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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

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    Danto
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    Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 22/2/2017, 23:42

    16 de Março de 2002, Berlim.
    Oitava Noite


    Elizabeth ficou a sua espera de maneira paciente, já que Friederich ainda fazia uma breve pausa para olhar diretamente para você e concordar com as tuas palavras, dizendo um breve "até logo" apenas com os olhos. Era clara a ânsia que o devorava naquele instante, você compartilhava dela: A primeira prole.

    Mas enfim, você e a pequena mulher eslava ficavam sozinhas. Algo não muito comum na realidade, mas que acabou por ocorrer em diversas situações nas últimas noites, a relação de vocês ainda era jovem, mas já se apresentava forte. Afinal, intensidade era algo que Elizabeth tinha para dar e vender. Tocando gentilmente o teu ombro e apontando a direção, ela começava a andar sem muita pressa na direção do refúgio dela dentro dos corredores da galeria. Tomando o caminho da arena e passando pelas portas da mesma a mulher parava em frente as próprias rochas e terra que formavam a estrutura subterrânea natural do lugar, em seguida ela segurava bem firme a mão esquerda e o som dos ossos dela se partindo chamavam a tua atenção, em segundos ela dobrava o tamanho da própria mão e a esticava por dentro de uma falha natural da própria parede. Em seguida a pequena e poderosa anciã Tzimisce movia o bloco revelando uma passagem, que era iluminada por velas enormes e terminava em uma sala de estar, os móveis todos postos dentro da própria rocha e havia inclusive um corredor no final de tudo, indicando a presença de outros cômodos.
    Sala de Elizabeth:

    -Pita... Eu realmente não esperava ver Art...Friederich! Tão rapidamente, presumo que esteja abeira de um ataque de felicidade não é mesmo?! Ainda mais com a notícia de uma prole que fará parte do novo bando de Berlim. Mas bem, eu tenho algo a compartilhar contigo, algo bem antigo que eu encontrei nas catacumbas do meu Senhor. Tem haver com esse teu novo estado, essa sobrevida que encontrastes... Meu Senhor a chamou de O caminho da Golconda... E entenda, esse assunto é considerado um crime dentro das ortodoxas Leis do Sabá. Tens certeza que queres ler essas coisas?! São tomos escritos por um antigo chamado Lameth... Eu não o conheço mas meu Senhor o chamava de Grande Mestre.

    Dizia a mulher que parava próxima a um dos sofás e cruzava os braços olhando diretamente para você, curiosa com a sua próxima ação.
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    Jess

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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 23/2/2017, 00:22

    A despedida de Friederich arrancou um leve sorriso de Pietra, a cainita entendia a ânsia de querer conhecer sua criança, algo novo e ao mesmo tempo seu.

    “ Friederich vai amar sua criança, ela tem tanto dele e mal sabe disso.”

    Olhando para Elizabeth quando está tocou em seu ombro para guia-la, Pietra sorriu para a irmã, o recente contato com a mulher era algo que ainda intrigava a italiana, mas cada nova sensação e descoberta feita por Pietra davam um novo toque para a estranha relação entre as duas.

    Pietra reconheceu o caminho que faziam, curiosa a cainita levantou a sobrancelha em uma clara pergunta. Ver Elizabeth moldar a mão diante da falha natural do corredor. Um ar surpreso tomou conta de Pietra ao ver que a fenda era na realidade uma passagem secreta, seguindo Elizabeth de perto a cainita sorriu enquanto cruzava os braços em forma pensativa.

    “ Oque mais se esconde nessa galeria que eu não sei da existência?!”

    Demorou alguns instantes para que a cainita prestasse a atenção nas palavras de Elizabeth, escolhendo um dos sofás para se sentar a cainita ainda olhava a sua volta com surpresa. O nome de Lameth porem fez com que Pietra encarasse Elizabeth, o sorriso ingênuo de sua besta transpareceu em seus lábios.

    - Sim Friederich estava ansioso para ter com sua criança. Foi uma grande surpresa em descobrir que eu já tinha uma rosa em meus domínios, uma rosa negra de meu sangue... Acho que ambos estamos felizes com isso... Quanto a Lameth, seu senhor estava certo em chama-lo assim... Um homem sábio e paciente...

    Levantando-se para se aproximar de Elizabeth, Pietra sentou no chão a frente de sua irmã, puxando uma das mãos dela está sorriu ao dizer.

    - Sei que não gostas do caminho que sigo, eu mesma sei que ele não é bem visto dentro do Sabá mais tradicionalista. Mas achas que se continuarmos a elevar o passado e esquecer o futuro seremos vitoriosos? Seguimos as leis do Pai, mas Cain não odiou seus outros irmãos, seu ódio recaiu apenas contra Abel e, Adão e Eva tiveram muitos filhos...

    Beijando a mão de Elizabeth a cainita entrelaçou sua própria mão na da mulher, Pietra não escondia as mudanças que aconteciam em seu corpo, seu peito respirava enquanto está tocava de leve na ponta do nariz de Elizabeth.

    - Eu adoraria ler os tomos de Lameth, mas primeiro quero saber como a senhorita Beth faz uma casa bem de baixo do meu nariz e não me convida pra visita-la?!
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    Danto
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 2/3/2017, 17:02

    Elizabeth observava primeiramente sentada em um dos sofás a sua fala inicial e seus primeiros movimentos, todavia, quando você escolhia o chão ela não disfarçava o sorriso e se posicionava prontamente a sua frente. E ao contrário dos Anciões mais tradicionais ela nunca negou o toque, era uma particularidade dela, algo que a deixava tão próxima de você, mas que ao mesmo tempo a distanciava significativamente. Pois o toque para ela não era uma ação de simples afeto e muitas vezes tornava-se carnal em sentidos deturpados dentro da sua ótica humanista. Todavia, essas barreiras pareciam cair suavemente e naturalmente, Beth já não te olhava mais com o desprezo rotineiro e era fácil ver na volátil face da Tzimisce expressões sinceras de alegria.

    Seu toque no nariz dela a fez arregalar os olhos surpresa, balbuciando sílabas desconexas que deveriam responder as suas frases, ela rapidamente se pegava em meio a uma sensação hilária de vergonha. A face inteira de Elizabeth tomava um tom rosado, como se os vasos sanguíneos dela fossem finos e presentes por toda a extensão de sua epiderme. Abaixando os olhos por exatos quatro segundos, Elizabeth retomava o foco na sua face e se esforçava para iniciar a frase que começava aos trancos e encaixava um ritmo mais seguro aos poucos.

    -Tá, ce-certo... Er, bem, vejamos... Co-como explicar essa falta de atenção. Veja só, eu não confiava em vocês, nem um pouquinho mesmo. Ele tinha total convicção nas capacidades de vocês como líderes da Espada de Berlim, quando digo Ele, me refiro ao meu Narses... entende? Bom, então, pra mim você era primeiramente uma frágil e dependente musa inspiradora para Friederich e Evangeline, o seu homem me soava vazio demais. A sua mulher me temia em demasia e todos me que temem não me interessam muito, eu gosto de brincar com a comida, é um péssimo costume! Mas eu tenho agora que lhe pedir desculpas por ter me apropriado do que era seu, por isso hoje eu resolvi te apresentar ao meu refúgio, fundado sob a velha ótica de manter seus inimigos próximos... Narses me disse que um dia eu iria ser capaz de entender as razões que os trouxeram para cá e quando isso acontecesse, nós duas seriamos inseparáveis.

    Ela fazia uma pausa e imitava uma voz masculina que assustadoramente era muito igual a de Narses:

    -O passado de vocês é localizado a milhas de distâncias, culturas e situações diferentes. Mas as verdades que correm em suas almas são similares, suas cicatrizes e suas forças também...

    Terminando a pequena imitação com um sorriso delicado nos lábios, deixando transparecer por todo o corpo, postura e alma o quanto ela amou verdadeiramente a figura de Narses e o quanto ela ainda o admirava e respeitava. Enfim ela se sentia a vontade de comentar as suas palavras sobre Caim:

    -Agora, permita-me explicar a você o porque eu a olhei de maneira tão preconceituosa. Sinceramente eu não poderia me importar menos com Caim e seus costumes, eu sou uma fiel aprendiz e dedicada força do Caminho da Metamorfose, dentro dele entendemos que nosso corpo é uma constante mudança, não só ele. Corpo, alma, vida, morte, tudo que está posto nesse mundo é flexível a mudanças, cabe a mim então o papel de agente dessas mudanças. Entretanto, a humanidade me soa inflexível em demasia, os humanos são criaturas mesquinhas e pequenas, presas em seus fluxos autodestrutivos e complexos de culpa devastadores... E agora eu vejo teu peito se encher de ar, tua face vibrar em cores vivas. A humanidade lhe mudou de alguma forma que eu não achava que era possível! Ela te faz melhor, maior e acima, por isso eu a reconheço. E talvez tenha sido isso que meu Senhor passou séculos atrás, os registros dele falam exatamente sobre isso, o poder de mudança da Humanidade verdadeira.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 2/3/2017, 19:10

    Os movimentos receptivos de Elizabeth deixaram Pietra relaxada, uma parte da italiana sabia que estava claramente a abusar da boa vontade da pequena cainita, mas a outra lhe instigava a continuar e, aprender mais sobre a arisca Bispo.

    Os olhos de Pietra se encheram de alegria quando Elizabeth foi pega de surpresa pelo toque em seu nariz, os dentes brancos logo foram mostrados sem remorsos em um largo sorriso diante do leve corar de Elizabeth, entregando-se a rara cena Pietra riu feliz enquanto a mulher a sua frente se recuperava do pequeno susto.

    “ Quem diria que Beth poderia ser desarmada dessa maneira! Mia caixinha de surpresas, como é bom estar em bons panos com você.”

    Escutando atentamente as primeiras palavras de Elizabeth, a italiana arrumou a postura deixando que a Tzismice sobre seu refúgio. Um sorriso de concordância foi dado a cainita enquanto Pietra usava os joelhos desta para se apoiar.

    - Seu Narses era sábio não?! Sei que por muito tempo fui exatamente o que vias em minha figura, mas entenda Beth, sou uma artista e muitas vezes irei preferir a companhia das telas do que as das pessoas. Um mal costume que agora tenho de mudar. Agradeça a Lorenz por muitas vezes me forçar a caminhar na Galeria, sem ele teria sido mais difícil ainda me ver fora de meu ateliê. O que me faz lembrar que agora tenho o dever de lhe mostrar meu refúgio, assim sei que se eu tentar me esconder dentro dele tu viras e me colocaras do lado de fora sem muitos problemas.

    Comentava a cainita ao dar um pequeno beijo na testa de Elizabeth, sentando-se novamente sobre seus pés.

    - Arthur era de certa forma reservado, dificilmente se abria sem ajuda, quando o fazia se retraia com rapidez, entendo seu ponto de vista. Mas agora temos Friederich e já consigo ver mudanças marcantes nele. Me atrevo a dizer que é bom para todos que Evangeline tenha medo de você, não sei qual motivo levou a isso, mas alguém tem que falar sem que Eva distorça as palavras a seu prazer, porque tenha certeza ela é especialista em fazer isso.

    Um ar surpreso se apossou da face de Pietra, a voz estranhamente semelhante à de Narses, havia sabedoria nas palavras repetidas o que trazia à tona a falta que o Lasombra faria.

    “ Ela o amou com toda sua força, ainda o ama. Uma pena que ele tenha caído, mas cuidarei de Beth como ele me pediu.”

    - Fico feliz em saber que sua visão sobre minha pessoa tenha melhorado, a que eu tinha sobre você também se modificou. Mas tenho que lhe lembrar que não sou uma humanista pura, sigo por outra trilha a que me foi ensinada por Maria Sandonza, prole do Cardeal Monçada. Nela somos portadores tanto da luz quanto das trevas, o equilíbrio desses opostos é o que nos mantem seguros, o desequilíbrio para qualquer lado pode ser perigoso. Gosto de saber que tens a capacidade de ver meus defeitos Beth, eles me lembram de que estou de certa forma equilibrada, ou assim espero. De certa forma estavas certa ao dizer que Eva era o inferno, porque é dela que nutro minhas trevas, sei que parece estranho, mas vem sendo assim a tantos anos que aprendemos a não ferir uma a outra. Não intencionalmente, embora as vezes isso ainda aconteça.

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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 4/3/2017, 00:34

    Beth fechava os olhos e relaxava a postura para aceitar o beijo que você depositava na testa dela, a instintiva criatura seguia em silêncio e sorridente durante toda a sua frase, balançando a cabeça positivamente em um sinal de concordância com o contexto geral das suas palavras e no final dessas, ela empurra o próprio tronco para trás e apoia as mãos abertas sobre o chão, encaixando a cabeça entre os ombos para lançar um curioso olhar quando você iniciava a explicação sobre o seu caminho.

    -Maria Sandonza foi tua tutora? Uau! E falas sobre o Grande Monçada com tamanha naturalidade, eu fui tão tola em julgar você sem antes conhecê-la, mas são escolhas sabe? Eu fui ensinada dentro de uma realidade estranha e intolerante aos clãs que historicamente representam tudo que eu detesto. Mas não é só uma questão de clã, você é única. Sabe, eu também sou de alguma forma uma artista, eu crio significâncias a todo instante, minha arte é a performance. A força da mudança. Escutando você falar sobre teu caminho de moralidade me faz pensar em muitas coisas, são forças as quais eu aprendi a respeitar. Não sou tão imersa nas trevas quanto Eva, tão pouco são imersa nas luzes como você é... Eu me estico entre todas elas, entendes?

    Jogando o tronco para frente, a mulher agora invertia a postura e apoiava as mãos com as palmas bem abertas afrente dos joelhos e demonstrando uma elasticidade sobrenatural e fluída demais para qualquer corpo humano ser capaz de realizar, como uma serpente ela aproxima a face da sua, mantendo apenas uma distância por educação. Arregalando os olhos como se tivesse descoberto algo incrível.

    -Você é o farol! Agora tudo faz sentido!
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 4/3/2017, 12:26

    Sentada no chão Pietra se apoiou no sofá dando liberdade aos movimentos de Elizabeth, as palavras da mesma sobre o tratamento que dava a Maria e Monçada fizeram com que a cainita levantasse a sobrancelha em um sinal de divertimento.

    - Eles foram e são muito queridos, me refiro assim em sinal de meu respeito e amor por ambos. Maria e seu senhor foram grandes professores, agora cabe a mim tentar por em pratica o que eu aprendi com eles. Muitas vezes é preciso que nossos olhos vejam por si mesmos para que nossos pensamentos possam ser modificados. Por muito tempo eu mesma vi a Espada como algo cruel, mas foi ela que me estendeu a mão por isso serei eternamente grata ao Cardeal.

    Observando com curiosidade os movimentos esguios e pouco naturais de Elizabeth a cainita sorriu, já não tinha mais o medo inicial da Tzcismice ao seu lado e o respeito pela mesma apenas crescia.

    “ Beth é com toda a certeza uma irmã querida, mas uma irmã que ninguém quer desagradar. O corpo dela parece argila e ela o molda com tanta facilidade.”

    - Sua arte me parece magnifica, é errado pensar que a arte se resume apenas a coisa tangíveis como telas, esculturas ou poemas escritos. A arte é de certa forma transcendental, mas acima de tudo pessoal e única para cada um de nós.

    Curiosa com os movimentos finais e a descoberta de algo importante por Elizabeth, Pietra se arrumou para encara-la, a aproximação que anteriormente lhe teria sido desconfortável a fez sorrir, mas seus olhos ainda se mostravam curiosos com Elizabeth.

    “ Veronika também chegou a mesma conclusão. O que isso realmente significa?!”

    - Hummm, isso é algo que você possa me explicar Beth?
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 4/3/2017, 13:31

    -Se eu posso explicar? Me surpreende muito você não saber mais sobre isso. Eu vou te contar o que eu sei e preciso que você prometa não contar a ninguém sobre tá bem?

    Ela esperava pacientemente pela sua confirmação da promessa e logo que essa era feita, Beth ajeitava a coluna e a postura, mantendo-se de maneira muito mais formal e firme. Cruzando os braços a mulher fechava os olhos por breves segundos e quando os reabria, demonstrava uma face bem mais séria e transmitindo para você uma sinceridade extrema nas palavras.

    -O termo "Farol" é uma tradução um pouco infeliz para os dialetos mais modernos, significava anteriormente "Formas de Luz". Posta sempre em um contexto de desorientação dentro das trevas, as criaturas que perdiam a esperança em um dia retornar, encontravam as "Formas de Luz" e reencontravam a esperança e um novo caminho, algo como uma luz no final do túnel. Hoje essa função se encontra perdida, o último "Farol" caminhou entre nós antes da Revolta Anarquista e era do clã Salubri. Muitos acreditaram que a ausência dessa função era uma expressão clara de que as noites final da Gehenna estavam finalmente ocorrendo... Passou-se tanto tempo sem um, que as histórias e ensinamentos sobre a importância dessas "Formas de Luz" se tornaram mito ou foram simplesmente esquecidos para sempre. É função da Mão Negra a manutenção desses legados...
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 4/3/2017, 21:55

    Vendo a clara surpresa de Elizabeth sobre sua ignorância, Pietra sorriu de forma acanhada, algo que a mesma não fazia a vários anos. Escutando o pedido para que aquela explicação não fosse revelada a ninguém, Pietra concordou com um leve aceno enquanto arrumava sua postura.

    - Não deveria ficar tão surpresa, se o tema for ligado a coisas míticas e magikas sou uma completa perdida. Lhe prometo Beth, o que me dizeres aqui ficara guardado.

    A postura séria de Elizabeth e as palavras da mesma fizeram com que Pietra fechasse os olhos, perdida em seus pensamentos a cainita tentava entender o verdadeiro significado daquilo tudo.

    “ Forma de luz. Será possível que Veronika também acredite nisso? Ela não teria usado o nome da Tal'Mahe'Ra à toa... Não a própria Veronika me colocou a prova, e agora suas palavras ganham um novo peso.”

    Abrindo os olhos para encarar Elizabeth, a cainita suspirou de leve tentando organizar seus pensamentos e preocupações.

    - Eu descendo da linhagem de Iontius, irmão de Amarantha. Aquele que seria meu avô de linhagem se chama Masser, descobri a pouco que eles foram importantes para o caminho que sigo, assim como os filhos de Saulot... Ainda acho estranho como isso se encaixa com o que dizes, noite passada Veronika me pôs a prova e sei que o despertar rápido de Friederich é o resultado do que ela viu e presenciou. Não sei como Beth, mas eu vi o senhor dela, simplesmente fiz o que deveria ser feito. Mesmo assim nada me prepararia para estar à frente de Lameth, tão sábio e amoroso.

    Balançando de leve a cabeça Pietra sorriu ao segurar com delicadeza uma das mãos de Elizabeth, o sinal franco de amizade e confiança eram depositados ali naquele pequeno gesto.

    - Não sei se sou realmente o “Farol”, mas acho melhor deixar que a Mão Negra o decida e passe seus legados aos merecedores certos.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 8/3/2017, 03:27

    Elizabeth não foi capaz de controlar as próximas emoções e ao ouvir o nome de Lameth a experiente Tzimisce arregalava os olhos e exibia um sorriso bem largo, tão largo que exibia praticamente todos os dentes, algo inimaginável para qualquer corpo humano. Com os dentes à mostra ela segurava a sua mão com as duas mãos e erguendo-se em um único salto, puxando-a com a intenção de colocá-la de pé.

    -Venha! Você não pode mais apenas segurar a luz na direção dos outros, permita-me ajudá-la a compreender as mudanças do teu corpo e alma! Eu prometi mostrar a você o que o meu Senhor possui sobre a Golconda, lembra? Eu consigo sentir que nas suas mãos os papiros farão muito mais sentido, porque eles foram escritos por Iontius ou para ele... Desculpe a excitação e agitação, mas eu estou verdadeiramente empolgada! Venha! Tenho que entregar a você a leitura e preciso explorar melhor essas novidades dentro do teu corpo, que parece vívido como os rumores diziam que seriamos capaz de retornar!
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 8/3/2017, 12:33

    A surpresa estampada na face de Elizabeth assim como o longo e nada humano sorriso, deixou Pietra curiosa. Surpreender a pequena Bispo era uma tarefa quase impossível, mas ali naquela conversa a italiana o havia feito sem esforços, algo que a mesma nunca esperaria.

    “ Não é que Narses tinha razão. Elizabeth é alguém formidavel, ela se esconde em sua própria postura dominadora e agressiva, mas por baixo é uma irmã de bom coração e protetora.”

    Sendo puxada para se levantar, Pietra apoiou-se no sofá para realizar o ato. Escutando atentamente as palavras de Elizabeth a cainita sorria curiosa e encantada, o nome do progenitor de sua linhagem era ainda novo para Pietra, mas não deixou de causar ansiedade na cainita.

    - Não sabes o quanto lhe devo Beth, por aceitar essa luz que brilha e por aceitar minha mudanças. Um dia a recompensarei, mesmo que leve algum tempo. Até lá permita-me ser sua irmã, e cuidar de você. Ainda não acredito nas mudanças que me ocorreram, elas me parecem estranhas, mas me devolvem velhos sentimentos, sentimentos que eu condirei esquecidos por muito tempo. Mesmo mais humana tenha certeza de que não deixarei de lado minhas obrigações com a Espada, isso é uma promessa Beth.

    Respondia a cainita na linguá natal da Tzcismice a sua frente.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 10/3/2017, 10:18

    -Eu escuto a tua promessa Pietra Rafaldini...

    Responde Elizabeth em seu idioma natal, ouvi-la em sua zona de conforto era uma experiência muito rara e curiosa, a voz dela soava sempre melodiosa e fina, diferenciando-se bastante do alemão oriental tão marcante nas palavras dela. A mulher então tomava alguns segundos daquele silêncio para se ajeitar na sua frente, abrindo levemente as pernas e mantendo a coluna ereta, erguendo a face para buscar os seus olhos de maneira direta e esticando as duas mãos na sua direção.

    -Mas e nós vamos fazer juras verdadeiras as palavras precisam acompanhar ações. Por favor, repita minhas ações e escute minhas palavras e meus votos.

    Ela então aproximava os braços esticados e tocava um cotovelo ao outro, mantendo as palmas das mãos viradas para cima e abrindo-as o máximo possível. Em seguida apenas a garra do dedo indicador esquerdo se revelava, para que posteriormente a mão esquerda pudesse se movimentar e a própria unha abrisse uma ferida superficial capaz de expor uma pequena quantidade do vitae da mulher.

    -Eu prometo nutrir e proteger a luz dentro de ti, oferecendo-lhe minha irmandade e fidelidade. Eu, Nadia Alžbeta Nedved, juro pelo sangue a eternidade desses votos...

    O mais curioso era a escolha das palavras, ela dizia "sangue" e não vitae. Aquele pequeno ritual não era cainita ou sequer tinha algum cunho dentro da Espada, era um costume mortal da Tzimisce. E logo em seguida sua mente era finalmente capaz de ouvir o nome verdadeiro de Elizabeth, uma exposição total do mais intimo segredo da anciã.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 10/3/2017, 17:17

    A voz estranhamente suave de Elizabeth em seu idioma natal revelavam uma face desconhecida de sua natureza, uma face que aos poucos Pietra vislumbrava com curiosidade e respeito.

    Deixando que Elizabeth tomasse seu tempo Pietra a estudou com interesse diante de suas ações e movimentos, imitando-a para dar continuidade aos desejos de Elizabeth, Pietra sentiu seus olhos se arregalarem e seu coração palpitar diante de sua irmã.

    “ Seu verdadeiro nome... Nadia Alžbeta Nedved, um juramento de sangue! Ela me oferece muito mais do que eu poderia imaginar. Mia amata Nadia, a recompensarei por tudo, por tudo.”

    Nem um sorriso foi solto pelos lábios de Pietra, a cainita usou seus próprios dentes para abrir a ferida que cruzaria os sangues das duas, era uma ação calma e sem pressa, seus olhos acastanhados se fecharam diante de Nadia para então se abrir, eles sim sorriam de forma suave e feliz.

    - Tua irmandade e fidelidade serão recompensadas com minha irmandade e fidelidade. Tens em meus braços e coração um lugar só teu, o lugar de uma irmã querida. Irmãs por nosso sangue e pela eternidade.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 14/3/2017, 11:02

    As suas mão se tocaram e os dedos finos e longos da Tzimisce entrelaçavam-se aos seus e com força ela pressionava a tua mão, o vitae de vocês duas então se tocava e uma sensação estranha corria seu corpo, algo sobrenatural acontecia dentro do ambiente em que vocês se encontravam, as luzes artificiais falhavam durante um breve conjunto de segundos, e seus olhos viam o corpo de Beth se alterar em frações de segundos, a silhueta dela se modificava através dos flashs de iluminação. As palavras de vocês duas ecoaram e reverberaram. Aquelas palavras eram verdadeiras e poderosas, não era uma simples promessa, era um voto e votos não poderiam ser quebrados sem severas consequências. As luzes se estabilizavam novamente e a mulher a sua frente havia se transformado totalmente em outra pessoa, Elizabeth não estava mais ali, mas Nadia estava. Sorrindo e com uma expressão arteira a mulher se apresentava com longos cabelos castanhos totalmente tomados por cachos rebeldes e um nariz fino como apenas os povos eslavos eram capazes de possuir. Ela soltava a sua mão gentilmente para enfim falar contigo no idioma natal dela.

    -Você sentiu correto?! É a nossa prova concreta, esses votos não poderão ser simplesmente esquecidos ou quebrados, por isso eu a apresento a minha verdadeira e primeira face, eu nasci dessa forma a muitos anos atrás. Meus caminhos me levaram a várias faces e formas, o aperfeiçoamento corporal e a exploração dos limites me desafiaram a criar incontáveis características únicas e especiais, mas cá estou pura diante seus olhos. E eu a convido a me acompanhar até a câmara onde meu Senhor está a dormir, lá poderemos encontrar os tomos que eu prometi a você...

    Nadia Nedved:
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 14/3/2017, 14:52

    O toque gelado de Nadia foi bem recebido pela besta de Pietra, entrelaçando seus dedos com a da Tzimisce a sua frente a italiana não recuou nem por um instante ou demonstrou medo.

    No momento em que a aura sobrenatural alcançou as duas Pietra olhou surpresa para as luzes, mas quando seus olhos se voltaram para Nadia a sua forma que transmutava com liquidez e suavidade a fez sorrir.

    “ Sua verdadeira face? Será mesmo que Nadia está me dando este presente?!”

    Não foi preciso das palavras ditas em serbio para que Pietra abraçasse a irmã com força, beijando-lhe a testa para então brincar com as madeixas onduladas da mesma, a besta rugia feliz com tamanho presente recebido.

    - Ahhh mia Nadia, como és linda! Posso entender perfeitamente suas mudanças e adaptações. Só não posso dizer qual delas eu prefiro mais.

    Soltando Nadia do abraço Pietra beijou suas mãos com carinho para concordar com as palavras da mulher a sua frente.

    - Só espero não macular o local de descanso do teu senhor. Não me perdoaria por isso, já que conheço o respeito que tens por ele.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 17/3/2017, 01:13

    Com um sorriso divertido na face, Nadia segurava com firmeza a tua mão e acelerava uma caminhada na direção da escadaria improvisada que havia logo após aquela sala irregular esculpida no subsolo da sua galeria. Era um curto lance de escadas que terminava na frente de uma porta de madeira simples, abrindo a porta a Tzimisce a guiava para o interior de uma sala estranha e mórbida. Com um piso composto por blocos de mármores de cores diferentes e com uma chamativa tumba em seu centro, algo próximo a um conceito de sarcófago e com uma belíssima escultura de gesso sobre a tampa, simulando a imagem de um homem a dormir eternamente. No final da pequena sala havia um vitral original das terras arcaicas de Constantinopla, logo abaixo do vitral havia um claro ambiente onde anteriormente existiu um altar, mas hoje havia exclusivamente um enorme baú de madeira escura e bastante poeira.

    Nadia andava até o bau com enorme naturalidade enquanto seus olhos tentavam com muito esmero ignorar a presença daquela obra de arte secular e mais valiosa do que qualquer posse que você pudera possuir, o maior dos tesouros sempre estava no mais inesperado dos locais. Em sérbio a mulher comentava.

    -Cuidado Pita, nesse caixão está Slavoj Voznesensky, prole de Velya a Voivoda da Revolução... Você não vai querer acordá-lo, acredite em mim!
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    Jess

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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 17/3/2017, 11:50

    Pietra deixou que Nadia a guiasse por seu refugio, para italiana era curioso a mudança da mesma, alem da aparência a personalidade de Nadia se mostrava mais cálida e calma, coisa que Pietra nunca imaginaria da Tzimisce sempre arisca e pronta para uma batalha.

    “ Será que ela sente essa mudança?! Nadia e Beth a primeira vista nunca seriam a mesma pessoa, mesmo assim o são.

    Rindo com seus pensamentos Pietra estudava curiosa o refugio de Nadia, construido bem debaixo de seu nariz a Toreador se divertia com a simples ideia de dividir sua galeria com um hospede.

    As paredes de pedra deram lugar a porta de madeira, adentrando no local empoeirado Pietra o estudou com rapidez, mas seus olhos se paralisaram no vitral antigo e milenar, quase que instintivamente a cainita abaixou os olhos tampando-os com a mão, uma onde de vergonha se apossou imediatamente de Pietra que sentia seu rosto ruborizar sem controle nenhum.

    Ouvindo o conselho de Nadia a cainita procurou a parede mais próxima para se encostar enquanto comentava.

    - Não se preocupe, não é minha intenção desrespeitar seu senhor ou provocar a fúria dele. Mas eu teria agradecido receber algum aviso sobre o vitral. Eu odiaria entrar em fascínio justamente na noite em que abraçarei Lorenz.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 20/3/2017, 13:37

    -Ah! Nossa, eu nem sequer me lembro que esse espelho velhaco fica pendurado ali em cima. Perdoe a minha indelicadeza ao não prepará-la eu sou péssima com a arte clássica, essa foi só uma das várias exigências que meu Senhor fez para o local de descanso dele, toda vez que eu tenho que mudá-lo de lugar, tenho que carregar uma enorme lista de relíquias.

    Respondia Nadia em sérbio, demonstrando bastante fluência de palavras em seu idioma nativo. A voz dela agora soava de maneira mais clara e até verdadeira, afinal, essas eram as naturais cordas vocais da mulher e isso fazia uma grande diferença nas pequenas reverberações da língua e entonações. A mulher chegava em frente ao baú e o abria, já sabendo o que procurava, Nadia retirava do baú um livro de capa de couro, fechado por duas tiras eles parecia não ser aberto por muitos e muitos anos. Ela enfim voltava andando até parar a sua frente e entregando-lhe o livro.

    -Esse é um dos diários do meu Senhor, ele o escreveu muitos anos atrás e narra o encontro dele com um Profeta, eu li por alto e acreditei por muitos anos ser apenas um delírio de um velho cainita cansado. Hoje eu tenho certeza que tudo escrito nessas páginas é verdade. Por tanto, peço para que leia com calma e bastante cuidado.
    O Livro:
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 20/3/2017, 19:55

    Ouvindo as palavras de Nadia sobre o vitral, Pietra sentiu seus ombros se recolherem de forma simples e cômica, para a italiana a beleza ali contida era deslumbrante, mas a falta de significado para Nadia era incrível para a cainita.

    “ Nem todos prestam a atenção devida a beleza, e a beleza depende do ponto de vista de cada individuo.”

    - Bom a meu ver, seu senhor tem um bom gosto. O vitral é uma prova disso, embora eu não tenha os mesmos problemas que você para transporta-lo. Imagino que seja uma tarefa complicada, mas é um sinal de confiança incontestável.

    Comentava a cainita ao abrir um pouco os dedos para ver a movimentação de Nadia, um sorriso calmo e amável permanecia no rosto de Pietra, a voz melodiosa de Nadia era uma situação nova a qual a italiana disfrutava com prazer.

    Compartilhando a língua natal da Tzimisce, Pietra esperou com paciência pela busca da mesma, quando Nadia finalmente retornava com um livro em mãos a italiana se virou d costas para o vitral para receber o diário de Slavoj Voznesensky em mãos.

    “ Isso é um tesouro precioso para Nadia.”

    Tocando com leveza no couro do livro Pietra sorriu, segurando-o com cuidado.

    - Irei o ler com toda a atenção possível, lhe digo que nenhum mal será feito a ele. Mas em troca lhe dou algo que me é querido. Assim temos uma prova que ambos serão devolvidos e inteiros.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 22/3/2017, 13:39

    Nadia se aproximava um pouco mais de você e gentilmente tocava com a mão fria em suas costas, comentando em um tom de voz um pouco mais baixo, já começando a caminhar para a saída do local e conduzindo-a com a mão para que você não tivesse que se preocupar em encontrar o vitral com o olhos. Você reconhecia essa ação da mulher como uma pura demonstração instintiva de carinho.

    -Venha, vamos sair o mais rápido possível desse lugar. Eu realmente não fico nada confortável com a presença de meu Senhor e eu não me perdoaria caso você caísse em fascínio em uma noite tão importante quanto essa... Fico grata, gostaria ser capaz de expressar essa gratidão por palavras, mas saiba que eu farei através das ações. Seja o que for que tu me cederás, cuidarei com minha vida e força.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 22/3/2017, 14:35

    Acompanhando o gesto protetor de Nadia e seus passos Pietra sorriu, o cuidado que a Tzimisce estava tomando era algo novo e encantador, algo que a italiana se lembraria com carinho.

    - Acho que compreendo seu sentimento. Eu agradeço pelos cuidados Nadia, eles significam muito para mim. Não se preocupe com as palavras eu sei que voce cuidará do que vou lhe dar.

    Dando um leve beijo na testa da mulher ao seu lado Pietra sorriu da mesma forma que sorria em vida para seu irmão mais novo, era um sorriso carregado de carinho e amor, um acontecimento que a cainita não esperaria que um dia aconteceria.

    “ Mia amata, Narses estava certo no final. Seremos irmãs pela eternidade e eu não desejo nada mais do que isso.”

    Pegando a mão de Nadia, Pietra a guiou até a entrada do refugio da mesma.

    - Venha, preciso te retribuir da maneira adequada e o que eu guardo está em meu quarto.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 22/3/2017, 15:05

    Nadia sorriu ao receber o seu beijo e caminhou junto contigo, segurando a sua mão com firmeza enquanto demonstrava uma radiante felicidade e uma notória curiosidade, vocês duas seguiam com facilidade cruzando os corredores que constituíam as estruturas da Espada de Berlim. Por sorte os corredores estavam mais vazios do que o habitual, provavelmente porque nesse momento estava ocorrendo alguma apresentação da boate, muito possivelmente protagonizada por Eva, afinal era ela a única de mover toda a massa da Espada para uma simples dança.

    Assim vocês duas chegavam ao seu refúgio e os olhos curiosos de Nadia observavam todos os detalhes, a verdadeira face dela é muito mais expressiva e simples de se desvendar, havia honestidade por todos os movimentos dela e ansiosa, ela perguntava.

    -E então, o que é? O que eu devo guardar!?
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 22/3/2017, 15:35

    A diferença clara de personalidade de Elizabeth para Nadia era um encanto claro para Pietra, a italiana a estudava curiosa observando cada gesto feito por sua irmã.

    Guiando-a para seus aposentos, Pietra notou a estranha falta de movimentação dos corredores da Espada, a certeza de que tudo estava em seu devido lugar se dava pelo fato de ambas as cainitas e Bispos não terem sido procuradas.

    " Talvez seja Eva, ela consegue arrastar a todos sem nenhum esforço. Será bom para a Espada afastar um pouco a tristeza."

    Pietra tomou o cuidado de revelar a entrada principal de seu refúgio para Nádia, já em em seu quarto a cainita riu com a curiosa reação da Tzimisce, apertando-a em um longo abraço antes de fazê-la se sentar em sua cama.

    - Tenha um pouco de calma mia amata.

    Comentou a cainita com um sorriso calmo, andando até sua mesa de estudo Pietra puxou o pesado baú que se encontrava abaixo da mesma, abrindo para procurar o que desejava a cainita sorriu quando retirou dali um lenço de seda púrpura.

    De volta ao lado de Nadia, a cainita se sentou para só então revelar o que o lenço guardava, eram as cartas trocadas diretamente com Melinda, a Regente, ali também estavam os rascunhos das respostas enviadas, rascunhos dos quais Pietra não housava abrir mão.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Danto em 22/3/2017, 15:47

    Nádia se encolhia no seu abraço sem entender exatamente o que acontecia e esticando a cabeça para fora dos seus braços para conseguir olhar ao arredor, procurando a todo instante pelo o que poderia ser transformado em presente. Mas ela obedecia ao seu breve comando e sentava-se na cama, ajustando-se para uma posição mais confortável que envolvia literalmente, sentar sobre os joelhos e apoiar as mãos nas pernas. Com essa postura ela observava a sua movimentação com enorme interesse e comentava em alemão:

    -Eu estou calma, só não sei lidar com essa ansiedade muito bem!

    A voz dela saia carregadíssima de sotaque, era até engraçado vê-la falar daquela maneira, revelando um alemão realmente terrível e misturado que só era totalmente compreendido pelos seus ouvidos porque você dominava o idioma nativo dela.

    Finalmente você retornava e mostrando as cartas, foi possível ver a expressão eufórica da mulher que reconhecia a letra da Regente, afinal, as leis do Códio de Milão que era o código de leis mais sagrado do Sabá foi escrito a punho por Melinda. E retornando ao sérbio, Nadia se expressava sorridente.

    -Pita! Eu, uau! Nossa! Posso mesmo? Tenho que esconder isso imediatamente! Eu posso ler?! Deus! Desculpa a euforia, eu to me esforçando pra não fazer um escândalo! Você conhece mesmo ela Pita? De verdade?! Vo levar elas pro meu refúgio e guardar elas!

    Dizia Nádia, saltando imediatamente da cama e já quase saindo correndo pela sua porta. Faltava apenas ouvir a sua resposta para que ela saísse dali o mais rápido possível.


    [Ultima ação para o final do Ato]
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

    Mensagem por Jess em 22/3/2017, 18:20

    Pietra não escondeu a gargalhada de alegria que soltou ao ver a esticada de pescoço de Nadia em sua procura pelo que lhe seria dado, deixando que a Tzimisce sentasse de maneira confortável na cama para só então ir até seu baú.

    - Mas uma pitadinha de ansiedade é bom para adoçar a surpresa!

    Comentou a cainita ao abrir o pano de seda e estender as cartas para Nadia, nada prepararia Pietra para a reação da mulher sua frente, um sorriso largo e feliz escapou da cainita que escutava atentamente Nadia.

    “ Nadia é encantadora. Agora posso entender o pedido de Narses. Cumprirei minha promessa com os dois.”

    - Mas é claro que tens a permissão para lê-las. É a mesma permissão que eu tenho para ler o diário de seu senhor.

    Levantando-se para levar o lenço e enrolar com cuidado as cartas, Pietra beijou a testa de Nadia com carinho e ternura.

    - Mas não se esqueça de que as quero de volta, fique com elas enquanto o diário de seu senhor estiver sobre minha posse. Até lá elas são suas minha irmã.

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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Remeber

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