WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

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    King Narrador

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    Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 23/9/2016, 16:39


    Umas crianças ruivas brincavam logo fora da vila. Com suas pequenas espadas e escudo de madeira, os meninos fingiam ser grandes heróis. Seus rostos estavam suavemente pintados de lama simulando as belas pinturas dos ancestrais. Algumas meninas sentavam com suas mães, estas exaustas dos trabalhos diários, e olhavam para o crepúsculo enquanto cantavam singelas canções infantis. Era um clima tranquilo naquela pena aldeia. A mesma ficava na margem de um largo rio, em cima de uma pequena colina e do lado de um grande Stonehenge.

    A brisa da primavera era reconfortante e trazia um clima ameno para o lugar. Os animais estavam gordos, o capim alto e as flores em seu esplendor. A prosperidade estava forte naquele lugar. Podia ver a vida transcorrer por todos os cantos. Era uma bela e encantadora visão, mesmo sendo um lugar tão simplório e perdido no tempo. Não deveria haver mais de trinta cabanas dentro da vastidão daqueles campos verdes iluminados pelos últimos raios de sol. Enquanto as aves piavam para irem ao seu descanso.

    Então a canção da brisa da primavera morre. Os animais entram em silêncio também quando um som de trovão vem do sudoeste. As crianças rapidamente jogam seus brinquedos sobre a grama e correm para dentro assustadas. Mas os adultos ficam para olhar na direção da tempestade. Era uma nuvem negra, densa e carregada. Vinha com velocidade e cobria os céus. O crepúsculo era totalmente devorado pela escuridão que vinha com aquela chuva. Mas nem tudo que vinha era escuridão.

    Os raios iluminavam o planalto e revelavam um brilho no horizonte. Era um brilho metálico. Varias eram as fontes. O brilho de placas metálicas. Armaduras de batalha. Junto de estandartes com a grande águia em um fundo vermelho. Era a Legio IX Hispana. O carmesim Império Romano chegara. Eles se aproximavam com números colossais de soldados. Andavam devagar enquanto as nuvens negras tomavam todo o céu e os raios guiavam seu caminho.

    - Está na hora de proteger minhas queridas fadas. A batalha começou...

    Esta frase veio de uma mulher que estava de costas dentro da sua perspectiva do cenário. Apenas podia ver uma lança em sua mão e seus encaracolados e compridos cabelos vermelhos. Mas o mais potente era o tom poderoso de sua voz. Junto com a lembrança de já ter ouvido aquela voz em seu último sonho. Era a mesma pessoa. E esta pessoa olhava para o meio daquele exército que se aproximava.

    Havia algo no meio daquela legião. Algo que trazia as trevas consigo. Sua perspectiva agora dava mais foco até poder ver nitidamente aqueles homens se aproximando com suas armaduras completas e rostos cruéis. E no centro da Legião estava uma presença aterradora. Com uma armadura de placas distinta da dos outras, completamente cobrindo seu peitoral em bronze com ouro e características fortemente persas. Era um homem com os olhos negros e a pele tão clara quanto a neve. Estava claro que o mesmo era a fonte da tempestade e de todo o mal que veio com ela. Era ele o começo do fim.




    1 de Setembro, 2005, 19:00


    Seus olhos abrem devagar. Era possível sentir todo o seu corpo aquecido envolto em seda e algodão. Estava em sua cama, confortavelmente devorada por seu travesseiro de plumas. Nenhum sentimento de formigamento transcorria por nenhuma parte de seu corpo. Era um tranquilo e simples despertar. O relógio na parede apontava as dezenove horas. O som da chuva não mais havia. Provavelmente havia terminado a tempestade. O único som que escutava era de um saxofone sendo tocado à distância de forma impecável.

    Na sua frente, mais uma vez sentado em uma cadeira, estava Gideon. Só que agora o mesmo estava acordado e com um largo e cativante sorriso em seu rosto. Ele segurava um roupão de seda roxo, um de seus favoritos. E não poupou instantes para se levantar. Revelando então atrás dele uma outra cama colocada no aposento. Era onde Rachel estava deitada. Não dava para ver direito a mesma, mas ela parecia estar de olhos abertos. Só que antes de nada ser feito ou dito, seu serviçal começou a falar.

    - Boa noite, Minha Senhorita. Lady Girani a trouxe ontem junto com Carroll. Vós estava muito abalada e quase dormindo de pé. Tomei a liberdade de lhe oferecer um banho de banheira bem quente e lhe deixei descansar bastante. Já a Rachel abriu os olhos no meio da manhã e passou o dia todo desperta enquanto passava pela transformação. Não vou mentir dizendo que ela não gemeu de vez em quando, mas eu fiz de tudo para ela se sentir confortável. Preparei um purê de batatas para ela misturado com o sangue da Mary que quis ajudá-la. Felizmente sua nova filha compartilha sua dádiva de ingerir comida com facilidade. Assim pude sacia a primeira fome dela. E agora ela está apenas repousando. Devo acrescentar que algo bastante peculiar aconteceu com o corpo dela e pressinto que irá agraciar seus olhos ao ver. Então não estragarei sua surpresa. E antes que eu me esqueça. O Lorde Justicar Issac Price Gross, esteve aqui e pediu para agendar uma reunião com a Senhorita assim que ele despertasse, logo agendei as 21 horas aqui em sua morada. Está bem para levantar, Minha Senhorita? Afinal temos convidados na casa e acredito que vós que almejaria preparar a janta.


    Última edição por King Narrador em 24/9/2016, 13:49, editado 1 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 23/9/2016, 19:10

    "A batalha começou! Nossa, isso foi tão forte... eu não estou morta?! Espere... Que sonho foi esse?! Invasão romana das terras que me criaram e nutriram, isso aconteceu séculos atrás, mas havia nas tropas invasoras uma face singular... Aquele que senta no trono, o persa que rege como um Deus as ilhas britânicas... Eu preciso voltar a Londres! A guerra não terminou! Então foi isso que aconteceu com o meu povo? Nós tentamos lutar contra as forças desse monstro?!"

    Eu ainda refletia sobre o sonho enquanto ouvia as palavras de Gideon e a música que ecoava pela minha casa, me sentando com calma e temerosa, meus olhos olhavam para todos os detalhes que me circundavam. Procurando pelos cristais de gelo do inverno, era impossível esquece-los! Meu fim havia chegado, deveria estar destruída... Burnout... Ele não aconteceu? Ou eu sobrevivi?!

    -Gideon... que música mais bela!

    Sem pensar duas vezes eu salto da cama e corro na direção do meu amado vassalo, abraçando-o com muita força eu segurava o choro que tentava escapar pelos meus olhos. Encostando a cabeça no peito do mesmo eu estava feliz, ouvindo os batimentos do coração dele eu tinha a certeza que eu havia sobrevido!

    -Obrigada, por tudo, por hoje, por ontem e sempre... Rachel está bem? Ela venceu o estilhaçar?!

    Perguntava preocupadíssima enquanto soltava o corpo de Gideon do meu abraço e gentilmente me vestia com o roupão roxo, passando a ponta dos dedos sobre o tecido do mesmo, meus lábios sorriam com vigor e convicção. Estava transbordando felicidade.

    -Acho que estou bem sim querido, são quantos convidados mesmo?! Ontem foi uma experiência tão terrível, Gideon, tão terrível... Eu pensei que havia me perdido no inverno, oh querido, eu pensei que nunca mais o veria... Que jamais acordaria do pesadelo... Mary! Ela está bem?!

    Em seguida eu me aproximava mais uma vez, antes de perguntar por Mary eu beijava o rosto de Gideon de maneira efetiva e doce, fazendo um pequenino estalar. Para em seguida caminhar com calma na direção de minha primeira filha, eu coração palpitava, minha respiração estava desregulada pela ansiedade. Chegando na beirada de sua cama eu olharia para Rachel, tirando qualquer tipo de coberta que estivesse a protegendo do frio ou encobrindo suas intimidades. Eu precisava vê-la, minha filha, uma sobrevivente como eu, minha Titania...
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    King Narrador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 24/9/2016, 23:40

    - É Vivaldi, A Primavera, tocada pela Bela Dinah Shewry.

    Gideon como sempre lhe respondendo com toda a paciência possível, foi bastante preciso na resposta. Deixando claro em suas feições que o mesmo também estava apreciando a música.

    - Minha Senhorita... A alegria é toda minha em poder lhe ver tão alegre e amável. Rachel como disse está ótima agora. Apenas descansando um pouco.

    O mesmo ficou claramente muito comovido com suas palavras. Não era muito difícil deixá-lo vermelho, mas agora os olhos dele também dava um pequeno brilho. Junto de um singelo sorriso antes de prosseguir a falar. A frase seguinte veio apos mais um brilho em seus olhos. Depois acompanhada de bastante cuidado para cada detalhe e um pouco de vergonha quando falou o nome do ator Sean Colonna.

    - Não diga algo tão triste. Imagino que foi realmente terrível o que aconteceu, mas jamais me perdoaria em lhe perder... São quatro convidados, Simone Girani e seus três carniçais. Sim, a própria Harpia terminou dormindo aqui depois de descobrir que houve ataques nas casas dos carniçais da adormecida Primogênita Toreador, irmã da Harpia. Devo dizer também que a Girani e o Senhor Colonna são realmente muito "apegados"... E não se preocupe, Mary também está ótima e aqui na casa. Jonas está trabalhando na delegacia. Não há nada para se preocupar agora.

    Assim não havia mais nada lhe prendendo de ir até sua primeira filha. A mesma olhava para você com um olhar sereno. Como se ela não soubesse ao certo o que falar. Mas já era possível ver suas mudanças, os olhos prata cintilantes, os cabelos mais aloirados e soltos. A pele permanecia na mesma tonalidade no entanto, apenas com o desaparecimento de suas tatuagens. Além disso nada chamativo se mostrava presente. O que era claro que não estava certo, havia algo a mais. Só que não houve tempo para a mesma sequer pensar em palavras para lhe passar. Suas mãos rápidas logo puxaram o lençol amarelo para ti. Revelando a anomalia do corpo da jovem que instintivamente se encolheu no canto.

    Eram claras, quase transparentes. Brilhavam de leve. A tonalidade era idêntica ao do lençol, mostrando que claramente Gideon escolheu a roupa de cama para combinar. Mas a maior beleza estava no singelo. Tão frágil como pétalas de flor. Estava a sua frente asas amarelas. Não eram ecos de sua aura ou elementos do mundo espiritual. Eram físicas e estavam logo ali na sua frente, saindo das costas da jovem. A qual estava despida e se mostrava altamente envergonhada pela exposição. Tremendo de leve a perna. O que fazia sua asa balançar um pouco. Rachel levou um tempo para tomar coragem para lhe fazer uma pergunta com sua voz frágil. Ela, no entanto, parecia com medo da resposta.

    - A Senhora irá cortá-la? Por favor, não...

    Rachel Carroll:



    Última edição por King Narrador em 19/3/2017, 11:06, editado 1 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 25/9/2016, 13:24

    Ouvir: " Não há nada para se preocupar agora" soava de uma maneira tão linda nos meus ouvidos que eu realmente não me preocupava com mais nada naquele instante, apenas com a minha primeira e única filha.
    Não era muito do meu feitio invadir com tanta intensidade a intimidade dos meus vassalos ou membros do ninho, mas Rachel agora não fazia mais parte de nenhum desses núcleos que me sustentavam, era uma ansiedade nova que meu corpo não era capaz de lidar completamente ou sequer controlar. Removendo a coberta eu arregalava os olhos, totalmente dominada pela surpresa. Meus olhos ficavam marejados ao ouvir aquela pergunta, minha Titania era linda, tão linda que meu sorriso se transformava em um ser vivo de tanta força que ele fazia para dominar toda a minha face.

    -Rachel... você é maravilhosa!

    Admirada com tamanha beleza eu me aproximava, sentando na cama, eu estava a agir como uma mãe coruja e nem sequer percebia isso, esticando minhas mãos eu segurava as dela e buscando os olhos prateados dela, eu fazia questão que ela notasse a cor púrpura dos meus.

    -Eu tinha assas também sabia disso? Eram maiores do que as suas, mas a cor é tão parecida que me faz sentir uma inveja enorme, minha filha, você herdou as assas da minha família. As suas ainda são pequenas, frágeis, mas aos poucos você a fortificação delas, ah sim, precisa se alimentar de muito doce! Mel, geleia de maça e tortas... Minha mãe costumava dizer que o adocicado fortalecia nossas assas... E por favor, eu nunca faria tamanha crueldade, já tive que perder as minhas, as suas serão protegidas e nutridas... Mas antes que eu cubra você de beijos, porque é isso que eu quero fazer agora, eu preciso me desculpar. Sinceramente. Profundamente. Não sei se você um dia pensou nessa situação, não sei se você entende completamente o que está acontecendo contigo, mas somos agora Senhora e Prole... Mãe e filha...

    Quando eu falo Senhora, aponto para mim. E quando digo prole, aponto para ela. Era uma forma bem arcaica de indicar um laço fraterno e afastar imediatamente qualquer má impressão de uma relação vertical. O dedo se movia horizontalmente, representando um grau de afeto e proximidade ao invés de ser algo envolvendo superioridade e posse.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 28/9/2016, 17:33

    Rachel ficou visualmente vermelha quando vós a elogiou. Perdeu toda a timidez e não se incomodou quando vós sentou na cama. Pelo contrário, quando tocou nas mão dela, ela se aproximou para seus braços. Deixando as asas dela muito próximas de você. Era possível sentir um cheiro de jasmim provindo da mesma. Assim ela ouvia suas palavras cuidadosamente enquanto se matinha abraçada. A jovem sorriu quando seus dedo apontou para as duas. Uma lagrima transparente escorreu do olho dela e a mesma sorriu para lhe responder.

    - Certo! Mel geleia de maçã e tortas... Só espero que seja você à cozinha, pois o Gideon não sabe mexer direito com comida.

    Ela disse as ultimas palavras olhando para seu vassalo fazendo uma cara um pouco animada e uma careta, claramente mostrando que estava brincando com a cara dela. E o mesmo caiu direitinho na brincadeira levantando o nariz e dando um "hump" enquanto cruzava os braços.

    - Obrigada pelo carinho mã...

    A palavra logo morre na garganta da garota e o sorriso se desfas como um todo. Ela se mostra agora bastante abalada e entristecida. Só que se esforça à continuar falando sem se perder em lágrimas.

    - Minha mãe e minha Leninha... Morreram nas mãos daqueles boçais violentos... Tentei me livrar deles quando tive oportunidade... Mas já era tarde...


    Última edição por King Narrador em 28/9/2016, 19:02, editado 1 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 28/9/2016, 18:15

    "Essas assas, tão belas... Me lembram tantas coisas, as reuniões na casa do Lorde Gwydion, minhas irmãs a dançarem enquanto a corte aberta não era convocada. Ah pequena Rachel, será que um dia eu poderei mostra-la a minha verdadeira origem?"

    Olhando com enorme carinho as reações da minha prole, eu não conseguia parar de sorrir assim que ela perguntava sobre quem iria ficar a frente do fogão, risadas me escapavam, afinal, Gideon era extremamente atencioso e carinhoso, mas ele nunca foi realmente muito hábil com panelas e ingredientes. Mas o meu riso também encontrava seu fim quando a expressão triste tomava a face dela, mas eu prontamente segurava o queixo dela com a mão esquerda, bem pela ponta do mesmo e o levantava um pouquinho. Olhando profundamente nos olhos dela eu respondia com toda a convicção que havia dentro do meu corpo, mente e aura.

    -Não é o nosso dever lamentar pelos amados que se foram, é nosso dever honra-los eternamente com boas lembranças e os mais carinhosos sonhos que formos capazes de sonhar. Eles precisam saber que nós sobrevivemos e que nós os amamos profundamente, um amor tão poderosos e puro que não exige, que não pede. Elas se foram sim, minha filha, mas se foram apenas desse mundo, você sempre as terá no Sonhar e eu irei ensina-la a não perde-las... Mas o seu corpo não pode pedir por elas, pois se ele o fizer, elas podem ficar e esse egoísmo é punido de formas tristes de mais... E não há mais espaço para a tristeza dentro de ti... Eu irei pedir para que você me conte tudo que aconteceu naquela noite, claro que vou! Justiça precisa ser feita. Mas não agora, hoje é a sua primeira noite, o teu florescer... E ele deverá ser tão belo quanto suas assas!

    Beijando os lábios dela de forma maternal e tocando brevemente a minha testa na dela eu não tirava os meus olhos purpuras dos dela. Mas soltava sei queixo e gentilmente me afastava, para enfim ceder ao primeiro desejo de minha filha, com felicidade e empolgação.

    -E não seja tola é claro que eu mesma irei cozinha tudo isso que eu falei! Não serei uma mãe desnaturada! Eu já cometi erros demais com vocês dois, meus queridos, serei o quão perfeita eu conseguir ser para ambos... E é claro, irei começar pelo jantar!
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    King Narrador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 1/10/2016, 16:37

    Cozinha:


    Com a Rachel logo se sentindo melhor com suas palavras fortes que inspiravam determinação você não viu mais nada lhe prendendo de ir para a cozinha. Um lugar sagrado para ti em sua morada. Distante dos outros cômodos, era onde a sua arte de Toreador era feita. E dado o fato da maldição noturna impedir a degustação de alimentos de forma abrangente, tal ato era tão excêntrico que lhe dava um chame especial único. Gideon em contra partida havia ido para a sala de jantar fazer os preparativos finais da mesa.

    Adentar a cozinha sempre fora uma sensação pura de alívio. O ambiente era leve e agradável. A janela aberta trazia um fresca brisa de um noite não chuvosa na cidade. Era possível ver que ainda não havia luz do lado de fora. Só que seus interesses estava agora do lado de dentro. Os móveis escuros faziam contrastes com as paredes claras. O modernoso e o antigo se encontravam em cada detalhe daquele lugar, fazendo um mosaico de peças que lhe dava orgulho trabalhar ali. Em seu ateliê.

    A grande mesa de centro permitia poder trabalhar em diversos pratos, sua grande mesa de obras primas. Logo nas gavetas abaixo estavam suas inúmeras ferramentas. Junto de outros utensílios mais modernosos e elétricos guardados em outros armários baixos. Da mesma forma que as panelas. Logo no primeiro armário superior estavam os temperos. Curry, páprica, coentro, cravo, canela, açafrão, mostarda em pó, pimenta do reino, nós moscada, gergelim e orégano.

    No armário lateral estava uma outra grande gama de temperos, vegetais e grãos. Salsa, alecrim, gengibre, manjerão, cebolinha, cebola roxa, farinha, cogumelos japoneses, maisena, alho e nozes. Logo abaixo em um armário de chão ventilado estavam os vegetais. Batata, tomate, cenoura, pimentão, alho-poró, rabanete, milho, ervilhas, arroz integral, chicória, berinjela, quiabo e abóbora. Ao ledo das frutas em cestas. Maçã, damascos, pera, limão, romã, acerola, mexerica, banana, morango e melão.

    Havia-se duas geladeiras. Uma de pequena conservação onde ficava os doces. Mel de cerejeira, açúcar mascavo, geleia de laranja e romã, compota de damascos e pêssego, creme de nozes, pasta de avelã, amoras, framboesas e mirtilo. E outra geladeira forte onde ficava os frios em geral.Ovos de galinha e pato, diversos derivados do leite de ovelha e de búfala, carne de coelho e rã, azeitonas roxas e pastrami. Claramente havia muitos outros elementos naquela cozinha acima da imaginação. Permitindo uma gama quase infinita de pratos distintos.
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 2/10/2016, 14:53

    Caminho sozinha em direção a cozinha, descalça eu brincava com as texturas dos pisos que se apresentavam em meu caminho pelos corredores da minha casa e me deliciava com a música que era executada por aquela talentosa artista. Mas quando meus pés tocavam a madeira da minha cozinha, meus olhos brilhavam como poucas vezes faziam, sentindo uma alegria única eu prontamente adentrava e ia em direção as frutas, pegando uma romã em mãos e abrindo-a sem nenhuma cerimônia. Era minha das minhas frutas favoritas, enquanto eu aproveitava cada segundo de prazer que a fruta me oferecia eu refletia sobre os últimos acontecimentos e o jantar:

    “Minha filha precisará comer muitos doces, mas isso não se aplica a todos os convidados e servir uma janta só com tortas e geleias me soa perfeito, mas entendo perfeitamente que um só sabor é enfadonho para a maioria. Ainda irei provar que as intensidades são a grande essência da culinária, quem saber até escrevo um livro sobre isso... enfim, veremos o que temos de carne... interessante, coelho é algo ligeiramente prático se cozido em pequenas porções junto com alecrim vinho e algumas amêndoas laminadas! Fantástico, isso irá requerer quase uma hora, logo, uma entrada prática será essencial para manter todos à espera do jantar. Canapés agridoces, salgados e com esses queijos e ervas serão boas pedidas. Tenho cogumelos e milho, um creme de acompanhamento para o coelho! São opções fantásticas, eu tenho que agradecer Gideon por essa compra perfeita... meu mais fiel e perfeito vassalo, espero tanto que não nasça nenhuma inveja de ti direcionada à Rachel. Eu falhei com vocês dois de uma maneira imperdoável, eu os abandonei e veja só o resultado. Rachel teve a própria família destruída e hoje ela é minha primeira prole, eu a amaldiçoei por puro egoísmo e remorso... fiz exatamente o que Julien fez comigo... jurei nunca me aproximar dele, nunca refletir sua imagem e jamais seguir seus passos, mas eu fiz e essa culpa irá me assombrar. Entretanto, não posso permitir que essa assombração me vença, o eco da mulher que se colocou contra as trevas invasoras me servirá de apoio. A batalha começou e dessa vez, nós não perderemos! Eu não posso desistir e me entregar a dor, a perda e a maldição que corre em minhas veias! Manterei a minha promessa, eu serei a protetora dos vivos. Caminho entre os mortos para mostrá-los que é a vida o maior dos valores e dádivas, o tesouro real! A Batalha começou e eu entrarei no campo com aliados inesperados, pois é essa a minha maior vantagem, ninguém espera que uma doce e meiga criatura saiba lutar... Gideon e Rachel, vocês são meus eternos tesouros e eu os servirei com todas minhas forças...”

    Enquanto pesava sobre todos os acontecimentos, eu me sentia realmente feliz por estar viva e por ter sobrevivido ao pesadelo da noite passada. Aos poucos então eu dava início as preparações. O coelho iria ao forno com cebolas, alhos e castanhas picadas. Vinho branco e moscatel. Alguns ramos de alecrim, cravos, azeite e sal marinho. Por fim, um pouco de pimenta moída sobre tudo... os acompanhamentos do prato principal seriam: Um creme de milho com cogumelos, curry e pimenta do reino. Arroz integral com cenoura e hortelã e um delicioso suco de romã, para completar o prato principal. Com tudo ao forno, era hora de montar os canapés de entrada...
    Os sabores seriam: Gorgonzola com nozes; Creme de provolone com geleia de abacaxi e avelã; Alho poró com queijo brie; Pastrami e cream cheese; Cenoura e pasta de Manjeiricao; Creme de Tomate seco com geleia de pimenta e amêndoa salgada; Gorgonzola com geleia de damasco; Funghi seco, geleia de cassis, amêndoa e salsa.
    Eu também aproveitava para partir as frutas em cortes especiais e ornamentos para compor uma belíssima cesta, aproveitando a polpa coada do suco de romã eu preparo uma geleia com pedaços generosos de maçã, depositando uma porção do meu vitae nessa geleia especial que seria servida a todos logo após o jantar, acompanhada com torradas. E enquanto me dedicava as entradas, minha mente viajava de volta ao sonho do começo da noite:

    “A terra selvagem e natural de onde eu venho era belíssima, como eu desejo que ela volte a esse estado, um desejo utópico... O estrago que esse invasor tenebroso trouxe é incurável, ele nos escravizou, nos matou e tomou para si o que era nosso... Um usurpador... Deixe-me pensar agora, até onde eu fui instruída por minha Mãe, quem chegou junto com as tropas romanas foi o próprio autointitulado, Príncipe das Ilhas Britânicas. Senhor dos príncipes de Londres e progenitor da linhagem Ventrue de Nova Orléans... eu não falarei ou pensarei em seu nome pois o mesmo não merece tamanha consideração e seres como ele devem ser esquecidos para sempre, pois é o esquecimento que pune os falos líderes, reis e príncipes! Vejamos agora, essa mulher ruiva com a lança em punhos, preciso saber quem ela é! Pois ela é a partir de hoje uma das minhas heroínas, eu entendo a luta dela eu já fui uma de seu povo! Ah, como eu odeio Julien, por ter me arrancado as assas e me jogado naquele calabouço! Quando voltar a Londres eu irei me dedicar a encontrar informações sobre ti, talvez até uma pesquisa história com os humanos possa me ajudar! Preciso resolver as situações aqui o mais rápido possível e retornar para a Grande Batalha, pois nós perdemos uma luta, mas a Guerra ainda não! ”
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 2/10/2016, 17:45

    Teste de Destreza+Culinária, dificuldade 6. Gasto de um ponto de FdV para garantir sucesso.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Dados em 2/10/2016, 17:45

    O membro 'Danto Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 6, 8, 5, 5, 10, 7, 8, 8
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 7/10/2016, 10:59

    Os primeiros tons do cheiro de cebola começaram a chegar do forno. Ainda levaria um certo tempo para ficar pronto. O que lhe dava tempo de preparar os outros pratos. Inicialmente foi a faca em sua mão desenhando cortes ornamentais em frutas. A ferramenta fluía por seus dedos como uma navalha feros e precisa dilacerando as frutas. As quais em um mosaico de cores e formas desenhou esplendidamente a larga cesta totalmente entalhada em uma tora maciça de Pinho de Riga. Enquanto você se virava para preparar as entradas seguintes, o vulto de Gideon se fez por trás de ti rapidamente levando para sala de jantar as frutas. A jarra de romã prontamente fora levada também.

    Agora era hora de um preparo muito mais sofisticados. Eram oito combinações diferentes de prato, a quais um cozinheiro normal as faria parte por parte. Entretanto sua experiência superava a banalidade de um simples preparo alimentício. Era uma arte completa. Enquanto a música de jazz tocava aos seus ouvidos, suas mãos voavam pela grande mesa de centro. A quais estavam todos os ingredientes dos canapés e no meio os oito largos pratos. Seus dedos iam puxando os componentes e suas mãos rapidamente os colocando nos devidos pratos. A combinação era simétrica e perfeita. Quase rápida demais para olhos normais conseguirem computar tanta destreza. Era uma habilidade ímpar que ia em questão de poucos minutos completante as plataformas de cerâmicas com as coloridas entradas.

    Com os pratos completados, seu serviçal, em total sincronia com o teu próprio timing, adentrou a cozinha uma terceira vez. Pegando de uma vez só quatro pratos. Assim adentrou uma quarta vez para pegar o resto e finalmente entrou uma quinta vez. Agora você já havia colocado o arroz integra, o creme de milho e as torradas no forno também. Enquanto preparava finalmente a gelatina de forma super dedicada. Gideon se aproximou para cheirar o coelho no forno e sorriu. Enquanto isso, ele já colocava um prato com talheres na mesa central para a refeição que ele faria mais tarde, então finalmente se direcionou para ti.

    - Tudo em ordem na sala de jantar. Apenas a Rachel ainda não entrou. Está lhe aguardando. Assim que vós terminar com a sobremesa, já pode ir para lá que eu cuido do resto. Mas antes apenas me permita perguntar. A Senhora Girani me pediu mais do sangue que ela tomou ontem. Devo encher a taça dela com a mesma iguaria?
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 8/10/2016, 16:33

    A cada entrada que Gideon fazia na cozinha para pegar os pratos que ficavam prontos eu sorria brevemente para o mesmo, mas não parava nem por um único segundo. Mas assim que as preparações das entradas terminavam e eu finalmente finalizava os últimos detalhes da sobremesa, me encostava na pia e olhava diretamente para meu queridíssimo vassalo.

    -Claro, apesar de você saber perfeitamente que eu não sou uma das mais favoráveis a cultura do laço, mas preciso da total certeza de que o que irá acontecer no jantar seja mantido em total sigilo e segurança... Isso me leva a outra coisa, responda-me querido, o que você pode observar na reunião da noite anterior? Estou com uma suspeita de que apenas um dos vassalos da senhorita Girani sabia do meu nome... Mas estava preocupada de mais com Rachel, meu julgamento pode estar equivocado, mas o teu não...

    "Rachel está a minha espera, eu realmente tenho uma prole! Acredito que irei demorar muito para me acostumar com isso. Era um dos pilares que eu não ousava romper, em todos os meus anos... Tamanho sofrimento jamais deveria ser imposto a outro ser por minhas presas... Ela sofreu duas vezes por minha causa, apesar da primeira ainda não se justificar de maneira alguma aos meus pensamentos momentâneos... Preciso me dedicar, me esforçar e nutri-la... "

    Movendo habilmente o corpo para frente eu dava alguns passos a frente e provava um pouco da geleia, sorrindo ao sentir o doce sabor da mesma eu respirava fundo. Olhava mais uma vez para Gideon e enquanto aguardava a reação dele, eu me aproximava do mesmo e me sentava ao lado dele para ouvir as palavras que seguiriam.

    -Aliás, será que devo ajudá-la a esconder as asas para o jantar ou seria mais interessante exibi-las? Eu realmente não sei como conduzir essa pequena situação...
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 12/10/2016, 11:22

    - Providenciarei então o pedido da Harpia, como desejar.

    Seu servo rapidamente se vira e vai até um armário trancado no canto da cozinha, e com uma chave guardada num colar em seu pescoço, ele abre a pequena adega que continha o seu vitae conservado em temperatura monitorada por um dispositivo dentro do gabinete. Assim seu vassalo volta a ti segurando uma garrafa e sentava na sua frente. Ele ficou pensativo por um instante antes de voltar a falar.

    - O senhor Kalkofen é um homem muito peculiar. Ele aparentou de fato ser o único à saber seu nome antes de falá-lo em voz alta. Me surpreendeu quando o mesmo disse que poderia apagar a memória até da própria senhora. Mas conversando com ele depois, comecei a desconfiar que as histórias que o dramaturgo contava de palcos do teatro europeu antigo foram vividas em primeira pessoa. Digo que ele aparenta ser mais velho que a própria Lady Girani.

    Assim finalmente ele refletiu sobre sua última pergunta. Colocou a mão no queixo por um instante pensativo e balançou a cabeça antes de lhe responder.

    - Sobre sua última pergunta... Realmente não sei se seria melhor esconder ou não a asa dela. Vai de sua vontade de interação com o núcleo da Harpia. Sempre há a opção de deixar o misterioso Kalkofen apagar a memória deles também... Não sou um bom estrategista social para lhe dar o melhor conselho sobre como agir em relação à eles.

    Gideon faz uma pausa. Os olhos dele dão uma certa marejada e ele parece hesitar um pouco em continuar a falar. Só que rapidamente ele respira fundo e prossegue com a fala.

    - Agora sobre a Rachel. Como estamos a sós, me permita ser um pouco sincero contigo Minha Senhorita. Vós têm de parar de se culpar tanto por ter dormido por uma noite inteira. Foi um evento sobrenatural que você não tinha controle sobre, enquanto eu tinha total controle para fazer algo sobre Rachel e nada consegui. O erro é apenas meu e não seu a respeito dela ter sido atacada. Mas em relação a você tê-la abraçado, imagino a culpa que está colocando dentro de sua cabeça. Afinal por mais que eu já desejei no passado me tornar um igual a você, vós nunca quis por pesar da sua consciência. Todavia, imploro que tire esse incomodo de dentro de ti. Se você tivesse salvado ela, sem precisar abraçá-la, a única coisa que ela estaria fazendo agora, seria chorar a morte da mãe e da irmã. Mas por outro lado, passou o dia todo sorrindo e até me pediu um espelho de mão e um bloco de desenho para desenhar as asas e novos modelos de roupa e cabelo para combinar com ela. Eu nunca a vi tão feliz, e isso no dia após uma catástrofe na vida dela. Jamais se culpe novamente pela dádiva que você deu a Rachel, lhe peço isso.

    Uma gota de lágrima escorre pelo rosto dele enquanto ele falava de sua própria culpa.

    - Bom, me perdoe ter me abrido tanto...
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 12/10/2016, 17:40

    Não havia nada a ser dito sobre as duas primeiras frases de Gideon, realmente eu não queria debater sobre o assunto, queria apenas uma segunda visão dos fatos e isso era o que ele me fornecia. Minha retribuição era um doce sorriso e um suave balançar positivo de cabeça, concordando. Mas apesar do silêncio, minha mente trabalhava intensamente refletindo sobre os assuntos:

    "O senhor Kalkofen é então um vassalo mais antigo que a própria Simone, de origem inglesa. Me pergunto como e porque ele está nessa cidade... Me pergunto também se ele chegou a me conhecer em Londres, eu aprendi muito nos teatros locais e construí vários personagens ali... Será que eu já o conheci? Droga, acho que meus diários antigos ficaram lá... Enfim, irei eu mesma conversar com esse intrigante vassalo! Agora, as asas de Rachel... Eu não vou censura-la hoje, não posso e não quero! Que se danem as normas de etiqueta e a mascara, a noite hoje é dela... Ah Giddy, não chores eu não consigo..."

    Meus pensamentos se calavam e uma lágrima escorria pelo meu olho direito pela simples imagem de ver meu mais amado e fiel amigo também chorar, era impossível evitar aquela lágrima, tudo que eu mais queria era garantir uma eterna vida de profundas felicidades à ele, por tudo que ele já fez por mim, por tudo que ele fará e por tudo que ele outrora sofrera... Nossos passados eram ligados como poucos, meu vassalo, meu amigo, meu farol... Deixando então meu idioma nativo e todo seu sotaque sair de maneira pura pelos meus lábios eu sorria e mostrava a língua para Gideon.

    -Você me faz parecer uma amadora Giddy! Eu adoro odiar isso!

    Sorridente eu me aproximava dele e o abraçava, dando um beijo carinhoso em sua face eu buscava os olhos deles... Os olhos dele eram capazes de derrubar todos os tijolos do meu muro de defesa, de remover todas as facetas e mascaras que estavam sobre a minha face... Ele sempre será o ser mais importante na minha vida.

    -Meu amor é tão profundo por ti querido, tão profundo que não cabe em palavras ou gestos. Ele apenas é e eu espero, anseio e sonho que você o sinta todas as noites... Todas! Eu suspeitei é claro que suspeitei, que você um dia desejou ser como eu, ser minha prole... Eu também! Oh Gideon, como eu quis! Mas você sabe como foi para mim, só você sabe... Não conseguira vê-lo sofrer, não conseguiria vê-lo perder tua vida. Eu não sou capaz de transmitir nenhuma dádiva, apenas os vivos são... E Rachel nasceu com as asas porque ela nasceu sobre a tua proteção querido! E basta com isso de pedir desculpas por se abrir comigo, eu preciso disso Gideon, eu me sinto tão feliz que você tenha se expressado, meu amor por ti só cresce querido!

    Dando outro beijo em sua face eu limpo o rastro que a lágrima dele havia deixado em sua face com meu indicador e gentilmente me afasto com uns passos delicados para trás, passando a mão esquerda pela bancada, adorando a sensação que a textura dela sempre me fornecia.

    -Eu tenho um coração muito sensível, a culpa é um reflexo disso sabe... Eu queria muito ser capaz de ignorara ela... Mas é a nossa natureza que nos impede de nos tornamos insensíveis meu amado Gideon, lembra?! Eu sempre irei me inferiorizar porque fui inferior por muito tempo, é um ciclo vicioso, você sempre será a mão que irá parar esse ciclo! E me escute bem claro, estou decidida! Não há culpados! Hoje Rachel nos ensinou algo valioso, quando tudo parecer perdido, pegue um espelho, um bloquinho de papel e sorria... Porque a vida lhe deu asas para teu voo ser magnífico!

    Eu sorria e brincava com as palavras na frente do meu vassalo, essa era minha real personalidade e minha real postura, eu adorava pequenas brincadeiras, pequenas demonstrações de carinho e bom humor. Meus pés ficavam sempre dobrados para dentro, um pequeno tique de minha época féerica, minha coluna se comportava como se eu ainda tivesse que lidar com os pesos das minhas enormes asas. Minhas pernas sempre dobradas, afinal, adorava aqueles longos vestidos de caudas gigantescas que me faziam embolar nas raízes das altas arvores. Graciosamente eu me colocava a andar, em pequenos círculos a espera da palavra de Gideon enquanto já me direcionava a saída... Eu estava transbordando felicidade...
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 17/10/2016, 16:53

    - Suas palavras são tão generosas comigo, Minha Senhorita. Cada gesto de afeição sua alegra ainda mais a minha eternidade ao seu lado. O que me faz refletir sobre certo assunto. Assim que a Senhorita resolver seus problemas atuais na cidade, gostaria de conversar contigo sobre o futuro de nosso ninho. Mas agora é hora do jantar. Pode ir que eu levarei os pratos em breve.

    Era possível notar que Gideon ficara avermelhado com o beijo em seu rosto. Ele sempre ficava vermelho quando era tratado com bastante carinho. O que lhe lembrava do pai abusivo dele, que o torturara no passado depois o falecimento de sua mãe. O que fez seu fiel carniçal ter pavor de ser tocado por qualquer pessoa. Você é a única exceção. Agora não havia mais lágrimas nos olhos dele, apenas um sorriso cobrindo sua face. Então ele abriu a porta para você se apressar e fez uma mesura de leve.

    O corredor do lado de fora da cozinha te levava pela esquerda direto para a sala de jantar. Mas sua rota ia para direita até chegar na escada que lhe levaria para o andar superior. Só que não precisava subir para encontrar Rachel. A mesma estava de pé logo ali no final da escada lhe olhando. A mesma estava com uma cara tímida quando notou sua presença. Era possível ver o vermelho cobrindo principalmente seu nariz. Ela então girou em trezentos e sessenta para revelar o cabelo e o vestido. Estava, além de um salto alto preto, com uma veste leve amarela, como suas asas e com um decote atrás específico para as manter livre. O cabelo estava em tranças presas, fazendo ondulações similares aos detalhes internos das asas, asas estas que se mexeram de leve quando sua prole finalmente começou a falar.

    - Estou bonita mamãe?

    Cabelo & Vestido:



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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 17/10/2016, 22:04

    -Sobre o futuro do nosso ninho?!

    Eu parava para olhar um pouco preocupada para Gideon, mas prontamente balançava a cabeça positivamente. Estávamos com várias visitas e deveríamos manter os horários precisos e coordenados para que o jantar de recepção e apresentação de Rachel fosse perfeito.

    -Conversaremos sim! Bom, vou lá me arrumar, afinal seria indelicado adentrar a sala de jantar de roupão, apesar de eu ama-lo muito mais do que alguns vestidos!

    Me despeço então de Gideon com um sorriso enorme na face e um gesto de tchau bem breve feito com a mão esquerda, prontamente então me coloco a caminhar em direção ao quarto. Mas meu destino era agraciado pelas beleza estonteante de minha própria prole, minha filha, minha herdeira... Rachel...

    "Ela acabou de me chamar de mamãe? Eu não estou ouvindo coisas?! Ela realmente me reconhece assim... Eu... Sou mãe?! Ela realmente tem as asas da minha família... tão graciosa, tão viva..."

    Meus olhos se enchiam de lágrimas, meu mais sincero e profundo sorriso se mostrava com tanta intensidade que meus dentes já não se escondiam mais atrás dos lábios. Respirando fundo, eu tentava não cair no choro mais feliz de toda minha não vida, mas era simplesmente impossível, respondendo ela com uma voz tremula e deixando que as lágrimas vertessem dos meus olhos eu falava:

    -Você está magnífica, filha, simplesmente linda! Muito mais do que eu um dia fui, adorei a escolha do vestido... desculpa eu não consigo... falar... mais na...

    Minha fala ia se enfraquecendo, eu queria continuar os elogios! Possuía tantos na ponta da língua! Mas a verdade é que meu coração estava totalmente entregue, derretido e tomado por uma forte correnteza de felicidade. Com delicadeza eu me aproximo de Rachel...

    "Ela me chamou de mamãe, eu não preciso de mais nada!"
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 19/10/2016, 17:09

    - Não chore mamãe. Vem... Deixa eu lhe vestir. Você sabe como eu amo lhe deixar bonita.

    Rachel se aproximava de seu rosto. Para então suavemente lhe dar um beijo em sua face logo em cima da gota de lágrima. Não havia nenhuma timidez na jovem. O sorriso de sua filha era contagiante e a mesma lhe deu pouco espaço para reação. A mão quente dela logo segurou as suas trançando por entre os dedos e apertando com carinho. Ela então lhe puxou rápido pelas escadas. Rachel parecia estar dançando enquanto saltitava por entre os degraus. As asas dela batiam forte sempre que os dois pés da mesma se afastavam do chão ao mesmo tempo entre cada salto.

    Assim não custou muito tempo até ela te levar para o seu closet. Ali ela finalmente te largou para correr atrás dos armários. A especialidade dela era escolher uma roupa perfeita em questão de instantes. O que neste momento se provou mais uma vez verdade. Afinal ela surgia em seguida de trás de uma porte da armário com um traje completo para ti. Uma calça jeans, junto de uma confortável camisa branca e um casaco amarelo comprido por cima. As combinações eram perfeitas e completavam a vestimenta da própria prole. A qual lhe apresentava as roupas ainda com aquele forte sorriso bobo no rosto.

    Vestimenta:


    Última edição por King Narrador em 20/10/2016, 12:51, editado 1 vez(es)
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 20/10/2016, 10:30

    Meus dedos se entrelaçavam com os de Rachel e eu não tinha forças para negar as ações dela, minha maior batalha era inicialmente conter o choro. Minha mente estava falhando comigo naquele momento, pois eu simplesmente não era capaz de lembrar de um só momento em que fui tomada por um choro de felicidade tão intenso. Lembro das lágrimas ao ver Gideon salvo de sua doença, mas a verdade é que a minha face estava idêntica ao cenário da própria cidade, inundada por lágrimas.

    "Mòrag, você consegue ver isso? Ah como eu queria que sim! Nossos espíritos feéricos são imortais certo? Por favor, onde quer que você esteja, veja isso! Veja ela! Ela tem as suas asas irmã! E ela já esta ensaiando os primeiros vôos sem nem saber, exatamente como eu fazia! Ela renasceu como uma verdadeira dama de nossa casa, como e queria ser capaz de ver a sua expressão diante minha filha... Porque?! Eu não... O que esta acontecendo comigo agora? Não deveria me lembrar dessas coisas, não enquanto eu estiver em missão... Gideon tem razão, eu preciso deixar essa culpa de lado, Rachel esta me ajudando a fazer isso, esse sorriso..."

    Enquanto Rachel corria para trás do armário eu respirava fundo, vencendo a batalha interna com minhas lágrimas eu sorria de maneira larga, feliz e potente quando a via se aproximar com aquele lindo conjunto de roupas. Ela fora por anos a minha graciosa arquiteta social, aprendi com ela a amar a nova moda, a cortar os cabelos bem curto e até mesmo a usar tatuagens elaboradas. Tocando gentilmente o casaco amarelo com as duas mãos eu tomava a liberdade de rir, uma risada gostosa e libertadora de toda culpa.

    -Ah, querida, você não pode me fazer chorar assim toda vez que nos encontrarmos! Você vai acabar achando que sua mãe é uma dramática, não é totalmente mentira nem verdade é claro, mas precisamos deixar algo claro: Eu sou mãe de uma das mais belas criaturas nesse mundo e meu orgulho é enorme! Agora vamos lá, adorei suas escolhas e esse amarelo é fantástico!

    Sorridente e risonha eu tirava o meu roupão roxo e o colocava sobre a cama, sem demonstrar nenhum tipo de vergonha diante os olhos de Rachel, afinal, eramos agora mãe e filha para todo sempre. Para então começar a me vestir sem muita pressa, analisando como cada peça ficava no meu corpo, no fim eu vestia o casaco amarelo e fazia um breve giro na frente de Rachel, para então perguntar.

    -Que tal? Sou até bonita para uma mãe não é mesmo?!

    Minha voz saia em um tom de brincadeira e de fato, estava agora me divertido com a situação. Prontamente eu esticava a minha mão direita na direção dela, era hora de adentrar a sala de jantar e eu faria questão dela ao meu lado.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 24/10/2016, 13:48

    - Ai mãe. Você é tão bonita, me inspira sempre!

    O sorriso não desaparecia em momento algum do rosto de Rachel. Ela nunca tocara muito em você no passado. Mas agora não tinha nada a impedido, ela passava o pente em seu cabelo fazendo a maior quantidade de carinho disponível à sua cabeça. Os dedos quentes dela as vezes tocavam em sua face demonstrando um afeto profundo. Assim que finalmente você estava pronta, a jovem segurou sua mão para as duas descerem até a sala de jantar. Com puxadas leves e animadas, seu corpo foi levado novamente para o andar de baixo. Agora atravessando o corredor até a sala de jantar. Parando finalmente na frente da grande porta.

    Rachel não se mostrava hesitante atrás de você quando a porta se abriu revelando a sala de jantar. A mesma estava absolutamente bem decorada com jarros de flores amarelas junto do candelabro de prata em cima da mesa. A qual estava com um pano dourado cobrindo a prataria que estava disposta a cima. Sete cadeiras estavam a disposição, sendo três de cada lado e uma para vós na ponta. Do lado esquerdo estavam, em ordem de distância de seu assento, Simone Giriane, Sean Colonna e Jacques Kalkofen. Do lado direito estava um assento vazio para Rachel, seguido de Mary Davis e finalmente Dinah Shewry.

    Não foi uma surpresa todos olharem para você e logo desviarem seus olhares para sua primeira filha. A qual se perdia em um rosto vermelho de profunda vergonha. A primeira pessoa a desviar o olhar para fora das asas foi a jovem carniçal, Dinah, a qual ficou quase tão envergonhada quanto a própria Rachel. Esta jovem estava com um vestido xadrez de vermelho com laranja. Sean e Jacques, ambos de terno, logo voltaram a focar em sua presença representando uma alta cortesia e tentando não demonstrar surpresa, mas fácil para o antigo carniçal. Mary por outro lado ficou com a boca aberta de leve por um segundo, mas forçou para fechá-la e se prendeu em um sorriso bobo. A mesma vestia um vestido social polido em tom de rosa claro com branco, exacerbando a beleza da mesma. Simone claramente se mostrava confusa atrás daquele vestido branco de época. A mente dela parecia estar tentando raciocinar enquanto um sorriso mal elaborado prendia seu rosto. Desistindo de chegar a uma conclusão, a mesma finalmente falou.

    - Boa noite querida Penélope. Vejo que a Senhorita Carroll está em ótimo estado, fico feliz... Estávamos a sua espera para jantar...


    Última edição por King Narrador em 26/10/2016, 20:43, editado 1 vez(es)
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 25/10/2016, 10:41

    Eu sorria e fechava os olhos, adorando os carinhos que Rachel fazia em meus cabelos enquanto os penteava, adorando cada pequeno segundo como se o mesmo fosse eterno. No instante que eu ficava pronta, eu deixava umas pequenas risadas quando sentia minhas mãos sendo puxadas mais uma vez pela figura contagiante e brilhante de minha filha. Mas antes de entrar na sala eu fazia uma pequena pausa, para beijar a face de minha filha e dizer:

    -Abra seus olhos e mantenha sempre seu queixo distante do teu colo. Vamos!

    Entrando de maneira radiante na sala de jantar eu observo calmamente cada um dos presentes no local enquanto fazia minha caminhada calma até meu lugar, a ponta da mesa. Afinal eu estava em minha própria casa e era sem nenhuma dúvida aquela que possuía os maiores títulos naquele jantar. Meus olhos imediatamente corriam pelo dourado e amarelo, uma decisão maravilhosa de Gideon! E com atenção eu analisava os presentes e onde eles estavam posicionados:

    "Giddy, Giddy, sempre atento a tudo antes mesmo que eu possa me atentar aos detalhes, as vezes me pergunto se você é o verdadeiro Arconte e eu sou só uma face linda e maravilhosa. Claro que não é assim ente nós, somos nós dois lado a lado sempre, mas gosto de me divertir, qual é o problema nisso?! Deixe-me ver, Simone ao meu lado esquerdo, adorei. Mas coitada ela parece tão perdida que me dá um pouco de pena, talvez coloca-la como Príncipe seja arriscado de mais... Apesar de ter adorado essa expressão confusa dela diante minha filha! Jacques Kalkofen é um vassalo interessante, de altíssima etiqueta e se comportando com maestria numa situação inesperada, aceitarei isso como um elogio. Agora, Sean... Ainda preciso superar a estranha relação que ele mantem com Simone, nada contra eles se relacionarem sexualmente. Mas devo sempre me alertar a proximidade emocional deles, imagino que Jacques tenha dificuldades para gerenciar essa relação. Agora, meu lado direito! Ah Giddy, se eu pudesse lhe daria um abraço agora! Dianah está ao meu lado e eu estou amando como ela reage a minha presença, além dessa pequena face envergonhada ser tão linda! Preciso me aproximar dela, o jantar será uma boa oportunidade!"

    Eu olho para Mary diretamente, sorrindo para ela eu faço questão de passar pelo lado direito da mesa e ajudar minha prole a se sentar. Em seguida eu sigo minha caminhada até Mary, tocando seu ombro brevemente. Era um toque gentil que servia para agradecer a presença dela ali, aguardando que ela olhasse para mim, eu retribuía o olhar dela com um orgulhoso e carinhoso beijo em sua testa. Para em seguida continuar andando e passando por Dianah e comentando.

    -Adorei a música do começo dessa noite, acordei e encontrei dificuldades em saber se ainda estava sonhando. És talentosa como poucas querida, obrigada sinceramente por agraciar meu começo de noite dessa maneira, foi especialmente importante para mim.

    Logo eu enfim chego ao meu lugar, ouvindo a frase de Simone eu balançava a cabeça positivamente:

    -Sim, minha Carroll está muito bem e eu devo agradecer você por isso. Infelizmente eu não tive forças suficientes para terminar a noite anterior de uma maneira mais apropriada, mas você estava lá para me ajudar querida. Obrigada, agora, acredito que estamos todos famintos correto? O jantar eu mesma fiz, espero que gostem. É um momento muito espacial para mim e gostaria de compartilhar ele com vocês, todos vocês... É o primeiro jantar de minha filha!

    Quando eu falava "todos vocês", meus olhos buscavam indiretamente a imagem de Mary e em seguida de Dianah. E no final da frase eu olhava exclusivamente para minha filha, todo meu corpo estava tomado por uma felicidade gigantesca e eu não estava me preocupando em disfarçar isso em momento algum.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 25/10/2016, 22:05

    Mary foi rápida demais quando você se aproximou para beijá-la na testa. Com as mãos ela cobriu a cena e virou o próprio rosto o suficiente para seus lábios colidirem com os delas. Aos quais possuíam um gosto de amoras do campo. Foi um toque suave, como se duas borboletas se tocasse em voou. Assim a jovem se afastou sorridente, lhe dando espaço para continuar com sua apresentação. Os elogios para Dianah pareciam quebrar o gelo com a mesma que sorriu, esquecendo um pouco da vergonha avassaladora que a dominava. Assim esta prontamente lhe respondeu.

    - Obrigada pelos elogios. estava apenas praticando. Mais tarde posso fazer uma apresentação só para a senhora, caso desejar.

    Seus passos em seguida lhe levaram de volta até seu assento. Neste era possível ver a Rachel sentada seguindo suas instruções. Ela não evitava o olho para ninguém e não abaixava a cabeça, mas estava tão vermelha quanto possível. Simone ouvia suas palavras com atenção e respondia rapidamente.

    - Eu entendo perfeitamente a situação de ontem. Foi algo que sequer é valido de se falar na mesa de jantar. Apenas gostaria de lhe avisar que perdi o rastro do membro que fugiu. Mas estou usando meus contatos para achá-lo. E o policial aliado seu... Seria bom a Senhora falar com ele depois. O mesmo estava muito aterrorizado.

    As palavras dela logo cessaram quando Gideon entrou na sala com um grande prato de prata em mãos. Este com duas grandes jarras e uma cesta. Um de suco vermelho claro, a qual prontamente serviu a todos, com exceção de Simone. A Harpia foi servida de uma garrafa típica de vinho a qual teve o cálice enchido. Com todos os cristais cheios de suco de romã e vitae, o seu aliado colocou a cesta de frutas no meio da mesa e se afastou. Fez uma mesura e prontamente sumiu pela porta novamente. Não poupou tempo para cada um, com exceção da cainita, pegar umas frutas tropicais e colocar em seus pratos. Rachel pegava uma melancia, Mary um melão e a Dianah umas maçãs.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 25/10/2016, 22:49

    "Amoras?! Mary!"

    Sentindo o toque dos labios dela, eu sorria contente por breves segundos, tentando disfarçar o máximo possível o disparar do meu coração. Havia sido algo deliciosamente inesperado, uma surpresa tão carinhosa de alguém que vinha se mostrando cada vez mais amável.

    "Será que eu cometi um engano de coloca-la no meu ninho? Eu adorei isso, preciso segurar esse sorriso bobo! Mary... Querida..."

    Sentada agora em meu lugar eu ouvia as palavras de Simone e concordava com a cabeça, esticando minhas mãos para buscar as amoras, meus olhos escapavam contra a minha vontade na direção de Rachel. Mas minhas palavras eram para Simone.

    -Eu terei sim que falar com ele, coitado... Mas você esta certíssima, não é um assunto para esse jantar. Eu gostaria então de conversar diretamente sobre você, que tal?! Sobre quem são seus aliados disponíveis e como poderemos começar nossos planos...

    Notando as escolhas das frutas, eu tinha que me segurar no lugar, minha maior vontade era de beijar a face de minha filha, pois ela ja estava ouvindo meus conselhos! Minha felicidade aumentava quando notava a maçã no prato de Dianah.

    "Uma apresentação só para mim... Nossa, eu quase nao a respondi! Mary, essa surpresa me pegou desprevenida!"

    Então, olho para a saxofonista e com um simpático e largo sorrir, falo animada:

    -Sim, sim! Adoraria! Nossa, a ansiedade já me devora, adoro seus discos, que honra querida, obrigada!
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 25/10/2016, 23:35

    Fressia era loira de cabelos compridos, pouco ondulados e cheia de tatuagens celtas azuis e verdes pelo corpo todo. O sorriso dela era cativante e chamativo, mas as curvas de seu corpo eram sua característica que mais lhe mantinha a recordação viva. Era a primeira pessoa que você realmente olhou como uma verdadeira mulher, seu primeiro grande desejo, junto é claro, do irmão dela. Era assustador como essa lembrança antiga vinha a sua cabeça agora. Apenas olhar para Mary, e Fressia vinha a sua mente fazendo seu coração palpitar rápido. Uma memória tão boa que o tempo havia lhe tirado de ti e agora estava fresca em sua mente.

    Dianah ficou sem saber como reagir com seu foco indo para a senhora dela. Só que a mesma se mostrou extremamente aliviada e feliz quando o convite dela foi formalizado. Parecia ter legitimamente fico alegre, na medida que comia mais das frutas. Frutas essas que estavam em estrema qualidade. As amoras iam para sua boca com um gosto profundo que lhe recordava a sensação de instantes atrás. A comida chegava em seu estômago e lhe assustava, pois um frio tomava sua barriga. Felizmente o gosto puro, forte e doce lhe fazia prolongar o prazer em seu paladar.

    - Meus aliados? Uma Tremere bem influente na capela, junto é claro dos sussurros que correm os cemitérios da cidade. Ambos estão dispostos a ajudar nossa empreitada. A feiticeira irá entrar em contato comigo em breve para dizer como foram os resultados do sangue que a ofereci e me passar mais informações sobre a tempestade.

    Simone deu algumas goladas em seu vitae enquanto prestava atenção com cautela as suas palavras. Respondia devagar em seguida. Apenas o antigo dramaturgo também prestava atenção direta, os outros estavam comendo e lentamente terminando com a cesta de frutas. A qual no instante que terminou fez com que Gideon entrasse novamente na sala de jantar. Agora com quatro grandes pratos. Os quais depositou estrategicamente por toda a mesa. Revelando vários mosaicos de aperitivos ali dentro. oito sabores diferentes misturados criando obras de artes coloridas. As quais promoveu inúmeros elogios dos ali presentes que não se pouparam em se alimentar. Uma baixa conversa paralela vinha de Mary com Rachel, sua filha iniciava a fala, falando baixo.

    - Obrigada Mary por ter passado a manhã toda comigo. Você foi bem atenciosa comigo e quase não senti dor graças a vós ter me distraído bastante. Também lhe agradeço pelo sangue...

    - Por favor, não agradeça. Você faz parte da família da Senhorita Penélope e tenho de ser tão amável contigo, quanto sou com ela.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por Danto Jogador em 26/10/2016, 14:09

    Colocando uma amora na boca eu sinto um pequeno calafrio tomar meu corpo, naquele instante eu ia para muito longe, tão longe que sem perceber eu liberava um suspiro profundo.

    "Fressia... Já se passaram tantos anos! Nossa eu estou totalmente entregue a essa sensação, será que alguém percebeu? Preciso disfarçar,  mas não quero... Eu quero o sorriso dela, as curvas, as carícias... Espere, Mary! Você está me levando em direção a algo tão intenso?!"

    Prontamente após o suspiro eu soltava um pequenino barulho pelos lábios fechados, disfarçando todo meu impulso nada convencional de me atirar nos braços de Mary, com uma declaração de que estava amando comer aquelas amoras deliciosas. Mas a verdade era que eu sentia minha face esquentar e por pouco ela não ficava totalmente avermelhada! A melhor maneira de evitar uma entrega total era me atentar a conversa com Simone e foi exatamente o que eu fiz:

    -Dois aliados então, mas eu devo assumir que é arriscado entregar vitae para um Tremere que não seja de extrema confiança, entretanto, eu tenho um costume de sempre olhar para os feiticeiros com bons olhos... Minha recomendação é que a senhorita consiga uma colisão mais sólida de aliados, um passo importante é iniciar os planos de auxilio e contenção dos humanos. Mas permita-me perguntar, como seus dois aliados poderão ativamente ajuda-la a chegar onde pretendes?

    Em meio a minha fala eu notava a entrada de Gideon e fazia uma pequenina pausa de milésimos de segundos, prontamente eu me sentia envergonhada, pois ele iria prontamente identificar as reações do meu corpo que estavam sendo direcionadas à Mary. Desviando os olhos de Gideon, eu me atentava a pequena conversa que se seguiu entre minha filha e Mary.

    "Ela passou a manhã toda ao lado dela? No momento mais difícil... Ela até deu seu sangue... Mary você será min... Controle Eleanor, controle!"

    Eu segurava um riso entre os lábios, mas deixava escapar um sorriso meigo enquanto observava as duas lindas jovens sentadas a mesa. Estava chegando ao ponto em que eu precisava me lembrar das prioridades! De fato isso era engraçado e eu me divertia com a forma que aquele simples beijo havia despertado sentimentos tão abundantes.
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    King Narrador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato IV - Spring

    Mensagem por King Narrador em 26/10/2016, 16:58

    Simone dava um gole longo enquanto você falava. Os canapés iam gradativamente sumindo na mesa enquanto isso. Só que nada disso parecia lhe importar agora. Pois sua atenção foi direta para suas pernas que sentiram algo quente tocando. Era os suaves pés de Mary descalços. Que alisava sua perna com delicadeza dando alguns arrepios, até irem até sua sapatilha e tentar puxar elas para fora. Era possível notar que a jovem estava se esticando toda para conseguir lhe tocar por debaixo da mesa. Se ela estivesse mais perto estaria provavelmente se divertindo mais. Os olhos travessos dela te divertiam profundamente. Trazendo imagens fortes a sua mente e te fazendo se lembrar do último momento intimo que você teve com ela. Em seguida a Simone prosseguiu com a conversa.

    - Hummm... A Tremere é neta direta da própria Regente da grande capela de Dallas. Uma pessoa muito inteligente e pragmática. A qual apoia uma restauração do principado local pela linha de poder mais elevada. Com todos os mais antigos dormindo, o maior posto com membros despertos na cidade somos nós Harpias. Sendo apenas eu e a Karol Summer, dos Nosferatus, as únicas a sete passos de caim, somos as mais bem posicionadas para tal. Claro que tem a Harpia Tremere, mas ela evita negócios fora de seu distrito. Todavia existe muitos boatos circulando sobre Nosferatus diableristas e ladrões dos segredos dos feiticeiros por entre os pântanos. O que faz a escolha da capela local vir direto para mim. O Sussurro não é muito fã da maior linhagem de seu clã na cidade, assim tenho toda a vantagem política. Junto do apoio Malkaviano, minhas chances de ser bem sucedida em um futuro conclave são ótimas, ainda mais com a Senhora me apoiando. Entretanto os últimos ataques ao nosso clã podem atrapalhar isso. Me foi passado que mais sete carniçais foram atacados nestas noites...

    Outras conversas aconteciam na mesa em paralelo. Mary, agindo como se nada estivesse acontecendo, se mantinha conversando com o dramaturgo e a saxofonista sobre o teatro local. Sendo garantido pelo antigo carniçal que o mesmo já estaria de portas abertas na próxima noite, com ou sem tempestade. Sua primeira filha agora desviava o olhar para o companheiro de Simone e fez um pequeno ar de surpresa, a qual foi recíproca e fez este começar a conversar com ela.

    - Senhorita Carroll, me lembro de você quando me maquiava alguns anos atrás.

    - Sim! Bom, claro que me lembro do senhor, Colonna. Sempre fomos uma boa equipe nos sets de filmagem. Eu também era muito amiga da Angel... Ai, desculpa!

    - Não não... Tudo bem, fui eu que terminei com ela...

    Simone fez uma breve careta quando a palavra Angel foi dita. Mas não se incomodou além disso. Apenas desviava o olhar de tempos em tempos de forma disfarçada para apreciar as asas de Rachel. Depois dava mais uma grande tragada em sua taça. Agora a entrada finalmente acabava e vinha o Gideon com o coelho como prato principal. Ele colocava a grande travessa de comida em uma mesinha lateral e começava a retirar os pratos vazios da mesa. O cheiro que vinha da carne bem temperada estava absolutamente saboroso e mostrava abrir o apetite de todos.


    Última edição por King Narrador em 13/3/2017, 16:38, editado 1 vez(es)

      Data/hora atual: 22/10/2017, 17:14