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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

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    King Jogador

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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Seg Mar 20, 2017 11:11 pm

    "Andreas tem razão. Isto faz parte da natureza do homem mesmo. Meus pequenos também são assim. Não posso culpá-los por terem esses desejos, é deveras natural. Só posso culpá-los pela forma como eles age. Mas o que me me intriga é meu querido lacaio pensar assim. Quais são os desejos deles?" Fico perdida por um instante naquele pensamento, olhando para o homem na minha frente de uma forma diferente. Analisando suas características não mentais. Só que meu pensamento morre um segundo depois quando o telefone me é oferecido. Pois agora estava na hora de agir.

    Do outro lado da linha escuto a típica voz de Flávio Rossellini. "Pois não Minha Senhora?" Assim, com muita educação e calma para que ele entendesse tudo que eu estava a dizer começo meu longo monólogo. Mas sempre dando pausas para ele responder ou refletir.

    - Boa noite querido Flávio. Espero não estar lhe incomodando com os negócios. *Pausa para alguma resposta dele.* Pois muito bem, é exatamente de negócios que preciso discutir. Pois chegou a hora de agirmos com força dentro da Toscana. Sempre lhe disse que esse dia iria chegar. Agora infelizmente chegou. Preste muita atenção. *Uma pequena pausa.* Os vinhedos de Monteriggioni. Eles fazem as melhores uvas do interior da Toscana e é nossa hora de por nossas mãos nelas. Sei que vai me dizer que é uma atitude arriscada. Mas precisa ser feita. Quero que compre todos os fornecedores de uvas dos vinhedos deles. Gabbricce, Rencine, Canale, Campo di Fiori, Vivaia e todas as outras menores. Mas não só os fornecedores, como também os distribuidores. Sei que eles vendem seus produtos em San Gimignano e Sienna. Pois preciso que vós compre todos eles. Sei que sairá caro e por isso lhe dou permissão para abrir minha poupança na Suíça para situações de emergenciais. Seu nome está na lista de clientes que podem fazer retiradas de grandes fortunas. Retire o necessário e compre a fidelidade de todos.* Pequena pausa.* Sei bem o que pensas. Nem todos irão cooperar. Por isso necessito de sua perspicácia para notar quais são os relutantes e oferecer para os mesmos uma grande reunião oferecendo propostas muito mais generosas. Faça essa reunião com esses receosos em San Gimignano em algum centro de convenção dos maiores hotéis. Eu irei me certificar de estar presente. *Pequena pausa* Preciso que vós faça essas transações na maior velocidade que lhe for permitida. Não deixando os donos de Monteriggioni prepararem uma estratégia oposta. Almejo a sua total e absoluta eficiência. Posso contar com você meu querido?

    "Não sou uma guerreira. Não destruirei em chamas as terras de Benito como as famílias locais fizeram séculos atrás. Não tenho o poder de fogo para tal. Mas eu vivi entre aquelas uvas e sei como posso destruí-las sem usar sequer uma vela sob os vinhedos. Secarei os cofres dos Giovannis e os obrigarei a agir ou perecerem na miséria. Pois saibam meus queridos, não ficarei parada esperando que me matem. Irei feri-los enquanto isso."
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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Qua Mar 22, 2017 4:10 pm

    Andrea seguia com os próprios trabalhos enquanto você realizava a ligação, ele mantinha a cortesia de não atentar-se totalmente a sua fala, apenas ao necessário pra que caso você tivesse algum questionamento ele estivesse apto a responder. Analisando-o você primeiro notava que ele estava a revisar as últimas compras realizadas para nutrir a cozinha da sua propriedade. De corpo saudável e robusto, Andrea tinha costeletas mais espessas e longas, barba sempre muito bem feita e uma postura que exibia uma notória virilidade necessária para lidar com as conturbadas figuras masculinas dos seus netos. Ele era um homem feito e isso era fácil de se notar.

    -Sim minha Senhora, darei inicio aos meus movimentos e tenha a certeza de que essa reunião com os donos dos vinhedos irá ocorrer inevitavelmente. Acredito que muitos deles estejam sob influência direta de nossos rivais e contornar esse obstáculo é possível se bem feito, todavia, o dinheiro não é afetado pelos poderes sobrenaturais e sim por influência direta, entrarei em contato com alguns bancários e tudo será feito de maneira brutal e rápida. Existe algo a mais minha Senhora?

    Dizia Flávio do outro lado da linha.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Qui Mar 23, 2017 2:34 pm

    - Tens razão. Pouco dos provedores irão aceitar dinheiro graças à influência de seus patrões. Proponha para eles uma reunião discreta sobre outro tema. Como venda de semente novas, fertilizante, faça tudo parecer real e gaste o que for necessário para dar um clima autêntico para essa reunião ocorrer. Quanto aos distribuidores, esses são poucos prováveis de estarem presos ao laço e podem ser facilmente comprados. Logo espero de ti o resultado excelente que vós sempre me deu. Sou e sempre serei eternamente agradecida à sua capacidade de gestão. Faça com sabedoria e potência. Boa noite querido Flávio.

    Desligo o telefone confiante no meu empregado. "Sei que ele fará o que for necessário e caberá a mim terminar o serviço. Acabei de declarar a guerra e tenho de ficar com os pés firmes para não despencar agora. Este momento uma hora tinha de chegar e agora finalmente chegou." Então fico observando mais um pouco Andrea em silêncio enquanto colocava o telefone em seu devido lugar. Esticava minha coluna de novo como faço de tempos em tempos. "Andrea é um homem... Nunca olhei ele assim... Mas é interessante observá-lo de tal forma. Mas será que ele consegue me ver como uma mulher? Talvez eu nunca venhe a ter a resposta para isso."

    - Todos os primeiros preparativos feitos meu querido Andrea. Agora temos de por as mão na massa para que meus desejos ganhem frutos. Vejo que haverá muito a se fazer esta noite. Fico feliz com seu comprometimento e acima de tudo, feliz com o que fizestes por mim hoje mais cedo. E saiba... Sempre que quiser pode entrar em meu quarto. *Um pequeno sorriso quase inexpressivo.*
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Sex Mar 24, 2017 10:13 pm

    -Digo-lhe, minha Senhora, que o seu desejo não só será alcançado como será ultrapassado. É chegada a hora e eu compreendo exatamente a necessidade de que nada além do melhor seja feito. Tenha uma boa noite Senhora.

    Respondia Flávio terminando a ligação. Andrea continuava seus afazeres até que o mesmo notava que você direcionava sua fala à ele, com um sorriso simpático na face, o homem ouvia com bastante atenção tudo que você dizia e se levantava. Para dar a volta pelo contorno da mesa que os separava e parando a sua frente, mudando a expressão para algo um pouco mais preocupado e sério.

    -Bom, a única problemática que eu vejo para nossos planos de reunião aqui em sua propriedade, Senhora, são seus netos. Eles estão silenciosos em demasia e eu acabei de ver uma movimentação monetária feita por eles, os dois pretendem comprar alguma coisa de valor considerável... E eu agradeço sinceramente pelos reconhecimentos e pela autorização que me concedes. Estarei lá sempre que minha presença for necessária ou desejada.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Sab Mar 25, 2017 3:20 pm

    Desligava o telefone calmamente com um profundo e autêntico sorriso de pura adrenalina no rosto. "Estava feito, não há volta." Me sentia muito bem por minhas decisões e esperançosa com o que me aguardava. "Sempre gostei de riscos." Todavia Andrea começou a falar novamente com sua típica calma e quando ouvi a palavra "Problemática" começou a cair minha ficha, lentamente, mas fui sentindo a falha em meu plano. Até que infelizmente ouvi a desgraçada da palavra "netos". Estiquei forte minha coluna e me joguei contra cadeira de frente para a mesa de meu lacaio. Coloquei os cotovelos sobre ela e minhas mãos cobrindo o rosto. Realizando uma expressão de preocupação e reflexão profunda e agoniada. Fiquei apenas escutando em profunda irritação e receio a informação sobre a compra e pouco consegui absorver a resposta de Andrea sobre meu convite. Infelizmente a conversa agora mudara de rumo. Não havia mais espaço para aquele pequeno jogo que eu acabara de criar. Tinha de tocar no assunto que eu menos gostava de falar.

    - Droga... Meus pequeninos... Sabe o que os meninos compraram? Tem como ver no extrato? Em todo o caso vós tens razão. Os rapazes não podem ficar em casa no meio da festa. Preciso colocar eles umas semanas fora. Acha que eu conseguiria convencê-los à viajar num cruzeiro pelo Mar Egeu por um mês?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Seg Mar 27, 2017 7:33 pm

    Adrea se mostrava tão incomodado com o assunto quanto você o fazia, claro que as reações dele não eram tão intensas quanto as suas, todavia o seu Vassalo se mostrava irritadíssimo com a facilidade que os dois tinham de minimizar a sua força, era algo que ele sempre deixava muito claro mas que jamais verbalizaria em nenhuma hipótese. Por tanto, ele se colocou a sentar junto contigo, mas do outro lado da mesa é claro. Para então acessar o computador e em breves instantes responder:

    -Seus netos fizeram a compra de uma coisa chamada "Horn Mob Burner", uma máquina que combustão à óleo e gás, capaz de gerar chamas constantes de mais de 750 graus célsius! E isso custou uma enorme fortuna! E é utilizado no setor industrial, que eles estão pensando em fazer com isso?! Eu devo cancelar a compra Senhora?

    O homem a olhava sem saber exatamente como proceder e tentando controlar o nervosismo que o assunto debatido agora o causava com bastante sucesso. O nome do objeto era pronunciado em inglês, com sotaque, mas fluente.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Qua Mar 29, 2017 11:17 am

    A adrenalina me consome em pura ansiedade enquanto espero as respostas que Andrea estava a buscar naquele computador. Eu não sabia o que esperar, talvez apenas um carro ou um cavalo de raça. Mas aquelas palavras estranhas em inglês me assustaram profundamente. Me deixando boquiaberta por um instante.

    - Uma máquina de combustão?! Como em mil infernos? Isso é uma arma! Alguém escuta sobre isso e posso ser acusada de suspeita á cometer vários crimes contra as leis da Camarilla. O que esses dois tinham na cabeça quando compraram isso?

    Minhas mãos ainda em minha cabeça seguram meus cabelos com força. Tremo minhas pernas enquanto falava com bastante hesitação. Meus músculos em seguida se enrijecem e uma raiva começa a crescer.

    - Droga Andrea! Droga de família! Amaldiçoado seja você Sebastian Soyer!

    Arranco as mãos de minha cabeça puxando alguns ramos de cabelo e com os punhos fechados soco a mesa sem considerar a força. Amaldiçoou meu genro olhando para os céus, como se houvesse um demônio lá em cima escutando minhas preces. Mas logo olho para meu lacaio e perco imediatamente a raiva. Começo a chorar e abaixo a cabeça tentando esconder as gotas de sangue.

    - Desculpa Andrea... Eu não quis dizer isso...

    Me encolho um pouco e tremo como se estivesse com frio. Profundamente me arrependendo de ter gritado com aquele gentil homem na minha frente. Então começo a lembrar de outra pessoa gentil. A minha querida filha. Esboço um bobo sorriso em meu rosto sujo de sangue quando retorno a falar.

    - Você teria gostado de Ermínia. Ela era uma boa menina. Muito gentil sabe? Sempre foi muito educada, ela era boa de coração, entende?

    Estico profundamente minha coluna, fecho os olhos por um instante e me arrumo na cadeira. Com uma mão tento limpar as lágrimas, mesmo sabendo o estrago que espalhar sangue faz no rosto maquiado. Começo a frase seguinte com um pouco de hesitação, mas logo vou ganhando minha confiança novamente.

    - Eu... Eu não sei como conter isso... Tenho de falar com os garotos... Sobre a compra? Bom, não cancele, mas mude o endereço de entrega para algum galpão nosso seguro. Não quero essa coisa entrando aqui em casa.

    Começo o processo de me levantar. Tentando me recompor por completo. Com uma mão dando uma arrumada no cabelo bagunçado. Me espreguiço novamente na medida que termino minha última sentença com uma mão convidando Andrea para me acompanhar.

    - Preciso falar com eles. Mas antes tenho que retocar a maquiagem. Você me acompanha? Não quero ir sozinha...
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Qua Mar 29, 2017 12:23 pm

    Andrea já imediatamente notava a força com a qual essa notícia havia lhe afetado logo no começo da sua primeira fala, o homem então ensaiava uma movimentação de contornar a mesa para se aproximar, mas parava ali para olhar a situação e recuando um pouco quando você desferia o murro contra a madeira da mesa, que incapaz de resistir a sua força sobrenatural, se partia como se fosse feita de gesso fino.

    Esse havia sido o seu primeiro episódio de descontrole em frente a Andrea, esperar dele reações de medo ou susto era óbvio para o seu raciocínio, todavia, a humanidade do homem a pegava totalmente desprevenida.

    Um toque simples no seu queixo, com a ponta do indicador. Um toque quente e vivo que quebrava todo o frio que se espalhava pela sua face, agora com a maquiagem debilitada devido a presença das lágrimas de sangue que por ela corriam. Sorrindo, com uma empatia a qual você nunca esperava ver, Andrea dizia.

    -Eu irei cuidar pessoalmente para que esse objeto jamais adentre vossa residência. E muito obrigado por essas palavras referentes a vossa filha, é uma enorme honra... Todavia, não se desculpe, tu és Loretta Giovanni... a que liderará a família inteira para noites melhores.

    Ele usava a ponta do dedo para subir a sua face, como uma singela lembrança de que a tua cabeça deveria ficar sempre de pé e jamais abaixada e inferiorizada como estava agora. Em seguida, ele gentilmente tirava um lenço de tecido do bolso e tomava a liberdade de limpar o excesso das manchas de sangue, para finalmente aceitar a sua mão, segurando-a com firmeza.

    -Será uma enorme felicidade acompanhá-la minha Senhora, eu fiz uma promessa de olhar por tua segurança e interesses. Não permitirei que se sinta sozinha... Vamos até o seu quarto.

    Os toques dele e palavras eram todos realizados com um enorme respeito, nem por um único segundo havia algum tipo de falsidade ou segundas intenções naquelas ações, eram sinceras demonstrações de lealdade, companheirismo e cumplicidade.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Qua Mar 29, 2017 2:31 pm

    "Esse homem... Ele realmente é especial. Não posso ter mais descontroles perto dele. E ele está certo. Não posso ficar me lamentando. Não agora que decidi que haverá guerra. Eu sou Loretta Giovanni, a Matriarca da Toscana. Irei ser reconhecida pelo conselho de meu clã e pela Camarilla por esse título custe o que custar." Sorrio com honestidade vendo a reação dele. Me sentia bastante mais aliviada e segura em perceber o quão forte de espírito era aquele homem que eu escolhi para me levar para as alturas. Assim, segurando a mão quente dele o levo comigo até meu quarto. Sem pressa, falando com mais tranquilidade enquanto caminhávamos.

    - Sabe Andrea... Eles nem sempre foram assim... Quando jovens eles eram estudiosos... Aloísio queria ser um arquiteto, tinha um dom para tal. Alonzo não estava muito distante com seu profundo amor pela matemática, almejava ser um catedrático... Mas depois de todo o processo traumático que eles passaram, perderam a dedicação pelo estudo.

    Quando entro no quarto largo a mão dele logo na frente da porta do banheiro e então eu entro. Vou até a pia e jogo bastante água no rosto. Tirando toda aquela maquiagem suja de sangue e arrumando meu cabelo adequadamente enquanto me observava no espelho. Como havia deixado a porta do banheiro aberta e Andrea logo do outro lado dela, dentro do quarto, prossigo falando. Logo fazendo um retoque na maquiagem.

    - Eles poderiam ser tão úteis. Possuem um incrível potencial. Se esse potencial fosse redirecionado, nós de Castelpietraio teríamos tanto poder e influência quanto Monteriggioni. Claro que com a única diferença de meu Senhor estar presente lá. Mas seríamos muito mais fortes. Eu apenas não sei como colocá-los no caminho certo...

    Então me viro para o interior do banheiro, agora totalmente de costas para Andrea, apenas o observando de rabo de olho pelo reflexo do espelho. Curiosa com a próxima reação dele. Afinal, por mais que continuo falando como se nada tivesse acontecido, tiro a minha roupa. "Gotas de sangue e teias de aranha do quarto de Plínio foram o bastante para esta peça de roupa terminar seu dia no cesto de roupa sujas." Assim boto o vestido para baixo e tiro as luvas, as colocando sob a pia e finalmente tiro as meia calça e a bota. Deixando o vestido e o resto na cesta com as botas ao lado, pego uma toalha rosa e me enrolo para voltar para o quarto e escolher roupas novas. Continuava falando, agora olhando nos olhos de Andrea novamente. Mantendo o mesmo assunto.

    - Eles precisavam de um pai e um que não fosse covarde para esconder sua amargura em presentes caros. Bom... Pelo menos a vó deles tem de parar de agir de forma tão complacente ou estarei apenas sendo uma hipócrita falando mal de meu querido Soyer...

    Atravessava o quarto até o armário por de trás da cortiça divisória onde eu colocava a toalha em cima da comoda e escolhia uma nova vestimenta. Uma mais clara e com um ar de poder revestido. Para então me vestir e finalmente me posicionar na frente de meu lacaio.

    Novo Vestido:

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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Sex Mar 31, 2017 5:59 pm

    Andrea caminhou ao seu lado até o quarto em silêncio, ouvindo calmamente o que você compartilhava com ele e esboçando apenas uma expressão pensativa. Talvez ele nunca tivesse sequer pensado em como eram seus netos quando esses ainda eram jovens e idealistas, ele só os conhecia como eram hoje. Ao adentrar o quarto, seu Vassalo continuou a segui-la até a porta do banheiro, notando que você entraria e a deixaria aberta, Andrea parava ali a um único passo de distância do portal da porta e cruzando os braços, seguia a te ouvir atentamente.

    A atenção focada do homem em suas ações e principalmente fala foram ao pouco se perdendo de acordo com a sua movimentação, com o cantos dos olhos, você notava que ele primeiramente desviava os olhos em respeito a sua figura quando a sua primeira peça de roupa era removida. Com a face envergonhada, ele respirava fundo e erguia novamente a cabeça para não tirar mais os olhos de sua presença.

    O olhar de Andrea era sincero e diferente dos vários olhares que você já havia recebido na sua vida, pois ali, diante a sua nudez o homem a olhava com admiração. Como se estivesse a olhar algo fantástico, surreal e belo. Eram olhos similares aos olhos de um jovem Toredor a se perder no fascínio diante uma belíssima obra de arte. Mas ao contrário dos Toreadores, Andrea não era amaldiçoado e conseguia reagir com suavidade e maesteria, notando a sua ação de sair do banheiro, ele dava exatos três passos para o lado e abria passagem antes mesmo que você começasse a andar.

    Seguindo-a pelo quarto e parando antes da divisória, o mesmo seguia em silêncio até você se apresentar novamente, com seu novo vestido, a frente do mesmo. E lá ele estava, com um sorriso na face e pronto para lhe responder:

    -Eu tenho o dever moral de assumir a ti, Minha Senhora, que por muito tempo nutri apenas sentimentos negativos direcionados a Alonzo e Aloísio. Sequer sou capaz de imaginá-los como pessoas tão boas ou apaixonadas por estudos, matemática ou arquitetura... E entendo que eles tem um grande poder em mãos, mas lhes falta motivação e gana. Todos nós sofremos em nossas vidas, claro que cada ser reage de maneira singular aos traumas e golpes do destino... Mas não se julgue apenas como culpada, tão pouco o pai deles o é... A hora de apontar dedos já passou é necessário unir esses dedos em um punho forte para forjar o nosso amanhã. Eu posso não ser um Giovanni como vocês o são, mas eu entendo a importância da família e o quão cruel essa pode ser... Mas aprendi com Flávio algo importante, a verdadeira família não é aquela que nos é imposta pelo sangue, mas sim aquela que nós escolhemos e a que nos escolhe.

    Ele então, prontamente lhe estendia a mão. Dispondo-se a levá-la até o seu próximo destino.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Sab Abr 01, 2017 3:59 pm

    "Ele me vê como nenhum homem jamais me viu antes. Eu não sou a mais belas das mulheres, a imortalidade não esconde a verdadeira expressão do seu rosto. Sou velha por dentro e nunca pensei poder viver um dia algum sonho quente de verão como minha filha uma vez teve em Florença. Encontrar um homem que a visse como mulher, e a tratasse como a dama que ela era. Será que eu finalmente encontrei este alguém? Mas ele teria coragem de ir até o final? Quando tocar em minha pele fria? Ele me esquentaria ou eu esfriaria ele? Não! Não é hora de pensar nisso. Temos de conversar com meus netos."

    - Esta noite será longa e ainda terei tempo para descansar em minha cama... Vós está certo. Hora de manter um pulso forte com aqueles dois. Preciso conversar com eles antes dos preparativos estarem pronto. Portanto... Assim, como vós e Flávio fazem comigo algo superior que uma família tradicional, fazemos uma união, estou disposta à ouvir suas propostas sobre o que falar com os dois. Me conte no caminho.


    Compartilhava o sorriso dele enquanto me perdia em um delicioso pensamento que no final foi ficando amargurado. Mas não impedi minha face de sofrer as mesmas feições de minha mente. Assim apenas caminhei com bastante confiança até pegar na mão de meu lacaio para podermos seguir para o próximo passo da noite. Antes de sair do quarto apenas me larguei daquela mão por um instante para ir ao banheiro vestir minha bota novamente. Ia pegar a luva na pia, mas relutei e decidi deixar o tato de minha mão brincar com minha mente. Logo retornei para Andrea e segurei sua mão para seguirmos.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Seg Abr 03, 2017 4:49 pm

    Andrea aguardava pacientemente todos os seus passos, ainda parado dentro do quarto e sorrindo de maneira simpática para você enquanto você se comunicava com o mesmo. O primeiro toque na mão dele foi breve e você pouco pode sentir além da notável diferença de temperatura entre seus corpos. Todavia, quando o seu retorno finalmente ocorria, era ele que tomava a inciativa de pegar a tua mão, entrelaçando os dedos nos seus e caminhando para a saída do quarto. A mão dele não era apenas quente, era áspera como as mãos de alguém que já trabalhou em serviços braçais, haviam alguns calos mais não muitos. Os dedos grossos e fortes dele espremiam os teus e a mão dele tomava a sua por completo, envolvendo-a e esquentando enquanto vocês dois cruzavam os corredores em direção a varanda frontal, o cômodo favorito dos seus netos.

    -Flávio eu tivemos longas conversas sobre isso e discordamos em todas elas. Eu entendo meu velho amigo e primo, ele assumiu uma figura protetora para com a vossa segurança, Minha Senhora, ele é o que rege teus recursos e se dedica para que a sua vida seja segura e com o máximo de conforto. Eu tenho outra função, de fazer com que tudo aqui funcione dentro do que é previsto e requisitado... Por ser mais dinâmico e prático, eu vejo que o que falta aos rapazes é uma motivação, um desafio real. Eles são cruéis e sádicos dessa forma porque o ócio os consome, remova-os do ócio e eles irão se ver obrigados a reagir. Imponha uma meritocracia, faça o pai deles participar disso! Eles precisam de um inimigo...

    O homem parava a caminhada a alguns metros antes de sair pela porta que dava acesso a varanda, ainda segurando com firmeza a sua mão e esperando pela sua reposta, mas ao mesmo tempo, indicando silenciosamente que não iria te acompanhar até a frente dos seus netos.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Seg Abr 03, 2017 8:45 pm

    "Ele entrelaçou os dedos!" Fico arrepiada, ou o mais próximo disso quando sinto o tato. "Minha mão desaparece dentro da dele. Será que meu corpo... Loretta, foco!" Faço um sorriso meio sem saber esconder a emoção e então acompanho ele forçando para ficar em seu ritmo. Tentando me focar no agora e não no futuro. Mas era impossível de demonstrar um sorriso empático em minha face. Todavia a conversa ia ficando mais e mais profunda, tocando num ponto pouco falado e logo consegui a concentração que precisava. "Motivação... Um verdadeiro desafio... Eles querem sentir emoção. Isso, Andrea tem razão. Logo tenho que aproveitar isso. Não posso usá-los escondidos dentro de nossas muralhas. Eles tem de ser meus generais nesta guerra. Logo preciso ganhar a confiança deles. Acredito que só exista uma forma de fazer isso. Com guerra."

    Minha mente então começa a pensar nos arredores, além daquela casa, penso em todo o campo e minhas terras. Meu íntimo toma coragem, como uma chama despertando. O fogo me traz lembranças de um passado. Os La Sombras agora me trazem inspiração. "Tenho tudo que eu preciso. E Andrea sabe bem disso. Tudo que eu preciso para animar esses dois garotos à seguirem minha vontade. À me servirem como uma autoridade por mérito. Meritocracia, não posso ser só a vovó mandona. É chegada a hora." Paro ao lado de Andrea soltando a mão dele com hesitação se ele permitir e logo em seguida me prontifico a falar.

    - Vós meu querido Andrea, não poderia estar mais certo, sábio como sempre com suas palavras e conselhos. Preciso inspirar os garotos de forma que finalmente ganhe o mérito de ter a lealdade deles. Para isso farei algo fora do comum. Apenas peço de ti total confiança em minhas capacidades. Não falharei com nossa família por planos mal elaborados, muito menos falharei com minha humanidade. Por isso peço de ti duas coisas. Caso seja possível, me arranja a imagem de algum desses vassalos da família Francesco que está atrás de Paulo. E em segundo, prepare três cavalos nos estábulos. Peça para equipá-los com galões de gasolina. E terceira coisa que esqueci... Vou precisar de uma calça, se puder retornar ao meu quarto e pegar uma... Além disso, é chegada a hora. Irei falar com minhas proles.

    Era a primeira vez que não me referia aos dois como neto e esperava que Andrea notasse meu olhar de decisão. Juntei minhas duas mãos na minha frente entrelaçando os dedos e os estiquei para estalar. Estiquei também minha coluna e então cerrei meus punhos. Foquei meus olhos e abandonei qualquer hesitação. Estava na hora de ir falar com os dois.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Seg Abr 03, 2017 9:13 pm

    Andrea permanecia parado, como uma rocha fixa a sua frente, ele sentia a sua vontade de soltar as mãos e permitia que isso ocorresse, entretanto, de acordo com a vontade dele. Mesmo quando você abria sua mão, ele ainda a segurava e ia soltando-a ao pouquinhos enquanto você falava com ele, para quando você terminasse de falar, as mãos estivesses totalmente separadas.

    A expressão dele mudava drasticamente quando você usava o termo "proles", a face dele assumia uma expressão extremamente similar a quando ele havia visto as tuas costas nuas dentro do banheiro instantes atrás, os olhos de admiração e respeito, desejo e reconhecimento. Todavia, ele recebia ordens e as confirmava com um aceno positivo com a cabeça.

    -Irei realizar tudo que me pedes, Minha Senhora. E fico profundamente orgulhoso em ouvir seus elogios, todavia, saiba que eu em hipótese alguma duvido de vossa capacidade ou habilidade. Eu escolhi seguir a nova Matriarca do Clã Giovanni, isso é um fato... Por hora, digo até logo. Irei resolver tudo que há para ser resolvido. Com sua licença.


    Assim, esperando a sua autorização o vassalo abre a porta para que você passe por ela e a fechava logo em seguida. Restava a você agora cruzar a varanda do primeiro andar e tomar as escadas laterais até a varanda do segundo andar. Caminhando por ela até chegar em frente ao arco onde ficava a parte coberta.
    A Varanda Frontal:

    Assim, logo que seus olhos encontravam o interior daquele comodo, prontamente eles identificavam as figuras de Aloísio e Alonzo.
    Os gêmeos estavam sentados no local, Alonzo no sofá maior e central, usando roupas sociais e com um charuto aceso em mãos, mas sem fumar o mesmo. Ele parecia se divertir em forçar os pulmões para sentir aquele cheiro. Já Aloísio estava sentado em uma das poltronas e a percebia imediatamente. Mantendo-se sentado e de pernas cruzadas, ele abria um enorme sorriso malicioso para você e dizia.

    -Veja só irmão, nossa avó chegou! Oi vó! Que você trás para nós?


    Alonzo então abria os olhos e olhava para você, com olhos que pareciam devorá-la de imediatado, ele se levantava e colocava o charuto próximo a lareira.

    -Tens razão irmão, é ela mesma. Olá Loretta, boa noite... Entre e nos faça companhia!

    O tom de voz deles era sempre próximo ao insuportável e aquela forma de olhar para você era estranha, desrespeitosa e por muitas vezes inadequada. Alonzo era o que cometia os maiores exageros nessa postura, já Aloizio parecia apenas se divertir com esse jogo estranho que eles tanto gostavam de jogar.

    Aloísio e Alonzo:

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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Seg Abr 03, 2017 9:46 pm

    "Nada de Aloísitto e Alontitto por hoje. Chega desses jogos. Pelo menos não hoje, amanha se eu tiver falhado em conquistar as suas confianças, nós veremos." Ando a passadas curtas, dando tempo para eles notarem minha postura. Minha presença. Fazia meus olhos recordarem de meu ódio por meu senhor imposto nas lembranças que me forçava a fazer. Não era hora para desenhar nenhum sorriso. Mas não fazia uma expressão violenta, afinal não estava ali para afugentá-los ou puni-los. Apenas mostrar que aquela noite era diferente. Então soltei pela primeira vez diretamente à eles seus nomes de forma seca, entretanto educada, sem um tom reprovativo.

    - Boa noite Aloísio e Alonzo. O que eu trago, Aloísio? Trago notícias. Meu senhor, o Patriarca de Monteriggioni tentou me assassinar esta manha usando o poder do mundo dos mortos.

    Faço minha primeira pergunta retórica encarando Aloísio de perto, mas logo dou passada para a direção da sacada. Olhando para a distância enquanto soltava minhas fortes palavras. Só que não os deixo muitos segundos sem meus olhos marcantes, assim retorno para o centro da sala. Agora encarando Alonzo.

    - Me perguntas se irei me juntar a vocês, Alonzo. Mas eu que irei perguntar. Irão se juntar a mim? Preparei os cavalos. Planejo por fogo Acquaviva em retribuição ao que ousaram fazer. Sem mortes desnecessárias, mas quero por medo em nossos inimigos. Estão comigo ou preferem brincar de fazenda? Vi que compraram uma máquina nova... Mas acho que o trabalho do campo deve entediá-los demais. O que me dizem de irmos à guerra, minhas queridas proles?

    Vou aumentando a intensidade de minhas palavras na medida que vou dizendo para os dois meu plano. Mostrando minha determinação. Olho para ambos enquanto vou terminando minhas palavras. Olhava direto em seus olhos. Tentando fazer um brilho ascender neles. Inspirá-los de uma vez por todas á sair daquelas poltronas que os deixaram tão perdidos quanto são hoje. Meus punhos firmes mostrava a minha força naquele momento. Não uma força contra eles, mas que poderia se somar com a deles, se eles tivessem coragem.

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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Dados em Seg Abr 03, 2017 9:46 pm

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por Danto em Qua Abr 05, 2017 3:36 pm

    Assim que os homens ouviam seus nomes reais sendo pronunciados por você, seus olhos se arregalavam em surpresa. Ambos se surpreendiam com suas palavras, mas suas reações eram diferentes. Afinal, eles eram gêmeos mas possuíam suas particularidades.

    Alonzo que já estava de pé andava na sua direção, com um olhar vívido como você não via a muitos anos. Esfregando as mãos em uma reação ansiosa ele passava por você em silêncio. Era claro que ele não só havia aceitado e iria junto contigo retribuir o ataque do patriarca, como ele ansiava por aquilo, já maquinando o que faria.

    Aloísio por outro lado, saltava de imediato do sofá. O baque de ouvir o próprio nome havia sido mais forte no homem, ele então andava até você, com olhos intensos de admiração e desejo. Uma chama ascendia dentro de Aloísio, uma chama diferente a de seu irmão.

    -Isso não será perdoado e não passará em branco, seu Senhor atentou contra a sua vida e eu farei a dele um verdadeiro inferno! Ninguém ameaça a minha...

    O rapaz estava a alguns passos de distância de você e parava a própria frase, desviando os olhos da sua imagem por alguns instantes. Aloísio parecia mergulhava em um estranho silêncio que não era nada comum para o comportamento venenoso e ardiloso que sempre apresentava. E a voz de Alonzo se fez presente do lado de fora, gritando já da escadaria.

    -Vamos logo! Eu posso levar uma besta Vó? Posso né!

    A voz dele invadia os ouvidos do outro irmão e o fazia despertar de suas reflexões internas, assim Aloísio simplesmente corria em busca de Alonzo sem terminar a própria fala.
    [Off: Ultima ação para o final do ato]
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato I - Um Passo de Distância

    Mensagem por King Jogador em Qui Abr 06, 2017 10:37 am

    - Ninguém ameaça a Sua Senhora e sai impune! Lhe garanto!

    Foi minha resposta rápida e seca para as palavras de Aloísio, não podia deixar criar raízes para este nefasto complexo de Édipo. Entretanto não consigo deixar de ficar estarrecida. Afinal nunca pensei que dos dois era Aloísio que levava realmente mais a sério o jogo ridículo deles. Não por ser o mais insistente no assunto, afinal Alonzo era o especialista nisso, mas por realmente ter se deixado cair dentro daquela ideia nojenta de corpo e alma. "Talvez se mostrasse mais desafiador realmente fazer o mesmo se tornar a prole que quero que ele seja. Mas talvez eu possa usar isso em meu favor se eu puder ser sagaz com esta informação."

    - Leve a arma que quiser. Espero os dois nos estábulos!

    Respondo em voz alta para Alonzo já distante. Então faço um sorriso maquiavélico para Aloísio antes de sair da sala. Claramente para o deixar confuso com a face que fiz. "Não sou apenas eu agora que estou fora da zona de conforto. Se eu o levar também para essa zona, talvez eu possa derrubá-lo em seu próprio jogo. Já o Alonzo, tenho de ganhar sua lealdade no campo de batalha. Deixar ele usar uma besta como arma é bom. Faz ele ficar atrás de mim no ataque. Como também faz ele não sujar as mãos de sangue por suas garras. O deixa mais distante do carnal e do sanguinário. Isso pode ser um diferencial positivo para que esse meu ataque não vire um massacre. Afinal apenas almejo passar uma mensagem, não para Benito, mas para meus neto, que eu sei fazer guerra e sou uma boa líder. Para Benito minha mensagem virá de forma mais brutal em outro campo de batalha. Um que eu domino melhor que ele." Então acelero meu passo, indo direto para os estábulos. "Conto que Andrea conseguiu agir com velocidade e não terei muitos atrasos. Preciso estar na frente para conseguir fazer meu plano ocorrer com maestria. Haverá guerra afinal."

      Data/hora atual: Qua Out 18, 2017 9:55 pm