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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

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    King Narrador

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    Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 21/10/2016, 13:21

    2005, Nova Orleans




    Uma mão apodrecida. É a primeira imagem que vem em sua visão. As unhas já estão apodrecidas e as veias escuras. A carne inchada e a epiderme descascando. Os detalhes mais fortes não são percebidos no entanto, pois sua visão se mostra embaçada, turva. A penumbra também é um elemento forte ao seu redor. Sua cabeça dói profundamente. A pior enxaqueca que já sentira. O que lhe retira totalmente o foco, gerando uma visão absurdamente difícil. Se mover prova ser outro desafio. Pequenos esforços lhe fazem balançar a perna de leve. Claramente seu corpo está estirado no chão. Formigamento controla cada extensão nervosa de suas extremidade. Depois de um largo e profundo esforço, é possível sentir seu dedo da mão esquerda e fazer o mesmo se mover. O que lhe assusta, pois é aquela mão apodrecida no chão que esta se movendo. Sua mão.

    Você tenta se lembrar do que lhe trouce ali. Do que aconteceu. Mas suas lembranças são vagas. Vós se lembra de sua casa. Estava chovendo. Estava sem luz. Teve algo no escuro. Lhe deu medo. Houve briga. Houve dor. E depois não houve mais nada. Não existe nenhuma ideia de quanto tempo se passou, só que esse é o menor dos detalhes no momento. Afinal as dores corporais eram forte demais. Respirar se mostrava impossível. Seu pulmão não respondia direito seu esforço em inspirar. Sua mente lhe deixa desesperado com a sensação de falta de ar, só que sua consciência não se apaga. Mesmo sem conseguir respirar direito. A sensação de falta de ar permanecia dolorosamente, lhe deixando assustado. O susto só cresce quando uma voz vem do escuro. É uma voz bastante rouca e profunda, em um tom grave e forte.

    - Ora ora... Acordou cedo garoto... Deve ser o sangue de carniçal que tinha... Uma pena jovem... Vai sofrer mais que o esperado...


    Última edição por King Narrador em 24/10/2016, 17:39, editado 1 vez(es)
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    Lugo

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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 21/10/2016, 15:44

    Foram pouquíssimas vezes já tinha passado por uma situação parecida com essa, porém, nenhuma foi, de longe, tão forte e horrorizante como a que estava vivenciando agora. Minha cabeça estava agitada de pensamentos irregulares e bagunçados e meus olhos acompanhavam o ritmo frenético de dor que me devastava. Meus sentidos estava todos deturpados e a sensação de uma espécie de sufocamento fazia com que poucas coisas conseguissem ser processadas por meu cérebro, como, por exemplo, a mão podre que se estendia a meu lado. De fato não conseguia raciocinar direito e as memórias, do que poderia ter me deixado naquele estado, já tinham se esvaído de meus pensamentos. A situação em que me encontrava era, no mínimo, perturbadora de mais para uma pessoa supercontrolada como eu, já que uma das coisas pela qual mais me presava era pela minha saúde mental.

    Ficava ali, estendido no chão, por algum tempo, tentando retomar o controle de meu corpo e mente, mas aquilo parecia impossível e logo era forçado a tentar me mexer impulsivamente, apesar de saber que em situações desse tipo era melhor manter a calma. Ao tentar mexer meus membros pude sentir um formigamento intenso e que reprimia minhas ações, porém, ainda consegui alcançar meu objetivo. Minha mão esquerda parecia uma das únicas partes que ainda respondia, de uma maneira ou de outra, e com isso eu pude, pelo menos por uma fração de segundos, ver que a mão podre que estava no chão era na verdade a minha.

    “O… o quê… que mer-da é...” A noticia de que um de meus perfeitos membros estava podre e que havia perdido sua beleza anatômica era um baque mais forte do que perder os sentidos e aquilo me fazia ficar ainda mais determinado em sair daquela situação, entretanto, antes que pudesse realmente obrigar meu corpo a se mexer, uma voz vinda das trevas que me cercavam se pronunciava e colocava mais um ponto em todo o mistério.

    - Ora ora... Acordou cedo garoto... Deve ser o sangue de carniçal que tinha... Uma pena jovem... Vai sofrer mais que o esperado…

    Aquela voz… ela era grave e rouca de um modo perturbador e que parecia tocar no coração das pessoas que a ouviam, mas, além da tonalidade, as palavras pronunciadas aumentavam o terror sobre minha pessoa. Eu não sabia exatamente de onde ela vinha ou o que o anunciante queria comigo, mas algo me dizia que não era coisa boa. Minha única reação para aquela situação era tentar ativar meus sentidos aguçados com a finalidade de, pelo menos, ter uma noção de onde o invasor estava, e tentar não fazer nenhum movimento brusco ou que pudesse ameaçá-lo, afinal, naquela situação ele estava em clara vantagem e a primeira coisa que eu deveria fazer era coletar as informações antes de tomar as atitudes necessárias.

    - Seu… quem é você e o que.. queres? - Falava relutante enquanto tentava checar o estado de meu corpo, tentando mexer suavemente meus membros e acalmando o turbilhão que me atordoava.

    [Off] Ativo sentidos aguçados de Auspícios e faço um teste de Percepção + Prontidão para tentar encontrar o homem da voz.
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    Dados

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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Dados em 21/10/2016, 15:44

    O membro 'Lugo' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 3, 2, 3, 9
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    King Narrador

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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 24/10/2016, 14:28

    Ligar seus instintos foi um ato quase instintivo. O qual logo lhe deu uma percepção mais profunda do lugar onde estava. Mas antes de notar as nuncias do ambiente, seu tato logo lhe dava mais detalhes de seu próprio corpo. O formigamento ardia profundamente. Era possível sentir cada ponto de sua epiderme adormecendo lentamente. Seus braços tremiam, a barriga estava fria, o joelho parecia ferido. A sensibilidade de todo seu corpo estava absurdamente sensível, sentido claramente as menores mudanças de temperatura do abafado lugar ao qual estavam. Uma pequena trepidação involuntária também vinha de sua perna esquerda, só que agora ficava mais fácil controlar seus músculos adormecidos. Podendo lhe permitir que se sentasse no chão. Notando alguns hematomas na coxa e arranhões pelo tórax até as costas.

    O lugar ao qual você estava aparentava ser cavado na terra, com paredes de terra. Se mostrava ser um porão onde o teto estava a talvez três metros de altura, era uma sala comprida. A fonte de luz vinha de uma fraca vela em cima de uma mesa um pouco distante de ti, ao lado de uma cadeira onde estava aquele que falara contigo. A presença dele estava tomada pela penumbra, podendo apenas ver seu contorno. Ele usava um chapel e parecia estar com uma roupa branca. Talvez um jaleco. A cadeira que ele estava era de balanço e este balançava um pouco, fazendo um leve rangido. O outro som vinha do teto, de uma lampada que piscava quase que totalmente queimada sem emitir luz alguma e revelando um curto elétrico. A voz profunda de seu anfitrião regressou em seguida.

    - Tente não ficar com muito medo Jace... Tudo que está acontecendo com seu corpo é natural... A morte não é sua inimiga. Mas não se desespere, você não vai morrer de verdade. Eu salvei sua vida.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 24/10/2016, 17:29

    Com as minhas capacidades perceptivas melhoradas, pude notar tudo que estava acontecendo com meu corpo e ter uma noção mais detalhada dos elementos ao meu redor, como a sala e o indivíduo que me observava. Era difícil acreditar que tudo aquilo estava acontecendo, mas com o passar do tempo ia conseguindo retomar o controle de mim mesmo, fazendo com que já fosse possível me sentar, respirar e olhar calmamente. Com os sentidos aguçados ativos, tive um nível de percepção muito além do que esperava para com o meu próprio corpo e por isso conseguia sentir com mais clareza todos os efeitos que meu corpo estava passando. Tremedeiras, hematomas e arranhões que não estava ali outrora eram os principais destaques visuais, porém, o que mais me preocupava era a dormência de minha pele, que afetava todo o corpo, e o formigamento intenso que sentia. Minha mente estava confusa, tentando processar tudo que estava acontecendo e tentando desvendar como eu tinha chegado naquele estado e isso fazia com que meus olhos ficassem alternando o foco entre minha mão podre e os hematomas que estavam sobre diversos locais de minha pele, porém, aquele não era o único problema da cena.

    Mesmo tendo conseguido encontrar a localização do homem, era impossível descobrir que o mesmo era, já que somente alguns detalhes foram captados por mim. O local, no entanto, parecia mais fácil de ser observado, porém, era igualmente confuso. Pelo que me recordava, acreditava estar na casa de meus pais e agora podia ver que estava em uma espécie porão natural, que tinha aproximadamente três metros de altura. O ambiente era totalmente feito de terra e contia poucas coisas não-naturais como a lâmpada quase queimada no teto, a mesa no canto com a vela e a cadeira de balanço que o homem sentava, onde ambos estavam mais no canto da sala. A princípio, tentava continuar com a calma que estava demonstrando e a tentar encontrar algum tipo de saída do local. Agora sentado, eu tinha uma capacidade melhor de ver o que tinha ao meu redor e poderia começar a procurar por possíveis saídas daquele local, enquanto tentava adquirir mais informações com o homem de jaleco ao meu lado, entretanto, antes que pudesse começar meus questionamentos, o indivíduo retornava a falar.

    - Tente não ficar com muito medo Jace... Tudo que está acontecendo com seu corpo é natural... A morte não é sua inimiga. Mas não se desespere, você não vai morrer de verdade. Eu salvei sua vida. - Suas palavras emitiam o som natural que amedrontava minha alma, parecia ser algo em sua voz ou na penumbra que o cercava e que carregava suas falas, mas algo de muito assustador. Ao fim de sua frase, calmamente retomava o folego e procurava o sentido em suas palavras.

    - Do que é que você está falando? Como salvou minha vida? - Perguntava calmamente enquanto olhava para minha mão podre e pensava sobre o que foi dito. - O que está acontecendo com meu corpo e o que de fato aconteceu comigo? Onde esta minha família e a minha senhora? Ela precisa saber onde eu estou! - Minha entonação ia crescendo de acordo com o que ia sendo dito e já no final da frase eu estava praticamente gritando, mas rapidamente tentava voltar ao normal. Com a minha mão boa eu arrumava meus óculos, os empurrando para mais cima como de costume, e em seguida desabotoando o primeiro botão da minha camisa. - O que está acontecendo aqui? - Falava pausadamente. - Eu preciso de uma explicação! - Assim que terminava de falar, esperaria pelas palavras do homem de pé e escorado do outro lado da sala, longe do mesmo e olhando fixamente para ele tentando novamente obter mais detalhes sobre o mesmo.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 25/10/2016, 21:06

    Seu corpo lhe dá uma dor profunda e instantânea em seu músculo no instante que você tenta ficar de pé. Uma ardência profunda e sinistra sobe por seus nervos e lhe tira completamente o equilíbrio. Fazendo seu corpo tombar novamente ao chão e produzindo uma latente dor que repercutia por todo o seu corpo. Era como o badalar de um sino ardendo em sua cabeça com o sentimento do impacto. Mas deveras, nada se machucava em seu corpo, era apenas a sensação, a terrível sensação. Sua voz também havia saído de sua garganta de forma muito rouca e rasgando ao sair. Espasmos de respiração viam aos seus pulmões de tempo em tempo, sugando pouco de ar, mas sem respirar propriamente dito.

    Quando estava de pé podia ver com mais clareza aquela sala. Havia uma porta logo atrás do homem na cadeira. este estava com um óculos e claramente um jaleco médico. Haviam alguns equipamentos cirúrgicos na mesa também. Era difícil ver com mais clareza o rosto do homem, só que pela penumbra aparentava que a pele dele estava toda queimada. Não parecia um humano saudável na sua frente. Só que mesmo assim, este manteve a calma e mesmo com uma voz tenebrosa, ele tentava lhe acalmar. Só que nada aparentava realmente lhe acalmar totalmente, pois acima de qualquer preocupação por sua senhora, estava uma sede absurda e gritante. Talvez fosse ela que ardia teu corpo inteiro.

    - Tente não se levantar tão rápido jovem. Seu estado não é muito saudável ainda. Mas ficará bem. Você foi atacado na sua casa. Não sei ao certo por quem, eram uns três ou quatro. estavam atrás de você apenas, logo acho que seus pais escaparam ilesos. Pois aqueles arruaceiros fugiram quando eu cheguei, mas seu estado estava deplorável demais. Então só tive uma forma de lhe salvar.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 26/10/2016, 16:36

    Tentar erguer meu corpo se mostrava ser uma tarefa mais difícil do que eu imaginava. Inclinar meu corpo para frente e colocar o pé direito no chão era a primeira atitude que tomava para tentar me levantar, mas tal ato fazia com que uma onda de dor se propagasse pelo meu corpo e travasse todos os meus músculos por alguns milissegundos, porém, eu estava determinado de mais para receber essa negativa e, ignorando todos os fatores que tentavam me restringir, continuava na missão de me levantar. Entre uma ação gemidos de dor e cansaço escapavam de minha boca e demonstravam o quão difícil aquela tarefa se provava ser para mim. Devido a toda a dificuldade apresentada, parava por alguns segundos e tomava forçar para dar o impulso com meu pé direito para tentar me erguer. Meu corpo se levantava por alguns instantes, mas, logo em seguida a dor retornava de forma descomunal, abalando minhas estruturas e me levando ao chão. - Puta mer- Arrgh! - Minhas palavras eram cortadas por conta do impacto com o solo, que fazia com que meu corpo todo se tremesse devido a sensação de dor explodindo em minha cabeça e ressoando por todos os cantos de meu ser.

    Apesar de tudo, ainda consegui, no curto tempo que me mantive de pé, ter uma visão mais clara de toda a sala e do homem que estava ali. Diante de tudo que vi naquela sala, a aparência do homem era, definitivamente, o que mais me chamava a atenção e justificava um dos porquês dele estar se escondendo nas sombras. Mesmo em meio a penumbra pude perceber que a pele do individuo era toda queimada, apesar de não conseguir ver sua face, e o mesmo também usava óculos, chapéu e um jaleco médico, além de equipamentos de cirurgia que estavam sobre a mesa. Toda aquela situação ainda era assustadora para mim, mas agora, sabendo que ele era algum tipo de médico, a dúvida ficava ainda maior. Ainda assim, conseguir ver que atrás do homem havia uma porta, mas na minha situação uma forma de escape forçada era hipotética de mais e, devido a isso, começava a me arrastar para o canto da sala, como planejado antes de cair, para me sentar escorado na parede.

    Assim que me sentava no canto da sala, ficava com os olhos fixos no indivíduo enquanto pensava em quem poderia ser e o que havia acontecido com ele, para que sua pele ficasse daquele jeito, porém, não demorava muito tempo para que ele retornasse a falar. - Tente não se levantar tão rápido jovem. Seu estado não é muito saudável ainda. Mas ficará bem. Você foi atacado na sua casa. Não sei ao certo por quem, eram uns três ou quatro. Estavam atrás de você apenas, logo acho que seus pais escaparam ilesos. Pois aqueles arruaceiros fugiram quando eu cheguei, mas seu estado estava deplorável demais. Então só tive uma forma de lhe salvar. - Apesar de todo o terror que estava vivenciando, aquelas palavras eram como uma luz de esperança, já que aparentemente meus pais não estavam passando pelo mesmo que eu, mas, ainda assim, novas dúvidas acabaram surgindo.

    Dentre tudo que o homem tinha acabado de falar, apenas uma coisa havia realmente me chamado a atenção e foi a parte do: então só tive uma forma de lhe salvar. Ele com certeza não era alguém normal, até por que sabia que eu era um carniçal. Pouco a pouco eu começava a compreender e a criar várias opções do que poderia ter acontecido comigo em relação ao que ele tinha falado, mas, entretanto, contudo e todavia, ele ainda poderia estar mentindo e escondendo a verdade do porquê eu vim parar aqui. - Então… pelo que está me dizendo… Eu fui atacado. Mas por quem? E você, que ainda não disse quem é, estava passando por perto e conseguiu sozinho me salvar? Como você fez isso e o que os arruaceiros fizeram comigo? - Naquele momento minha personalidade fria e calculista retornavam para tentar encontrar a verdade.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 27/10/2016, 18:58

    - Vejo que você realmente é um rapaz determinado. Se quer tanto assim ficar de pé, tome. Vai lhe ajudar bastante. Sua resistência me impressiona, acho que podemos sair desse porão então.

    Finalmente encostado na parede, você ouve a resposta do antigo. A voz poderosa do homem parecia de certa forma te acalmar. Um tom de paciência se mostra presente em suas ações. Assim o misterioso homem finalmente se levanta, enquanto ainda estava falando e pega uma bengala que estava apoiada na mesa. Assim ele a joga para você pegar. Era um bastão de madeira com a ponta de prata, bastante bonito. Em seguida o mesmo tira seu jaleco médico, deixando do lado de seus componentes médicos. Calma e paciência eram elementos fortes em suas ações, fora o perfeccionismo de dobrar corretamente seu traje médico.

    - Temo lhe dizer que os arruaceiros lhe mataram... Eu lhe trouce uma segunda chance de viver. Não é tão bela quanto seria caso sua senhora tivesse lhe abraçado. Mas agora não há mais opções. Você é um cainita agora e deve estar com fome, correto? Imagino que sua experiência como carniçal vai permitir que esse processo seja menos traumático. A sim, me perdoe a falta de cortesia. Me chamo Troy McFlory e sou um Samedi.

    Troy falava as palavras seguinte com bastante calma para tentar não lhe assustar profundamente. Assim, começou a aproximar de ti de forma não hostil. Andando devagar, permitindo que sua visão sobre o mesmo fosse gradualmente melhorando. Revelando um corpo todo apodrecido do mesmo. Não eram queimaduras que você via, e sim uma epiderme toda morta. Tão forte como a dos cadáveres que passavam mais de uma semana antes de serem achados e levados para você analisar. Um chapel escondia o topo de sua cabeça e um óculos ficava na frente daqueles olhos mortos. O mesmo estava vestido com roupas bem formais. Até finalmente ficar perto o suficiente para oferecer a mão para te levantar. Os dedos dele eram carcumidos e podia-se ver um pouco dos ossos.

    Troy McFlory:
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 28/10/2016, 13:09

    Com muita dificuldade conseguia arrastar meu corpo para o canto da sala e a fim de me escorar enquanto olhava para o ser a minha frente e o avaliava bem. Meus braços agora estavam um pouco mais doloridos, além dos sintomas antes apresentados, e minha roupa devia estar mais suja que o normal, mas, aquilo não seria um problema para mim naquela situação. Apesar de todo o esforço feito para chegar ate o local, não ficaria muito tempo ali pois o homem acabava me jogando um bastão, que quicava no ate chegar em mim, para que eu pudesse me manter em pé e acompanhá-lo para fora daquele porão. Ele ainda não havia respondido minhas perguntas e por isso eu hesitava um pouco antes de me levantar, mas já ficava com o bastão na mão e ia me preparando para o fazer quando ele finalmente falou o que eu temia ouvir.

    Acho que em nenhum momento de minha vida minha eu fiquei tão perplexo com alguma coisa como tinha ficado dessa vez. Eu não sabia como definir o que estava me ocorrendo neste instante, mas poderia dizer, apenas, que a ansiedade era o sentimento mais forte daquele momento. Minha cara de peixe ficava por alguns segundos enquanto tentava processar o que me foi dito, afinal não é todo dia que você descobre que morreu e voltou como um ser imortal. As dúvidas ainda estavam fortes em minha cabeça quando o homem se aproximou e estendeu a mão a minha pessoa, assim, também, revelando sua aparência cadavérica e irregular. “Meu… Deus!” Era a única coisa que eu podia pensar ao ver todas as deformidades de seu corpo e imaginar o que aconteceria a meu corpo. Tudo isso que estava me acontecendo, estava deixando minha mente um pouco quebrada, afinal, meu corpo perfeitamente cuidado por mim iria se transformar em algo irregular, porém, em troca da imortalidade. Ser um cainita era algo que eu realmente almejava, afinal eu já era um carniçal, mas, definitivamente, eu queria me tornar um Toreador, abraçado por minha senhora, e não um Samedi, que eu nem se quer conhecia esse clã.

    Depois de um tempo olhando para a mão do Dr. Troy, estendida a minha direção enquanto eu pensava em tudo que estava se passando, eu aceitava sua ajuda para me levantar segurando a mão dele com minha mão esquerda, enquanto a direita apoiava o bastão. Ao me levantar, me apoiando no bardão que me foi emprestado, e assim o seguiria para fora do porão em que estávamos. Enquanto caminhávamos para fora, eu voltava a questioná-lo. - Então eu morri após ser atacado por arruaceiros… Será que você saberia dizer quem seriam esse arruaceiros, e como foi que o senhor me achou lá? – Tentava me comunicar calmamente com o homem enquanto tentava coletar informações do meu próprio assassinato para que pudesse saber de fato o que eles, os arruaceiros, queriam de mim.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 1/11/2016, 00:56

    - Não é hora de chorar sobre o leite derramado garoto. Cainitas te mataram, fim da história. Não adianta buscar motivos para eles irem atrás de você. Uma enorme tempestade tomou a cidade. O caos predomina, razão não existe aqui agora. É hora de seguir em frente. Apenas agradeça por eu estar lhe observando já a algum tempo. Agora apenas me acompanhe... Não quero ganhar inimizade do Clã das Rosas, é bom lhe apresentar para sua antiga senhora.

    A voz do cainita apodrecido era forte e suas palavras duras. Entretanto havia um tom empático por detrás de toda aquele pele morta e ossos expostos. Os olhos apodrecidos aparentavam demonstrar um brilho que revelava que ali não era apenas ódio e rancor. Era muito mais profundo, mais humano. Apenas o entorno era deveras monstruoso a abominável. Por detrás havia um ar profundo e calculista. Assim o antigo cainita com seu ar de médico fez um pouco de força para lhe ajudar a ficar de pé. O toque naqueles ossos que eram suas mãos era absolutamente gélido, como uma pedra de gelo. Todavia havia força ali o soficiente para lhe levantar.

    Com a bengala e aquele misterioso ser lhe dando suporte era mais fácil caminhar pelo porão. Cada passo dado fazia você sentir melhor seu próprio corpo. As dores iam lentamente passando. Seus músculos, ao contrário de sua pele, se mostrava rígido e tensionados. Apenas sua casca estava falecendo. O resto estava se mostrando no mais perfeito estado. O que então lhe permitiu subir aquelas tirando você finalmente daquele purão e da profunda atmosfera úmida que o mesmo emitia. O lado superior era dentro ainda de uma construção e estava escuro por falta de eletricidade. Só que no final da escada, quando o doutor abriu a porta uma iluminação fraca lhe mostrou onde estavam. Aparentava ser uma pequena clínica.

    Podia-se ver por entre as paredes de vidro interna e as janelas nas paredes de fora. Era um lugar amplo com uma visão do lado externo que aparentava ser o subúrbio da cidade de Nova Orleans. Só que o breu tomava conta das ruas, junto com um alto alagamento. parecia que todas as ruas estavam inundadas e a clínica só não estava em estado crítico graças às portas anti-enchente. O ambiente médico ao seu redor não parecia abandonado. Estava na verdade repleto de equipamentos por todos os lados e pelo som que vinha do outro lado, aparentava que havia mais pessoas naquele lugar. Mas seu guia não se incomodava com aquilo, calmamente lhe guiando para a saída da clínica.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 4/11/2016, 00:02

    Minhas suspeitas sobre o homem haviam se concretizado, não foi por um acaso que ele tinha me salvado. Suas palavras tinham deixado aquilo bem claro e, ainda por cima, tinha plantado outra dúvida em minha cabeça. ‘Cainitas te mataram e fim da história’ não era algo que se devia ser deixado para trás, ainda mais por um investigador como eu. “Então não eram ‘somente’ arruaceiros, mas, na verdade, cainitas. E por que eles me mataram? Até mesmo cainitas tem motivos para matar alguém, e eu não irritei ninguém...” Minha cabeça estava a mil com todos aqueles pensamentos, mas, com apenas uma palavra tudo aquilo sumiu por um momento e um pequeno vacilo me tomou quando ele pronunciou a palavra ‘senhora’. Se eu não estivesse com a bengala e com a ajuda dele, eu, definitivamente, teria ido de encontro com o chão novamente. Ao imaginar a reação que minha senhora teria ao saber o que tinha acontecido comigo, me vacilar, tanto em físico como em mental, mas, como ele falou, aquilo deveria ser feito.

    Passo a passo as coisas começavam a retornar a devida funcionalidade por dentro de meu corpo e aos poucos eu conseguia sentir meus músculos respondendo corretamente, e até melhor do que esperado, ao que minha mente ordenava. Aos poucos íamos subindo no nível do local e revelando que o mesmo era um tipo de construção por baixo de uma clínica médica e que tinha pessoas no local. Chegando a clínica em sí, conseguia ter uma visão do exterior e descobrir que o ambiente parecia estar tomado pela tal tempestade que havia sido mencionada. A cada detalhe que me era fornecido sobre aquele senhor, fazia com que eu me perguntasse ainda mais sobre o mesmo e o que ele queria comigo, mas, sabia que aquela não era a hora de colocá-lo contra a parede, até por que ele me salvou… ainda sendo o principal suspeito do meu assassinato.

    Durante todo o tempo que fiquei conversando com ele, em nenhum momento eu tinha me perguntado quanto tempo tinha se passado desde minha morte, mas, ao sair do local fechado pela primeira vez, lembrar definitivamente da minha e ver que tinha uma tempestade tomando conta da cidade, aquilo me lembrava desse detalhe e dessa vez não hesitava em perguntar. - Então… Quanto tempo eu fiquei ‘morto’? E que tempestade é essa? Como a gente vai chegar na casa da minha senhora se as ruas estão inundadas?
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 8/11/2016, 14:45

    - Três dias atrás a tempestade começou. Inundou a cidade toda e cortou a energia. Muitos cainitas antigos adormeceram e os jovens fizeram a festa. Aparentemente alguns estavam caçando os carniçais Toreadores. Não sei exatamente os motivos, apenas supô-los. Nós vamos de barco, oras...

    Havia um certo humor nas últimas palavras de Troy. Só que o início de sua fala mantinha o tom sério e paciente típico de sua personalidade. Assim ele foi lhe guiando para fora da casa entrando naquela rua alagada. Deveras não havia motivos para o médico se preocupar em assustar as pessoas com sua aparência. Afinal o lugar estava escuro e deserto. A cidade inteira não possuía um pingo de luz. Felizmente não estava mais chovendo. Só que era possível ver vários efeitos da tempestade, como telhados faltando e palmeiras encurvadas.

    Sua memória lentamente ia te dando informações na medida que o cainita lhe revelava detalhes dos dias anteriores. Você realmente se lembra que havia sido noticiado pela televisão uma tempestade chegando pelo caribe fortemente. Se lembra das primeiras lufadas de vento fazendo um som forte pelas ruas, só que a memória depois ficava obscura e quase parecida com um profundo sonho. Muito mais claramente um terrível pesadelo que se mostrava que duraria para sempre.

    Assim, vocês foram atravessando a rua que agora era um rio. A água era fria, de forma gélida, só que não incomodava sua pele. Seu corpo não lhe trazia dor ou qualquer tipo de arrepio pela sensação, só lhe fazia sentir, mas nada mais. Assim logo você notou o barco de hélice estacionado na sua frente. O qual Troy prontamente entrou com fluides e lhe deu uma mão para o acompanhar. era hora de encontrar com sua senhora. Por mais que sua vontade de encontra-la estava mais fraca do que sempre fora.
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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por Lugo em 11/11/2016, 18:20

    Caminhávamos tranquilamente em direção as ruas alagadas enquanto o homem que me guiava respondia minha pergunta. Minha reação era instantânea e silenciosa. De minha boca nem uma palavra era proferida, mas meus olhos se desfocavam do objetivo e minha mão direita se agarrava a camisa aonde fica meu coração. Um mix de emoções tomavam conta do meu corpo, porém, algumas mais e outras menos, e era justamente isso que me deixava aflito. “Três fucking dias” Eu pensava enquanto seguia caminhando em modo automático para onde o homem me levava. Sim, três dias desde minha morte, três dias desde que a cidade tinha virado do avesso e, principalmente, três dias que não dava notícias para minha senhora. Por um momento eu podia sentir meu coração apertando, como se tivesse tendo um mini-infarto mesmo que soubesse que isso seria impossível, só de saber que tinha passado todo esse tempo sem me comunicar com minha senhora, mas, por um lado, aquilo era estranho, não o sentimento em sí, mas a intensidade. De todas as vezes que tinha feito algo que ela não teria gostado, aquilo tinha me trazido um sentimento de angustia e infelicidade em proporções inimagináveis, mas desta vez, bem, desta vez tinha sido diferente de uma maneira que eu não conseguia explicar, mas, como se eu tivesse me importado menos com isso.

    Por um momento eu fiquei viajando em meu mundo e processando o que estava acontecendo comigo e finalmente ‘acordei’ quando a água já estava em meus joelhos e minha mobilidade tinha sido muito prejudicada. Ao acordar do transe que estava, olhava para os lados e via que a rua tinha se transformado em um rio e que logo a frente estava Dr. Troy em cima de um barco de hélice. De fato aquilo também me chamava a atenção, afinal, uma tempestade tinha tomado a cidade deixando os anciões adormecidos e ele… bem… ele parecia ter se preparado para esse tipo de situação, sem falar que tinha todas as respostas para minhas perguntas. De certa maneira, começava a criar algum tipo de sentimento de respeito pelo mesmo, afinal, ele tinha se mostrado que não era simplesmente um zumbi da vida real. Hesitava por um segundo, mas logo deixava um pouco da desconfiança de lado e decidia subir no veículo com a devida ajuda do doutor.

    Estendia minha mão ao mesmo e fazia força com as pernas para subir no veículo e, já em cima do barco, procurava algum lugar para sentar, que não fosse o lugar do motorista e assim o faria. Dentro de mim, sabia que algo de muito estranho estava acontecendo nessa cidade e isso estava me atiçando muito, mas, também sentia que aquele doutor tinha algo de errado. Durante o caminho até a casa de minha senhora, se é que nos realmente iríamos para lá, voltava a questionar o mesmo. - Então… - Fazia uma pausa, olhando ao redor de nós e observando como estava a cidade. - Você disse que já estava de olho em mim a algum tempo… Por que você está interessado em mim? Além disso queria saber se minha senhora esta acordada, ou se está adormecida como os outros anciões. - Terminaria de falar olhando para o mesmo e esperando a resposta dele. No resto do caminho iria ficar calado, pensando no que tinha ouvido até agora e pensando no que aconteceria comigo, afinal, eu não sabia direito como minha senhora reagiria aquilo, mas de boa maneira que não seria.
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    King Narrador

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    Re: Jace Bellerín - Ato I - The Dead Hand

    Mensagem por King Narrador em 17/11/2016, 18:15

    - Você pergunta demais sobre sua senhora. Posso dizer que gosto de seu instinto interrogativo. É bom sempre questionarmos sobre o mundo ao nosso redor para chegarmos à uma verdadeira conclusão. Esse dom que lhe fez ser um bom legista e conseguir chamar minha atenção.

    O médico ligava o barulhento barco o qual começava a se movimentar por cima da rua. Agora um largo canal que inundava as casas ao redor. A escuridão tomava conta de vocês na medida que iam entrando cada vez mais no coração da cidade. Parecia uma visão apocalíptica, mas não havia nenhuma dúvida que aquilo era de verdade. Não havia sonho, apenas aquela realidade caótica. O frio da água que respingava em seu corpo não lhe trazia frio ou incômodo. Por mais que fosse possível sentir a umidade. Assim os minutos foram passando enquanto você já se localizava no coração da cidade, próximo dos grandes teatros. Estava perto da casa de sua senhora. Uma ansiedade começava a lhe consumir enquanto Troy voltava a falar.

    - Mas você tem de parar de pensar na sua senhora. Ela não é mais sua dona. Você está livre, passou já três dias no mínimo dês de quando ti se alimentou dela. O laço doentio morreu, mesmo você não querendo admitir, sua alma já está livre do vitae dela.

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