Escute-me, minha criança, eu jamais desejei nada disso para ti e eu jamais irei me perdoar por vê-la dessa forma. Saiba que o pecado do amaranto é eterno e hereditário, Gustav é um pecador e suas proles foram criadas no pecado, elas são todas eternamente condenadas a carregar dentro de si um pedaço de toda essa mácula. Afirmo isso por ser neta de Helena de Tróia, aquela de devorou Minos e abraçou Eletria, Melinda, Villon e Maria. Eu vi nos olhos do meu Senhor a mesma loucura que vi nos olhos de Gustav. Eletria é uma insana, Melinda é a regente da sua seita de pecadores e Maria foi devorada por Helena. Você entende, minha amada filha?! Não importa o quão santos e o quão diferentes eles são de Gustav, Wilhem é um homem especial e honrado, Friederich é um homem especial e amado por ti. Ambos deverão receber o julgamento por seus atos, esse é um problema de uma linhagem e não um problema de um clã ou de uma seita. Eu vi Gustav arrancar as cabeças de seus filhos em minha frente, eu jamais permitira que você presenciasse tal horror, não você,jamais você! Eu já permiti que todo o mal desse mundo caísse sobre teus ombros uma vez. E não se preocupe com minha filha Elza, ela já tem a própria maneira de fugir em segurança. Agora, venha, temos que ir ao refúgio do nosso clã na cidade e Berlim...


    Ela continuava com a mão estendida, os lábios trêmulos por um choro contido. O olho esquerdo começava a marejar levemente, ela estava se abrindo na sua frente, revelando que a própria possuía um lado tão obscuro quanto os que ela havia citado. Era a primeira vez que você a ouvia reconhecer Melinda como parte da linhagem mais renomada e importante do clã Toreador. Deixando uma fina gota de sangue escolher pelo olho, ela diz...

    -Vamos minha querida, mas antes de irmos eu preciso que você abra teu coração e me compreenda perfeitamente. Eu não renego a sua existência, eu não concordo com a sua seita e com a barbárie que vocês fazem com os vivos, mas eu sei que você jamais permitiria as profanações típicas do Sabá. Mas eu realmente não quero, e não irei mais julgar as suas escolhas, eu irei acolhe-la como deve ser feito e não serei hipócrita de dizer que jamais pequei. Aprendi uma valiosa lição essa noite, minha filha, aprendi que os antigos como eu são retrogradados, dispensáveis, rancorosos e monstruosos. Eu, com minhas próprias mãos atravessei uma estaca no peito de meu Senhor e o deixei a relento, fiz isso por não mais aguentar os horrores daquela maldita corte de Paris! Hoje uma de minhas proles é Príncipe da cidade e eu a deixei para trás para vir a Berlim, ouvi seu falso irmão roendo alguns ossos e decidi ver por mim mesma... Finalmente a encontrei, minha doce filha, eu finalmente a encontrei e estou tão feliz que quase não consigo controlar meus sentimentos. Estou a falar feito uma louca, eu sei disso, mas porque eu não falaria? Eu sempre desejei conversar todas as noites contigo, aconselhar a tua arte, venerar o teu talento, apontar as suas falhas e abraça-la a cada temor... Vamos Pietra, por favor. Apenas vamos. Essa guerra deverá ser travada pelos que se auto-proclamam Reis e não pelos artistas de Zillah.  
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 9/8/2016, 14:05

    A tensão no ar era sentida assim como cada gota da chuva que caia no chão, o terror que se aproximava do teatro anunciava uma tragédia grega, da qual Pietra não queria conhecer o final ou sequer imagina-lo. Pela primeira vez Pietra sentiu que a chuva já não era mais divina, era apenas um acontecimento banal da natureza, e isso doeu desesperadamente no coração da cainita.

    “ A beleza se acabou? Ou sou eu que acabei de perder o encanto? ”

    Foram as palavras de Violetta que chamaram Pietra de volta à cena, o gesto de estender a mão em um claro pedido de toque e as palavras soadas no mais puro e melodioso francês que os ouvidos de Pietra já ouviram, tudo na pequena e diminuto Violetta soava como uma mãe diante de sua criança.

    “ Mia madre... Porque o destino nos é tão cruel? ”

    De olhos fechados Pietra escutou cada palavra de Violetta, era impossível que o corpo da cainita não tremesse, ondas do mais puro amor que a mesma já havia sentido se misturavam a dor que o coração desta exalava.

    Ver a o filete escarlate escorrer dos olhos de Violetta e sua mão tremula por fim venceu a italiana, mesmo que quisesse, permanecer era arriscado e as palavras de sua Signora soavam dolorosamente verdadeiras e reais.

    - Como essa criança poderia abandona-la... Como eu poderia virar minhas costas a você.... Quando meu sonho por anos era esse reencontro.... Minha adorada e imaculada mãe.... Como uma noite pode ir do céu ao inferno e no final nos juntar novamente?... Meu coração procurou por muito tempo por sua figura, cheguei a vê-la refletida na presença de Melinda... Mas ela é uma rainha, minha rainha... Não minha mãe...

    Tocando na mão de Violetta, a cainita puxou o pequeno corpo da anciã para seus braços, apertando-a como força a cainita segurou com força o choro que se formava em seus olhos.

    - Uma parte minha quer ficar, ver os horrores... Ter certeza de que Friederich é inocente deste pecado ecoante... A outra quer partir... Esquecer do que vi, daquela presença esmagadora e do medo que senti diante da Imperatriz... Sou uma criança sua... Não de Elonzo.... Eu mesma seguiria seu exemplo se pudesse ao menos trespassar aquele monstro com uma estaca... Mas por favor não chores... Eu não me perdoaria ao faze-la chorar... Não seria digna de ti...

    O mais puro e italiano fluía pelos lábios de Pietra, nem por um instante a cainita pareceu se atentar a isso, eram as palavras que ganhavam força e transbordavam pelo corpo desta, eram todos os sentimentos contidos que agora encontravam vazão.

    - Não recusarei seus cuidados... Não esta noite quando as ordens de nosso mundo foram esquecidas... Não negarei seu abraço que desejei por tantos anos... Não esta noite... Mesmo que meu coração doa por Friederich acredito em sua inocência... Acredito... Simplesmente não posso deixar de acreditar... Esta noite serei sua criança... Minha amada mãe...
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    Danto
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 10/8/2016, 14:21

    O abraço materno.
    Uma sensação quente e amorosa que lhe faltava durante grande parte da sua vida, uma mãe que nunca teve sua filha por perto, mas que sempre olhou por ela, indiferente da distância e da ausência, ela sempre olhou por ti. Mesmo que você não soubesse e talvez essa noite fosse a oportunidade de saber de tudo, finalmente ouvir as verdades sobre as piores noites da sua vida. Era interessante ver que do seu maior pesadelo, nascera o mais puro dos amores. Violetta a abraçou forte e escutou suas palavras, no final delas a pequena francesa gentilmente se distancia segurando a sua face com as duas mãos, com um afeto novo para você e seu corpo, os olhos amendoados dela olhavam os seus e com calma ela diz.

    -Vamos minha querida, está na hora de irmos para casa... Tenho tanto para lhe falar, tanto para lhe mostrar. A sua beleza é tão perfeita, tão natural, eu senti tanta falta de seu sorriso, da sua face, eu senti saudades até do teu pranto. Ah Pietra, minha doce flor, como eu sonhei em ouvir essas suas palavras.

    Ela beija sua testa e tira as mãos da sua face, olhando em volta ela sorria. Um forte torrente de sentimentos invadia a sua mente ao ver aquela imagem, a mais pura expressão da sincera felicidade. Era magnífico ver uma mulher tão bela que até onde as suas memória lhe diziam, raramente sorria, exibir uma felicidade tão exuberante. O único desejo dela era cuidar de ti e esse amor lhe causava um fascínio especial. Ela então seguia falando em francês.

    -Várias noites, tantos anos... E eu encontro finalmente a minha filha querida na mais terrível das noites de Berlim. Eu posso te garantir uma coisa sobre sue amado, se este for inocente Wilhelm irá defende-lo. E acredite, isso significa bastante... Agora vamos, eu preciso tanto de um banho quente...Apesar de adorar como meus cabelos ficam quando molhados...
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 10/8/2016, 21:31

    O calor do abraço afastou por completo a dor que Pietra sentia, aquele instante quando finalmente mãe e filha se reencontravam e aceitavam uma o cuidado da outra marcou profundamente a italiana, o toque suave em sua face assim que Violetta se afastou fez com que a cainita sorrisse, os gestos tão conhecidos de sua senhora agora eram observados sem nenhum pudor ou eminencia de retaliação.

    “ Tão bela... Tão bela e única como a chuva...”

    O beijo dado por Violetta fez com que Pietra fechasse os olhos, aquela já não era a Violetta presa a seus grilhões, já não havia o ressentimento de Villon, ou o medo das más línguas, aquela a frente da toreador era a mais pura e livre Violetta que poderia existir. A simples visão disto encantou os olhos da cainita preenchendo o coração desta com o mais puro sentimento de carinho e amor.

    - Mia querida mãe... Por muitas noites eu me contive quando soube que tu havias chegado a Berlim... Meu coração se partia em todas as vezes que me lembrava disso, e o desejo me consumiu... Estou tão feliz de poder vê-la, de conversar, aceitar suas broncas e caricias...

    Tomando Violetta pelo braço Pietra a beijou na testa, sentindo os cabelos molhados dessa a cainita sorriu, um sorriso ao qual seu coração como um todo compartilhava.

    - Estas tão bela quanto a noite em que a conheci... E como todas as outras em que a vi... É a beleza mais real e única minha mãe... Mas sim ambas precisamos nos esquentar... Recolher nossas linhas e costurar nossa história... Acredito em suas palavras... Wilhelm é um homem grandioso... E sei que Friederich é inocente... Por isso nutro minhas esperanças...

    Com leveza Pietra tocou com a ponta dos dedos nos cabelos ainda molhados de Violetta, para então beija-la novamente na testa.
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 11/8/2016, 17:07

    Com um sorriso sincero na face, a antiga Toreador aceitava todos os seus carinhos, beijos e gestos. Segurando o seu braço com força, ela a puxava para bem perto e começava a finalmente caminhar em direção ao clube que se localizava a alguns poucos metros de distância da quadra poliesportiva onde vocês se encontravam. Era necessário apenas caminhar por uma pequena colina gramada e chegar no enorme clube.
    No momento em que os pés da pequena francesa tocavam a grama, ela exibe um enorme sorriso, tão grande que mostrava as pontas dos dentes. A grama deveria ser para ela, o que a chuva era para você. E sem nenhuma vergonha, ela se permitia algumas pequenas brincadeiras com os próprios pés, arrastando eles levemente e até dando algumas pisadas mais fortes. Mas enfim, vocês duas chegavam em frente ao clube e encontravam rapidamente um carro a espera de vocês. Um homem estava aguardando ao lado do mesmo, com um guarda chuvas em mãos.

    - Mia Senhora Violetta. Boa noite, eu não pude deixar de me preocupar com o desaparecimento da Senhora e logo descubro que estás a se divertir com uma mulher que eu presumo que seja a irmã que eu nunca tive a oportunidade de conhecer... Vamos, entrem por favor, devemos retornar o mais rápido possível ao refúgio.

    Violetta fechava o sorriso por alguns segundos e soltando dos seus braços, a pequena dava uma breve corrida até a imagem do jovem homem de terno e gravata que estava a frente de vocês. Dando-lhe um beijo no rosto e apresentando vocês.

    -Pietra, conheça Hans Vroenik. Meu mais jovem filho. Hans esse é sim a sua irmã Pietra, do quadro lembra?! Enfim, entrem vamos logo para casa!

    A pequena toreador entra no carro, Hans olhava para você com uma notória admiração e fazia uma reverência.

    -Prazer em conhece-la, não esperava encontrar uma parente no Sabá. Mas família certamente fica acima de escolhas de dogmas e tradições, correto?!

    Hans parecia um jovem de no máximo dezoito anos, uma faixa etária bem similar a que a própria Violetta apresentava. Muito bem vestido e polido em seu alemão, o jovem tinha os típicos dedos feridos pelo uso extensivo de instrumentos de corda durante sua vida mortal.
    Hans Vroenik:
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 11/8/2016, 23:20

    Acompanhando cada movimento de Violetta, Pietra riu quando esta brincou ao andar pela grama, era claro o amor que a mais velha sentia pela terra era o amor e respeito que Pietra dava para a chuva, naquele instante as gotas de água voltaram a ser sagradas e eternamente belas para a italiana.

    “Não se nega... A natureza por completa é divina... Talvez a coisa mais divina que exista... Livre e selvagem como todos deveríamos ser...”

    Tomando a liberdade de girar o pequeno corpo de Violetta em uma pirueta, Pietra sorria e ria, seu riso cristalino demonstrava claramente toda a felicidade que sentia por estar ao lado de sua senhora.

    Diante do carro Pietra observou a cena distante, as palavras de Violetta a fizeram olhar com curiosidade e surpresa para a figura de Hans.

    “Um fratello... Eu tenho um fratello menor... Ah Soyer... Nós teríamos nos amado ou nos odiado? ”

    Se aproximando do rapaz Pietra o respondeu com uma suave mensura, por fim esta tomou a liberdade de abraça-lo e depositar na testa do mesmo um leve beijo, segurando uma das mãos a face deste Pietra apertou de leve o ombro deste, um sorriso gentil e sincero tomavam os olhos e lábios da mesma.

    - Nada é mais sagrado do que a Família... Nada deve ser mais sagrado do que isso... Nada... Estou a onde estou por escolhas que me foram obrigadas a tomar... Mas nem por um instante deixei de pensar em Violetta... Fico imensamente surpresa e feliz ao saber que tenho um fratello mais jovem... Mio querido... Esta noite sejamos apenas família, amanhã voltaremos a pensar em seitas e dogmas...
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 16/8/2016, 00:49

    Você via Violetta e seu corpo delicado se arrumar no interior do carro, pegando uma das várias toalhas postas em sobre o banco, o jovem que havia vindo em sua direção certamente já esperava que iria encontra-las molhadas e teve o cuidado em trazer toalhas brancas impecáveis. Ele não se importava com seu abraço, pelo contrário, sorria e o retribuía com carinho. Após o abraço o jovem a respondia com calma em italiano típico da Toscana.

    -Sei que nós não nos conhecemos irmã, mas eu jamais a julgaria. Jamais. Eu a vejo, a reconheço e a respeito... Profundamente, sinceramente e sem exitar. Agora, vamos entrar no carro, eu estou ligeiramente incomodado em ver teu belo vestido a merce de tanta chuva.

    Ele então esperava você adentrar o carro, para fazer o mesmo e rapidamente se sentando no banco do motorista e dando partida no veículo. Violetta sorria e dizia para você, lhe estendendo uma das toalhas quentes que se encontravam no interior do veículo.

    -Então, minha querida, qual é a sua primeira impressão de seu irmão caçula? Espero que vocês se deem muito bem, muito mesmo...
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 16/8/2016, 01:25

    O abraço respondido por Hans fez com que uma onda de carinho tomasse o coração de Pietra, quando esta ouviu as palavras no velho e inesquecível sotaque da toscana a cainita mais do que nunca sorriu fazendo uma longa mensura.

    - Não sabes o quanto isso me deixa feliz meu irmão... Tens razão quanto a chuva, acredito piedosamente que levarei um puxão de orelha de minha futura criança... Não que não o mereça por ensopar um vestido tão belo e escolhido com carinho...

    “ Espero que Lorenz me perdoe por esta noite... Meu coração se parte e mais do que nunca me sinto perdida... Estranho estar perdida ao lado daquela que considero como minha mãe...”


    Adentrando com cuidado no carro a cainita sorriu as primeiras palavras de Violetta, aceitando de bom grado a toalha quente, encostando de leve o tecido aquecido de encontro ao rosto a italiana suspirou alto, ainda de olhos fechados Pietra sorriu com delicadeza e ternura.

    - Tão diferente de tudo que eu já imaginara... Acho impossível não me dar bem com alguém que partilha a Toscana no sangue... Não sabes o como me sinto mia madre... Como essa felicidade me faz bem...

    Sorrindo para sua senhora Pietra retirou as pesadas joias de seu pescoço e orelhas, deixando que a longa cabeleira ganhasse suas costas.
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 17/8/2016, 00:36

    Apenas um sorriso, essa foi a resposta de Violetta a sua última palavra. A pequena francesa então se dedicava em secar os próprios cabelos e a descansar no banco do carro ao seu lado. O jovem Hans então dirigia com pressa pelas ruas vazias da cidade, em meio a uma chuva mais branda, em direção a um condomínio fechado e privado. Os portões do local então se abriam e você via passar diante seus olhos algumas mansões enormes, lindas e espaçosas. Mas nenhuma delas parecia ser o refúgio de Violetta, na realidade, o jovem desviava o carro da rua e o levava sobre a grama, em uma velocidade baixa, até uma colina. Subindo a mesma para finalmente chegar no destino.



    A visão era linda, uma mansão esculpida em um nível abaixo do mar, com uma piscina larga e tortuosa logo na entrada, circundada por um muro vivo de ramos extremamente esverdeados e bem cuidados. Haviam várias estuas espalhadas pelo breve jardim que separava a mansão dos muros verdes, algumas você era inclusive capaz de lembrar de já ter visto em Paris. Eram as obras da própria anciã, entre elas não havia nenhuma presença do sobrenatural ou do divino, Violetta era apaixonada pela figura comum dos homens. Ela não esculpia deuses gregos, musas ou atletas. Ela esculpia artesões, camponeses, cortesãs. O magnífico e simples de mãos dadas e unidos, tomavam forma naquelas estátuas de mármore. O carro então era estacionado em frente a um pequeno portão de madeira que fechava a parede verde. Seu "irmão" saia do veículo e abria as portas para vocês, tomando o cuidado de abriga-las em baixo de um enorme guarda chuva negro. Conduzindo vocês em direção a enorme mansão muito bem iluminada, seus olhos castanhos viam várias pessoas se movimentando na mansão, seria de fato uma reunião da linhagem de Violetta e dessa vez você estava incluída.
    Haviam mais quatro carros na propriedade, indicando que outros já haviam chegado. Hans então comentava com vocês duas.

    -Minhas caras, devo avisa-las que grande parte dos convidados já chegaram. A noite deverá ser magnífica e pacifica para todos nós, assim eu acredito... Minha doce Rafaldini, devo avisa-la que talvez os mais antigos não sejam tão abertos a ti, mas não te preocupes, a amargura do passado estará em segundo plano essa noite.

    As portas da mansão então se abriram e diante seus olhos havia uma obra de arte. Alguns serviçais rapidamente se aproximavam, todos homens de vestes impecáveis, ternos modernos confeccionados pelo atelie que pertence à Lorenz. Um gesto de boas vindas exclusivamente dedicado a ti e mais ninguém. Eles traziam mais toalhas, panos quentes para vocês.
    Mas seus olhos também eram atraídos para um quadro, colocado na parede daquele cômodo. Era uma magnífica pintura em óleo de uma mulher, um lindo vestido branco em um fundo verde. Seus olhos imediatamente a reconhecia e seu coração batia forte. A imagem de Marcelle, a primeira prole da experiente anciã Elsa, que falecera anos atrás, a única alma caridosa e benevolente que cuidou de você em seus piores momentos.

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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 17/8/2016, 11:51

    O sorriso de Violetta, aquele simples ato havia sido por muito tempo a unica coisa que Pietra desejara profundamente e telo, fazia com que o coração da mesma suspirasse aliviado e feliz. Sentada ao lado de sua senhora a cainita observava as belas casas por qual passavam, mas nenhuma delas lhe parecia aconchegante ou digna o suficiente, quando Hans subiu a colina com o carro e por fim revelou o refugio das rosas, Pietra não escondeu o suspiro e o ar de surpresa ao ver tal beleza.

    “ Um pequeno palacete... Simplesmente magnifico...”

    Os olhos acastanhados da cainita varreram cada detalhe da construção, das cores as decorações as esculturas espalhadas pelo jardim, assim que Hans abriu a porta do carro a cainita teve de se segurar para não correr até as obras tão conhecidas de Violetta, mas isso não impediu de que seus olhos se marejassem sem ao menos Pietra percebe-lo.

    “ Um pequeno pedaço dos céus esta aqui... Mia amata signora... Quanta saudades eu tive de seus trabalhos e os traços únicos deles...”

    Ouvindo as palavras de Hans os olhos da cainita observaram o movimento dentro da casa, um pequeno aperto de ansiedade e angustia assaltaram Pietra, mas as palavras delicadas de seu fratello a fizeram sorrir.

    - Mio amato... Trate-me por Pietra... Somos fratilli, sobre nomes não são necessários.

    Com as portas abertas Pietra logo reconheceu o estilo único dos ternos usados pelos servos, o claro traçado de Lorenz a fez sorrir como uma criança diante daquele pequeno e inesquecível detalhe de boas vindas, o sorriso porem morreu ao reconhecer Marcelle.

    O quadro da jovem fez com que o coração de Pietra ardesse, havia uma dor inesquecível pela perda da mesma e mais forte ainda pela saudade dos cuidados desprendidos desta com a italiana.

    “Eramos da mesma família... Se eu soubesse... Nunca me perdoarei por não te-la amado e tratado da mesma forma que cuidaste de mim... Mia Marcelle...”

    Pietra sentiu uma lagrima escorrer pela face, de olhos fechados esta a enchugou com cuidado, a imagem da gota escarlate em meio a brancura da toalha quente a fez sorrir de forma triste, suspirando alto esta se virou para Hans um pouco exitante.

    - Fratello... Posso lhe pedir um celular emprestado?! Mesmo que eu queria... Tenho pessoas a avisar que estou segura... Algumas delas não me perdoariam se eu não o fizesse...

    Recebendo o aparelho de Hans a cainita o respondeu com um leve beijo na testa deste, respirando fundo Pietra começou a digitar as mensagens de que tanto precisava e ansiava.
    Mensagens :

    Friederich:

    Mio amato Friederich. Por favor me perdoe, me perdoe por te-lo abandonado. Mia Violetta me tirou do Teatro, eu quis voltar mas temia que minha presença fosse lhe fazer mal... Tive medo da Imperatriz e agora temo por você...

    Peço com todo meu coração que saias dai com vida, eu não poderia me perdoar se alguma coisa o ferisse...

    Sei que não devo lhe pedir mais nada, mas me avise se estiveres bem.
    Estou no refugio dos Filhos da Rosa, ficarei segura aqui esta noite. Violetta não deixara que nada de mal se acometa a minha pessoa.

    Da sempre sua Pietra.

    Ps: Escolhas o que tiver que escolher, estarei ao seu lado... Meu coração o estará sem pra aberto para mio Friederich e Artur...

    Evangeline:

    Bella, as coisas sairam do controle, acredito que ja deves saber... Me de noticias da espada... Eu estou longe agora mas segura... Me prometa que ficaras bem Bella...

    Da sempre sua Pietra
    .

    Lorenz:

    Figlio, mio amato. Primeiramente peço que guarde este numero. Sinto que deveria lhe dar noticias e aliviar seu coração, mio Lorenz.

    Me de noticias dos ultimos acontecimentos, acalme a todos sobre minha segurança, sei que lhe exijo muito, mas acredito em voce..

    Da sua madre desnaturado, Pietra
    .

    Apagando as mensagens apos o envio destas, Pietra devolveu o aparelho para Hans, sorrindo para este a cainita não conseguiu esconder o pequeno rubor de vergonha ao fazer um novo pedido.

    - Fratello, se houver resposta por favor me avise... Eu serei eternamente grata por isso...
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    Danto
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 18/8/2016, 15:01

    Violleta caminhava a frente de vocês, deixando-os para trás a pequena parecia determinada em trocar de roupas o mais rápido possível. Mas a própria parava brevemente em frente ao quadro da jovem Marcelle, sorrindo por alguns segundos e seguindo escada à cima em direção ao andar superior, seguida por três vassalos bem atenciosos.
    Restavam então na sala apenas você, Hans e mais três vassalos que aguardavam por ordens. Hans prontamente lhe entregava o celular para que as mensagens pudessem ser escritas, entretanto, quando você devolvia o aparelho para o mesmo, algo inesperado acontecia. Os olhos dele estavam perdidamente encantados por você, talvez fosse algum traço da sua humanidade, talvez o choro suave de instantes atrás ou até mesmo o corar de sua face. Mas o seu irmãos mais jovem estava entregue a maldição dos filhos das rosas, o fascínio. Era uma cena inesperada, mas que simbolizava da maneira mais sincera o tamanho da admiração que o mesmo sentia por ti, mesmo ele sendo um desconhecido para você. Ele não conseguia reagir, sequer mover um único dedo para pegar o celular...
    Enquanto o jovem de cabelos loiros era inundado por um avermelhar intenso de sua face, o que indicava que ele estava a se esforçar para retornar do fascínio, uma mensagem chegava:

    Lorenz escreveu:Mia madre! Eu estou tão feliz em saber que estas segura, Albert quase não conseguia mais se aguentar de preocupações, devo encontra-lo imediatamente para acalma-lo! Madre, tu não tem ideia de o quão problemáticas devem estar as situações, nas ausências a Priscus conduziu um Festim de Guerra, Eva a ajudou... Todos estão na rua, em direção ao Teatro do Conclave! Berlim entrará em Guerra mia madre!

    Os olhos de Hans então piscavam, ele havia retornado. E a ação imediata do mesmo foi sorrir. O comum de todos os filhos das rosas era sentir uma devastadora vergonha por ser dominado pela maldição em frente a um parente ou ancião, mas Hans reagia de uma maneira muito inesperada, ele parecia feliz e falava em um italiano carregado do sotaque dos nativos de Florença.

    -É como ver um dos seus maiores sonhos se materializar em sua frente, obrigado Pietra... obrigado...muitíssimo obrigado! Eu espero por esse encontro há quase cem anos, tenho algo a lhe mostrar, na realidade, eu tenho um presente a ti, algo que eu guardei para lhe dizer obrigado. Pois tudo que eu sou hoje é graças a você, a irmã que eu sempre sonhei em encontrar. Sei que não és realmente uma prole de Violetta, mas isso para mim não importa, não mesmo... Por favor, não se insulte com meu presente... Me acompanha para que eu possa o mostra-lo?

    O jovem Toreador então se virava rapidamente para os vassalos e comentava em alemão.

    -Separem para Pietra os vestidos, deixem tudo preparado para que ela possa se arrumar em poucos instantes. Usem os armários especiais, escolham os melhores e mais belos vestidos, eu confio no bom gosto de vocês. Agora por favor, façam isso bem rápido, estarei no ateliê se precisarem basta interfonar.

    Ele então se virava para você e com uma enorme vergonha, lhe entregava o braço na esperança que você aceitasse o convite e fosse conduzida por ele.
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 18/8/2016, 17:06

    Os olhos de Pietra seguiram os movimentos de Violetta, um sorriso calmo se formou nos lábios da cainita, ainda mais quando sua senhora parou brevemente a frente do quadro de Marcelle, ambas as Toreadoras nutriam bons sentimentos a criança perdida.

    “ Nunca espere por Violetta... Mas não seja louco de ousar deixa-la esperando... Isso não mudou e não vai mudar em mia signora...”

    Um ar surpreso tomou o rosto de Pietra quando esta se voltou para Hans, a falta de movimentos e o encanto nos olhos do mais novo indicavam que a mesma havia causado o fascínio no mesmo, desviando os olhos de forma educada Pietra sorriu de leve sentindo o celular vibrar em suas mãos.

    “ Hans... Mio querido... Como consegues ser tão encantador assim?! Porque me és um desconhecido quando acredito que Violetta lhe revelou tudo sobre minha pessoa...”

    Lendo a mensagem do celular a cainita fechou de leve o cenho, digitando uma resposta rápida a Lorenz.
    Mio Lorenz.

    Mantenha-me informada então, não posso dizer que o ocorrido seja de meu agrado, mas acredito que havia a necessidade dele...

    Esperemos não ter que chorar pelos caídos. Por favor acalme Albert, eu estarei segura e devo voltar pelo começo da próxima noite.

    Sua Pietra.

    Ao menor movimento de Hans, Pietra se voltou para este, o corar de suas faces e o sorriso fez com que a própria sorrisse quase rindo daquela pequena cena, o reconhecimento que seu irmão mais novo lhe dispensava era estranho, mas profundamente encantador.

    As palavras deste ainda deixaram a italiana surpresa, quando este lhe estendeu o braço Pietra não pensou duas vezes ao aceita-lo, ainda sorrindo esta deu um leve beijo na face deste ao dizer:

    - Violetta é para todo o sempre a senhora que eu escolhi para ter... Elonzo não me significa nada, nada mais do que decepção e amargor... Me sinto uma criança diante de ti amato fratello... Faz muitos anos que não me sinto tão querida por irmãos Acredito fielmente que é isso que importa... Não sei o quanto lhe agradecer pela atenção e cuidados... Mas fico feliz que Violetta tenha lhe escolhido como filho, sempre me preocupei com Violetta, mas minha saída de Paris foi irremediavelmente feita a pressas, não tive tempo de me encontrar com ela ou lhe dizer o que planejava.... Hoje ela me pressentia com sua ajuda e presença...

    Buscando os olhos de Hans, a cainita sorriu antes de depositar sua cabeça sobre o ombro deste ao acompanha-lo.
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 19/8/2016, 02:59

    Hans caminhava contigo, com um enorme sorriso na face. Ele parecia estar caminhando sobre as mais altas nuvens, reagindo com bastante carinho ao seu toque e ao seu olhar, ainda mais com as suas palavras finais. Vocês dois estavam a caminhar para a saída lateral daquela graciosa sala, passavam agora pela beira da piscina em direção a lateral direita do palacete de Violetta. O caminho agora era aberto, a chuva havia parado e o céu se mostrava cheio de estrelas, belíssimo. A frente de vocês havia uma área coberta, preenchida por cadeiras, mesas e graciosas namoradeiras cobertas por pequenas camadas de flores e plantas nos pés e nas partes de trás. Logo ao fundo desse local, você via uma porta de madeira antiga, era uma porta de dimensões medievais e estava posta dentro de uma construção mais rochosa e arcaica. Hans parava em frente a porta, empurrando a mesma e enfim respondia no idioma nativo que vocês compartilhavam.

    -Pietra, eu não consigo dizer com palavras a dimensão do amor que eu sinto por ti. Da admiração, do fascínio. Eu deveria pedir desculpas, pareço uma criança na sua frente, mas eu sinceramente não quero, eu sonhei com esse encontro por tantas noites... Mas por favor, não me julgue como uma criança inocente ou um invasivo desconhecido, eu sei que estou exagerando, me perdoe mais eu estou explodindo de felicidade! E por isso eu digo, sem mais referências a esse nome desprezível, certo? Eu quero ser para todo sempre para você, uma memória feliz. Agora, vamos!


    Ele soltava o seu braço e andava rápido para o interior do lugar, quase correndo. Era uma ação que você conhecia muito, a empolgação de um aprendiz que tentava impressionar seu mestre, a empolgação em presentar um ente querido. Ao seguir o jovem Hans para o interior do local, seus olhos são surpreendidos pelo belíssimo ambiente.


    No centro da sala esverdeada, havia um cavalete de pintura com aproximadamente três metros de altura, um de largura e oitenta centímetros de profundidade com as pernas. Era um grandioso cavalete de mogno puro, um quadro estava posto sobre o mesmo, mas ainda oculto por um tecido delicadíssimo branco. Ele sorri, parando ao lado do quado e puxando de uma só vez o tecido de cima.

    O Quadro:

    O tecido caia no chão, seus olhos eram então agraciados com uma delicadeza inexplicável. Uma torrente de memórias perfeitas e quentes da sua vida mortal, algo que você não sentia a muitos anos. O calor do sol na pintura invadia seu coração e alma, a imperfeita precisão das pinceladas, o amarelo único. Era uma obra inspirada na sua história como musa de seu amado Michelângelo, um presente de valor inestimado.

    [Off: Teste de Fascínio. Auto-controle dificuldade 8]


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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 19/8/2016, 16:40

    Admirada com tamanha felicidade demonstrada por Hans, Pietra sorria feliz, era impossível para a cainita esconde-lo diante do jovem italiano, deixando-se ser guiada pela delicadeza e cuidados do jovem Pietra suspirava a cada detalhe percebido do refúgio em que caminhavam.

    Houve um pequeno esforço da italiana para não se sentar em uma das namoradeiras no jardim e permanecer ali ao frescor da noite. Diante da pesada porta Pietra escutou atentamente as palavras de Hans, o italiano que fluía naturalmente entre os dois conterrâneos era música para os ouvidos da cainita. A empolgação demonstrada pelo jovem atiçava cada vez mais a curiosidade da mais velha, mas foram as palavras deste que a fizeram acenar positivamente para este com um longo e suave sorriso.

    - Somos duas crianças meu irmão... Estamos juntos agora e isso é mais do que eu poderia desejar...

    Acompanhando os passos rápidos e a empolgação de Hans, Pietra suspirou maravilhada ao adentrar na sala esverdeada, passando seus olhos rapidamente pelo ambiente a cainita simplesmente se petrificou diante do quadro revelado.

    “Quente... Tão quente...”

    A brisa soprava suave naquela tarde, o cheiro do trigo e o calor do campo inundavam o corpo da jovem que ria, ria pela companhia de Michelângelo, pelo frescor da tarde e mais ainda pelo peso das flores em seus braços, ria pelo rubor em sua face causada pela garrafa de vinho roubada da dispensa e mais ainda de como o homem ao seu lado havia enrubescido quando lhe beijara os lábios em um singelo beijo roubado. Quando a brisa se tornou forte quase levando o chapéu foram os olhos dele que a jovem buscara, diante daquele olhar ela viu a admiração única.

    Pietra suspirava alto tentando relembrar daquela tarde, a tarde em que Michelângelo lhe chamara de anjo, atrás do cavalete e da pintura a jovem repassava mentalmente as palavras ensaiadas com afinco. Por fim Ângelo lhe deu o sinal combinado, sua voz suave ganhou os lábios enquanto seus olhos se fechavam, colocando a mão sobre o coração a jovem declamou, fez com que todas suas palavras escapassem diretamente de sua alma, que ecoassem o amor que sentia e refletissem o perfume das flores. Ele havia descido o palanque e do meio dos convidados declamava silenciosamente com Pietra, os olhos dela se voltavam apenas para ele e mais ninguém.


    Lagrimas escorriam pelos olhos de Pietra, sem ao menos perceber a mesma declamava o poema daquela noite como se o fizesse diante de Ângelo.
    Na alvorada

    Abre tuas pétalas bela dama
    Diga-me quem tu amas
    Não chores pesares dispersos
    Abra teu coração...

    Oh bela dama
    Quem tu amas
    Quem te desprezas
    Por quem tu choras
    Diga-me bela dama
    Quem ousaria
    Em teu vestido amarelo
    Negar-lhe um beijo singelo.

    Enraíza tuas dores
    Bela dama
    Enfeita tua face
    Com o sorriso falso
    Mas não chores bela dama

    Enaltece teu amado
    Bela dama, mas não desgraces teu passado
    Ah bela dama...


    Ao decorrer do dia

    Que lindo sorriso bela dama
    Onde anda aquele sofrimento
    Disfarças este sorriso ingênuo
    Conte-me o nome dele bela dama

    Onde escondesse teu coração
    Por quem ele bate
    Será que ele te merece?
    Quem devo odiar
    Bela dama
    Porque teus olhos não são meus
    Porque teus cachos me desprezam
    Por quem teu coração bate bela dama

    Ahhhh coração maldito
    Despreza teu próprio dono
    E te entregas a quem não quer...
    Olhai para esta pobre criatura
    Bela dama

    Diga-me o que eu fiz de errado
    Porque só tenho teu desprezo
    Por quem teu olhos brilham
    Porque e por quem....

    Crepúsculo

    Meu peito arde
    Bela dama
    E teus olhos choram.

    Porque buscas o sol bela dama
    Se ele te ignora
    Giras em torno de si mesma
    Bela dama e ele em torno da terra

    Estática no mesmo campo bela dama
    Presa em suas próprias raízes
    Choras um amor não correspondido

    Perdão bela dama, mas
    Não posso vê-la sofrer
    Amargurada esconder teu rosto
    Fechada em suas próprias pétalas douradas
    Afundar no campo verde e escuro

    Porque não brilhas para a lua bela dama
    Ela sim te inveja
    Inveja dos teus cachos dourados
    Do teu rosto marcado pelo sol

    Tamanha inveja...
    Bela dama

    Invejo teu amado
    Que te olha o dia galgando pelos céus
    Teus olhos castanhos bela dama
    Não o abandonam
    De seu nascer até seu morrer...

    Teu coração sofre bela dama
    E o meu te compadece

    Ahhhh bela dama
    Perdoa meu amar
    Que eu perdoo o teu tonto girar
    Gira sol...

    Off: Abdico do teste para resistir, mas gasto 1FV para sair do Fascínio
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 22/8/2016, 15:16

    Os ecos do passado se esvaiam, lentamente, despedaçando-se junto ao vento quente daquelas memórias magníficas. As faces, os toques, as sensações e os sentimentos esses jamais a abandonariam, você lembrava perfeitamente, como se tudo tivesse acontecido minutos atrás... O tempo é a mais poderosa das ferramentas, é a foice que dá o fim e o sopro que noticia o nascimento. E foi o próprio vento que a trouxa de volta, uma corrente fria entrando pela porta que fora deixada aberta lhe tocava o corpo úmido, causando um arrepio e quebrando o encanto que você não sentia a vários anos. O fascínio do clã das rosas, a Maldição que Caim rogara sobre os Toreador. Na sua frente, estava Hans com um sorriso tão grande que praticamente tomava a face inteira do jovem de cabelos dourados.

    -É de fato um dos mais belos poemas que já tive a oportunidade de ouvir, obrigado Pietra, você me deu a honra de ver nos seus olhos, ouvir de seus lábios e sentir suas emoções mais verdadeiras. Esse é meu presente para ti, passei anos a pinta-lo e havia até mesmo desistido de um dia poder entrega-lo a ti. Era na frente dele que eu passava minhas mais tenebrosas e solitárias noites. Buscando proteção de uma irmã perfeita que eu fui criado para venerar e amar, você foi para mim até essa noite uma espécie de santa, uma imagem imaculada que eu jamais alcançaria. Mas não só isso, era meu refúgio... O poder das imagens é realmente fascinante... nessa noite será marcada o grande Baile de despedida de nossa Senhora, o tempo dela dormir já chegou a muitas noites atrás, mas ela recusava por sentir sua falta. Seu retorno finalmente trará paz para ela, mas eu posso ser egoísta e pedir a ti, minha irmã, a possibilidade de nos conhecermos? Preciso lhe contar tantas coisas...
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 22/8/2016, 22:52

    O vento frio trouxe Pietra de volta a realidade, o frio que percorreu seu corpo foi vencido apenas pelo rubor em suas faces e o largo sorriso que nelas se formavam, um riso cristalino ecou pelo peito da cainita quando esta fechou os olhos sentindo por um ultimo momento o velho e magnifico calor do sol de suas lembranças.

    Tremendo de leve Pietra sorriu sem ao menos esconder as lagrimas para Hans, as palavras do mesmo adentraram fundo no coração da cainita.

    “Mio amato fratello... Como eu desejo te-lo conhecido e o amado antes... Como...”

    Tomando Hans em seus braços Pietra o beijou na testa para depois aperta-lo com força, ainda rindo do simples fato de ter entrado em Fascinio na frente do jovem esta respirou fundo voltando a encara-lo.

    - Meu irmão... Como eu quero simplesmente ignorar o mundo e permanecer ao seu lado durante toda esta noite... Mas se conheces nossa Violetta sabes bem que ela ficaria ressentida... E no minimo nossas orelhas sentiriam sua fúria... Não poderia imaginar que o sono finalmente alcançava Violetta, esta noticia me entristece, assim como sua partida...

    Brincando com as madeixas douradas de Hans, Pietra sorria com leveza nem por um instante esta fez questão de esconder o encanto que sentia pelo irmão ou demonstrou vergonha por ter ela mesma caído a fascínio diante de tal presente.

    - Minhas palavras nunca seriam o suficiente para expressar a alegria que sinto com seu presente... Me entristece que não pude ajuda-lo em seus momentos mais difíceis, que neles eu nem pudesse sequer imaginar sua existência... Peço-lhe que me perdoe por isso, que eu nesta noite não tenha maculado a imagens que tinhas de mim. Que eu nesta noite tenha valido a pena, porque nunca me perdoaria caso o contrario.... Nunca meu irmão... Não posso lhe prometer esta noite apenas a ti, mas adoraria que fosses minha companhia no baile, ao teu lado sei que me sentiria querida e nenhum mal me acometeria... Em recompensa escutarei cada palavra tua e responderei cada duvida... Um presente singelo até que eu possa recompensa-lo de forma a riada...
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 23/8/2016, 11:50

    O rapaz se entregava aos seus braços sem resistir, sempre demonstrando um enorme amor e carinho pela irmã que finalmente conhecera. Você tocava os cabelos naturalmente lisos e loiros do jovem e ele sorria ouvindo suas palavras, respondendo ainda em seus braços.

    -Será uma honra, a maior de todas, acompanha-la no baile de nosso clã. Mas me prometa uma coisa, pelos céus, não deixe o rubor surgir nas maçãs de teu rosto! Seria terrível cair novamente sobre o fascínio no baile...

    A frase dele soava muito bem humorada e descontraída, um humor extremamente raro entre os mais experientes filhos de Caim. Com gentileza ele tocava na sua mão, tateando seus dedos e enfim entrelaçando os dedos dele com os seus, levantando os olhos mais uma vez na sua direção ele voltava a falar, mantendo sempre o mais fluente e natural italiano entre vocês.

    -Vamos, devo levar você até um quarto para que possa se arrumar. Nossa senhora fará o anunciou diante todos os membros do nosso clã nessa cidade e irá declarar o fim de sua presença entre nós, depois disso, caso deseje, poderemos conversar aqui mesmo ou posso acompanha-la até sua residência. Como preferir, se preferir.

    Gentilmente ele dá um passo para trás, segurando com firmeza a sua mão. A cada movimento você tinha mais certeza que ele fazia pequenos testes, para ter certeza de que você estava realmente na frente dele. E inevitavelmente você se perguntava: O quanto ele sonhou em conhecê-la e porque?!


    Última edição por Danto em 23/8/2016, 15:28, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 23/8/2016, 13:45

    Foi impossível para Pietra segurar o riso diante das palavras de Hans, o encanto natural do rapaz a sua frente e a forma com o qual lidava com a situação que poderia muito bem se tornar embaraçosa, deixava profundamente a cainita a vontade.

    - Não posso lhe prometer de que não farei isso... Mas me segurarei ao máximo meu irmão...

    Beijando a testa desse novamente, a cainita sentiu o toque leve entre seus dedos, deixando que este a guiasse Pietra percebia cada pequeno gesto de Hans e seus pequenos toques.

    “Ele tem tanto medo assim de que eu seja uma ilusão?! O que Violetta pode tê-lo contato para que ele me ame mais do que a ama? Me sentiria mal por Hans se eu estivesse à frente de Violetta... Não posso julga-lo, mal o conheço, não sei de suas mazelas e passado, mas ele sabe do meu...”

    Sentindo o passo para trás de Hans, Pietra se virou para seu irmão surpresa, sorrindo de leve esta tocou-lhe a face com carinho.

    - Meu amado... Estou aqui... Não sou uma ilusão que sumira a primeira brisa, lhe prometo que não o farei... Podes se abrir comigo, suas palavras serão mantidas em segurança, a mesma segurança que me prestas agora... Lhe imploro irmão que me digas o que sente, não há necessidade de esconde-lo... Não quando me conheces tanto e eu o conheço tão pouco...

    Olhando atentamente os olhos de Hans, a cainita esperava pela resposta de seu irmão, todas as palavras soadas no mais puro italiano da Toscana, um presente para ambos os cainitas conterrâneos da mesma cultura.
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 23/8/2016, 16:12


    Segurando a sua mão e sentindo o seu toque na face, Hans ouvia as suas palavras e você não só via como também sentia a alegria estonteante do rapaz desaparecer, um sorriso tristonho e pequeno se desenhava nos lábios dele. A euforia já não estava presente, desviando os olhos por alguns instantes ele parecia travar a mais cruel das batalhas dentro de sua própria mente. E após um suspiro, ele finalmente a respondia.

    -Certo, você é única que tem o direito de me ouvir, irei lhe contar tudo... O começo da minha vida é de perda, sou filho de um casal de alemães que se mudou para Florença. Mas eu nunca vi nenhum deles, apenas por fotos antigas que Violetta guardou. Quando ambos morreram, eu era apenas um criança de berço, foi o meu choro que atraiu os ouvidos de Violetta, ela adentrou a casa e encontrou meus pais mortos. Suicídio... Hans Vroenik era o nome de meu pai e nossa Senhora me nomeou da mesma forma. Eu fui criado pelos vassalos dela, recordo-me de na infância sentir o receio dela em minha direção, ela temia pela minha saúde, temia por ser uma anciã a conviver com uma criança. Mas eu sempre soube que ela não olhava para mim de uma maneira comum, ela olhava sempre em busca de outra imagem, a sua... Eu odiava quando a chuva do dia se estendia para a noite, pois ela sempre me fazia correr naquele frio e sorrir para ela. Eu odiava as aulas de escultura e dança, não faziam o menor sentido para mim e minha inabilidade era punida com rigor. Quando completei dezoito anos, eu já não aguentava mais viver para atender tantas expectativas! Me escondi na estufa de gira-sóis e com uma faca de prata, abri meus pulsos... Foi a primeira vez que me senti livre, era o fim daquele tormento! Eu não precisaria mais praticar espanhol, tão pouco o irritante francês, meu único prazer era tocar violino, mas ela me proibia, eu não deveria! E lá, em meio aos gira-sois eu fechei meus olhos...

    O jovem solta a sua mão para puxar as mangas da camisa, revelando as marcas dos cortes nos pulsos. Indicando que o mesmo foi abraçado as pressas, você sabia que o estado do corpo humano era eternizado durante o abraço e aquelas marcas jamais sairiam dos pulsos de Hans. Ele então retomava a própria história.

    -Quando eu os abri, eu não era mais um vivo. Violetta me olhava enfurecida, em meio a uma torrente de prantos e violência, ela me esmurrava enquanto chorava copiosamente. Ele gritava em desespero, eu senti os punhos dela me ferirem, mas aquelas lágrimas caiam contra o meu peito e o despedaçava... Ela gritava perguntando o porque, o porque eu desejava abandona-la daquela forma, porque o destino precisava se repetir, aos olhos dela eu desejava ir embora sem me despedir... Da noite do meu abraço em diante eu nunca mais a abandonei, abracei o que ela queria de mim e o que ela desejava de mim. Violetta nunca escondeu que olhava todas as noites para mim na esperança de encontrar você Pietra, e eu me esforçava para que ela pudesse encontrar... Ela então me apresentou a Elonzo e Masdela, no desejo deles me acolherem e me que eles me contassem sobre suas noites iniciais. Eu ouvi tudo, eu aprendi tudo, mas nos olhos deles eu não vi amor, eu via apenas o ódio... E o que Violetta não esperava de mim, era que eu fosse capaz de te compreender. Ela queria me ensinar uma lição, ela queria me ensinar que abandonar a família era algo errado, que entregar-se aos desejos, aos amores, a liberdade, era um erro irreparável. Ela não queria que eu fosse você Peitra, ela queria que eu fosse um reflexo perfeito do que você foi...

    Ele faz mais uma pausa e olha em volta da sala, respirando antes de voltar a falar.

    -E nós então chegamos a Paris. Ela me alojou no mesmo quarto que você ficou enclausurada, seus objetos pessoais ainda estavam lá e foi com eles que eu comecei a pintar e esculpir. A sua imagem era minha única companhia, Violetta estava dedicada demais ao clã, ela havia se tornado Justicar. E sozinho na corte eu não me interessava em conhecer ninguém, a única pessoa que eu sabia que seria capaz de me ouvir era você... E cerca de quarenta anos atrás, a corte de Paris recebeu a visita de Wilhelm e ele convidou Elsa, minha irmã mais antiga para vir a cidade... Violetta chegou durante o convite e com um desejo inesperado, anunciou que também acompanharia Wilhelm de volta a Berlim. Ela então arrancou-me do quarto e me forçou a segui-la. Nessa cidade eu pude me conhecer melhor, Violetta assumiu obrigações junto ao Príncipe e aos poucos eu comecei a criar, algo nessa cidade me inspirou. Esse quadro foi pintado aqui, nesse lugar, foi aqui que eu pude repensar em tudo que me havia acontecido. Sabe, durante anos eu a odiei. Durante anos eu a amei e a desejei. Mas aqui eu pude entender finalmente que eu apenas queria ver seu sorriso, ouvir suas palavras, sentir o seu carinho. Eu queria ser o seu irmão e não o seu reflexo, esse meu querer me distanciou de Violetta, ela tentou me punir algumas vezes, ela tentou me censurar e no fim ela cedeu... Unicamente com o medo de me perder, porque se ela me perdesse, ela também perderia você...

    O jovem coloca a mão esquerda no bolso e dele tira um lenço vermelho, desenrolando o mesmo você via um único brinco. Já envelhecido por causa do passar dos vários anos, uma relíquia tão velha quanto você, era um dos brincos que você utilizou na noite da sua chegada à Paris. Um brinco simples que ficava dentro da sua caixa de joias leves, no interior da sua penteadeira em Paris.

    -Pietra, a sua existência foi forçada contra a minha. Ouvi histórias sobre sua personalidade, sobre suas falhas, ouvi tudo que todos que um dia puderam vê-la poderiam contar. Mas quando Violetta precisou que eu fosse tudo que você não foi para ela, eu me recusei... Mas eu jamais recusei você, quando as punições eram desferias contra mim, eu me agarrava a sua imagem, a sua coragem de ter fugido de Paris, a sua força de resistir as humilhações. Eu nunca serei um reflexo teu, nunca. Mas sempre a admirei acima de tudo e todos...
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 23/8/2016, 17:57

    Quando o semblante de Hans se entristeceu Pietra sentiu seu coração se apertar, as palavras que se seguiram fizeram com que os olhos da cainita se fechasse, não havia modo de encarar Hans, não diante de tudo que o jovem havia passado.

    “Minha senhora... Porque não pudeste me abandonar... Porque arrastar alguém inocente para o meio do furacão que foi minha vida na Torre... Meu amado Hans... Como podes me amar se eu fui a causa de seu sofrer?!”

    Em meio ao seu próprio silencio Pietra deixou que as lagrimas escorressem por seu rosto, há muito já havia quebrado a promessa de que não choraria naquela noite e Eva não estava do seu lado para lembrar-lhe disso. As marcas nos pulsos de Hans assim como o único brinco a fizeram sorrir tristemente, tomando as mãos de seu irmão a cainita passou de leve os dedos pelas marcas eternizadas em seus pulsos, tocando de leve no delicado lenço Pietra o dobrou escondendo ali o brinco, a cainita sabia bem a onde estava o par dele, guardado entre seus pertences mais queridos como uma lembrança de um tempo que não voltaria.

    - Meu irmão... Eu amei Masdela... O amei profundamente, mas não podia ama-lo do mesmo modo que ele o fazia... Não quando a presença dele me lembrava do homem que perdi... Elonzo... Eu o temia mais do que respeitava... Esse temor me persegue até hoje e eu não posso evita-lo...

    Fechando as mãos de Hans sobre o lenço Pietra tentou sorrir, o italiano que fluía de seus lábios porem demonstravam toda a dor que a mesma sentia.

    - Peço perdão... Meu irmão... Perdão em nome de Violetta e do meu... Eu fui fraca... Fraca em muitos sentidos, egoísta de querer preservar coisas das quais eu não tinha, das quais não fui destinada... Por favor... Meu querido Hans... Como podes me amar quando fui eu que te fiz sofrer?!

    Desviando o olhar a cainita respirou profundamente, seu corpo tremia diante dos sentimentos que sentia e mais do que nunca diante das palavras amáveis de o jovem lhe dirigia.

    - Eu... Eu não desejo que sejas uma cópia minha... Violetta mais do que nunca deveria saber que sempre invejei a música, música que meus dedos nunca conseguiram reproduzir... Não quero que meus calos sejam os seus, que tu não sofras o que eu tive que sofrer... Se um dia fui corajosa aos teus olhos então quero que saibas que tremi de medo... Medo por não ter um lugar, medo por ser odiada com tanta forçar que isso até hoje me persegue... Medo por estar longe dos olhos atentos de Violetta, da simples ideia de perder Eva... De perder tudo que não tive...

    Abraçando o corpo do jovem a cainita deixou que suas lagrimas caíssem sem receio ou pudor de ser rejeitada.

    - Não posso mal dizer o destino... Ele me presenteou com grandes coisas, embora eu as tenha pagado justamente... Meu querido Hans... Me perdoe por tudo... Por tudo aquilo que vivenciaste... Agora mais do que nunca sabes que me orgulho de ti... Orgulho pelo homens que te tornaste, pelos traços e pinceladas únicas, pelos calos na ponta de seus dedos... Por tudo meu amado...

    Voltando a encara-lo Pietra suspirou ao sorrir, aos poucos seu coração se acalmava e as palavras davam vazão aos seus sentimentos.

    - Peço-lhe que me ames e respeite pelo que viste hoje... Esqueça o escopo que lhe fizeram de mim... Mas lembre-se de meus erros... Eles lhe evitaram dores pelas quais eu passei... Eu lhe amo meu querido irmão, e isso é mais do que eu poderia desejar e esperar... Se um dia lhe fiz mal, não foi por querer... Mas agora desejo-lhe todo o bem do mundo... E farei o que estiver ao meu alcance para tal... Mesmo com a partida de Violetta, não perderemos contato... Acredito ou quero simplesmente acreditar que agora o peso de minha figura lhe escorrerá de seus ombros... Se isso não acontecer então eu mesma terei com nossa mãe... Ela escutará todas as piores palavras que meu italiano e francês conhece, mas no final nem que eu tenha minhas orelhas arrancadas, ela não lhe obrigara mais a ser como eu...
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    Danto
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 25/8/2016, 14:47

    Hans ouvia todas as suas palavras em silêncio, todas as suas reações intensas pareciam causar um enorme impacto dentro do corpo do jovem que reagia a todos os seus toques de maneira carinhosa e gentil. Ao final da sua última frase, ele vagarosamente leva as mãos a sua face, limpando as lágrimas que por ela escorria com as costas das mãos. Primeiro o lado esquerdo, depois o lado direito. Com um pequeno sorriso no rosto, a jovem respondia de maneira simples, sincera, com palavras que jamais sairiam de sua mente e que explicariam algo que você talvez nunca foi capaz de compreender.

    -Pietra, somos criaturas amaldiçoadas, destinadas a solidão, a loucura, a fúria e a dor. Somos naturalmente uma amplificação de tudo que os seres humanos tem de pior... E você então me pergunta, como posso eu ama-la depois de tudo que passei. Eu a amo para enfrentar nossos destinos, eu a amo para erguer minha confiança e negar o que foi imposto sobre todos os cainitas. Eu não serei o monstro que todos esperam, eu não serei nada que eu não queria ser! A resposta, Pietra, é simples minha irmã. Eu a amo porque sem você o meu jardim é incompleto, sem você nele só existe a morte, a dor e o sangue. Pietra, nós amamos porque nós sabemos que sem o amor só nos resta o mórbido... Jamais a culparei por algo, eu tenho muito orgulho do que você se tornou minha irmã. E não se preocupe, eu sei que não és perfeita e tão pouco é o que a Violetta vê. E é por não ser essa perfeita criatura que eu a amo tanto, entende? Isso me faz igual a você, isso me acalma, me faz sorrir. Eu sou tão imperfeito quanto você é Pietra. Não é algo magnífico? E no fim, do que adianta viver uma vida de amarguras, ressentimentos e desamores? O passado aconteceu, com ele podemos construir um futuro melhor. E eu adoraria estar presente no teu, minha irmã...E por favor, compreenda que Violetta está fragilizada, a obsessão dela por você veio após a queda de Villon e ela já passou da época de dormir, ela já esta adormecendo por várias noites a anos... Você é linda minha irmã. Muito. Mas eu jamais serei um novo Masdela em sua vida, você é e sempre será a minha irmã mais velha, minha inspiração.

    Ele abre um enorme sorriso na face e surpreendendo você após tantas palavras fortes e sinceras, ele complementa.

    -E eu já sou casado, logo, sem criar expectativas certo?!

    Era uma brincadeira, um tom tão descontraído e leve. Ele sorria enquanto falava e se segurava para não rir no final da própria frase. Você sabia que ele não mentia sobre ser casado, mas se surpreendia com um humor tão leve e espontâneo. Era uma habilidade única, romper uma conversa tão triste com suavidade e alegria.
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 25/8/2016, 23:26

    Cada reação de Hans era assistida por Pietra, a cainita mais do que nunca ansiava pela resposta do jovem e quando ela veio não houve como segurar o sorriso.

    O toque gentil e o limpar de suas lagrimas com movimentos gentis abriram o coração de Pietra, de pé a frente de Hans a cainita viu que ali a sua frente estava a verdadeira figura de um irmão.

    “Meu amado... Como ansiei por alguém como você... Como...”

    Sorrindo esta concordou com todas as palavras de Hans, sentindo as mãos seguras Pietra as levou até seus lábios beijando-as com carinho.

    - Hans... Meu amado Hans... Nunca me esquecerei desta conversa... Mesmo para os caídos deve existir uma luz... Eu escolhi esse caminho em meio a loucura que minha vida se tornou... Decedi abrir meus braços e ajudar aqueles que não tiveram nada além de dores... Um caminho difícil entre os filhos da Espada... Mas um caminho que eu faria novamente sem pensar duas vezes... Eu o amo meu querido irmão... Amo por tantos motivos que nunca conseguiria enumera-los... Mas principalmente o amo porque estiveste com Violetta quando eu já não podia... Obrigada meu querido e amado Hans... Está noite era pra ter sido um paraíso, mas foi ao inferno e agora por sua simples presença será única...

    Beijando a testa deste Pietra deixou que sua própria testa tocasse a de Hans, sorrindo esta fechou os olhos sentindo seu coração mais aliviado, por fim tocando de leve no nariz deste a cainita simplesmente ri.

    - Como ousas roubar meu coração assim e depois me abandonar?!

    Puxando de leve o nariz deste Pietra segura o riso completando a cena com um leve tom humorado.

    - Pronto... Espero que sua amada não se importe de sua irmã roubar seu nariz... Ele é tão bonito que seria um pecado não rouba-lo...

    Segurando a face deste por alguns segundos Pietra riu da pequena brincadeira.

    - Sem expectativas... Mas manteremos contato... Serei compreensiva com nossa mãe, sei pelos horrores que ela passou ao lado de Villon... Violetta é uma mulher forte, feita do mais puro mármore... E não se preocupe... Tu não se parece em nada com Masdela... Nem me fazes lembra-lo dele...

    Fazendo um sinal para que o jovem a guiasse Pietra sorria a simples presença de Hans.
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    Danto
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 26/8/2016, 01:58

    Hans reagia com um enorme bom humor, rindo com a sua ação de "roubar o nariz", ele leva a mão direta sobre o mesmo como se estivesse procurando pelo mesmo e se mostrando espantado logo em seguida por não encontra-lo. Era uma cena cativante, tão natural que enchia o seu coração de esperança, de amor e preenchia a sua alma com uma força revigorante. Em frente aos seus olhos haviam um cainita que sobreviveu a experiencias intensas e melancólicas, mas que se comportava com uma humanidade impecável, em frente aos seus olhos você via tudo que você mais desejava e procurava para você durante os longos anos, algo que muitos na espada perdiam e jamais recuperavam, algo que Luannah desejava encontrar: Vida.
    Hans então estendia o braço novamente para que ele fosse capaz de guia-la de volta a mansão, era impressionante para a sua consciência, o tamanho do impacto que esse pequeno jovem de cabelos loiros era capaz de causar em você, em questão de minutos ele já iluminava a sua alma e nutria suas esperanças mais sinceras.

    -Qual opção você me dá além de ser obrigado a visitá-la várias vezes até conseguir meu nariz de volta? E me desculpe por lhe encher de esperanças Pietra, prometo recompensa-la pela enorme desilusão que sofrera!

    Com calma ele conduzia você de volta a mansão, passando pela sala e já indo diretamente para as escadarias. Para enfim entrar em um dos quartos.

    Spoiler:

    -Pronto, entregue. Sinta-se a vontade para tomar um banho, existem vestidos no armário. Acredito que encontrará um que lhe sirva, afinal, uma das grandes vantagens do abraço é a perpetuação da beleza máxima não é mesmo?! Ah, sim, fique com isso. Ligue para Lorenz, eu insisto.

    Ele sorri, entregando-lhe o celular e aguardando apenas a sua resposta para se despedir e deixa-la aproveitar as acomodações do quarto. O quarto era belíssimo, com uma porta de vidro que dava visão direta do jardim exterior, um enorme cama e uma espécie de comodo adjacente, onde havia um breve hall e duas portas, uma levava para um closet e outra para o banheiro.
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    Jess

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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Jess em 26/8/2016, 14:19

    A pequena brincadeira entre os dois irmãos arrancou boas risadas de Pietra, era impossível para a cainita não demonstrar como se sentia perante Hans e sua figura encantadora, voltando a apoiar sua cabeça no ombro deste Pietra deixou-se ser guiada.

    “Fico feliz em saber que Hans não guarda magoas... Ele é uma figura única e sua personalidade suave contribuí para isso... Que Hans seja feliz em seu caminho... Porque ele merece mais do que qualquer cainita que eu conheço...”

    Sorrindo com delicadeza Pietra coçou de leve o queixo de forma pensativa, escondendo o riso que tentava lhe escapar a cainita beijou a face de Hans, os olhos acastanhados da cainita percorreram toda a imagem de Hans buscando ali o cerne de seu irmão.

    As cores que se revelaram, elucidaram qualquer dúvida que Pietra pudesse ter, o brilho da tristeza e amargura de Hans eram cuidadosamente adornados pelo espirito idealista e sereno do rapaz, o amor que nutria o mesmo era adornado pelo brilhar em dourados, dali os pontos pareciam se distribuir por todo o interior do mesmo, tão quente quanto as lembranças do passado de Pietra.

    Suspirando alto a cainita riu baixo, sentia-se confortável ao lado do jovem de uma forma que apenas a lembrança de sua amada irmã Maria era capaz de fazê-lo, as longas noites em que as duas permaneceram juntas a conversar lhe retornavam a mente com delicadeza, a mesma delicadeza que Maria e Hans pareciam compartilhar.

    “Único... Até mesmo seu interior o é único... Hans é um raro caso que confirmam que a esperança é a única coisa que não nos abandona... Maria adoraria conhece-lo... Um encontro entre nós três seria magnifico... Uma pena que isto talvez seja uma coisa que nunca aconteça... Mesmo assim... Seria memorável... Duas almas abençoadas que me são queridas... Que me ajudam a continuar... Meus amados irmãos...”

    - Não se preocupe, pensarei em punições exemplares... Quando me der por satisfeita talvez devolva seu nariz... Talvez não...

    Para dar ênfase em suas palavras a cainita balançou de leve a mão como se estivesse segurando o nariz deste. Não demorou para que a italiana se ver já no quarto que lhe fora destinado, ouvindo as palavras de seu irmão assim como o gesto de entregar o celular Pietra sorriu.

    - Agradeço muito... Lorenz está preocupado e não descansaria enquanto não conversássemos direito...

    Aceitando o celular Pietra beijou de leve a testa de seu irmão acariciando de leve os loiros cabelos, voltando-se para o quarto Pietra sorriu ao perguntar.

    - Você não ficaria chateado se eu lhe pedisse para tomar conta deste vestido? Lorenz se esforçou tanto para consegui-lo, eu não seria digna dele se ignorasse seus esforços...

    Esperando a resposta de Hans para então ligar Pietra respirou fundo sabendo que teria de passar a noite longe da Espada, seus olhos varreram o quarto já se preparando para os cuidados pessoais que teria antes do sono toma-la.
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    Re: Ato XVI - Narrativa de Pietra: Under The Grey Sky

    Mensagem por Danto em 29/8/2016, 16:52

    Delicadamente Lorenz toca o tecido do vestido feito com tanto carinho por Lorenz e responde com um sorriso simpático na face.

    -Cuidarei dele com muita atenção, prometo e o retornarei as suas mãos em perfeito estado... Irmã...

    Ele conduzia a frase toda com bastante tranquilidade, mas uma pausa na mesma chamava a sua atenção, ele demorava alguns instantes, a letra inicial do seu nome chegava a se desenhar nos lábios dele, entretanto, a palavra "irmã" saia e soava com uma felicidade especial. Sorrindo, Hans se despedia com um simples aceno com a mão esquerda.

    -Irei checar Violetta agora, minha irmã, sinta-se em casa.

    E enfim, você estava sozinha. Algo raro, agora que você conseguia refletir sobre isso, sozinha dentro de um quarto. Longe da Espada, longe de praticamente tudo que a cerca e que germina nos jardins que suas próprias mãos cuidaram com tanto esmero. Não havia ali a presença de Lorenz, tão pouco a de Evangeline. A dúvida sobre a segurança de Artur, ou seria Friederich, a devorava lentamente. Como havia acabado o festim? O que estava acontecendo realmente em Berlim? Você não tinha respostas, mas seu coração era apertado por uma sensação ruim, um mau presságio.

      Data/hora atual: 28/6/2017, 12:57