WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

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    Danto
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    Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 25/10/2016, 09:47

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite




    O abraço entre vocês terminava quando Beatrice tocava gentilmente as suas costas, dando um suave e fraco "tapinha", para enfim erguer a face e buscar os seus olhos. Sorrindo para você, a mulher sem alma se mostrava pronta para retornar ao Barão. Saindo do abraço ela tocava a sua face com a mão esquerda por breves segundos e comenta:

    -Até que para um arisco filho da terra, você conseguiu lidar bem com o meu descontrole, obrigada Simon. Vamos entrar?!

    Removendo a mão da sua face, ela prontamente encaixava mais uma vez o véu sobre a cabeça para logo jogar todo aquele tecido para trás do próprio cabelo, ajeitando a pequena tiara cuidadosamente em seu local de origem ela aguardava a sua resposta para que enfim vocês dois retornassem ao Barão Vermelho.

    Retornando ao local, vocês dois eram surpreendidos por uma cena inusitada: Todas as cadeiras estavam viradas para o centro do local, nelas estavam sentados dos os Anarquistas locais e convidados, na frente desse semi-circulo de cadeiras havia a imagem do próprio Barão de Berlim. Kotlar olhava diretamente a vocês dois e aguardava que vocês tomassem lugares próximos ao semi-circulo que aguardava pelas palavras do mesmo. Com calma, ele então começava a falar:

    -Alcançamos agora um momento oportuno para que essas minhas palavras possam ecoar com as devidas proporções. Eu irei falar sobre a noite anterior... Ontem nós marchamos para a praça do Teatro de Berlim com uma missão e ela foi alcançada, nós somos os verdadeiros responsáveis pela vitória que hoje permite as inúmeras modificações que ocorrerão, Berlim irá se tornar grande e nós seremos sempre livres nessa cidade. Hoje eu acordei com a certeza de que minha Senhora, Correlli, jamais irá retornar... Ela sacrificou a própria vida por todos nós, por nossa liberdade e por nossa causa... Ela o fez parar que nenhum outro antigo governe as vontades de Berlim ou de qualquer outro País. Essa é a nossa cruzada, começamos por Berlim mas iremos lutar pela liberdade de todos os povos sobre o domínio das heranças de um passado mesquinho e cruel...Mas antes de revelar a vocês o nosso próximo passo, sinto a obrigação de revelar a todos o que acontece hoje em Berlim. O novo Príncipe é Katarina, a prole que outrora foi conhecida como a Rainha de Berlim, suas primeiras medidas foram: Construir um conselho de neófitos para auxilia-la a melhorar as relações com os mortais locais. Além de ceder status aos mais jovens e dar-lhes voz. Prosseguindo, ela entrou em contato comigo diretamente, para estabelecer um contrato verbal de paz. Ela reconhecerá essa quadra inteira como domínio Anarquista e ainda pediu para que nós escolhêssemos um Elísio que será administrado por nós. Katarina se mostrou interessada em diminuir as distâncias e aproximar ainda mais todos os cainitas locais em prol de uma Berlim melhor... Entendo que ela deu passos importantes e espero que você compreendam que nosso inimigo não é a Camarilla e sim seres como Gustav.

    Todos continuavam em silêncio, mas haviam expressões bem positivas no local. Foi então que Lilian elevou a voz, de maneira sempre carismática, a filha da lua se levantava para falar.

    -Lindo! Adorei tudo isso, vocês lembram como Wilhelm era maravilhoso? Nossa...que homem...Digo, Wilhelm sempre foi aberto a nossa situação, nunca tentou nos censurar ou nos acuar de forma alguma. Logo, acredito que Katarina irá afrouxar ainda mais as amarras e nós não podemos exagerar certo?! Não temos medo da Torre de Marfim, mas nós exigimos reconhecimento e ela está disposta a isso. Adorei!

    O Barão caminha até você enquanto Lilian falava e tirando algo do bolso, ele parava a sua frente e esticava a mão esquerda. Nela havia um brinco simples, prateado com detalhes delicados que esculpiam uma coroa, eram os brincos que Correlli usara na noite em você a conheceu.

    -Simon, fique com um... Por favor...
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    Jess

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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 25/10/2016, 22:30

    O pequeno tapinha em suas costas fez com que Simon abrisse os olhos, a besta se incomodou com isso, uma parte do cainita queria permanecer ali a noite toda, outra sabia que havia muito a se fazer, encarando os olhos castanhos de Beatrice o cainita abriu o braços deixando que esta se arrumasse. O toque em sua face fez com que Simon levantasse as sobrancelhas de forma suave e calma.

    - Era o minimo que eu poderia ter feito... Principalmente por ter o causado...

    Observando Beatrice se arrumar o cainita fez o mesmo, abotoando o sobretudo por nenhum momento Simon descuidou dos movimentos de Beatrice, a besta o exigia e de bom grado o cainita concordava, fazendo um gesto para que a mulher fosse na frente, deixando que esta guiasse Simon a seguiu para dentro do Barão vermelho.

    A cena que os esperava fez com que Simon permanecesse em silencio, seguindo o exemplo da cainita a sua frente este se sentou entre os demais, seus olhos estudaram a todos a sua volta antes mesmo de Kotlar iniciar seu discurso.

    Abaixando a cabeça e se apoiando em seus joelhos Simon fechou os olhos diante das palavras de Kotlar, prestando toda sua atenção nele.

    “O abismo devorou Corelli... Será que ela não tera forças para voltar? Quanto tempo isso levaria... Gustav... Quanto terror ele causou nas terras germanias... Qual foi seu fim e como você despertou a ira daquele monstro?! Tantas perguntas... Tantas coisas para se ver e conhecer... “

    As palavras de Lilian fizeram com que Simon abrisse os olhos, a pequena filha da lua tinha o dom da fala e era algo que de certa forma valia a pena de se ver, os movimentos de Kotlar chamaram a atenção do cainita, seus olhos negros procuraram os do Barão quando este estendeu o brinco prateado, besta e cainita reconheciam a dona daquele brinco e as palavras pesadas de Kotlar ressoaram na mente de Simon.

    Levantando-se o cainita tocou no brinco, ainda sem segura-lo este encarou Kotlar ao comentar em tom baixo.

    - O aceitarei se tu tiveres o outro... Caso contrário não o poderei faze-lo... Ela era sua senhora e presava por você...
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    Danto
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 26/10/2016, 19:16

    Kotlar concorda com a cabeça, movimentando-a levemente de cima para baixo, em uma ação bem curta e breve. A mão dele continuava esticada e ele respondia após esboçar uma expressão de aprovação.

    -Sim, eu tenho outro e talvez até um pouco mais do que eu esperava. Esse é apenas um dos tesouros que pertenceram à Minha Senhora, não deles tem realmente um enorme valor monetário, mas eu acredito que você entenda o verdadeiro significado desses tesouros...

    Ao fundo Lilian continuava a conduzir com muita segurança o pequeno discurso que improvisava para recepcionar os novos membros e para explicar a todos como seria a "nova Berlim".

    -As informações que veem dos Nosferatus é a seguinte senhores, senhoras e criaturas. A Camarilla irá controlar Berlim Ocidental inteira e deixará o lado Oriental para nós e para o Sabá, sei que isso colocaria nosso Barão Vermelho em risco, mas já sugiro que esse seja nosso Elísio. E depois termos que nos reunir com os Sabá para dividirmos com cautela cada pequeno pedaço, não vamos guerrear, mas não apenas aceitaremos os restos!
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 26/10/2016, 23:09

    Vendo a reação de Kotlar, Simon por fim pegou o brinco estudando-o com cuidado o cainita concordou com um leve aceno, fechando a mão sobre o brinco o cainita permaneceu olhando para a própria mão por alguns instantes antes de voltar seus olhos para Dieter.

    - Acredito que sim... Não é o valor físico que o transforma em um tesouro, mas as lembranças que ele trazem... Lady Correlli fará falta e cada pequena lembrança dela será de grande valor... Eu fico agradecido com seu presente Kotlar...

    Ouvindo as palavras de Lilian, Simon sentiu a besta deitar-se cansada, a atenção desta se voltava para Beatrice alertando o cainita de cada movimento da Baali.

    “ Berlim continua dividida então... Só que desta vez a sem uma Torre em guerra... Como será que os filhos da Espada se portaram de agora em diante?”

    Voltando sua atenção a Kotlar, Simon arreganhou um pouco os dentes ao comentar.

    - Kotlar... Minha terra... Eu a deixei na casa de Lady Correlli... Mais do que nunca precisarei dela para o próximo sono e não creio que seja adequado que eu permaneça descansando nos domínios dela... Peço desculpas por meu descontrole... Sem a terra minha besta se torna violenta... Eu não queria causar brigas entre os recém chegados..
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 27/10/2016, 19:18

    -Não se preocupe com pedidos de desculpas Simon, pequenas explosões são normais entre cainitas. O importante é que vocês dois aparentemente resolveram entre si a pequena briga, fico grato por ter lidado bem com a situação meu caro. Agora, sobre a propriedade de Correlli onde a sua terra esta, eu preciso lhe pedir um enorme favor... Infelizmente eu não tenho como viver naquela casa, tão pouco cuidar dela como ela verdadeira merece, por isso, gostaria que ela se tornasse sua. A noite já esta perto de seu fim, vá até a sua terra e descanse, reflita nesse assunto. Me responda amanhã certo?!

    A frase do Barão terminava com o levantar da maioria dos membros presentes no pub, alguns seguiam em direção ao balcão do local e outros se agrupavam em pequenos grupos e iniciavam breves conversar. Havia claramente um clima de fim de noite no barão, uma noite tranquila e pacifica... Parecia que de fato, a calmaria chegava após a tempestade. Tudo parecia muito bem e tranquilo, Beatrice estava sentada sozinha mais isolada de todos como sempre fazia e Lilian olhava diretamente para você com um sorriso abobalhado na face, como se ela soubesse de algum segredo seu.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 27/10/2016, 22:08

    Diante das palavras de Dieter, Simon levantou a sobrancelha de forma curiosa, a proposta recém feita era algo que o cainita nunca esperaria ainda mais quando o despertar de Wotan logo se apresentava.

    - Eu pensarei com cuidado... Não posso garantir que saiba lidar com essa proposta... Mas irei ponderar sobre ela... Posso lhe pedir algum meio de locomoção? Eu não gostaria de ser um estorvo para os outros nessa questão..

    Comentava o cainita concordando com as palavras do mesmo, o movimento dos cainitas ao redor fizeram com que Simon permanecesse no lugar, sua besta buscava por Beatrice enquanto os olhos do cainita passeavam a sua volta.

    “ Uma casa... A casa de Correlli... Quanta confiança Kotlar deposita em minha pessoa para fazer tal proposta?”

    Cruzar os olhos com Lilian fizeram com que o cainita ficasse em alerta, a forma como a filha da lua o lia era assustadora, e de alguma maneira Simon persentia que a Malkaviana sabia exatamente o que havia se passado fora do bar, algo que fazia o mesmo começar a temer pelo resguardo de Beatrice.

    Tomando coragem o cainita andou até esta com as mãos no bolsos, olhando para o chão este simplesmente comentou para Beatrice em tom baixo:

    - Eu vou me retirar... Acredito que voces tenham onde passar a noite não?!
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 31/10/2016, 10:50

    O Barão concordava com a sua frase e prontamente enfiava a mão esquerda no bolso da calça, tirando uma chave de uma motocicleta e entregando a mesma pra você o homem não falava mais nada, apenas observava você diretamente por alguns instantes antes de fazer um breve aceno de despedida e se direcionar a Aleksandra. Lilian por outro lado seguia observando cada pequeno passo que você dava dentro do pub, ela parecia encontrar algum tipo de prazer em te colocar nessa situação. Instantes depois você se colocava próximo de Beatrice mais uma vez, essa olhava na sua direção e com uma postura mais galanteadora, ela respondia em um tom baixo de voz:

    -Eu adoraria acompanha-lo por essa noite Simon, mas eu tenho pequeninas obrigações a cumprir no começo da próxima noite. E já havia dado minha palavra de permanecer próxima dos olhos dos meus companheiros de viagem. Eles tem razão em suspeitar do que eu poderia fazer se saísse livre pela cidade...
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 31/10/2016, 13:51

    Recebendo a chave da moto Simon a guardou no bolso, sustentando o olhar de Kotlar o cainita abaixou a cabeça quando este se virou, não havia necessidade de palavras para saber que a falta de Correlli afetava em muito o Barão.

    " Será que está é a chave da motocicleta de Correlli? Porque ele me daria isso?!"

    Diante das palavras de Beatrice o cainita apenas concordou com um leve aceno, os olhos atentos do cainita tremiam com os simples movimentos de Lillian e sua brincadeira.

    - Não se preocupe, conversamos na próxima noite... Acredito que seja melhor para ambos... Já que provavelmente eu acordarei mais tarde do que o costume...

    Se despedindo com uma pequena mensura o cainita evitou olhar para Lilian antes de sair pela porta do Barão vermelho, mesmo assim fez questão se esperar por alguns instantes caso a filha da lua o seguisse.

    Off: Teste de Percepção +Empatia = 6d10 dif. 8
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Dados em 31/10/2016, 13:51

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 8, 4, 2, 7, 1, 7
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 1/11/2016, 10:13

    Beatrice apenas concordava com um brevíssimo concordar com a cabeça, para se despedir com um belíssimo sorriso que se desenhava acanhado, mas ainda belo de uma maneira inusitada aos seus olhos. Ela se mantinha em silêncio e seus olhos se cruzavam pela ultima vez naquela noite, despedindo-se um do outro, as bestas de ambos tomavam seu tempo para dizer "até logo". Enfim você começava a sua caminhada para a saída do pub, já do lado de fora sua atenção era voltada para a imagem da motocicleta de Correlli estacionada cuidadosamente em uma vaga preferencial e exclusiva para os donos do estabelecimento e pelos sons de uma corrida, um corpo leve e pequeno se aproximava empolgadíssimo de você, era Lilian.

    -Eu não acredito nisso! Simon! Uau!

    Risonha a filha da lua se aproximava e tomava a liberdade de passar um braço pelo seu, envolvendo-o com carinho e colocando-se como uma dama ao seu lado ela esperava que você conduzir.

    -Você é realmente um galanteador! Conquistou mesmo o coração do Barão! Estou orgulhosa de você querido, tá tá, isso não deve contar muito para a sua profunda sabedoria, mas eu ligo? Não, to orgulhosa do mesmo jeito! Preciso de carona, já falei que te amo?! Essa é a moto dela... Simon, você realmente ganhou a confiança do Barão e isso é raro!
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 2/11/2016, 00:15

    As bestas se despediram com calma, os olhos do cainita sorriam quando o mesmo não o conseguia, deixando Beatrice para atras Simon fechou os olhos sentindo a brisa da noite, seu andar calmo se dava devido ao cansaço e a estranha sensação que aos poucos imundava o austríaco.

    Os olhos de Simon se voltaram para Lillian quando esta o segurou pelo braço, com cuidado este puxou a mão desta segurando como um verdadeiro cavalheiro faria, ouvindo as palavras desta com curiosidade.

    “ Bom saber que alguém se orgulha por mim quando eu já não sei como faze-lo...”

    Diante da moto de Correlli o cainita permaneceu em silencio por alguns instantes, as palavras de Lillian ganhavam um novo sentido, algo que de certa forma o cainita não conseguia compreender.

    “ Porque?! Wotan está para despertar... Eu não tenho forçar para sequer me levantar contra ele... Não poderia deixar que outro massacre acontecesse... Não por mim...”

    Balançando a cabeça este tocou de leve no guidão da moto, passando o capacete menor para Lillian, Simon pegou o que usara na noite anterior, olhando para Lillian o cainita bateu de leve com os nós dos dedos no capacete desta.

    - Não se preocupe, não tenho a intenção de deixa-la a pé... Mostre-me o caminho até ondes desejas chegar... Só não se balance muito... A ultima coisa que eu quero é danificar a motocicleta...
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 2/11/2016, 11:12

    Lilian vestia o capacete e subindo sua viseira ela sorria de uma maneira doce e brincalhona, até um pouco infantil na realidade. Era uma postura diferente, ela parecia muito mais genuína do que todos os contatos que você tivera com a mesma até agora. Aguardando que você sentasse na moto de Correlli, a pequena mulher se aproxima, esticando a mão esquerda para tocar seu ombro. Imediatamente a sua besta reagia, era algo inusitado que acontecia naquele instante, Lilian estava literalmente pedindo autorização para a sua besta e não para você!

    -Querido, eu vou me aproximar tá bem. Eu sei meu lugar, não se preocupe quem sabe não podemos brincar um pouco depois?! Eu me escondo e você tenta me encontrar? Ah claro, você não gosta muito de brincadeiras, certo, da próxima vez eu tento encontrar alimento mais saboroso. Um austríaco, tá bem querido!

    Lilian estava conversando com a sua besta e a sensação era simplesmente inexplicável, porque você sentia ela rosnar e resmungar dentro do seu corpo, como se ela reagisse a cada fala e a cada toque da pequena Malkaviana. E o mais surpreendente é que sua besta e ela se entendiam, Lilian era autorizada a sentar atrás de você e abraça-lo. Assim vocês dois seguiam pelas ruas de Berlim.

    A nostálgica sensação de estar em movimento com aquela moto era inevitável. Dessa vez eram suas mãos que a guiavam, entretanto, havia ainda a presença daquela poderosa e especial anciã. Uma mulher que ergueu-se contra todas as adversidades por tantos anos, que lutou contra as opressões e a favor de desconhecidos, apenas para dar a eles uma liberdade. Sua mente refletia agora sobre as obras sobre o Anarquismo escritas pelo Barão, a conclusão era óbvia agora. Ele não escrevia nada além de uma enorme obra de agradecimentos a própria Senhora! Eram relatos que provavelmente saíram dos lábios da própria Correlli, ela era o fator de liberdade. Era ela a força motriz por trás de toda a necessidade de romper as algemas impostas a todos os seres, de seus berços a suas mortes. Seus olhos conseguiam ver o cenário de uma nova Berlim, os humanos dominavam as ruas e faziam delas pequenas extensões de suas próprias vidas, lojas, restaurantes, clubes e casas. Todo pequeno detalhe, por mais cinza ou padronizado que pudesse parecer, nutria o traço de uma vida, de uma alma que hoje estava segura porque Correlli despertou dentro de todos a necessidade de lutar por eles. O Anarquismo dos filhos de Caim não era sobre destruir a Camarilla, era sobre dar a todos os seres vivos que andam nessa terra a liberdade da ganância dos filhos de Caim. A falsa ilusão de que o Anarquismo era preocupado com a Camarilla finalmente caía, você como nodista concluía que o Anarquismo Verdadeiro era sobre renegar os vícios e valorizar as virtudes dos herdeiros das terras de NoD. Lilian o guiava até a frente de um orfanato pequeno, pendido para que você parasse em frente ao mesmo, a filha da lua prontamente tirava o capacete e com uma profunda sabedoria comentava.

    -É em momentos como esse que eu percebo o quão amaldiçoada nós somos Simon, iremos lembrar para sempre da figura dessa fantástica mulher. Para sempre. Essa falta, essa certeza de que poderia ter aprendido muito mais com ela... Mas também percebo como essa maldição pode ser usada a nosso favor. Lembrando eternamente dela, lembraremos eternamente que não somos o topo de cadeia alimentar, que não somos os mestres dos rebanhos, forjados no fogo para queimar em prol dos inocentes... Hoje eu estou sentimental, não é!?
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 2/11/2016, 13:22

    De cima da moto o cainita observava curioso as ações de Lillian, por mais que tentasse o cainita não compreendia a filha da lua, quando está tocou em seu ombro e falou diretamente com a besta este arregalou os olhos.

    “Ela... Porque ela iria querer isso?!”

    Sentindo a besta reagir a cada palavra de Lillian com seus rosnados e bufadas características, Simon mal percebeu quando a cainita já estava sentada a suas costas, tocando de leve nas mãos que o abraçavam para se segurar o cainita balançou a cabeça, levantando o visor do capacete este se colocou em movimento.

    O som rouco do motor, o vibrar do veiculo, tudo estava impregnado com a presença de Correlli, diante dos olhos e pensamentos do cainita o verdadeiro significado da figura diminuta mas cheia de vida da ancião ganhavam novos aspectos.

    “ A luta dela... Tudo o que ela fez, até mesmo sua existência cuminou para que essa liberdade fosse criada... Correlli deixou um legado maior do que sua presença, ela nos deixou livres de grilhões, livres para que pudêssemos escolher nosso caminho, nos afastar da monstruosidade que somos aos olhos de Deus... Lady Correlli... Minha senhora...”

    Parando a moto no lugar em que Lillian indicara o cainita desligou o motor retirando o capacete, seus olhos se voltaram para a filha da lua ouvindo suas palavras com interesse, fechando os olhos este concordou de leve com cada palavra de Lillian.

    - Um fio de esperança no meio da Caixa de Pandora... Lady Correlli fará falta, mais do que podemos imaginar... Mas acredito que se seus ensinamentos continuarem a guiar os que ficaram, então sua luta terá falido a pena... Porque deixará frutos para os mais novos...

    Apoiando a mão no ombro desta o cainita o apertou com delicadeza respondendo.

    - Uma noite só não faz mal para ninguém...
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 2/11/2016, 19:09

    Saído da moto e tirando o capacete enquanto você falava, Lilian concordava balançando a cabeça algumas vezes de maneira positiva. No final das suas palavras ela observava o capacete que outrora foi vestido pela própria Brujah, sorrindo ela fazia um suave carinho no mesmo em uma despedida silenciosa. Enfim ela levantava os olhos na sua direção e transbordava um sorriso enorme, feliz e com os dentes à mostra.

    -Ela está orgulhosa de nós. E disse que no final, quando sua última grande e inevitável batalhar começar, todos estarão ao seu lado prontos para serem tudo que você sempre buscou. Tua família, teu clã, teus amigos e iguais.

    As palavras da pequena Malkaviana saiam dos lábios dela com um tom profético, usando uma entonação vocal próxima a da própria Correlli, até a forma de falar lembravam a grande líder Brujah. Entregando o capacete para você, Lilian apenas aguardava que você o pegasse para correr para o interior do orfanato que ela utilizava como refúgio.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 2/11/2016, 20:12

    O sorriso de Lillian e suas palavras fizeram com que Simon permanecesse em silencio, a clara imitação de Correlli o atingiu de uma maneira para a qual o cainita não estava preparado, dentro de sua mente a besta riu satisfeita.

    Aceitando o capacete de volta Simon viu Lillian correr para dentro do orfanato, sua mente ainda tentava compreender o que havia sido lhe oferecido, olhando para o capacete em suas mãos o cainita sentiu a besta concordar antes mesmo que seus pensamentos se arrumassem por completo...

    “ Eles fariam isso por mim?! Encontrei mesmo o que procurava? Afinal o que eu procuro?!”

    Colocando o capacete de Correlli no braço, Simon vestiu o seu antes de dar a partida na moto e seguir para o refugio da anciã.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 3/11/2016, 11:31


    Estacionar a moto em frente aquela casa foi uma tarefa difícil, por razões que seu corpo e mente não previam. Seus olhos negros observavam cada pequeno detalhe daquela construção simples em um dos bairros residenciais de classe média da cidade de Berlim. Era incrível como não havia nada além do normal para ser olhado, uma casa como outra qualquer, uma família tradicional poderia viver ali sem ser totalmente notada por anos, afinal era assim que a sociedade atual se construía: Em imagens líquidas e fantasmagóricas a rodar em torno de seus próprios problemas e realidades particulares. Entretanto, sua memória lhe dizia que ali, noites atrás, a porta era aberta por uma pequenina mulher de roupas modernas, mas de linguajar medieval.
    Haviam resquícios da presença dela por todos os lados, mas esses resquícios não pareciam lhe dizer que você não era bem vindo, pelo contrário, eram pequenos fragmentos nostálgicos que o faziam se sentir em casa, seguro. Ao adentrar a casa, notava-se que teus pertences estavam todos postos sobre a mesa de centro da sala de estar. Justa posta a eles, havia uma carta.
    De Correlli para Simon:
    Desculpe-me.

    Algo me diz que a batalha que se aproxima é maior do que o esperado e que sacrifícios precisarão ocorrer, eu já não me sinto mais adaptada a todas as modificações temporais que me cercam. Apesar de adorar profundamente a motocicleta, as roupas modernas são levemente pegajosas e justas de mais, acredito que nunca entenderei a razão de tais cortes, todavia, não é só isso que essa carta tratará, é um formal pedido de desculpas a ti, Simon.
    Conheci Wotan ainda durante as noites revoltosas do anarquismo, ele ainda jovem aprendia com o próprio Senhor sobre as tradições do antigo clã quando minhas tropas chegaram para eles. Sim, nós fizemos um ataque contra o Senhor de Wotan, onde hoje é a cidade de Odessa na Ucrânia. Haviam membros do clã Tzimisce ao meu lado e eles estavam determinados a destruir todo o legado tradicional do clã, nem sequer suspeitávamos que estávamos a atear fogo nas terras de uma criatura tão antiga assim. A batalha foi deveras sangrenta, muitos morreram e outros foram severamente trucidados, mas o cerco de quase um mês se mostrou vitorioso e invadimos o castelo. Matamos os vassalos, os humanos, os animais, tudo que tivesse sido tocado pelas mãos daquele tirano de sangue potente, pisamos em frente ao seu refúgio e lá o encontramos com a única prole. Wotan e seu Senhor caíram de joelhos em nossa frente, a decisão era minha, unicamente minha. Os Tzimisce imploraram pela destruição dos dois, a verdade é que todos queriam ver aqueles dois cainitas queimando! Mas eu escolhi poupar a criança, a criança que viria a se tornar um tirano tão cruel quanto o próprio senhor, um tirano que destruiria para sempre a tua vida Simon.
    O teu sangue está nas minhas mãos. Talvez você nunca me perdoe, ou talvez você até consiga compreender o porquê das minhas escolhas. Mas eu imploro que saiba, meu vitae é forjado para derrubar os tiranos, cedo ou tarde ele irá derrubar Wotan.

    Omnia cinis aequat.
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    Jess

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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 3/11/2016, 16:03

    A tarefa de estacionar a motocicleta na frente da casa de Correlli se tornou mais difícil do que o cainita preverá, a presença da mulher imundava tudo em volta, assim como a estranha sensação de segurança que esta passava para o austríaco e sua besta. Quando o motor finalmente parou tanto cainita quanto besta sentiram o alivio, os olhos negros de Simon se perderam no comum da fachada da casa, uma normalidade que era usada com maestria para esconder os cainitas do mundo mortal.

    " Somos lobos entre ovelhas... Sempre a espreita e a espera da melhor oportunidade..."

    Adentrando na casa o cainita logo reconheceu suas coisas, mais uma vez o alivio o tomou enquanto a própria besta rosnava pedindo por sua terra, a carta junto de seus pertences porém calou a besta. Indo até o quarto de Correlli, Simon depositou o capacete desta em sua cama, fechando a porta com cuidado o cainita retornou a sala para pegar seus pertences.

    Já sentado no quarto de hospedes Simon abriu a carta, a caligrafia e o peso das palavras ali escritas logo tomaram a mente do cainita, relendo algumas vezes o que havia ali.

    " Ela deixou que Wotan sobrevivesse... Como ela poderia saber o que ela faria... O que ele se tornaria? Não Correlli... Simplesmente não posso culpa-la... Wotan teve suas escolhas, seguiu pelo caminho que em liberdade escolheu... Teu vitae... O Barão é filho deste vitae... Eles irão entrar em uma guerra por mim... Porque você o pediu Correlli?!"

    Sentindo o cansaço se abater em seu corpo, Simon retirou o sobretudo de seu corpo, com cuidado este abriu seu cantil de terra, o simples tocar no metal fez com que a besta tomba-se cansada, entrelaçando o brinco de Correlli com o terço de seu tempo humano Simon voltou a fechar o cantil, ali o pequeno tesouro estaria protegido do tempo.
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    Danto
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 3/11/2016, 22:37

    16 de Março de 2002, Berlim.
    Oitava Noite

    Um som agudo e incomodo o fazia acordar, de supetão seu corpo se erguia na noite seguinte sem sequer sua consciência ter autorizado o seu descanso. Aos mesmo tempo que a besta cerrava os dentes para quele barulho insuportável da campainha sendo pressionada, você conseguia sentir teu corpo mais leve, muito mais funcional e descansado. As duas últimas noites havia sido profundamente traumáticas e cansativas, violentas e inesquecíveis. Saindo pela porta do quarto, sues olhos eram imediatamente guiados para a poltrona onde Lady Correlli adorava sentar, por alguns segundos eles até a viram ali... Mas era simplesmente uma impressão, um certo desejo intimo, uma saudade.
    Vencendo a nostalgia, seus passos o levavam até o primeiro andar e posteriormente até a porta. Ao tocar a maçaneta da mesma, seus instintos afloravam. A certeza da presença de alguém antigo a porta era alarmante, mas porque uma criatura tão poderosa e antiga iria apenas aguardar à porta? Quem tomava o controle a abria a porta, pronto para atacar era a sua besta. Agressivamente girando a maçaneta, para logo depois se assustar com a imagem de uma mulher, a morte, a antiga Senhora dos Esgotos de Berlim. Karla Aach.

    Os olhos negros de Karla finalmente encontravam os seus, seu corpo inteiro reagia com medo da presença que emanava daquela antiga e suas vestes escuras. Ela observava você com uma certa intensidade, analisando sem nenhum pudor a tua aura. Sorrindo com os dentes amarelos, ela ajustava as luvas. Sua memória lhe dizia, aquela criatura fazia Wotan tremer de medo, A Monitora de Berlim. Fazendo uma reverencia, ela claramente saudava as memórias de Correlli com aquele movimento. Elevando a voz feminina e arranhada, ela se pronunciava.

    -Boa noite, prole de Wotan. Teu nome ainda é Simon correto? Sou Karla Aach, prole de Gutka. Venho gentilmente pedir permissão para adentrar esses domínios por apenas a duração de uma conversa. Isso será possível?
    Karla Aach:
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 3/11/2016, 23:13

    O som da campainha despertou Simon, a besta rugiu em protesto já que sua audição sensível era ferida, de olhos abertos Simon se sentou na cama, assustado por não ter memórias de seu sono o cainita se levantou com cuidado, mesmo recuperado havia o temor de que seus joelhos falhassem.

    “ Quem poderia estar tocando a campainha?”

    Seguindo para o primeiro andar os olhos negros de Simon quase viram por um instante a figura de Correlli em sua poltrona, enganado por seus sentimentos o cainita rosnou baixo, ainda não entendia como aos poucos sua muralha estava se partindo, aos poucos seu corpo e mente reagiam mais do que o mesmo poderia prever.

    O toque na maçaneta fez com que o cainita parasse, o simples vibrar da presença ainda desconhecida o fazia tremer, a besta porem sentia-se ultrajada, alguém havia invadido seu território e atrapalhado seu descanso, forçando o cainita a agir a própria besta foi a primeira a recuar diante da visão que os esperava.

    “ Monitora Aach... Aqui... A hora já chegou?!”

    Recuando um passo Simon teve que lutar contra a besta para se manter parado, com os olhos arregalados este viu a reverencia e pode compreender que está era destinada a Correlli e sua presença ainda presente no local.

    Engolindo em seco o cainita escutou as palavras desta, interiormente besta e cainita recuavam a procura de respostas, a mesmas que só teriam se abrissem a porta para morte.

    Recuando mais um passo Simon colocou a mão sobre o peito fazendo uma longa mensura, sua voz seca saiu controlada apesar das dificuldades.

    - Sim Lady Aach, meu nome nunca sofreu alterações, por isso ainda me chamo Simon... Por favor entre, terás o tempo que assim desejares...

    Abrindo passagem o cainita fez um longo gesto convidativo enquanto mantinha os olhos abaixados em um sinal de respeito.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 5/11/2016, 18:43

    Karla observava a sua mensura e dava um passo para dentro da casa quando você assim autorizou, a presença da antiga era enorme. Ela parecia ter o dobro da altura que aparentava possuir, o peso de seu passo também assustava, era o mesmo que ver uma gigante adentrar aquela casa. Entretanto, Karla prontamente fechou os olhos ao entrar, enchendo as bochechas de ar mesmo com os lábios cerrados. Para em seguida expirar com intensidade, a medida com que as bochechas dela se esvaziavam, a presença dela ficava menor e mais fácil de se lidar, a sua besta aos poucos deixava de sentir tanto medo e gradativamente sentia-se confortável em permanecer no mesmo cômodo que Karla. O domínio que ela demonstrava sobre a própria besta era de fato impressionante.

    -Acredito que tenha vivenciado muito nessa cidade, vivido muitas mais vidas do que sequer esperava. Por tanto, peço desculpas por aterroriza-lo dessa forma, o vitae que herdo é especialmente tenebroso e problemático. Garanto a ti que essa conversa não será um ordem, tão pouco uma tentativa de aprisiona-lo a uma função, eu estava curiosa. Nunca tive a oportunidade de conhece-lo e espero que sejas melhor que teu Senhor... Pois a hora está chegando e eu detestaria entregar a missão aos mãos de Wotan. Afinal, é uma missão para um homem e não para um monstro.

    Ela andava pela casa, olhando duas vezes para a poltrona de Correlli como se também tivesse visto alguém ali. Sorrindo brevemente, a anciã então tomou uma das almofadas do sofá como local para descanso do sofá ela continuou a falar.

    -Me diga Simon, o quem você é?!
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 5/11/2016, 20:51

    Simon teve que se segurar para não recuar quando Karla adentrou na casa, a presença gigantesca dessa juntamente com o terror que ela representava coagiam ao cainita para fugir. Quando está assoprou aliviando a tensão do ar o austríaco sentiu o corpo relaxar, a besta manteve-se em alerta enquanto procurava pela melhor posição.

    Fechando a porta com cuidado, o cainita se manteve no mesmo lugar até que Karla escolhesse seu assento, os olhos negros deste acompanharam com cuidado cada movimento da mesma percebendo claramente o respeito pela poltrona de Correlli.

    “ A presença dela... Correlli ainda vive nesta casa, por mais que não esteja entre nós... Aquela mulher era muito maior do que acreditava...”

    Aproximando-se Simon escolheu o assento em que pudesse permanecer de frente a Karla, ouvindo as palavras desta o cainita levantou os olhos com um claro interesse, embora o respeito ainda fosse mantido.

    - Posso compreender o conceito de linhagem problemática, apesar de acreditar que nossos conceitos sejam diferentes Lady Karla. Peço desculpas por minha reação, não estou acostumado a presenças tão fortes quanto a sua. Minha besta e eu não recebemos a educação adequada para lidar com situação assim.

    Estudando com a atenção a pergunta feita Simon sentiu a besta eriçar seus pelos em sinal de descontento, mesmo estando mais calma esta mantinha a prontidão esperando sempre o melhor momento para se defender ou atacar.

    - Temo não ter a resposta para seu questionamento Lady Karla. Não com toda a clareza que eu gostaria de ter. Podes imaginar que tipo de senhor eu tive, a cena do estabulo a qual sua senhoria presenciou foi apenas uma das diversões de Wotan. Posso ao menos ter certeza em afirmar que não sou o monstro que ele queria que eu fosse, mas tão pouco sou o homem que eu esperaria ser.

    Durante toda sua fala Simon se manteve calmo e com os olhos abaixados, a besta porém estava tensa com o simples mencionar da lembrança reiterada.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 7/11/2016, 18:45

    Acomodando-se da melhor forma possível, a anciã Nosferatu deixava claro através da postura dela que a conversa seguira sem formalidades ou maiores tradições como fios condutores para o encontro, era estranho ver alguém tão antigo quanto ela simplesmente se interessar pelo que você tinha a dizer. Mas era de fato o que estava ocorrendo.

    -Não há necessidade de pedidos de desculpas, então não irei oferece-las. De acordo? Eu ouvi todas as suas palavras com uma curiosa surpresa e uma satisfação inevitável, veja, eu fiz essa mesma pergunta para seu Senhor. A resposta dela foi cheia de confiança, desenhada inteiramente com muitas certezas e várias formas. Criaturas capazes de responder quem verdadeiramente são, não são criaturas confiáveis. É a dúvida que nos move, nos nutre e nos faz crescer... Simon, serei direta contigo meu jovem... Eu venho lhe oferecer respostas. Acredito que você já esteja farto que simplesmente vagar por ai, com medo do chamado de Wotan... Eu quero lhe oferecer a sua liberdade, a resposta para suas perguntas. E o preço é apenas um, você será meu sucessor...
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 7/11/2016, 20:17

    Observando com cuidado os atos de Karla o cainita deixou que seus cotovelos se apoiassem nos altos joelhos, arcando-se para frente Simon sentiu o corpo se acomodar naquela posição.

    As primeiras palavras da mesma fizeram o austríaco levantar as sobrancelhas curioso, a diferença de idade entre os dois era simplesmente incomparável, mesmo assim ali estava Monitora Aach o tratando com respeito durante aquela estranha conversa.

    “ Conheço bem Wotan para imaginar a resposta que ele ofereceu... Traído pelo próprio orgulho...”

    Surpreso com a proposta Simon se mexeu irrequieto na poltrona, tanto a besta quanto o cainita queriam respostas e a liberdade, fazendo com que a besta se aquietasse Simon buscou os olhos de Karla.

    - Noite passada o Sr. Demitri Gianakos me recomendou que eu a escutasse, que apesar do terror que sua presença inspira eras minha amiga... Agora me ofereces a unica coisa que mais desejo... Então eu lhe pergunto Lady Aach. Porque eu? O que lhe fazes acreditar que eu seria digno disso? Porque não um dos teus a um completo desconhecido? Qual legado eu teria que me responsabilizar se ao menos consigo ter minha própria vida em minhas mãos?
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Danto em 8/11/2016, 13:43

    -Gianakos, um homem profundamente digno. Do tipo que nunca mais irá nascer nesse mundo, essa é uma das raras vantagens de nossa maldição Simon, somos também capazes de eternizar as raríssimas vidas que realmente se destacam e saem de toda essa multidão de cegos modernizados e mecanizados... Mas eu irei responder sim a sua questão, apenas me permiti esse devaneio. Vamos a sua questão.

    Karla se levantava e caminhando na sua direção ela dava inicio a uma nova fala, parando de andar quando estava a exatamente dois passos de distância da sua poltrona. Cruzando os braços e falando com uma enorme tranquilidade.

    -Tenho várias proles, nove para ser exata. Todos são criaturas grandiosas, certamente mais poderosas que você e isso não é nenhuma surpresa, o mais antigo é até mais velho que o verme que lhe transformou em um cainita. Mas porque escolher um estranho? De fato, não há razão alguma para escolher um estranho, você está perfeitamente correto. Todavia, você não me é um estranho... A nossa história começa no Inverno de 1765, os monges davam inicio a expansão de um determinado monastério, os escolhidos a explorar as ruínas encontradas foram os mais jovens, entre eles um hábil herbalista... Você conhece essa história correto? Ainda se lembra das várias noites que passou com aquele antigo tomo em mãos, o tomo que o levou a danação e a morte. Você atraiu meus olhos quando encontrou aquele tomo, jovem Simon, as anotações do meu próprio Senhor escolheram as mãos de um monge qualquer. Porque eu me perguntei por muitos anos, porque alguém tão distante? A resposta enfim chegou até mim, na noite em que você caminhou junto a outros desconhecidos, na noite em que você conquistou a confiança de Correlli... Simon, você é o novo Escolhido dos Tomos de NoD, o novo Arcebispo de NoD. Na morte de Narses, outro deveria surgir, esse é você.
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    Re: Ato VII - Narrativa de Simon: Remember

    Mensagem por Jess em 8/11/2016, 22:24

    “ Sim... Nossa maldição é capaz de eternizar seres quase que divinos... Mas também o faz com os mais vis e cruéis... Uma lamina sem proteção nenhuma..”

    Concordando com as palavras de Karla com um movimento afirmativos, Simon acompanhou cada movimento desta, mais do que nunca o cainita entendia as divagações, uma grande parte sua sempre estava perdida entre elas.

    Ouvir sobre o inverno de 1765 o fez retesar o corpo, seus olhos negros buscaram os de Karla surpresos, os anos em que servira no monastério, o cheiro do local de trabalho, o som dos sinos e a dor aguda em suas costas, tudo voltou a memória de Simon.

    Depois de encontrar o tomo as dores se tornariam mais agudas e o simples guardar sobre a existência do livro um fardo, a besta rugiu nos ouvidos do cainita, as palavras de Karla adentravam na mente deste com força trazendo um mar de duvidas e perguntas.

    A besta reagiu a confusão do cainita desconfiada, a pouca distancia de Karla a fez recuar enquanto o próprio Simon se apoiava na poltrona em que estava afundando no estofado.

    - Eu... Devo ter parecido uma criança a teus olhos... Inocente e despreocupado... Talvez eu ainda o seja a teu olhos... Eu li muitos pergaminhos de Narses, o conheci na noite de sua queda... Depois de meu aprisionamento nunca mais vi aquele tomo... Em minha inocência não podia imaginar o que carregava... Me ofereces o cargo de Arcebispo de NoD, mas este seria o legado de Narses não o seu... Me fazes uma oferta mas em troca de que preço Lady Aach?

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