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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

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    Danto
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    Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 25/9/2016, 17:42

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite


    Seus olhos se abriam, estava tudo muito escuro e os tremores eram bem intensos, seu corpo balançava de um lado para o outro e seus ombros se chocavam contra as paredes internas de madeira, você estava dentro de um caixão que estava sendo transportado de alguma forma ainda desconhecida... Os tremores prontamente paravam e junto com eles, o ronco do motor também... O som da porta da frente se abria, alguém caminhava na sua direção e o som forte seguido de um empurrão para baixo era feito. O porta-mala era aberto e seu caixão era puxado do interior do carro onde você estava, em sequência, o lacre de proteção contra as luzes naturais do dia era rompido e seus olhos finalmente viam algo além de escuridão: A face redonda de Tamara.

    -Boa noite Heike, acabamos de chegar em Berlim e acredito que seja mais confortável seguir a viagem sentado em um dos bancos do carro não é mesmo?!

    Ela sorria de maneira educada, estendendo uma mão para te ajudar a sair do caixão. Vocês estavam em uma rua na cidade de Berlim, você nem sequer sabia onde exatamente era, mas algo lhe dizia que você estava em Berlim, uma sensação nostálgica estranha... A saída de Frankfurt foi feita durante o dia, era uma viagem de seis horas e meia em média e foi arquitetada na noite anterior, afinal, foi finalmente a noite em que as suas leituras inicias haviam terminado. Não haviam mais diários lá a serem lidos e o último trecho que você leu era:
    "Bom, o fim desse diário chegou... Agora é necessário guardar os outros diários nessa cidade. Espero que eu consiga achar bons esconderijos em Berlim..."
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 25/9/2016, 23:34

    Heike ficava com apenas um olho aberto ao acordar, ainda meio sonolento o mesmo era chacoalhado involuntariamente para os lados o que o fez recobrar os sentidos um pouco mais rápido devido a agitação.

    " Céus! Quantos buracos tem nessa rua? "

    Com a parada, o mesmo virou o rosto ao ver as luzes, já que em seu caixão apenas a penumbra era vista, com os olhos ainda se acostumando com a claridade o Malkaviano sorriu para Tamara e estendia a mão aceitando sua ajuda de bom grato, enquanto saia do caixão o mesmo falava de uma maneira mais informal e acenando que sim com a cabeça.

    - Por Deus Tamara! Quantos buracos havia nessa rua? Você estava guiando este carro por cima dos tachões que divide as vias de proposito não é!

    Já em pé ele esticava o corpo por completo como se estivesse se espreguiçando e com os braços abertos o mesmo em anos respirava profundamente, não que ele se lembrasse de algo de seu passado, mas para ele fazia anos que não respirava.

    Mudando sua postura de uma maneira um tanto quanto rápida o mesmo pegava as mãos de Tamara e beijava cada uma de uma maneira educada e agradecida.

    - És uma mulher tão linda e compreensível! Fiquei muito contente em saber que viria comigo, sabes, nunca gostei de ficar sozinho minha dama. Em primeira instancia devemos achar um local adequado para nós acomodarmos e conhecer a belíssima Berlim. Agora deixe-me guiar o carro, deve estar exausta pela viagem.

    Soltando as mãos de Tamara ao fim da frase o cainita demonstrava uma postura mais dominante em seu tom, não esperava nenhuma resposta positiva ou negativa ali, mas o mesmo aprendeu a admirar e sentir preocupações pela carniçal de seu senhor, afinal, ela era que estava ao seu lado já a um certo tempo.

    " Após encontrarmos um bom refugio eu devo me atentar em onde eu esconderia alguns diários meus...devo me basear em meu passado. Museus, teatros e concertos...ahhhhhhhh...as vagas lembranças de minha vida afloram nesta cidade!"
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 27/9/2016, 00:08

    Tamara ria da sua reação e prontamente reagia com uma fala bem suspeita, afinal, haviam marcas de pneu por toda calçada por onde o carro havia passado e o mesmo se encontrava com duas rodas no asfalta e duas sobre o meio fio.

    -Eu? Jamais! Bom, tava mesmo na hora do seu despertar não concorda? Olha, eu até vou deixar você dirigir, mas lembre-se, você só acha que conhece Berlim tá? Não vai me virar na contra-mão e destruir o meu carro tá bem!?

    Ela prontamente caminhava para o banco do carona, entrando no carro e sentando no mesmo. Puxando o cinto de segurança e travando o mesmo antes mesmo que você pudesse entrar no veículo mais uma vez. A expressão dela era de cansaço, era inevitável, Tamara já não se sentia mais confortável durante o dia e você notava que a pele dela já começava a assumir um tom similar a tua, o pálido mórbido cainita.
    No momento que você adentrava o carro, Tamara abria o porta luvas e lhe entregava um mapa da cidade com um enorme circulo vermelho na parte Oriental da cidade. Com uma observação logo ao lado: "Refúgio".

    -Só seguir o caminho e nós chegamos lá, tô precisando de um banho, uma pizza e muito sono! Muito mesmo! E espero que Nosso Senhor não esteja nos esperando lá, ele fica mal humoradinho nessa época do ano sabe...
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 27/9/2016, 09:02

    - Nem me diga, parece que vou ganhando mais e mais sono! Não conheço não, eu só quero que descanse! E não irei me vingar de seu ato adorável de me acordar com louvor.

    Heike ria e apontava para as marcas dos pneus com uma cara de "tá aqui", mas não era uma acusação ou muito menos uma demonstração de que estava certo. Ele caminhava até o carro e se sentava no banco do motorista e olhava para Tamara.

    - Aqui é esquerda né!?

    Ria de maneira zombeteira o malkaviano, ele pegava o mapa e analisava o mesmo já se localizando colocando a cabeça para fora do carro e vendo uma placa com o nome da rua, logo em seguida dobrou o mapa e o deixou em uma posição próxima ao cambio onde poderia facilmente visualizar as ruas que deveria entrar.

    Ele colocava a mão no ombro de sua "irmã" e fazia uma pequena massagem.

    - Você está se tornando uma adorável irmã Tamara, sei que esta se tornando mais e mais difícil se manter de pé durante o dia, agradeço por ter dirigido todo esse percurso. Sua pele já está ficando mais clara e fria, combina muito com a coloração de suas madeixas carmesim.

    Parando de fazer a leve massagem o rapaz ligava o carro e batia a testa no volante como se estivesse cansado e falava em um tom desanimado.

    - Não me lembres disso! Sua senhoria irá nós retrucar de como o mundo ficou sem amor e as aventuras para se conquistar o algo. Fora os devaneios de quando desejas diversão...só que você nunca me explicastes estes reais motivos!
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 27/9/2016, 12:36

    Tamara relaxava o corpo contra o estofado do carro e olhava na sua direção, balançando a cabeça negativamente, ela comentava de maneira breve:

    -Não me chame de Irmã Tamara, não sou nenhuma freira...

    Ela então apenas sorria e nada mais comentava, o cansaço era notório e ela provavelmente não queria mais lutar contra o mesmo naquela situação. E assim vocês continuaram o caminho de vocês em direção ao "refúgio" seja lá o que isso fosse significar. Minutos depois, vocês chegavam ao endereço...

    Tamara estava cochilando levemente dentro do carro, mas assim que você parava em frente a casa antiga de madeira cinza e sem vida alguma, ela prontamente acordava resmungando algumas coisas em um tom de voz bem baixo, mas você suspeitava que ali continham palavrões. A iluminação na rua era feita por lâmpadas incandescentes alaranjadas, uma delas estava até bem fraca e quase não era capaz de iluminar a parte de trás daquele lugar que seria o "refúgio" de vocês na cidade de Berlim. Tamara prontamente saia do carro e comentando do lado de fora:

    -Tinha que ser uma casa caindo aos pedaços?!
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 27/9/2016, 13:05

    - Só dorme!

    Heike compreendia o estresse que Tamara estava passando pela cansativa viagem e o esforço que ela fazia para se manter em pé. Ao contrario do que a mesma havia feito o rapaz dirigia com cautela tentando minimizar a pequena viagem até o refugio.

    " Então foi o meu senhor que escolheu o refugio! Mais que casinha mais amigável...!"

    Ele estacionava o carro calmamente e olhava para Tamara como se tivesse falhado em não acordar a mesma, com ela resmungando o Malkaviano sorriu, e saia do carro logo em seguida encostando as costas no carro e olhando para a casa.

    - Não sejas dramática. Se passarmos um verniz e pintarmos tudo, mas eu enfatizo no tudo ela melhora um pouco. Eu não me importo com a casa, o que me preocupa é se ela tem um banheiro para você, por que ai vai ser dois irritados! Vamos?

    " Esta casa me lembra as casas de minha época! Posso vê-lá ainda nova e perfeita em minhas memorias"
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 29/9/2016, 18:17

    Tamara olha para você e aponta com veemência para as janelas superiores da casa e diz, levemente irritada e cansada.

    -Literalmente, literalmente, não tem vidro nas janelas de cima! Dessa vez eu mato ele! Se não matar, vou pelo menos reclamar por uns bons minutos até ele se cansar e ir dormir!

    Cruzando os braços ela caminha na direção da mansão e sem muita paciência já abria a porta da mesma e entrava de uma só vez. Esperando por vocês logo no hall de entrada empoeirado, sujo, mal cuidado e cheio de escombros entulhados no lado direito, havia um homem de terno e gravata.  Seus olhos eram opacos e vazios como o apenas o próprio universo poderia ser...

    -Sejam bem vindos, meus filhos. Está é a morada de vocês e eu serei o que você desejarem, seus servos são quatro e cada um deles possuí uma peça para a resposta que você procura para começar a sua jornada nessa cidade, basta é claro, fazer a pergunta correta...

    Tamara ignorava totalmente a presença daquele homem, que apesar do terno muito bonito e novo, parecia muito com um cidadão que vivia nas ruas ou um errante beberrão. A mulher começava a explorar o local, deixando-o sob a sua responsabilidade.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 29/9/2016, 19:05

    Heike apenas balançava a cabeça de uma forma a se negar no que estava ouvindo. Por outro lado seus olhos emitiam uma total compreensão nas palavras de Tamara, o mesmo sabia que ela estava irritada com o percurso e por sua condição de sangue.

    " É hoje viu! É hoje!"

    O rapaz acompanhava a mulher de maneira calma, ao adentrar na casa e ver a condição da mesma ele colocava a mão no rosto e quase tinha vontade de se encolher em um canto, mas a voz do homem que era seu senhor o fez abaixar um pouco a mão e olhar para aquela figura.

    " Meus Deus ele já está se divertindo! Vai sobrar para nós dois se pelo menos o banheiro o Senhor não se prontificou de estar limpo e pronto para um banho! E Céus, sempre com essas fisionomias tão comuns..."

    Vendo a reação de Tamara o mesmo até levantou a mão para falar, logo em seguida a abaixando, por vezes o silencio era a melhor das respostas, e no momento sua irmã não estava para amigos. Se voltando para o homem com os olhos que não demonstravam sentimentos algum Heike abria os braços de uma forma calorosa e com um sorriso imenso no rosto, e batia algumas palmas.

    - Boa noite Vossa Senhoria, me alegra o ver com este magnifico estado de espirito. Suas peças são únicas...e desejo que o Senhor sejas quem sempre foi, nada mais e nada menos!

    Dando mais uma olhada na casa, o rapaz voltava a falar.

    - Me digas que o quarto de Tamara é o único que está limpo meu Senhor! Ela está irritadíssima pela sua condição com vosso sangue e o cansaço é claro. Ela está me dando medo, mulheres nesse estado dão muito medo meu senhor. É como lidar com um enigma a cada conversa. E por ventura os servos que foram designados há mim, sabem realmente do meu passado?
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 30/9/2016, 13:44

    Tamara ainda andava de um lado para o outro, olhando todos os detalhes da casa imunda e cheia de entulhos, ela agora se aproximava da escada e verificava se era seguro subir pela mesma. O homem a sua frente olhava em silêncio e sem demonstrar reações, para então abaixar a cabeça, dar um passo para trás. Respirar fundo. Retornar no exato local onde estava e falar, da mesma forma.

    -Sejam bem vindos, meus filhos. Está é a morada de vocês e eu serei o que você desejarem, seus servos são quatro e cada um deles possuí uma peça para a resposta que você procura para começar a sua jornada nessa cidade, basta é claro, fazer a pergunta correta...

    Subindo a escadaria com cautela, Tamara prontamente comentava.

    -Eles são apenas vasos Heike, ou melhor, baús. Você precisa abri-los para tirar a mensagem de dentro... Entendeu!?
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 30/9/2016, 15:03

    - E eu pensando que ele havia trocado de rosto...meio conturbador esse gravador humano.

    Heike falava de uma maneira surpresa, fazia um gesto com os ombros e uma cara de que havia se enganado e que aceitava aquilo de maneira normal. Realizando uma caminhada curta até a escada o mesmo estendia a mão para Tamara lhe ajudando a subir.

    - Compreendi Tamara, apenas tenho que formular as perguntas de maneira correta! Agora me permita lhe ajudar. Se por ventura você se machucar aqui eu temo pela minha vida!

    Era um tom humorado no final da frase, os olhos do rapaz vagavam por sua mente a procura de uma pergunta coerente que lhe desse um foco para iniciar suas investigações.

    " Eu guardei diários aqui ao que tudo indica, pela frase que eu mesmo escrevi quando eu tinha minhas memorias que agora não as tenho em meus diários...DEUS, isso da um nó na cabeça...espera...não...cada resposta tem uma peça...não...não pode ser...ele não faria isso? Ah ele faria isso..."

    Com os olhos arregalados o mesmo se virava para Tamara, seu tom era parecido com o de seu senhor em questão da dramatização só que mais sutil e no final falando normalmente.

    - Ele tá fazendo uma peça comigo Tamara! Essas coisas terminam em morte...jesus...eu sou muito novo para morrer, não que eu seja realmente novo, é que me lembrei das coisas agora...não...eu as li agora, até pensei que ele nunca faria isso comigo, mas é nosso senhor, e ele o faria sim. Só que não sou louco de fazer exatamente o final padrão desse teatro.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 2/10/2016, 19:18


    Logo no segundo piso era possível ver a visão de um corredor mais bem cuidado, com um carpete vermelho que seguia pelas escadas que terminavam em três quartos. Cada uma das portas possuía um nome, a porta central tinha o nome de Tamara. A da esquerda possuía o seu nome e a da direita estava repleta de nomes. Os nomes eram todos escritos através de arranhões feitos sobre a madeira e a tinta que revestia a mesma. A sua amiga respirava fundo por alguns instantes, agradecendo sem verbalizar a ajuda e logo se direcionava para o próprio quarto, segurando a maçaneta e olhando para você mais uma vez.

    -Você já está morto seu abestado e você é louco sim! Ta pirado ao ponto de esquecer o que você é Heike?

    Ela prontamente caia na risada com a própria fala, achando uma enorme graça na simples situação em que você havia se colocado.

    -Olha, eu só quero tomar um banho e dormir... Aquela cordinha ali no teto é uma entrada pro sotão. Deve ter algo lá para você e essa porta cheia de rabiscos também! Boa sorte... eu to cansada de mais para esse jogos.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 2/10/2016, 21:43

    Heike via o corredor limpo, assim como o quarto de Tamara e agradecia a todos os Deuses que sabia o nome por aquilo. Vendo a reação de Tamara e com os olhos na porta que continham vários nomes o rapaz sorria e fazia um sinal de arma na própria cabeça atirando depois em uma onomatopeia com a boca.

    - Ah você entendeu sua besta! Chata...agora espere um pouco Tamara.

    Voltando sua atenção exclusivamente para ela o Malkaviano se aproximava, pegando na mão dela e lhe dando um beijo delicado na mão. Um sorriso satisfeito lhe estampava a face.

    - Já fez mais do que o esperado minha dama. Se banhe com calma, peça sua deliciosa pizza e por fim relaxe em sua cama, que Morfeu lhe abrace da maneira mais aconchegante que ele possa. Descanse bem. Por que irritada você é muito da chata viu.

    Rapidamente ele dava passos para trás piscando o esquerdo para ela, com um sorriso zombeteiro em seu rosto. Olhou para a porta com diversos nomes e olhava para o teto.

    " Antes de descobrir o que temos atrás da porta irei ver o que temos no sótão. As vezes eu já passei por aqui e deixei alguma coisa...desce sem muito barulho!"

    Puxava a corda e apoiando a mão para que a mesma não descesse com tudo e fizesse um tremendo barulho.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 3/10/2016, 23:18

    O Sótão:
    Parte frontal do sótão:


    Parte traseira do sótão:

    Você subia o sótão por uma escada bem velha e carcomida, ao chegar no local você rapidamente percebia que haviam dois ambientes diferentes, marcados pela presença de entulhos e a total ausência deles. Próximo as janelas destruídas havia um pedra de concreto cinza e uma criança de no máximo dez anos de idade, vestindo uma toga branca, sem nenhuma única mancha. De cabelos vermelhos e olhos azuis, ela sorria ao vê-lo, os dentes estavam tingidos de vermelho, os lábios feridos e imediatamente você notava os caninos típicos de um cainita presentes na mesma.
    No fundo, em meio aos entulhos, existia uma mulher jogada no chão, totalmente nua e com o corpo imundo, cheio de feridas e marcas de autoflagelação. Nas mãos dela havia um chicote e ela estava desacordada.

    -Bem vindo ao céu, aqui temos nove grandes esferas, as esferas do paraíso... Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, a fixa e o Primum Mobile. Faça as perguntas certas e terá as peças que lhe faltam! Boa sorte irmão...

    Dizia a criança de toga com um sorriso sarcástico na face.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 4/10/2016, 12:28

    O Malkaviano ao subir o mesmo de deparava com as duas cenas, um local quase limpo e um outro completamente cheio de "sujeira". Ao ver a criança o mesmo não demonstrou nenhuma expressão de surpresa, com um aceno curto com a cabeça ele se prontificava de saldar aquela criança.

    " Peculiar, a mesma obtêm de expressão o que significa que não esta utilizando de nenhuma ofuscação como meu senhor sempre o faz. Seus olhos demonstram controle sobre si e não são vagos como o espaço, outro sinal de que não estas a ser dominada por ele. Um pequeno anjo no paraíso, que sarcástico que ela seja uma cainita não?"

    - Agradeço as boas vindas minha cara. Devo me apresentar de forma formal já que até o momento somos completos desconhecidos, por minha parte pelo menso. Sou Heike Burkhard Huberman.

    Sua fala era educada e demonstrando ser alguém amigável, se virando e olhando para a parte do sótão onde haviam os diversos entulhos ele permanecia a observar a mulher com o chicote em mãos e marcas em seu corpo.

    - Se aqui é o céu, creio que ali sejas o inferno! Caso o seja me pergunto os pecados feitos por ela...no momento está não é minha pergunta.Somos irmãos de maldição ou vinculados pela vitae de Sua senhoria Zotto?
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 4/10/2016, 21:02

    -Eu sei quem você é Heike, não precisava se apresentar. Aqui no paraíso não existem pecados ou segredos, tão pouco maldições ou herdeiros. Mas a resposta que dos meus lábios sairá é: Quem é Zotto? Eu sou filha dele, mas quem é ele? Você realmente se lembra ou acha que lembra? E lembre-se das regras do paraíso.

    Essa foi a resposta da pequena garota, cruzando os braços na sua frente e assumindo um sorriso diabólico na face, ela parecia estar se divertindo profundamente com a situação. Em seguida ela dá um passo para trás, dois para a esquerda e um para frente. E perguntando logo depois de parar.

    -O efeito doppler é maravilhoso não é?! Você consegue senti-lo agora?

    As palavras dela pareciam desconexas, provocativas e ligeiramente sensualizadas de uma maneira nada saudável para uma criança.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 4/10/2016, 22:43

    Heike sorria para a primeira pergunta daquela criança cainita e levantava os braços na altura do peito em um sinal de que não tinha uma resposta para aquela pergunta, suas falas eram cheias de gestos demonstrando seu interesse nas conversas. Sua mão ia até a parte traseira de seu pescoço enquanto ele a esfregava de maneira tranquila.

    - Sua resposta não foi uma total resposta. Hehehehe...

    Ele ria de uma maneira desconcertada e se abaixava deixando o peso de seu corpo sobre a ponta dos pés, seu olhar ficou vago por um instante e sua voz seria sem nenhuma expressão.

    - Você tem toda razão irmãzinha. Não conheço meu senhor o quanto eu queria, na verdade para mim ele é um grande quebra cabeças sem solução alguma, uma peça ou chave do passado que poucos tiveram a oportunidade de estudar ou vivenciar. Assim como minhas memorias. Estas podem ser falsas ou verdadeiras, cabe a mim acreditar nelas ou não...é como não ter uma alma...ter duvidas de quem sou e do porquê ajo assim...Tsc...

    Logo ele se levantava e voltava a sorrir, quebrando aquele clima que não lhe agradava em nada, cruzando um dos braços e com a mão apoiando em seu queixo o mesmo ficava alguns segundos quieto tentando ouvir algo, e falava em um tom preocupado por não ouvir nada.

    - Ah sim. Com esse conhecimento tanto na medicina quanto na ciência a medição de velocidade de objetos foi dada com mais precisão...eu media a velocidade das estrelas com ele, podendo assim saber no passado como as civilizações antigas as viam... no momento só ouvi seus passos com essa finalidade.

    " Devo me atentar em minhas palavras, ela tem a aparência de uma jovem, mas, caso esteja falando a verdade deve ser muito mais velha que eu. Me parece um jogo a qual ela esta me fazendo questionar aquilo que no momento não é importante. Ela é perigosa!"
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 6/10/2016, 12:32

    -E você não falou absolutamente nada de útil, fico aqui então na espera da pergunta coerente e específica. Eu não estou interessada em bater papo ou ficar a ouvir seus devaneios... tens alguma pergunta ou não?

    O tom de voz da criança era impaciente, mas a expressão que ela apresentava era de total desinteresse e distanciamento. De alguma forma ela se mostrava pouquíssima interessada em você ou nas suas formas de pensar e agir, algo raro até agora. A impressão que você tinha era do seu protagonismo na história, mas essa criança parecia estar a sua frente a contra gosto.
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 6/10/2016, 18:55

    - Então somos dois a contra gosto aqui!

    Sua fala saia como uma demonstração também de seu descontentamento com aquela situação, só que a expressão ainda se mantinha simpática na presença da criança. De maneira rápida o mesmo batia a mão e fazia um som forte com elas. Emitindo um eco forte de bater de palma, realizou aquele ato apenas para ter a atenção da menina e puramente para elevar sua alto confiança.

    " Ela é direta, bom, a grosso modo isso evita bajulações desnecessárias, vamos começar a entender nosso terreno"

    - Minha mente viaja antes de mim em muitos aspectos, por isso a demora de minha palavras. Sem questionamentos para essa frase anterior. Minha primeira pergunta será feita, para cada pergunta correta que fizer haverá respostas sobre as peças que desejo, isto é um fato, agora caso eu faça as perguntas erradas receberei punições por isso? E se for possível a imensa! Há limites para elas?
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 6/10/2016, 20:48

    A pequena criança a sua frente olhava irritadíssima para você e reagia imediatamente a sua primeira frase, mostrando o dedo do meio para você e resmungando sem nenhum pudor ou etiqueta.

    -E eu falei alguma coisa desse tipo? Você é insuportável! Odeio você Zotto...sinceramente...

    Resmungando e lançando várias ofensas contra o nome de Zotto, a pequena cainita se sentava e cruzava os braços. Demorando bastante para responder as perguntas que você havia feito. Mas enfim ela olhava para você mais uma vez com uma expressão de total tédio e falta de vontade.

    -Não existem limites para as punições. Seu alemão é horrível ou você só nasceu retardado mesmo? Tá achando que eu sou um gênio da lâmpada mágica pra fazer esse tipo de pergunta abestada? Você quer saber se existem limites pras perguntas? Pra mim não é claro, não sou como você e os outros. Mas para os outros sim, normalmente são quatro.
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 6/10/2016, 21:15

    Heike ria das ofensas colocando a mão na própria face balançando a cabeça de forma negativa. Com uma certa paciência o rapaz cruzou os braços e não respondia a primeira pergunta da menina cainita, esperava de forma paciente e sem nenhuma presa a mesma começar a falar novamente, prestando atenção em cada palavra dita por ela.

    - Droga...realmente tem punições...Acalme-se pequeno anjo no paraíso. Quero entender onde estou pisando em primeiro lugar.

    De maneira calma ele caminha na direção da cainita e se sentava na frente dela, cruzando as pernas, retirava uma de suas pulseiras e começava passar os dedos em cada gomo do que parecia ser uma pulseira budista, não que ele fosse religioso ou algo do tipo, na verdade era mais um acessório para ele.

    - O que cada esfera do paraíso significa?

    Seus olhos demonstravam uma atenção especial agora, assim como sua feição adquiria neutralidade de expressões.
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 10/10/2016, 12:53

    A pequena cainita observa você em silêncio por alguns instantes, achando curiosa a maneira que você utilizava a sua pulseira. Mas logo ela apoiava as mãos no chão logo a frente dela e prontamente começava a falar, fazendo desenhos de círculos no chão empoeirado do local.

    -A Primeira Esfera é a esfera da Lua é a das almas que foram virtuosas mas abandonaram seus votos, e assim foram insuficientes na virtude da coragem. A Segunda Esfera é a esfera de Mercúrio, é das almas que fizeram bom uso de seus desejos de fama, mas que, sendo ambiciosas, foram insuficientes em virtude da justiça. A Terceira Esfera é esfera de Vênus, é das almas que fizeram bons usos do amor, mas foram insuficientes na virtude da temperança... A Quarta esfera é a esfera do Sol é das almas dos sábios, que personificam a prudência. A Quinta Esfera,a esfera de Marte é formado pelas almas que lutaram pelo o cristianismo e que encarnam a coragem. A Sexta Esfera, ou a esfera de Júpiter é o de almas que personificaram a justiça, as almas aqui anunciam em latim: "Amem a justiça, vós que julgais a terra", e depois arranjam-se na forma de uma águia imperial... A Sétima Esfera é nomeada Saturno, é a dos contemplativos, que personificam a temperança. A Oitava esfera... A esfera das estrelas fixas é da Igreja triunfante, é aqui onde Jesus e a Virgem Maria estão... A Nona Esfera é o Primum Mobile, ou "Primeira esfera a ser movida", a última esfera do universo físico. Ela é movida diretamente por Deus e seu movimento provoca o movimento de todas as demais esferas que ela encompassa...
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 11/10/2016, 13:32

    Toda a atenção de Heike estava voltada para a criança cainita, assim como ele se demonstrou extremamente curioso com os desenhos feitos no chão por ela, ele fechava a mão com a pulseira dentro e estendia o braço até a pequena, ele abria a mão conforme ia falando.

    - Adorei Saturno, o número sete significa a mudança, o novo!

    Com a outra mão ele apontava para a sétima esfera, com uma expressão pensativa o Malkaviano virou a cabeça para a mulher que estava caída com o corpo flagelado.

    " Até a terceira espera me parece uma especie de passagem para se compreender e entender suas falhas, as demais não possuem isso. A oitava e nova são uma especie de estado espiritual... será que terei nove trabalhos ou desafios a fazer aqui! Talvez eu ainda não saiba fazer as perguntas certas ainda...pelo menos eu consegui sua atenção"

    - E aquela mulher! Quem seria está que me parece se punir com aquele chicote?

    Não havia pena em seus olhos, muito menos compaixão por aquela cena deplorável, não gostava da cena que via, alguém que danificava o próprio corpo não era merecedor de pena, fazia aquilo por desejos. Mas seu pequeno julgamento mental não ia alem, pois em sua frente tinha uma irmã de sangue, e esta poderia ter quebrado a vontade daquela mulher caso desejasse.
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Danto em 12/10/2016, 16:20

    -De tudo que eu falei, você só tem isso a dizer!? Uau...você me surpreende Heike... E não de um jeitinho positivo sabe?! Mas eu irei te responder quem é aquela moça ali... Ela é o inferno.

    Comentava a pequena garota vestida com roupas gregas e com um sorriso sapeca na face, sem esperar qualquer resposta ela corre nas pontinhas dos pés até o pequeno bloco de concreto que estava próximo dela e entre as janelas. Segurando ele com uma das mãos ela o arremessa na direção da mulher deitada, a força que ela usava era simplesmente assustadora! A pedra se chocava contra as costas nuas da mulher e a feriam bastante, causando uma enorme mancha avermelhada e alguns furos, arranhões e uma lesão bem séria na proximidade da costela esquerda... O sangue começava a sair e a mulher reagia com um urro doloroso.
    A voz dela ecoava e reverberava, aquele corpo parecia estar possuído com inúmeras pessoas, de todos os gêneros e idades. Era terrível e lhe cortava a espinha, uma sensação assustadora de pânico lhe agarrava pelos calcanhares... O inferno começava a se levantar, calmamente e reclamando de dor... Ela puxava alguns retalhos e vestindo-os lentamente, com enorme dificuldade e ainda sangrando, os olhos azuis dela cintilavam em uma energia caótica.

    -Eu vou dançar nua por cima das suas cinzas, sua amaldiçoada imunda!

    Diziam as várias vozes masculinas e femininas que habitavam aquele corpo... A pequena cainita dava risada e mostrava a língua para o Inferno... E ele olhava diretamente para você, sorrindo da maneira mais medonha e terrível que seus olhos já haviam visto, com o indicador ela o convidava a se aproximar.

    O Inferno:

    Off: Última ação para o final do ato.
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Heike: Pretérito Imperfeito

    Mensagem por Miac em 12/10/2016, 22:02

    - Uma peça baseada no inferno de Dante. Eu apenas queria ter a certeza disso, a qual por cada esfera o protagonista teve que realizar ou por assim disser demonstrar seus valores. Não existe muito a se falar no momento. Pois ainda estou tentando entender as mudanças que nosso senhor o fez nas passagens de cada poema.

    Deixando a pulseira no chão este olhou para aquela cena e fez um expressão de dor ao ver o bloco acertar a carne da mulher que estava deitada. Só não conseguia entender como era possível todas aquelas vozes em um único corpo.

    - Desnecessário esse ato pequeno anjo. Mesmo que sejas o inferno...se quer demonstrar sua superioridade apenas a mate se for o caso.

    Um medo desconhecido por ele mesmo emanava de seu intimo, era algo novo, medo de uma criatura que parecia ser tão frágil e digna de pena assim. Um passo involuntário se fez para trás quando a mesma sorriu para ele. Uma certa relutância se demonstrava em seu corpo, algo involuntário para não ir.

    - Uma frase de efeito, ainda mais quando vem acompanhada de um convite...

    Falou de maneira breve antes de finalmente caminhar até a mulher.

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