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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

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    Danto
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    Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 19/9/2016, 23:40

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite


    A despedida entre você e seu amado irmão foi feita por um abraço caloroso e um simples: "Você é tudo que eles sempre irão precisar, me ligue quando tudo estiver estável e mande saudações à Lorenz".
    Em seguida, o mesmo se encarregava que chamar um veículo privado para o seu transporte e em alguns minutos você estava novamente a cruzar a cidade de Berlim, do Ocidente para o Oriente. Havia algo diferente dento de você, profundamente sua besta agia de maneira diferente e você não sabia exatamente o quão potente havia sido essa mudança. Refletindo enquanto olhava a belíssima noite de Berlim pela janela do veículo, você consegue se distrair brevemente, mas o táxi estacionava em frente ao Maléfice... Havia chegado a hora de seu retorno.

    Sua saída do carro e o atravessar da rua foram marcados por um silêncio inquietante, a boate deveria estar funcionando à esse horário. Mas uma placa de "fechados" estava pendurada logo na entrada. O primeiro sinal de que algo estava errado... Você então contornava a rua lateral e entrava pelo acesso exclusivo direcionado aos cainitas, não havia nenhum segurança na porta. Era o segundo sinal estranho. No exato instante que você adentrava a amada boate que servia como um ponto seguro para os membros da Espada, seus olhos são surpreendidos por uma luz muito forte. Um holofote era ligado, direcionado contra seus olhos. Com dificuldade você superava aquele clarão e a sua frente estavam todos os membros do Sabá, sem nenhuma exceção sequer...
    Mas haviam faltas ali, muitos pareciam estar desaparecidos, haviam até faces tristes e amarguradas entre os persentes. Haviam também faces irritadas e outras dominadas pela mais profunda admiração. Um grande desastre parecia ter abalado a Espada, o Arcebispo não estava presente. Narses também não. No fundo, sobre o palco, estava Althea. Com uma postura imponente, ela a encarava diretamente.

    -Boa Noite, Rafaldini a Bispo covarde de Berlim.

    A ofensa era arremessada contra você em sua própria casa, arrancando alguns gritos dos membros ali presentes que pareciam em sua minoria, revoltados. A maioria estava na verdade, apática. A figura mais apática era do pequeno Arda, o Assamita líder de uma poderosa linhagem que sempre serviu como a linha de frente da Espada.

    -Sudem o retorno de nosso Bispo! Saúdem o retorno da fundadora da Espada de Berlim, Pietra Rafaldini!

    Era a voz de Elizabeth que cortava os sons feitos a favor de Althea. A bispo Tzimisce entrava pela porta frontal da boate com uma expressão séria e agressiva. Seguida por Caroline, Evangeline, Lunnah, Erik, Rebeka, Sebastian e todos os Lobos. A espada estava fragmentada, alguma coisa realmente terrível havia acontecido. O clima estava instável e os olhos de Althea e Elizabeth se cruzavam, as duas estavam a um suspiro de se desafiarem para uma luta até a morte. No centro da boate, a visão mais preocupante e trágica: O corpo de Friederich, exposto sobre um pedestal improvisado. Ele estava em um torpor profundo. Essa era a tragédia, o último sinal negativo...


    Última edição por Danto em 25/9/2016, 17:19, editado 1 vez(es)
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 20/9/2016, 20:47

    O longo e suave abraço entre Pietra e Hans marcou a despedida e a promessa de contato entre os dois, já dentro do táxi a cainita deixou-se admirar a paisagem de Berlim, a cidade que por muito tempo fora divida ainda escondia seus segredos de Pietra, ainda era uma meia desconhecida para a cainita.

    “Mio Cardeal... Agora a noite realmente começa... Althea será dura na queda... Mas é apenas mais um espinho dos quais já tive de lidar...”

    O silencio na frente do Maleficie não era um bom sinal, parada a frente da boate a cainita respirava fundo sentindo o frio da noite, tomando coragem Pietra seguiu para a passagem lateral recomendada para o uso de cainitas.

    A luz feriu os olhos da italiana, surpresa por ser o foco das atenções Pietra chegou a respirar fundo quando o primeiro ataque de Althea foi feito. Um sorriso calmo se fez no rosto de Pietra, por de baixo de seus lábios as presas longas ganhavam espaço, quando esta iria responder a entrada de Elizabeth a fez manter o silencio, um sorriso gentil se formou nos lábios da cainita ao ver quem acompanhava a pequena Tzicismice.

    “Quantos cairão?! Quantos filhos a Espada irá chorar?! Quantos?”

    Andando até o meio do salão os olhos de Pietra se voltaram para a figura de Friederich, adormecido e exposto daquela maneira a triste verdade que o Arcebispo havia entrado em torpor se abateu contra a cainita, respirando profundamente Pietra ergueu os olhos para Althea em uma pequena mensura.

    - Boa noite Pricus Althea Conthos... Se me permite antes de continuarmos com sua pequena apresentação eu devo colocar em dia meus afazeres...

    Sem dar tempo para que a Malkaviana levanta-se sua voz Pietra se virou para Elizabeth, usando a língua natal da Bispo a italiana sorriu de maneira suave para mesma.

    - Elizabeth... Por favor não caia nos truques dela... Ela esta a lhe provocar, esperando seu ataque para se gabar... Por favor minha irmã não o faça... Deixe que esta humilde aranha te mostre onde a mordida é mais dolorida... Isso eu posso lhe prometer...

    Seguindo em direção de Arda a cainita abaixou a cabeça e os olhos ao se ajoelhar a frente do Assamita, pegando com delicadeza a mão deste Pietra as beijou para então sussurrar.

    - Não posso imaginar sua dor... Mas posso ve-la... Teus filhos caidos... Ninguem ocupara o lugar deles... Homens honrado receberam a homenagem que lhe es digna... Serão lembrados por muitos anos... Berlim não esquecerá da morte deles... Está Espada não esquece daqueles que aqui cairão...

    Levantando-se para então beijar novamente as mãso de Arda a cainita ainda tocou em seu ombro com um leve aperto, abrindo espaço entre a multidão de cainitas Pietra deixou que suas preas alvas ganhassem seus lábios sem se importar, ignorando a dor e qualquer coisa que pudesse lhe retirar o foco Pietra seguiu até a frente de Elizabeth para então abraça-la e lhe sussurar na lingua da Bispo.

    - Quando pequena minha mãe me chamava de Pita... Eu sempre odiei... Mas adoraria que me tratasses assim... Não lhe darei explicações de meus atos... Não aqui e agora... Temos algo muito maior para lidar antes que possamos conversar em paz...

    Beijando a testa da mesma Pietra seguiu então para Caroline, sorrindo de maneira triste esta abraçou a Lasombra apertando-a com força.

    - Herdeira de Narses... Minha irmã... Tenho um conselho para ti... Apenas escute-o e acredite que quem lhe ofereceu a tem em grande conta... Caístes em abismos profundos, de braços aberto e é com os braços abertos que encontrará a luz para seu retorno...

    Passando os olhos por todos aqueles que acompanhavam a pequena comitiva de sua defesa Pietra sorriu feliz, fazendo uma mensura a estes esta ainda andou até a figura de Sebastian, tocando em seus ombros a cainita fez um leve gesto de lhe pedir a bençao, usando o polones com o Sacerdote.

    - Mio querido Sebastian... Posso lhe pedir que ao fim desta crise faças um funeral simbólico aos que cairão?! Se este for meu ultimo e primeiro pedido como Bispo eu me sentiria feliz que tu o realizastes...

    Tocando de leve com a testa nas costas das mãos de Sebastian, Pietra por fim assumiu a frente do pequeno grupo, ficando ao lado de Elizabeth e Caroline a cainita por fim revelou sua verdadeira presença, seus olhos focaram-se apenas em Althea e a ela a italiana se dirigiu.

    - Agora sim podemos começar Althea... Mas não te esqueça que é de minha hospitalidade que abusas...

    Off: Gasto 1 FV pra ativar Majestade. E uso Olhar Paralisante com foco na Althea
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 20/9/2016, 21:10

    Manipulação + Intimidação = 9d10
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Dados em 20/9/2016, 21:10

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 1, 3, 2, 8, 9, 2, 3, 2, 6
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 21/9/2016, 14:09

    Althea já preparava uma resposta quando a sua voz soou alta em direção a Elizabeth, a Bispo que sempre se mostrou violenta por natureza ouvia as suas palavras em silêncio, o que demonstrava que ela havia compreendido exatamente o signficado delas, mas não diminuia a vontade dela que correr até Althea e lhe arrancar os braços.

    Sua aproximação de Arda foi marcada pelo mais profundo dos silêncios, o pequeno e poderoso ancião Assamita levanta os olhos na sua direção. Você via a face negra como o ébano de uma criança triste, os olhos esverdeados dele se destacavam por estarem profundamente vívos. Quando você então se levantava e tocava o ombro do mesmo, ele esticava a mão e tocava o seu vestido em resposta, segurando-o por alguns instantes. Era uma reação forte, que provavelmente nenhum membro da Espada tinha sensibilidade suficiente para compreender, mas era uma demonstração de profunda agonia, ele estava sozinho em meio a uma cena que ele detestava, cercado por desconhecidos que não haviam sequer notado o tamanho de suas perdas. Mas você o via e ele também notava você... Ele estava ao seu lado...

    Em seguida a sua caminhada por entre os membros fois assistida com atenção, nenhum deles ousava ficar na sua frente. Parando em frente a Elizabeth, a pequena e problemática Bispo a abraçava com força e falava em seu ouvido.

    -Pita, é um nome adorável e ligeiralmente provocativo. Assim como Beth... Seremos assim uma para a outra então... Você me deve sim várias explicações, mas eu fiquei feliz por não vê-la no massacre que aconteceu na praça do Teatro, muito feliz. Você não é uma guerreira, mas você é a nossa sabedoria... Sem ela e sem Narses, eu seria como Althea...

    Elizabeth sorria ao receber o beijo na testa e permitia a sua caminhada até Caroline, a Lasombra parecia forte como uma rocha. A expressão que havia levado ela até o posto de Paladino da Espada. Mas a postura dela desmoronava com a sua frase, os olhos castanhos dela brilhavam de uma maneira que só três pessoas de Berlim conheciam: Friederich, Eva e você... A sua frase havia despertado ela para alguma coisa... Monaçada realmente era sábio como poucos nesse mundo.

    A sequência dos seus atos foi marcada pelo pedido de benção à Sebastian. A reação de todos os presentes foi de surpresa, admiração e profundo respeito. Poucos realmente sabiam o quão era importante a figura daquele Samedi para a Espada de Berlim, mas ele não era apenas o Sacerdote dos Lobos, acima de tudo, ele era o primeiro sacerdote da cidade.
    O polonês reagia de imediato, com uma leveza de movimentos, ele morde o dedo indicador e com o vitae escorrendo pelo mesmo, o homem fazia uma cruz a sua frente, sem toca-la, fazia da mesma forma que era feito a muitos anos atrás por padres. Era uma benção verdadeira e sincera.

    -Seu pedido é uma ordem irrefutável, meu eterno Bispo.

    A resposta dele rompeu de vez as faces que a olhavam com desdem ou que apoiavam Althea. Enfim, você se focava na Malkaviana que estava de pé no palco. Sua presença então cresceu e preencheu todos os espaços da boate, imediatamente, todos os membros da Espada que não possuiam postos de renome, se ajoelhavam. Seus olhos então perfuravam a vontade debilitada de Althea e a Priscus ficava paralizada a sua frente, frágilizada, sem apoio. Ela havia sido simplesmente destruida pelas suas ações e palavras... Reunindo todas as forças de seu corpo, Althea recuava.

    -Eu sou um Priscus da Espada de Caim! Tu deveria se portar com respeito e submissão a mim!

    A voz de Arda então reverbera por toda galeria, as palavras do Serafim de Caim eram raras, mas não eram contestadas nem pelo Arcebispo.

    -Somos iguais parante a Lâmina do Pai. Se desejas submissão, você só a encontrará na Torre de Marfim e uma vez lá, a Lâmina do Pai será impiedosa sobre tua carne...

    Arda era um dos poucos que continuavam de pé, em uma de suas mãos havia uma adaga exótica, forjada em detalhes persas e ondulada. Havia um brilho sobrenatural na mesma e as palavras dele eram ameaças tão fortes que Althea recuava ainda mais, com tanto medo que caia ao chão, sentada na sua frente, ela não era mais capaz de falar nada...
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 21/9/2016, 23:46

    Consciente de que cada olhar estava direcionado para sua imagem, Pietra sorriu em resposta ao movimento de Arda, apertando com leveza o ombro desta a cainita apenas se limitou a acenar positivamente para o Assamita de olhos verdes.

    “A dor dele... Nunca a sentirei igualmente... Mas tentarei alivia-la...”

    A cainita sorriu feliz diante das palavras de Elizabeth, o reconhecimento recebido pela agressiva Bispo era um passo do qual Pietra não esqueceria. O brilho do olhar de Caroline apenas aumentou o sorriso da italiana, as palavras claramente de Monçada haviam causado efeito e mais do que nunca reconhecidas pela Lasombra.

    “Nunca serei igual a Narses... Não possuo a experiencia do mesmo... Mas não permitirei que a espada se torne barbara... Não enquanto eu puder...”

    Com a benção de Sebastian, Pietra assistiu sem nenhum movimento toda a cena que se decorreu, o uso de seu poder sanguíneo era algo que a mesma evitava, mas o conselho dado por Monçada estavam sendo seguidas a risco.

    Quando as palavras de Arda se fizeram ouvir Pietra deu um passo a frente, levantando com delicadeza a mão na direção do antigo Assamita a cainita fechou os olhos em respeito a queda de Althea.

    - Por favor... Abaixe sua lamina Arda... Já tivemos sangue derramado em demasia... Nesta noite não permitirei que isso torne a acontecer...

    Andando até ao lado de Friederich, Pietra colocou a mão sobre as do Arcebispo, seus olhos castanhos voltavam a se concentrar na figura de Althea, respirando fundo Pietra depositou um leve beijo na testa de Friederich arrumando seu cabelo com delicadeza.

    - Conheço teu posto... Reconheço seu lugar... O trabalho que tiveste a chegar até onde estas... Mas não sou uma covarde... Se perdemos tantos diante de teu comando... Quantos teríamos perdido diante do meu? Não nasci para lutar... Apesar dos calos, minhas mãos não conhecem o peso de uma espada... Mas isso não me impediu de criar esta... Tive grandes mestres na servos da Lamina do Pai, Althea... Não despreze o que eu aprendi com eles...

    Virando-se para Elizabeth, Pietra sorriu ao comentar em sérbio.

    - Pronto Beth... Agora podes dar sua mordida... Ela será dolorida e num lugar que demora a cicatrizar... Mas lhe peço... Sem derramar sangue... Vamos respeitar os caídos e perdidos... Mas por favor... Morda com força e morda por minha pessoa...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 22/9/2016, 00:32


    -Assim será feito, Senhora Rafaldini.

    Respondeu Arda com sua voz marcante e poderosa, ele tinha a altura de uma criança mas não se portava como uma, a verdade é que o simples olhar de Arda era motivo de pânico e as lendas diziam que quando o mesmo abaixava seu gorro, a morte sorria.

    Althea seguia sentada no chão, tomada pelo medo e simplesmente incapaz de reagir quando as suas palavras eram direcionadas a Elizabeth. A Tzimisce fazia uma enorme reverência, ela havia aceitado o convite. Caminhando sem nenhuma pressa, ela parava em frente a Arda e estendia a mão direita.

    -Preciso de seu punhal meu Serafim. Deixarei uma marca eterna em nossa convidada...

    Confiando profundamente em Elizabeth e em você, Arda cedia o próprio punhal para a mulher eslava. Ela sorria em forma de gratidão e desfilava em direção ao palco da boate. Todos os olhos se voltavam a ela. Eva estava profundamente apreensiva, mais ao fundo você notava a presença das duas distantes anciãs, Prya e Nikolayevna. Ambas se levantavam de seus assentos, incrédulas. Elas sabiam o que estava por vir...
    A Bispo então subiu no palco, com um diabólico sorriso na face e avançou contra o corpo de Althea, essa por sua vez tentou se proteger. Escondendo o rosto com as mãos. Mas Elizabeth segurava algo diferente na mão esquerda... Era a aura de Althea. Exposta para todos como um quadro em três dimensões e volátil. A cor primária da aura dela era o laranja que simbolizava o sentimento de amedrontamento, a segunda cor era o amargurado marrom e em seguida era possível ver um fluxo forte de cores mistas que indicava uma forte confusão. Era estranho, nenhum poder cainita deveria ser capaz de expor a aura de alguém daquela forma, como se fosse uma tabula rasa prestes a ser talhada, um quadro branco segundos antes de ser pincelado pela primeira vez.
    Com o punhal em mãos, ela cravava o mesmo sobre os fluxos confusos de cores da aura de Althea. Arrancando de dentro do mesmo uma linha branca profunda, tridimensional que se assemelhava a uma linha feita por um pincel de nanquim. Com o punhal ela literalmente esculpia algo na aura da Priscus que não era capaz de reagir... Aos poucos, você visualizava as oito pernas brancas, um tronco fino e tortuoso. Uma aranha. Todos os membros da Espada olhavam para a cena, surpresos, estasiados e confiantes. Uma confiança de que ninguém sairia ileso por desrespeitar um membro da Espada de Berlim, nem mesmo um antigo Priscus.

    -Para toda a eternidade, até que tua morte final lhe transforme em cinzas. Tu serás marcada pela Aranha. Saberás e carregarás a vergonha de ter subestimado a Rafaldini il Ragno... Agora vá, tu não és mais bem vinda em Berlim! Recolha-se a vossa insignificância!

    A voz dela rompia o silêncio daquele arte que ela esculpia com maestria na aura de Althea, essa por sua vez se levantava e saia correndo do palco. Tomada pela vergonha, ela certamente jamais voltaria a Berlim.
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 22/9/2016, 22:32

    O assentimento de Arda fez com que Pietra sorrisse delicadamente para o mesmo, os gestos do Assamita eram sempre motivo de medo e respeito por todos, mas ter visto os olhos verdes e vivos do medo faziam com que a italiana o visse de outra forma.

    Durante todo o movimento de Elizabeht e a cena que se protagonizou Pietra pode sentir a apreensão de Eva, a surpresa de Nikolayevna e Priya, mesmo assim a cainita não se moveu ou transpareceu seus sentimentos. Mais do que ninguém Pietra se surpreendeu com a ação escolhida por Elizabeth, o desenho e as palavras finais da mesma fizeram com que a cainita apertasse de leve a mão de Friederich exposto ao seu lado.

    “Sei que deixei Elizabeth ir longe demais... Sei que isso sera uma mancha na imagem da Espada... Mas Althea quis governar quando seu dever era aconselhar... Quis roubar o trabalho duro de outros... Não permitirei que Elizabeth sofra retalhações, que ninguém dessa Lamina sofra por minhas escolhas...”

    Respirando fundo a cainita rumou até o altar, sorrindo com delicadeza esta tocou na mão de Elizabeth perguntando em sérbio.

    - Esta humilde aranha fez bem o papel de lhe mostrar o ponto da melhor mordida irmã? Agora lhe devo explicações... Mas acredito que seja bom uma conversa privada... E mais do que nunca parar de expor o Arcebispo desta maneira...

    Tomando delicadamente o punhal de Arda para si, Pietra se virou para seus aliados pedindo em voz alta.

    - Mios amatos Erik e Luahnna, poderiam me fazer o favor de acompanhar a Pricus Althea... Para segurança da mesma... Acredito que neste momento ela precisara de um pouco de ajuda...

    Beijando a testa de Elizabeth a cainita se dirigiu até a figura de Arda, uma longa e educada reverencia foi feito para o mesmo.

    - Fico grata com suas palavras de apoio... Sei que não gostas de estar entre muitas pessoas, então caso precise eu lhe ofereço o escritório do Maleficie para se recompor... Se o desejares é claro...

    Esperando pela resposta do cainita, Pietra por fim andou até as anciãs, Nikolayvna e Prya, saudando-as educadamente a cainita suspirou com um leve sorriso.

    - Primeiramente... Agradeço sua ajuda Prya... Durante o sono recebi a ajuda de um de seus mensageiros... Não conheço a real natureza do que vi, mas lhe sou grata pela ajuda... Tenha certeza de que a retribuirei se me pedires... Segundo... Senhora Nikolayeva, eu gostaria de ter uma conversa em particular com sua pessoa... Tenho certas duvidas a serem sanadas... E acredito que você posso nos ajudar quanto ao torpor do Arcebispo... Ele é uma peça essencial para as proximas noites... Sua ajuda e sua opinião sobre isso seria de extrema importância...

    Seguindo para Evangeline, Pietra a abraçou com força deixando que seu coração por fim descansasse mesmo que por breves instantes de seu posto, sorrindo com cuidado Pietra se afastou para então beijar as mãos de Eva.

    - Bella... Sinto em ter-lhe preocupado... Mas terei que abusar de sua boa vontade... Podes me listar os nomes dos caídos e desaparecidos... E mais do que nunca ligar para Lorenz e acalma-lo... Queria eu poder faze-lo... Mas terei longas conversas... Temo que não possa evita-las...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 24/9/2016, 15:52

    Elizabeth observa a sua aproximação da parte elevada da boate, sorrindo para você ela falava no próprio idioma natal, a voz dela era muito mais doce e suave assim, parecia até a voz de uma cantora devido ao enorme potêncial que as notas por trás daquelas pronuncias alcançavam naturalmente.

    -Fico muito grata irmã, essa mordida deixará uma cicatriz eterna... Vamos sim conversar em algum outro lugar e se me permite, eu mesma irei tirar o Arcebispo daqui e leva-lo para os aposentos dele.

    Elizabeth não fez nenhuma resistência a sua ação de tomar o punhal, ela não pretendia ferir ninguém naquela situação, sorrindo delicadamente após o beijo que recebera na testa, ela realiza um salto suave para que ela chegasse rápido no piso da pista de dança da galeria e caminhando até o centro ela começava a tirar o Arcebispo de sua exposição.

    Erik e Luanah não respodiam, apenas simbolizavam com movimentos breves com a cabeça que haviam entendido o seu pedido e prontamente se colocavam em deslocamento em direção a Althea que correra para o subtarraneo local.

    Arda esticava a mão para pegar o punhal e respondendo de maneira simples, ele já começava a se encaminhar para o escritório do Malefice.

    -Não existem razões para me agradecer, faria isso por todos dignos de empunhar a Espada do Pai, irei sim utilizar o escritório, Bispo Rafaldini...

    Você já notava um disperçar natural dos membros da espada, alguns iam até o bar da boate, outros começavam a se sentar. O clima estava bem mais calmo e a sua caminhada até as duas mais antigas da Espada local foi feito sem interrupções, elas estavam sentadas lado a lado, bem distântes de toda a aglomeração. Prya usava um vestido verde musgo bem longo e de tecido pesado, ela parecia suja de terra e lama, com um pouco mais de atenção você notava que não era "sujeira" era o que ela sentia como natural. Ela retribuia as suas palavras, falando em italiano.

    -Meus pequenos passaros voaram enquanto todos estiveram sobre a maldição do sonhar, algo de muito estranho estava acontecendo e algo precisava ser feito. Uma das facetas a encontrou, assim ela me disse, presa em seu passado em Paris. Saiba que apenas os mais sensíveis e impares são capazes de encontrar uma das facetas...

    Em seguida, foi a vez da mais macabra e aterrorizante membro da Espada de Berlim se pronunciar, quando a voz rouca dela ressou por dentro daquela caveira sinistra, todos fizeram silêncio, os mais jovens se encolhiam instintivamente. Era como ouvir o sussurros dos mortos...

    -Assim a senhorita terá... Irei esperar vossa convocação formal para a reunião.

    Enfim você conseguia chegar até Evangeline, a loira a abraçava com força e sussurrava em seu ouvido, em frânces.

    -Eu fiquei tão feliz em não vê-la no campo de batalha, meu amor, foi um massacre tão dessesperador, tão horrivel! Aliados enfretaram aliados, o monstro era implacável, o abismo...

    Em seguida ela soltava o abraço e sorridente, ela respondia em alemão para responder aos seus pedidos de maneira mais pública.

    -Claro minha cara, irei imediatamente entrar em contato com Lorenz. Albert esta em meu quarto no nosso refúgio, irei convoca-lo também, afinal, não existem mais riscos... E recomendo que vá logo para a suas reuniões com os Bispos, muitas coisas precisam ser ditas...
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    Jess

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 24/9/2016, 18:40

    A sonoridade da voz de Elizabeth em sua própria língua fazia com que Pietra sorrisse, quando a Bispo se ofereceu para recolher o corpo de Artur a italiana concordou com um leve aceno.

    - Agradeço... Temos que ligar para o servo de Artur... Ele cuidara para que a Priscus tenha os recursos e a maneira adequada para sair de Berlim... Pelo menos é o recomendável nestes casos...

    “Elizabeth possui uma voz bonita... Ela deve ter sentido falta de ouvir o idioma natal... Isso se Narses não o tiver aprendido.... Narses...”

    Comentava a cainita antes de Elizabeth saltar para a parte mais baixa da boate. Diante da figura diminuta de Arda a cainita manteve um sorriso educado em seu rosto, fazendo uma pequena mensura ao ancião.

    - Ainda assim fico grata... Mesmo que não haja necessidade... Use o escritório pelo tempo que precisar, garantirei que ninguém lhe incomode... Sebastian logo deve homenagear os caídos... Sinto que isso seja o máximo que eu possa oferecer... Se houver algo de que precises ou queira, por favor me procure... Farei o possivel para ajuda-lo...

    Diante do movimento dos cainitas que aos poucos voltavam a seu cotidiano, um suspiro aliviado se apossou da cainita, mais do que nunca Pietra sabia que Erik e Luahnna cuidariam de Althea e que o confronto havia terminado da melhor maneira possivel.

    “Espero que Monçada aprove a força da mordida de Elizabeth... Porque se não eu terei um belo puxão de orelha... Não que não seja merecido...”

    Pyra e sua naturalidade fizeram com que a cainita risse baixo, as possiveis sujeiras que encomodariam qualquer um apenas serviam para realçar a cainita.

    - Toda Espada lhe agradece... Sem seus passaros temo que teriamos demorado ainda mais a acordar... Por favor agradeça sua faceta em meu nome... Ela me foi encantadoramente de grande ajuda...

    A voz de Nikolayeva ressou grave nos ouvidos de Pietra, a cainita por sua vez manteve em sua face toda a educação que possuia sem demonstrar por nenhum instante qualquer forma de desagrado.

    - Pedirei que alguém lhe convoque quando chegar a hora... Espero apenas não atrapalhar seu afazeres...

    A frente de Eva a cainita não conseguiu esconder o alivio de saber que sua companheira não guardava rancores, rindo com isso Pietra ouviu atentamente as palavras de Eva, ainda segurando a mão desta Pietra a beijou lhe respondendo em frances.

    - Tens razão... Sei que lhe devo respostas... E as teras quando tudo estiver terminado... Por favor apenas as espere... Ah, eu ofereci seu escritório para que Arda pudesse se recompor, ele não gosta de multidões e acredito que esta esposição toda não tenha feito bem a ele... Cuide para que não falte nada e que ele não seja incomodado... Não posso imaginar o resultado dessa pequena contenda sem a ajuda dele...

    Se despedindo de Eva, Pietra rumou para seu próprio escritório, a reunião aconteceria ali afastada de qualquer ouvido atento.

    “ Deus... Que Althea não tenha destruido minha Galeria... Caso contrário Lorenz vai querer arrancar os cabelos dela...”

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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 25/9/2016, 18:33

    A porta do seu escritório era aberta pelas suas mãos, o local estava silencioso e calmo. Um contraste enorme se comparado ao cenário de minutos atrás na boate, a distância também auxiliava nessa calmaria, seu escritório ficava na galeria. Lá estavam todos os seus móveis, postos nos exatos lugares e impecavelmente limpos e polidos, um trabalho tipicamente feito por Lorenz e seu perfeccionismo artístico.
    Era um alívio, você começava a notar com mais profundidade esses segundos de solidão que algo estava muito diferente dentro de ti, primeiro, havia saudade da presença de Hans. Mas não era uma saudade sentimental ou física, era a sua besta que parecia perguntar onde ele estava. Além da saudade e certamente mais forte do que ela, existia a sua respiração natural e alguns pequenos impulsos. A lembrança de Hans levava a maça e sua boca salivava levemente, você sentia uma leve fome, um desejo de comer... Isso simplesmente não acontecia a quase quinhentos anos! E sua saliva não era sangue, era vivia, humana e o sabor dela na sua boca era de água.

    Uma leve batida na porta interrompia a sua autorreflexão, pela porta do seu escritório entravam duas mulheres. Elizabeth e Caroline. A Tzimisce sorria ao vê-la novamente e se aproximava para lhe saudar com um beijo na face e se sentar em uma das cadeiras, Caroline fechava a porta e em silêncio ela também se sentava.

    -Está tudo bem Pita?!

    Indaga Elizabeth.
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 25/9/2016, 21:57

    Um suspiro pesado escapou de Pietra quando esta adentrou no escritório de sua Galeria, o silencio que a acompanhou a fez sorrir, deixando a porta recostada a cainita se direcionou para as poltronas em volta da pequena mesa de centro.

    “ Finalmente em casa... Mia casa... Logo tudo estará em ordem...Pelo menos assim espero...”

    Todos os detalhes conhecidos pela cainita estavam em seu devido lugar, até mesmo a limpeza e arrumação feita por Lorenz e seu inconfundível perfeccionismo, em silencio Pietra podia ouvir claramente sua respiração aos poucos mostrar-lhe que havia voltado, até mesmo a besta sempre em controle demonstrava estar diferente do comum.

    Tudo em Pietra protestava pela saudade que já sentia de Hans, sua presença cálida e encantadora parecia nutrir a cainita de maneiras que a mesma não compreendia, porem a surpresa veio com o desejo esquecido, o simples lembrar da maçã mordida por Hans fez com que Pietra salivasse, a água em sua boca sempre seca a deixou surpresa.

    Incapaz de reagir, Pietra simplesmente sorriu no mesmo instante que a batida se fez ouvir, as presenças de Elizabeth e Caroline interromperam qualquer ação que a italiana pudesse fazer. Sorrindo ao receber o beijo de Elizabeth, Pietra deu de ombros ao oferecer as poltronas.

    - Creio que sim... Mas ainda não tenho total certeza Beth... De qualquer forma isso pode esperar por alguns tempo... Eu acredito assim...

    Balançando suavemente a cabeça, Pietra esperou até que Caroline e Elizabeth se sentassem para então começar a falar:

    - Primeiro devo desculpas a vocês duas... Durante o Festim, Lorenz foi procurado por Wilhelm e o Senescal Peter, o Senescal na verade se revelou ser Magnus irmão de sangue e maldição de Gustav... Ambos vieram pedir para que Artur e eu participássemos do Conclave, para ajudar na banca acusadora contra Gustav... Fiz com que Lorenz fosse chamar Artur diante desta situação... Diante de Wilhelm descobri que Artur é na verdade Friederich, a terceira prole de Gustav... Não posso dizer se foi ele mesmo que modificou sua memória, não sou uma especialista no uso de Dominação... Wilhelm nos garantiu que o Conclave daria um fim na existência de Gustav, para isso ele contaria com a presença e o apoio de Hardestat, o Jovem... Com a promessa de que nenhum mal nos seria feito aceitamos... Wilhelm não mentiu quando mencionou o nome de Hardestat, e dele descobri que Elonzo havia proposto uma caçada de sangue contra meu nome... Por algum motivo ele recusou...

    Sentada diante de suas Caroline e Elizabeth, a italiana repassava todos os detalhes da noite anterior, mais do que nuca precisava dividir o que havia acontecido, contar a verdade.

    - Adentramos no Conclave como convidados, vi Wilhelm e Katarina acusarem Gustav, declarar em voz alto todos os horrores e crueldades que este havia feito... Antes de que qualquer outra coisa fosse feita ou dita... A figura da Imperatriz me dominou... Eu a vi a minha frente e tremi de medo... Ela me ordenou que pronunciasse sua chegada... Quando ela me libertou de seu controle o fiz... O simples controle dela quebrou meus joelhos... Depois do anuncio o Conclave se deu por encerrado, o caos tomou todo o lugar... Em meio ao caos aquela que foi minha protetora em Paris, Violetta me retirou do Teatro... Não tive tempo de conversar com Friederich, muito menos de ouvir o que ele teria me dito... Violetta estava sobre o nome de Antoniet, ela me levou para o Refugio Toreador em Berlim ocidental... Foi lá que passei a o dia..
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 26/9/2016, 22:31

    Elizabeth reagia a cada nome citado, a cada situação mencionada. Ela sempre foi um enorme mar confuso de emoções e instintos e não seria diferente diante de tantas informações apresentadas, ela demonstrava desprezo pelo nome de Hardestat e claramente não parecia nem imaginar o tamanho do nome de Violetta, afinal, ela era de uma outra região da Europa. Mas mesmo assim, ela cruzava os braços na sua frente e respondendo imediatamente após você:

    -Nós lutamos contra a Imperatriz... Junto com os Anarquistas da cidade, na praça em frente ao Teatro onde o Conclave ocorreu... Pita... Nós vimos Artur, digo, Friederich de pé ao lado dela e disposto a nos destruir também. Nós vimos nossos maiores líderes e aliados sendo dobrados pela presença daquele monstro! Althea nos levou sobre a proposta de um Festim de Guerra, na ausência de vocês nada pode ser feito para segura-la... Lá encontramos uma guerra que nunca vai sair dos nossos olhos! Eu vi Arda degolar um filho. Eu vi Diane ser devorada por Leonah. Luanah e Oleg batalhavam contra Steef... Nossa, me faltam palavras para descrever tudo...

    A voz de Caroline, que até agora estava distante de mais para reagir a qualquer coisa dita por vocês duas até então interrompeu Elizabeth.

    -A guerra contra os antigos se repetiu em frente aos nossos olhos. E o fim, o fim veio com uma ação de Narses... Ele conjurou o mais profundo dos profanos e o atirou contra o centro daquela praça, devorando a Imperatriz. Devorando Artur. Devorando o próprio Narses e por fim, devorando Correlli uma das mais importantes figuras da história cainita... Em seguida, o abismo se abriu e as criaturas saíram de lá, famintas por nosso vitae. Todos aqueles que você viu hoje, Pietra, sem exceção, dentro daquela Boate... São sobreviventes de algo terrível. Nós passamos a noite inteira lutando pelas nossas vidas... Sacrificando nossos aliados e chorando por nossas perdas. Por isso Althea ganhou tanta força, ela estava lá.

    Elizabeth fechava a face e descruzava os braços, incomodada com o assunto ela não comentava mais nada, era um silêncio que servia muito bem para concordar com tudo que havia sido dito por Caroline. E a Lasombra seguiu falando:

    -Enquanto nós lutavamos, você está em um lugar seguro. Eu fico feliz por isso, sua presença é essencial para a Espada e ainda mais com o torpor do Arcebispo... Mas entenda que essa amargura ficará no fundo do paladar de muitos dos membros locais. Sua vitória sobre Althea e sua conquista de confiança do Arda, são coisas importantes e certamente são as coisas que garantem que nenhum dos membros lá fora a desafiem para um combate até a morte... Mas eu não irei mentir para você Pietra, você terá a resistência de muitos e a admiração de outros tantos, cuidado.
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 27/9/2016, 11:57

    Pietra estudou cada reação de Elizabeth, era sempre uma atividade difícil e complexa, da qual a cainita poucas vezes obtinha resultados, quando as palavras da mesma começaram a ser pronunciadas Pietra se recostou na cadeira cruzando as pernas enquanto ouvia.

    “O teatro se transformou em um pandemônio... Eu teria sobrevivido a isso?! Mesmo que eu estivesse segura... Eu tinha que seguir Violetta... Ela não me deixou escolhas quanto a isso...”

    Abaixando a cabeça em sinal de respeito Pietra permaneceu em silencio durante toda a fala de Caroline, algo na Lasombra já havia mudado, voltado a ser a velha Caroline que Pietra havia conhecido em Madrid.

    - Não fique feliz pela segurança da qual eu dispus... Violetta era prole de Villon... Mesmo que eu tivesse tentado não teria forças para me equiparar a ela... E ela veio a Berlim saber se sua criança adotiva estava bem... Agora repousa em seu sono...

    Levantando-se Pietra andou até Caroline para se ajoelhar a sua frente, tomando suas mãos com delicadeza a cainita sorriu da maneira breve.

    - Não serei hipócrita... Não diante de você minha irmã... Tu cuidaste de Eva e eu quando adentramos na Espada... Ouvirei seu conselho, farei com que esse gosto amargo desapareça... Não deixarei que esta contenta recaia sobre os ombros de mais ninguém... Devo isso a Espada e a todos que aqui estão...

    Beijando as mãos de Caroline, Pietra permaneceu ajoelhada a sua frente era a demonstração de todo o respeito e consideração que tinha pela mesma.

    - Foste tu que trouxe Friederich de volta? Eu vi o abismo uma vez... Temo pelos horrores que todos presenciaram... Sei que o que vi não se compara a isso... Mas farei meu melhor para ajuda-los...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 27/9/2016, 13:13

    Apesar das roupas e a maneira de pentear o cabelo ainda fosse referente à diablerista de Luxemburgo, uma alcunha que a transformou em algo completamente diferente. As roupas dela eram sempre escolhidas com a intenção de deixar o corpo a mostra, usando um top preto de tecido elástico que se agarrava com força no tronco dela, uma calça de couro extremamente justa e botas de cano alto cheia de amarras e encaixes metálicos. Os olhos dela observavam a sua aproximação, ouvindo as suas palavras, a Lasombra inclina o tronco para frente e levando as duas mãos na sua face, ela a segura com carinho e suavidade.

    -Eu agradeço muito suas palavras Pietra, muito... A luta havia acabado e eu não encontrava Artur em nenhum lugar, sem pensar muito, me atirei no abismo a procura dele... Fiz isso por tudo que passamos juntos em Berlim, tudo... Entenda, eu fiquei profundamente feliz com a sua ausência. Se a tua luz não existisse para conduzir a espada que se encontra mergulhada agora em agonia, tristeza e escuridão...Eu tenho certeza que nos entregaríamos a barbárie, é o caminho mais fácil. É onde eu estou agora e é de onde eu desejo profundamente sair...

    O toque gélido das mãos de Caroline causavam um efeito diferente na sua besta, ela não demonstrava nada no seu corpo, mas você a sentia reagir na profundidade do seu ser. Era uma reação negativa, como se ela tentasse lhe dizer que o toque gélido não fosse algo bom, para provar isso, ela mais uma vez fazia questão de forçar a lembrança do calor do toque de seu irmão. A besta deveria afetar sempre o corpo do cainita, essa era a verdade que todos conheciam, mas não era assim que a sua reagia. Por outro lado, as palavras de Caroline era fortes e carregadas de sentimento, principalmente a parte final que soava como um pedido de ajuda.
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 27/9/2016, 23:36

    O toque de Caroline, suave e frio fez com que Pietra estremecesse, a besta porem fez questão de alertar Pietra, indicar-lhe que o frio era perigoso e ruim, que apenas o calor de Hans lhe era bom.

    “ Por que isso agora?! Ahhh Hans... Como podes ser tão cruel comigo assim... Roubaste uma parte minha e poste minha besta em uma coleira...”

    Segurando com leveza as mãos de Caroline, Pietra as beijou para então colocar uma mecha de cabelos da lasombra presa atras de sua orelha.

    - Não sei se sobreviveria ao que aconteceu... Muitos mais fortes e queridos do que eu caíram... Eu... Precisava fechar um capitulo de minha vida que ficou mal resolvido... Não sei como ele continuará, mas os mal entendidos já foram desfeitos...

    Comentava a cainita ao beijar a testa de Caroline, sorrindo de leve Pietra deixou que a besta reclamasse do frio, mais do que nunca Pietra entendia o pedido de Caroline.

    -  Mia sorella... Estou aqui... Cuidarei de ti do mesmo modo que já o fizeste comigo... Eu lhe devo muito... Devo uma parte de meu coração... Então por favor se o quiseres cobre... Eu abrirei um espaço só para você nele... Posso lhe garantir que isso me deixaria feliz...

    “São nossas alcunhas algo mais do que palavras?! Será que a Aranha me modificara do mesmo modo que aconteceu com Caroline?!”

    Levantando-se com delicadeza Pietra sorriu ao abraçar Caroline com leveza, voltando os olhos para voltar-se a Elizabeth.

    - Isso serve para você também Beth... Caso queira uma companhia ou apenas uma boa conversa em sérbio, me chame... Estarei aqui para você...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 29/9/2016, 18:38

    Caroline se levantava junto contigo e retribuía o seu abraço com afeto, talvez até um pouco mais apertado do que habitualmente seria e falando bem baixo no seu ouvido, para que apenas você ouvisse.

    -Eu não sei como você falou aquela frase pra mim Pietra... Mas ela me atingiu com força e eu estou apavorada porque não consigo mais encontrar o meu chão... Eu serei eternamente grata a Violetta por ter tirado você de lá, eu estava me tornando um verdadeiro monstro...

    Elizabeth se levantava e sentava na quina da sua mesa e cruzando os braços observando vocês. Ela prontamente sorria ao ouvir a sua ultima fala. Caroline se distanciava do abraço, mas você via os olhos dela marejados pelo vitae dela... Ela estava a procura de luz, quantos outros mais não estariam na mesma situação que ela nesse momento?!

    -Oh Pita, sabes que eu me transbordo de felicidade só de saber que você dedicou seu tempo para aprender o meu dialeto nativo. É um elogio enorme que eu não serei capaz de retribuir... Sei que nossa relação nunca foi boa, eu sou tudo que você não é. Mas me falta a graciosidade que sua amada Eva possuí naturalmente, logo, sou uma bárbara e você uma verdadeira princesa... Mas eu realmente tenho dificuldades em me expressar e me abrir. Sinto inveja de vocês duas por se abrirem tão facilmente... Mas na noite anterior, eu perdi o homem que eu acreditava ser o único. Não irei chorar, não consigo. Mas eu irei sentir falta e posso me comportar como uma selvagem... E lhe dou a autorização de me agarrar pelos cabelos se necessário for, ou melhor, eu preciso que você me traga de volta dos meus excessos...

    Caroline prontamente completava.

    -E nós sabemos como é ter a necessidade de fechar um capitulo de nossas vidas, todas nós vivemos muito. Não somos crianças da noite... Eu a respeito profundamente Pietra e sei que o que você fez foi necessário. E agora por favor, nos diga o que está acontecendo contigo... Você está respirando involuntariamente e sua pele não está mais tão branca quanto era...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 29/9/2016, 20:24

    As palavras de Caroline fizeram com que Pietra sorrisse, respondendo a intensidade do abraço esta sussurrou em espanhol baixo:

    - Um dia eu te conto... Um dia...

    “Divino Monçada e suas palavras... Trouxe Caroline do inferno para a terra... Ela terá meu apoio para seguir pelo caminho que escolher...”

    Sorrindo em resposta as palavras de Elizabeth, Pietra concordou com um leve aceno ao comentar.

    - Não a vejo como uma bárbara... Pelo contrário... Vejo em você a força que não possuo... Sei que não serei capaz de ocupar o lugar de Narses... Também não o quero... Se nossa relação não foi boa, agora esta na hora de que isso mude... Eu serei a razão e tu a força... Tenho certeza de que isso será bom para ambas...

    “Elizabeth não imagina o tamanho de sua força... Hoje ela demonstrou isso diante de toda a Espada... Se ela pelo menos não se entregasse a fúria tão rápido... Sei que ela tem seus motivos... Mas ela está tão perdida... Quantos mais dentro da Espada também estão?!”

    Escolhendo uma das poltronas para se sentar Pietra não conseguiu esconder a face surpresa diante da pergunta de Caroline, quase que instantaneamente corando a cainita riu ao afundar na poltrona confortável.

    - Não imaginei que seria tão visível...

    Comentou Pietra ao brincar com as próprias mãos enquanto escolhia as palavras certas.

    - Eu... Acredito que dei um passo em direção de Maria... Estudei por longos anos com ela e acredito que agora tenha compreendido alguns aspectos da filosofia que discutimos... Devo dizer também que... A última prole de Violetta, meu irmão mais novo Hans tenha me ajudado nisso... Sinceramente antes de vocês entrarem eu desejava perdidamente dar uma bela mordida em uma maçã... Ainda sinto isso e chego a salivar só de pensar...

    Sorrindo de maneira tímida Pietra se encolheu um pouco enquanto falava, era certo que Hans havia tido sua parcela de influencia na cainita e a besta respondia prontamente ao simples mencionar de sua figura.

    “Me sinto uma criança que acaba de aprontar... Talvez eu o tenha feito... Mas tenho o perdão de minhas irmãs...”
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 30/9/2016, 13:50

    Elizabeth continuava sentada sobre a mesa, acompanhando a sua movimentação com os olhos, ela se virava para olhar diretamente você e sentava nas próprias pernas ainda em cima da mesa. O corpo pequeno da Bispo e bem flexível a ajudava a fazer tal ação de maneira assustadoramente natural e sem nenhum esforço.

    -Eu concordo contigo Pita, isso será excelente para nós duas...

    Então as duas paravam para ouvir as suas explicações. Caroline se surpreendia bastante e Elizabeth parecia não ter compreendido exatamente sobre o que se tratava e até fazia uma pequena expressão de asco quando você falava sobre maça.

    -Pietra, você está salivando? Após passar apenas uma noite com esse Hans?! Você tem noção da grandiosidade do que você está nos falando?! Permita-me a indelicadeza de perguntar se é saliva ou vitae... Pelo amor de deus, me diga que é vitae porque se for saliva humana eu não saberei como reagir!

    Comenta Caroline, claramente surpresa. Elizabeth por outro lado, parecia bem a vontade com o assunto e completava.

    -Meu Senhor me disse que conheceu um Salubri uma vez que comida, respirava, chorava lágrimas e sentia frio. Sempre achei bem surreal a ideia, mas meu Senhor jamais mentiria para mim... Acredito que eu ainda tenha esses manuscritos em algum canto do refúgio do meu Senhor.
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 30/9/2016, 22:33

    Pietra riu baixo com a reação de Caroline, cruzando as pernas com cuidado a cainita permaneceu pensativa por alguns instantes antes de responder Caroline.

    - Por favor Caroline... Acalme-se... Não estas sendo indelicada... E sim é saliva não vitae... Posso reconhecer bem a diferença... E sim posso compreender bem o que estas a pensar... Nem eu mesma compreendo perfeitamente isso... Minha besta também esta diferente e isso sinceramente chega a ser um pouco assustador...

    Apoiando os cotovelos nos braços da poltrona Pietra respirou profundamente enquanto apoiava sue queixo em suas mãos, lambendo os labios a cainita ainda sentia a vontade de ter o gosto doce em sua boca, até mesmo sua besta parecia curiosa com isso.

    “ Uma noite e toda essa mudança... Pode parecer pouco a primeira vista... Mas eu tenho 500 anos... Esse tipo de coisa é grandiosa demais para não ser notada... Ahhh Hans... O que tua presença faria a Caroline?! Quando eu poderei apresenta-los? O quanto ela vai lhe amar mio amato fratell?!”

    Olhando para Elizabeth a cainita concordou de leve com a cabeça ao pedir.

    - Se não for lhe pedir muito... Poderias procurar estes pergaminhos?! Acredito que eles seriam uteis... Ou pelo menos me ajudariam a entender essa mudança com mais facilidade... Isso é claro se não lhe for indelicado adentrar no refugio de seu senhor... Não quero que tenhas problemas com ele por minha causa.


    Desarmando a longa trança, Pietra se recostou na poltrona deixando que uma das pernas caísse para fora e balançasse suavemente.

    - Temos assuntos mais importantes para serem tratados... Posso lidar com essas mudanças... Mas temos que resolver a questão do Torpor de Friederich... O servo dele já deve estar cuidando para que Althea tenha todos os cuidados ao se retirar de Berlim... Pelo menos disso não teremos que nos preocupar... Não enquanto Althea não chegar em outra Espada...
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 2/10/2016, 20:13

    Caroline ficava boquiaberta e simplesmente demorava demais para ter qualquer reação, mas era mais uma vez a personalidade impulsiva e nada sutil de Elizabeth que dominava a atenção de todas. A mulher joga o corpo para frente e caindo com os dois pés juntos no chão ela se aproximava de você e apontava para a sua perna exposta.

    -Você tá ficando corada Pita, vou urgentemente buscar esses pergaminhos! Eu sei que para você isso é algo lindo e positivo, mas muitas ideologias da espada desprezam a humanidade, será primordial que você saiba como mascarar essa sua mudança em público entende?! Eu vou lá, não se preocupe que o meu Senhor só dorme a tanto tempo, acho até que ele nunca irá despertar e acredite, é melhor assim!

    Sem esperar muito ela já se colocava a caminhar para a saída do escritório. Caroline então, apenas quando vocês duas estavam sozinhas foi capaz de se expressar totalmente... Ela se levantava indignada e exigia.

    -Eu quero ver esse teu irmão o mais rápido possível! Maria precisa ouvir isso! Ela precisa ter uma razão para acordar Pietra! Quer dizer...bem...er...

    "Uma razão para acordar?"... Esse pedaço da frase fazia a face de Caroline corar como se ela soubesse de algo especial sobre o torpor que havia caído sobre Maria anos atrás. Tomada pela vergonha por nunca ter explicado a você sobre isso, ela se esforçava e continuava o assunto.

    -Maria adormeceu por desgosto, a própria irmã mais velha havia abandonado a humanidade e participado de um complô contra Monçada. Lucita de Aragão, você já deve ter ouvido falar, a prole de Monçada que o abandonou completamente... Ela deu inicio a uma movimentação ou está sendo acusada por isso né, enfim, essa movimentação foi uma insurgência lá na Espanha contra os humanistas locais dentro da Espada. Foi isso que resultou no assassinato de Monçada e na depressão de Maria.... Mas você entende, que esse teu irmão, que lhe causou tanta mudança em apenas uma noite é uma esperança para ela?! Você vê isso Pietra!?
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 2/10/2016, 21:56

    A falta de reação de Caroline preocupou Pietra, mas os movimentos unicos de Elizabeth foram chamativos demais para serem ignorados. Escondendo a perna a mostra a italiana se limitou a concordar com um leve aceno.

    - Fico grata Beth... Acredito que eles terão utilidade... Consigo entender seu conselho... Obrigada pela preocupação...

    “Um passo de cada vez... É assim que irei construir minha relação com Beth... Já estou mais longe do que poderia imaginar...”


    A primeira reação de Caroline fez com que Pietra a olhasse atenta, as palavras que se seguiram trouxeram um olhar preocupado ao rosto da italiana, o simples mencionar do nome de Maria era entristecia em muito a italiana.

    Maria... Será que Hans poderia ajuda-la?!”

    - Por favor Caroline... Se as coisas fossem tão simples... Maria não foi a unica afetada pela morte de Monçada... Tu também o foste, e até mesmo eu não pude sair ilesa dessa perda... Acredito que ninguém ficou...


    Sorrindo de maneira calma Pietra escutou atentamente cada palavra dita por Caroline, a cainita conseguia ver a dificuldade com que esta continuava, dando todo o tempo que fosse necessário Pietra esperou pacientemente.

    - Entendo que a dor tenha feito com que Maria adentrasse no sono... Também ouvi os rumores sobre Lucita, pouco eu realmente sei sobre ela... Mas nada foi comprovado e nenhuma acusação contra ela se provou real... Lhe prometo que a apresentarei a Hans... Mas ele é um filho da Torre e esse tipo de coisa tem que ser feita com calma e longe da Espada...

    Se aproximando de Caroline, Pietra estendeu a mão em um simples convite.

    - Venha... Uma vez o Cardeal me disse que Lucite havia se tornado uma Nodista... Se me lembro bem temos alguém com profundos conhecimentos desta filosofia bem no escritório de Evangeline... Não nos custa perguntar... Mesmo que as respostas não nos revelem nada...

    “ Terei que tomar cuidado... Se Hans for mesmo o suficiente para despertar Maria?! Ahh mia sorella, quanto tu sofreste por Monçada?!”
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 3/10/2016, 23:33

    Caroline segura a tua mão se colocando de pé ela respondia a seus comentários anteriores ao convite, pois esse já havia sido claramente aceito.

    -Um filho da Torre de Marfim, tão iluminado assim?! Isso é ainda mais raro Pietra. Não é um desmerecimento, mas uma contestação, a filosofia sobrenatural é constantemente ignorada na facção que a Espada jurou vingança.... Bom, você tem muita razão, isso não pode acontecer em algum lugar público e seria essencial que ocorresse fora de Berlim, aqui existem muitos olhos... Mas vamos sim, precisamos saber melhor sobre tudo isso!

    Vocês duas então seguiam em direção ao escritório de Eva. O caminho estava vazio e a chegada até o mesmo foi bem direta e sem interrupções, após um breve toque na porta e uma entrada formal a cena que você e Caroline encontravam era a de Arda sentado no chão, de pernas cruzadas por dentro do próprio manto persa que ele sempre utilizava, com dois punhais sobre as pernas e ele removia o capuz pela primeira vez, revelando a imagem de uma criança negra de olhos verdes, uma pele mais escura que o ébano, levemente brilhante e totalmente sem pelos, nem sequer nas sobrancelhas. Ele não parecia ter passado dos doze anos de idade, com uma serenidade surreal ele saudava vocês duas...

    -A hora das perguntas então finalmente chegou?!
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Jess em 4/10/2016, 23:07

    De mãos dadas Pietra não demorou a seguir o caminho tão conhecido para o escritório do Maleficie, ouvindo atentamente as palavras de Caroline a cainita sorriu de leve.

    - Tens razão... Quanto mais velhos nos tornamos mais banal se torna a humanidade... Não me surpreende que na noite passada eu tenha deixado alguns cainitas boquiabertos por continuar neste caminho... Hans é iluminado... Não saberia como lhe explicar irmã... Apenas não sei...

    Ao adentrar no escritório a cainita fechou a porta com cuidado, a saudação de Arda e suas palavras fizeram com que a cainita apenas concordasse com um leve aceno, era nos olhos de Arda que Pietra se prendeu, verdes e profundos no mais puro contraste com a pele negra como a noite.

    “ Arda... Quão velho você é?! Quem ousaria abraçar uma criança? Eterniza-lo nesse pecado?!”

    Respirando profundamente a cainita se aproximou para se sentar ao chão, deixando espaço para que Caroline escolhesse seu lugar Pietra sorriu ao comentar.

    - Acredito que sim mio amato Serafim... A morte de Monçada foi um peso grande nos ombros de muito, a figura paternal que ele nos trazia foi perdida... Creio que suas crianças ainda não o superaram... E isso nos trás até você... Temos o nome de Lucita... Mas em nada ele nos significa... Posso lhe pedir um pouco de luz neste caminho mio amato?!
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Pietra: Espinhos da Coroa

    Mensagem por Danto em 4/10/2016, 23:22

    Caroline prontamente a acompanhava e sem responde nada sobre Hans, afinal, ela não o havia conhecido bastava a ela olhar e demonstrar muito interesse. Era bem clara a vontade dela de ver o mais rápido possível o seu querido irmão. No instante em que vocês duas entravam, ela também se sentava no chão e Arda se ajeitava levemente no chão para conseguir ficar de frente para vocês duas. Com muita calma na fala e uma expressão paciente, o Serafim falava alguma coisa em turco.

    -Şanslı Prenses...

    Logo depois ele observa vocês duas com bastante calma e traduz a própria frase:

    -A afortunada princesa, é assim que chamamos Lucita de Argão. Nascida na mais alta monarquia de um reino que já não mais existe. A mulher de pele morena, cabelos negros e olhos profundamente azuis... Uma nodista empenhada, uma história trágica e uma força de vontade que rompe qualquer dominação. Lucita é uma figura importante para nós nodistas e entendo que a morte de Monçada tenha afetado vocês duas, como afetou vários outros. Eu também compreendo e vejo com bons olhos a humanidade que vocês defendem, mas eu não posso escolher ela para mim, nunca. É meu dever máximo como cainita proteger os humanos, logo, proteger vocês... Mas existem extremistas, Lucita foi um desses... Ela inaugurou esse fanatismo... Como resposta ao próprio dogma construído por Monçada. Eu a encontrei alguma vezes, posso encontra-la sempre e quando quiser. Você a querem aqui?! Se não, o que vocês querem?!

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