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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

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    Danto
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    Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 10/11/2016, 11:29

    16 de Março de 2002, Berlim.
    Oitava Noite



    A recente chegada a Berlim na noite anterior havia sido ligeiramente conturbada, primeiro foi necessário começar a pensar em onde reabrir a veterinária mais uma vez, além disso resistir aos impulsos de voltar a sua família foi um real desafio. Sua Senhora havia conseguido as chaves de um refúgio temporário na cidade até que você fosse apresentada corretamente as autoridades locais e pudesse finalmente recomeçar a sua vida na cidade de Berlim.
    Dormir em um lugar tão apertado não foi o pior dos problemas, mas sim a desorientação ao acordar. Levando quase um minuto inteiro, seus dedos encontravam em meio a toda a escuridão o botão de elevava a cama falsa construída abaixo da janela, era um dos famosos "apartamentos de flecha" da parte central da cidade de Berlim, pequenos e estreitos, feitos para apenas uma pessoa e nada além disso. Saindo do seu lugar nada ortodoxo de sono, a dúvida sobre como poderiam existir apartamentos tão preparados assim para os vampiros ainda lhe intrigava. Descendo as escadas que já davam para o interior da sala, você notava a presença distraída de Joseph, sentado no chão o jovem estava a fazer pesquisas em seu notebook, olhando imóveis e possibilidades de aluguel de um local que pudesse servir como sua nova clinica veterinária.
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 10/11/2016, 11:57

    Gabrielle acordava, parecia ter caído no sono e dormido como uma pedra, após elevar a cama ela caminha de forma calma até o banheiro, lavava seu rosto com a água e por alguns instantes até procurou uma escova de dentes.

    Ela parava e olhava para seu rosto e abraçava seu próprio corpo, lembrava de seu pai e sua mãe naquele instante, seus parentes e sorria de uma forma tímida ao lembrar do carinho de todos com ela. Não teria mais isso, não poderia mais vê-los...o que diria!?

    " Não pense nisso, o que eu diria para meu pai e minha mãe...eu sinto a falta de vocês..."

    Seus passos eram lentos, continuava ainda a caminhar se abraçando como se estivesse procurando se auto consolar, parou antes de descer a escada e olhou entre o ombro para o quarto.

    " Será que eles possuem uma rede de apartamentos assim? Tipo vários e vários locais feitos para pessoas como eu! É tudo tão arrumadinho no seu devido lugar, feito sob medida para essa ocasião...deve ser alguém muito inteligente e rico que fez isso..."

    Ela descia a escada e olhava Joseph trabalhando, de uma maneira meio estabanada ela passava a mão nos olhos e rosto, pensando que poderia transparecer alguma tristeza e isso ela não queria, logo colocava os braços para trás e soltava um grande sorriso.

    - Boa noite Jô! E ai já achou a nossa nova clinica?...e precisamos de uma casa maior, quero muitos cachorros andando e gatos, amo gatos. Deixo você dormir na casinha deles.

    Sorria de uma maneira inocente e colocava a mão na boca tentando esconder sua boca.
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 11/11/2016, 20:27

    -Casinha deles? Sério? Eu te ofendi ou algo assim?!

    O jovem falava em um tom de brincadeira e virava para olhar diretamente você, sorrindo ele sentava no sofá e batia na almofada ao lado dele, convidando você para também se sentar. Puxando o computador para o colo ele demonstrava uma enorme empolgação.

    -Vem ver o que eu achei! Tem uns lugares até interessantes, mas precisaremos fazer alguns empréstimos no banco, acho que consigo isso sem muito problema... Mas uma pergunta, isso tem que ser tipo, autorizado pela super sociedade secreta dos vampirões de Berlim?! Como funciona?!
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 11/11/2016, 21:27

    Colocando a mão na boca a mesma balançava a cabeça negativamente para a primeira frase, se demonstrava preocupada em ofender seu amigo antes de tudo, mesmo tento falado em um tom de brincadeira.

    - Não...foi brincadeira, acho que peguei um pouco pesado com a casinha.

    Não precisava se desculpar, mas achou que era necessário o fazer, caminhando de maneira agora um pouco mais alegre a mesma sentava no sofá e colocava a almofada no colo e segurava o braço de Joseph com as duas mãos, seus olhos estavam atentos a tela do computador e quando ele dava aquela pequena pausa para continuar a falar a mesma lhe dava um beijo no rosto.

    - Uhm...me sinto um pouco mal em não poder lhe ajudar com isso Jô...é um saco! Mas os lugares são lindos, você tem bom gosto menino.

    Sua mão o soltava e ela apontava para algumas imagens de possíveis locais para sua futura clinica, ela se virava para ele com as pernas cruzadas e fazia uma cara pensativa.

    " Eu realmente não pensei nisso...não vejo problemas em ter uma clinica medica veterinária, é minha paixão essa profissão, mas ele levantou um ponto interessantíssimo agora, eu acho que irei me apresentar hoje e já peço autorização para o príncipe. Minha senhora disse que eu deveria me apresentar a ele"

    - Éeeeeeee...quase isso Jô. Eu devo me apresentar para o príncipe de Berlim. Ele que ira decidir se permaneço em sua cidade ou não. E também pode me deixar ter uma clinica medica veterinária. Uhmmm...é como em um jogo de xadrez, temos a rainha que seria a peça mais importante de todo o tabuleiro.

    Dava uma pequena pausa e tocava a cabeça de seu amigo de uma maneira leve.

    - Pense no corpo humano, todos seus movimentos são pulsionados pelo nosso cérebro, ele transmite ondar elétricas por todo nosso corpo e isso faz com que cada parte acha de acordo com a situação, assim como nós avisa quando há algo de errado. Em cada cidade do mundo existe um príncipe e ele tem total domínio sobre todos os cainitas daquela região, assim caso eu viaje muito eu devo sempre pedir autorização para ficar em sua cidade...então sim. Eu tenho que ter a autorização da super sociedade secreta dos vampirões de Berlim.

    Colocava a mão novamente na boca para esconder a boca enquanto sorria de uma forma um pouco envergonhada por não saber explicar com exatidão a pergunta.
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 15/11/2016, 20:14

    -Eu sei que é brincadeira, fica tranquila... Alias, espero que eu sabia né?!

    Comentava o jovem com um sorriso brincalhão na face para logo em seguida mostrar as três opções que ele havia encontrado para comportar a clinica veterinária que vocês tanto desejavam. A primeira opção era em um prédio comercial, em uma área de grandes lojas e ruas movimentadas. A segunda era uma casa charmosa mais próxima a porção oriental de Berlim. Enfim, a última opção era a de um pequeno prédio construído as margens do rio Spree nas proximidades do Monbijoupark.

    -Então existe mesmo uma super sociedade secreta dos vampirões de Berlim! Sabia! Não é estranho o termo Príncipe? Digo, até temos alguns ainda por aí e tudo mais, entretanto, nem são eles os verdadeiros líderes... Mas pelo que eu já entendi, vampiros são anacrônicos. Bom, quando você irá até esse tal Príncipe?
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 16/11/2016, 09:22

    Dava um tapa no ombro de Joseph, fechava sua feição com um ar triste e sua voz ecoou levemente irritado e serio.

    - Jô! Vou me sentir mal...eu...eu não brinco mais com você! Seu...seu...besta.

    Não sabia ficar realmente irritada, abaixando a cabeça e abraçando a almofada, levemente sua cabeça se levantou e seus olhos permaneciam olhando para o rosto de Joseph, sentindo certa vergonha agora em encarar o rapaz.

    - Eu amei muito a terceira opção. É um lugar ideal para se cuidar de animais, é calmo e o ar é bem mais puro e fresco do que nas áreas comerciais...também é calmo, tem o rio, deve ser lindo poder olhar ele de noite, imagino o cheiro que lá deve ter após uma boa chuva.

    Sorria de uma maneira diferente, assim como seus olhos brilhavam de uma maneira apaixonada, mas não tinha nenhum foco para sua visão, era apaixonada por sua profissão e amava ainda muito mais em ajudar aqueles que eram mais fracos que elas, pequenas ou grandes criaturas que não tinham o dom de falar a linguá dos homens, mas que lhe dava uma alegria tão grande quando os via os saudáveis e felizes.

    Suas mãos agora apertavam mais forte a almofada do sofá.

    - Não fique falando assim Jô. Eu me sinto uma coisa com essa historia de Vampirões...e nem me fale nisso, imagina se eu tenho que usar aqueles vestidos longos que por sinal devem ser lindíssimos, mas não combinam comigo...fora que ele deve ser um chato e falar igual um velho monarca.

    Dava uma pausa e tacando a almofada no colo de Joseph, levantava calmamente e cruzava os braços.

    - E sim. Acho que tem uns ai que devem nem conseguir mais colocar vela em cima do bolo quando fazem aniversario. Eu irei hoje mesmo.

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 17/11/2016, 21:28

    Colocando a mão sobre a almofada que estava no seu colo, o rapaz sorria de maneira simpática e de maneira descontraída ele minimizava a sua vergonha por causa das brincadeiras referentes a casinha do cachorro.

    -Fica tranquila Gabrielle, eu to só brincando mesmo. E se fosse pra morar na casinha do cachorro, é só me dar um bom sinal de wifi e não teremos problema! Aposto que será maior do que meu primeiro apartamento!

    Sorridente ele concordava com a cabeça sobre a terceira opção, ele demonstrava sem nenhuma vergonha que aquela também era a escolha dele.

    -É lindo o lugar, amplo, pertinho do rio... Parece até mentira alguém se desfazer de um imóvel como esse. Mas é assim mesmo, o destino sempre reserva coisas boas para quem deseja fazer o bem, não é?! Meio hippie eu sei, mas realmente acredito nisso...

    Ele removia a mão da almofada quando notava que você ia agarra-la e cuidadosamente tocava a sua mão esquerda e perguntava enfim:

    -Já que você irá hoje, precisa que eu te ajude a chegar até o lugar? Devo acompanha-lá?!
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 17/11/2016, 21:50

    Sorrindo de uma forma mais feliz e com um brilho no olhar ela fazia que sim com a cabeça para o primeiro gesto de seu amigo, e colocava a mão sobre a dele.

    - Você é incrível Jô! O wifi que vamos contratar vai ter uma banda muito boa e não se esqueça. Esse negocio é nosso e não só meu. Você mais que ninguém também será um dos responsáveis por isso.

    Sem se conter dava um pequeno salto na direção dele o abraçando de uma forma carinhosa e gentil.

    - Não precisa nós dar nomenclaturas. Somos quem somos, eu amo os animais e gostaria de poder ajudar todo mundo, ele sendo animal ou humano. Até mesmo a natureza, acredito que haja espaço para todos nós nesse planeta, é só sabermos conviver com os seres a nossa volta...

    Abaixava a cabeça por um breve momento no ombro de Joseph e firmava o abraço como se estivesse se acolhendo ali.

    " Eu tentei ajudar um amigo e aqui estou Jô...sei que suas intenções são as melhores e não quero que perca isso nunca, nunca mesmo...mas agora não posso mais ver meus pais e nem meus velhos amigos, irônico como algumas coisas não saem exatamente como esperávamos..."

    Levantando o rosto dava um leve beijo no rosto do rapaz, sorrindo novamente. Seus olhos encontravam os dele, fixos e brilhantes.

    - Ajuda para chegar lá não precisa. Mas se quiser me acompanhar eu ficaria muito feliz com sua presença. Se o príncipe daqui for legal talvez até possa entrar comigo quando for me apresentar, ai você veria os verdadeiros vampirões de Berlim...seu Hippie!
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 20/11/2016, 12:02

    O rapaz abria os braços para receber o seu abraço e passa as mãos pelas suas costas, a amizade entre vocês dois era algo raro de se encontrar e ambos sabiam muito bem disso. A troca de olhares era apenas mais uma das várias reações e emoções que serviam de justificativa para a certeza que circundava a amizade. Sorrindo ao ser chamado de Hippie ele retrucava de maneira brincalhona.

    -Vamos lá então broto...

    Caindo na gargalhada por ter usado gírias realmente antigas e hippies, ele se divertida brevemente e logo respondia de maneira menos brincalhona.

    -Sério agora, vamos lá sim. Eu irei contigo, to muito curioso mesmo pra ver como funcionam essas coisas, se existem outros como eu e como eles são... Já entendi que a sociedade dos Vampirões é diferente e eu estou inserido nela, quero entende-la para que ela não nos devore sabe? Afinal, vampirões nem sempre tem paciência para pequenos humanos, de acordo com Hollywood... Enfim vamos lá então?
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 20/11/2016, 14:48

    Colocando o braço esquerdo para atrás, faço um V com os dedos da mão direita para Joseph em resposta a sua primeira frase após o abraço caloroso. Sentindo-se mais contente em ter escolhido um amigo que era em partes parecido comigo mesmo me fazia sorrir de uma forma mais sincera e natural.

    " Você me faz rir Joseph...eu admiro isso em você, seu jeito simples e natural de ser, seu hippie bobo"

    Desfazendo o gesto e arrumando os cabelos para atrás das orelhas, volto a falar no mesmo tom.

    - Obrigado pela companhia Jô. Agora eu devo ser um pouco chatinha com você...não deve chamar ninguém lá de vampirão, chame pelo nome se ele se alguém se apresentar para você...eeeeeee...vamos para um lugar chamado de Elísio primeiro, é um lugar que alguns cainitas ou vampiros como somos chamados ficam para socializar, procuro pelo senescal dessa cidade, uma especie de braço direito do príncipe, ele que ira nós disser onde devemos nos apresentar e se ele permitir você vem comigo.

    Colocando as mãos entrelaçadas no peito e se sentindo um pouco estranha por ter falado daquela maneira tão seria e um pouco autoritária, me sinto como desfocada de quem eu era realmente, mas aquilo se fazia necessário, ele tem razão com a questão de ser engolidos pelos cainitas, e mais ainda com relação aos humanos, pois se alguns humanos já não tinham tanta compaixão com o próximo, imagine um ser que se alto intitula "superior".

    - Éeee...é só uma dica Jô. Não quero que ninguém lhe machuque ou ofenda...eu...eu me perderia se isso acontecesse. E o endereço está nesse papel aqui, minha mentora me deu. Olhe!

    Retirando um papel do bolso e o estendendo até seu colega com um olhar agora preocupado.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 22/11/2016, 12:06

    O rapaz ouvia com bastante atenção as suas palavras e então ainda em silêncio esticava a mão para pegar o papel, lendo o endereço e levantando-se logo em seguida, espreguiçando-se e logo em seguida verificando os bolsos em busca da carteira e chaves do carro.

    -Vamos logo até esse local, é bem fácil de achar na verdade... Aliás, obrigado pelas dicas e regras eu farei o meu melhor para não levar uns tapas do vampirões, digo, cainitas.

    Ele mantinha o tom brincalhão na fala, apesar de saber perfeitamente que a apresentação não seria algo cômico, o rapaz segue até a entrada pegando o casaco e checando os bolso.

    -Ah! Tá tudo aqui, vamos lá!
    -



    O carro do jovem não era muito luxuoso, também não era uma lata velha caindo aos pedaços. Para ele, veículos eram ferramentas, e foi essa ferramenta de locomoção que levou vocês até uma das mais famosas áreas da cidade de Berlim. Seus olhos brilhavam quando a imagem dourada acima da coluna da vitória surgia a sua frente, carinhosamente chamada por Goldelse, a estatua se apresentava poderosa e linda, posicionada entre ruas modernas e padronizadas, de certa forma, ela se erguia como uma memória de tempos que não voltariam, uma lembrança de glória que já não representava o povo que vivia em torno dela. Havia muito em comum entre ela e os cainitas... Jo contornou a praça do Pilar,  e estacionou em um jardim próximo. O Elísio Unificado era o restaurante mundialmente conhecido, o Teehaus. Estacionando em uma vaga paga, ele fechava um pouco a face quando notava que deveria pagar para continuar ali.

    Spoiler:


    -Não acredito que terei que pagar pra ficar aqui, os cainitas não tem um estacionamento já pago não? Lembre-se de pedir uma vaga ao se apresentar se não nós vamos falir!

    Comentava o jovem em tom de resmungos.
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 22/11/2016, 13:19

    Vendo que seu amigo havia entendido o seu lado solto um sorriso carismático para ele, virando meu rosto para o lado e praticamente fechando os olhos enquanto ele procurava as chaves. Dou um leve pulo para frente.

    - Isso! Cainitas...e nunca me chame de cainita, vampirona ou qualquer nome ai que você conheça Jô...uhm...Sim. Vamos!

    "Nunca me iludi ou fui escrava das marcas, elas sendo roupas, carros, joias ou o que quer quê seja o produto, gosto das coisas simples e sinceras da vida, e ele faz o mesmo que eu!"

    Não se importava com o carro de seu amigo e muito menos se era completamente novo ou velho, minhas mãos encostavam no vidro do carro, assim como minha testa ao ver a coluna da vitoria, lembrando-me dos tempos em que meu coração pulsava, nunca fui de apreciar esse tipo de arte, mas agora, ela fazia um pouco mais de sentido.

    " Somos a sombra de um passado, algo que não irá voltar...eu fui boa em vida! Será que ainda alguém fala de mim?"

    Deixando-se levar pelas lembranças era como sonhar acordada, com um sorriso de canto e um olhar longe, já me dando conta de que o carro parava no estacionamento do restaurante falo de uma maneira calma.

    - E você acha que o quarto que estávamos era de graça também? Não tem nenhum beneficio em ser um...um cainita...e acho que alguém deve lucrar muito com essas coisas viu, tem o quarto, o estacionamento e o restaurante...

    Saia do carro continuando a falar e contando nos dedos as possibilidades imagináveis em ganhar dinheiro com os membros amaldiçoados recém chegados e velhos, mas logo paro e me viro para Joseph estendo a mão para ele.

    - E o senhor vai ficar pertinho de mim. Imagine se eu o perco para uma outra mulher...aff...seria difícil achar alguém como você!

    Pisco para ele com um sorriso descontraído no rosto o chamando com a outra mão.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 24/11/2016, 22:56

    A face mais séria do jovem continuava a estampara cara dele quando vocês ainda estavam no carro. Resmungado sobre a sua fala a respeito do lucro, o jovem dizia:

    -Lucro tá sempre acima de tudo... Bom vamos lá né?!

    Saindo do carro ele notava a sua próxima frase e o convite, a face séria do rapaz caia imediatamente e um sorriso largo e feliz nascia no lugar, um pouco avermelhado ele se certificava de trancar o carro e dava alguns passos rápidos para alcança-la. Encabulado ele diz:

    -Gabrielle, eu jamais a trocaria por outra, não sou nem maluco de cogitar. Lembra? Sou eternamente seu agora, é tipo um woodystock infinito!

    Ele claramente estava se divertindo com a situação, apesar da vermelhidão da face que indicava alguma coisa, ele não parecia estar falando com seriedade sobre o assunto. Independente da relação sobrenatural e sanguínea que os definia dentro da sociedade cainita, o jovem ainda a tratava como uma amiga.

    Lado a lado então vocês finalmente chegam a frente do Elísio. Uma jovem asiática de terno estava posta junto a entrada, atrás de um pedestal onde havia uma espécie de lista de presença e reservas.

    -Boa noite, bem vindos ao Teehaus. Meu nome é Yun, em que posso servi-los?!
    Recepcionista:
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 24/11/2016, 23:36

    - Alguns pensam assim!

    Vendo o rosto de Joseph a ficar vermelho, me lembro de como era ter a mesma tonalidade tão viva, não tinha como se esconder atrás da mascara pálida que agora visto. Pegando na mão de seu amigo consigo sentir o toque quente, minha mão vai até a cintura com um ar de esnobe, claramente forçado.

    - Acho bom, se não eu mato a outra e depois te mato com ela.

    Virando o rosto e fazendo meu cabelo balança quase que na cara de Jô, mas seguro um pouco mais firme em sua mão e dou uma pausa no andar e falo baixo mas em um tom que ele pudesse ouvir.

    - Você não é um objeto que eu tenha nota fiscal e possa chamar de meu Jô. Não paguei por você e nem o quero. Lembre-se que tem escolhas, lembre-se que não sou sua dona e infelizmente isso não é um festival...lhe considero um bom amigo, mesmo nós conhecendo a pouco tempo e se um dia desejar partir em busca da sua felicidade eu sorrirei para sua decisão e minhas portas estarão sempre abertas para quando desejar voltar.

    Sorrio de uma maneira tímida e meio desconcertada com o que acabei de falar, voltando a andar chego até a asiática e sorrio de maneira gentil ainda segurando a mão de Joseph.

    - Como você é linda Yun. Adorei seu sorriso. Uhm...sou Gabrielle Pringsheim e esse é meu acompanhante, Joseph Valentin Fritz, procuro pelo Senescal? somos novos na cidade!

    Aponto para Jô quando o apresento e depois fico olhando para a mulher que me atendia.

    " Que bonitinha ela é. Acho que consegui não ser tão direta assim. Será que ela é como Jô...ou só trabalha aqui..."
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 27/11/2016, 22:49

    Com um sorriso acanhado na face, o jovem ouviu as suas palavras mas não houve tempo suficiente para que ele formulasse uma resposta, apenas um breve movimento positivo na cabeça que simbolizava uma concordância foi feita por ele. Assim vocês dois subiram os brevíssimos lances de escadas que levavam a recepção. Nela a jovem oriental ouvia as suas palavras e reagia de maneira educada e simpática.

    -Obrigada senhorita Pringsheim. Entendo perfeitamente a situação em que vocês se encontram, Berlim é uma cidade aberta a todos e já lhes adianto uma saudosa recepção em nome da Nova e Unificada Corte, agora, peço encarecidamente que vocês me acompanhem, certo?!

    O alemão da jovem soava ligeiramente diferente, claramente por causa das características fonéticas dos povos orientais. Mas apesar dessa diferença, era totalmente compreensível. A mulher então prontamente se virou e caminhou para o interior do belíssimo restaurante, sem nenhuma presas. Ao invés de seguir pela porta principal, ela seguiu para esquerda e passou por um corredor decorado com muito bom gosto. Até chegar finalmente em frente a uma porta dupla, abrindo-a para vocês, revelando uma longa escadaria que descia a um andar de sub-solo.

    -O Elísio da cidade fica logo após as escadas, basta desce-las. Eu já notifiquei os demais vassalos, então, vocês serão prontamente assistidos ao adentrarem o local... Uma excelente noite a ambos.
    O Elísio:
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 29/11/2016, 15:01

    - Agradeço as boas vindas Yun...Ah sim, por gentileza!

    " Nova corte unificada...uhm...será que tinha algum tipo de divisão antes? Estranho...minha mentora nunca falou nada sobre isso, mas pudera também, ela vive viajando...não está mais que certa com essa atitude!"

    Puxo o braço de Joseph em um sinal claro e evidente para que o mesmo visse a decoração do lugar, não sou do tipo vaidosa e muito menos apreciadora das belas artes, mas esse lugar em questão se parece com fotos das revistas de decoração que eu tinha em meu antigo consultório.

    Minha cabeça se virava para todos os lados vendo o lugar, quase me fazendo dar uma volta completa em meu próprio eixo, paro de maneira calma para ouvir Yun.

    " Deveria perguntar para um como eu o que significa essa unificação, talvez seja falta de educação a minha eu fazer a ela!"

    - Agradeço sua companhia Yun. Boa noite e um ótimo trabalho, continue com esse sorriso lindo. Vamos Jô?

    Sorrindo para Yun, sinalizo com um movimento sutil com a cabeça chamando meu amigo, com a mão já estendida ainda segurando a dele.

    - Você viu aquele lugar Jô? Menino do céu, dava para ver o rosto na louça e o chão era mais limpo que tudo que já vi na vida! E o uniforme da Yun, não tinha uma amassadinho...tó me sentindo uma mendiga aqui.

    Sorrio de forma descontraída me virando para ver o rosto dele.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 30/11/2016, 15:53

    A moça de traços orientas não disse mais nada, apenas fez uma brevíssima reverência e colocou-se a caminho da portaria do local onde vocês haviam sido recebidos. Já seu vassalo permanecia em total silêncio durante todo o caminho, aceitando ser puxado por você, ele observava cada detalhe e tomava as próprias notas mentais. Ele apenas falava quando vocês estavam a sós.

    -Mendiga? Falá sério Gabrielle! Claro que não, agora, vamos lá temos que encontrar os vampirões. Levante mais o queixo, não pra parecer esnobe, mas para demonstrar confiança. E só pra comentar sobre o lugar, pra que tanto luxo?! Sério, não consigo entender essas necessidades, mas deve ter alguém que certamente foi Rei ou Rainha quando era mortal né?! Afinal, aristocracia parece ser a ultima moda entre os cainitas...

    Após a frase de Joseph, vocês finalmente adentravam o Elísio. A primeira surpresa era a música que tomava o fundo do ambiente em um volume agradável, não era alto o suficiente para atrapalhar conversar, nem baixo o suficiente para desaparecer entre as conversas. Perfeitamente distribuída para cada mesa e corredor daquele luxuoso ambiente.

    Vocês chegavam no Elísio, parando em uma pequena sacada que abrigaria com conforto seis pessoas de pé. Essa sacada só possuía uma única saída lateral, um lance de escadas que dava acesso ao piso onde as mesas eram postas. Seus olhos encontravam algumas pessoas presentes, mas nenhuma face conhecida, um homem de terno prontamente se aproximava de vocês.

    -Boa noite. Meu nome é Cristopher, ao seu dispor. Perdoe-me a ausência de conhecimento e educação, mas ouso perguntar se vocês dois seriam a Senhorita Pringsheim e seu vassalo Joseph? Se sim, peço para que ambos poderiam me acompanhem, pois irei conduzi-los em direção a mesa onde o Senescal se encontra.
    Cristopher, o vassalo do Elíso:

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 30/11/2016, 22:58

    Sorrio para Joseph ao ouvir suas palavras, meu semblante mudava em um gesto de censura ao ouvir a palavra "vampirões", mas espero ele falar e falo calmamente começando a ouvir a bela musica que tocava.

    - Jô, vou suturar sua boca se falar vampirões de novo! Rum...e é verdade mesmo né! O príncipe deve ter sido um rei. Ah...sei lá...ele deve ser muito velho, tipo, muito velho mesmo. Deve ter se prendido ao passado ou pensa que ainda estamos na idade média ou trevas.

    Enquanto falo deixo minha cabeça erguida em um sinal de confiança, não é algo que eu tenha muito, mas se até mesmo Jô percebeu isso...

    " Não estou fazendo isso por ter me falado viu...seu bobão!"

    Ouvindo a música começo a balançar o braço que segurava a mão de Joseph em um embalo lento e calmo como se estivesse me divertindo com a situação, chego na sacada e solto a mão de Jô de maneira lenta e coloco a mão no apoio da mesma, com o corpo completamente reto fecho os olhos de maneira lenta e respiro fundo ainda ouvindo o som da música.

    " Me sinto nervosa...e se eu não for boa o suficiente para ficar aqui! E se o príncipe não gostar de uma vampira normal...se isso for possível...todos tão elegantes e eu tão simples e apenas sendo eu..."

    Me viro de maneira rápida para o rapaz e coloco a mão no peito como se tivesse tomado um susto leve. Logo sorrio para o mesmo e faço com a cabeça um sinal de negação.

    - Não precisa falar essas coisas Cristopher. Sua percepção e educação são admiráveis. Sou sim. E não sei se posso falar assim...mas...pode me chamar de Gabrielle. Quando estivermos só nós. Sei que deve seguir a etiqueta. E claro. Me mostre onde se encontra o senhor Senescal.

    Voltando a segurar a mão de Joseph, faço um sinal de olhos arregalados demonstrando a minha surpresa em como o pessoal dali era rápido com as coisas e chego um pouco perto de vassalo do Elísio e falo bem baixinho.

    - Cristopher, eu que lhe peço a ausência de conhecimento e educação...é...você por gentileza poderia me falar o nome do Senhor Senescal, eu não quero ter que cumprimenta-ló sem saber seu nome.
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 6/12/2016, 01:16

    Joseph notava que havia dito a famigerada palavra proibida e o mesmo arregalava os olhos, concordando com um balançar bem sutil de cabeça, o jovem se mantinha em silêncio apenas a observar os pequenos detalhes, que não era poucos, daquele ambiente anacrônico. Existia um contraste notável entre os ali presentes, alguns de pele mais pálida, usam roupas mais antigas e tradicionais. Enquanto alguns poucos se vestiam de maneira mais moderna e despojada, eram esses desconhecidos que acalmavam um pouco a tua ansiedade e sensação de não pertencimento.

    O homem negro de terno prontamente conduzia vocês dois em uma direção por entre as mesas do grande salão luxoso sem muita pressa, reduzindo ainda mais as passadas quando notava a sua intenção de falar, para ouvir com atenção e responder de modo educado e polido:

    -Senhorita, o nome do Senescal de Berlim é Heinrich Hilmmlet, da família Ventrue. Recomendo que refira-se diretamente a ele por Senhor Hilmmlet, isso será o suficiente, ele é um cainita jovem e o Príncipe tem se esforçado para diminuir as burocracias de outros tempos...

    Por fim, o homem de terno conduzia você e Joseph até uma mesa um pouco afastada do centro e do palco do local, na mesa havia um jovem homem de cabelos castanhos escuros e uma barba fina, ligeiramente mais clara do que a tonalidade dos cabelos. A frente do jovem haviam algumas pastas, planilhas e anotações. Além de um tablet e um MacBook. Ele prontamente levantava os olhos e notava a aproximação, para sorrir de maneira simples e apontar logo para as cadeiras vagas ao em torno da mesa de redonda de seis lugares.
    O Senescal de Berlim:
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    Miac

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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 6/12/2016, 20:25

    Não que eu gostasse de falar aquelas coisas para Jô, mas se fazia necessário, ainda mais observando aqueles que mantinham uma vestimenta tão antiga que nem mesmo nos livros infantis que meu pai lia e me mostrava as gravuras eu me lembro de ter visto.

    Ando de maneira calma atrás do serviçal, minha mão não desgrudava da de Joseph, com um sorriso largo de gratidão no rosto falo sem causar som para o homem que me mostrava o caminho.

    - Obrigada Cristopher!

    Chegando na mesa e vendo o rapaz que estava sentado e prontamente se levantava, meus olhos se arregalavam com espanto perante a idade aparente do dele, solto a mão de Jô sutilmente para que ele se sentasse ao meu lado e me viro para serviçal que foi muito educado e gentil comigo.

    - Muito obrigada Cristopher! Tenha uma ótima noite.

    Me virando e acenando com a cabeça em sinal de agradecimento me sento na cadeira me arrumando.

    " Meu Deus, como pode ele ter essa cara de adolescente ainda? É um rapaz que não passa dos 25 anos de idade...uhm...carinha de modelo, será que tó bonita..."

    Arrumo meus cabelos e torso o nariz ao ver minhas roupas, não sabia que seria recebido por alguém tão bonitinho assim. Dou um sorriso tímido e falo de uma maneira calma.

    - Boa noite Senhor Hilmmlet. Sou Gabrielle Pringsheim e esse é meu acompanhante...não quero disser...é meu amigo Joseph Valentin Fritz. Chegamos ontem na cidade e desejo a permissão do príncipe de Berlim para ficarmos na cidade e também montar nossa clinica veterinária.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 7/12/2016, 22:56

    Joseph ficava corado quando você se referia a ele como "acompanhante", ele prontamente fazia um sinal de negativo com a cabeça, mas não falava nada por não saber exatamente como agir naquela situação. O senescal por outro lado observava vocês dois com uma naturalidade surpreendente, o jovem então simplesmente concordou com um suave balanço de cabeça e apontou para as cadeiras vazias logo a frente do mesmo.

    -Boa noite Senhorita Pringsheim e para você também Fritz. Por favor sentem-se...

    Enquanto você se sentavam o Senescal mexeu em alguns papéis e retirou uma folha amarela do bolo de folha, colocando-a sobre todas as outras e passando os olhos por ela durante alguns segundos, para finalmente olhar diretamente para você e falar.

    -Primeiro de Janeiro de mil novecentos e noventa e dois. Uma briga generalizada em frente a uma boate termina com a morte de uma jovem, cujo corpo nunca foi encontrado. Prontamente tomamos as devidas providências de silenciar as forças locais... Hoje vejo a jovem presumidamente morta de pé em minha frente a se apresentar como uma Cainita e expressar seus desejos por um domínio. O destino é de fato curioso não é mesmo? Mas não se preocupe, você não é a primeira, tão pouco será a última. Afinal, todos nós morremos de alguma forma. Bom, antes de seguirmos com as formalidades eu devo perguntar a você, se conheces e jura acatar a todas as leis da Camarilla.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 8/12/2016, 07:15

    Já sentada fico observando o rapaz que tem o titulo de Senescal, ele é jovem, mas aparenta um ar de vivido e experiente com aquele tipo de situação. Meus olhos se voltam para o papel amarelo com um ar de curiosidade e ao ouvir suas palavras minha mão vai até a minha boca nas primeiras palavras e meus olhos se sentem pesados com um desejo de chorar.

    " Cèus...foi nesse dia mesmo que minha vida mudou...eu...eu só queria proteger um amigo, é tão doloroso relembrar isso..."

    Já com os olhos mais úmidos e brilhantes, abano levemente com a mão o rosto, meus olhos estavam arregalados com a surpresa e aceno levemente com a cabeça que sim para a primeira pergunta do mesmo e falo de maneira sutilmente abalada.

    - Um pouco curioso de mais até Senhor Hilmmlet. Sou uma boba sentimental e me lembrar disso me trás um aperto muito grande no coração, ainda mais sabendo que meu pai e mãe nunca souberam o que aconteceu comigo e que não puderam me ver mais...peço desculpas pela falta de delicadeza nessa situação.

    Respiro profundamente por diversas vezes, sei que não é uma atitude educada aquilo que fazia, pois como minha senhora já havia me falado, nem todos sentem ou seguem o mesmo que nós. Já um pouco mais calma eu olho para Joseph e dou um sorriso sem graça, me desculpando pelo momento anterior.

    " Não queria que me visse assim Jô...eles me dão muito medo, conseguiram silenciar uma morte, realmente não sei se devo sentir alivio ou extremo medo desse homem ou quem o tenha feito, é um mundo novo aqui e me parece que não faço parte dele em nenhum sentido!"

    Seguro o tecido de minha calça um pouco acima dos joelhos e os aperto com força, volto a olhar para o Senescal e agora mais seria e um pouco menos abalada falo de uma maneira calma.

    - A Senhora Ismar me falou sobre as leis da Camarilla. Sim. Lhe prometo cumprir as leis da seita e ajudar naquilo que me for solicitado...

    Mordo o lábio de uma forma sutil, e viro meus olhos para um outro canto, segurando minhas próprias mãos eu volto a olhar para o Senescal e falo em um tom mais baixo.

    - Sei que isso não tem nada a ver com esse assunto Senhor Hilmmlet e vou entender de verdade se não puder falar nada sobre, mas...é...nesse papel há alguma citação de meus pais?
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 9/12/2016, 23:59

    Joseph teve que se segurar para não abraça-la, afinal, ele era incontestavelmente a pessoa que sabia o quão doloroso aquele assunto era para você. Entretanto, o jovem permitiu-se apenas a direcionar um olhar cheio de sentimentos na sua direção, em uma tentativa de oferecer consolo não verbal.
    O jovem Senescal por outro lado continuava com a mesma expressão na face, calma. Ele ouvia cada pequena variação do seu tom de voz, sem tirar os olhos da sua face. Para que ao final, após a sua pergunta ele finalmente desse início a resposta.

    -Começando por tua pergunta direta. Existem sim algumas informações a cerca dos seus pais e familiares, todos eles foram prontamente acolhidos pela Camarilla de maneira indireta e distante. Para que você possa compreender melhor a situação, a Senhora Ismar não realizou o teu Abraço de uma hora para a outra, ele primeiramente obteve a permissão do antigo Príncipe Ocidental. Após essa situação, ela notificou o então Senescal e os preparativos foram todos iniciados, no exato momento em que o teu desaparecimento foi reportado as autoridades mortais, os recursos da corte entraram em ação... Lhe dou a minha palavra que todos estão seguros. Agora, a cerca da tua primeira colocação...

    O jovem Senescal fez uma breve pausa, para mudar não apenas o tom de voz, mas também a própria postura. Dispensando agora a postura formal e padronizada, para algo mais a vontade e sincero.

    -Em outros contextos a tua expressão humanizada seria sim tratada como indelicadeza e falta de bom senso. Entretanto, a Idade das Trevas já se foi e Berlim será o expoente de uma nova Era, por isso afirmo, com todas as fibras do meu ser. Tu não é a única que sofre com esses assunto, tão pouco é ou será considerada indelicada ou tola por sentir. Somos em primeiro lugar, humanos... Não se esqueça disso. Nunca. Dessa forma, lhe estendo as minhas boas vindas à Berlim, quando a Senhorita tem disponibilidade para uma reunião com o Príncipe?
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Miac em 10/12/2016, 14:03

    Retribuo o olhar para Joseph de uma maneira agradecida e cheia de alegria, pequenos gestos transformam situações dolorosas em memorias felizes e simples, sem desejos de nada em troca.

    " Eu agradeço ao mundo por ter me dado a oportunidade de lhe encontrar Jô, você é um homem tão bondoso e simples em suas ações, é tão agradável saber que está do meu lado!"

    Abaixo a cabeça timidamente e falo em um tom calmo.

    - Agradeço do fundo do meu coração por compartilhar essas informações Senhor Hilmmlet, e quero deixar aqui meus votos mais sinceros de que ajudarei todos aqueles da Camarilla que precisarem de ajuda e se um dia isso for possível eu gostaria de agradecer a todos os envolvidos pessoalmente sobre o tratamento dado para com minha família.

    Volto a olhar para o rapaz que na verdade é muito mais velho que eu em vivencia e experiencia, meus olhos demonstravam a gratidão por tudo, não poderia me sentir ofendida ou muito menos lesada por tudo que tinha me acontecido, eles ajudaram minha família e isso não cabia em palavras ou até mesmo em uma balança como preço.

    Coloco minhas mãos sobre a mesa e aponto para Joseph com um gesto acanhado e uma fala meio envergonhada.

    - Jô, está aqui para comprovar que nem mesmo se eu quisesse eu conseguiria me esquecer disso. Amo a vida, as coisas simples, um bom sorriso, atitudes simples que me mostram o quão bom pode ser a nossa vida, as cores, os cheiros e os sabores sem desejar nada em troca, apenas realizar aquilo que meu coração acha o certo...

    Volto a olhar para Joseph com um semblante mais limpo e calmo, meus olhos se focam nos dele e me alegro, virando levemente a cabeça para o lado e fechando meus olhos com um largo sorriso no rosto me viro novamente para o Senescal e falo animadamente.

    - Assim que ele tiver um tempinho para mim. Deve ser um cainita muito ocupado, não desejo ocupar muito do tempo dele com minha proposta de estadia em Berlim.
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    Re: Ato I - Narrativa de Gabrielle: Saudades

    Mensagem por Danto em 12/12/2016, 13:01

    Joseph retribuía todos os seus olhares, havia entre vocês dois uma relação muito verdadeira de amizade. E isso era muito fácil de se notar, compreender e sentir. O Senescal por outro lado, era um completo desconhecido, mas esse fator não o colocava em um patamar distante ou frio, ele observava vocês dois e deixava até um pequeno e singelo sorriso transparecer. O homem havia acreditado nas suas palavras e com uma enorme calma, ele virava um papel de cor azul na sua direção.

    -Esse é o seu termo de responsabilidade sobre teu vassalo, sobre teus juramentos perante as Leis da Camarilla. Por favor, a sua assinatura é uma demonstração de civilidade importantíssima para nós. Agora, se desejar realmente encontrar os responsáveis eu posso providenciar isso, entenda que a Camarilla não é uma Seita estranha de vampiros arcaicos e empoeirados, que se reúnem nos porões velhos e discutem como o mundo era melhor na era romana... Nós somos uma sociedade, da mesma forma que os humanos são. Temos locais de reunião, eventos, festas e tudo que qualquer sociedade também possuí, nossas próprias culturas, lendas e mitologias. Se desejar, você poderá voltar a ter um convívio saudável, como possuía quando era uma humana. Até encontrar uma nova forma de família, rivalidades, inimigos, aliados, amores, frustrações... O que eu quero dizer é simples, não encare o vampirismo como um fim. Temos a eternidade a nossa frente para encontramos uma nova forma de viver...

    Ele desviava o olhar para olhar o próprio celular, sorrindo.

    -Você deu sorte Senhorita, o Príncipe está a caminho do Elísio...
    [off: Ultima ação para o final do ato]

      Data/hora atual: 19/8/2017, 06:26