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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Lucien T. Devereaux - Ato VI - New Day

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    King Narrador

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    Lucien T. Devereaux - Ato VI - New Day

    Mensagem por King Narrador em 14/11/2016, 01:09


    1 de Setembro, 2005, 21:00




    A noite se mostrava pesada e longa. Muitos sonhos passaram em sua cabeça, entretanto nenhum forte para se manter em suas memória. Assim lentamente você avorda se vendo em seu quarto. A janela estava peculiarmente aberta, revelando uma escura e não chuvosa noite do lado de fora. Sentada na murada estava Thérèse Liotard. A mesma não demorou para notar seu despertar.

    - Boa noite esposo. Você não tem ideia de como fico feliz em falar isso. Tu dormiu um pouco mais que o resto das pessoas da casa, mas acho que seu cansaço estava descomunal.

    As palavras dela eram doce. Traziam consigo uma gostosa nostalgia já a muito tempo esquecida. Lembranças antigas começavam a vir atona em sua mente. Alegria era o sentimento mais forte que seu corpo gerava neste momento. Ainda observando sua esposa era possível notar que a mesma, por mais translúcida que estivesse, se mostrava quase que completamente materializada.

    - Daisy não desgrudou da sua prole que ainda está muito mal no quarto de visitas. Desmond foi visitar junto de Ferdinand os Giovannis tradicionais, foi descoberto que houve um grande ataque nos domínios deles.

    Cada palavra dela era dita com bastante calma. Era interessante notar como ela já estava familiarizada com todos os nomes de sua família. Sem dalar da naturalidade que vinha da mesma. Algo que sempre havia sido uma qualidade nela. Ela agora se debruçando na janela chegava a lembrar o dia que a mesma ainda como sua noiva escalou até seu quarto com o intuito de acabar com a tradição de casar-se virgem.

    - Filip está ali fora com vários carniçais fazendo a guarda da casa. Rebecca também está na residência, não sei se já acordou, estava tão cansada quanto você. Dormiu com a irmã no outro quarto de visita. Duncan pelo contrário já acordou e acho que está em sua biblioteca.

    Finalmente Thérèse, vestida com uma camisola branca, se afastava daquela janela que recebia uma fresca brisa do leste. Então lentamente ela se levantava e andava na sua direção mantendo aquele sorriso natural que tanto lhe fascinava. Ela parecia tão jovial agora, mais do que quando a viu na cripta, sem sombras de dúvidas quanto a isso.

    - Franco é a maior incógnita. Ontem antes do sol nascer o vi fazendo um ritual nos jardins. Depois ele foi para as ruas e sumiu junto da alvorada.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato VI - New Day

    Mensagem por Danto Jogador em 18/11/2016, 11:21

    Ainda deitado na cama e sonolento abrindo os olhos reparo na imagem de Thérèse sentada próxima a janela, sorrindo ao ver a mulher que significou a mais bela das palavras durante minha vida, eu me sentava na cama e ouvia cada uma de suas frases, reagindo a cada uma delas com uma expressão diferente. Primeiro eu concordava com a cabeça em relação ao cansaço, seria inevitável não sentir algo similar diante de tantas mudanças corporais, espirituais e mentais. Em seguida eu gostava de ouvir que Daisy finalmente assumia seu papel de Senhora daquela jovem confusa e forte, pois se fosse fraca já teria surtado completamente. Minha face se fechava quando os Giovanni tradicionais eram mencionados, quase não havia simpatia por mim em relação a eles, o ataque não significava muito, entretanto, se Desmond foi até lá, imediatamente se torna em um problema que possivelmente ecoara até mim.
    Enfim eu concordava e aprovava com uma reação positiva com a cabeça sobre a postura de Filip. A expressão séria sumia quando o nome de Rebecca era pronunciado, era algo que eu ainda precisaria explorar melhor, mas meu afeto por ela havia crescido exponencialmente. E o sorriso continuava largo quando Duncan era também mencionado por minha esposa.

    "Os cabelos dourados, a pele branca e quente. O toque suave e gentil, a coragem, a força e uma beleza que sempre me arrancou o ar. Uma naturalidade no sorrir, uma razão encantadora e uma mente desafiadora... Thérèse, meu amor..."

    Sorridente como eu não ficava a muitos anos, eu esticava a minha mão convidando-a sentar-se na cama comigo. Para então dar inicio a minha resposta, inicialmente ignorando a menção a Franco.

    -Eu abusei das mudanças ontem quando realizei uma pequena mágika, acredito que irei demorar ainda para me acostumar perfeitamente as modificações. Bom, Daisy precisa muito desse tempo com a prole, não sei como ela será no sentido maternal, entretanto, espero que ela seja o que sempre foi aos meus olhos: Uma jovem intensa e amorosa. Desmond é sem dúvida a melhor escolha para lidar com os rastejantes das criptas, digo, Giovannis tradicionais... Mas a companhia de Ferdinand me preocupa um pouco... Filip por outro lado é especializado em lidar com os vassalos, não há porque se preocupar. Apesar de ainda sentir a necessidade de conversar com ele e Desmond sobre eles serem os únicos herdeiros de minha Mãe sem herança mágika. Ah, Rebecca é extremamente poderosa! Mas ela não teve experiência como uma desperta, preciso instruir ela com urgência e bestante cuidado... Duncan é o oposto de Rebecca no sentido de instrução, não é tão forte, mas é um Hermético racional.

    Ajeitando-me na cama para puxar o corpo de minha esposa, na intenção de abraçá-la carinhosamente e beijá-la como eu fazia em nossos tempos de noivado.

    -Boa noite querida esposa, uma excelente e incrível noite eu diria... A sua presença é um sonho realizado... Obrigado, por tudo...

    "Franco utilizou um poderoso e avançado nível de necromancia Capadocian e adiantou-se a vagar pela cidade durante a luz do Sol. Não entendo a motivação para isso, mas compreender Franco será um desafio descomunal. Eu realmente me preocupo com isso, ele é antigo demais para essa nova realidade, independente se ela está submersa ou caótica... Espero que ele não piore ainda mais a nossa situação! O ritual de ontem irá ecoar de maneira poderosa, os Baali irão se aproximar novamente e todo o feiticeiro digno irá prontamente notar os ecos do mesmo...
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    King Narrador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato VI - New Day

    Mensagem por King Narrador em 23/11/2016, 17:33


    Thérèse andava devagar na sua direção. Seu corpo aparentava desfilar gradualmente enquanto caminhava. Com uma altíssima fluidez em seus pés descalços, junto de um andar quase que ensaiado, ela se aproximava lentamente. Seu desejo interno fazia sua mente conceber que aquela aproximação estava amaldiçoada a nunca terminar, como se ela nunca chegasse e que aquele tempo estivesse congelado. Mas era só sua singela expectativa lhe gritando em profunda ansiedade. Afinal mais de dois centenários inteiros se passaram dês de quando a viu pela última vez. Dês de quando aqueles profundos e brilhosos olhos dela cheios de vida e amor se chocaram contra os seus. Dois centenários dês de quando sua respiração ficou ofegante em sentir aquela dama lhe desejando. Lhe almejando, lhe querendo, lhe provando que a reciprocidade é uma realidade. Lhe provando que o mundo realmente é belo e o amor existe nele. Dois centenários sem sentir o toque quente, infelizmente isto ainda seria uma eterna e triste verdade.

    Sua noiva então alcançava a borda da cama. Mas ela não parava ali, não era um obstáculo que a impediria de continuar se aproximando. Só que a mesma ignorava sua própria capacidade de transpassar objetos. Assim ela ajoelhava por cima do lençol para continuar seu movimento. Começando a engatinhar enquanto ainda lhe encarava com aqueles olhos intensos e fortes. Os decotes e suas profundas curvas típicas das francesas sulistas ficavam mais afloradas agora. Permitindo de teu ângulo de visão ver um pouco de algumas partes mais íntimas. Só que incrivelmente seu foco era apenas naqueles fortes e convidativos olhos tão brilhantes e amarelos como uma âmbar lapidada e preservada na eternidade. Havia junto daquelas pedras brilhantes uma emoção esculpida, uma emoção transcendental. Forte, cativante e contagiosa. Uma mistura intensa e extensiva de sensualidade com profundo e rico amor.

    Quase um palmo separavam vocês dois agora. Uma pequena distância física, mas uma infinita em outros conceitos. Afinal naquela cama daquela residência sulista americana residiam dois franceses, um vampiro e uma fantasma. Água e óleo. Luz e sombra. Sempre perto, mas nunca se juntando. Sempre perto, quase ao toque, mas nunca unidos. Nunca. Uma profunda regra do universo. Regra essa, que como todas as outras que sua mente revolucionária já defrontou, era possível de ser quebrada. Seu tato lhe acionava o sentimento daquela pele macia de sua noiva em lhe tocar, lhe acariciar. Ela estava quente, tangível, tão viva como sempre deveria ter estado. Era mais que uma ilusão, era a materialização profunda dos sentimentos que Thérèse trazia para o mundo físico. Estes sentimentos agora sólidos no formato daquela francesa sorridente. A qual não se poupou em apenas lhe acariciar. Sua face se aproximou suavemente, trazendo o calor para perto de ti. Seus lábios agora estavam quase juntos. Mas ao invés dela lhe beijar, finalmente começou a lhe responder.

    - Boa noite meu amado... Esqueça todos agora, esqueça todos eles. Lhe peço isso. Sejamos só nós dois desafiando a mortalidade para todo o sempre.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato VI - New Day

    Mensagem por Danto Jogador em 24/11/2016, 12:15

    Meus olhos se perdiam na imagem da mulher com a qual eu deveria ter me casado, a sensação de culpa misturada com a emoção que fazia meu coração palpitar causava um marejar nos meus olhos. A culpa por tê-la abandonado em meio ao meu egoísmo e sem ter sequer pensado sobre ela durante tantos anos. O sentimento mais puro e profundo de amar alguém, algo que senti com Gabrielle, mas nunca tão intenso quanto fora por Thérèse.

    "Desafiando a mortalidade para todo o sempre... Essa seria a cura para a morte?! Agora consigo sim compreender como a minha morte e a minha maldição são verdades isoladas. Preciso escolher qual delas irei curar..."

    Sorrindo em uma profunda felicidade eu tocava a face dela com a minha mão esquerda e sem responder nenhuma única palavra, movia meu tronco pela distância necessária para que um beijo fosse possível. Uma manifestação quente e profundamente cheia de sentimentos verdadeiros, uma forma silenciosa de me despedir completamente do meu "eu" cainita, abraçando totalmente o meu maior tesouro: Thérèse. Ela estava de novo em meus braços, finalmente...

    -L’appel du vide...

    Era minha única fala, após o termino daquele primeiro beijo. Uma das pequenas "tradições" que tínhamos des de nossas juventudes, antes de qualquer grande decisão, de qualquer aventura ou viagem, significava muito e era simplesmente impossível de ser traduzida. Além é claro de ter de ser pronunciada com o sotaque forçada da antiga monarquia francesa, o que começou como deboche, para nós dois, significava algo especial e único: A confirmação de um salto no escuro, o ato de não só aceitar o convite, mas de acreditar profundamente nele ao ponto de ignorar os riscos.

      Data/hora atual: 19/8/2017, 06:22