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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

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    Danto
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    Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 9/6/2017, 10:06



    Incio do vídeo: 01:53
    Local: Monteriggioni,Castel Pietraio.
    Data: 16 de Abril de 2016: A Primeira Noite do Festival.

    A sua breve apresentação a todos os convidados foi realizada assim como as ordens dadas a Lucca que seriam como sempre, perfeitamente executadas da maneira mais  discreta possível. Você então retornava ao lado de Letizia di Francesco com uma trivial conversa sobre as decorações e como o seu vestido estava magnífico.

    Dos convidados, os que haviam demonstrado uma real vontade de passar a noite em sua propriedade foram: Claudia Caccavale, Muriel Verrochio e a própria Letizia. Além é claro de Soyer e sua nova prole, Grazi e Olympia mas essa informação já era obvia em demasia.

    Dessa forma, você pode retornar ao palco e aguardar o preparo da banda que era organizado por Grazi. Esses minutos davam tempo exato para que Soyer regressasse do interior da casa junto de Valentina, parecia inclusive que um pequeno atraso era feito de propósito, algo que passava despercebido pelos convidados mas não pelos seus olhos acostumados com a forma de condução dos toreadores de florença.

    Enfim, a sua segunda apresentação começava e abria o festival à todos. Ao lado de Grazi você brilhava sobre o palco e arrancava verdadeiros suspiros dos convidados, Sebastian inclusive se permitia um pequeno fascínio contido, afinal aos olhos dele nunca haveria uma beleza maior do que a sua! Elena acaba por abandonar a apresentação quando essa chegava próxima ao final, irritadíssima ela reagia com uma repulsa notada por todos e seguia para o local previamente combinado por vocês.

    A apresentação terminava com uma longa salva de palmas, mas dessa vez que esperava por ti na beira do palco para servi-lhe como cavalheiro não era seu neto. Mas sim o próprio Sebastian, auxiliando-a, por um breve instante os olhares de todos foram focados em vocês dois, até a voz de Grazi soar no pequeno microfone em cima do palco:

    -Senhoras e Senhores, o festival está iniciado! Por favor aproveitem toda a área dessa linda propriedade sim?! Existem taças que serão repostas à todos a cada instante, todas preparadas com cuidado junto das uvas locais! A banda começará e quem estiver disposto à dançar é muitíssimo bem aceito, obrigada e tenham uma excelente noite!

    Sebastian aproveitava aquele pequeno tempo para oferecer-se à vestir a suas sapatilhas antes que você tivesse que andar descalça pela grama.

    -Magnífica como sempre! Como sempre! Não irei roubá-la apenas para mim, apesar de querer. A Senhorita Francesco parece interessadíssima em conversar contigo, devo encontrar com minha sobrinha enquanto meu filho conhece Nina. E lembre-se, por favor, eu preciso muito conversar contigo querida...

    Com os olhos você buscava pela localidade de Letizia, já que todos haviam liberado a parte frontal do palco. A linda mulher de cabelos dourados estava de pé junto a fonte que separava os dois ambientes, grande parte dos outros convidados estavam postos na mesa do buffet agora, exceto pela figura de Muriel que observava o belíssimo arco de acesso lateral à mansão com curiosidade.
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    King Jogador

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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 12/6/2017, 08:46

    Me degustava com aquela salva de palmas. Era amortecedor para minha alma receber uma ovação por algo tão especial para mim quanto aquela dança. Era apenas triste ver o rosto incomodado de Elena, eu sabia que a pedi para demonstrar incômodo, mas ainda havia um pouco de veracidade ali. Assim forçava a deixar minha mente focada apenas naquela multidão. Não podia demonstrar fraqueza agora, então podia abrir meu peito para a alegria. Em breve lidaria com os pontos delicados. Assim eu me dava ao tempo de analisar toda a situação atual do evento para poder fazer minha próxima ação.

    "Eu realmente desejava ser umas dez pessoas agora. Preciso aproveitar a primeira oportunidade livre para conversar com todos os primogênitos presentes. Será precioso conhecer o quanto eu puder do palco deles na região. Claro que se eu tivesse uma folga eu gostaria de passar um tempo livre com minha família e com minha querida Olympia. Agora eu devo no entanto, trocar cumprimentos com Muriel. Mas tenho de fazer mais que apenas se apresentar para ela, afinal não posso passar uma impressão negativa logo após não tê-la convidado. Não vou ter tempo ainda de uma desejável conversa com ela, mas preciso de uma justa distração. Letízia é quem eu preciso falar agora, afinal ela já está me esperando. Infelizmente essa conversa será longa, o que eu posso fazer é fazer a primeira parte desta conversa a levando até a piscina. De lá farei um intervalo e irei para as vinculas. Pois lá me aguarda a primeira conversa mais importante que requiro esta noite. Felizmente Sebastian já entende o quão complexa é minha lista de afazeres e conversaremos bem mais tarde."

    Eu prontamente sorria para Sebastian. Imediatamente macucando a minha primeira ação após o o começo do festival. Afinal tinha muita coisa para fazer e precisava optimizar meus movimentos. Afinal eu precisava ir rapidamente falar com a Elena, mas já havia muitas pessoas esperando um segundo de minha atenção.  Logo ele se mostrava muito útil agora para poder me ajudar a compensar o fato de só haver uma Loretta.

    - Obrigada pelo elogio meu querido! Antes do final da noite sentaremos com calma para nos atualizarmos com todo meu prazer. Agora, antes de ter sua longa e merecida conversa com sua sobrinha, venha. Deixe-me apresentar Muriel Verrochio. É sadio conhecer um pouco uma influente integrante de uma das famílias locais, ainda mais uma tão próxima de seu estilo de vida.

    Logo ia de encontro ao braço dele. O fazendo me guiar pelo jardim. Andando em um passo moderado enquanto nos aproximávamos da Verrochio. Almejando que meu genro compreendesse como aquele encontro seria bom tanto para ele quanto para mim. Sorria fortemente para a convidada quando a saudava novamente enquanto apresentava meu genro. Mesmo sendo possível os dois já se conhecerem.

    - Mais uma vez, boa noite querida Muriel. Espero que minha humilde morada conseguia lhe cativar até eu nós duas podermos apreciar um bom vinho. Enquanto isso gostaria de lhe apresentar meu querido genro. Imagino que já conhece Sebastian Soyer.

    Enquanto Soyer e Muriel trocavam as primeiras palavras, já direcionava meus olhos para Letízia logo a frente. Fazendo um aceno com a mão para cima. Revelando que assim que conseguisse minha deixa, já iria me direcionar á falar com ela.
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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 12/6/2017, 17:59

    Soyer prontamente entregava o braço à você, assim ele a conduzia até a direção de Muriel e antes de chegar até a jovem, ele fazia apenas um comentário de teor retórico e confiante.

    -Fique tranquila querida, será um prazer conhecer os membros locais. Além disso, tens prioridades e eu estou em um excelente bom humor, cuidarei de tudo sim!? Afinal, estou em casa correto?!

    Assim vocês dois se aproximavam da figura de Muriel, a jovem ancillae fazia uma reverência diante vocês dois, deixando bem claro que ela os reconhecia como anciões. Em seguida ela comentava:

    -Boa noite Lady Loretta e Lorde Soyer. É uma honra, apenas tenho a necessidade de lhe parabenizar pelo belo festival, a decoração é de extremo bom gosto e há carinho verídico em cada flor exposta. Não foi qualquer coração que preparou esse cenário... Enfim, devaneios... Lady, a senhora Aurelia manda lembranças e diz que anseia por uma visita.

    Soyer sorria educadamente e tomava uma das mãos da jovem para beijar de maneira apropriada, nesse meio tempo, Letizia notava o seu aceno e já correspondia. A mulher estava a se mover nas proximidades da piscina e o seu posicionamento mais elevado junto a mansão lhe dava uma dimensão perfeita de onde ela se encontrava.

    -Queria Muriel, é uma honra conhecê-la. Soube que fostes harpia no passado dessa região, importaria de me contar como foi exatamente a fundação da torre local e porque deixastes o cargo querida?

    Soyer já prontamente assumia o protagonismo da conversa, suavemente conduzindo Muriel em um curto passeio para o interior da casa, os dois então se despediam de você com um sinal simples de cabeça.

    Finalmente havia um espaço e você o tomava sem delongas, caminhando até a linda figura de Letizia. A mulher de enorme status e fama na corte de Florença e de outros grandes centros italianos a recebia com um largo sorriso na face.

    -Loretta! Excelente apresentação querida, faziam-se anos des da ultima vez que a assistir dançar, mas não era nada comparado ao que vi agora. E sou obrigada a comentar, que feitiço lançastes sobre a prole de Elonzo? Ele sempre me pareceu um belo homem, mas a tristeza dele era enorme, todavia ele se apresenta aqui diferente... Não quero me intrometer é claro, entenda como uma pequena empolgação em finalmente poder conhecê-la sim!?

    Comentava a mulher que se aproximava para saudá-la com um simples beijo na face, e foi com aquela proximidade que tudo se mostrou diante seus olhos, ou melhor, quase tudo. Ela tinha perfeitos reflexos humanos, o tórax se movimentava em uma simulação de respiração nervosa, as reações corporais e tudo se encaixavam perfeitamente para um convicto seguidor da trilha da humanidade. Mas, por alguma razão, o sorriso dela não parecia totalmente feliz.

    [Off: Teste de Percepção + Empatia, dificuldade 9]

    Npcs em cena:
    Muriel Verrocchio:

    Roupas:
    Letizia di Francesco:

    Roupas:
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 12/6/2017, 22:28

    Percepção + Empatia, 8d10, Especializado, dificuldade 9 + FV
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Dados em 12/6/2017, 22:28

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 14/6/2017, 15:21

    As palavras de Muriel logo desenhavam um sorriso na minha face. Era um elogio que fortemente inspirava minha noite. Assim rapidamente notava como Soyer tomava o controle da situação. Então apenas me despedia de forma educada.

    - A honra é toda minha em poder receber tão delicado elogio vindo de uma escolhida da digníssima Lady Aurelia. Mais tarde conversarei sobre ela, como também sobre algumas de minhas uvas mais especiais. Com sua licença agora.

    Em seguida eu podia finalmente ir até Letízia. Com um grande sorriso no rosto enquanto avaliava o lindo vestido que ela usava. Apreciando cada feição dela, sentindo a verdadeira e forte beleza que ela resplendia, toda a vida em torno da La Sombra. Assim retribuía de forma polida e delicada aquele beijo. Logo após ela falar a respondia começando a responder sorridente.

    - Obrigada pelo elogio, minha querida. Sempre amei esta dança tradicional. Não que os bailes de Florença não fossem esplêndidos, mas a paixão pelas minhas raízes é muito intensa.

    Fazia um breve gesto para ela me acompanhar. Indo na direção da piscina. Com o objetivo de contornar a mesma naquele lindo lugar iluminado e só parar quando chegássemos na parte mais afastada logo atrás onde haveria a porteira que dava caminho para o campo atrás de minha morada. A conversa se estendia, enquanto paralelamente minha mente fluía em inúmeros pensamentos.

    "Ela realmente é quem diz ser. Me mostra o quão fascinante essa matriarca é de fato. Uma pedra preciosa que atrai minha curiosidade. Sem sombra de dúvidas ela pode se tornar mais que apenas minha aliada. Infelizmente noto a tristeza dela. Algo ruim aconteceu de ontem para hoje. O neto dela... Será que ele conseguiu chegar em casa? Foi algo que ocorreu com ele no caminho ou quando chegou voltou para seu Volterra? Sei que o resto da família dela não segue a humanidade. Letizia é poderosa, respeitariam ela por isso, mas aquele garoto era covarde, isso pode significar um péssimo cenário. Em todo o caso algo ruim deve ter acontecido com ele. Mostrando o esforço que está sendo ela estar aqui. Preciso levar isso em consideração."

    - Eu e Sebastian temos uma longa história. Não só sou sua sogra, como sou a primeira cainita que ele conheceu. Pode-se dizer que temos um laço maternal. Não se sinta intrometida. É de grande alegria minha poder notar o quão feliz ele está, você confirmar isso prova que eu não estava só esperançosa demais.

    Assim eu dava uma leve compartilhada de informações pessoais. Esperando ver a reação da mesma para com o que eu falava. Afinal eu queria tocar em assuntos delicados dela e só teria direito de fazê-lo se eu fosse recíproca. Assim eu tinha de dar a abertura para tal. Enquanto isso finalmente chegávamos no ponto mais isolado da festa, para então terminarmos nossa caminhada. Me virando para ela e desarrumando um pouco minha postura ereta. Dando uma forte esticada na coluna antes de prosseguir falando com bastante empatia em minhas palavras.

    - Finalmente a sós. Posso dizer que estou muito feliz em finalmente lhe encontrar. Como também estava um pouco ansiosa com isso.

    Teste de Carisma + Empatia
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Dados em 14/6/2017, 15:44

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 16/6/2017, 12:50

    Vocês duas finalmente ficavam a sós ali na area ligeiramente escura que separava a area da piscina do terreno verde ao fundo da sua propriedade. Letizia não precisava verbalizar nada sobre a sua primeira frase, um simples sorriso e o relaxar dos ombros, seguidos de uma mudança total de postura já a indicavam que ela estava aberta a um diálogo franco.

    -Também tenho que dizer o mesmo, tive até dificuldades para dormir devido o tamanho da ansiedade que senti. E estou verdadeiramente feliz em vê-la finalmente, mas...

    A lindíssima loira que escondia toda a palidez de sua pele visível com uma fina e delicada maquiagem, simulava uma longa respiração, tão pesada que chegava a de fato soprar uma breve baforada de ar pelos lábios.

    -Eu por pouco não consigo vir. A punição que minha filha aplicou a meu neto foi, foi severa em demasia e o desentendimento com ela se transformou em um problema. Ela sofreu claras quebras morais, digamos que, a mesma não acreditava totalmente na minha humanidade. Algo que eu me acostumei a ver, mas ainda me fere... Como se eu fosse um monstro a tanto tempo perdido que jamais pudesse ser humana...

    A experiente Lasombra então buscou a piscina com os olhos e tocou o pequeno portão que separava as áreas com a mão esquerda. Forçando um sorriso na face.

    -Desculpe-me pelas minhas angústias sim? Estou apenas ainda a me recompor das situações do começo dessa noite. Você deve entender perfeitamente como é esse conflito... certo?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 18/6/2017, 00:56

    As palavras de Letízia me tocavam de forma bastante forte. Era difícil esconder minha reação. Impossível não me solidarizar. Mais que sentir a dor dela, eu viva a dor dela. Cada instante corria na minha mente a imagem de meu Alonzo. Cada segundo que passou até eu ter certeza que ele estava realmente em torpor e não morto por minhas mãos. Era uma dor sem igual. Assim eu não podia controlar mais a mim mesma. Tinha de quebrar o jogo e ser sincera. "Espere mais um pouco irmã. Só mais um pouco."

    - Se eu entendo o seu conflito? Permita-me contar algo bastante pessoal. Não imaginava que lhe contaria ainda. Mas preciso que você entenda.

    Eu dava uma expressiva esticada em minha coluna antes de falar. Não desviava por nenhum segundo meus olhos dela. Fazia um pequeno silêncio, pondo coragem em mim mesma para falar as palavras seguintes em voz alta.

    - Ontem a noite, um de meus netos e prole minha... Eu... Eu enfiei uma estaca em seu coração. Um centímetro a mais para dentro e o teria matado. Não é o mesmo que o ver morto, eu sei. Mas após quase quatro séculos o carregando nas minhas costas, o protegendo, o amando... É como se ele realmente tivesse morrido...

    Cada palavra que eu dizia me trazia novamente para aquela memória dentro de mim. Impossível esconder ela. Após o incidente eu coloquei vaios assuntos novos na minha cabeça. Mas a verdade é que eu havia matado um pouco de mim naquele ato e não importava o que eu fazia, a dor me seguia. De certa forma falar agora me trazia um certo alívio. Minha face demonstrava claramente isso.

    - Por isso, de coração, eu entendo a sua dor Letízia. O que faz eu ficar muito honrada em saber que mesmo assim você veio para a minha festa.

    Mesmo com tanta tristeza. Me dava ao luxo de sorrir para a Letízia. Me vendo aliviada de por aquilo para fora. Mas mais que isso, me via feliz de poder falar isso para alguém. De certa forma já estava confiando nela, afinal ela havia se provado merecedora de minha confiança. Sentir isso era um dos motivos de meu sorriso. No final daquele instante sorrindo voltava a falar com calma e tranquilidade.

    - Eu consigo olhar em seus olhos e sentir o quão viva é a sua humanidade. Deve ser aterrador sua própria filha não conseguir ver isso em você. Não consigo realmente entender essa dor sua. Só que entendo sua tristeza ao notar que ela também está sofrendo. Perdida entre suas próprias crises morais. Minhas duas proles possuem suas próprias crises. Queria conseguir ajudá-los. Mas nossos elos próximos terminam deixando tudo mais difícil. Só que nesse exato momento, não são eles que eu gostaria de ajudar.

    Mais uma vez eu esticava minha coluna. Um pouco surpresa comigo mesma ali. Mas decidida a manter aquela linha de raciocínio. Cada palavra que eu falava deixava toda aquela minha dor a flor da pele. Sentir que eu poderia ajudar a Matriarca a minha frente me trazia forças. Forças o suficiente para segurar as mãos dela enquanto a encarava antes da minha frase seguinte. A olhando com um olhar novo. Um olhar de confiança. Aquele que só temos com amigos.

    - Se você se sentir confortável. Porque não chama sua filha a participar de nossas festividades aqui em casa amanhã?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 18/6/2017, 02:01

    Seu silêncio inicial de tomada de coragem causava uma notória aflição na expressão de Letizia, essa entretanto ainda se segurava e mantinha os olhos verdes ligados aos seus. Olhos que seguiam cada pequena expressão, cada pequena reação e fala, havia empatia ali. Uma empatia tão forte que quase se materializava entre vocês duas e as unia com um laço poderoso de confiança. Seu coração era aberto e recebido com carinho por mãos tão machucadas quanto as tuas!

    -Você é uma mulher maravilhosa Loretta! Obrigada por me ver viva. É a primeira vez...

    Graciosamente, ela subia a sua mão esquerda até o lábio e a beijava na altura dos dedos centrais. Em seguida, era a direita que se levantava e recebia os lábios dela no alto das costas da mesma, bem próximo ao começo do pulso.

    -Compadeço de tua dor, minha primeira prole encontrou o mesmo destino pelas minhas próprias mãos, todavia elas não era humanas nos primórdios de minha caminhada por essa dolorosa, solitária e escura trilha da humanidade... Eu sequer consigo me lembrar o que senti, porque dentro da noite mais tenebrosa não há sentimento. E é por isso, que sim, eu aceito sua proposta... Porque eu vi nos olhos de minha filha aquelas lágrimas. Ela me ama Loretta, mas está perdida na escuridão e eu... Eu não consigo tocá-la porque dói muito.

    Tomando a inciativa de lhe abraçar, Letizia a envolvia em um quente e amigável abraço. Um abraço que ela parecia sonhar em um dia ter, um abraço que carregava tantos sentimentos lindos e assustados. Junto aos seus ouvidos essa murmurava em um com de confissão:

    -Eu posso ajudá-los... Quero ajudá-la Loretta. Porque eu a admiro, a respeito e acima de tudo isso querida... Eu, Letizia di Francesco não aguento mais viver solitária nesse caminho, porque eu sei de onde vim, mas não tenho a menor ideia para onde ir! Há uma guerra vindo e o caminho de volta é confortável, preciso confiar em alguém. Esse alguém pode ser você?

    O abraço acabava, mas o calor de Letizia ainda aquecia a sua pele mesmo distante como estava agora. Envergonhada, a mesma desviava os olhos, nesse instante não restaram mais dúvidas: Todas as máscaras foram removidas, ela a verdadeira anciã diante seus olhos. Ela se abria sem medo de ser ignorada, mas se envergonhava por estar exposta, uma linda reação de um solitário coração magnífico, que pulsava bravamente para manter as trevas sob domínio.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 18/6/2017, 19:42

    Aquele abraço se mostrava bastante especial. Não era um caloroso abraço, só que a empatia que eu estava sentido pela Letícia trazia uma sensação morna muito especial. Me perdia naquele gesto de afeto por alguns instantes. Com minhas mãos de leve acariciando as costas dela. Não havia nenhuma malícia ali. Era apenas eu sendo sincera e emotiva.

    - Vamos caminhar juntas. Impedindo uma a outra de tropeçar. Seguiremos fortes e um dia conseguiremos trazer estabilidade para a região e para nós mesas.

    Quase dava vontade de chorar podendo falar aquelas especiais palavras. Felizmente eu estava em um profundo sentimento de alívio e conseguia me manter calma. Claro que fazendo umas leves esticadas na coluna quando o abraço terminava. Era difícil definir que eu estava feliz agora, afinal havia muita coisa triste em minha mente. Mas todo aquele descarrego claramente me deixava leve ao ponto de poder sorris na frase seguinte.

    - Fico profundamente feliz em você aceitar meu convite. Farei tudo dentro de minhas capacidades e além. Fico sem palavras no entanto para corresponder isso que você está me oferecendo. Obrigada...

    Eu dava então um passo na direção da piscina. Contemplando essa enquanto falava minha última fala. Realmente queria poder sentar um pouco ali e me recompor por completa depois dessa exposição toda. Ligeiramente me sentia corada. Um pouco envergonhada no mesmo tom que a Letízia. Era um sentimento bem especial e parecido. Não havia medo de mostrar quem eu era de verdade para ela. Só que ao mesmo tempo havia um pouco de vergonha de me ouvir falando palavras que nunca antes disse. Assim esticava mais uma vez a coluna e sorria após sentir mais uma similaridade nossa.

    - Mais tarde posso lhe apresentar minhas proles. Por hora quero apenas poder passar um tempo contigo. Se eu pudesse sentava agora na borda da piscina contigo. Infelizmente vou pedir mais ou menos uma hora para podermos conversar com calma. Possuo agora uma reunião muito sensível e delicada para fazer. Me sinto profundamente rude em ter de lhe deixar aqui por um tempo. Pelo menos teremos um tempo para meditar melhor sobre nossa conversa. E quando eu voltar, serei toda sua.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 19/6/2017, 15:13

    Letiza não a seguia inicialmente, parada no mesmo lugar ela observava as suas movimentações e ações, atenta essa só se aproximava quando você estava à terminar a sua última frase.

    -Será toda minha?!

    Indagava a matriarca que parava do seu lado, olhando para a piscina e tomando a sua mão direita com bastante carinho. O tom de voz era maroto, uma clara brincadeira para soltar a tensão que havia naquele momento tão delicado e intimo. Ela então levou os olhos na sua direção e sorriu com afeto:

    -Você irá se reunir com sua irmã correto? Notei que ela abandonou a sua dança, não é uma falta de educação ou algo assim querida, é família e eu entendo... Perfeitamente...

    Entrelaçando os dedos nos seus, em uma lenta ação, encaixando um dedo após o outro no meio dos seus. Ela deixava bem claro o que ela queria de ti, o quanto ela precisava de alguém que pudesse tocá-la, alguém com quem pudesse desabafar e acima de tudo, uma relação empática.

    -Sabe de uma coisa, eu vou deixá-la ir sim. Seria egoismo mantê-la aqui, afinal será só uma hora... Eu já esperei tantos anos, horas são só um piscar de olhos. Vá cuidar de sua família, mas volte para que eu possa cuidar de ti!

    A mulher puxava a sua mão até a altura dos lábios dela e depositava um curto beijo nos seus dedos, para finalmente olhar de novo para a piscina e murmurar de maneira envergonhada:

    -Mas... Antes de ir, me dê um beijo e um abraço?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 19/6/2017, 17:40

    Dava um curta risinho com a fala dela. Assim ficava a observar a piscina até sentir a mão dela tocando na minha novamente. O que fazia eu voltar a olhar no meio do verde dos olhos dela, me sentindo perdida naquela linda floresta. Escutava o que ela falava e não me surpreendia com a perspicácia, fazia realmente sentido. Assim balançava a cabeça positivamente antes de falar.

    - Correto. Não garanto que será uma conversa tranquila. Mas também não garanto que haverá hostilidade. Não sei o que esperar na verdade. Apenas espero que ela faça a escolha mais sábia antes da guerra começar de verdade.

    Minha falava ficava um pouco perdida. Enquanto eu desviava meus olhos para o infinito meditando um pouco sobre as inúmeras possibilidades que viriam a acontecer. Era uma importante conversa que estava para ocorrer. Assim sentia um frio na barriga, temendo as inúmeras possibilidades.

    - Não se preocupe, estarei de volta só para você. E então poderemos conversar. Tenho muitos assuntos para compartilhar. Mas sim, serei toda sua, só não abuse muito.

    Ria um pouco de minha pequena piadinha. Então ficava agora sentindo meus dedos sendo entrelaçados. Os observando calmamente. Dava uma curta apertada para conseguir sentir melhor a mão dela. Aquela falta de contato era muito forte. havia vontade de sequer desgrudar os dedos. Infelizmente eu tinha compromissos. Assim sentia o beijo dela com um curto arrepio e sentia que seria minha deixa para sair. Contudo aquela última fala dela me fez sorrir. "Também preciso muito de um beijo e um abraço."

    - Claro...

    Sem largar a mão dela me aproximei. Ficando de frente para a Letízia. Levando minha outra mãos para as costas dela enquanto me aproximava. Apenas focando nos seus belos olhos verdes. Fui chegando perto lentamente. Até nossos lábios se tocarem. Me permitindo sentir toda a superfície dos lábios dela, virando o rosto um pouco para o lado para que nossas bocas se encaixassem direito. Enquanto isso acariciava as costas dela com ternura enquanto inspirava para sentir a fragrância dela. Com a outra mão ainda entrelaçada com ela. Assim fiquei deixando a La Sombra poder reagir um pouco antes de terminarmos aquele ato profundamente empático.


    Última edição por King Jogador em 21/6/2017, 16:25, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 19/6/2017, 19:36

    Ela ria brevemente junto contigo após a sua piada, uma risada curta que terminava em uma mordiscada no lábio inferior, mas tão suave que não tinha nenhuma conotação vulgar, era apenas uma sensualidade que era natural da mulher que não só era linda, mas que amava ser como era.

    Frente a frente e tão próximas uma da outra, a diferença de altura finalmente aparecia, você era mais alta e isso a permitia uma percepção maravilhosa das reações de Lasombra.

    A loira firmava o aperto de mãos, o toque suave e aveludado das delicadas mãos dela começavam a se aquecer de maneira tímida, rompendo aquele frio comum do contato cainita. Seus olhos assistiam como gradativamente o vitae poderoso daquela anciã circulava pelo corpo dela, principalmente na região do colo, seus olhos inclusive viam a tonalidade rosada que tomava conta da pele que era exibida pelo longo decote da matriarca. Seu toque nas costas dela a fizeram ficar na ponta dos pés, ela subia o queixo  e travava os olhos verdes no centro dos seus.

    A distância foi diminuindo, seus lábios se tocavam e prontamente você sentia o adocicado sabor do suave hidratante que fora aplicado ali para dar uma branda coloração mais vívida a eles. Seus lábios iam então se tocando, enquanto seu nariz era tomado pelo requintado do perfume de acácias selvagens, uma fragrância que nunca sairia da sua memória.

    Retribuindo a sua iniciativa, Letizia levava a mão também as suas costas, mas já no final dessas, brincando suavemente de ultrapassar a linha da sua lombar até quase tocar uma das suas nádegas e voltar. Agora era a vez dela de reagir, você sentia isso antes mesmo de ocorrer e seu corpo já ansiava pelo o que ela poderia fazer!

    Letizia gentilmente diminuía o espaço enter vocês duas, puxando-a para mais perto e dando um beijo estalado nos seus lábios. Para sorrir e falar:

    -Feche os olhos...

    Esperando que você aceitasse, ela a beijava com muito carinho, não era um toque lascivo mas também não era apenas um beijo entre amigas. Era único, brando e cuidadoso. A intensidade da língua era milimetricamente controlada, mas isso não a impedia de tocar na sua em um convite adorável. O beijo continuava, ficando mais acelerado, seus lábios se tocavam totalmente por vários instantes, talvez alguns minutos... Quem realmente se importava com o tempo?

    O final, era dado por ela! Uma mordia o seu lábio inferior, puxando-o lentamente para frente e o soltando de acordo com que ela ia se distanciando. Dessa forma o beijo entre vocês terminava e ela sorria:

    -Vou te esperar, minha Loretta! Agora vá, antes que eu resolva de fato tê-la só pra mim!  
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 20/6/2017, 13:47

    "Que beijo foi esse?" Meu corpo se estremecia todo com o novo toque que a Letízia fazia e mim. Um delicioso calafrio tomava todos os meus nervos, na medida que meus lábios iam sentindo os dela. Sentia o singelo toque da língua dela na minha, timidamente retribuindo. Mas logo me contendo para não me entregar toda. Meu corpo inteiro isolado e ignorado de trator carnais me implorava agora a se entregar por completo. Foi o que fizera em primeiro plano eu a beijá-la de forma tão latente. Mas não era exatamente o que eu queria. Ou o que eu achava que queria ou não. Estava confusa, totalmente confusa sobre meus sentimentos. Podendo apenas apreciar aquele beijo enquanto lutava comigo mesma para não pular com os dois pés naquele novo lugar emocionante.

    "Loretta sua maluca! Como assim você beija ela? Mas eu precisava e a resposta dela foi tão boa..." Eu me afastava do rosto da Matriarca com um singelo sorriso no rosto. Era um misto de vergonha com alegria. Muita alegria por sinal, uma quantidade o suficiente para adoçar toda aquela amargura que eu havia causado em mim mesma falando dos daqueles assuntos delicados mais cedo naquela noite. Então eu me colocava a encarar a Letízia. Realmente cogitando em esquecer meus planos e ficar com ela mais. A verdade não era que eu tivesse profundos sentimentos pela La Sombra. Provavelmente não terei dessa precisa forma. Ela sem sombre de dúvida se tornará uma amiga essencial, só que além disso o meu amago não clama por ela em específico. Clama na verdade apenas por alguém. Assim a encaro por alguns segundos, me contendo para só então a responder.

    - Não vá a lugar nenhum. Ou vou ter de te caçar depois. Já volto!

    Dava uma curta risada. Assim brevemente puxava as mãos dela para meus lábios. Retribuindo os beijos que ela fizera nos minhas mãos instantes antes. Não desviava meus olhos dos dela. Então finalmente começava a me afastar. Dando ainda dois passos de costas a encarando. Para só então virar e atravessar a porteira. Assim tentando focar apenas em Elena agora. Colocando aquela conversa que tivera com minha irmã para passar por minha cabeça e deixá-la como único foco. De tal forma, ia atravessando o pequeno bosque e logo adentrando o campo infestado das minhas uvas. Andando rápido pelo meio da vinícola. Forçando meu corpo a se mesclar com as sombras em profunda garantia na medida que ia até o armazém. Sem hesitar mais, agora havia apenas espaço em mim para minha família.

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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Dados em 20/6/2017, 13:47

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 5, 8, 10, 2, 7, 1, 5
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 20/6/2017, 14:41

    Letizia observou com carinho as suas reações e a deixou ir sem apresentar nenhuma resistência, todavia ela apenas se divertia em fazer uma ameaça de correr atrás de ti. Rindo ela então tirava as sapatilhas para se sentar ali na beira da piscina e mergulhar os pés na água.

    Agora havia então apenas você e a sua terra, atravessando a escuridão da noite com cautela e usando da ofuscação para se proteger de qualquer possível curioso, trançando por entre os caminhos que apenas você era capaz de fazer, seus ouvidos eram tomados apenas pelo barulho típico da noite e o cheiro maravilhoso dos vinhedos que ali haviam. Alguns instantes se passaram e o armazém se apresentava aos seus olhos, as luzes internas estavam desligadas e nenhum único som era emitido de lá dentro.
    Imagens de referência:
    Armazem:
    A Irmã:
    Elena Giovanni

    Roupas:
    Local: Monteriggioni,Castel Pietraio.
    Data: 16 de Abril de 2016: O reencontro.

    Você então adentrou o local e logo tocou nos interruptores para poder visualizar todo o interior daquele privado ambiente que era visitado apenas por ti e sua família, na realidade você tinha a certeza de que apenas você e Andrea realmente utilizavam desse lugar, seus netos não tinham o menor interesse por vinhos e a sua família preferia a casa grande.

    Todavia, algo inesperado se revelava aos seus olhos. A figura acuada e assustada de sua irmã que lhe trazia memórias nada agradáveis, nos momentos mais terríveis após a infância de vocês duas, era embaixo das mesas que ela buscava abrigo. Sempre encolhida e a abraçar as pernas, forçando a cabeça contra os joelhos dobrados e a murmurar uma canção de ninar que ela cantarolava a ti quando seus pesadelos  ocorriam ainda nos primeiros estágios da sua vida... Infelizmente assim era como a sua irmã se apresentava aos seus olhos, encolhida debaixo da mesa, a única diferença era a ausência da canção de ninar, pois ela estava mergulhada em silêncio. Descalça e com os pés sujos como se ela tivesse encontrado dificuldades para chegar até o armazém ou simplesmente optado por sentir a terra da sua propriedade com as próprias solas.

    -Lotta...

    Dizia a linda mulher, movendo suavemente a cabeça na sua direção, revelando uma face triste e os olhos assustadíssimos. A voz dela saia tremula e ela esticava a mão direita em um convite:

    -Me dê apenas um tempo, sim? Para que eu consiga me recompor...
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 21/6/2017, 14:51

    "Por tudo que há de mais sagrado! Elena! Você é a pessoa mais forte que eu conheci! Isso não pode estar acontecendo. É um pesadelo! De tudo que eu esperava ver... O pior que eu podia imaginar era você tentar me ferir. Mas isso..."

    A primeira reação era paralisia total. Meus olhos arregalados vinham a tona. Junto com um frio arrebatador que consumia todas as sensações positivas que já tivera ao longo daquela noite. Sequer esticar a coluna conseguia, como se estivesse tudo grudado no meu corpo impedindo de fazer um espasmo como esse. Meus olhos a fitavam de forma fraca e descompassada, meio desfocados. Olhos mortos e sem vida. Como todo meu corpo se mostrava ficar naquele momento. Tomado por uma lembrança do passado que se tornava absolutamente forte. Deixando escrachado o motivo de todas as coisas ruins que ocorreram na minha vida. Aquilo na minha frente agora era a mensagem absoluta sobre o nosso maior problema e tormento. Nossa maior dor e aflição.

    "Benito... Sua hora vai chegar... Verei os olhos de minha irmã afundarem em alívio com os seus se fechando para sempre. Eu juro..."

    Mesmo totalmente fria e sem vida, era minha irmã ali e eu não podia permanecer daquela forma. Gastava toda a minha energia naquele momento. Tentando por em minha cabeça todas as últimas lembranças de rostos sorridentes. A imagem do Sebastian se permitindo a amar novamente, do Andrea criando esse lindo festival, do Aloísio confiante, da Letízia apaziguada, da Valentina fascinada, da Muriel impressionada, da Grazi animada e da Olympia apaixonada. Ela está apaixonada? Não sei, mas pensar assim me deixa mais feliz. Logo foco em todos esses sorriso e finalmente estico minha coluna. Para dar três longas passadas até minha irmã e rapidamente segurar a mão dela com a minha direita. Não hesitando de gastar minha energia exacerbando minha sede para que meu toque não seja gélido e sim quente com meu sangue correndo pela minha mão. Para imediatamente a puxar para meu abraço e ignorar o resto do mundo que caía ao redor dela.

    - Estou aqui irmãzona. Juntas nada pode nos separar. Nada pode nos deter. Eu estou aqui. Não vou sair de perto. Não novamente. Não nunca mais. Eu juro por tudo de mais sagrado. Juro pela minha filha, minha Ermínia.

    Off - Gasto um ponto de sangue para aquecer a mão direita.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 21/6/2017, 16:28

    O toque das suas mãos fazia um pequeno choque térmico já esperado, afinal a mão dela era gelada como a de uma verdadeira anciã deveria ser. Mas a sua estava aquecida pelas lindas memórias que lhe davam força naquela difícil cena, a sua irmã que sempre foi corajosa e perfeita, parecia quebrada e exausta! Sem pestanejar, ela se jogava para dentro do seu abraço e o aproveitava o máximo que conseguia do mesmo, apoiando a face no seu ombro, para timidamente tocar as suas costas.

    Alguns minutos se passaram até que ela pudesse parar de tremer, deixando gradativamente para trás aquela postura debilitada que ela sempre demonstrou nos instantes que precediam os abusos que Benito. As mãos dela se firmavam nas suas costas apertando-a um pouco para sussurrar em seu ouvido:

    -Obrigada irmãzinha, se me ajudar acredito que posso ficar de pé... Mas eu... não queria sair desse abraço...

    Confessava Elena com uma voz tímida, indicando que desejava se sentar ali e permanecer nos seus braços.

    -Eu quis vir aqui para lhe mostrar o quão forte eu estava, dá pra acreditar? Queria lhe assustar, para que você voltasse à Florença o mais rápido possível. Aquele desgraçado me garantiu que com a força do vite, irá reinar absoluto nessas terras, ele passou de todos os limites! Ele obrigou Eloisa à devorar uma de suas novas abominações infantis... Ele me fez... Que ódio! QUE RAIVA!

    A besta de Elena se soltava como um animal selvagem que rugia ferido para espantar todos de seu arredor. Um poderoso urro que não saia do interior daquelas paredes mas que revelava algo aterrorizante: Elena estava um passo mais próxima de Caim! Irada ela continha um choro e escondia a face no seu ombro outra vez.

    -Lotta... Eu estava feliz em saber que ninguém a tocava em Florença, porque eu fiquei sem saber o que de fato havia acontecido, ele fez de mim uma infernal criatura dependente das almas que ele me obrigava a devorar, até que eu me viciasse e implorasse por outras... Por favor Lotta eu não aguento mais, me ajude a por fim nesse monstro que ele me obrigou a ser!

    Acalmando-se e escondendo toda a poderosa e vil besta para dentro de seu corpo, a sua irmã então murmurava em seu ouvido:

    -Você sabia não é mesmo? Você sabia e por isso se foi... Eu morro de inveja de ti!
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 22/6/2017, 00:17

    "Eu sempre temi isso. Infelizmente não me surpreendo. É o poder da irmã de Letízia, não é? Ai minha Elena. Como eu pude lhe deixar para trás? Pensei tanto em meus medos. Odiei tanto você por ter me deixado fugir sozinha. Eu fui uma egoísta. Deixei você e Eloísa sofrerem mais do que eu queria imaginar ser possível. Fui ingênua achando que depois de tanto tempo você não teria mais como sofrer na mão dele. Não posso permitir que sofra mais. Tenho de me redimir."

    A abraço com todo o afeto que posso demonstrar. As palavras dela deixavam minha coluna com um leve tique nervoso. Me fazendo me esticar algumas vezes. Logo focava em acariciar o cabelo dela com minha mão direita ainda quente. Fazendo um carinho próximo ao que ela fazia em mim quando eu era apenas uma criança.

    - Sim, eu sabia. Infelizmente não fui discreta e ele sabe que sei. Por isso tive de fugir. A Elena... Como eu queria que você tivesse fugido comigo. Mas eu não podia lhe contar o motivo. Pois eu jamais saberia que conseguiria ganhar segurança em Florença, imaginando que seria caçada por toda a eternidade. Tinha de lhe dar a opção de não sofrer isso. Como me arrependo de não ter sido mais insistente contigo na época. Infelizmente eu não sabia tanto da sorte que eu teria, quanto da insanidade que Benito sofreria após acordar do amaranto.

    Fazia uma curta pausa. Esperando que ela conseguisse absorver as minhas palavras. Eram séculos com aquelas verdades em minha cabeça. Sem ninguém no mundo para compartilhar. Junto com a terrível lembrança do inverno que a abandonei. Recriando em minha cabeça inúmero cenários de conversas que poderíamos ter tido que a teria convencido a fugir comigo.

    - Entenda uma coisa muito importante. Eu mesma demorei para entender isso e por isso só estou de volta em casa agora. A grande verdade é que o poder mais elevado de seu sangue pouco importa, sequer o poder colossal de nosso detestável senhor. Não é este o poder que domina o palco atual do mundo. O verdadeiro poder está na influência. Algo que não importa o quanto Benito se esforce, eu sempre estarei vários passos a frente dele. Veja esse evento por exemplo. A exatas vinte e quatro horas atrás, eu tinha acabado de tirar unicamente da minha cabeça a ideia de realizá-lo. E cá estamos com metade das figuras mais influentes da região na minha morada. Contudo não é de longe apenas essa a minha capacidade. Pois o nosso clã modernizou. Apagou seu passado diablerista e necromântico por um futuro humanista na Camarilla. Nosso senhor jamais será bem vindo na nova ordem. Enquanto eu estou com os dois pés lá dentro e muitos aliados de renome. Assim sendo, saiba que não é excesso de confiança meu ou pura insanidade. É apenas a modernidade invertendo os papeis.

    Estas palavras eram importantes para ela ouvir. Mas eram para mim também. Pois agora minhas suspeitas estavam confirmadas e meu inimigo se mostrava infinitamente mais poderoso. Preciso tomar medidas mais latentes. Preciso ser mais rígida no meu ataque contra ele. Tenho de quebrar meus receios e estender minha linhagem, não cabendo apenas ao Aloísio assim fazer. Mas mais que isso. Tenho de envolver meu clã nesse conflito e preciso ser letal em minha ação. Preciso aproveitar de todos os recursos que possuo. Pois essa guerra será mais complexa do que todos imaginam.

    - De fato ninguém me tocaria em Florença. Só que de certo modo eu trouce a Florença comigo. Não serei tocada aqui de forma alguma. E o mais importante, você não será tocada também. Por isso é mais que um reles pedido meu quando lhe convido a não sair daqui de minha propriedade. Está na hora de eu compensar por tudo que deixei você passar sozinha. Não posso aceitar um não como resposta. Aquele destestável homem não pode mais tocar em você, abusar de você. Tudo neste mundo uma hora acaba. O tempo dele está chegando ao fim e até lá, já lhe dou sua liberdade.

    Não podia mais permitir que aquele cenário de pesadelo prosseguisse. Não era hora de fazer pedidos para minha irmã. Não tinha mais como recriar aquela conversa do inverno no começo dos tempos. Era tarde demais para isso. Agora era hora de medidas imediatas. "Preciso salvar minha irmã desse tormento. Preciso compensar meu egoísmo e meus receios. Preciso honrar a lembrança de Tirone. Não posso falhar com vocês agora."

    - Eu não consigo entender a dor que você passa. Mas a sinto apenas olhando em seus olhos. É uma dor que... Não existe palavras... Por isso eu entendo o seu desespero. Entendo sua falta de forças. E por isso compreendo seu pedido.

    Faço uma curta pausa. Refletindo de verdade sobre o pedido dela. Para ser tomada por um terrível calafrio ao absorver aquele assunto. Era um pensamento negro e cruel. Mas não podia ignorá-lo. Não depois da dor que a vi sentir. "Se for meu destino sujar minha alma por sua paz eterna, eu assim farei. Pois lhe amo."

    - Contudo o recusarei cumpri-lo. E o recusarei cumpri-lo pelos próximos dois dias. Só quando me pedir novamente no terceiro dia, aceitarei, afinal se este momento chegar, saberei que realmente falhei. Enquanto isso, quero aproveitar a minha irmã. Quero poder lhe fazer feliz. Lhe dar aquilo que você merece ter.

    Assim a largava por um instante. Dando cinco passadas largas até a lateral da sala. Não desviando o olhar de Elena. Deixando claro que não a deixaria fugir. Mesmo sendo fraca para a segurar, deixava explícito que não iria desistir. Não haveria força neste mundo para a tirar de minha casa agora. Só que agora não era hora disso. Por isso estava de frente para um de meus barris de uvas frescas recém cortadas. Guardadas num grande barril de dois metros e meio de diâmetro. Não era atoa que escolhera aquele lugar para nosso encontro. Assim me virava de costas e começava a retirar a tampa daquele tonel empenhando bastante força. Revelando o seu interior com aquele enorme cheiro de uvas maduras. Para então depois de uma longa degustação daquele aroma, me virar para minha irmã. Sorrindo para ela de forma sincera e com as mãos fazendo um gesto de escadinha simulando que a colocaria para dentro do tonel. Então a convidava.

    - Me acompanha?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 22/6/2017, 09:35

    A sua quente mão tomava os cabelos suavemente molhados de Elena, o toque a acalmava bastante e a fazia retornar a uma postura mais delicada e branda. Ouvindo as suas palavras em silêncio, todas elas até a sua recusa, ela escondia a face quando você se negava a aceitar aquele terrível pedido.

    Sentindo que você a largava, Elena se colocava imediatamente de pé, virando-se de maneira até agressiva para olhar os arredores. Um movimento que era seguido de uma inesperada onda de vergonha, afinal, você estava ali deixando claro à ela que nada de errado e nenhum abandono ocorreria.

    -Loretta você ficou tão forte...

    Ela então andava na sua direção, indicando que havia aceitado o convite mas parava junto do tonel, apoiando as mãos no mesmo e buscando olhar para você de uma distância menor.

    -Lembra-se que era eu a lhe oferecer a mão? Você sempre foi menorzinha e magricela, parecia até um garotinho quando era bem mocinha!

    Elena sorria mais aliviada ao se lembrar do passado alegre que havia precedido o tormento da vida adulta, dessa forma ela aceitava a sua ação e adentrava o tonel de uvas, afundando os pés entre elas para fechar os olhos e dizer:

    -O incêndio o fez acionar os planos de guerra, acreditando que foi obra dos Francesco, ele começou a mover as peças. Tive a permissão para vir aqui para obrigá-la, custe o que custar, a jurar sua lealdade a ele.

    Ele se virava para estender as mãos na sua direção, ela parecia aos poucos conseguir de fato voltar a uma estabilidade emocional mais firme e controlada.

    -Mas foi com essa ordem que eu pude enfim me libertar, posso ter sido transformada em um monstro. Ter a mais suja de todas as almas, ser merecedora de todas as punições... Todavia, ferir minha irmãzinha? Minha Loretta? Jamais. Temos nossas diferenças irmã, até pequenas amarguras. Mas eu jamais levantaria a minha mão contra ti, a minha lealdade é para com a minha família e você é a minha família.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 22/6/2017, 13:15

    As reações de Elena me faziam notar o quão ferida ela estava. O quão machucada e quebrada estava sua consciência. Era doloroso ver aquilo, mas virei a cabeça por anos demais, tempo demais. Era hora de encarar aquela ferida, a verdadeira ferida que foi a causa de qualquer amargura menor que passei em Florença. Sequer a sina de meus netos se comparam com a dor que meu senhor causou a minha Elena. Felizmente ela se mostrava em um pequeno processo de recuperação. Me permitindo sorrir ao ouvir sobre as lembranças dela.

    - Eu parecia um garotinho?!

    Faço a pergunta em um tom divertido. Realizando uma pequena careta com a face. Realmente me lembrando de como eu era feinha quando pequena. Como também concordando que em todas as minhas lembranças, minha irmã sempre foi linda e esplendorosa. O que me fazia apenas dar uma curta risadinha agora. Para então poder finalmente a ajudar a subir no tonel. Vê-la afundar os pés ali e sentir o alívio da sensação era lindo de se ver. Trazia já um pequeno alívio. "Sua cura está apenas começando." Em seguida ouvia as palavras dela e prontamente respondia.

    - Benito está realmente perdido achando que foram os Francescos que queimaram Acquaviva. Ele definitivamente não tem noção dos limites de minhas capacidades.

    Era satisfatório saber que meu plano havia dado realmente certo. A verdade é que fora um arriscado improviso para melhorar minha relação com meus netos. Só que era também uma prova que eu tinha de fato capacidades acima do esperado. Porém, agora não era o momento para pensar mais nesse tipo de plano. Não queria mais ter de pensar naquela pessoa, não neste especial momento. Assim me abaixava para tirar minhas sapatilhas.

    - Mas basta de falar daquele detestável homem. Agora você está comigo, vai ficar aqui em casa e cuidarei de suas feridas. Serei a irmã que sempre tive que ter sido.

    Então me levantava novamente, agora descalça. Para finalmente segurar as mãos de Elena e poder escalar até dentro do barril. Imediatamente enfiando meus pés entre as uvas até os afundar. Tentando com meus dedos pressionar algumas e as estouras ali. Conseguindo ter aquela maravilhosa sensação profunda e mergulhada de uma linda nostalgia. Até a lembrança da face de minha mãe vinha em minha cabeça neste momento. Meu sorriso ficava bem marcado e olhava diretamente para minha irmã. Sem um pingo de amargura ou tristeza dentro de minha face. Apenas fazendo aquele lindo sorriso que tanto fazia quando ainda era uma pequena criança. Para finalmente falar.

    - Gostaria de dançar com essa magricela boba que te ama tanto, irmãzona?
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 23/6/2017, 21:49

    -Parecia sim, mas era tão lindinho! Com os joelhos meio quadradinhos e uns olhos radiantes!

    Brincava Elena com as informações do passado deixando curiosamente interessante como a percepção dela era diferente da sua! A mulher estava a tatear com os pés ainda de maneira bastante tímida as uvas de dentro daquele tonel enquanto ouvia as suas declarações.

    -Irmã!! Foi você que ateou fogo em Acquaviva? Deus! Você está realmente muitos passos à frente! Ele não tem a menor ideia de como você está forte! Eu vi a presença da Matriarca Francesco, vocês são aliadas!?

    Posteriormente, Elena segurava com firmeza as suas mãos lhe oferecendo ajuda para que você pudesse compartilhar daquelas uvas com ela. E gentilmente ela dava inicio a um toque que não lhe era nada estranho, na verdade, era o que você mais esperava todo dia da sua infância: A sua linda irmã se aproximava e beijava delicadamente o indicador esquerdo, para depois tocar a ponta do seu nariz e falar:

    -Enfim... chega de política e problemas tens razão! Vamos ter tempo para conversar! Mas agora, pequena, o mundo é cheio de lugares escuros. Mas nossos olhos são claros e sempre irão brilhar... Lembra disso?!

    Questionava a sua irmã mais velha que demonstrava que o descontrole de outrora parecia sumir devido a confiança que você inspirava nela. Fechando os olhos ela dava então inicio a um cantarolar, para finalmente começar a dançar apenas quando as suas respostas fossem pronunciadas.

    A dança enfim acontecia, não exatamente como nos seus sonho, afinal vocês duas agora eram mulheres feitas. Mas as proporções eram satisfatórias, já que os sorrisos mais sinceros entre vocês eram compartilhados. O passado sumia por alguns minutos, junto dele os pesos que os problemas traziam, juntas ali vocês eram as irmãs que brincavam de pisar e dançar sobre as uvas! Era maravilhoso poder ver novamente a linda expressão de sua irmã, que não se controlava e deixava várias lágrimas alegres escorrem de seus olhos, chegando até a errar alguns passos de tanta euforia!

    E aos poucos a dança acabava em um forte abraço de duas irmãs que atravessaram o mais terríveis dos destinos para poderem novamente se reencontrar...
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por King Jogador em 25/6/2017, 23:23

    Apenas balançava a cabeça em afirmação com a pergunta dela. Mas não me estendia no cansativo assunto de política. Não estava mais interessada em me mostrar forte para minha irmã. Agora era o momento de se mostrar humana para ela. De tal forma, minha primeira reação para ela foi um enorme e sincero sorriso. Afinal cada palavra que ela trazia a tona me aproximava mais e mais de minhas lindas lembranças do passado. Deixando tudo mais vívido e especial em minha mente. Como se fosse um recente e especial lembrança de pouco tempo atrás. Após a última fraze dela sorria como em nenhum momento anterior havia sorriso para ela. "Como essa lembrança me aproxima de casa." Logo, com aquele largo sorriso a respondia brandamente.

    - Impossível esquecer deste momento. Impossível esquecer dessas palavras.

    Logo a dança começava e já entrava no ritmo. Aproveitando que estava relativamente aquecida com aquilo. Mesmo sendo drasticamente mais difícil de sapatear em cimas de uvas que iam se estourando podendo a qualquer instante tirar meu equilíbrio, naquele lugar com tão pouco espaço. Felizmente era como poder andar de bicicleta e logo me acostumava novamente. Agora observando como aquele momento era tão próximo e ao mesmo tempo tão distantes das memórias do meu passado. "Não posso correr atrás de recriar tudo que outrora eu tive. É hora de criar algo nova para poder ser recordado. Não adianta tentar reviver o passado e sim aproveitar esse novo e único presente."

    Ver aquelas lágrimas alegres em minha irmã foram sem sombra de dúvidas a emoção mais forte daquele momento. Me fazendo fraquejas um pouco nas minhas pernas. Era o primeiro passo em busca de sarar uma ferida que aparentava não ter cura. Não sabia o quanto eu podia ajudar. Mas já se mostrava que todo meu esforço jamais seria em vão. Afinal o primeiro passo estava dado. Assim, tomada de absoluta alegria, me jogava contra os braços dela. Para fazer um forte abraço, quanto nos atirávamos no chão de uvas. A derrubando de propósito, ainda abraçada nela, dentro daquele mar cheiroso. "Não importa as roupas sujas, Tudo que eu mais quero é prosseguir vivendo esse momento." Assim dava uma longa, profunda, sincera e gostosa gargalhada. Quase de tirar o folego. Para só depois começar o processo de sair de dentro do tonel.
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    Re: Primeiro Arco de Loretta: Ato IV - O Festival

    Mensagem por Danto em 27/6/2017, 13:27

    Vocês duas demonstravam uma dificuldade similar, afinal, dançar sobre uvas era apenas uma memória. Era... Porque o agora ocorria, não mais haveria espaço para um nostálgico sonho. O presente era lindo e sentir a alegria dele se mostrava um prazer incomparável!

    O seu contato contra o corpo de Elena foi retribuído com risadas divertidas, a mesma chegava a soltar um pequeno grito fino e desafinado de susto quando você a puxava contra as uvas. A queda ocorria e ali vocês duas práticamente mergulhavam naquele mar arroxeado de incrível perfume.

    -Meu vestido! Você me paga, volta aqui!

    Elena reagia rápido a sua ameça de sair do tonel, puxando-a com força de volta para as uvas e brincando de "afundar" a sua face nas uvas. Em momento algum era uma ação forçada ou violenta, até o puxão dela era feito contra o seu vestido e não o seu corpo, ou seja, ela deixava bem aberto que você poderia fugir daquela brincadeira.

    Gargalhando, ela soltava você e saia correndo de dentro do tonel de uvas amassadas e pisadas. Já do lado de fora, ela tirava o excesso de uvas do vestido e cabelos. Pegando o tecido da própria roupa pela beirada do mesmo e subindo-o levemente para analisar as manchas.

    -Por sorte você não parece mais um menininho! Vou precisar de roupas! Porque essa aqui vai direto pro lixo né?

      Data/hora atual: 22/7/2017, 19:32