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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

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    King Narrador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por King Narrador em 31/10/2016, 15:11


    As mãos de Franco paravam de sangrar em sua marca ritualística. Agora garras negras surgiam em seus dedos, negras como o mais profundo e obscuro ébano só encontrado nas florestas do reino de Hades. Com as lâminas de obsidiana em suas mãos o antigo começava a arranhar o ar ao seu redor. Era possível sentir a atmosfera escapulindo pelo buraco que ele abrira. Todo o ar ia embora daquele lugar obscuro com muita intensidade, sendo sugado por um corte invisível causado por aquelas garras sombrias. Sarah se desesperava ao sentir a falta de oxigênio. Só que era mais que isso, era a falta completa de ar. Vocês sentiam o vácuo tomar conta de todo o espaço. Junto com a falta de ar vinha o peso absurdo e profundo das trevas.

    As tochas verdes perdiam sua luz em um piscar de olhos, permitindo assim que a escuridão finalmente cobrissem o lugar por completo. Entretanto nem estas duraram muito. A iluminação verde demoníaca e abissal regressou instantes depois. Voltou junto com um grande estrondo, proveniente de um raio esverdeado que se chocou com os selos pentagonais. Estes se iluminaram como se estivessem em chamas. Chamas verdes do mais profundo dos infernos. Franco estava no meio daquela iluminação com uma feição profunda e pesada. Toda a presença dele estava exposta, revelando um poder colossal quase que ilimitado. Uma poderosa energia que começava a correr pelo o chão e alcançava a centelha da alma de cada um de vocês.

    ------------------------------------------------------------- Jess -------------------------------------------------------------

    Seu corpo parecia se esfriar rapidamente. Como se algo frio começasse a se chocar contra o mesmo. Calafrios intensos cobriam sua coluna vertebral quase que trincando teus ossos. Seus pelos ficavam eretos por todo seu corpo. A sensação não terminava apenas no frio. Era mais como uma poderosa energia lhe abraçando, lhe controlando, lhe agarrando. Essa energia era volátil, pegajosa e úmida. Como se você estivesse mergulhando profundamente dentro de um oceano desta estranha sensação. Só que não era um sentimento alienígena ao seu corpo, seus instintos o tratavam de forma natural. Como se fizesse parte de ti o tempo todo. Não era dor que ele sentia, era algo profundamente mais completo e impossível de ser descrito em palavras acima dos próprios sentimentos impostos por sua alma.

    Aquela forte e estranha luz verde demoníaca perdia as forças dentro de sua visão. Agora um brilho translúcido com origens azuladas tomava conta dos seus sentidos. Era uma luz clara e pacífica. A qual ia lentamente reduzindo sua adrenalina, levando seu corpo para um estado profundo de paz interna. O tempo agora parecia absurdamente relativo, da perspetiva de um olho teu o universo ao seu redor parecia rodar em questão de instantes, como se tudo aquilo tivesse ocorrido em menos de um segundo. Já para seu outro olho o mundo parecia congelado totalmente. Eram várias perspectivas de tempo diferentes que sua mente absorvia no mesmo instante. Só que seu corpo não se desesperava com a sensação, pelo contrário, ele a aceitava como natural. A maior sensação que dominava sua mente agora era a adrenalina de um brilho no horizonte, como um farol no meio do mar. Parecia um visão, um sinal, um caminho a ser traçado.

    O fim daquela mudança junto da visão parecia chegar com uma profunda e requerida respiração. Seu corpo se mostrava a lhe suplicar para fazer teus pulmões funcionarem por um instante. Fazendo seus olhos se arregalarem e lhe trazer para o mundo escuro ao qual Franco estava. Não havia mais aquela luz azulada tomando a superfície ao seu redor, esta energia agora apenas residia em sua própria aura. Felizmente a presença nefasta e poderosa não mais pairava em Franco. O mesmo estava tranquilo apenas observada de forma maravilhada todos seus herdeiro de olhos fechados. Você foi a primeira a abrir os olhos e pôde assim ver com clareza cada um dos outros lentamente acordando. Da mesma forma que conseguiu ver quando Franco começou a ficar tenso de repente. Algo fora do esperado chamara a atenção do mesmo.

    ------------------------------------------------------------ Danto ------------------------------------------------------------

    Aquele fogo verde ao redor do necromante parecia ficar mais forte, mais intenso e maior. Como uma grande muralha que ia subindo aos céus e caindo por cima de ti com o peso do mundo. O calor era incalculavelmente alto. Só que de alguma forma seu corpo não se apagara com aquela dor absurda, sua mente conseguia continuar funcionando, lhe passando cada detalhe da sensação. Era possível sentir sua pele inteira sendo queimada por aquele fogo ao qual ia perdendo aquela coloração demoníaca e sendo abraçado pela cor de seu vitae. As agora escarlates labaredas pareciam drenar de seu sangue na medida que consumiam sua carne e seus ossos. Só que sua morte final não chegara, todo aquele fogo e você continuava de pé.

    A besta dentro de ti não suportava mais aquela dor. Ela rasgava seu peito em uma súplica para tudo aquilo para. Um grito desesperado que destruía sua garganta em um profundo urro. O pavor eterno para escapar do dia do julgamento final. O pânico se misturava com o medo produzindo um ódio profundo que despertava uma poderosa energia por todo seu corpo. Só que sua besta não era forte o suficiente, aquela força ia sucumbido à energia que lhe dominava. As labaredas escarlates pareciam agora brilhar de forma tão cintilante que sua visão se perdia no branco eterno. O fogo agora era algo além, a dor virava adrenalina pura.

    O pavor que virara ódio agora se tornava tristeza. Toda aquela energia negativa se transformava em questão de instantes. As lembranças de sua morte vinha à sua mente. A dor da derrota consumia sua alma como se a mesma estivesse em luto pela dor que sua besta passara. Só que a tristeza logo migrou, outro sentimento parecia agora chegar em sua mente. Era um sentimento mais intenso que todos os outros juntos. Era algo mais antigo que a dor de sua derrota ou de todas as dores que já passara. Era a emoção, um sentimento quente e intenso. Era a emoção da morte dos nobres franceses. Era a emoção da descoberta da magia. Era a emoção da perda de sua virgindade com sua antiga noiva. Era a emoção da busca por seu avatar. Era a emoção do mundo, as cores que traçavam o plano da realidade.

    A emoção acordava seu corpo. Tremeliques corriam por toda sua extensão na medida que o sangue parecia correr por todas as suas veias. Espasmos gritantes tomavam seus membros e até sua genitália despertava com toda aquela energia forte que chegava. A sensação se culminava em uma profunda respiração. Era possível sentir cada molécula de ar entrando em seus pulmões, como se fosse um novo nascimento. A ardência do seu órgão ao sentir aquele ar era gritante. Só que a emoção misturada com a adrenalina impedia que ador lhe ferisse, era apenas um profundo e forte êxtase. Assim teus olhos finalmente abriram para dentro do abismo onde Franco estava o aguardando. Todos seus irmãos já estavam despertos. O ritual parecia terminado. Só que o antigo ancião parecia tenso e preocupado.

    Off - Menos um ponto de geração para todos.
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    Jess

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por Jess em 31/10/2016, 16:11

    A atenção de Cecília se focava com cuidado em todos a seu redor, era quase impossível segurar o tremor de seu próprio corpo, quando o vácuo atingiu os pulmões ainda em funcionamento de Cecília a cainita se conteve para não correr em direção de Sarah, o medo puro estampado na face da jovem era a pior coisa a ser vista ali.

    Fechando os olhos a cainita sentiu a água espessa tomar-lhe o corpo, circunda-la junto do frio, agarrando-se a si mesma a cainita teve vontade de lutar contra aquela sensação, seu corpo mais do que nunca não parecia ser seu mas não havia medo, era algo que o mesmo aceitava.

    " O que está acontecendo?! Oque?!"

    Abrindo os olhos a cainita viu os dois mundos, diante deles houve uma mescla quando as luzes esverdeadas se foram, sentindo-se tonta a jovem se ajoelhou diante do que seus olhos se mostravam, no centro a figura do ancião parecia agigantar-se ainda mais conforme seu poder era revelado.

    Sentindo a pressão sobre seus pulmões a jovem respirou com dificuldades, deixando que sua respiração se normalizasse esta se levantou com cuidado, seus olhos se voltavam para Franco, apesar do sorriso inicial havia alguma coisa errada, com essa certeza a caribenha olhou para seus parentes temendo o pior enquanto esperava pela permissão do mesmo para se mover.

    " O que poderia assustar Franco?"
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    Danto Jogador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por Danto Jogador em 31/10/2016, 17:25

    Meus olhos se arregalavam quando eu notava as garras de Franco, mais uma vez o antigo se mostrava profundamente íntimo com os reinos mais profundos que faziam parte da realidade umbral. Meu medo parecia totalmente incontrolável e era a primeira vez que eu me via obrigado a fechar os olhos, por pequenos e breves segundos. O piscar das luzes esverdeadas me obrigava a abri-los novamente, prontamente eu explodia em terror ao ver aquele fogo vil arder em torno de todos meu familiares. Eu queria ter força suficiente para interromper o ritual, me erguer contra a figura do Progenitor da linhagem e salvar todos daqueles malditos pentagramas! Mas era tarde de mais...

    "Essa é a verdadeira corrupção que flui dentro de ti Franco? É isso que o faz tão poderoso?! Seremos devorados pelas chamas do Tártaro?!"

    O terror então começava, as muralhas de fogo verde se erguiam e tocavam os céus. Eu chego a realmente desejar que esse fosse meu fim, eu não suportaria olhar na face de todos e vê-los corrompidos pelas forças repulsivas do inferno que corriam a nossa volta naqueles instantes. Mas a minha mante se mantinha firmemente alerta, consciente para sentir todas as dores causadas pelas queimaduras... Meu corpo, meu sangue, minha besta. Tudo era devorado pela voracidade daquelas chamas que insistiam em me dilacerar, gritando eu tentava com todas as forças afastar as chamas, uma tentativa que não trazia resultado algum, mas eu seguia tentando!

    "Eu nunca imaginei que iria arder até a morte, como um filho de Caim ao ver o Sol... Mas espere, algo esta profundamente errado! Minha besta, ela está sendo consumida por essa força... Uma explosão de sentimentos, não é possível! Ele realmente..."

    Minha mente agora fervia, tomada por uma verdadeira tempestade de proporções cataclismáticas. Meu corpo acordava novamente, junto com eles minhas últimas lembranças. As traumáticas lembranças da minha maior derrota, o instante que eu havia entendido que meu caminho iria terminar. Mas não haviam apenas os traumas naquele verdadeiro big bang de emoções, havia tudo que eu havia perdido! Minha felicidade, meus instintos, minhas paixões, minhas falhas. Meu avatar! A minha pura e poderosa chama! Eu olhava para cada parte do meu corpo, e começava a rir, tomado por tamanha emoção e empolgação.

    "Eu consigo sentir ele mais uma vez?! As memórias quentes da noite em que me deitei com ela pela primeira vez... Essas memórias tão vivas, tão importantes, como eu pude deixa-las morrer?! O que eu estava fazendo da minha vida até hoje? É essa emoção que me fazia sorrir, viver, buscar e muito mais. Meu avatar, eu sinto ele mais uma vez!"

    Sentindo cada pequeno tremor eu prontamente começava a tocar meu próprio corpo, com o maior dos sorrisos na face eu me perdia dentro do meu próprio redescobrimento. Sem nenhuma vergonha eu levava uma mão para me certificar que as minhas intimidades haviam realmente despertado, para minha surpresa a resposta era positiva e isso significava que todo o resto também iria acordar! Eu estava vivo mais uma vez! Meu profundo êxtase era brevemente interrompido pela visão de Franco e todos meus irmãos ali presentes, abrindo bem os braços e esticando todo meu corpo eu me espreguiçava e soltava um enorme sorriso na minha face e começava a caminhar na direção deles, na minha mente a primeira coisa que eu ouvia era a música favorita de Daisy e eu estava adorando ouvi-la sem nem sequer me importar com as razões, era um ritmo divertido, Daisy a amava e isso para mim era o suficiente!

    "Nossa, essa leveza lógica é realmente magnífica... Vejamos, Franco me parece preocupado! Espere, meu vitae parece mais forte também, Franco o que diabos você fez?!"

    Com uma postura totalmente diferente do meu antigo padrão, eu caminhava despreocupadamente na direção do antigo ancião e prontamente perguntava ao mesmo, de forma direta e ausente dos padrões polidos que sempre usava. A pergunta então era feita em francês carregado de sotaque.

    -Deu merda Franco?! Diga-me o que ocorreu que está completamente fora dos teus planos?

    Eu perguntava juntamente com uma gesticulação interrogativa com os braços, era uma frase que nunca havia saído de meus lábios na frente dos meus irmãos.
    Música que está na mente de Lucien:
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    King Narrador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por King Narrador em 4/11/2016, 18:42

    - Sim, temos um problema. Eles chegaram...

    Criaturas:

    O mundo ao redor de vocês se mostrava escuro e sombrio. Ainda era a casa de Lucien, com os mesmos móveis e arquitetura, mas totalmente desprovido de luz. Escuridão absoluta e eterna. Do meio daquela escuridão, logo após a frase de Franco, de um piscar de olhos apareceu sete estátuas. Estátuas de anjos com asas, aparentemente de mármore, e todas cobriam seus próprios rostos. Elas estavam espalhadas simetricamente em um círculo ao redor de todos vocês. Todas elas pareciam formações de pedra antigas, castigadas pelo tempo, mas ainda demonstrando perfeições angelicais. Só que de belo era apenas estes ornamentos no jardim, o progenitor da linhagem estava demonstrando tensão e insegurança. Insegurança, essa era a melhor palavra para descrever seu rosto. O que era algo absolutamente inesperado vindo de tal pessoa. A qual em seguida começou a explicar a situação.

    - Saibam, estas são criaturas do paradoxo! Elas existem e não existem ao mesmo tempo. Se alimentam de nossa energia, nos arrancando de dentro da realidade. A forma de estátua é desprovida de vida, apenas a forma imaterial delas é letal. Esta forma só existe quando não estamos vendo elas, logo não percam o foco sobre essas criaturas. Eu sei como me livrar delas, mas vai levar um tempo. Até lá não deixem de olhar para elas. Saibam que qualquer piscar de seus olhos pode ser o suficiente para estas abominação chegarem em ti e lhe devorarem para sempre. Não desviem o olhar, não fujam e muito menos pisquem.

    Franco contradizendo sua própria frase fechou seus olhos. O mesmo parecia estar entrando em uma profunda meditação. O que era absurdamente assustador, pois a pressão do ar pesava imensuravelmente, estava percebível que a presença do mesmo se multiplicava de forma exponencial. Só que este não era o foco de vocês agora. Sem nenhuma palavra a ser respondia, todos os herdeiros de Izabel olhavam para as estátuas como se fosse a coisa mais importante que deveriam fazer. De fato era, pois as palavras do ancião se provaram em seguida verdade. Todo o cenário ao redor de vocês escureceu por um segundo, como se uma bruma de trevas tivesse passado pela cena. Foi quase como um curto reflexo. Só que foi o suficiente para quando voltassem a olhar, as estátuas estivessem mais perto de vocês.

    Sarah se desesperou imediatamente. Correndo em total pânico para abraçar Cecília. Escondendo com toda suas forças seu rosto no peitoral da mesma. A situação realmente se mostrava avassaladoramente preocupante. Pois mesmo com os olhos abertos as sombras do abismo passavam por vocês de instantes em instantes retirando preciosas frações de segundo de suas visões. O que fazia aquelas estátuas indo se aproximando de todos vocês lentamente. Estava claro que elas queriam um tributo pelo ritual que foi feito. O mais aterrador era o fato de não ter como reagir, afinal aquelas estátuas não possuíam vida, não tem como destruir algo que não existe, mas a recíproca não é verdadeira.
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    Danto Jogador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por Danto Jogador em 5/11/2016, 01:15

    Arregalando os olhos ao notar as reações de Franco, me colocava a observar todos os pequenos detalhes. Aquela escuridão que devorava os arredores do meu refúgio, a obscura realidade que se construía diante os nossos olhos. As criaturas se apresentavam como anjos famintos por nossas energias, criaturas do paradoxo. A frase do ancião me fazia prestar mais atenção a todos os ali presentes, sem renegar meu olhar para nenhum deles, com a certeza de que eu precisaria fazer algo para ajuda-los.

    "Hubris. Isso define Franco Giovanni, o grande e expansivo ego que leva os seres vivos a cometerem excessos e caminharem para suas próprias ruínas! Com os caóticos poderes, o antigo rompeu o Consensus que nos cercava. Nós sabíamos que não deveríamos jamais reencontramos nossos avatares, a imprudência e a ganância de Franco rompeu a realidade que todos nós aqui concordávamos. A presença desesperada de Sarah fortifica ainda mais essa quebra do Consensus, a percepção de meu irmão Duncan também, enfim, todos os despertos aqui sabiam exatamente o que eram antes desse ritual se concretizar. Minha potência de sangue é igual à de Izabel, isso jamais deveria ocorrer. O rompimento da minha verdade absoluta trouxe essas criaturas até nós, partindo do ponto em que estamos na realidade umbral que os olhos de Franco vêem, somos forçados ao interior de uma simulação do próprio abismo. As criaturas do Paradoxo são retratadas como Anjos, algo típico para o espectro cultural de um homem que tem Angelus no próprio nome, Hubris caro Franco, isso o define".

    Era claro que eu sentia medo daquela situação, impossível não o sentir. E era sentido o medo que eu tinha ainda mais certeza que meu corpo estava diferente, cada descoberta que colocava ao chão a minha antiga realidade, inevitavelmente, mais potentes seriam as criaturas do paradoxo. Elas não iram devorar nenhum de nós, o paradoxo não devora. O paradoxo é um cimento que ergue os pilares da realidade. Romper os pilares é sofrer com o concreto caindo sobre a sua cabeça. Respirando fundo e olhando diretamente para aquelas criaturas, que não eram anjos, tão pouco funcionavam daquela maneira. Mas que iriam operar assim porque era assim que Franco acreditava que elas funcionavam, eu entrava no jogo.

    "Eu poderia fechar meus olhos e nada aconteceria, tenho certeza absoluta disso. Mas Franco estabeleceu um Consensus ao declarar o funcionamento delas, agora me pergunto, será que Duncan está tão desperto quanto eu? Se sim, ele estará com pensamentos similares aos meus. Não tão claros afinal ele é um hermético. Enfim, preciso fazer algo, dentro do jogo proposto por Franco. As criaturas do Paradoxo não importam, porque elas são o que são e no fim nada são. Quem abraçar as regras irá de fato sofrer, que ignorar ira de fato sofrer, quem compreender pode talvez sobreviver!".

    -Coragem minha família, coragem. Vocês ouviram as palavras de Franco, ouçam agora as suas palavras. Lembrem-se das suas verdades, abram seus olhos!

    Expandindo pela primeira vez em muitos anos, a minha força interna, arriscado-me a fazer mágika depois de tantos anos. Começando por mim, passando para todos e focando principalmente em Sarah, eu iria modificar os fluxos naturais dos corpos vivos ou semi-vivos naquela cena. Eu só não tentaria fazer mágika sobre Franco, pois é esse o responsável por tudo e caberá a ele romper o próprio Consensus. A intenção era influenciar a realidade dos corpos da minha família, estimulando a geração de adrenalina, da glândula timo e de outras funções corporais que poderiam gerar coragem, bravura, confiança e positividade. Afinal, todas os sentimentos são ecos de reações orgânicas. Uma rotina comum para meu antigo eu, aliás, para meu antigo novo eu. Afinal, era sempre necessário incendiar os corações dos meu compatriotas.
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    Jess

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por Jess em 5/11/2016, 15:51

    Assim que Cecília viu Lucien se aproximar de Franco, a jovem ergueu um pouco sua saia e correu em direção de Sarah, abraçando a criança da noite com força a cainita buscou com os olhos Daisy, em um gesto de respeito a cainita abaixou os olhos em um pedido de permissão para a mesma.

    “ Está criança não é minha... Não posso roubar o direito de minha prima, não seria direito com nenhuma das duas...”

    Virando Sarah para as criaturas a cainita sussurrou nos ouvidos desta com calma.

    - Shhh, acalme-se pequena... Acalme-se... Precisamos ajudar os outros agora, preciso que você abra seus olhos... Ok? Você pode fazer isso por mim? Ninguém vai te machucar, eu prometo... Mas preciso de sua ajuda agora...

    Os olhos de Cecília buscaram Lucien, era um claro pedido de ajuda enquanto puxava Sarah consigo se afastando ao máximo das criaturas.

    “ Franco logo resolverá isso... Por favor que ele o faça!”
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    King Narrador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por King Narrador em 5/11/2016, 17:13


    Duncan foi o primeiro a realmente compreender as palavras de Lucien. Sem nada dizer o mesmo fechou os olhos e estendeu sua mão direita para segurar a de Rebecca. Esta se mostrou um pouco confusa com a atitude nada usual do irmão, mas o imito, aceitando o toque de mãos e fechando os olhos. Por sua vez Ferdinand percebeu o que seu senhor fizera e o imitou fechando seus próprios olhos e estendendo sua mão direita para Daisy. Esta hesitou um pouco, mas logo se mostrou compreender o que estava acontecendo, assim imitou os outros três.

    Sarah por outro lado se recusava a entrar na razão. O trauma dela estava grande demais. Abraço, despertar, abismo e paradoxo, são elementos demais para a mente de alguém que era um reles mortal a apenas vinte e quatro horas atrás. O desespero era forte, só que acima deste estava a negação dela sobre a realidade. Aquilo tudo era irreal demais para a perspectiva da jovem, era como um grande pesadelo, em comparação a vida banal a qual ela viva. Assim, nada daquilo era possível para ela. O que fazia, de olhos fechados, Sarah nitidamente ignorar o mundo ao seu redor.

    O padrão das criaturas mudara naquele instante. Mudara de forma abrupta. Todas as criaturas passaram pelos membros de olho fechado e se direcionaram para Sarah. A jovem estava ainda desesperada para conseguir chegar a razão. O tempo parecia correr contra vocês, pois Franco ainda não estava pronto para fazer seja lá o que estava fazendo. Os piscares do abismo prosseguiam forte fazendo de passo em passo aquelas estátuas irem se aproximando das duas jovens. A aproximação agora se mostrava inevitável. Com as mãos agora estendidas, as abominações se preparavam para tocar. Todavia o alvo delas não era a criança da noite.

    Como um simples piscar de olhos. Cecília não estava mais lá, sumira, como se simplesmente deixa-se de existir. Apenas a Sarah ficara, sem mais o colo para abraçar. Sozinha no meio dos anjos. Assim a presença do antigo estourou, em um profundo grito do abismo. Franco abria seus olhos em pura e desesperada fúria. Seu corpo inteiro se tornava uma profunda emanação de trevas. Estas trevas se estouravam em todas as direções como poderosas navalhas que corriam na direção dos anjos. Sem nenhuma capacidade de se mover o abismo se chocou contra as criaturas do paradoxo. Estas se explodindo em poças de sangue, vitae este que possuía a presença do próprio Franco.

    As criaturas eram destruídas e o abismo ao redor de vocês se quebrava. A mansão inteira voltava a ser nítida. A tempestade sumira dos céus e todos lá estavam. Com exceção de Cecília. Franco por outro lado se mostrava desesperado. Com uma feição de total e absoluto pânico. O mesmo corria para o lugar onde a jovem caribenha deixara de existir e se ajoelhava ao chão. Os olhos do mesmo estavam absolutamente vermelhos. Num profundo desespero ele começou a socar o solo, socos com extrema força chegando a fazer uma cratera pequena. A voz dela era fraca e totalmente desprovida da poderosa presença que sempre era expressa. Na sua frente havia apenas um humano em luto e em profunda tristeza.

    - Não! Não! Não! De novo não! Não de novo! Cecilia! Lucreita! Não! Não por minha culpa de novo! Não! Pelo amor de deus! Não! Não!

    O foco de Lucien então muda da triste imagem de Franco para uma presença ao seu lado. Era um "anjo" translúcido. Entretanto não aqueles do paradoxo. Era seu guia espiritual, como sempre lhe acompanhando. Mas agora este "anjo" não mais parecia como antes se mostrava ser. Estava sem asas e com feições muito mais humanas e roupas sociais modernas. Incrivelmente lembrava muita Izabel. Seu guardião estava sorrindo, um profundo sorriso de compaixão, antes de conversar com o francês de forma que apenas ele ouvisse.

    "- Eu a salvei Lucien... Impedi que ela fosse devorada. Não se preocupe, ela está segura. Muito segura, mil vezes mais do que vocês aqui. Deixe que eu cuide dela. Agora se preocupe com seu próprio caminho. Pois não se esqueça, existe cura para a morte e para sua maldição, mas não para ambas."

    Off - Cecília, fim do ato. Lucien, ultima ação para o fim do ato.
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    Danto Jogador

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

    Mensagem por Danto Jogador em 7/11/2016, 18:16

    "Algo mudou profundamente dentro de mim, sinto a estranha necessidade de temer pela vida de Cecília, mesmo com as palavras do Arquiteto. Assim como também me vejo compadecer com essa criatura tenebrosa que esmurra o solo como um selvagem, espere um pouco... Algo realmente mudou profundamente em mim, sinto a vida do meu corpo, mas também sinto sua morte. É essa morte a qual você se refere Arquiteto? Mas qual será minha maldição?! Bom, é melhor eu retirar esse antiquado ser do chão antes que ele causa maiores estragos a tudo a nossa volta, acredito que ele já tenha feito estragos demais para uma só existência... E não nos acuse dessa forma queridíssimo cainita que divide esse corpo comigo, não estou sendo arrogante. Veja só, ele está tão perdido em sua própria redoma de trevas e violência... Ah sim, isso eu realmente concordo... Engraçado como eu consigo conversar comigo mesmo dessa maneira, será que algum dos meus parantes cainitas possui a capacidade de manipular a mente? Eu adoraria passar por essa experiência sensorial..."

    Com um sorriso breve no rosto eu olhava na direção do Arquiteto, vê-lo modificar-se daquela maneira era revelador em várias maneiras. Sua aproximação com a imagem de Izabel também, afinal do que valeriam anjos se eles são apenas criaturas prontas para punir? Izabel sempre foi uma mão capaz de apaziguar, compreender e tocar.

    Caminhando em direção a Franco eu toco seu ombro com firmeza, para direcionar minha fala ao antigo mais uma vez, uma fala totalmente desprovida de formalidades mas completamente permeada de verdadeiros sentimentos.

    -Franco, basta. Eu lhe garanto que Cecília está bem, a ferida que nunca se fechou em seu peito está sangrando e teu sangue atraí as sombras. Chegou a hora de encontrar a luz, você disse em várias situações que eu sou um presente de Izabel para você, levante-se e olhe para meus olhos, veja a luz que me faz ter a certeza que Cecília está bem, é a luz que trará a cura para essa ferida de uma vez por todas. Continuo a afirmar, meu caro, eu não sou uma benção à você, mas a luz sim, ela é. É ela que Izabel sempre desejou à você... Agora por favor, levanta-se antes que destrua o solo que abriga o memorial de Gabrielle.

    Após o termino da minha frase, eu solto o ombro de Franco e olho diretamente para Duncan. Meu primeiro e mais velho irmão, sorrindo orgulhosamente para ele eu fazia um breve sinal com a cabeça. A amargura entre nós demoraria a sumir, mas os passos precisavam ser dados e eu reconhecia os méritos dele durante a cena diante o paradoxo, meu movimento era um agradecimento sincero, nada além disso. Em seguida me aproximo de Sarah, sorrindo para a jovem desesperada, esticando meus braços eu tocava os ombros dela.

    -Sarah, abra seus olhos. Você está segura agora, vamos para dentro da casa... Sei que sua mente está perdida em meio a tanta confusão, as informações lhe agridem como nunca antes fizeram. Mas não te preocupes querida, o tempo de dor se foi. É hora de compreender exatamente quem você é, o que você é, além de muitos porquês que correm em tua mente agora. E não se preocupe com Cecília, ela está segura... Vamos.

    Esperando pela reação de Sarah e Franco, eu observava todas as proles de Izabel. Meu coração cheio de orgulho sorria para todas elas, até para aquelas que não estavam ali presentes, pois elas estariam para todo sempre comigo. Era chegada a hora de uma conversa e um sono tranquilo para todos nós, a próxima noite será a noite do meu encontro com Serafina, a união da família é o que nos fará aguentar o turbilhão que virá em resposta a nossa atual condição.

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    Re: Cecília & Lucien - Ato IV - Avatar

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      Data/hora atual: 15/12/2017, 19:39