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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

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    Danto
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    Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 14/10/2016, 02:15

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite

    A breve reunião com Arda terminou de uma maneira muito positiva e deveras inesperada, o pequeno Serafim se mostrou disposto a situações que você jamais suspeitaria que pudessem ocorrer. Ele não só havia prometido lhe ensinar mais sobre os verdadeiros poderes do Vitae de Caim, como também aceitara de bom grado as suas indicações, tornar-se-ia assim seu aprendiz no final desta mesma noite... Caroline por outro lado mostrou-se frágil e perdida, entretanto, a esperança que foi provida pela sabedoria de Arda nutriu o espírito da jovem que abandonava a falsa imagem de Demônio de Luxemburgo e começava finalmente a caminhar para a luz. Combinado com você, ela iria ao encontro do corpo em torpor de Maria...

    Assim não haviam mais razões para adiar a sua reunião com Nikolayevna, no exato momento em que você adentrava novamente o teu escritório pessoal e se sentava no mesmo refletindo sobre todos os recentes acontecimentos. Alguém tocava a sua porta, dois toques secos, breves e firmes... Sua sensibilidade auspiciosa lhe indicava que uma soturna presença estava do outro lado, e assim que a mesma foi autorizada por ti, ela adentrava vosso escritório.

    O corpo esguio e alto da russa adentrava seu escritório, usando vestes negras bem pesadas e com várias camadas que alteram entre o mais novo e limpo, até o mais esfarrapado e sujo tecido, camadas de preto e cinza escuro se alternaram com uma enorme preocupação para transmitirem uma sensação simétrica... Ela se preocupava com as próprias roupas e isso era de fato interessante, seus olhos logo procuravam por mais detalhes, encontrando os anéis nas mãos brancas e secas da anciã. Haviam anéis em todos eles, alguns de cobre, outros de prata e apenas um de ouro no indicador esquerdo. Nos anelares, nos dedos centrais e nos indicadores haviam dois pares de dedos, os segundos sempre postos no topo das falanges dos respectivos dedos. As unhas eram pintadas por uma profunda tintura negra, similar ao nanquim... Os pés estavam descalços, você não os via mas ouvia o som mais seco e agudo, impossível de ser alcançado por sapatos... Assim que a mulher adentrava, ela removia a enorme caveira que estava sobre a cabeça...
    A face dela era uma dolorosa assimetria caótica e cruel. Ela era obviamente vaidosa e a maldição de Caim havia sido meticulosamente violenta com a face belíssima que ela outrora possuía. O lado direito estava simplesmente destruído, morto e abominável, assim como toda a extremidade de sua face. A pele era similar ao veludo, a carne esturricada e os ossos acinzentados e foscos... Já a parte esquerda do rosto matinha ainda uma pequena porção de vida, um olho azul delicadamente apagado e desanimado se aliava a uma pele branquíssima e fria, mas parecia lutar bravamente para destacar a delicada e linda pintura vermelha na porção esquerda dos lábios...

    -Boa noite jovem Senhorita Rafaldini, vejo que és nesta noite o que sempre senhoras para os teus acolhidos. Fico feliz em vê-la finalmente ativa e com a face à frente, eles precisarão muito de ti... Ao mesmo tempo sinto tua confusão, tua ansiedade e modificação. Não de maneira transparente é claro, mas entenda que minha idade é responsável por tais percepções inesperadas e inusitadas. Afinal, devo ser mais antiga que teu próprio Senhor. Ou a menos deveria se o destino não fosse tão voraz e tortuoso... De qualquer forma, não estamos reunidas para falar sobre o quão injusto pode ter sido o meu passado ou minha segunda morte... Estamos reunidas para falar sobre ti, sobre essas presenças que rondam tua luz como mariposas atraídas por uma chama... Teu eco se tornou forte querida e eu estou aqui para lhe fornecer palavras, sabedorias e conselhos.

    Terminando a frase inicial a antiga se aproximava e colocava o crânio exótico de mais para pertencer a qualquer animal natural desse mundo, no chão e sentar-se na cadeira a sua frente, encostando as costas no apoio da mesma ela buscava olhar diretamente para ti, com o único olho que era vivo e funcional. O outro parecia ser apenas uma esfera morta, cinza e abandonada em uma face macabra...
    Veronika Nikolayevna:
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 14/10/2016, 21:35

    De olhos fechados Pietra simplesmente ainda sorria pela reunião com Arda e Caroline, na mesma noite em que defendera seu posto também recebera a prova de uma nova amizade, ganhara um aprendiz e um professor, algo que a cainita nunca havia imaginado, porem quando o toque se fez na porta esta abriu os olhos.

    Atenta a cada detalhe de Veronika a cainita se levantou quando esta entrou no escritórios, o preto simetricamente usado, os anéis de cobre e prata o único anel de ouro, tudo chamou a atenção dos olhos castanho de Pietra, mas foi na face desta que a cainita se demorou, não apenas na parte humana mas o rosto como um todo.

    “ A face dela... Essa é a real face de Nicolayevna? Porque ela me mostraria?!”

    Fechando os olhos por alguns instantes Pietra fez uma longa mensura antes de sentar-se na cadeira, um sorriso simples e sem segundas intenções surgiram nos lábios da cainita.

    - Eu agradeço suas palavras... Seria tolice de minha parte não aceitar seus conselhos... Principalmente quando certa confusão e mudança habitam meu corpo... Por nenhum momento acredito que tenhas tido a intenção de descobri-las... Mas eu também não tive a de esconder-las... Sinceramente mal as havia notado... Estava mais preocupada em como lidar com Althea...

    Comentava a cainita ao cruzar as pernas relaxando um pouco a postura, brincando com as mãos Pietra abaixou a face por alguns instantes.

    - Me dei conta das mudanças quando tive alguns instantes sozinha... Mas os acontecimentos das ultimas noites... O sono, a imperatriz... Temo pela mudança que possa ter causado nos outros... Mais do que nunca vejo que o papel que escolhi deve ser feito... Já não posso fugir dele e me esconder em meu atelie... Não seria justo com aqueles que cairão...

    Voltando a erguer seus olhos Pietra se arrumou na cadeira deixando que seus pés balançassem de leve, com uma leve umedecida nos lábios a cainita voltou a falar.

    - No começo desta noite eu pude sentir um pouco de minha mudança, mas uma visita inesperada retirou isso de minha mente... Recebi a visita de um grande amigo, e mais do que nunca de professor... Sei que outros não acreditariam em mim... Mas Friederich sempre mencionou seu vasto conhecimento... Veronika, eu vi toquei e conversei com o falecido Cardeal Luiz Ambrósio... Ainda não sei como reagir a isso, mas sei que podes me ajudar com minhas duvidas...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 14/10/2016, 21:52

    Off: Uso Auspícios para ler a aura dos anéis,

    Percpção + Empatia = 9d10
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Dados em 14/10/2016, 21:52

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 7, 3, 6, 4, 7, 6, 5, 1, 5
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 17/10/2016, 20:34

    -Você faz muito bem em não se refugiar em seu atelier minha cara Rafaldini, muitos precisarão de ti e tua presença sera uma nutrição breve, porém essencial. Teu caminho é muito maior do que essa cidade minha cara e o futuro irá lhe revelar isso aos poucos... Suas mudanças espirituais e corporais indicam isso. Tua mudança é drástica e não é pequena, tua suspeita é correta e precisa. Deixe-me colocar em melhores palavras...

    A anciã necromante se ajeitava brevemente na cadeira e colocava as duas mãos sobre a sua mesa, os dedos longos e brancos como pedras de mármore se abriam, ela então fazia duas linhas paralelas, literalmente moldando a madeira que compõe a sua mesa. Seus olhos eram capazes de ver a mágika poderosa fluindo das mãos da russa que fazia mágika com a mesma naturalidade que você fazia arte...

    -Cada linha representa uma verdade, uma cronologia, uma única e inexorável verdade. O aparecimento da Imperatriz e As Noites de Pesadelos fizeram uma ruptura entre as linhas da verdade.

    Ela então puxa o indicador esquerdo da linha mais alta e faz com que as linhas se choquem. Os choquem causam uma enorme reverberação em ambas, as ondulações são tão fortes e intensas que começam a gerar o encontro da linha alta com a mais baixa, até o ponto que só existe uma única linha.

    -O ecoar das grandes vontades causou uma enorme turbulência, você é uma dessas grandes vontades... Teus olhos foram capaz de furar a película que compõe o mundo físico que chamamos de Tellurian. Isso fez com que teu espírito se expandisse através dos véus que compõe o mundo espiritual... Teu eco é hoje enorme minha querida, muito maior do que outrora fora... És um farol e os pedidos virão ao teu encontro, assim como as mariposas e insetos também o farão. Vivemos atualmente em uma Tellurien diferente, menos sólida, menos rígida... E foi por isso que Arda a escolheu como aprendiz, tu precisa expandir vossa percepção do sobrenatural.

    Passando as mãos por cima da mesa mais uma vez, ela fazia desaparecer os desenhos e restaurava a madeira a sua forma original. Com calma ela levantava os olhos na sua direção e seguia falando.

    -Os mortos tendem a ficar para trás, presos por grilhões. Se esse morto for forte o suficiente ele poderá se materializar e até mesmo guiar os que ainda vivem... Esse é o caso, o Cardeal retornou por causa de um grilhão poderoso o suficiente para amarrar a essência dele aqui. Ele encontrou o farol mais próximo, basta agora saber se ele é um perdido ou uma mariposa... E é claro, se for de teu interesse, descobrir qual é o grilhão para que ele finalmente possa encontrar seu descanso final e breve. Já que a eternidade não existe...
    Os Anéis:

    Os anéis de cobre eram todos bem similares, mas não eram idênticos. Pequenos detalhes os diferenciavam, mas todos eram muito antigos. Nenhum possuía marcas típicas das forjas medievais, tampouco seguiam as estéticas que você era acostumada a ver quando ainda era mortal... Eram todos de traços orientais, mais precisamente da região da anatólia e isso estava transcrito na aura que eles possuíam. O mais tenebroso sobre os anéis de cobre era a coloração pálida dos mesmos, idênticas as auras de um cainita... Com mais cautela você começava a notar que cada anel de cobre era uma espécie de prisão ou refúgio para auras de cainitas sem corpo. A essência deles estava aprisionada ali para toda a eternidade através de uma mágika potente necromântica.
    Os anéis de prata eram medievais, similares aos que a nobreza prussiana utilizava. Todos pareciam carregar um sentimento muito profundo de saudade e nostalgia, foram utilizados por humanas que foram muito queridas por Nikolayevna.
    O único anel de ouro era de fato o mais intrigante e assustador, a força da aura que havia nele não era simples e era mais antiga que toda a Europa. Uma presença forte e indecifrável estava armazenada naquele anel de ouro, o maior sentimento ali presente era o de vingança e ele tinha traços muito fortes das auras dos antigos membros do Clã Cappadocian.
    Disposição dos Aneis:
    Mão direita:
    Polegar -> Cobre
    Indicador -> Cobre e prata
    Médio -> Cobre e prata
    Anelar -> cobre e prata
    Mínimo -> cobre

    Mão esquerda:
    Polegar -> Cobre
    Indicador -> Cobre e ouro
    Médio -> Cobre e prata
    Anelar -> cobre e prata
    Mínimo -> cobre
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 17/10/2016, 23:10

    As primeiras palavras de Veronika fizeram com que a cainita sorri-se de forma suave, seus olhos castanhos perceberam cada detalhe dos anéis durante as palavras da mesma, os movimentos de Veronika porem captaram a atenção de Pietra como um todo.

    “ Um controle excepcional?! As almas nos anéis, a força delas, o carinho e até mesmo o anel dourado... Quanto significado eles carregam? O quanto isso é importante para ela?! Será que sou digna disso?”

    Remexendo-se inquieta na cadeira Pietra chegou a se debruçar para frente em direção as linhas, seu senho sempre aberto e calmo aos poucos se fechava revelando uma tempestade pensamentos. O minimo movimento e ressoar de palavras foi notado, quando Veronika se recostou na cadeira Pietra fez o mesmo fechando os olhos e apoiando o queixo sobre as mãos.

    - Hummmm... De fato eu teria dificuldades em visualizar sua explicação sem um exemplo visual... Um mal de artista...

    Voltando ao silencio a cainita pesou a sua respiração, as mudanças, a cena que ha pouco havia acontecido na sala ao lado, tudo foi visto pela mente da cainita. Abrindo os olhos esta sorriu com um longo suspiro.

    - Não só pude visualizar a pelicula e fura-la... Por uma noite me foi possivel mudar alguns eventos... Se o fiz certo não sei dizer... Mas é claro que a mudança teve seu lado bom e ruim... Seria demias pedir que não fosse equivalente...

    Comentava a cainita sorrindo de forma suave ao se ajeitar na cadeira, cruzando perna por de baixo do joelho Pietra assumia uma postura mais pratica do que sempre o fizera.

    - Se estamos no Tellurian, menos solido significa que uma hora desapareceremos?! Ou nos acarretará em problemas sérios... Peço desculpas se houver algo que não consegui compreender... Edgard sempre me disse para concertar o defeito da falta da ligação com o sobrenatural... Mais do que nunca acredito que esteja na hora... Pude sentir essa falha na noite dos Pesadelos...

    Levantando-se, Pietra se sentou na mesa do centro, permanecendo de frente para Veronika, com cuidado esta puxou as mãos da mulher tocando com suavidade os anéis mais queridos para esta.

    - Posso estar errada... Mas conhecer o grilhão do Cardeal... Pelo menos acredito que que conheço...

    Sorrindo de leve Pietra olhou nos olhos de Veronica ao comentar.

    - Se eu puder trazer a luz as mariposas no escuro, iluminar o caminho dos perdidos... Terei feito o que escolhi para fazer... Diga-me irmã como posso ajudar a fazer com que as realidades se acertem... Sinto que estou perdida e lidando com coisas para quais não possuo talento algum... E sim se possivel eu gostaria de ajudar Monçada... Eu o devo muito..
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 20/10/2016, 08:44

    A antiga necromante entregava as duas mãos para que você as pudesse tocar, era surpreendente como ela não recuava ou recusava o seu toque, na realidade seus olhos castanhos eram capazes de notar que ela estava bastante curiosa com a sua reação. Afinal, os dedos dela eram secos e longos, similares a gravetos mortos atirados sobre a grama no final do outono. O branco pálido, triste e gélido também era presente, as unhas negras como pedras de ônix. Ela então movimentava novamente os lábios para responder as suas questões, com um tom calmo na voz.

    -Não se culpe, nunca é tarde para obtermos conhecimento. Cada ser possuí uma lacuna a ser preenchida nesse mundo, tua arte nutre até hoje os fluxos positivos da energia primordial. Não caia na falácia de que mágika só é feita por feiticeiros ou bruxos, tão pouco só necromantes ou sacerdotes. A mágika está presente em cada pequena ação, está no criar, no pensar, no agir e no falar... Agora, sobre a Tellurian e o que você pode fazer para normalizar essa situação. Senhorita Rafaldini, nenhum de nós poderá fazer absolutamente nada para equalizar as realidades em seus devidos lugares pela simples e irreversível situação: Não existe mais o plural. Hoje vivemos apenas uma realidade, todas as possibilidades e variações se solidificaram em um só caminho. E é por isso que a Tellurian está menos sólida, vivemos hoje em uma perspectiva líquida... Não iremos necessariamente nos desfazer de uma hora para outra, é apenas uma metáfora, pense comigo da seguinte maneira:
    Os fluidos se movem facilmente. Eles "fluem", "escorrem", "esvaem-se", "respingam", "transbordam", "vazam", "inundam", "borrifam", "pingam"; são "filtrados", "destilados"; diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos -  contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho. Do encontro com os sólidos emergem intactos, enquanto os sólidos que se encontram, se quebram.
    Ou seja, o que outrora fora sólido para a minha realidade, hoje se encontra mais escorregadio. Pense bem em como era a sua realidade anterior, você foi capaz de alterar relações, situações e acontecimentos. Todos foram, é sobre isso que estou falando. O tradicional muro que nós construímos ao nosso arredor foi feito com argila molhada e não tijolos... E pode ser remodelado a todo instante...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 20/10/2016, 11:45

    O toque dos dedos de Veronika eram distintos de qualquer outra mão que Pietra já segurará, secos e frios como a madeira a cainita os estudou por alguns instantes, seus olhos castanhos viam carne e ossos, embora seu toque lhe dissesse outra coisas.

    “Tão diferente... Como a maldição de Caim pode ser tão diferente... Veronika tem uma face bela, em muitos aspectos, a vida e a morte, presentes em uma só face...”

    Deixando que a Percursora observasse seus gestos a cainita brincou com as linhas das mãos desta, sem temer o toque, ou até mesmo as unhas enegrecidas Pietra escutava atentamente as palavras de Veronika.

    - Estas certa... Cada pequeno gesto cria algo a sua volta... Se isso não é magica não posso imaginar o que seria... Em todo o caso, acredito que começar a entender o básico sobre a magiká será bom... Edgard vem puxando minha orelha há alguns anos sobre o fato...

    Permanecendo com as mãos de Veronika entre as suas a cainita fechou os olhos por alguns instantes, a longa e intrigada explicação era digerida aos poucos, abrindo novamente os olhos a cainita concordou com um leve menear, buscando os olhos de Veronika está sorriu.

    - Consigo entender o que dizes... Se antes nossas ações se quebravam diante a correnteza, agora podemos molda-las... Criar novos caminhos onde antes não nos era permitido... Posso ver que isso se tornou real, mais do que nunca... De certa forma fico feliz... Isso nos abre possibilidades... Um novo futuro... Nos cabe agora saber como moldar nossa argila... Esse sera o grande desafio...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 20/10/2016, 17:33

    Veronika permitiu um pequeno e breve sorriso nos lábios antes de retomar a fala, era de fato curioso vê-la sorrir pois apenas o lado vivo demonstrava reações e emoções, o morto era uma lembrança direta da própria condição que amaldiçoava vocês duas: A morte/vida dos filhos de Caim.

    -Edgard é um feiticeiro habilidoso que caminhou por estradas muito tortuosas e sangrentas antes de encontrar um pouco de paz, ele tem razão em puxar tuas orelhas e eu farei o mesmo na ausência do mesmo. Mas não literalmente é claro, seria um pecado imperdoável fragmentar vossa imaculada e perfeita face. Entretanto, vejo com bons olhos o fato que tenhas me compreendido completamente. Isso facilitará o que eu realmente tenho para lhe dizer, Pietra Rafaldini, nós precisamos de você... Eu pertenço a uma antiga facção, mais antiga que o próprio mundo e todos os problemas que nele existem. O nome dela é Ta'lMahe'Ra, e eu sou a Águia Negra, Lich da Tal'Mahe'Ra e a tua luz é essencial para que a argila de nossas fortalezas não se solidifiquem jamais. Você tem o interesse de realmente ser um farol para todos?
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 20/10/2016, 22:54

    O sorriso de Veronika chamou a atenção de Pietra, a face marcada pela condição da morte ainda trazia os traços da antiga vida da cainita, uma brincadeira cruel do destino eternizada na face de Percussora.

    As palavras desta fizeram com que Pietra a encarasse curiosa, abaixando os olhos para as mãos de Veronika esta permaneceu em silencio por algum tempo.

    “Tal'Mahe'Ra... A Verdadeira Mão Negra... As lendas são inúmeras... O que eu poderia fazer por eles?!”

    - Quando eu estive nas trevas... Encontrei a luz no ultimo lugar em que procuraria normalmente... Estive entre os filhos da Torre... Hoje estou entre os da Espada do pai... Duas realidades distintas e conflitantes...

    Levantando os olhos a cainita sorriu de maneira suave e séria ao se pronunciar.

    - Todos os filhos da Maldição de Caim precisam de luz! Somos seres das trevas largados a nossa própria sorte... Se eu tive ajuda de outros foi porque encontrei um feixe de luz Veronika... Se a luz que eu exalo puder ajudar a outros irmãos e irmãs de maldição... Que assim seja... Foi o caminho que escolhi e não tenho como ignorar essa escolha minha irmã...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 22/10/2016, 16:09

    Veronika segura suas mãos com carinho enquanto ouvia suas palavras finais, a tua resposta havia deixado a anciã profundamente feliz. Gentilmente ela leva a sua mão esquerda até a face ainda "viva" dela, repousando a tua mão sobre a mesma você sentia uma face fria e uma pele suave como o veludo. A mulher então levava os olhos na sua direção, nos breves instantes que seus olhos se cruzavam a sua besta reagia, sentindo uma tristeza profunda dentro do corpo de Veronika, reconhecendo que na frente dela havia outra besta, uma besta ferida e velha, cansada e bem perto de desistir de tudo... A sua frente estava o seu primeiro desafio, o primeiro filho de Caim perdido nas trevas, agonizando por um pequeno feixe de luz.

    -Nós ficamos felizes com tua resposta minha cara, profundamente felizes. E se você for realmente quem todos nós esperamos e precisamos, já sabes qual será a primeira provação que enfrentará. Se não souber, terei que infelizmente remover essa conversa de sua mente. Mas eu acredito que algo dentro de ti me reconhece, correto? Assim como também acredito que saiba qual foi a razão inicial de nossa reunião, desejas despertar teu amado... Isso pode ser feito...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 23/10/2016, 01:36

    Surpresa com o toque Pietra permaneceu em silencio, a besta reagiu alertando a cianita da mais profunda tristeza que existia em Veronika, tristeza que logo foi sentida pela italiana, respirando fundo Pietra sentiu o lacrimejar se formar em seus olhos enquanto as palavras de Veronika eram ditas.

    “ Tu mia sorella... Tu estas tão perdida?! Como eu pude não ver... Como?!”

    A lagrima escorreu pela face de Pietra quando esta tirou a mão da face esquerda de Veronika, segurando a mão da Percursora a cainita retirou o próprio anel de ouro branco de seu dedo anelar, colocando-o sobre a palma de Veronika.

    Beijando anel por anel que Veronika usava Pietra fechou a mão desta depositando-a em cima de seu coração, para então beijar-lhe a testa e encostar testa com testa encarando-a profundamente.

    - Eu prometi a Arda que nenhuma outra criança seria perdida... Não se pudêssemos evitar, se nossas palavras pudessem lhe alcançar... Mia sorella... Tu também é uma criança desta Espada... Me perdoe... Me desculpe por minha luz não te-la alcançado antes...

    Se afastando a cainita deixou que as lagrimas escorressem sem intenção de enxuga-las, encarando Veronika os olhos castanhos de Pietra estudavam a mulher a sua frente com cuidado e delicadeza, umedecendo os lábios esta suspirou com leveza.

    - Não sabes o quão feliz fiquei ao ver que tinhas se preparado para vir me ver... Noite passada coloquei o bem da Espada a frente de meus interesses... O fiz porque era o certo... Agora coloco o seu bem a frente do da Espada... Em frente do meu amor... Não posso ver você se perder... Nao quando carregas tantos amores, lembranças e entes queridos consigo... Não Veronika... Simplesmente não posso...

    Abaixando os olhos Pietra beijou as mãos de Veronika com cuidado, deixando que sua testa permanecesse encostada nas mãos da Percusora.

    “ Laços criados... são eternos... Mesmo que esquecidos eles trazem esperanças... Sonhos... Vida para nossa alma... São um Sopro de vida...”

    Abrindo a mão de Veronika, Pietra procurou o dedo ao qual este melhor se encaixava entre os dedos desta.

    - Estou aqui mia amata Sorella... Deixe que minha luz possa lhe ajudar, lhe trazer esperanças... Porque se não quem vai puxar minhas orelhas, humm?! Quem mais poderia fazer isso sem ferir minha face e em troca ganhar um sorriso?! É pouco eu sei... Mas é essencial...


    Anel:


    Teste de Força de Vontade = 7 d10
    Carisma + Empatia = 11 d10


    Última edição por Jess em 23/10/2016, 01:37, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Dados em 23/10/2016, 01:36

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 4, 2, 8, 2, 9, 7, 10

    --------------------------------

    #2 'D10' : 10, 10, 1, 6, 6, 3, 9, 6, 4, 3, 2
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 23/10/2016, 22:34


    Os olhos de Veronika reagiam a seus beijos nos anéis, cada um de sua forma singular. O olho vivo não continha as lágrimas de sangue que vertiam por um filete pequeno e ralo, era claramente uma reação de quem não sabia nem mais sequer como chorar. Já o olho morto finalmente reagia, esboçando uma reação estranha, o cinza parecia se solidificar mais ao centro em uma circunferência tenebrosa que imediatamente buscava a sua imagem. E toda vez que seus lábios tocavam os anéis, você tinha a sensação de sentir a presença de uma pessoa diferente, a presença mais poderosa era a contida no anel de ouro. Essa inclusive retribuía o seu beijo com um sorriso, um sorriso imaterial e inexplicável, você não via a face desse homem, mas sabia que ele sorria para você com simpatia. O seu anel encaixava perfeitamente no polegar direito da mulher, e assim que o mesmo se fixou no lugar, a sua força de vontade e a sua presença se solidificavam em torno do mesmo, criando uma contagiante aura de esperança.
    Veronika fechava os olhos, a postura inteira da anciã parecia se desmontar a sua frente, os ombros se relaxavam e o corpo se inclinava levemente para frente. Um sorriso aparece na face da anciã e ela com muita calma responde.

    -Todos eles se sacrificaram para que eu sobrevivesse, todos. Meus filhos, meus netos e meu próprio Pai. Cuidadosamente eu os guardei nesses anéis, para que um dia eu pudesse dar a eles um destino de paz e alivio. Eles não poderiam se esvair como os outros naquela necrópole amarga... Sei que nada disso faz sentido aos teus ouvidos Pietra, mas eu preciso que saibas que tens um poder magnífico dentro de ti, tão poderoso que me fez lembrar do quanto eu amava minha família, o quanto eles significavam para mim. Eu não sentia eles a muitos anos... Você é definitivamente o farol que procurávamos! Eu estou profundamente grata... Talvez eu ainda precise de tempo para encontrar um caminho, mas eu sinto... Pietra, eu não sentia absolutamente nada a muitos anos. Muitos.
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    Jess

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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 23/10/2016, 22:59

    Pietra sorriu calma ao enxugar a lagrima de Veronika, servindo de apoio para a mesma quando a cianita se desmontou.

    “ Mia Sorella... Estou tão feliz... Mal podes imaginar o quanto...”

    Ainda brincando com as mãos de Veronika a italiana a observava com curiosidade, as pequenas mudanças de posturas e gestos não passaram despercebido pela olhos castanhos da mesma, tocando de leve no anel presenteado.

    - Aqui terás todo o tempo que desejares... Aproveite, sinta, deixe que sua alma seja novamente alimentada... Sentir é maravilhoso, nos nutrimos disso... Nunca conseguiria ser o que sou se não o fizesse... Eu me despedaçaria antes de tentar...

    Colocando a testa de encontro a da Veronika a cainita tocou de leve no anel dourado, a presença forte do homem havia deixado Pietra curiosa, e mais do que nunca esta sorria para a cainita a sua frente.

    - Serei um pouco audaciosa... Mas primeiro peço sua permissão minha irmã, gostaria de ver a face dele... Pelo menos ter uma leve conversa... Me permites mia sorella?

    Esperando pela permissão de Veronika, Pietra tocou de leve no anel dourado esperando para fechar os olhos e se concentrar na presença que ali residia.

    Teste de Consciência + Acuidade = 6d10
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Dados em 23/10/2016, 22:59

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 1, 9, 9, 2, 5, 7

    --------------------------------

    #2 'D10' : 2, 10, 1, 3, 8, 9

    --------------------------------

    #3 'D10' : 1, 7, 2, 6, 5, 9

    --------------------------------

    #4 'D10' : 5, 2, 5, 8, 10, 5
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 23/10/2016, 23:52

    -Eu compreendo que as almas dos mortos precisam de alimento, lembranças, sentimentos e muito mais. Entretanto, me perdi em um mar de apatia após tantos traumas, tantas mortes e tantas ausências... Eu vi o mundo desaparecer em frente aos meus olhos, vi também ele ser remodelado e nada senti... Me despedacei e foi dolorido, tanta dor que tudo dentro de mim morreu.

    Ela em seguida não só permitia que as testas se tocassem, mas como também completava o movimento de aproximação e encostava gentilmente a testa contra a sua testa. Tocando a sua face com uma das mãos, ela sorria com uma enorme felicidade.

    -Ver o meu Senhor? Isso é realmente possível?! Por favor, faça! E se realmente o encontrar, diga que eu sinto muito... Muito... Que eu sempre o amarei e sempre o representarei, por favor Pietra... faça!

    Seu dedo então tocou no anel de ouro, concentrando toda a sua sensibilidade, vontade e espírito no mesmo. A cada segundo que se passava o anel parecia atrair mais os seus olhos castanhos, seu dedo parecia colar contra o anel e sem que você sequer pudesse se dar conta, o anel de ouro estava no seu dedo, exatamente onde outrora residia o anel que agora pertencia a Veronika...

    Seus olhos são então tomados gradativamente por uma fumaça cinza, um cheiro inebriante de baunilha lhe invadia as narinas e uma sensação fria lhe tocava a pele. Seus pés estavam sobre cascalhos, olhando com mais calma você notava que estava no subterrâneo de um local antigo, as paredes esbranquiçadas indicavam que você só poderia estar um único lugar: A Capadócia.
    Sala Subterranea:


    O local não era escuro, realmente parecia estar iluminado por uma fonte desconhecida de luz ambiente que se assemelhava ao sol, mas não era ele. Havia luz suficiente para notar todos os detalhes ao seu arredor, mas haviam trevas suficientes para lhe garantir que a noite era presente. Da escadaria a frente, você nota um homem iniciar uma calma descida. Usando vestes muito antigas, de características do alto período do Império de Bizâncio, uma pele negra que já havia a muito perdido sua intensidade devido aos milênios de abraço. Com uma expressão calma e uma longa barba negra ele terminava de descer a escada e olhando para você e por você, ele diz.

    -Bem vinda ao meu pequeno refúgio minha cara, muito bem vinda. Perdoe-me pelas enormes ausências, restou-me pouco, quase nada. Meu nome é Lameth, prole de Ashur. Me pergunto, qual seria o nome do pilar de luz que se ergue em minha frente?!

    A voz dele era pesada, profunda e rouca. Ressoava por todas as rochas ao redor, mas não te ameaçava ou acuava, era um cainita poderoso, mas era antes de tudo, um homem simpático e com uma calma surpreendente.
    Lameth:
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 24/10/2016, 14:02

    Ouvindo as palavras de Veronika, a cainita concordou com um leve menear de cabeça, Pietra entendia perfeitamente as palavras da mulher a sua frente, a própria havia se perdido por completo durante seu carcere em na corte de Paris. Longe de sua amada e amargurada por sua arte morta.

    - As vezes não temos forças para resistir sozinhos... São os que estão a nossa volta que nos ajudam, que enxergam nosso adoecer... Peço desculpas irmã... Por não ter percebido isso antes... Deixe-me reparar isso, sim?! Isso me deixaria imensamente feliz, não podes imaginar o quanto... Talvez suas palavras não me façam sentido... Mas posso sentir seus sentimentos nelas... Eles eu posso entender perfeitamente mia sorella...

    Vendo o sorriso de Veronika, Pietra deixou que seus lábios também o fizessem, diante da pergunta desta a cainita deu de ombros ao responder de maneira simples e calma.

    - Não sei... Tu mesmo disse que os mortos tem grilhões... Além do mais tentar não me custa nada mia amata... A presença dele me foi tão forte, que seria um pecado descartar essa possibilidade...

    Com uma respiração profundo Pietra deixou que sua mente vagasse pelo anel, a atração que se criou foi inevitável para a cainita que se entregou a ela por completo.

    O cheiro de baunilha, e a fumaça desaparecerem quando Pietra percebeu que o anel dourado estava em suas mãos, os olhos acastanhados da cainita vasculharam a sua volta com rapidez, o nome que veio a sua mente de maneira forte e unica a fez ficar surpresa, sentindo o cascalho com os pés a cainita se manteve parada conforme seus pensamentos se organizava.

    "Capadócia... Casa dos primeiros estudiosos da morte... Será que eu estou diante da explicação do desaparecimento dos Capadocians?! Veronika forá uma?!"

    O movimento chamou a atenção da cainita, alerta a grandiosa presença esta se manteve imovel diante da figura masculina que se apresentava, diante do nome citado a cainita fez uma longa reverencia permanecendo assim enquanto conversava com o senhor de Veronika.

    - Primeiramente peço desculpas pela pequena intromissão Sr Lameth... Por segundo trago a mensagem de sua filha, a qual conheço pelo nome de Veronika... Ela pediu para que lhe transmitisse seu amor e suas saudades, ela nunca esquecerá sua face e o carinho que tem por ti... Agora posso me apresentar... Sou Pietra Rafaldini, sou uma criança das rosas e estou a sete passos de nosso Pai...

    Ainda na mesma posição Pietra levantou de leve os olhos esperando a permissão para ficar de pé novamente.
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 24/10/2016, 23:48

    Um largo sorriso se formava na face daquele homem que era mais antigo do que toda a realidade que você conhece. Ele prontamente juntava as duas mãos, entrelaçando os dedos e colocando-as fechadas a frente do próprio tronco, no exato local onde se localiza o coração e fazendo uma breve reverência, ele agradecia:

    -Obrigado, jamais esperei por alguma visita. Esperar por palavras vindas de minha querida filha era uma ambição tão distante que por ela eu nem sequer sonhava, nem nos mais mais livres e esperançosos sonhos. Se puderes, leve essa resposta para ela: Não existe um único instante que meu coração não se orgulha de minha filha... Pois se ela lhe deu palavras para me entregar, significa que ela sobreviveu!

    O homem então se erguia novamente após a breve reverência e gentilmente apontava para a escada, sentando-se em um dos degraus ele apontava para o lado dele, convidando-a para também se sentar.

    -Uma filha das rosas, eu sempre suspeitei que a luz dentro de vocês sempre emanaria forte. Os mais humanos dentre todos nós, amantes das artes, das belezas que o mundo tem a oferecer... Eu preciso saber, Pietra Rafaldini, existiu realmente um fim? O mundo acabou? Você diz ser uma sétima, isso implica que a herança de Caim está distante de onde vens, és uma das últimas cainitas?! A senhorita veio até mim para realizar o julgamento final, enviada pelos altíssimos do céu?!
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 25/10/2016, 12:09

    Pietra não pode evitar de sorrir ao ouvir as palavras de Lameth destinadas para Veronika, concordando com um longo e educado aceno a cainita ainda em postura de reverencia esperou que o homem voltasse por primeiro a postura normal.

    - Nada me deixará mais feliz do que transportar suas palavras a sua filha... Sim ela vive, apesar da passagem do tempo e do que ela possa ter visto, Veronika está de pé... Acredito que suas palavras a faram se fortalecer e continuar a viver...


    Aceitando o convite para se sentar, Pietra andou com calma até ao lado de Lameth, ajustando o vestido para sentar-se sem deixar suas pernas muito expostas a cainita escutou atentamente a pergunta deste com um semblante gentil na face.

    " Então ele não pode ver o mundo mudar... Mesmo estando com Veronika o tempo parou para ele aqui dentro!"

    Permanecendo em silencio por alguns instantes a cainita procurou pelos olhos de Lameth de forma respeitosa ao responde-lo.

    - Bom... Os anos se passaram isso é certo... Os cainitas com poderes titânicos aos poucos adormeceram ou foram esquecidos... É certo que a força do Pai em meu sangue não se compara com a sua, mas ainda é forte de certa forma... Logo eu terei um filho, ele mesmo estando a oito passos de Caim ainda será forte... Acredito já ter visto crianças a onze passos... São mais fracas, mas mesmo assim ainda sofrem com a luz solar e possuem a herança de Caim em seu sangue...

    Sorrindo de forma suave a cainita negou com suavidade ao comentar sobre as palavras do Capadocian.

    - Não sou uma enviada divina... O tempo ainda corre e acredito que permanecerá assim por muitos anos... Fico feliz com suas palavras aos filhos das rosas... Poucos são aqueles que reconhecem nosso esforço em permanecer vivos... Infelizmente esse é um grande ressentimento de minha linhagem... A falta de reconhecimento...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 25/10/2016, 14:55

    -Reconhecimento...

    Repetiu o matusalém sentado ao seu lado, era diferente como a presença dele não se mostrava tão terrível quanto a da Imperatriz ou tão magnífica e suprema quanto a de Melinda, a cada instante você tinha mais certeza que tudo a sua volta não era necessariamente físico e que aquela conversa não era "real", mas sim um pequeno diálogo dentro de sua própria mente que agora estava unida temporariamente ao anel. Lameth então olhava para a sua aura, notoriamente analisando a mesma.

    -És a filha de Elonzo, neto de Iontius. Curioso como a presença do progenitor de sua linhagem ainda deixa uma marca tão profunda na sua aura, essa delicada linha prateada que não é vista por aqueles que tem a marca dos malditos dentro de si, Iontius fora outrora irmão de Amarantha e protegeu a linhagem inteira contra o pecado que havia caído sobre a irmã. Tua aura já é grande por natureza, agora ela se torna ainda maior... Vejo a palidez dos filhos de Caim abandonado ela, vejo cores vivas, teu amor por sua prole é enorme, assim como seu respeito por mim. Existe também uma saudade por um irmão, uma saudade tão profunda que toca teu corpo e avança para tua besta. A verdade é que a tua besta está a olhar a sua aura... Algo raríssimo, comum nos antigos filhos de Saulot. Sua aura é um mar de esperança querida Pietra Rafaldini do sangue de Iontius... Fico eternamente feliz em tê-la conhecido. Imagino que tantas informações irão gerar perguntas, respondei todas elas com enorme prazer... Acredito que essa será minha forma de retribuir. Irei contar a você tudo sobre teu passado e herança.

    Ele citava nomes que você nunca havia ouvido antes, Elonzo não comentava sobre o próprio Senhor muito menos do Progenitor da linhagem. Era sempre estranho como muitas linhagens sabiam precisamente de onde vinha e a sua não... Um lacuna vazia que seria preenchida agora, no mais inusitado dos lugares.
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 25/10/2016, 23:18

    Reconhecer que a conversa se passava em sua própria mente fez com que uma parte da cainita relaxasse, mesmo assim esta procurou se portar de maneira educada, ouvindo atentamente as palavras de Lameth a cainita abaixou a face sentindo-a ficar quente.

    “Como... Ele leu minha aura sem que eu notasse! Minha linhagem... Porque Elonzo quis que ela permanecesse desconhecida a seus filhos?! O que seu progenitor fez?”

    Rindo com sua própria reação, Pietra concordou de leve com a cabeça as palavras de Lameth, brincando com suas mãos esta sorriu ao levantar os olhos para o mesmo.

    - Eu não conhecia o nome do senhor de Elonzo... Ele nunca mencionou seu progenitor... Ou pelo menos eu nuca tive a oportunidade de perguntar sem temer represálias... Estas certo... Sinto uma imensa saudade de meu irmão mais novo... Minha besta também... Na verdade acredito que ele tenha ajudado que minha luz crescesse... De certa forma ainda não consegui absorver todos os acontecimentos que me cercaram na ultima noite...

    Umedecendo os lábios a cainita sorriu de leve ao perguntar.

    - Posso lhe pedir então que me digas quem foi o progenitor de Elonzo? Essa duvida sempre esteve presente em minha mente... Sei que é descortês de minha parte lhe fazer perguntas... Mas talvez eu não tenho outra oportunidade de descobrir...

    Apertando de leve seu vestido Pietra permaneceu em silencio por alguns instantes.

    - Iontius... Podes me contar sua história? Até o ponto em que ela se encaixa com os nomes que conheço Sr. Lameth?
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 26/10/2016, 20:34


    -Sim, o nome do seu irmão é Hans. Tua besta parece adora-lo e como uma criança alegre, me conta como ele graciosamente devorou uma maça... entendo que você ainda não tenha alcançado a compreensão total de todas as mudanças, mas eu prontamente me disponho a explicar todas elas a você assim como também irei responder todas as questões. É o mínimo que posso fazer por ti.

    Comentou Lamenth com sua voz sempre firme, mas nunca agressiva. Ele sabia tudo sobre você sem nunca a ter visto antes, era como conversar com um profeta, um verdadeiro profeta. Com uma enorme paciência, o antigo fechou os olhos e inclinou levemente a cabeça para cima como se levasse a própria memória para um passado antiguíssimo.

    -Primeiro falaremos sobre Iontius. Ele não era o mais belo dentre todos, a beleza era algo que pertencia a sua irmã mais velha, Amarantha. Iontius também não um feiticeiro, tão pouco um guerreiro. Entretanto, ele tinha uma habilidade única para uma região tão seca, tão violenta e sangrenta. Iontius pegava as pedras opacas e brutas que encontrava pelas margens do crescente fértil e delicadamente, as transformava em pequenas manifestações e representações do que ele via ao seu arredor... A beleza de Amarantha atraiu os olhos dele, perdoe-me, mas eu não posso citar os nomes aos quais eu não possuo permissão, entenda Ele como o progenitor máximo de vossa linhagem... Encantado por Amarantha Ele chegou até as margens daquele frondoso rio, mas foi a pequena cabana de Iontius que Ele amou. Uma cabana circundada de graciosos animais de pedra, faces e formas. Determinado, Ele os abraçou. Quando conheci os irmãos pela primeira vez, eu pude ver o quão bela era Amarantha e o quão entregue as maravilhas da maldição ela estava, A Deusa da Luxúria, ela era chamada. Iontius por outro lado tinha uma única vontade: Conhecer os mortais das terras que eram regidas pelos punhos poderosos dos Filhos de Caim. Prontamente ele recebeu hostilidades, mas os Salubri o acolheram como um deles. Durante a tomada dos Netos, Amarantha se viu entregue as ondas de poder e vitae, foi ela que cometeu o primeiro Amaranto. A primeira aura a se manchar do mais profundo e odioso preto! Iontius tentou salvar a irmã do abismo que assolou a sua alma, mas Amarantha se entregou a luxúria e ao orgulho. Iontius então foi até Ele e pediu para que Ele tomasse alguma atitude, que Ele a purificasse... A humanidade de Iontius foi tratada com desprezo e ele foi expulso para todo sempre. Muitos anos se passaram, civilizações foram criadas e desfeitas, Impérios surgiram e desapareceram. Encontrei Iontius sob o nome de Tivr, ele caminhava junto com os povos que viveram em Roma antes dos latinos. Os mortais o veneravam como “A Lua”, e não eram poucos que o amavam e idolatravam, entretanto Iontius buscava apenas um herdeiro para sua visão e esse foi Masser.

    Lamenth agora fazia finalmente uma pausa para olhar novamente na sua direção, com um pequeno sorriso na face ele seguiu explicando:

    -Masser ergueu-se como um artista, ele é o senhor de Elonzo. E ele esperava de Elonzo fosse um artista como ele era, como Iontius fora. A verdade é que Elonzo era ambicioso e enganou Masser que de boa fé e inocência, foi ludibriado pelo próprio vassalo. Elonzo certamente nunca contou a você ou as outras proles sobre o passado pois o passado dele é uma enorme vergonha. Nenhum dos grandes líderes antigos do clã o reconheceu, ele teve que se esconder nas sombras até a oportunidade de crescer junto com a expansão de Florença. Antes disso, ele rastejava como um qualquer por ter traído e enganado o próprio Senhor. Masser desiludido com o mundo, fez o mesmo caminho que o próprio Pai havia feito, rumou em direção ao norte. O caminho que hoje você escolheu seguir, o caminho da humanidade e da iluminação foi construído graças aos esforços de Masser, Iontius e os filhos de Saulot.
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Jess em 26/10/2016, 23:40

    Pietra riu com as palavras de Lameth sobre sua besta e Hans, para a cainita se tornava claro o amor que ambas compartilhavam pelo irmão mais novo, em muito tempo aquelas eram as primeiras demonstrações que sua besta fazia.

    Quando Lameth fechou os olhos Pietra arrumou-se no degrau, virando para permanece de frente a este a cainita observava o Capadocian com respeito enquanto o mesmo falava.

    “Nada poderia se esconder diante dos olhos de Lameth... Mesmo a mais tortuosa mentira seria logo desdobrada na frente dele...”

    Os nomes e palavras citadas pelo mesmo eram ouvidos e gravados com atenção por Pietra, uma faceta muito antiga da história cainita era revelada a italiana que se esforçava ao máximo para compreende-la por completo.

    Quando o nome de Masser foi dito os olhos de Pietra se fecharam, ouvir sobre o que o orgulhoso Elonzo havia feito fez com que o coração da cainita se enchesse de tristeza, as respostas que durante sua juventudo a cainita havia procurado agora se apresentavam ali. O ódio pela arte, a raiva incontida de Elonzo, a vontade de governar, tudo parecia se encaixar por fim.

    Brincando com os próprios calos Pietra sorriu de forma leve, ainda havia um amargor por ter descoberto que Elonzo havia proposto que o nome da Italiana entrasse na lista vermelha da torre, aquela era uma dor estranha ao qual Pietra não sabia ao certo como lidar.

    - Não se preocupe com os nomes que não tens permissão para mencionar... Agora posso entender o porque de Elonzo odiar com tanto força minha arte... Ele amargurou quando descobriu que sua criança era uma escultora... De certa forma me alegro em saber que segui os passos de Masser e de Ionthus... Tive uma grande professora e guia para me ajudar...

    Balançando de leve a cabeça Pietra afastou a dor de sua mente e coração, Elonzo já havia recebido seu quinhão e mais do que nunca a cainita não devia nada a seu criador. Sorrindo de forma educada Pietra respirou.

    - Quanto as mudanças... Como elas ainda podem me afetar? No começo da noite descobri que salivava e senti vontade de comer... Curiosamente minha besta clama por uma maçã da mesma forma que viu Hans fazer...
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    Re: Ato III - Narrativa de Pietra: A Morte e A Vida

    Mensagem por Danto em 27/10/2016, 19:34

    -Como elas ainda podem lhe afetar, Senhorita Rafaldini, me dê sua mão por favor?!

    Lameth abria novamente os olhos antes da pergunta e sorrindo de maneira educada o antigo Capadócio esticava a mão esquerda na espera da sua mão. Assim que você a entregava para ele, você sentia o toque profundamente gélido do corpo do matusalém. Em seguida com a mão direita ele tocava precisamente no centro do seu pulso, suavemente.

    -Porque você não pergunta para você mesma?!

    No instante que ele pronunciava essa frase, você sentia uma presença poderosa crescendo dentro de você, tornando-se extremamente intensa no exato ponto em que o indicador dele tocava seu corpo, gradativamente tomando todo seu corpo, como se ele estivesse despertando algo adormecido dentro de ti a muitos anos: sua Besta. E ela falou diretamente contigo, como se estivesse sentada entre você e Lameth:

    -Quando vamos ver Hans novamente?!

    Era a sua própria voz! Apenas com algumas pequenas diferenças, começando com o idioma que a mesma falava. Um italiano sem nenhum sotaque, mais direto e seco, parecia muito o italiano que a sua mãe falava quando você ainda era uma jovem moça. Além disso ela não estava necessariamente materializada entre você e Lameth, você sentia a presença dela ali mas não a via diretamente. Foi o próprio Lameth então que falou após a sua besta:

    -Pietra, conheça a si mesma. E veja o quão forte pode ser a sua mudança se continuares nesse caminho que começou nesta noite...

    Inesperadamente, um reflexo teu surgia no exato lugar que você sentia a presença da besta. Uma imagem sua profundamente diferente, sua face corada e viva, seu tórax respirando com fluidez e intensidade, seus cabelos estavam maiores bem mais fortes, as cores dos seus olhos castanhos eram intensos, seu reflexo emanava um calor natural apenas dos mortais. O sorriso dele era impecavelmente natural, os lábios rosados e delicados, não havia nenhum único traço sequer da maldição de Caim nessa imagem. E ela olhava para você ansiosa.

    -Será que ele tem um pomar no fundo daquela casa linda? Imagine só, como será divertido colher frutas com ele! Precisaremos de uma cesta bem resistente, Lorenz pode fazer uma não é? Ele é tão lindo e perfeito, claro que ele consegue fazer uma cesta!

      Data/hora atual: 28/6/2017, 12:59