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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

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    Danto
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    Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 17/10/2016, 20:51

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite

    Após finalmente você e sua "irmã" se aprontarem para finalmente irem em direção ao Principado da cidade de Berlim, Hans estava sorridente a espera de vocês duas. O alemão estava com o celular em mãos e com uma notória empolgação ele anunciava em inglês:

    -Eu irei levar vocês duas até o Principado, não irei adentrar o local mas já notifiquei o Senescal e ele irá direcionar alguém apto para recebe-las, ao que tudo indica será a minha esposa, Erika Geiger. Ela irá cuidar pessoalmente da segurança de vocês duas e irá leva-las diretamente até a presença do Príncipe que já aguarda ansioso pare conhece-las... A história de vocês duas está correndo bem rápido por toda cidade e é essencial que vocês também sejam bem rápidas. Venham queridas, eu quero ser o primeiro a vê-las caminhar livres pela primeira vez!

    Ele então se colocava entre vocês duas e dava os braços, convidando-as para caminhar com ele em direção a saída do Elísio...




    Carro de Hans

    Depois de alguns instantes você adentrava uma luxuosa limousine que aguardava Hans logo na saída do Elísio. Jessica observava tudo com uma enorme admiração, Hans parecia ser de fato um importantíssimo cainita local, capaz de ligar diretamente para o próprio Príncipe de Berlim! Ele então abria as portas para que vocês entrassem e ia até o motorista, para cumprimentar o homem que aguardava dentro do carro com um simpático aperto de mão e um sorriso. Em seguida, Hans entrava logo atrás de vocês e se acomodava no banco. Levando os olhos na sua direção, até mesmo porque nesse instante Jessica tirava o celular para verificar algumas mensagens.

    -Olívia, peço desculpas por minha interferência com tanta força... Sei que nós somos desconhecidos, mas eu entendo perfeitamente o que é ser aprisionado a uma única possibilidade, uma única função e um único caminho... O mundo ao nosso arredor está mudando sabe, não acho que as tradições arcaicas estruturadas com medo e soberania serão pertinentes para nossa sobrevivência, precisamos reencontrar nossa empatia...
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 19/10/2016, 10:56

    "Que pitoresco. Hans é casado... Não é o tipo de relação que estou acostumada em ver entre os cainitas da América. Unidos pela eternidade, soa tão poético..." Aceitava o braço de Hans para caminhar. Hesitei de leve quando notei a cortesia do mesmo, mas logo me adiantei para acompanhá-lo. Mesmo me sentindo um pouco desconfortável por andar de braços dados, tentei não perder o ritmo ao andar para a saída do Elísio. "Imagino que o que contamos ali dentro já está correndo por toda a cidade. Espero chegar ao Príncipe antes dela ouvir versões más interpretadas da história. Almejo que "ele" não sofra consequências drásticas graças ao que fizemos... Han? O que estou pensando?"

    Sento na limousine sem demonstrar que estava surpresa com a situação. De certa forma imaginava que iria pegar um tipo de transporte luxuoso e em uma cidade tão próspera como esta, de longe precisaria ficar surpreendida. Mas fico intrigada com a forma mais íntima que Hans trata seu empregado, isso deveras era exótico aos meus olhos. Assim sento sem grandes alardes e fico a observar meu anfitrião. Mais olhando para o vazio que de fato o encarando. Apenas falo assim que ele completa a linha de pensamento dele.

    - Fico grata que sua empatia esta noite nos encontrou. Pois hoje tivemos um lapso de coragem que jamais teríamos em nossa terra natal. Afinal lá as estruturas arcaicas ao qual vós fala ainda são fortes. Me pergunto como vocês aqui conseguiram evoluir tanto contra estas tradições sórdidas de soberania.
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    Danto
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 20/10/2016, 10:08

    O veículo se colocava em movimento durante o começo da sua fala, Jessica levantava os olhos quando ouvia a sua voz e abria um pequeno sorriso na face, afinal, toda a enorme agitação era de alguma forma fruto da natureza impulsiva da ruiva com pouca intimidade com as normas de etiqueta Ventrue, mas com um coração enorme e forte que sempre lutou por liberdade. Hans ouvia as suas palavras e graciosamente fazia uma brevíssima reverência antes de responder.

    -Curioso como o novo mundo se tornou arcaico não é mesmo? Com todo respeito, mas a sociedade cainita das Américas foi forjada pelas mãos de covardes e totalitaristas. Em Berlim nós pagamos um preço muito alto, estamos na realidade apenas no começo de uma Era muito mais moderna, você não poderiam ter chegado em um momento mais oportuno. Agora, irei me intrometer pessoalmente em tua vida e já lhe adianto um pedido de desculpas, Olivia... Nunca se esqueça do valor dos pormenores, um toque, um sorriso, um olhar. Esses são indiscutivelmente os maiores tesouros no convívio cainita, enganam-se os que se prendem ao passado violento, bestial e monstruoso onde o mais forte devora o mais fraco. Meu coração se enche de tristeza ao ver seus belíssimos olhos perdidos no vazio dessa forma, você irá precisar encontrar algo que os faça brilhar minha cara. Pois uma existência no vazio é pior do que a morte.

    A frase de Hans vinha como um trem desgovernado na sua direção e atropelava imediatamente tudo que você havia aprendido até então sobre a sociedade cainita. O tradicional conceito define cainitas como seres distantes e solitários, agraciados pela imortalidade e habilidades especiais, eles controlam a sociedade mortal através dos panos e da máscara. A interação direta entre cainitas é desnecessária, naturalmente competitiva e fria. Não se deve tocar, não se deve expor ou se aproximar... Mas Hans representava diretamente uma ferramenta especial: Empatia.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 20/10/2016, 13:48

    Um pequeno arrepio tomava conta de meu corpo por meio das palavras de Hans. Meus olhos se perdiam no carro enquanto o mesmo terminava sua linha de raciocínio. Finalmente minha visão se repousava em Jessica. Ela parecia ainda bastante agitada. Eu queria tranquilizá-la, mas minhas mãos pareciam travadas. Meu corpo não estava me respondendo direito esta noite. Assim olho de novo para o Maestro.

    - Acho... Que estive tempo demais no escuro. Meu corpo ainda rejeita meus pensamentos com força, mas posso começar a dar os primeiros passos... Afinal não é só sobre minha pessoa que devo me preocupar e sim com todas as pessoas as quais eu possuo de certa forma responsabilidade. Se me der licença...

    Com gentileza puxo meu celular da bolsa e ligo diretamente para a Califórnia. Seria ainda dia lá e não haveria problemas em ligar para meu gerente. O qual sempre me ajudou bastante, assim, quando ouvi a voz dele me prontifiquei a falar. Mas evitei o máximo que pude um tom forte e mandatário em minhas palavras.

    - Alou? Thomas? Sim, é Olívia aqui. Não se preocupe, minha viajem está bastante positiva. Estou te ligando pois notei aqui na Europa uma mudança drástica no mercado de moda. Os estilos mudaram bastante principalmente com cabelos originais, ninguém mais liga para isso. Logo deixa de ser valoroso mantermos aquela lista "vermelha" nossa. Feche o contrato com cada uma delas, dê uma boa remuneração por essa atitude repentina. E depois apague os contatos de nossos registros. Realmente não precisaremos mais desta custosa linha de modelos. Bom, isso é tudo por hora Thomas. Fico agradecida por não me fazer muitas perguntas. Lhe desejo uma boa noite.

    Depois do mesmo responder e desligar, finalmente guardo o celular e olho novamente para Hans. Para então explicar claramente o que eu havia acabado de fazer. Afinal aquelas jovens seriam as próximas vitimas e eu não podia permitir isso.

    - Caso nosso Senhor retorne para América, pelo menos ele não terá minhas meninas para abraçar... Elas estão salvas...
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 20/10/2016, 18:00

    Hans observava com cuidado todas as suas ações e Jessica se surpreendia bastante quando você falava com Thomas. Ela imediatamente guardava o celular e atentamente ouvia toda a conversa, interessadíssima em cada pequeno detalhe, ela cruzava as pernas e os braços e balançava a cabeça positivamente quando você terminava de falar. Thomas realmente não falava muito, simples "Sim Senhora" e "Tem razão, será feito" resolviam a conversa para o lado dele que era sempre muito ocupado gerenciando todas as modelos que cruzavam o mundo em sessões de foto e desfiles.

    -Nossa Olivia, você realmente salvou essas garotas... Só de pensar que eu fui uma dessas...

    Comentava Jessica de maneira profundamente triste. Hans prontamente se esticava para segurar as mãos de Jessica que caiam sobre os próprios joelhos devido a lembranças nada confortáveis que passavam pela memória da ruiva. Cuidadosamente Hans envolvia as mãos dela e sorria, o sorriso dele era tão contagiante que a própria Jessica sorria de volta.

    -Queridas, vocês estão a salvo. Isso não é nenhuma brincadeira ou joguete, vocês estão livres e a salvo. Deem um passo de cada vez, sempre na direção da luz e vejam como o mundo pode ser belo para vocês... Ele não é mais um problema, nunca mais.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 21/10/2016, 11:09

    "Eu fiz a coisa certa. Tenho total convicção disso. Aquelas garotas não mereciam em um milhão de anos passar pelo que nós duas passamos. Elas estão livres agora. Livres para sempre. Se eu tivesse feito isso antes... Aaaa, Jessica... Eu podia ter lhe salvado... Mas eu sou fraca... A grande verdade é que esta noite foi você que me salvou. Foi você que salvou a todas nós. Eu nunca realmente gostei de você. Mas não posso negar o feito desta noite. Você realmente é a irmã que eu sempre queria ter tido."

    Não nego o sorriso quando guardo o celular. As palavras de Hans fazia meus olhos brilharem em vermelho, com uma possível lágrima acudindo por sair. Mas a segurava dentro de mim. Ficava então olhando para aquela jovem ao meu lado e pensando profundamente sobre nosso futuro na cidade. Então Hans puxa as mãos dela com bastante carinho e observo aquele gesto com um certo frio na barriga. Minha mão da uma certa tremida. hesito um pouco, mas então me aproximo. Com as palmas das minhas duas mãos, toco levemente em cima e embaixo do toque que os dois faziam. Assim tocando nas mãos de ambos. O incômodo me dominava, mas eu conseguia lidar com isso. então começava a falar com uma voz um pouco fraca.

    - Estamos livres irmã...
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 22/10/2016, 16:48

    Os azuis olhos de Jessica se arregalam, a boca dela se abria e toda a face da jovem era tomada por uma surpresa que por pouco não avançava para um choro desenfreado. Ela tremia os lábios tentando responder, sem sucesso ela apertava com mais força a mão no meio daquele toque que para você era estranho, mas que possuía muito significado ainda a ser explorado... Primeiramente, as mãos de Hans eram quentes, como se ele ainda estivesse vivo! Um toque morno e gentil, mãos delicadas e dedos ligeiramente calejados por causa das cordas do cello. Já as mãos de Jessica estavam tremendo um pouco, demonstrando uma felicidade enorme. Hans sorri observando a cena e comentava com um tom doce de voz:

    -Lembre-se que a liberdade não deve estar apenas em suas palavras, mas sempre em seus atos. Eu sei que muitas vezes as estruturas da nossa sociedade possam parecer severas, mas se vocês forem livres de corpo, alma e pensamento. Serão capazes de fazer como eu, sorrir, sentir e aproveitar toda luz que antes era evitada...

    Jessica finalmente formula uma frase, reunindo muita força para dizer:

    -Hans, você é especial. Uma criatura tão doce, parece um anjo que veio ao nosso resgate... Olívia, eu sei que você se incomoda com a minha presença, eu sempre soube, também sempre soube que seus ouvidos recusavam levemente todas as vezes que eu a chamava de irmã... Mas eu... perdi tudo. Foi a única forma que encontrei para não me perder no meu próprio medo, não precisamos ser irmãs se você não quiser, mas eu preciso de você! Como irmã ou como amiga, rótulos não importam pra mim Olivia, me desculpe mais uma vez por não conseguir ser tão polida, ou tão educada... Ver você me chamando de irmã me faz querer chorar, rir e te abraçar. Faremos de Berlim a nossa casa e com calma encontraremos nossa relação...
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 24/10/2016, 15:28

    - Jessica... Não vou mentir para você. Eu sempre tive uma parte de mim que queria se livrar de ti, como se você não significasse nada em minha vida... Mas agora finalmente descobri que eu sou abençoada de lhe ter ao meu lado. Foi você que realmente foi capaz de nos libertar. Só que é mais que isso, ganhei seu suporte quando mais precisava. Eu realmente tenho uma irmã, e ela é você. Viveremos juntas nesta cidade, Jessica, nós duas, juntas.

    Largava as mãos dos dois quando a Jessica terminava de falar. Aquele toque do Hans me deixara um pouco assustada. Só que as palavras dela me afetaram mais. Não havia nada ali que eu realmente não soubesse, mas a verdade finalmente exposta era um pouco assustadora. Um sentimento que nos tira nosso escudo. Era o Maestro, as atitudes iniciais dele destruíram minhas barreiras. Era meu verdadeiro eu ali, sem nenhuma máscara para me cobrir. Apenas um estranho sentimento chamado vergonha me dominando. Eu nunca soube lidar com este sentimento. De certa forma parecia me machucar. Só que eu não queria raciocinar sobre o mesmo. Assim, lutei diretamente contra ele e fui contra meu próprio instinto. De tal forma, abraço com força a Jessica, escondendo meu rosto entre seus peitos e a aperto bastante. Tentava a todo custo esconder minha face nela, pois fora ela, não havia mais nada escondido de mim. Eu estava totalmente exposta ali. Como se estivesse nua.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 24/10/2016, 23:35

    Os olhos de Jessica eram inundados por lágrimas durante o começo da sua frase, ela lutava com todas as forças para não ser dominada por um choro descontrolado como havia feito dentro do banheiro daquele posto de gasolina do começo da noite. Os lábios dela chegavam a tremer devido ao esforço para controlar as emoções, mas sua frase ia evoluindo e o choro começava a se transformar em felicidade. Ela ensaia uma reação, entretanto, a surpresa do teu abraço tão forte a deixa totalmente paralisada, o nervosismo dela era tão descontrolado que seus ouvidos ouviam batidas descompassadas do coração da jovem e sua pele sentia o toque gélido dela se tornar mais morno, ela era ainda muito jovem e sem nem se tocar, precisava ainda impor ao corpo os espasmos de quando ainda era viva. E ela estava totalmente dominada por uma confusão, por uma felicidade e por uma surpresa... Que não cabiam dentro dela. O abraço entre você foi longo, era como se o tempo tivesse se moldado em torno de vocês unicamente para agrada-las. O eterno abraço transmitia segurança e respeito, amor e cumplicidade. Os braços dela envolviam seu corpo e ali vocês ficavam, juntas... A voz de Hans trouxe vocês duas de volta:

    -Chegamos queridas, espero não ter ultrapassado limites, as vezes acontece sem que eu perceba. Mas preciso dizer que vocês duas são maravilhosas pessoas que serão muitíssimo bem recebidas na cidade, adorei conhece-las e ambas já possuem um espaço em meu coração, tudo que precisarem, em qualquer situação, saibam que eu prontamente as ajudarei de bom grado. Não existe nada nesse mundo mais lindo do que o amor entre irmãos... E eu sei muito bem disso...

    As palavras finais de Hans soavam com uma felicidade única, era tão clara como um rio cristalino, ele havia encontrado um irmão ou irmã recentemente e estava sensibilizado com vocês duas, os olhos dele chegavam até a brilhar, mas não havia vitae ali, apenas lágrimas vivas...
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 26/10/2016, 13:45

    "Hans é sem sombra de dúvidas uma pessoa maravilhosa. Ainda poderei aprender muito com ele. Espero do fundo do meu coração poder continuar nesta cidade. Pois eu jamais seria bem vinda de novo na América e só de pensar na ideia já me deixa arrepiada. Nós duas vamos conseguir morar aqui, temos que conseguir."

    Quando percebo que o carro parou de se movimentar me afasto da Jessica com suavidade. O sentimento de vergonha ainda era forte. Mas me sinto muito mais aliviada e com um grande gelo quebrado. Assim sorrio de forma empática observando a lágrima viva de Hans falo com muito respeito com o mesmo.

    - Do fundo de nossos corações, somos profundamente gratas à você. Esperamos encontrá-lo no mais breve possível. Agora se nos der licença, vamos irmã.

    Esta palavra ainda me incomodava um pouco. Mas era bom fazer a Jessica se sentir mais confiante agora. Pois estávamos para entrar no principado e não faço a menor ideia do que esperar lá. "Ele" pode estar nos aguardando, podemos ser punidas ou exiladas. O pior pode acontecer e temos que estar alertas e agir de forma inteligente. Essa é a noite mais importante de nossas não vidas. Assim abro a porta da limousine e saio confiante depois de sorris mais uma vez para o Hans.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 26/10/2016, 19:32

    Jessica sorria com uma enorme felicidade, algo bem raro para a jovem que sempre demonstrava irritação e distanciamento, principalmente quando "ele" estava por perto. O celular era sempre uma válvula de escape dela e nem sempre ela realmente estava conversando com alguém ou usando-o para algo útil, mas nessa situação ela apenas se aproximava de Hans e sem pedir nenhuma permissão dava um beijo em seu rosto para então se despedir dele.

    -Obrigada Hans, terá para sempre a minha amizade. Até breve!

    Empolgada ela seguia logo atrás de você. Hans saia junto com vocês duas do carro, mas permaneciam junto ao mesmo e esticava a mão a mão para tocar o seu pulso gentilmente. Mantendo-a no lugar e deixando Jessica se distanciar um pouco, falando em alemão, Hans se despedia:

    -Olivia, foi um enorme prazer conhece-la. Iremos nos encontrar em breve, leve minhas palavras de saudações ao Príncipe e mantenha sua confiança, peço para que quando vosso laço romper, não se perca em toda a torrente de sentimentos que lhe tomará, se desejar me ligar, não pense duas vezes...Faça e eu irei até você. Boa sorte na sua apresentação.

    Bellevue Palace: Novo Principado de Berlim

    Jessica havia tomado uma certa distância entre vocês, já se aproximando de alguns seguranças que se localizavam na entrada daquele belíssimo local. Virando de costas para os seguranças ela girava o corpo pra virar na sua direção e fazer um sinal para você se adiantar e se aproximar mais rápido. Assim que você chegava, ouvia Jessica se apresentando ao segurança.

    -Jessica Campbell, do clã Ventrue. Venho junto com minha irmã para nos apresentarmos ao Príncipe da cidade de Berlim.

    O segurança olhava atentamente para vocês duas e parando os olhos sobre você ele indaga:

    -As senhoritas são então as proles do Senhor Blake, o Príncipe espera ansiosamente por conhece-los, mas um pequeno problema ocorreu. Vossa Majestade foi forçada a se banhar brevemente e irá recepciona-las em seus aposentos pessoais. A Coroa e a Corte de Berlim orgulhosamente saúdam vocês duas, por favor, sigam pelos corredores e virem à segunda a esquerda onde serão recepcionadas pelo Senescal. Ele irá leva-las ao destino de vocês.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 28/10/2016, 11:51

    Logo depois da Jessica se afastar me aproximo de Hans. Imitando a jovem dou um beijo em seu rosto assim que o alemão polido dele terminava de ser pronunciado. Só que meu beijo dura um segundo a mais que o de minha companheira. Assim me afasto um pouco mais de um palmo de distância do rosto dele. Olhando profundamente para a imensidão infinita de seus olhos. "Este é um homem que não posso jamais esquecer." Assim dava minhas últimas palavras antes de me afastar para seguir a Jessica.

    - Obrigada Hans... Você ouvira de mim em breve, lhe garanto.

    Então dava passos largos me afastando do maestro. Agora revelando em meu rosto um largo sorriso. Mas que guardava apenas para mim. Uma pequena palpitação vinha de meu peito, curta e passageira. Instantes depois minha compostura regressava com o rosto serio e determinado. Fazendo uma breve mesura assim que a Jessica nos apresenta. "Iremos para os aposentos pessoais? Isso é bem peculiar!" Sem ter o que dizer, apenas mantenho o passo ao lado de minha nova irmã. Ficando atenta para finalmente nos encontrarmos com o Senescal. Falo então em voz baixa para a Jessica se acalmar um pouco, afinal eu sei o quão nervosa ela está, somos duas.

    - Tudo ficará bem, lhe garanto.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 31/10/2016, 11:11

    Jessica olhava para você brevemente após a sua frase que buscava transmitir confiança e deixava um brevíssimo sorriso se formar em seus lábios. Para então inspirar bem fundo e seguir caminhando em direção a entrada do local. O novo principado de Berlim era magnífico! Digno de uma verdadeira capital do primeiro mundo, não haviam limites para os valores dos móveis ali postos, das relíquias e das obras de arte. Havia uma claríssima valorização das cores e dos detalhes em azul, uma marca registrada do orgulho do clã Ventrue. Enquanto vocês duas caminhavam lado a lado, na sua memória ainda muito vívida a imagem daqueles olhos verdes inesquecíveis do maestro... Seguindo as instruções dadas pelo segurança logo na entrada, não foi difícil encontrar um pequeno hall de entrada, com uma estrutura oval o local parecia ser apenas uma sala de esperas. Mas não era um homem que esperava por vocês, mas sim uma mulher de postura forte e imponente, cabelos loiros, roupas modernas e justas ao corpo magro e belo. Ela estava de pé e dava um passo a frente quando vocês duas adentravam o local, essa breve movimentação dela permitia que você conseguisse ver que atrás da mesma existia uma poltrona muito antiga, posta precisamente aos pés de uma escada em espiral.

    -Boa noite, sejam bem vindas ao Principado de Berlim. Sou Viktoria Henriette Blucher, prole de Wilhelm Waldburg. Na ausência inesperada do Senescal eu irei acompanha-las até os cômodos pessoais do Príncipe que as aguarda avidamente. Peço desculpas as senhoritas pelas quebras protocolares e hierárquicas, todavia, friso que tais infortúnios se apresentam devido a uma recente execução na sala do trono. Dessa forma, peço para que todos seus aparelhos eletrônicos e bolsas sejam cuidadosamente postas sobre aquela velha poltrona justaposta à escadaria que usaremos para chegarmos a sala do Senescal, de lá teremos acesso aos corredores privados dessa construção. Existe alguma dúvida que necessite de atenção ou podemos nos colocar à caminho?

    A frase dela fazia todo o seu corpo reagir, sua mente entrava em um trabalho intenso e sua postura reagia sem sequer você ser capaz de controlar, afinal, você tinha toda a certeza desse mundo que a sua frente estava um poderosa anciã Ventrue, com um vitae mais poderoso do que seu próprio Senhor. Além disso ela era uma prole direta do mais famoso e ilustre Ventrue Europeu, o Príncipe dos Justos. A presença dela era tão forte e a fala dela tão rebuscada e polida, pronunciada em um alemão puríssimo. Apesar dela não estar demonstrando nenhuma agressividade à vocês, seus olhos eram capazes de ler no corpo dela que a anciã era das antigas ordens de cavalaria do clã, uma tradição que sequer chegou a América.
    Viktoria Henriette Blucher:
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 3/11/2016, 15:08

    - Boa noite. Sou Olívia Johnson ao seu total dispor, Vossa Senhoria Viktoria Henriette Blucher, prole do Ilustríssimo Senhor Wilhelm Waldburg. Não possuímos nenhuma dúvida, seguiremos conforme vós desejar.

    "Uma nobre imponente que eu vejo. Difícil saber se meu falho vocabulário arcaico americano irá ser o suficiente para manter a educação com esta pessoa. Me pergunto porque o Senescal não pôde aparecer, uma execução soa como um evento bastante assustador. O que me deixa mais preocupada de não fazer uma apresentação no meio da corte. Entretanto não possuo segredo quanto às nossas ações, se forem consideradas uma transgressão terei de aceitar a sentença de cabeça erguida. Não possuo muita opção quanto a isso."

    Depois de me apresentar e fazer uma adequada mesura sigo as instruções da antiga e coloco meus pertences na poltrona a minha frente. Então fico de postura ereta ao lado de minha anfitriã observando em silêncio a Jessica e desejando que ela conseguisse repetir minha ação de forma adequada. Afinal sempre faço minhas ações na frente dela para que a mesma consiga saber como atuar. Não que eu seja uma especialista na área, mas ela é infelizmente nova demais para costumes muito milimetricamente precisos.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 3/11/2016, 22:08

    A anciã analisou cada fala, reação e postura que você assumia durante a fala que era executada. Para depois os poderosos olhos dela se direcionarem a Jessica, sua irmã não havia entendido uma única palavra sequer. Entretanto, não demonstrava tanta confusão ou insegurança como sempre exibia em cenas de extrema delicadeza e etiqueta como essa. De maneira formal a jovem Ventrue reagia com uma reverência e colocava-se um passo atrás de você, indicando que ainda não estava pronta para direcionar a palavra para um ancião.
    Viktoria sorria, aprovando as reações de vocês para enfim se colocar em movimentação, subindo as escadas apenas quando todos os objetos eletrônicos de vocês duas era posto sobre a poltrona antiga ao lado da escadaria. Aquela espiral dava acesso direto ao interior de uma sala de estar.

    -Senhoritas, sentem-se no sofá e aguardem. Certificar-me-ei de que o Príncipe esteja apto a recebe-las. Não devo me demorar, portanto, acomodem-se.

    Diz a Anciã que nem sequer se importava em reparar nos menores detalhes daquela sala luxuosa, com vários tons de amarelo, ouro, mármore e marfim. A realidade é que claramente ela conhecia cada pequeno local, guiando-se naturalmente para o interior da sala e virando para abrir as portas bancas duplas no fundo, à esquerda. Ela adentrava o quarto privado do Príncipe de Berlim.

    -Nossa, eu estou profundamente envergonhada por não saber nada desse idioma. Acho que se eu pudesse eu teria ficado vermelha na frente da anciã!

    Comentava Jessica em uma forma de desabafo, sentando-se no sofá e cruzando as pernas. Os olhos dela então vagavam pelo teto do local. Você então tinha apenas o tempo para se sentar, nem para responder a sua irmã houve tempo. O som de uma breve discussão vinha do quarto, as portas duplas prontamente se abriam e uma presença poderosa tomou conta de todo o ar daquela sala. Com longos cabelos dourados, olhos claros azuis, profundos e belíssimos. Uma pele marmorizada pela idade avançada, o vitae potente do Príncipe fazia com que o caminhar que ela fazia acuasse a sua besta. Era como olhar diretamente para uma Rainha, seu íntimo desejava jurar lealdade a mesma, sendo que esta nem sequer havia olhado diretamente pra você.
    A face dela parecia levemente irritada, os olhos dela prestavam atenção ainda para o interior do quarto e com as próprias mãos ela fechava a porta do mesmo. Agora eram só vocês duas a a segunda prole de Gustav! O nervosismo de Jessica era incontrolável e explicito. A poderosa Rainha virou-se e olhou vocês... Abrindo um enorme sorriso na face, ela parecia ter visto duas lindas jóias.

    -Queridas!

    Diz Katarina em um inglês britânico. Sorridente ela dava mais alguns passos a frente, as roupas dela era extremamente modernas e contrastavam com tudo que a circundava, até mesmo as roupas que vocês usavam era tradicionais e as dela não.

    -Bem vindas a Berlim, vocês são belíssimas! Tenho uma péssima notícia para vocês, a partir dessa noite as Senhoritas são órfãs. A excelente notícia é que eu as nomeio oficialmente membros da minha corte. As colocando sob minha guarda diante toda a Camarilla Mundial.
    O Príncipe da Nova Berlim:

    Katarina Kornfeld:

    Roupas:
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 4/11/2016, 17:23

    - Não se preocupe Jessy. Estamos até agora indo bem. Em breve isso tudo vai acabar, de uma forma ou de outra.

    Mais uma vez tentava acalmar Jessica. Mesmo sentindo falta de alguém para me acalmar. Não havia ninguém para me dizer como agir ou se comportar. Qualquer erro poderia me levar para um evento muito infeliz. Já estava nessa sala com mais que motivos suficientes para a senhora do meu senhor ordenar minha morte. Fora isso eu estou a necessitar de muita ajuda. O que é muito pouco provável de conseguir. Ganhar uma ordem de regresso para a América aparenta ser o mais provável e de longe o mais assustador. Assim a grande Príncipe da cidade adentra a sala me deixando mais que perplexa.

    "Nunca vi alguém tão poderoso como ela tão de perto assim em toda minha existência. Nunca fui de fato treinada para saber como me comportar em uma situação tão importante quanto essa. Percebo vendo a roupa dela que fiz uma terrível escolha. Achando que eu deveria escolher para nós duas peças de roupas mais antigas, terminamos ficando totalmente diferentes do que se era esperado de nós. Que isso não piore nossa situação. Agora tenho ser mais correta possível."

    - Somos absolutamente honradas em lhe conhecer, Vossa Alteza Katarina Kornfeld, primeira de seu nome.

    Faço uma forte cortesia levando por pouco tempo o joelho ao chão enquanto falava. Realmente não sabia se deveria ou não fazer tal apresentação, se foi pomposa demais ou de menos. Por isso foquei no meio termo. Se estivéssemos em um lugar mais formal seria claro que a apresentação seria completa, mas ali a dúvida vinha a minha cabeça. Mas ouvindo as palavras dela o foco de minha dúvida crescia para outro caminho.

    "Órfãs? O que exatamente ela quer dizer com isso? "Ele" perdeu a guarda sobre nós ou... Não, não seria possível! ... Me aliviaria tanto em saber que é verdade... Não! Não pode ser! ... Droga, se acalma Olívia. Isso é o seu sangue falando alto demais. O que importa é que estamos a salvo! Estamos livres! Depois de tanto tempo..."

    - Não possuo palavras suficientes para expressar nossa alegria em ser bem vinda nesta maravilhosa corte. Eu apenas possuo duvidas sobre o que vós dissestes sobre sermos órfãs...

    Exitava muito em falar as últimas palavras. Uma mistura de um alívio natural e um desespero comandado por meu sangue me deixava perplexa demais para conseguir pensar com clareza. Afinal até instantes atrás eu estava me considerando a culpada.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 5/11/2016, 19:44

    -Vossa Alteza Katarina Kornfeld, me faltam palavras de agradecimento por tamanha recepção, aproveito também para pedir desculpas por minhas possíveis quebras e falhas de etiqueta, minha educação ainda não é completa e deveras me preocupa a notícia sobre a nossa atual posição de órfãs...

    Complementa Jessica, ela ficava bem mais aliviada que a conversa estava sendo conduzida em inglês. Apesar da claríssima diferença de sotaques e da construções das frases, ao menos, o inglês britânico era compreensível aos ouvidos dela. A Senhora Kornfeld olhava para Jessica e em seguida para você, com calma ela tomava a mais próxima poltrona dourada para sentar. Cruzando as penas, jogando o corpo inteiro para seu lado esquerdo, ela apoiava o cotovelo sobre o braço da poltrona e fechava os olhos pro alguns segundos, para enfim olhar bem séria a vocês e responder.

    -Eu o executei minutos atrás. Não existe forma mais suave de dizer isso, todo o contexto que me foi apresentado, os abusos aos quais as senhoritas foram submetidas, as ameaças, as sórdidas formas que se alimentar. Eu entendo profundamente o que é a figura de um Senhor abusivo, fui abraçada para ser a mulher de Gustav. Sem que sequer eu fosse questionada se essa era a minha vontade... Ao laço dele eu fui presa por quase um século, talvez até mais... Minha fúria me fez perder o controle e eu destruí Howard. Imploro a vocês duas nesse momento que esqueçam as etiquetas, os protocolos, eu não irei puni-las por nada que vocês façam agora. Eu prometo. Só por favor, me perdoem... Eu odiava Gustav por vários motivos, um deles era ele se colocar no direito de julgar a vida e a morte dos membros, e eu fiz exatamente isso...

    Era diferente o tom utilizado por ela agora, apesar de sério, não era autoritário ou forte como antes. Não era o Príncipe de Berlim que falava com vocês, mas sim uma mulher chamada Katarina, uma mulher que conseguia simpatizar profundamente com a dor de vocês.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 6/11/2016, 22:34

    "Ele morreu. Como pôde?! Não! Isso é na verdade um alívio! Estamos salvas, finalmente salvas. Mas então porque estou chorando? Meu laço deveria se quebrar. Esse sangue que escorre em meu rosto... É o vitae "dele" e não o meu. Apenas eu não desistindo e conseguirei me tornar livre desses grilhões mentais." Limpo um pouco as lágrimas de meu rosto e sento na cadeira mais próxima sucumbindo um pouco às minhas pernas já bambas de tanto esforço mental. Assim começo a esboçar um sorriso genuíno naquele meu rosto triste. Duas emoções em uma pessoa só, mas só uma das emoções era natural. Era a alegria pela liberdade.

    - Eu... Eu perdoou você. Peço que não se engane com estas lágrimas, elas são sim lágrimas de tristeza, mas não são minhas. São do sangue que me prendia à servidão. Eu, Olívia, estou finalmente livre. E vós é minha salvadora, nossa salvadora, mas mais que isso, nossa Rainha.

    Limpava um pouco mais de lágrimas, forçando a alegria a tentar tomar totalmente minha feição. Não parava de olhar de instantes em instantes para Jessica. Então finalmente termino com face contente e fico séria novamente. "Preciso ser realista agora." Então prosseguia a falar.

    - Sendo franca, Vossa Alteza. Nossa situação está deveras complexa. Voltar para América significaria nossas mortes pelas mãos da senhora de nosso falecido senhor. Ela o amava de forma cega. Por mais que aqui estaríamos segura, estamos totalmente dependentes. Sem rebanhos, sem refúgio, junto com a má reputação daquele que nos abraçou, podendo trazer dos membros dessa cidade julgamentos prematuros sobre nossas pessoas. Isso incluindo que Jessica não fala a língua local. Podemos até possuir recursos monetários, mas apenas isso de fato temos.

    Era demandado um pouco de coragem para falar de forma tão aberta. Mas cada palavra era verdade. "Estamos perdidas no escuro sem uma lamparina. Deveras encontramos pessoas maravilhosas nesta cidade. Infelizmente não podemos passar nossa existência vivendo de favores que jamais conseguiremos retribuir. O grande problema é que sequer possuímos um plano alternativo. Assim, apenas a sinceridade me resta." Olhava mais uma vez para ver as reações de Jessica.

    - Não entenda isso como uma crítica à sua atitude ou a esta bela cidade. É na verdade um desabafo sobre nós duas realmente estarmos perdidas e sem recursos para sobrevivermos de forma a não depender de outros. Nossa maior preocupação inicial viria de nossas sedes, afinal aquele que não mais está presente não se preocupou com nossas alimentações quando veio para esta cidade.


    Última edição por King Jogador em 10/11/2016, 14:09, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 7/11/2016, 19:11

    Sobre o foco dos seus olhos, Jessica permanecia estática. Sempre ativa, desbocada e impetuosa, a jovem agora mergulhava em uma profunda, triste a assustadora apatia. Ela não piscava, tão pouco respirava como ainda fazia vez ou outra em momento de estresse, mantendo a mesma postura dês do começo da conversa, a jovem ruiva fechava os olhos por exatos três segundos. Abrindo-os novamente, para continuar totalmente silenciada. Era como se algo tivesse morrido dentro dela, a chama dela parecia ter ido embora no exato momento que aquela notícia era dado...

    Katarina se colocava de pé e caminhando na sua direção com calma, a anciã Ventrue que agora ocupava o mais alto cargo de uma das mais importantes cidades da Europa, tomava suas mãos com firmeza e buscava seus olhos.

    -Eu prometo que vocês duas terão tudo que for necessário para sobreviver nessa cidade, serão registradas como órfãs e nada que aquela vil criatura fez irá ecoar sobre vocês, jamais. Vocês tem a minha autorização para construir um domínio, receberão a ajuda monetária que for necessária, todo o suporte que o verdadeiro clã Ventrue pode oferecer chegará a vocês duas. Eu entendo o desabafo, sou grata por ele... Quero que você entenda que eu desejo vê-las fortes sob minha tutela...

    A frase do Príncipe era interrompida pelas risadas crônicas e descontroladas de Jessica. Assustada a anciã olhava para a jovem que ria em total pânico naquele momento, a principal função da existência dela era lutar pela liberdade de vocês, enfrentando sempre que possível a autoridade que representava a força do sangue do Senhor de vocês duas. Agora, ela não tinha absolutamente nada, nenhuma razão, apenas o pânico de viver eternamente em uma cultura que não era a dela, em uma cidade que não era a dela.

    -Eu lutei tanto por isso, para ver minha irmã livre dos abusos. Do laço. Da punição injusta... Hoje ela é livre! O que diabos será da minha existência agora? O que eu farei? O que eu serei?!

    Era o Príncipe de Berlim que respondia ao desespero da jovem.

    -Você, Senhorita Campbell será a minha secretária. Seus serviços e sua presença estarão todos os dias ao meu lado, isso é o suficiente para a sua existência?

    Jessica pulava do sofá como uma criança assustada e corria na sua direção, sem saber exatamente o que fazer. Ela parecia ter voltado a si e percebido o quão desrespeitosa havia sido a postura dela. Tomada pela vergonha, a jovem respondia com enorme dificuldade em seu pior e mais nervoso inglês.

    -Eu...eu...a-a-cei-acei-aceito!

    Os olhos confiantes, potentes e penetrantes de Katarina agora iam na sua direção. Ela não estava brincando por nenhum instante sequer naquela cena, a sinceridade dela era tão grande que lhe causava um pequeno desespero. Afinal, ela estava disposta a oferecer tudo a vocês, realmente tudo! Mas porque?!

    -E você querida Olívia, diga-me o que será necessário para lhe dar uma nova esperança.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 10/11/2016, 18:06

    "Jessica... Nunca pensei que sua dor chegava nesse nível... Nunca vi o mundo pela sua perspectiva... Me desculpa... Só que você me deixa mais que em pânico por agir desta forma aqui. Temos muita sorte de estarmos falando com uma lÍder de verdade. caso contrário ela não teria suportado nossos desabafos."

    A reação de susto da Príncipe é um pouco similar à reação que eu mesma tenho. Afinal de longe esperava tanta mágoa dentro da Jessica. Afinal sempre negligenciei as dores e pesares que não fossem minhas. Levo um certo tempo para me recompor enquanto observo as palavras e proposta de Katharina. "É muita oferta para uma noite só, mas eu não tenho sonhos de grandeza como meu senhor tinha. Por hora quero apenas ter meu espaço pessoal, e poder descansar de todos essas anos de stress emocional. Apenas isso realmente almejo agora."

    - Não se preocupe Minha Rainha. Vós já deu para mim o direito de viver em sua cidade e minha liberdade. Não lhe pedirei mais nada fora o que já recebi. Apenas ofereço, caso almejado, meus serviços como uma boa gerente e investidora que sempre fui na América.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 11/11/2016, 20:39

    -Compreendo perfeitamente e assim será...

    Respondeu o Príncipe de Berlim, de maneira bastante educada a mulher retornava a sua poltrona de origem, cruzando as penas ao sentar-se e assumindo uma postura ereta e polida. A antiga analisava a situação com um pouco mais de calma e retomava a fala quando Jessica finalmente retomava a coragem para ficar ao seu lado.

    -Jessica, tu ficarás comigo pelo resto da noite. Seu trabalho já irá começar nesse exato momento, agora, pergunto a ti querida Oliva. Tens onde ficar? Possuí alguma forma de alimentar-se sem problemas? Irei providenciar que lhe enviem o contato de Bastian Wiedenfeld, ele é um jovem Ventrue local que poderá fornecer possibilidades imobiliárias e similares. A nossa reunião está encerrada, a senhorita quer que eu entre em contato com alguém? Afinal, você precisa de um refúgio seguro para terminar essa noite.

    Jessica olhava um pouco confusa para você, ela não tinha muita opção naquele momento e de fato, ela até sorria empolgada quando tocava na sua mão como uma maneira delicada e sutil de despedida.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 16/11/2016, 15:12

    - Mais uma vez devo agradecer à esplendida hospitalidade oferecida por Vossa Majestade e os integrantes dessa cidade. Assim que possível irei então providenciar um refúgio. Por hora... Acredito que seria proveitoso eu me encontrar com a Senhora Ashley Bradley. Nossa última conversa foi interrompida prematuramente. Assim sendo agradeço, mais uma vez pela recepção. E Jessica, até amanha minha irmã.

    Acaricio de leve a mão de Jessica antes de solta-la um pouco hesitante. O alívio me toma por completo pelas palavras finais da rainha. "Agora finalmente o futuro iria começar a se desenhar para mim. Um lado meu gostaria de se encontrar imediatamente com Hans agora. Entretanto algo me diz que a quebra do meu laço será violente, já me sinto quase como se estivesse gripada. Espero eu conseguir manter minha sanidade depois." Assim faço mais uma longa mesura para a príncipe na medida que deixava claro que iria me retirar assim que fosse sugerido tal atitude.
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por Danto em 17/11/2016, 23:32

    -Até a próxima noite irmã. E por favor, mantenha-me informada, sempre.

    Respondeu Jessica com uma expressão profundamente carinhosa na face, segurando com firmeza a sua mão por breves três segundos. Ela nesse pequeno período demonstrava toda a insegurança que possuía, mas não era apenas isso, havia uma força enorme, uma empolgação que nascia do desafio apresentado... O Príncipe de Berlim apenas concordou com um movimento da cabeça, autorizando a sua saída. Do lado de fora da grande sala, você prontamente encontrava a escada e realizava agora sozinha o caminho de retorno até onde seus pertences haviam ficado, sobre a poltrona antiga logo na sala de recepção.
    Pegando a sua bolsa e aparelhos eletrônicos, o som da porta se abrindo chamava a sua atenção, um vassalo então entrava. Um homem de porte físico robusto, face avermelhada e um terno simples, mas muito bem costurado e vestido. Um relógio de bolso a mostra e uma postura exemplar, o homem juntava os calcanhares e dobrava-se em uma reverência reconhecendo a tua superioridade irrefutável. Em alemão ele falava.

    -Saudações senhorita. Sou Rupprecht Strassmann, vassalo e servo dos Anushin-Rawan a mais tradicional e antiga família de Revenants do justo e real Clã Ventrue. Apresento a ti os meus serviços temporários até que a tua presença na cidade de Berlim, assegurando vossa segurança e reconstrução dentro da corte da Nova Berlim. Por tanto, informo que a Senhorita Ashley do clã Toreador já está a caminho...

    A voz do homem era coerente, profundamente marcada pelo sotaque das regiões mais ao sul da Alemanha. Era de fato surpreendente o tamanho da recepção que você e sua irmã estavam recebendo do Príncipe.

    Vassalo:
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    Re: Ato II - Narrativa de Olívia: New Born Me

    Mensagem por King Jogador em 20/11/2016, 16:07

    "Que bom que está empolgada Jessica. Seu desafio será grande. Mas vou conseguir um bom abrigo para nós duas podermos descansar depois." Assim calmamente me despeço e me direciono para a saída. Pegando meus pertences e prontamente notando a chegada do vassalo. Fico bastante curiosa com o alto nível de classe e etiqueta vindo do mesmo. "Foram poucas as vezes que me deparei com humanos com tanta etiqueta. Realmente sequer sei ao certo como é a conduta de conversação neste caso. Acho que nunca conheci um Revenants antes." Faço um singelo comprimento e um esboço ameno antes de responder ao vassalo.

    - Sou Olívia Jhonson, fico mais que feliz e satisfeita com seus serviços temporários. Estou grata em já saber sobre a aproximação da Ashley. Enquanto isso, gostaria de possuir, caso vós tenha, o contato de Sir Bastian Wiedenfeld. Almejo poder realizar a aquisição de uma residência no menos tardar possível.

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