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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

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    Danto
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    Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 20/2/2017, 15:08



    Quarto de Lorenzo:
    Palazzo dei Priori:
    Local: Volterra, Propriedade da Família Francesco.
    Data: 15 de Abril de 2016: Início da Narrativa.

    O seu despertar naquela sexta-feira de primavera foi muito diferente do habitual, seus olhos se abriam no interior do seu quarto, mas todas as luzes estavam apagadas. Algo estranho estava ocorrendo nas sombras e você não era totalmente capaz de compreender, pois elas pareciam fluir vivas como as correntezas do oceano faziam. As correntezas de sombras formavam faces, desconhecidas e totalmente estranhas aos seus olhos inexperientes e assutados com a visão não natural do seu sagrado ambiente de sono e descanso.

    Todavia, uma voz feminina se fazia presente em meio as trevas que dominavas as paredes do seu quarto e sufocavam todas as fontes de luz, nem sequer seu celular ou qualquer outro aparelho eletrônico era capaz de iluminar. Era uma voz doce, ligeiramente rouca e dominada por um sotaque do norte da Itália:

    -Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Deus, Pai de amor e bondade, que em Sua infinita misericórdia acolhe todos os que se aproximam de Vós com o coração arrependido, acolhei meu pedido de perdão por tantas faltas cometidas contra Ti e meus irmãos...Amém...

    Enquanto ela orava a Deus, um frio violento assolava o seu quarto e feria teu corpo, era uma voz que ecoava das mais profundas marés do abismo sombrio. Um presságio? Um mau agouro? Uma tentativa contra a tua vida?! Não haviam respostas, havia medo e o horror das faces que começavam a se revelar conhecidas: Eram os rostos de todos que você conhecia, sem exceções! E a voz mais uma vez falava:

    -Despertai, criança! Deixe-me ouvi-lo gritar do brandir de seus pulmões: Aleluia! Pois Nosso Senhor é onipresente e onipotente! Erga-se, basta de pequenas brincadeira e venha ao meu encontro, existem muitos problemas para serem resolvidos entre o céu e o inferno, rogue por perdão depois. Estou no hall...

    Finalmente aquela voz lhe era familiar, com o cessar das terríveis trevas que permitiam novamente a iluminação do teu quarto: Era a voz de Letizia di Francesco.
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 21/2/2017, 00:19

    Legenda:
    - Fala. (#FF6633)
    “Pensamento.” (#FFCC66)
    ~ Fala de terceiros. * (Letizia #FF0033)

    * = Variação de cores por personagem.


    A hora de acordar finalmente havia chegado. Após uma noite bem-dormida, meus olhos abriam-se lentamente, mas, a escuridão ao meu redor, bagunçava minha conturbada mente recém-despertada, fazendo-me acreditar ainda dormir. Meus olhos piscavam mais algumas vezes e somente depois de limpar os olhos com as costas de minhas mãos eu erguia meu corpo mole, ficando assim sentado na cama e observando o que estava acontecendo ao meu redor.

    “Mas oquê… esta acontecendo aqui?”

    Assim como as ondas do mar, as sombras ao meu redor moviam-se estranhamente e aparentavam engolir tudo ao seu redor, eliminando toda a iluminação possível, de qualquer fonte. Admirado e espantado com a situação, ao mesmo tempo, permaneci imóvel apenas tentando compreender se aquilo realmente era de verdade ou se ainda estava sonhando. Voltava a piscar mais algumas vezes e até a me dar um beliscão no braço, para ter certeza de ter acordado, e quando abria os olhos as sombras, que ate agora só moviam-se como ondas, começavam a formar rostos de pessoas que eu jamais tinha visto, ou que, pelo menos, não me lembrava ou não conseguia identificar.

    Neste ponto, já tinha certeza, absoluta, que aquilo não era um sonho e por conta disso, o sentimento de medo aumentou levemente até que uma voz familiar se revelava. Uma voz feminina, forte, e que parecia ser emitida de todas as paredes tomava conta do quarto e me fazia dar um goto seco. A voz recitava uma oração e automaticamente minha mão ia a direção de meu peito, não para fazer o sinal da cruz, mas, na verdade, como uma maneira de pedir proteção a Deus pelo que estava acontecendo ali.

    De acordo com o prosseguimento da oração, um gélido vento, de origem duvidosa, cortava meu corpo e logo em seguida as diversas faces começavam a se identificar. Meu pai, minha mãe, meus irmãos, colegas, parentes da noite e meu amor, todos estavam ali e o medo se propagou. Eu não tinha resposta para aquilo, não sabia o que era aquilo e muito menos o sentido daquilo, mas uma mistura de emoções tomava conta de meu corpo. Se de um lado o medo se fazia fortemente presente devido a escuridão abissal que me cercava, do outro as palavras de Deus fortalecia minha fé diante daquela provação.

    Ao final de tudo, as trevas regressavam ao seu local de origem, deixando assim a iluminação da lua e das luzes de meu quarto retornarem e a única certeza que eu tinha, diante de tudo que tinha acontecido, era que a voz que falava para minha pessoa era de Letizia. Por um minuto fiquei parado, analisando a situação, e logo me levantava da cama para me arrumar e ir ao encontro de minha senhora. “Melhor me apressar, não vai ser sábio deixa-la me esperando por muito tempo.”

    Tomava um banho rápido, vestia roupas de sempre (uma camisa social branca com uma jaqueta de couro por cima, uma calça jeans escura e um par de botas pretas) e me dirigia sem mais delongas em direção ao hall do Palazzo. Movia-me a passos largos e assim que chegasse, ao cômodo em que era aguardado, olharia para os que estavam presentes e se não estivesse atrapalhando nada iria me dirigir até Letizia, parando alguns metros a sua frente e, assim, reverenciando-a, ficando sobre o joelho direito e apoiando meu braço esquerdo no joelho, do mesmo lado, e de cabeça abaixada. Entretanto se ela estivesse resolvendo outro assunto quando tivesse chegado, iria apenas esperar pelo término do mesmo e do sinal para me aproximar e assim o faria. Não sabia muito bem, ainda, a como me dirigir com Letizia, afinal, foram poucas vezes que me encontrei com a mesma e o grande respeito que tinha pela mesma me deixava um pouco travado, mas, seguia em frente.

    - Boa noite, vossa Eminência. Disponho-me diante de vossa eminência, assim como foi requisitado. – Falava ainda na posição de reverência.
    Reverência:

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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 22/2/2017, 19:29


    Imediatamente após adentrar o belíssimo ambiente, cujas paredes guardavam registros históricos e artísticos de valores inimagináveis, teus olhos encontravam a imponente figura de Letizia. No entanto, a Matriarca se apresentava de uma maneira muito diferente a qual você se lembrava dela, a ausência do longo vestido negro era a mais impactante e imediata diferença. Mas logo quando ela começava a falar, você percebia uma aparência muito mais moderna na figura da anciã, corte de cabelo e vestuário se destacavam.

    -Lorenzo, agradeço toda a honraria direcionada a mim. Mas peço para que se levante e se aproxime, não estamos em uma reunião formal, tão pouco o requisitei para julga-lo ou interroga-lo, é chegada a hora de conversarmos diretamente sobre muitas coisas... Não posso deixa-lo a léu como fiz com Matteo... pobre criança e que Deus o tenha. É possível mantermos então uma conversa franca e sem grandes floreios querido?

    Indagava a mulher de maneira simples e direta, exibindo um largo e carismático sorriso na face após a frase enquanto aguardava tua resposta.
    Letizia:
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 23/2/2017, 00:48

    Legenda:
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    * = Variação de cores por personagem.


    Ao abrir as portas da sala que adentrava, meus olhos dividiam a atenção entre as belas imagens ornamentadas em todas as paredes, e teto, e entre minha senhora, Letizia, que tinha uma beleza tão incrível como as belas pinturas que a rodeavam. Aquele cômodo era incrivelmente belo e de todas as vezes que tivera entrado no mesmo a reação de inspiração e gratidão, por ter o privilegio de vê-lo todos os dias, me davam animo para enfrentar as dificuldades da nova vida. Meus passos em direção a matriarca eram ligeiros e, mesmo tendo observado que a mesma estava vestida de maneira mais despojada, ainda prosseguia com a reverência formal, até que me fosse ordenado a me levantar, como havia sido.

    Mesmo tendo em falta o estonteante vestido que geralmente trajava, aquelas roupas mais “simples” e modernas realçavam ainda mais outras características da mulher. Entretanto, não foi suas roupas ou sua beleza natural que me chamavam a atenção e sim o que a mesma fala a minha pessoa e rapidamente a preocupação e tensão que estavam estampadas em minha face mudavam para alegria expressado por um sorriso de canto de rosto e um breve aceno com a cabeça, informado que havia entendido como prosseguir.

    Me desculpe pelo excesso de formalidade, minha senhora, mas fiquei impressionado com o que aconteceu a poucos momentos em meu quarto. - Fazia um breve pausa e inspirava um pouco de ar, um costume que mantive por conta do pouco tempo de vida após a morte e pelo constante contato com os mortais, e, em seguida, um pequeno tom de tristeza quebrava um pouco o sorriso em meu rosto, mas não o desfazendo completamente. - Entretanto, fico muito feliz em saber de suas preocupações com minha pessoa, porém, acredito fielmente que nosso senhor, Jesus Cristo, esta protegendo-o. - Minhas palavras se encerravam levando minha mão direita de encontro com meu coração. - Enfim, sem mais rodeios, como disse, do que gostaria de conversar, minha senhora? - E ao fim levava minha mão direita, que estava sobre meu peito, em direção a mulher a minha frente, com a palma para cima, em um sinal convidativo para continuar a conversa, acompanhado de um sorriso sincero.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 28/2/2017, 02:25

    A anciã mantinha em sua face um sorriso simpático e pequeno que só afetava seus lábios e quase não tocava suas maças do rosto, sem olhar diretamente para a tua mão ela aceitava o convite e depositava a mão sobre a tua. O toque gélido e mórbido da pele alva da matriarca o surpreendia bastante, todavia, essa surpresa seria pequena demais se comprada ao que a bela anciã estava a guardar nas palavras. E apenas quando vocês já estavam a caminhar lado a lado pelo belíssimo hall, ela retomava a fala:

    -Talvez as sombras tenham exagerado levemente no que eu as pedi para fazer, o abismo é uma força complexa e eternamente traiçoeira... Mas eu o vejo inteiro e tua fé me faz lembrar de minha querida irmã mais velha. Já ouviu sobre ela certo? Agata. Ela era inabalável, mesmo diante a face cruel do abismo... E por mais inesperado que isso possa soar aos teus jovens ouvidos,é exatamente sobre ela que eu gostaria de falar, por é chegada a hora da retribuição...

    A voz dela era suave mas permeada por uma determinação impar, era notória a admiração que ela sentia ao mencionar o nome de Agata, assim como a vontade verdadeira em torno da palavra "retribuição".
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 28/2/2017, 18:51

    Havia me encontrado e conversado com Letizia algumas poucas vezes na minha vida e todas elas foram depois de morto, por motivos óbvios, mas, dentre as poucas vezes que isso aconteceu, essa foi uma das raras ocasiões que pude ver seu sorriso, ou então eu era muito ruim em reparar nesse tipo de coisa. Assim que o sorriso se formava em seu rosto, sua mão repousava sobre a minha e me revelava que seu toque era muito mais frio e mórbido do que eu pudera imaginar, entretanto, aquilo podia ser um sinal de Deus para demonstrar o quão aquela mulher deveria ser especial.

    Assim que ela respondia a meu cortejo, começávamos a andar pelo ambiente e suas palavras definitivamente me pegavam de surpresa, não só pelo elogio feito a minha pessoa, em comparação a poderosa senhora Agata, mas, também, pela parte que a mulher falava de retribuição. Naquele momento minha cabeça começava a raciocinar um pouco e ligar os pontos do que tinha acontecido para entender o que ela queria dizer com aquilo. “Não me diga que… você está pensando em… Por um momento meu sorriso desaparecia e meus olhos vacilavam enquanto imaginava se realmente era aquilo que eu tinha pensado, mas eu talvez estivesse só me precipitando e tomando uma conclusão prematura. Assim, rapidamente redirecionava meus olhos diretamente aos de minha senhora, para confirmar meus pensamentos e sentia a determinação em seu olhar e palavras.

    Era difícil para mim reagir rapidamente naquela situação, tendo em vista que eu jamais havia pensado que tal coisa fosse realmente acontecer agora e, por mais que eu sentisse a dor de minha família, minha maior preocupação era com minha amada Danielle e como aquele acontecimento poderia afetar sua vida diretamente. - Entendo, minha senhora… - Falava retirando minha mão de baixo da sua e me virando para sua direção, ficando de frente a mesma, como se estivesse atento e preparado para que iria ser dito, apesar de definitivamente não me sentir preparado para tal. - Então… como eu posso ser útil nessa hora tão importante?
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 4/3/2017, 13:08

    Letizia calmamente analisava as suas movimentações e no exato momento em que você se colocava a frente dela, a anciã sorria exibindo um pequeno orgulho. Levando a mão esquerda ao seu queixo e segurando o mesmo com uma força intensa o suficiente para trazer você um passo à mais para frente, mas com a suavidade exata para não causar nenhum ferimento se você realizasse a movimentação que ela exigia.

    -Nós temos uma clara vingança à ser alcançada. Os rumores dos novos tempos de guerra ecoam cada vezes mais fortes e quando a maré de sangue inundar essa região, nós temos o dever que navegar sobre ela, afinal quem mais poderia fazê-lo se não os filhos de Poseidon?!

    Soltando o seu queixo e colocando as duas mãos na cintura a mulher assumia uma expressão assustadora, o sorriso dela agora era maquiavélico e cruel.

    -Existem informações percorrendo a cidade, existe alguém dentro do clã Giovanni que se opõe a figura do Patriarca. Eu preciso que você encontre exatamente quem é essa pessoa, mas que faça isso através dos mortais, sem chamar a atenção dos Cainitas. O sigilo é essencial...
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 5/3/2017, 20:43

    O sorriso que estampava meu rosto no começo de nossa conversa, havia sido trocado por uma cara fechada, focada, e convicta do que estava para acontecer e naquela altura do campeonato eu sabia que teria de dar meu máximo para proteger as duas coisas que mais amava em minha vida, minha mulher e minha família. De fato eu não era uma pessoa agressiva e que preferia resolver as coisas calmamente, porém, eu sabia do estado crítico em que nossa família estava para com as relações com alguns clãs. Ao que me parecia, Letizia estava gostando da maneira que estava me portando em nossa conversa e depositando muita esperança em mim, apesar de que eu era o membro mais recente da família. Sua mão segurava meu queixo e suavemente ela impunha sua força puxando-me para perto de si.

    Suas palavras eram fortes e demonstrava o quão determinada ela estava em relação ao que acabava de dizer. Seus dedos deslizavam para se soltar do meu queixo e uma expressão maligna surgia em seu rosto, causando-me certo temor naquilo tudo. “Maré de sangue inundar essa região…” era disso que eu tinha eu mais tinha medo, que uma onda mortal assolasse nossa família e aqueles próximos a nós, porém, no meu caso, aquilo me cheirava extremamente mal, visto que minha prioridade era proteger minha amada de toda essa maré alta que estava chegando. Apesar de todo do medo e receio que sentia com aquilo, eu ainda era um Francesco e, querendo ou não, toda aquela situação me tocava, tocava meu coração cristão, que pedia por uma punição adequada a aqueles hereges que ousaram mexer com minha família.

    Seu sorriso cruel era apenas o aviso de que as coisas realmente esquentariam a partir do momento que eu saísse do Palazzo. “Um informante entre os pervertidos… Então essa é minha missão, achar a brecha entre os inimigos e assim poderemos destruí-los por uma fonte de dentro deles.” A princípio parecia uma coisa até que simples, porém, eu tinha certeza que achar essa pessoa ia ser algo bem complicado para minha pessoa, já que não usufruía de muitos contatos e que teria de compensar essa falta de recursos com muita dedicação ao trabalho. - Muito bem, minha senhora. Irei me esforçar para achar esse indivíduo o mais rápido que puder para que a punição divina caia sobre aqueles pecadores pervertidos. - Fazia uma breve pausa, levando a mão a boca, olhando levemente para o lado, mostrando que estava pensando um pouco. - Bem, começarei a trabalhar nisso imediatamente, mas se me permite perguntar, de onde exatamente conseguimos essa informação? Talvez se eu conseguir mais coisa de onde essa veio pode ser um caminho… - Apesar de querer mais informações de onde essa veio, eu também precisaria confirmar se ela era verdadeira, e não apenas um boato armadilha para nós, os Francescos, afinal, a tensão entre as famílias já está a ponto de eclodir a qualquer momento.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 7/3/2017, 03:11

    A antiga anciã e matriarca da sua família ouvia a sua resposta e permitia uma mudança drástica de expressões na própria face, a o ar mais macabro e sanguinário se esvanecia em segundos e dava espaço para um sorriso mais alegre e descontraído, ela concordava ainda em silêncio durante a sua fala, balançando a cabeça positivamente como se concordasse com as suas opiniões e colocando as mãos nos bolsos da calça, a mulher voltava a falar.

    -Eu sou intensa em demasia, não queria assustá-lo ou intimidá-lo, meu querido e jovem Lorenzo... Mas você está pensando certo e isso me deixa aliviada, bom nós temos um nome e ele é um vassalo. E por isso eu o escolhi para isso, o nosso possível informante é um mortal. Uma cortesã que serve a nossa família identificou um viúvo boêmio, Paulo Giovanni que não tem laços diretos com os Giovanni da região, logo, existe algo diferente acontecendo... Esse é o nome que você terá que encontrar. Se desejar posso colocá-lo em contato com essa mulher, mais saiba que já reprovo de antemão qualquer luxúria que possa ser acometida entre vocês dois. Certo rapaz?! 
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 8/3/2017, 00:24

    Após falar, ficava perdido em meus pensamentos, coçando minha barba com o indicador direito e quase que deixava de perceber o retorno do sorriso ao rosto de Letizia. Se em um momento a maldade estava estampada em sua face, em outro um largo sorriso tomava o lugar, dando-lhe um ar mais receptivo, menos intenso como ela mesma fala, e, além disso, aquilo me deixava feliz, até por que significava que eu estava no caminho certo e suas palavras vieram para deixar aquilo bem claro. Receber a aprovação da matriarca e figura mais poderosa da família era realmente algo grandioso para um pequeno neófito e deixar escapar um sorriso era normal, ainda mais quando ela fazia piada de maneira tão descontraída.


    Antes de falar, eu soltava uma risada pequena, como se estivesse rindo da piada dela, mas, na verdade, rindo por que eu tinha certeza que seria impossível eu amar outra pessoa além de Danielle. – Em relação a isso não precisa se preocupar, não cairei na tentação e me focarei apenas em minha missão, além disso, também não me senti intimidado pela sua intensidade, mas, na verdade, fiquei muito admirado e inspirado pela força que tem. - Novamente fazia uma pausa, completando a frase com um sorriso de agradecimento pela confiança depositada em mim e em seguida retornava a falar. - Bem, então… como eu posso entrar em contato com essa cortesã e como ela se chama? - Assim esperava a resposta enquanto levava minha mão direita em direção a testa, fincando os dedos em meu cabelo e jogando os cabelos soltos, que começavam a atrapalhar a visão, para trás.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 9/3/2017, 20:55

    -Donatella Brogna... É esse o nome dela e bem, como você irá entrar em contato é uma pergunta que eu não possui exatamente a resposta, todavia meu vassalo mais jovem a possui, por isso será melhor que você vá ao encontro dele. Certamente ele poderá lhe dar as informações sobre o paradeiro dessa mulher de importância fundamental para nossos próximos passos. Existe ainda alguma dúvida querido?

    A matriarca possuí apenas dois vassalos, o tradicional Ciro que é serviçal de todas as matriarcas dês da fundação da Família e o mais jovem e ardiloso Umberto. Considerando os seus conhecimentos sobre a história dos vassalos de sua família, ela estava se referindo a Umberto que morava nos arredores da mansão principal. Ao termino da frase, Letízia se encontrava com os braços cruzados e uma face séria e fechada, o que dava um peso ainda maior a sua "missão".
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 10/3/2017, 12:10

    Meu primeiro passo dentro da família estava finalmente sendo dado. Com um pedido vindo diretamente da matriarca, aquela poderia ser uma simples missão, mas que seria de extrema importância para a formação do tsunami que passaria pelos hereges que ousaram manchar o nome dos Francescos e de Deus. Donatella Brogna e Paulo Giovanni eram os dois primeiros nomes da minha lista de afazeres para com minha nova missão pela família e a postura seria e imponente da matriarca era o ponto final daquela conversa. - Não, minha senhora. Voltarei com boas notícias! - Falava confiante, com um sorriso sagaz no rosto, e logo em seguida fazia uma reverência simples e esperava a confirmação da mesma para sair daquele enorme salão.

    A passos largos eu me dirigia para fora do hall e assim que fechava a porta, atrás de mim, fazia uma pequena pausa, ainda segurando as portas com as mãos para que não abrissem, e, com os olhos fechados, começava uma pequena prece para me ajudar em meu caminho. “Senhor, hoje quero colocar diante de Ti as minhas sincelas preces. Não são muitas, são poucas, mas apresento-as de todo coração, com a leveza da minha alma, com a paz do meu espírito, com os meus sinceros pensamentos… Senhor, guie-me diante desse desafio e proteja a mim e aqueles que amo, minha família, meus amigos e meu grande amor. Amem!” Aquela pequena oração era um simples gesto de encorajamento para mim mesmo, que preenchia-me com toda a fé que tinha e que me impulsionava para frente das provações que me eram apresentadas nesse mundo.

    Ao final da súplica fazia o símbolo da cruz. Abrindo os olhos, eles checavam o meu arredor enquanto pensava por onde começaria minha noite. Ainda indeciso, dava alguns passos até a janela mais próxima e olhava para os céus procurando pela lua, admirando-a e, em seguida, olhando para a rua, do lado de fora do prédio, para ver como estava o movimento. Após alguns poucos minutos observando o movimento do lado de fora, olhava para o relógio a fim de saber a hora e rapidamente dirigia-me até a casa de minha amada, Danielle. Sabia que com a nova missão estaria ainda mais ocupado, entretanto minha prioridade sempre foi e será o amor de minha vida e morte. Sendo assim, não desperdiçaria mais tempo ali e rapidamente saia do Palazzo de Priori e começaria minha caminhada até a casa de minha amante. Durante o caminho, fazia questão de me fazer percebido o menos possível, evitando andar entre muitas pessoas, mesmo que aquilo me custasse mais tempo, observando as coisas ao meu redor para procurar por bisbilhoteiros e andando próximo as sombras. Infelizmente eu não dispunha das habilidades abissais que meus familiares possuíam, mas aquilo não era um problema em si.

    Assim que chegasse a casa de Danielle, me colocaria em frente a porta, olharia sobre os ombros a procura de curiosos novamente e assim bateira na porta de maneira costumeira. Era uma pena pra mim ter que esconder nosso amor daquela maneira, porém, era um segredo que servia para protegê-la. Assim que a porta se abrisse iria rapidamente abraçá-la, antes mesmo de dizer alguma coisa a mesma, pois com a notícia de uma guerra, meu coração havia sofrido só de pensar que algo poderia acontecer a ela.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 13/3/2017, 19:53

    A porta demorou um pouco mais do que o habitual para abrir e você se sentia, a cada segundo de espera, mais afoito. Uma sensação estranha lhe corria a mente, qualquer uma daquelas pessoas que passavam pela rua poderiam ser um inimigo em potencial, alguém a espreita a te observar, uma ameaça direta a teu maior tesouro. O som da maçaneta então atraiu seus olhos para a porta, o objeto girava levemente para enfim abrir e a imagem de sua amada se revelar, ela sorria de maneira feliz ao vê-lo e abria a boca para dizer algo, mas era tomada pelo seu abraço sem entender muito bem.

    -Lo-lorenzo? Tudo bem meu amor?!

    Perguntava a jovem de maneira surpresa, já dentro do seu abraço e tentando soltar-se para olhar diretamente nos seus olhos para ouvir a sua resposta.



    Off: Faça um teste de Percepção + Prontidão. Dificuldade 7.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 14/3/2017, 16:31

    Pulando de sombra em sobra e me esgueirando pelas trevas até a casa de minha amada, uma camada de desconfiança e medo se colocava sobre minha cabeça, como um capuz, e me fazia manter uma feição fechada e obscura, inconscientemente. Muitas perguntas estava ofuscando minha mente e, sobre tudo, a questão que mais me intrigava era como eu protegeria meu grande amor do que viria nos próximos tempos. Por mais que a caminhada tivesse demorado mais que o usual, e eu já estivesse atrasado, quando meus olhos encontravam a porta da casa dela, meu corpo travava por alguns segundos e minha mão direita agarrava a camisa que cobria meu coração morto e assim me recolocava a andar em direção a porta.

    Uma, duas, três batidas lentas e separadas por meio segundo. Era como sempre anunciava minha chegada para Danielle, mas dessa vez o que era estanho não era minha batida, mas sim a demora dela para atender a porta, o que só aumentava o sofrimento de meu amor para vê-la, depois de descobrir tudo aquilo. A cada segundo esperando eu ficava ainda mais inquieto e olhando para os lados procurando por suspeitos para culpar o atraso dela e, então, quando a porta abria, meu corpo se mexia completamente por impulso e a abraçava imediatamente. Meus braço direito a segurava por cima de seu ombro e o esquerdo por baixo de seu braço. Meus olhos estavam fechados e eu usava aquele tempo para me livrar de toda a energia negativa que vinha me pressionando desde que saia do Palazzo. Assim, após uma longa respiração, totalmente desnecessária, eu a soltava e rapidamente colocava um sorriso bobo em meu rosto.

    Minhas mãos saiam de suas costas e iam diretamente para suas bochechas, tocando-as suavemente e ao mesmo tempo segurando seu rosto para que eu olhasse por mais algum tempo para ele e, depois de todo esse tempo, meu cérebro finalmente processava o que ela havia falado. - Não, não está não. - Falava, mas o sorriso somente ia crescendo cada vez mais. - Mas quando vejo seu rosto, sinto seu cheiro e ouço sua voz, todas as preocupações desaparecem e o amor toma conta de meu corpo, meu amor. - E finalizava aproximando meu rosto do dela, encaminhando-me para um beijo. Se ela correspondesse, o mesmo duraria pouco tempo, até por que não queria chamar atenção das pessoas que poderiam passar ali, mas se ela não o correspondesse, apenas a olharia um pouco surpreso, mas depois soltaria um sorriso pequeno, pois sabia que tudo aquilo parecia um pouco estranho a princípio. - Bem, vamos entrar, preciso conversar com você. - Entrava em sua casa, após ela, e fechava a porta eu mesmo, dando uma última olhada para a rua pela fresta que deixava antes de fechar a porta completamente.

    Já dentro da casa dela, olhava um pouco pela casa, vendo se as coisas estava em seu devido lugar e depois averiguava minha amada, olhando-a de cima para baixo. Depois da leve vistoria, andava em sua direção e dava-lhe mais um beijo, só que desta vez em sua testa, seguido de um abraço, só que de maneira menos agressiva e mais carinhoso. - Me desculpe se te assustei… - Falava calmamente próximo a seu ouvido. - Mas aconteceram coisas com minha complicada família que me deixaram um pouco assustado e eu precisava te ver. Como você está? - Desta vez já falava olhando diretamente em seus olhos e mostrando uma expressão acolhedora e feliz.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 15/3/2017, 00:11

    Teste de Percepção (2) + Prontidão (1). 3d10.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Dados em 15/3/2017, 00:11

    O membro 'Lugo' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 16/3/2017, 01:39

    A jovem prontamente correspondia a seu abraço e sorrindo de maneira meiga ela retribuía o breve beijo ao qual você tanto precisava naquele momento, ainda em silêncio e com uma expressão preocupada ela o seguia para dentro da casa e caminhando a sua frente ela respondia de maneira tranquila com a intenção de tranquilizá-lo.

    -Fique tranquilo, querido, está tudo bem.

    Quando a voz dela saia algo estranho parecia acontecer no interior da casa, algo estava erradíssimo e fora de seu lugar natural, havia um equívoco em toda aquela cena e a figura caótica era a sua amada, Danielle. Ela virava para olhar você diretamente e nesse instante você conseguia notar que os olhos dela estavam diferentes, opacos e distantes. Apáticos e especialmente secos. A postura dela mudava para algo muito próximo a de um simplório vassalo de um dos poderes mais terríveis dos Cainitas: a Dominação.

    -Jovem rapaz, inocente criança. Porque não está a cumprir a tua missão? Preocupe-se com o seus afazeres primeiro e deixe teus desejos e necessidades peculiares para depois. Temos pressa! Distrações como essa mortal não está em nossos planos, será necessário dizer duas vezes?
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 16/3/2017, 01:48

    Off: teste de Raciocínio (3) + Ocultismo (2), requisitado pelo narrador = 5d10
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Dados em 16/3/2017, 01:48

    O membro 'Lugo' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 5, 3, 4, 10, 4
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 16/3/2017, 18:19

    Alguns passos para dentro da casa foram o suficiente para notar uma estranha mudança na casa e, principalmente, em Danielle. Após sua primeira fala, seus olhos vivos viraram os de um peixe morto e sua expressão corporal era a mesma que eu havia visto quando estava praticando meu poder de dominação. Ao ver aquela cena meu corpo ficou totalmente imóvel devido a dor e medo de vê-la naquela situação. Eu tinha parado no meio do movimento, com o braço direito levemente erguido para frente, como se quisesse pega-la, e com os olhos tão abertos quanto o possível. Minha boca havia ressecado e nada mais passava em minha mente além das perguntas que qualquer um em meu lugar faria. “O-oquê? Mas… Co-como? Não pode ser!” E então, a pessoal que estava por trás daquilo finalmente se revelava. A voz que falava comigo definitivamente não era de minha amada e eu sabia exatamente de quem era, não era nem mesmo necessário que eu assimilasse a tonalidade que estava ouvindo com a que eu tinha ouvido até pouco tempo atrás, mas, somente pelo fato que ela seria a única que me falaria isso.

    Raiva e medo começaram a tomar minha alma devido as inúmeras perguntas que se passavam em minha mente, tais como “A quanto tempo ela a dominou?” e “Como ela soube de Danielle?”. De fato haviam muitos pontos a serem ligados, mas, por mais que aquilo fosse a maior ameaça que eu poderia receber, as palavras de minha senhora me lembravam que ir contra sua vontade significava uma punição ainda mais, uma punição que seria tão severa que poderia, inclusive, chegar até minha amada mortal. Depois de alguns breves segundos após sua fala, minha mente retomava o controle de meu corpo e, ainda com a expressão de frustrado ao extremo, eu apenas andava em direção a minha amada, colocando a palma da mão esquerda em seu rosto e dizendo. - Me perdoe. - Minhas palavras pareciam que se dirigiam a minha matriarca, mas, no fundo, eram um pedido de desculpas para minha amada. Assim eu rapidamente ia em direção a porta, abrindo-a rapidamente e deixando a residência, dando uma última olhada para ela e partindo rapidamente.

    Minha mente ainda estava muito confusa e por isso eu parava para respirar no próximo banco que encontrasse. Por mais que não precisasse respirar, aquela era uma pratica que havia me acostumado para me manter ‘mortal’ e também para me acalmar em horas como essas. “Merda!” Gritava mentalmente. “Como que isso foi acontecer!? Que droga! Minha pobre Danielle. Eu nunca quis envolvê-la nisso…” Pensava dando um tapa em meu próprio rosto. “Merda, mas agora eu não posso ficar aqui lamentando e ficar aqui demorando mais é um erro.” Nessa hora eu olhava ao redor, para os mortais próximos e pensava quais deles poderiam ser os próximos ‘olhos’ de Letizia.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 17/3/2017, 01:03

    Local: Volterra, Via dei Priori, N26.
    Data: 15 de Abril de 2016: Ato I

    Casa de Umberto:

    Não era necessário caminhar tanto até chegar a casa de Umberto, a morada do vassalo de Letizia era em um apartamento longo e estreito em um estilo famoso na região. Para ter acesso a esse apartamento bastava parar em frente as portas de madeira, bater e aguardar. Era localizado em uma esquina comercial e ao lado havia um macabro beco ao qual sua mente sequer ousava olhar diretamente.
    Após breve espera a porta de madeira se abria e os cabelos loiros de Umberto se faziam presentes, ele era um jovem de porte saudável e um ar naturalmente sedutor, os rumores diziam que o rapaz era um verdadeiro galante irremediável e ganancioso como poucos vassalos eram capazes de ser.

    -Saudações, em que posso ajudá-lo meu caro? Você parece ter visto um fantasma! Deseja entrar para conversarmos melhor?
    Umberto di Francesco:
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 17/3/2017, 02:26

    Aquela havia sido a primeira vez que havia sentido o medo literalmente tocar em minha alma e me trazer o sentimento mais doloroso de todos. Minha cabeça ainda não conseguia processar muito bem as informações ao meu redor e parecia que uma nuvem negra cercava minha cabeça de questionamentos e insegurança, ainda mais por que foi alguém de minha própria família que havia implantado aquela sensação, entretanto, a maior parte do sofrimento vinha da culpa, pois no fundo eu sabia que tudo era culpa minha.

    Após alguns poucos minutos, sentado naquele banco e reorganizando as ideias na cabeça, finalmente conseguia me levantar e seguir meu rumo, porém, ainda visivelmente abalado o caminho até a casa do parecia uma estrada de pregos. Minhas pernas se moviam um pouco mais lentamente, mas, fazia daquele tempo, uma maneira limpar minha mente e me focar na minha tarefa. “Tenho que fazer esta missão perfeitamente. Assim, talvez, consiga me dedicar a cuidar de Dani e tirá-la do controle de Letizia. Sim, preciso me concentrar!”

    Não demorava muito para chegar até a residência do vassalo. O local era bem comum, para alguém que era precedido por uma reputação atípica para tal. Olhava mais um pouco, averiguando o local, e rapidamente notava um beco suspeito, que eu simplesmente tentava ignorar sua existência. Sem delongas eu batia à porta do apartamento e esperava. Durante a espera eu tentava me livrar um pouco mais da aparência sombria que me perseguia, porém, ainda assim minha aflição foi notada pelo mortal. Pelo que o jovem falava a minha pessoa, ele obviamente não se lembrava de mim, afinal, foram poucas as vezes que tivemos a oportunidade de conversar como estaríamos fazendo. Após ouvir suas palavras, eu acabava me descontraindo um pouco e me fazendo abrir um pequeno sorriso de canto de boca enquanto o olhava de cabeça erguida e fazia um pequeno aceno positivo com a cabeça. - Um fantasma? Quem me dera ter sido apenas um fantasma. Hahaha! – Falava soltando uma risada um pouco forçada. - Bem, acho que seja melhor conversamos em um canto mais reservado, primo. - A última palavra saia em uma tonalidade um pouco diferente enquanto eu esperava que o mesmo abrisse a passagem para nos dirigirmos para o interior dos aposentos.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 18/3/2017, 14:57

    Apartamento de Umberto:

    O homem fazia um sinal para você o seguir e em breves instantes após subir uma escada simples de madeira vocês estavam em frente a porta do único apartamento daquele prédio comercial, o vassalo de Letízia então abria a porta e deixava com que você entrasse primeiro. Logo em seguida ele entrava e fechava a porta e caminhava até o centro da sala falando contigo sem se importar com nenhuma etiqueta ou qualquer coisa similar.

    -Imagino que você tenha vindo aqui para maiores informações sobre o caso Donatella, correto? Vamos lá, ela é uma puta de luxo, entende esse conceito? É realmente bem caro dar umazinha com ela e digamos que ela é bem gostosa pra uma profissional do sexo. Enfim, o senhor Paulo Giovanni a contratou algumas vezes e acabou por falar demais, seria importantíssimo que você a fizesse esquecer e ouvisse atentamente o que ela tem a dizer.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Lugo em 19/3/2017, 21:39

    Após um pequeno sinal de Umberto eu o seguia para o interior do prédio. Subíamos uma escada que levava diretamente ao seu apartamento, que era o único da construção e, assim que entrávamos no apartamento, era possível perceber que ser o vassalo de Letizia tinha lá suas vantagens. “Parece que ele tem uma boa vida para alimentar suas luxurias...” O local era bem espaçoso e decorado e muito diferente do que ele se apresentava ser por fora, porém, que finalmente cabia a reputação que ele recebia. Dava alguns passos para dentro, observando ao redor, como se estivesse apreciando o local e, assim que o rapaz passava por mim indo ao centro da sala, eu me dirigia ao sofá, para me sentar. Não era preciso eu dizer uma única palavra para que ele começasse a falar do que se tratava e logo era possível notar que o mesmo também não tinha papas na língua.

    Usando de palavras grosseiras ele me descrevia como a moça havia conseguido a informação do inimigo, porém não me falava tudo que eu precisava ouvir e, no final de sua frase, até me recomendava fazer coisas para com relação a jovem informante, a fim de manter o sigilo daquela informação, que de fato era algo bem obvio. Com o pouco tempo que estava ouvindo-o falar, eu já me sentia um pouco incomodado com sua maneira de se comunicar, mas, não era nada que me deixasse irritado ou algo do tipo. Após o término de sua fala, passava a mão em minha barba e pensava um pouco. - Entendo… Mas antes de entrarmos em detalhes sobre o que ela te falou ou algo do tipo, quero que me conte… qual o vínculo dela com nossa família? - Perguntava, com uma mão no queixo enquanto a outra mão ficava no sofá batendo os dedos no mesmo. - Letizia falou que ela servia a nossa família, correto? – Assim complementava a pergunta e esperava pela reposta do jovem.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato I - Via Crucis

    Mensagem por Danto em 20/3/2017, 20:32

    -Correto.

    Responde Umberto de imediado, o rapaz observa a sua ação de sentar-se e com calma, ele se preparava para retomar a fala logo em seguida, sem lhe dar muito espaço para falar qualquer coisa. Era bem clara a sensação imediatista e desbocada do jovem vassalo da Matriarca.

    -O vínculo da nossa Família com essa mulher é profissional. Nós controlamos algumas casas de prostituição pela região e isso já ocorre a bastante tempo na realidade, eu apenas renovei esse ramo trazendo novas possibilidades e o uso de tecnologias de rastreamento, acompanhamento e outras modernidades interessantes. De certa forma, ela trabalha pra mim e eu trabalho para a família. Logo, ela não tem a menor noção sobre qualquer coisa sobrenatural, apesar de que permitir o envolvimento dela por muito tempo com um Giovanni possa ser arriscado em demasia, visto que a família Gioavanni é obviamente perturbada e maluca. A sorte é que esse tal Paulo é um mortal.

      Data/hora atual: 22/10/2017, 17:17