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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

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    Danto
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    Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 3/11/2016, 11:57

    O final da noite de domingo foi marcado pela visão eufórica e vívida de Veronika que prontamente removeu o corpo de Friederich e levou consigo para seu próprio refúgio pessoal. Além disso, aconteceu seu primeiro encontro com Arda, o pequeno Assamita era dedicado e isso era uma vantagem enorme para quem queria aprender trabalhos manuais, demonstrando uma destreza surpreendente a maior dificuldade do ancião era justamente nos pequenos detalhes, a finalização dos desenhos precisariam de mais tempo de aprendizado. Enfim a noite turbulenta terminava, você poderia dormir em seu próprio refúgio. O que era simplesmente incomparável, o conforto, a segurança e principalmente a certeza da presença de Eva no cômodo ao lado. A francesa adentrava seu quarto já nos últimos minutos da noite e graciosamente, aninhava-se contigo na cama. E nos braços dela você adormecia.
    -
    16 de Março de 2002, Berlim.
    Oitava Noite

    A noite de segunda feira começava cedo para ti, muito mais cedo do que o habitual. O relógio marcava dezoito horas e vinte e sete minutos, indiscutivelmente o mais cedo que você já havia acordado dês da noite do teu abraço! De fato teu corpo estava diferente, sua respiração marcava presença garantida mesmo nos instantes que você não se lembrava dela, seus músculos imploravam por um espreguiçar, sua memória sequer conseguia precisar quando fora a última vez que eles sentiram tal necessidade. E imediatamente após seus pés tocarem o chão, sua boca era tomada por um desejo por uma maçã, apenas uma mordida, da mais linda e vermelha maçã...
    Colocando-se de pé, você sabia precisamente onde poderia conseguir uma. Na cozinha da boate, afinal ela também servia como restaurante durante as tardes, um restaurante temático e mais escuro, onde tocava-se música ao vivo e oferecia um serviço  la carte. É claro que o restaurante não funcionava sempre, era através de reservas. Entretanto, seus vassalos usavam a cozinha para se alimentar diariamente. Enfim, passo após passo você chegava até a área da boate e ao abrir as portas você era surpreendia pelo ensaio de  Albert. Apesar dos instrumentos serem tocados em playback ao fundo, a guitarra principal era executada pelos dedos do negro e a voz também, principalmente a voz potente dele, preenchia todo o ambiente que estava inteiramente vazio. Albert não era tão sociável quanto Lorenz, atuando muitas vezes como segurança, eram poucos que sabiam de todo seu potencial artístico.

    Albert passava grande parte daquele ensaio de olhos fechados, encaixando-se perfeitamente nas melodias com as improvisações vocais e até com as variações de tom. Cantando em um inglês fluente, o seu vassalo mais jovem finalmente abria os olhos já perto do final da música e a encontrava no local, sorrindo de maneira acanhada, ele colocava a guitarra no suporte próximo a cadeira onde ele estava sentando.

    -Boa noite Senhora, perdoe-me se lhe acordei, é muito cedo para qualquer membro estar desperto, não era minha intenção interromper teu sono, apenas aproveitei que Lorenz foi buscar Theresa. Aliás, ele está ansioso demais, até errou alguns botões da camisa durante a tarde de hoje...
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    Jess

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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 3/11/2016, 20:49

    Despedindo-se de Veronika, Pietra teve ainda na noite de domingo sua primeira aula com Arda, a disposição e a destreza do mesmo surpreenderam a italiana, que se esforçou para ensina-lo, da mesma forma que Michelangelo à ensinará.

    Já em seu quarto entregue ao conforto e segurança Pietra sorriu ao ver a bela Evangeline se esgueirar para sua cama, afagando os cabelos loiros desta a cainita deixou que o sono a dominasse enquanto abraçava com carinho o corpo de Eva.

    O despertar mais cedo do que o costume fez com que Pietra sorrisse, deixando seu corpo comandar seus atos a cainita se espreguiçou com vontade, o simples ato de faze-lo já era o suficiente para que Pietra risse consigo mesma. Beijando de leve a testa de Eva antes de se levantar, a cainita sentiu a vontade louca de sentir o gosto doce de uma maçã, de preferencia a mais vermelha possivel.

    “ Então é assim... Vais ficar jogando aos ventos o quanto Hans nos é querido?! Ahhh eu te entendo perfeitamente, passamos a noite toda salivando não é mesmo! Uma mordida não pode nos fazer mal!”

    Rindo com sua besta e sem esperar pela resposta da mesma Pietra se adiantou para seu closset, escolhendo um vestido simples e branco para o começo da noite, a cainita mais do que nunca sabia exatamente onde conseguiria sua tão desejada maçã, no pequeno refeitório da boate.

    Vestido escolhido:

    O som da música foi a primeira coisa a atingir Pietra quando está adentrou no Maleficie, um sorriso suave tomou a cainita quando a figura de Albert se revelava em cima do palco, a voz grossa e potente do mesmo invadia a mente da italiana. Pietra se manteve em silencio observando o Albert em seu pequeno ensaio.

    A figura grandiosa do negro não inspirava grandes amizades, principalmente quando o mesmo tomava para si a segurança do local e a resolução das tarefas mais físicas, já para Pietra era justamente aquela voz unida da grande figura de Albert e seu lado artístico pouco conhecido que a faziam ama-lo.

    Sorrindo quando este parou de cantar, Pietra se aproximou do palco batendo leves palmas, se apoiando neste a cainita sorriu com cada palavras dita por Albert em relação a Lorenz.

    - Sou eu que peço desculpas mio amato... Acordei mais cedo do que o costume e não queria atrapalhar seu ensaio... Estavas tão belo que eu poderia ficar a noite inteira aqui de pé... Quanto ao nervosismo de Lorenz... Bom eu conheço os motivos... Acredito que seja Theresa que vai tomar as responsabilidades dele, quando ele for meu filho de sangue...

    Esperando pela reação do mesmo, Pietra se içou para cima do palco com um leve sorriso no rosto.

    - Mas o que me trouxe aqui foi uma indescritível vontade de comer uma maçã... Não queres me ajudar com esta tarefa mio amato Albert?!
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    Danto
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 3/11/2016, 22:48

    Suas palmas deixavam o enorme Albert ainda mais embaraçado com a situação, apesar da magnífica voz e da nítida natureza com as cordas, ele não tinha um porte artístico, a música era pra ele uma forma de extravasar e relaxar, não era uma arte ou algo que a vida inteira dele girava entorno. Mas de acordo com Lorenz, recentemente o homem havia voltado a praticar diariamente.

    -O curioso da história é que eu realmente acreditei que Theresa era uma espécie de namorada de Lorenz, os dois passavam muitos dias juntos recentemente. Mas aos poucos eu pude notar as intenções e acredito que ele tenha feito uma excelente escolha, Senhora, e é com enorme orgulho que eu escuto essas palavras. Lorenz sempre desejou ser teu filho, isso sempre foi claro como água para meus olhos. Devo admitir, ele parece ter nascido para estar sempre ao teu lado. Também não escondo a inveja natural, mas entendo perfeitamente os lugares de cada um e estou confortável e feliz com o meu.

    Fala com seu tom sempre claro e grosso de voz, prontamente ele se levantava quando notava a sua movimentação, ajudando-a mesmo que você não precisasse de ajuda. O seu vassalo mais jovem e forte oferecia o braço direito, com um pequeno sorriso na face ele olhava curiosamente na sua direção.

    -Senhora, uma maçã? Mas os Cainitas não são capazes de comer e beber, não quero negar esse pedido. Por tanto, venha. Acho que nunca a vi adentrar a cozinha, mas é de certa forma adorável como o destino traça suas linhas, foi nessa cozinha que Lorenz conheceu Theresa...
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    Jess

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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 3/11/2016, 23:38

    Pietra sorriu com a reação de Albert, o sempre sério fechado homem agora revelava uma de suas raras facetas, por isso a cainita a respeitou com o amor que poderia oferecer ao mesmo.

    Escutando as palavras deste, Pietra usou o braço deste como apoio para se içar ao palco, puxando o braço deste para que Albert a guiasse a cainita concordou com um leve aceno.

    “ Talvez eu nunca abrace Albert... Não que ele não mereça... Mas ele é mais criança de Eva do que minha, está escolha não me cabe."

    - Mio amato... Esta decisão me foi muito complicada... All... Eu adoraria te-lo como filho... Mas não posso esquecer dos cuidados de Eva com você... Ela o ama como um filho, tenha certeza disso... Talvez um dia ela o faça... Até lá não se esqueça que tens teu próprio lugar em meu coração...

    Pietra apertou um pouco o braço deste se divertindo com a duvida lançada em sua pergunta, rindo um pouco esta concordou com a cabeça ao comentar.

    - Existem alguns cainitas que o conseguem... Não de verdade é claro, mas podem ao menos desfrutar da pequena ilusão de comer, mesmo que no final da noite tudo tenha que ser jogado fora... Tens razão, nunca adentrei na cozinha depois de pronta, nem saberia me guiar por ela... Curioso não? Porque não me contas como Lorenz conheceu Theresa? Estou ansiosa para conhece-la... E conhecendo Lorenz ela já sabe de tudo sobre minha pessoal...
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    Danto
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 5/11/2016, 19:16

    Albert segurava o seu braço com delicadeza, mas com a firmeza inconsciente de um homem naturalmente forte. Guiando-a para a parte de trás do palco, na direção dos bastidores onde ficavam as caixas de som e todo o aparelho eletrônico moderno da boate, os corredores dessa local eram realmente pequenos e curtos, haviam muitos equipamentos aglomerados e um verdadeiro caos de fiações e cabeamentos. Albert sabia exatamente por onde passar, você por outro lado estava a explorar um local dentro do seu refúgio que você e nem Eva deveriam conhecer com exatidão.

    -Eu entendo, Senhora Pietra, não tentei força-la a uma situação indelicada. A realidade é que eu apenas sinto inveja de Lorenz por ele ser capaz de se entregar com tanta intensidade a essa nova realidade, eu particularmente tenho muitos receios a essa possibilidade, além do mais eu realmente só aceitaria se fosse um pedido da própria Eva. Não acredito ter a sensibilidade necessária para ser teu herdeiro... Mas me orgulho profundamente em servi-la querida Senhora.

    A frase de Albert terminava em frente a uma porta dupla, ele prontamente a abria e vocês dois adentravam a cozinha. Que estava vazia por causa do horário, mas haviam claros resquícios de ser um ambiente profundamente utilizado durante as primeiras horas do dia. Seus olhos captavam claras influências de Lorenz por todos os detalhes da decoração da cozinha, a manutenção dos tons das madeiras, o polimento perfeito dessas, o encaixe perfeito das panelas penduradas, dimensões e distribuições de utensílios. Albert caminhava até a uma das geladeiras postas ao lado direito do local, sem antes é claro, puxar um dos três bancos de madeira que ficavam embutidos abaixo da bancada ao lado das geladeiras.

    -Sente-se, deixe-me contar a você o que eu sei dessa história... Bom, Theresa começou a trabalhar aqui a dois anos atrás, lavando louças nessas pias. Ela é uma austríaca que havia literalmente fugido de casa após experiencias abusivas, um dia Lorenz notou que haviam hematomas no braço de Theresa enquanto ela lavava louças. Até isso acontecer, acredito que ninguém prestava muito atenção nela, sempre discretíssima, silenciosa e intimista... Lorenz comentou comigo sobre os hematomas, ele estava profundamente preocupado e aflito com a situação. Acredito que o enorme coração dele adotou ela nesse mesmo dia sem que ele mesmo soubesse disso... No dia seguinte ela faltou ao trabalho, pela primeira vez em um ano inteiro de uma exemplar conduta. Lorenz entrou em parafuso e me disse que iria até a casa dela, conhecendo o temperamento dele, eu o acompanhei. Chegamos ao apartamento alugado microscópico de Theresa, ouvindo alguns barulhos estranhos e um choro, quando olhei para Lorenz ele já estava perto do Frenesi, eu nunca tinha visto ele tão nervoso. Ele rompeu a porta e correu para dentro do apartamento... Theresa estava sendo invadida e dominada por um homem, eu interrompi Lorenz antes que ele fizesse algo que se arrependesse e desacordei o tal homem que era na realidade o noivo de Theresa. Ela contou aos prantos que havia fugido de Linz, uma cidade da Áustria, pois seu noivo havia se revelado um homem abusivo, violento e ciumento. Theresa é formada em artes plásticas na universidade de Viena, talentosíssima com a fotografia, mas o noivo detestava a arte dela por ela ser vulgar de mais aos olhos ignorantes dele. Ela estourou e fugiu após o noivo usar a câmera dela para agredi-la após uma discussão... Isso aconteceu tem quase um ano, Lorenz ofereceu abrigo a ela, eu fiquei responsável por apresentar o noivo a Rebeka que cuidou muito bem dele. Theresa e Lorenz viraram grandes amigos, eu realmente acreditei que havia algo amoroso entre eles, mas descobri que não era realmente isso... Ele estava preparando ela para você.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 5/11/2016, 21:49

    Confortável com a firmeza de Albert a cainita o seguiu pelos corredores poucos conhecidos, o mundo de fios e aparelhos fizeram com que Pietra sorrisse, um pouco envergonhada de não conhecer tão bem os bastidores do Maleficie como conhecia sua Galeria.

    O tom de voz forte e as palavras de Albert a fizeram apoiar sua cabeça no braço deste, Pietra entendia muito bem o inglês ao seu lado, as duvidas de se tornar um cainita eram as mesmas que a italiana havia sofrido na pele durante seus primeiros dias.

    - Eu fico imensamente grata com suas palavras Albert. Dei a Lorenz a escolhe que não me foi dada, fico feliz que ele a tenha aceitado. Vocês sãos os filhos que eu não pudemos gerar, independente de se tornarem cainitas ou não... Tenho certeza de que Eva também pensa assim.

    Adentrando na cozinha com Albert ao seu lado, Pietra sorriu ao reconhecer em cada pequeno detalhe a presença de Lorenz ali, do tom dos moveis até mesmo a arrumação escolhida, marcas das quais Pietra simplesmente amava e prezava.

    Seguindo o conselho do homem a cainita se sentou, apoiando os cotovelos nas mesa Pietra cruzou uma das pernas por de baixo da outra balançando suavemente a perna, escutando atentamente cada palavras do homem a sua frente.

    “ Fico feliz de ter os dois ao meu lado, ambos são indivíduos únicos e com corações gigantescos... Não poderia ter criado minhas raízes aqui sem a ajuda dos dois...”

    Durante toda a história Pietra se manteve em silencio, a unica coisa que se movia eram seus olhos que claramente não escondiam o repúdio pela figura do noivo de Theresa, quando o fim deste foi revelado a cainita não escondeu o pequeno sorriso de satisfação.

    “ Rebeka esteve envolvida neste assunto! Bom acredito que o este cidadão tenha recebido seu merecido destino, caso contrário ela teria vindo ter comigo...”

    - Agradeço por ter ajudado Lorenz nesta questão, ele provavelmente teria feito algo do qual se arrependeria depois. Talvez nem conseguisse ajudar Theresa como o fez. Entendo os motivos que fizeram com que Lorenz ficasse tão nervoso, nós duas temos histórias de certa forma parecidas... Uma pena que apesar dos anos tais histórias se repitam.

    Sorrindo para o homem Pietra puxou a mão deste depositando ali um pequeno beijo.

    - Imagino que eu a amarei imensamente, por isso lhe peço que ajude Theresa no que ela precisar... O que também me faz lhe pedir que você lhe ensine a se proteger, um cuidado que não me parece desnecessário.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 7/11/2016, 18:55

    Albert sorria quando você fazia aquele simples carinhos em suas mãos, a realidade é que a suavidade dos seus lábios contrastava com a rigidez e a força daquelas mãos negras e fortes do homem de pé a sua frente. Albert conseguia ao mesmo tempo ser bruto e doce, assim como Eva também conseguia, essa era de fato a maior semelhança entre eles...

    -Não se preocupe, Pietra. Eu cuidarei de Theresa com todo carinho e respeito desse mundo, ensinarei ela a mostrar as presas quando necessário for... Seu coração é enorme senhora, ele certamente irá acolher Theresa, apenas dê tempo para que o dela também cresça... Agora, sua maçã!

    Albert abria um largo sorriso na face e se virava para alcançar uma das geladeiras, abrindo-a para procurar por uma maçã. A simples frase "agora, sua maça" despertava no seu íntimo uma felicidade assustadora, era como se a sua besta se colocasse a dançar na espera daquele agrado. Enfim, Albert retornava com uma linda maçã bem vermelha na mão e estendendo ela para você, olhando com bastante curiosidade para o que se seguira.
    Aquele breve suspense só foi cortado pelo som de pessoas chegando a boate, julgando pelo horário não era nenhum cainita. Curiosamente, quem sanava suas dúvidas sobre quem poderia estar adentrando a boate a essa hora, era sua própria besta. Ela pensava empolgada:
    "Lorenz!"
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 7/11/2016, 20:49

    O sorriso de Albert fez com que a cainita também sorrisse, com uma aparência tão bruta as pequenas e suaves reações transpareciam com realce aos olhos da italiana, a mesma qualidade que Pietra amava profundamente em Evangeline.

    “ Mio amato... És tão parecido com Eva, na verdades chegas a ser mais suave do que ela o é, também não acredito que sejas tão bruto quando ela o quer ser...”

    Ouvindo as palavras do homem Pietra concordou com um leve aceno, as ligações afetivas eram coisas que levavam seu próprio tempo para se formarem, apesar de já saber que amaria Theresa a cainita sabia que deveria deixa que a própria descobrisse o caminho para ligar seus corações.

    - Tens razão... Não a forçarei a nada, não o poderia faze-lo. Porque isso machucaria Lorenz também... Eu não posso ferir meu filho...

    Rindo com suas palavras a cainita sentiu sua besta se revolver quando a palavra maçã foi dita, um sorriso largo se formou nos lábios de Pietra em expectativa da mesma forma que a saliva se tornava latente em sua boca.

    Ver o fruto vermelho fez com que os olhos de Pietra brilhassem animados, porem a audição atenta da besta a fez desviar os olhos para a porta, escutando os passos a cainita começava a se perguntar quem estaria a adentrar no Maleficie. A mais pura empolgação tomou sua besta novamente forçando um longo sorriso em seus lábios, era Lorenz que chegava e a besta simplesmente o amava demais para segurar seus sentimentos.

    Voltando-se para Albert, Pietra se encolheu ao cheirar o fruto enquanto suas próprias faces se avermelhavam em resposta a ansiedade que sentia.

    - Lorenz chegou... Acredito que Theresa esteja com ele e eu aqui na sua frente parecendo uma criança pronta para fazer arte... Estou tão feliz!
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 8/11/2016, 18:27

    Albert dava algumas risadas da sua reação ao segurar a maçã, risadas que se tronavam risos quando a sua frase era pronunciada. De fato era uma visão que ele provavelmente nunca esperava ver, nem mesmo você havia um dia se imaginado na atual situação. O cheiro da maçã fazia seu corpo arrepiar e a sua boca salivar, Albert fazia um sinal com o indicador direito, pedindo para que você aguardasse exatamente onde estava. Caminhando um pouco rápido para a porta frontal da cozinha, o negro a abria e colocando a cabeça para fora, ele falava em um tom alto e forte de voz.

    -Lorenz! Estamos na cozinha!

    Mantendo a porta aberta, Albert olhava para o lado de fora da cozinha, aguardando a entrada de Lorenz. A sua besta quase saia correndo na direção de Lorenz quando o via entrar pela porta da cozinha de maneira totalmente descontraída, vestindo um de seus belíssimos ternos, o seu filho sorria para Albert e perguntava sem sequer ter percebido a sua presença ainda no interior da cozinha.

    -O que foi meu caro, porque tanta enfase com a cozinha?

    Albert não respondia nada, apenas apontava com a cabeça para a sua direção e Lorenz prontamente sorria graciosamente. Ficando ligeiramente envergonhado por não ter notado você antes, entretanto, alguém também entrava na cozinha... Seu coração palpitava forte de ansiedade, suas mãos chegavam a suar de maneira delicada, um corpo feminino de precisos um metro e sessenta e quatro centímetros. Cabelos castanhos escuros bem lisos, presos na parte de trás da cabeça em um rabo de cavalo bem moderno, mas com alguns fios soltos que se juntavam nas laterias no rosto fino e delicado. Olhos vivos em tons castanhos claros que se assemelhavam ao avelã. Usando um leve e simples vestido azul, a jovem caminhava de maneira despretensiosa a uma pequena distancia de Lorenz. Ela sorria para Albert e se aproximava do homem, dando-lhe um beijo no rosto, para então finalmente notar que Lorenz havia andando na sua direção.

    -Boa noite minha Senhora! Eu estou surpreso, nunca a vi de pé tão cedo, meu relógio ainda me dizia que seu despertar aconteceria em vinte e quatro minutos, fico muito feliz em vê-la! Ouvi que tudo deu muito certo ontem, eu acabei por passar a noite na casa da jovem Luannah, ela foi extremamente cuidadosa, mas eu tenho que lhe apresentar a alguém... Pietra essa é Theresa. Theresa, esse é Pietra...

    Caminhando com uma surreal suavidade, a jovem não parecia nervosa ou ansiosa, ela estava simplesmente confortável com toda a situação. Gentilmente parando a sua frente, ela pegava as pontas do vestido e fazia uma curta reverência, aquela ação graciosa despertava seu fascínio de maneira inesperadamente poderosa. Sorrindo ela tomava a iniciativa de lhe dar um beijo no rosto, o perfume campestre da jovem inebriava as suas narinas.

    -É um prazer conhece-la, Senhora Rafaldini. Uma enorme honra, Lorenz me contou muito sobre você... Espero poder auxilia-la da melhor maneira possível!
    A Jovem Theresa:
    Theresa:

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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 8/11/2016, 23:17

    A cainita não conseguiu esconder o sorriso para Albert, mesmo quando este ria sem remorsos de suas reações, a besta por sua vez se divertia com o simples cheiro da maçã causando reações das quais Pietra nunca imaginaria.

    “ Albert vai rir de mim por muitas noites... Mesmo assim não conseguiria ficar brava com ele... Não mesmo, chega a ser até mesmo divertido isso tudo!”

    Pietra concordou com um leve aceno para o chamado que este fazia, depositando as maçã em seu colo a cainita a brincava com a fruta lutando contra a vontade de morde-la, algo que a besta aceitava pela simples vontade de ter Lorenz por perto.

    A imagem do alemão fez a besta urrar de felicidade, Pietra por sua vez lutava veemente contra seu corpo para simplesmente não correr até Lorenz e o abraça-lo, os olhos castanhos da italiana ficaram surpresos pela presença feminina que se revelava, observando cada movimento a besta e a cainita sorriram felizes.

    “ Theresa... Mia bambina... Ahhh Lorenz que presente tão lindo tu me das! “

    Voltando os olhos para o corado Lorenz a cainita simplesmente sorriu.

    - Não te preocupes... Acho que passarei a acordar mais cedo do que o costume mio amato... Algo de certa forma novo... Não é mesmo?!

    Ainda sentada Pietra quase colocou a maçã de lado para se apresentar para Theresa, mas os movimentos da jovem e sua segurança tocaram profundamente a cainita, o perfume de Theresa invadiram os pulmões de Pietra, a besta caiu encantada pela fragrância.

    Sentindo o corpo e a besta adentrar no fascínio Pietra enviou de leve a unha na maçã em sua mão, o cheiro açucarado despertou a besta deixando a cainita mais vermelha ainda.

    - Mia amata...

    Levantando-se para abraçar Theresa a cainita beijou sua testa antes de aperta-la com delicadeza.

    - Conhecendo Lorenz, ele deve ter lhe contado tudo sobre minha pessoa... Seja bem vida Theresa, e me perdoe por ter demorado em conhece-la!

    Off: Gasto 1fv pra resistir ao fascínio.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 8/11/2016, 23:42

    Albert observava a cena a uma pequena distância, era um costume do homem não se envolver muito em cenas tão intimas assim, era como se ele observasse a um filme ou uma maravilhosa peça de teatro, ele aprendia sempre com as suas demonstrações de carinho. Lorenz por outro lado, seu amado e querido filho balançava a cabeça positivamente, concordando com o que você havia dito e tirando o celular do bolso para reprogramar o alarme mais próximo do seu despertar, mas parando no meio da ação.

    -Eu esqueci, essa não é mais a minha função... O costume é de fato algo curioso!

    Theresa retribuía o seu aperto com um breve abraço, você sempre fora naturalmente uma pessoa que valorizava o toque, o convívio e a proximidade. Pelo visto, Theresa também compartilhava dessa sua necessidade e cultura. Após receber o seu beijo na testa a jovem de olhos de avelã continuava demonstrando uma enorme confiança, tocando a sua mão que segurava com firmeza a maçã, ela removia suavemente a fruta dos seus dedos. A sua besta olhava curiosa, como uma criança a observar uma criatura fantástica, caminhando até uma das gavetas ela pegava uma faca, para tirar uma fatia da maçã e entrega-la a você, ainda em cima da lâmina daquela faca de prata. Era uma ação profundamente afetuosa, simples e típica de uma alma atenciosa. Sem nem conhece-la pessoalmente, a jovem havia compreendido a sua necessidade por aquela maçã e a sua confusão natural em como começar a come-la.

    -Minha mãe costumava fazer isso com as maçãs, não sei porque mas deixava elas mais saborosas! E sobre perdoar, Senhorita Pietra, eu só concederia isso se um dia você pudesse ver as minhas fotos, Lorenz me falou muito sobre o quão especial é a tua arte, queria muito a tua opinião!
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 9/11/2016, 11:38

    Os olhos castanhos de Pietra apenas sorriam ao observar a cena que se seguia, entre seus protegidos e seu futuro filho a cianita sorria sem nenhum impedimento, tão verdadeira quanto sua besta o era. As singularidades tão conhecidas de Albert e Lorenz fizeram com que Pietra prestasse mais atenção em Theresa.

    O abraço suave desta assim como sua iniciativa de cortar a maçã que até então estava em suas mãos a deixaram surpresa.

    "Parece uma mãe cuidando de um filho... Lorenz é um anjo por coloca-la em minha vida... Certamente nos daremos bem, só precisamos de tempo..."

    Rindo com o comentário de Lorenz a italiana concordou com um leve aceno, por muitos anos a responsabilidade de Lorenz haviam sido impecáveis, de certo acostumar-se com sua nova natureza levaria seu tempo.

    - Acredito que manterei esse tempo para trabalhar em minhas obras... É o mais recomendável já que agora tenho que estar mais disponível aos outros...

    Aceitando de bom grado o pedaço cortado de maçã Pietra sorriu com o comentário de Theresa, de certa forma entendia bem o que a jovem queria dizer sabendo que ali havia um grande fundo de verdade.

    - Mães são criaturas divinas... Não escuta-las é um erro terrível! Tenha certeza que me encantaria ver sua fotos, mas em troca quero que vejas minhas obras, um conselho é sempre bem vindo não é mesmo?!

    Suspirando alto Pietra sentiu a besta ansiosa enquanto levava a fatia a boca, mais do que nunca a saliva se fazia presente em sua boca e a curiosidade tomava tanto a cainita quanto a besta.

    " Uma mordida não deve fazer mal nenhum!"
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 9/11/2016, 22:04


    Os sorrisos daqueles três mortais, cada um deles ocupava um pedaço especial dentro do seu coração e da sua alma, com profundidades diferentes, representatividades únicas. Seus olhos observavam eles enquanto a fatia de maçã tocava finalmente os seus lábios, seus dentes então se moviam pela primeira vez em muitos séculos na intenção de mastigar um alimento. Era uma sensação estranha, seus músculos pareciam ter esquecido de como realizar aqueles movimentos específicos, a fatia da fruta finalmente cedia e despedaçava dentro da sua boca liberando uma profunda, saborosa e doce sensação que a preenchia completamente. Seus olhos se fechavam e seu corpo inteiro tremia, sua besta regojizava intensamente! Após algumas mastigadas a saliva naturalmente tomava a liberdade de controlar os sabores e os pedaços da fruta dentro da sua boca, conduzindo-as para o interior da sua garganta... A expectativa se misturava a um pequeno temor... Você conseguia engolir perfeitamente a fruta, sem sequer ameaçar uma reação negativa. Seu intimo ria com enorme alegria. Seus olhos se abriam para encontrar a imagem de Theresa, limpando com delicadeza o canto esquerdo dos seus lábios com um guardanapo de tecido e prontamente lhe oferecendo outra fatia. Lorenz assistia a cena inteira sentado ao seu lado, com lágrimas nos olhos o seu filho estava simplesmente encantado. Albert estava também mais próximo, surpreso o enorme homem observava muito curioso para tudo que acontecia.

    -Mais algumas fatias e vamos visitar a sua galeria?!

    Perguntava a sorridente Theresa, com um sorriso que fazia seu coração bater forte. Sem sequer perceber você já esticava a mão esquerda para pegar a outra fatia por ela oferecida, colocando na boca e mastigando de forma alegre.
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    Jess

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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 9/11/2016, 23:21

    O coração de Pietra simplesmente deleitava-se com a companhia dos tres, sua alma vibrava a cada pequena expressão feita por cada um deles, as lagrimas de Lorenz e o singelo aproximar de Albert.

    O doce tomou a mente de Pietra, o corpo simplesmente parecia vibrar com o toque suave da fruta, seus dentes reaprendiam seu uso enquanto a besta entragava por completo ao sabor, sem perceber Pietra terminava com a fatia sem pressa ou alvoroço.

    O toque do guardanapo no canto de sua boca trouxe a cainita de volta, um sorriso largo se formou em seus lábios ao perceber que era Theresa que o fazia, ouvindo as palavras desta a besta fez com que Pietra aceitasse a segunda fatia, mesmo que já tivesse recebido sua recompensa ainda havia o desejo por mais.

    - Apenas mais uma, não é bom abusar de algo que por teoria eu não posso fazer!

    Comendo com mais consciência a cainita simplesmente sorria enquanto o fazia, com delicadeza está limpou as lagrimas e Lorenz dando um leve beijo na testa desse, sua mão brincou com leveza com uma das mechas do mesmo.

    “ Não saberia mais viver sem vocês... Mios figlios... Eu desejo apenas o melhor para vocês!
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 11/11/2016, 20:06

    Theresa concordava com um leve movimento com a cabeça, colocando a maçã sobre o guardanapo e em seguida depositando ambos sobre uma das mesas da cozinha. Albert caminhava em direção a saída da cozinha para abrir as portas que vocês usariam para ter acesso a galeria, Lorenz por outro lado olhava ainda profundamente na sua direção, a face dele ficava levemente avermelhada e com um tom fascinado, o jovem perguntava:

    -Como você é capaz agora de comer? Isso significa que teremos que preparar jantares para a Senhora? Quer dizer, que a Thereza terá que preparar?! Acho que eu ainda ficarei confuso por algumas noites após a mudança...

    Sorrindo de maneira acanhada, Lorenz olhava ainda para você quando a voz pesada de Albert comentou.

    -Lorenz, teremos que deixar a Senhora Pietra e Theresa sozinha por enquanto, lembra-se que teremos que auxiliar Evangeline no começo dessa noite?! Ela fará junto com Lady Elizabeth a apresentação do novo bando.

    Seu filho saia daquele pequeno fascínio quando a voz de Albert o lembrava das funções dele para o começo da noite. Olhando para você, perguntando de maneira silenciosa se estaria tudo bem deixa-la sozinha com Theresa, Lorenz apenas aguardava a resposta que ele até já sabia qual seria para deixar a cozinha ao lado de Albert. Nesse momento, Theresa tomada por uma enorme curiosidade segurava o seu pulso.

    -Nossa, Lorenz me falou que você teria um toque gelado e não teria pulso... Mas é bem o contrário disso! E desculpe por isso... É que eu... Deus!

    Ela tirava a mão e começava a rir baixinho, claramente surpresa com a própria coragem de simplesmente tocar em você daquela maneira. A jovem sozinha agora na sua presença, começava a demonstrar toda a curiosidade sobre a nova realidade dela.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 11/11/2016, 20:45

    Ainda cercada por seus servos e filhos Pietra sorriu com a pergunta de Lorenz, tocando de leve testa com testa a cainita segurou a face deste por alguns segundos.

    - Toda e qualquer duvida que tiveres será elucidada... Não, ninguém precisará cozinhar... É apenas um capricho meu... Nada demais mio amato...

    Beijando a mão deste quando Albert o chamou para os deveres Pietra não pode deixar de responder o olhar do mesmo com um aceno, a besta estava tão curiosa por Theresa quanto a própria Pietra.

    - Vá cuidar de seus afazeres mio amato... Depois sabes bem a onde me encontrar, conversaremos com mais calma.

    Os olhos castanhos de Pietra sorriram com o toque de Theresa, a curiosidade estampada no semblante da mesma e toda a coragem que a jovem possuía, tocavam profundamente a cainita e sua besta.

    Respondendo ao toque de Theresa, Pietra a colocou sentado ao seu lado no banco, segurando de leve as mãos desta a cainita sorria feliz.

    - Até duas noites atrás eu tinha o toque gelado, meu coração não pulsava se assim eu não o desejasse... De certa forma é fácil simular o comportamento de um corpo ainda vivo... Mas até mesmo para nós... Existem caminhos que confrontam diretamente a morte... Eu apenas estou nele há muito tempo... Os resultados, bom nós duas podemos ver não é mia amata...

    Tocando de leve na face desta Pietra abaixou os olhos ao perguntar em um tom suave e preocupado.

    - Acredito que Lorenz tenha lhe explicado o que eu sou não?! Eu não tive escolhas quando me transformaram, por isso dei essa oportunidade a Lorenz. Não seria certo não faze-lo, não quando ele permaneceu por tanto tempo ao meu lado. Por isso eu lhe pergunto amata Theresa, tens certeza de que é este caminho que queres seguir?
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 11/11/2016, 21:25

    Lorenz saia claramente mais calmo da cozinha, ele e Albert saiam lado a lado, conversando brevemente um com o outro. A cena era até de certa forma curiosa e linda de se ver, afinal, eram homens profundamente diferentes, de origens distantes e que a anos afinco conviviam em uma amizade sintonizada, como verdadeiros irmãos, Albert assumia a figura do irmãos mais velho e Lorenz o mais novo, independe da diferença de idades, era algo simplesmente natural entre eles. Agora, na cozinha restavam apenas vocês duas e os olhos de avelã de Theresa olhavam com bastante curiosidade para você, a sua mão tocava a face da jovem e ela não recuava, tão pouco reagia com receio ou retesava o corpo, como naturalmente qualquer humano reagiria. Ela se mostrava totalmente aberta a situação.

    -Olha, ele até explicou sim. Mas eu demorei muito pra levar a sério, não vou mentir... Vampiro é um termo que fazia rir bastante, não me leve a mal, por favor! Mas eu realmente sempre debochei dessas coisas, sabe, ficção barata e afins... Entretanto, a palavra Cainita me fez repensar tudo. As palavras são sim profundamente dotadas de poderes que nós sequer podemos perceber, um termo desconhecido me fez olhar com cautela sobre o assunto...

    Ela levava a mão sobre a sua que tocava a face dela e com a outra mão livre, ela tocava a sua face. Sorrindo com leveza e transparência a jovem voltava a falar.

    -Pietra, eu não quero mais ser apenas isso. Existem profundas feridas por todo meu corpo, por todo meu espirito. Eu estou cansada, preciso da certeza que existe algo maior, algo diferente, outra possibilidade de existência... Não sei se serei uma vassala tão graciosa quanto Lorenz, eu sou na realidade um pouco desastrada, mas eu quero muito tentar! Você me daria essa chance? De compartilhar contigo essa realidade? Afinal nós duas estamos em caminhos parecidos, eu luto contra a morte todos os dias da minha vida dês do ocorrido...
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 11/11/2016, 22:17

    Ver Lorenz e Albert se tratarem como antigos amigos e irmãos deixava Pietra profundamente feliz, a relação unica entre os dois construída aos longos dos anos era um dos encantos de que Pietra desfrutava. A rigidez de Albert contrastava com a doçura de Lorenz criando uma sincronia que poucos tinham.

    “ Espero que o respeito permaneça quando Lorenz for meu filho. Não quero que esta amizade unica termine por nada...”

    Estando a frente de Theresa a cainita sentiu-se feliz ao ver as ações tão naturais dela, a besta encantava-se ao simplesmente observar a jovem e sua coragem diante do desconhecido.

    - Sim, palavras são estranhamente perigosas e cheias de magica... Elas carregam uma força que muitos desconhecem, por isso são armas perigosas, cortam a onde não se vê e no lugar que mais dói...

    O toque suave em sua face fez com que Pietra fechasse os olhos, havia dor nas palavras de Theresa, da mesma forma que existia uma força desesperada em lutar para se manter firme e de pé, uma força impossível de se ignorar. Colocando o dedo a frente do lábios desta Pietra puxou as mãos da jovem para seu colo segurando-as com cuidado e firmeza.

    - Shhh, Albert me contou do ocorrido... Me digas se isso lhe deixou alguma marca física mia amata? Isso se não lhe machucar... Vamos cuidar dessas feridas, eu lhe prometo! Não preciso que sejas tão graciosa quanto a Lorenz, porque sei que isso é trabalhoso e poucos dão o valor. Tu ficará ao meu lado mia amata, pelo tempo que assim desejar ficar! Apenas entenda que me preocupo em não ser igual a quem me criou... Tive sorte de poder fugir... A vassalagem ainda é reversível, a maldição não.

    Beijando as mãos de Theresa, a cainita respirou profundamente enquanto fazia com que as longas presas ganhassem sua forma, sorrindo apenas para mostra-las Pietra trouxe o próprio pulso para perto de seus lábios.

    - Não se assuste, não sera assim sempre. Lhe dou minha benção se desejas me servir, mas a escolha final ainda é sua mia amata.

    Abrindo uma pequena ferida em seu pulso Pietra o ofereceu para Theresa, em seus olhos havia apenas o ar preocupado de uma mãe querendo bem a sua criança.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 15/11/2016, 20:27

    Aquelas duas avelãs perfeitamente redondas observavam as suas ações, o corpo pequeno e leve da jovem se acomodava sem dificuldades no seu colo, juntando bem as pernas Theresa segurava as lágrimas quando o teu dedo tocou os lábios molhados e quentes dela, a viva pareceria transbordar da imagem de Theresa, havia algo diferente dentro dela, um fogo que apesar de fraco não se apagaria nunca. Diante dos seus olhos você encontrava uma guerreira das noites modernas, uma mulher tão corajosa que não disse nenhuma única palavra, nem sequer recuou diante ao teu pulso aberto que começava a verter teu vitae, com as duas mãos ela tomava o teu braço e levando a face até a ferida causada por tuas presas, ela lambia o filete de vitae que escorria.
    Seu corpo inteiro reagia aquela ação, um arrepio intenso que levantava seus pelos, enfim ela abria bem a boca e tomava teu punho para beber o seu vitae. Posteriormente Theresa levantava os olhos na sua direção e ainda lambendo o seu vitae dos lábios dela, ela sorria cofiante.

    -Serei tua serva, uma extensão dos seus olhos, mãos e vontades. Mas acima de tudo e antes de qualquer coisa, eu desejo ser tua amiga Pietra. Para quem sabe, receber de ti a honraria de ser chamada de filha... Essa é a minha escolha, você me aceita?
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 16/11/2016, 01:29

    As avelãs eram vivas, tão vivas que Pietra simplesmente amava velas lhe observar, recebendo Theresa em seus braços a cainita acariciou os cabelos da mesma como faria com Eva.

    “Esse fogo... Em um sopro ele poderia incendiar complemente qualquer um... Theresa é dona de uma vontade forte... Poucas vezes eu vi isso... Vou proteger essa chama, quem sabe um dia ela se torne tão forte e ilumine outros que estiveram tão perdidos...”

    Nem por um momento Pietra parou os movimento de Theresa, de certa forma a cainita sentia-se feliz pela escolha da mesma embora soubesse que não teria sentido raiva de a oferta tivesse sido negada.

    Quando o toque úmido e quente se fez Pietra suspirou, a cainita deixou que Theresa tomasse de seu vitae, o arrepio que subiu pelo corpo desta a fez ficar vermelha enquanto a jovem se alimentava, o acordo selado com as palavras confiantes e o sorrisso da mesma fizeram com que Pietra sorrisse.

    Puxando com delicadeza seu pulso Pietra levou a ferida até seus lábios a fechando, voltando sua atenção para sua mais nova vassala a cainita segurou com suavidade a cabeça da mesma beijando-lhe a testa com carinho.

    - Antes de ser minha vassala és minha amiga. E como amiga posso lhe dizer que a amo e lhe protegerei. Eu não posso recusa-la Theresa, és um presente maravilhoso de Lorenz, uma alma gentil e forte que precisa de ajuda... Eu a aceito como minha vassala, como a extensão de meus olhos e vontades... Mas acima de tudo como amiga e filha... Mia amata não sabes o quão feliz estou em lhe conhecer... Daremos tempo a nós mesmas para que nossa amizade floresça mia amata... O tempo é um dos maiores professores de que dispomos.

    Abraçando a jovem com força Pietra permitiu-se rir com a felicidade que sentia, a besta parecia se entregar por completo aquele sentimento e abraçar a jovem da mesma forma que a cainita.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 17/11/2016, 21:22

    Theresa fechava os olhos de maneira breve quando seus lábios tocavam a testa da mesma, carinhosamente ela então se encolhia em seu abraço para aproveitar cada pequena fracção de tempo que aquele abraço durou. Com um afável sorriso, a humana se colocava de pé novamente, esticando a mão direita na sua direção ela a convidada a ficar de pé.

    -O tempo é um tesouro delicado, gasta-lo de forma displicente é um erro cruel. Ocupa-lo de maneira binária é doloroso, o tempo precisa ser moderadamente distribuído, em porções saudáveis para cada necessidade, seja ela grande ou pequena. Então, posso dizer que estou realmente feliz em servi-la Pietra... Pois teremos bastante tempo não é mesmo?! Por agora, a Senhora me daria a honra de conhecer a tua galeria e arte? Até mesmo expor mais claramente como eu poderei ajuda-la?

    Ela falava de maneira simples, sempre confiante e com um tom bem alegre. Não faltavam sorrisos nem tons agradáveis e carinhosos. E ao perceber que algo estava faltando, a jovem desenhava um sorriso acanhado na face.

    -Eu tenho um pedido e uma pergunta também. O pedido é, seria possível me chamar apenas por Thesa? E a pergunta é: Como eu devo chama-la?!
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 18/11/2016, 00:49

    O abraço calmo e compartilhado trazia paz para o coração de Pietra, a profunda certeza de que Lorenz havia escolhido a pessoa certa começava a se mostrar com força, cuidando para não pressionar demasiadamente Theresa, a cainita não pode deixar de rir com a forma de reação de sua vassala.

    “ Inquieta como o vento... Eva com toda a certeza vai criticar isso, mas no fim vai ama-la como ama Albert!”

    - Tens toda a razão... Preciso aprender a administrar melhor meu tempo, principalmente agora que ganhei alguns preciosos minutos...


    A pergunta e o singelo pedido acabaram por surpreender Pietra, sua besta pulava alegre com o tom do pequeno apelido da jovem, incapaz de não seguir sua besta a cainita concordou com Theresa. Aceitando a mão desta para se levantar a cainita tocou de leve no nariz da mesma comentando.

    - Thesa! Combina tanto com seus olhos! Entre nós duas escolhas a melhor de me chamar. Já na companhia de outros cainita prefiro que me trate por Senhora Pietra... Certas formalidades devem ser mantidas... Infelizmente é algo que não posso abdicar. Mas agora deixe-me mostrar minhas obras, alias preciso de sua opinião sobre quais escolher para um evento de extrema importância.

    Puxando de leve o braço de Thesa para guia-la até a Galeria, Pietra apertou novamente o nariz da jovem, do mesmo modo que faria com Hans.

    “ Vivos... Ambos são vivos e contagiam os outros com isso... Hans adoraria conhecer Thesa, o que seria perigos se ele quisesse rouba-la!”
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 20/11/2016, 15:00

    Por entre o corredor de cabos e fios foi Theresa que guiou Pietra, não havia como a cainita negar, aquele não era um lugar muito conhecido pela cainita e de certa forma havia um que de culpa por isso na face de Pietra.

    Disfarçando o ocorrido com um singelo sorriso não foi difícil para a italiana chegar até a entrada de sua galeria, aquele sim era seu reino construído com todos os pequenos requintes de que uma rainha poderia querer, cada pequeno detalhe pensado e cada peça posicionada conforme seus gostos, uma das poucas coisas que a cainita realmente fazia questão.

    “ Uma verdadeira sorte Althea não ter pensado em destruir nada de minha galeria... Aqui guardo tesouros importantes, tesouros meus e de outras pessoas...”

    Guiando Theresa até a primeira escultura a cainita soltou a jovem para tocar de leve em sua própria criação, olhando para a jovem de olhos vivos está sorriu com suavidade.

    - Não costumo colocar nomes em minhas obras... Não gosto ou nunca consigo pensar em um nome que me agrade. Foi Eva quem deu o nome desta tela, ela a chama de A Dama. Me disseram que se ela fosse colorida seria mais chamativa, mas simplesmente não consegui pensar em outro tom a ser usado.

    A Dama:

    “ Foi complicado encontrar os tons certos. Fazia algum tempo que eu não pintava uma tela... Essa foi a primeira que fiz em Berlim, quando ainda nos escondíamos...”

    Dando espaço para que a jovem se sentisse a vontade na galeria, Pietra sentia cada vez mais sua besta alegre e viva, acompanhando cada olhar e gesto de Theresa a cainita dava explicações e respondia a qualquer pergunta feita pela mesma.

    A frente do quadro de Monet a cainita não pode deixar de olhar para o outro lado da galeria, sorrindo com isso Pietra puxou com leveza Theresa para frente deste.

    Springtime (Le Printemps):

    - Eu ganhei este quadro em 54. Foi um presente dado por Rebekka quando esta prestou seu juramento de fidelidade a Espada de Berlim... Rebekka ama arte e acredito que este quadro tenha lhe sido querido.

    Levando Theresa paro o outro lado Pietra a colocou diante de uma escultura, a figura de um senhor de idade entre os galhos de arvores faziam com que a cainita sorrisse nostálgica.

    - Foi em uma noite de chuva que ele veio e se sentou a frente do quadro de Monet, permaneceu assim por um longo tempo, sorrindo enquanto controlava as lagrimas. Quando soube que eu era a dona da Galeria me abraçou... Ele havia acabado se realizar o sonho de sua falecida esposa, encontrar a tela favorita dela, toda a economia de uma vida foi gasta nesse sonho. Quando ele foi embora não pude deixar de esculpi-lo.

    Senhor:

    “ Não achei melhor lugar para colocar essa escultura... Assim ele pode sempre ver o quadro e realizar o sonho de sua amada... Fico feliz de te-lo conhecido embora ele não tenha me dito seu nome...”

    Ainda guiando Theresa a cainita parou na frente de uma tela e ao seu lado uma escultura, deixando que a jovem as estudasse Pietra sentou-se em um dos bancos centrais da galeria.

    - O quadro foi um presente de Sebastian, é de seu filme favorito. Ele me deu depois que descobriu que eu não tinha assistido o filme inteiro, fiquei tão envergonhada que tive que expô-lo.

    Sonho de Caligari:

    - Já a escultura, bom ela foi um meio de pedir desculpas. Sebastian se recusou a aceita-la então a coloquei do lado do quadro que ele me deu. Nunca vi Sebastian tão feliz mesmo que ele tentasse esconder isso.

    Entre as Folhas do Sonho:

    “ Nunca contei pra ele que terminei de assistir o filme. Simplesmente me apaixonei pelo sermão dele sobre o Jardim do Éden...”

    Por fim quando cada pequena obra da galeria foi exposta, cada detalhe revelado, Pietra tomou Theresa pelas mãos guiando-a para seu próprio Atelie, ali apenas dois quadros se mostravam, estes eram pessoais demais para serem expostos a qualquer um.

    - Evangeline tinha uma irmã... Nunca soubemos se ela foi atingida pela Torre de Marfim... Esse quadro foi feito pelo sobrinho dela Bernard, foi uma das poucas coisas que conseguimos levar conosco quando deixamos Paris.

    Spoiler:

    “ Eva... Ele era tão encantador, tão doce... Eu teria o transformado em meu filho se isso tivesse te deixado feliz...”

    Sentando-se em cima de uma das longas mesas de madeira Pietra sorriu ao ver o ultimo presente de Edgard, o austero Tremere estava sempre perdido em caminhos que a cainita nunca compreendera, fazendo com que Pietra sempre temesse por ele.

    - Edgard é um grande amigo, um irmão mais velho que luta contra si mesmo... Apesar de não entender muito sobre pinturas ele sempre teve bom gosto.

    Spoiler:


    “Ahhh Edgard... Por onde andas agora mio amato... Não esqueças de me dar noticias, eu sentiria se algo de mal lhe acontecesse!”

    Levantando-se da mesa com um pequeno salto Pietra fez uma leve mensura ao dizer com um sorriso brincalhão no rosto.

    - Assim terminamos seu pequeno passeio por minhas obras... Espero que tenhas gostado Thesa, porque realmente quero ouvir suas criticas e conselhos, ouvir isso de outro artista é sempre uma boa experiencia.
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Danto em 22/11/2016, 12:38

    Thesa parava em frente "A Dama" e claramente se surpreendia com a obra, ouvindo as suas palavras então aproximava a face da obra, com um pequeno sorriso na face ela comentava de maneira breve.

    -A falta de cor certamente está ligada a sua sensação ao chegar na cidade, se o branco é associado ao bom e o preto ao mal, o cinza é simplesmente uma incógnita...

    Seguindo então até o quadro de Rebeka, a jovem claramente segurava uma breve euforia, um Monet original era sempre algo magnífico e qualquer artista saberia reverenciar a obra desse grande pintor.

    -Nossa, esse quadro é fantástico!

    Comentava brevemente pois a escultura parecia domar os olhos de avelã da jovem. Sorrindo e empolgadíssima ela se colocava a frente da sua escultura. Ouvindo as suas palavras, dessa vez Thesa não falava nada, apenas olhava com profunda admiração. Foi a sua condução que a fez sair do lugar e chegar em frente ao presente de Sebastian.

    -Então Sebastian é um expressionista, interessante. Irei guardar essa informação, Lorenz me explicou que Sebastian é muito importante.

    Mas novamente era a escultura que parecia seduzir o olhar de Thesa, dessa vez a mão esquerda dela chegou a quase tocar na escultura, como se ela tivesse dúvidas sobre a condição viva ou não viva daquela obra. Sorridente ela se viu ser tomada pelas mãos e adentrava seu atelie, para ficar boquiaberta diante o grande tesouro de Eva.

    -Pietra esse quadro é... Lindo...

    Levando um certo tempo para tirar os olhos do quadro de cores amarelas, Thesa finalmente conseguia notar o quadro de Edgard, era na realidade a sua voz que a rompia dos pequenos devaneios que ela tinha em frente aos quadros e esculturas.

    -Edgard, Lorenz me explicou pouco sobre esse homem. Mas ele me disse que ele é um ser mais antigo do que a Senhora e extremamente poderoso, não sei explicar o porque, mas algo nesse quadro me diz que Edgard a viu nessa imagem... É inusitado encontrar sensibilidade em alguém que se mostra sempre tão forte. Eu adoraria conhece-lo...

    Os olhos da jovem acompanhavam a sua ação de levantar-se da mesa, sem pensar muito Thesa se aproxima, tomando as suas mãos e extremamente feliz.

    -Pietra, eu amei! As cores, as texturas! São tantas coisas para falar, tantos detalhes! Criticas? Nossa, como eu farei isso?! Tenho a sensação de ser tão pequena diante de desses sentimentos e inspirações. Mas se me permite, acredito que a Senhora precise revisitar todas as suas obras, principalmente as mais antigas... Entender porque o cinza foi usado, ou porque aquele quadro de Eva a faz quase lacrimejar... Entende o que eu quero dizer? A Senhora mudou, você mesma me disse isso instantes atrás, é uma mudança nova. Mas nenhuma mudança ocorre sem um longo passado, sem um processo. Talvez a sua mudança tenha começado a muito tempo atrás, encontrar quando pode lhe mostrar uma nova perspectiva na sua própria arte...
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    Re: Ato IV - Narrativa de Pietra: True Colors

    Mensagem por Jess em 22/11/2016, 14:01

    Pietra sorriu com cada pequeno gesto e palavra de Theresa, a besta reagia claramente encantada pela jovem, ronronando com graça enquanto fazia surgiu pequenas risadas alegres de Pietra a todo instante.

    “ Thesa realmente tem um olhar bem arguto! Será de grande valentia para nós duas.”

    - Posso imaginar que Lorenz lhe explicou o básico sobre a Espada e seu funcionamento não? Sebastian é o Sacerdote do primeiro bando de Berlim, realmente representa um papel importante para nossa hierarquia. É um homem querido por todos embora sua aparência não ajude... Mas isso é devido a maldição de sua linhagem... Elas são diferentes e umas são mais cruéis do que outras...


    Dando o tempo necessário para que Theresa apreciasse cada obra a cainita não pode deixar de se sentir satisfeita com os elogios. Já dentro de seu atelie Pietra não se conteve quando a jovem tomou suas mãos, beijando-as com cuidado a cainita tocou de leve nos longos cabelos da mesma.

    - Edgard... É mais velho do que eu, mais poderoso com toda a certeza. Mas ainda assim é meu fratello, por isso sei que por de baixo daquele homem assustador existe carinho e delicadeza, mesmo que ele ignore...

    Beijando a testa da mesma Pietra puxou a jovem para uma das mesas se sentando, para então acariciar de leve as linhas das mãos de Theresa.

    - Não se rebaixe Thesa, cada artista tem seus pontos fortes e fracos... Apenas tenho experiencia em demonstrar os pontos fortes e esconder o fracos de minhas obras... Fico imensamente feliz que tenhas gostado, e seguirei seu conselho... Eu me entrego aos sentimentos que possuo quando crio minhas esculturas e telas, muitas vezes sinto que eles mudam drasticamente durante a criação... Mas é um mal do qual não estou disposta a me livrar... Ahh mia piccola, tenho tanto que agradecer Lorenz por te-la me apresentado...

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