WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

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    Danto
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    Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 12/6/2017, 15:11


    Local: Volterra, Viale dei Filosofi, N 12.
    Data: 16 de Abril de 2016: Sala de estudos.

    Imagens referênciais:
    Arredores da propriedade de Othello:
    Casa de Othello:

    Othello não verbalizava nenhuma resposta, apenas sinalizava que sim com a cabeça positivamente para a sua pergunta sobre a possibilidade de usar a perspectiva oriental para lhe guiar nesse aprendizado. Seu sensei demonstrava uma empolgação notória e em poucos instantes estava no interior da estufa maior, onde ficava a grande mesa de pesquisa dele.

    Movendo a cadeira de lugar e puxando a pelagem que sempre ficava abaixo dessa, Othello te mostrava um novo objeto naquela casa, um alçapão. Puxando a argola do mesmo e tencionando a corrente, o homem abria uma passagem que se assemelhava a um porão, ou seja, havia uma escada e um ambiente escuro pelo qual vocês agora adentravam.

    Todavia, quando a escada terminava, Othello batia duas palmas fracas e secas. Imediatamente uma suave lufada de ar quente se espalhou pelo ambiente e várias velas começaram se ascender, revelando diante seus olhos uma sala de estudos.
    Imagem Referêncial da Sala de Estudos Taumatúrgicos:

    -Regra um do equilíbrio: Para que haja a presença de um, outro deve ausentar-se. Lembre-se do eixo sim?

    Comentava Othello em meio aquele novo ambiente que se apresentava aos seus olhos, a iluminação era feita exclusivamente por velas de cores alaranjadas que brilhavam com vigor dentro daquele local cheio de livros e tomos antigos. Seu pai então caminhou até o centro da sala e fez um sinal para você o seguir.

    -Nosso equilíbrio é mantido... circular, pontas são subjetivas e detalhes, presença ou ausência de círculo não. Pense, farei escuridão voltar sim?! O que a dissipa? Porque? Nem todo ritual é longo, esse é um prático e simples. Ascenda as luzes com...com...com...sua vontade!

    O homem então abria os braços e dizia:

    -Concentração, vontade moldará um elemento e irá liberar através de outro a propagação da sua força. Não há regras, há equilíbrio. Tente sim?!

    Terminando a fala, Othello batia duas palmas breves e as velas se apagavam...
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    Jess

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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 13/6/2017, 11:15

    A resposta positiva de Othello sobre os elementos orientais, arrancou um sorriso mais confiante de Ume, seguindo seu senhor e Sensei a jovem ficou surpresa ao ver o alçapão em um lugar tão conhecido.

    Seguindo Othello, Ume desceu as escadas curiosa, a escuridão em nada a assustava já que a presença de seu Sensei ali estava, mas o bater de palmas de Othello e a iluminação que se seguiu fez a jovem suspirar surpresa.

    “ Essa é a sala de estudos do Otosan?! Quanto conhecimento guardam esses livros?”

    As palavras de Othello logo dissiparam os pensamentos de Ume, a explicação simples a fez relembrar de quantas vezes havia visto Othello fazer pequenas magicas, até mesmo naquela noite quando Abrielle havia trazido a mesa, tudo voltava a mente de Ume com muito mais sentido do que antes.

    “ Mesmo assim é necessário um controle muito grande. Quanto maior o que se quer fazer maior deve ser o controle...”

    Ainda assim a explicação sobre os círculos fez a jovem ponderar com cuidado, o pedido de Othello era simples para quem já estava acostumado a faze-lo, já para Ume era uma prova delicada em que detalhes fariam a diferença.

    “ Tudo bem, fique calma e se concentre, eu posso retirar elementos de dentro do circulo que o equilíbrio será mantido. Só preciso tomar cuidado em como faze-lo e como equilibra-lo adequadamente com os outros.”

    Acenando positivamente com a cabeça para seu Sensei, Ume sorriu com determinação, já diante da escuridão a garota suspirou coçando a nuca. Dando um passo para o lado, a jovem respirou fundo. De olhos fechados Ume desenhou mentalmente um circulo a sua volta, nele haviam os kanjis de cada elemento, terra e ar, madeira e metal, e o fogo, contra pondo o fogo havia delicadamente posto ali o Kanji da vontade.

    Batendo de leve a primeira palma, Ume imaginou o ato de bater uma pederneira de pedra sendo batida contra o metal da isqueira, logo a abaixo havia a madeira pronta para ser o receptáculo do fogo ali criado e de seus lábios o vento a dar vida com suavidade. Na segunda palma mais forte a centelha ganhava vida, demonstrando todo o equilíbrio que havia entre os elementos escolhidos.

    Off: Teste de FV = 7d10


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:22, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Dados em 13/6/2017, 11:15

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 7, 4, 2, 10, 9, 3, 8
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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 16/6/2017, 10:55

    De dentro do seu âmago você sentia algo se iniciar, como se uma pequena fração da sua essência sobrenatural fosse guiada até a ponta dos seus dedos, esses por sua vez se aqueciam brevemente no intervalo entre as suas palmas. Já que a segunda era prontamente feita e uma onda de calor se expandia por todo o interior do local, o pequeno suspense sobre a execução terminava quando o som da queima das velas se fazia presente. Othello batia palmas de maneira bem alegre e você conseguia então ver que tudo havia dado muito certo!

    -Perfeito! Veja, fogo onde deve haver! Olhe! Filha, o equilíbrio...se... o equilíbrio é para todos rituais. Não as trilhas de...tau...as trilhas não. Rituais sim, trilhas disciplinas do poder de nossa condição, rituais não! Por exemplo, o que fizestes para... falar comigo no começo da noite, envolve o ar! O que Lucy fez, água! Entendes?

    Questionava o seu sensei que já se colocava em movimentação, procurando um livro que seria usado ali por vocês. Ele escolhia um grande livro de capa azul, abrindo o mesmo sobre o pedestal. Você imediatamente reconhecia que esse havia sido escrito pelo próprio Othello.

    -Aqui estão... os iniciantes rituais sobre matéria viva. Venha, venha! Filha... escolha... filha, escolha um tópico por onde... por onde que-queira começar!

    O homem abria o livro em um glossário inicial. Ali você lia seis tópicos principais: Encantamento, Compreensão, Germinação, Decomposição, Nutrição e Localização.
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 16/6/2017, 19:18

    De olhos fechados, Ume sentiu a pequena chama se acender primeiro em seus dedos esquentando-os com cuidado, de alguma forma parecia que o calor nascia de dentro do corpo da jovem, quando a segunda palma se fez o calor percorreu Ume por completa se esvaindo com a mesma rapidez, foi o som das palmas de Othello e o cheiro de vela queimando que fez a jovem abrir os olhos e atestar que havia conseguido.

    Dentro de Ume então reinou uma paz silenciosa e calma, ouvindo as explicações de Othello a jovem organizava seus pensamentos e sanava duvidas menores, sorrindo a jovem acenou afirmativamente para seu Sensei.

    - Então magikas como essa e rituais dependem do equilíbrio de elementos e são ligados a um elemento especifico, para rituais se aplica a mesma regra. Porem aos poderes Taumatúrgicos não, já que eles estão subordinados a força do vitae. Isso quer dizer que quanto maior o controle de meus poderes cainitas mais controle eu tenho dos rituais taumatúrgicos?  

    Perguntava a jovem demonstrando toda a sua curiosidade, se aproximando do livro que Othello abria, Ume estudou os temas com interesse enquanto esperava pela resposta de seu Sensei.

    “ É um conceito bem complexo esse do equilíbrio... Será que consigo explicar pro Massi?”

    Lendo com calma o glossário do livro de capa azul, Ume sorriu ao ver a letra de Othello ali, passando a mão sobre a página a jovem apontou para o tema que mais lhe interessava no momento.

    - Que tal começarmos por Compreensão Sensei?!


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:24, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 18/6/2017, 00:48

    -Exatamente filha! Rituais taumatúrgico são...uma...cate-categoria. Ritaes são, outra! Ascender as luzes... Ritae! Usar seu anel, falar comigo é Rituais Taumaturgico. Sim?

    Respondia Othello com um tom de voz animado e como o esperado, toda vez que o homem se animava as palavras se atrapalhavam! Com calma ele tentava se conter, sem muito sucesso, mas a tentativa o ajudava a não sair apontando e fazendo tudo. Ele então indicava que seria melhor você abrir o livro... E assim que você o fazia, seus olhos encontravam o começo do capítulo com a seguinte frase:

    Citação:
    Como a vida surge? Onde está a linha entre a ciência lógica e o empírico imaterial? O quão forte deve ser o sopro da animação? Compreenda... Ou de teus lábios sairão apenas trovoadas!

    E logo abaixo da frase, estavam desenhados dois triângulos virados de ponta para baixo. O primeiro significava "água" e o segundo, tracejado, "terra". E ambos eram conectados pelo termo "feminino".

    -Os estudos arcaicos diziam que...que eram as mu-mulheres a pro-produzir a vida. Não deus, não forças, apenas elas...vo-vocês. Portanto, compreender a vi-vida é necessário terra e água. Meus estudos, todos são bi-biotuamatúrgicos! Vida através da mágika! Entendes?

    O homem então indicava que seria necessário virar a página e havia ali uma longa leitura de quase trinta páginas.

    -Essa é sua lei...essa é a sua leitura para o final...da noite! Tá bem? Mas antes, preciso dizer... como é. Porque toda a vida é magika? Sabe responder?
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 18/6/2017, 01:37

    Ouvindo as primeiras palavras de Othello, Ume concordou com um aceno leve de cabeça, apesar das palavras de seu Sensei saírem de forma descoordenada a jovem sabia bem extrair a mensagem que lhe era passada.  

    Lendo com cuidado a primeira frase do capitulo escolhido, Ume franziu o cenho interessada, ali haviam questões com as quais a cainita nunca havia imaginado, os dois triângulos representando a terra e a água ligadas pela palavra, lhe trouxeram a mente a lição recém aprendida com seu Sensei.

    “ Vida através da magika?! Seria possível criar? Não apenas manipular?!”

    Ouvindo a explicação de Othello com cuidado, Ume fechou os olhos revendo alguns de seus conceitos.

    - A água e a terra criam vida através de sua união, elas são estáveis e menos propensas a mudanças. Juntas elas criam plantas, pântanos, charcos, e muitos outros meios propícios a alimentar e criar vida. Dentro da visão oriental a madeira se uniria a elas para nutri-las. A vida então seria magica porque é uma união entre elas, uma união natural e sem influência de um feiticeiro. Acontece por vontade própria, não é?

    Voltando seus olhos para a frase, Ume suspirou concordando com aquela pequena tarefa para o fim da noite, a jovem compreendia superficialmente o termo que seu Sensei havia usado para especificar seu campo de estudo, era algo que a própria Ume havia começado a praticar ao lado de Othello.

    - É possível manipular a vida da forma que queremos, quando pegamos uma semente a fazemos crescer, apenas aceleramos o processo que ali existe, porque a semente está viva, só precisa do incentivo certo. Mas criar, criar do nada não é arriscado demais?


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:27, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 20/6/2017, 11:12

    Seu sensei concordava com veemência a sua primeira frase, sorrindo alegremente o homem chegava a se aproximar para dar um beijo rápido na sua bochecha. E ali bem perto de ti ele ouvia a sua questão final, oferecendo-lhe a mão direita o homem dizia:

    -Muito... Nosso clã é capaz de fa-fazê-lo... Vamos a horta sim? Algumas coisas são... Mais bem... Olhos entendem mais claramente o que os ouvidos.

    Assim ele indicava a você com a outra mão que seria necessário levar o livro junto de vocês para a area externa da propriedade.

    -É arriscado. Todavia é útil, criar é uma prática mal vista porque gerou conflito... Lembre-se de valorisar a sua cultura, a sabedoria do oriente é... lou-louvável!

    Othello então apenas aguardou pelas suas ações para segurar a sua mão e a guiar até a horta externa que ficava localizada após as estufas, mas fazendo uma curta parada antes de efetivamente adentrar o terreno escuro a frente que se apresentava a frente de vocês.
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 21/6/2017, 11:04

    O beijo de Othello fez Ume rir feliz, a jovem teria pulado e extravasado toda sua euforia se não soubesse que seus pulmões protestariam, mesmo assim a japonesa sorriu deixando expostos a maior quantidade de dentes que podia, junto de suas covinhas.

    Ouvindo as palavras de Othello, a jovem concordava com as explicações deste, aceitando o convite para seguir até a horta Ume rapidamente fechou o livro de capa azul carregando-o com cuidado para seguir seu pai.

    “ Então é possível criar vida! Mesmo que fosse bem aceito eu não me arriscaria a isso. É uma responsabilidade gigantesca.”

    - Eu não irei esquece-la pai. Quando você me ensina é mais fácil ver o quanto de sabedoria minha cultura mãe possui escondida, eu nunca tinha percebido isso antes.

    Deixando que Othello a guiasse, Ume observava o pai com carinho e curiosidade, agora ele era muito mais seu Sensei do que havia podido ser em seus primeiros anos de convivência, algo que a jovem se orgulhava por ter conquistado na noite que havia passado.


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:27, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 21/6/2017, 20:38

    Diante a pequena colina que se iniciava no fundo da propriedade de vocês, colina essa que abrigava uma porção considerável de mata nativa da maravilhosa paisagem verde da Toscana, seu Sensei se mantinha de pé e soltando a tua mão ele apontava para frente, removendo os sapatos, incluindo a meia, subindo a calça até a metade da própria panturrilha e sorrindo em sentir o contato direto com a terra!

    -O primeiro nível de poder conquistado... Dentro da... Linha da Nature-ee-za é a obtenção da sabedoria que há nas plantas... Mas como saber qual delas tem de fato algo à oferecer? Afinal muitas são p-pequenas em demasia... Ou simplesmente, lutam pela própria sobrevivência contra algum inseto ou realizando seus processos metabólicos. Então, como?

    Sorrindo o homem parava na base daquela colina e olhava na direção do relevo, abaixando-se para então morder a base da mão esquerda, abrindo dois furos ali e deixando um pouco do próprio vitae sair. Para posteriormente enfiar a mão junto da terra.

    -Existe um ri-ritual para a permite... Compreender como é a terra q-que nutre as plantas a sua... Frente! Raízes profundas... Plantas antigas e raízes largas plantas... Que precisam de muito e po-possuem muito a oferecer! Além disso pode ser também usado para se apresentar as entidades que habitam as matas...

    Olhando na sua direção, ele a convidava:

    -Venha filha, lembre-se dos equilíbrios. Seja a conexão, a madeira... Compreenda a área que sua casa!
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 21/6/2017, 23:45

    Ume sorriu ao ver seu Sensei retirar os sapatos e arrumar as barras de sua calça, sem precisar que este pedisse a jovem retirou os próprios sapatos e meias, cuidado para que sua calça atingisse uma altura confortável, ao lado de seus próprios sapatos a jovem deixou o livro de seu pai evitando de suja-lo.

    Ouvindo atentamente as palavras de Othello, Ume não conseguiu esconder a surpresa ao saber o que lhe seria ensinado, afinal o orgulho de seu Senhor sempre fora as plantas e a sabedoria destas, imaginar que havia a possibilidade de escolher entre as mais sábias deixava Ume animada.

    “ Faz sentido, eu consegui apenas informações mais recentes da flor que o Sensei me enviou, porque ela era pequena. O que as arvores mais velhas dessa região devem saber?”

    Acenando positivamente para Othelo, Ume se ajoelhou ao seu lado enquanto mordia seu pulso direito para colocá-lo de encontro a terra.  

    - A madeira é a mãe atenciosa e calma, aquela que compreende por natureza. Eu nasci no ano do cavalo que é regido pela madeira.

    Comentava a garota ao fechar os olhos deixando que seu sangue fizesse a ligação com a terra, na mente da jovem a imagem de uma carpa branca descansando sobre uma pedra e a sombra de uma frondosa arvores se formava, na imagem era sobre sua sombra que a carpa descansava, eram suas folhas que protegiam o frondoso peixe do sol.


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:28, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 23/6/2017, 19:22


    De olhos fechados e construindo em sua mente aquela magnífica metáfora, onde você era uma das várias árvores a sua frente a sombrear a mais pura e inocente forma de vida, tua consciência passava por uma modificação inesperada. A primeira sensação foi um pontada na ferida aberta pelas suas presas em seu pulso, o seu vitae era drenado pelo solo enquanto pequenas raízes se envolviam em seu braço como se esse fosse um grande e forte tronco de uma antiga árvore.

    O toque de Othello em seu ombro indicava que tudo estava bem e silenciosamente dizia que você estava a ter sucesso. Posteriormente veio a verdadeira linda sensação de sentir o pulsar daquela terra a sua frente, o som dos pássaros a ecoar poderosamente pelos céus, o perfume dos enorme e velhos cedros, a úmida sensação de uma terra que era profundamente rica de nutrientes e minerais.

    Havia vida na floreta, muitas formas diferentes. De pequenos roedores até mesmo a criaturas predadoras, haviam árvores seculares e flores que ainda nasceriam, era uma sensação maravilhosa de simplesmente ser capaz de ver a floresta de olhos fechados, entendê-la como ela própria se sentia. Com essa conexão era possível sentir que a sua casa estava à sul, pois ela era um objeto estranho, não natural. Todavia, havia nela duas presenças que apaziguavam as estranhezas e permitia que o objeto estranho fosse adotado pela própria mata.

    O segundo objeto estranho estava à leste, no final da mata e descendo a colina que antecedia um grande campo de plantio abandonado. Era uma construção simples de madeira morta, talvez uma pequena casa! Mas tomada pela vida natural e desabitada...

    Finalmente vinha a última sensação, a de que havia muito mais que os sentidos comuns poderiam entender dentro daquela mata. Talvez um espírito? Era difícil precisar, mas existiam formas pensantes e não exatamente materiais a habitar aquela região ou ao menos a coexistir junto dela.

    -Para onde vamos daqui filha? A encontro de um Cedro? Para o Leste? O que você quer compreender primeiro?!

    Questionava Othello, mas dessa vez a voz dele vinha limpar e perfeito à sua mente. Não era através dos lábios que ele se comunicava, mas sim das vinhas que estavam presas ao seu pulso.
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 23/6/2017, 23:45

    De olhos fechados, a pequena pontada de dor em seu pulso fez Ume suspirar, o toque gentil de seu pai a acalmou, já que por debaixo de suas pálpebras as sensações começavam a ganhar contorno.

    A visão cuidadosamente desenhada em sua mente, agora se expandia, a vida de toda a floresta ao seu redor ecoou dentro de Ume, com isso pequenas lagrimas escorreram de seus olhos enquanto um sorriso encantado tingia seus lábios.

    “ É tão grande e viva! O quanto todas elas têm a ensinar? O quão sabias elas são? ”

    Respirando com cuidado, Ume tomou seu tempo para compreender o que via pelos olhos da floresta, o que sentia pelos sentidos dela e ao que reagia. As duas casas estranhas, mas na qual moravam criaturas suaves e boas, a presença imaterial e pensante que no coração habitava, a casa velha e abandonada, mas que as plantas haviam reivindicado, os cedros vivos e sábios. Tudo veio à mente da jovem, que cuidadosamente estudou os caminhos que lhe eram apresentados.

    A voz de Othello, fez Ume abrir os olhos, a jovem sorriu ao perceber que era pelas vinhas que as palavras de seu pai lhe chegavam, com cuidado a garota acariciou as raízes que tomavam seu pulso, era um pedido gentil para que estas a acompanhasse, a guiasse como uma irmã.

    - Os cedros estão mais perto, eu quero visita-los. Mas quero conhecer cada pedaço de minha casa, cada segredo que possa aprender e honrar pai. Você me ajuda?


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:28, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 24/6/2017, 14:27

    As raízes finíssimas que circundavam seu pulso reagiam positivamente ao seu toque e aceitavam seu convite, desprendendo-se do solo para darem precisas sete voltas em torno do seu pulso e apertando o suficiente para proteger a sua ferida aberta e se firmar ali, mas sem causar nenhum tipo de incomodo.

    Othello não disfarçava o enorme sorriso alegre na face por ser mais uma vez chamado por pai, concordando positivamente o homem se colocava de pé, revelando que em um dos pulsos também haviam raízes. E falando contigo sem mover os lábios, ele a respondia através das plantas:

    -Claro minha filha! Claro! Vamos aos velhos cedros!

    Seu pai e sensei aguardou você se ajeitar para dar inicio a uma caminhada ao seu lado. O perfume da floresta era forte e agradável, seus pés afundavam parcialmente na terra escura e vez ou outra, passava por cima de galhos e folhas. Assim vocês subiam a colina que se apresentava à frente, após cinco minutos de caminhada dentro da floresta densa e incrivelmente preservada, vocês chegavam em frente a um lindo e enorme cedro! Circundado por vários outros tão antigos quanto, mas que não alcançavam uma altura tão notória quanto esse.

    Imagem referencial do cedro:

    Othello fazia uma breve pausa, para respirar duas vezes o perfume que as folhas dos cedros emanavam. Sorrindo o homem esticava as mãos para frente, apresentando-as as árvores e indicando que não trazia nada consigo. Em seguida ele andava na direção do enorme e velho cedro, convidando-a segui-lo.

    -Filha, agora tens a oportunidade de descobrir um pouco sobre a grande sabedoria das velhas árvores. Não se intimide, seja sincera lembre-se de seu raciocínio que a trouxe até aqui e se comunique com ela! Use a Linha Verde sem receio, mas seja educada, pergunte sobre qualquer coisa... Elas sempre tem alguma sabedoria para compartilhar.
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 24/6/2017, 16:04

    Foi com interesse que Ume viu as raízes circularem seu pulso com cuidado e segurança, as setes voltas fizeram a jovem sorrir, o número de voltas tinha um significado importante para a jovem aprendiz.

    “ O sete é um número importante para a Capela. Será que isso está marcado no meu sangue?!”

    De pé ao lado de seu Pai e Sensei, Ume sorriu ao ver que no pulso deste também havia raízes, era por elas que Othello falava, ouvindo-o tão claramente a jovem concordou com um leve aceno, em seu íntimo Ume pedia a suas irmãs que fossem sua voz ali.

    - Obrigada por me acompanhar pai.

    Deixando que as raízes lhe servissem como guia, Ume caminhou ao lado de seu pai com cuidado, seus olhos castanhos da cor da terra, estudavam o caminho com interesse, seus pés se deliciavam com o toque áspero da terra e folhas, um toque que a deixava alegre.

    Um largo sorriso de encantamento surgiu nos lábios de Ume ao ver os poderosos cedros, a arvore mais velha e muito mais alta lhe lembrava claramente a imagem de uma mãe orgulhosa de sua família.

    Respirando do perfume natural das arvores, Ume escutou atentamente as palavras de seu pai, concordando com um leve aceno a jovem se aproximou do mais alto cedro ajoelhando-se diante deste. Com delicadeza as mãos da garota tocaram o tronco desta, deixando que o toque a guiasse, Ume pediu as raízes em seu pulso que lhe ajudassem a falar com a grandiosa arvore.

    - Subo Sama, peço desculpas se essa semente esteja lhe incomodando subo. Essa semente gostaria de saber qual se todos os cedros que a rodeiam são de sua linhagem, até onde suas raízes vão?

    OFF: Uso Sabedoria Herbácea para falar com o cedro.
    Teste de FV = 7d10 dif. 4


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:31, editado 2 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Dados em 24/6/2017, 16:04

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 27/6/2017, 12:07

    Diante a enorme e velha árvore, a sua capacidade mágika foi realizada. Mas os acontecimentos que se seguiam não era tão simples como você já havia se acostumado, era a primeira vez que sua habilidade era testada com um corpo vivo tão poderoso e antigo, logo a resposta vinha:

    -Pequeno broto de cerejeira, a resposta de vossa questão é em demasia longa. Epitomá-la-ei. Todas são... Agora, questiona-me a cerca de minhas raízes. Pequeno broto de cerejeira, elas vão até onde o sol jamais chegará, dentro do corpo da Grande Mãe até os legados seculares enterrados pelo espírito do tempo. Elas passam por baixo do teu lar, entrelaçam-se por toda essa colina e suas proximidades.

    A voz dela era feminina e idosa, mas forte e parecia ecoar do alto de seus frondosos galhos. Era uma voz que vinha de cima para baixo e ecoava em torno do seu corpo inteiro, a presença dela era poderosa e imensa, todavia em momento algum demonstrava qualquer tipo de ameaça. Mas mostrava sim, uma simpatia inesperada e reconfortante.

    -E as tuas raízes pequeno broto de cerejeira, até onde elas irão quando você for uma árvore como eu? Em qual solo tu espera fixá-las?

    Durante todo o diálogo, Othello se contentava em apenas assistir com uma expressão calma na face.
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    Jess

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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 27/6/2017, 17:00

    Havia certo receio em Ume, um receio que se dava ao simples fato da grandiosa idade do cedro a sua frente e ainda mais o tamanho da arvore, nunca antes Ume havia tentado conversar com uma planta daquele tamanho.

    Quando a resposta veio a jovem suspirou claramente aliviada, sorrindo a japonesa relaxou o corpo escutando atentamente es palavras daquela gigantesca Subo Sama, ser tratada com carinho pela antiga arvores fez Ume rir baixinho.

    “ Ela é uma avó! Quantas histórias deve ter contado a suas crianças e as crianças delas.”

    Encostando cuidadosamente a testa no tronco da arvore, Ume sorriu diante daquela pergunta, era uma questão curiosa para a jovem japonesa.

    - Minhas raízes?! Eu vim até aqui através do vento, onde nasci minhas folhas foram maltratadas e não conheciam amor, aqui eu conheço a Subo Sama, seria imprudência desse broto desejar que suas raízes crescessem sobre sua proteção Subo?


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:31, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 29/6/2017, 20:36

    -Ventos frios alcançam todas nós, pequeno broto. Arrancam nossas folhas, torcem nossos galhos e maltratam nossas cascas. Eles trazem nuvens escuras, nos fazem sentir falta da luz e da esperança do crescer. É nessa hora que nossas raízes se mostram verdadeiramente importantes, veja pequeno broto, sem raízes firmadas em um terreno seguro, as chuvas nos arrastam e nos expõe. Caímos e quebramos, crescemos cheias de cicatrizes e feridas que jamais fecharão. Mas se nossa raízes forem bem cuidadas, postas delicadamente aos poucos e nutridas pelo amor. Crescemos eternas, fortes e não importa o quão forte forem os ventos, estaremos firmes ao lado de nossos queridos...

    As palavras de sabedoria da grande árvore faziam Othello concordar com um aceno positivo de cabeça. O experiente feiticeiro chegava a fazer um breve carinho no frondoso e espesso tronco da velha árvore.

    -A sua pergunta, pequeno broto, não é imprudente. Imprudente seria não fazê-la, enganar-se ao acreditar que poderia plantar suas raízes longe das de teu Pai. Veja e sinta querida, onde estão as dele e ponha-se ao lado. Será um prazer protegê-los!

    Após essa frase, você sentia um ressoar vindo da terra que estava abaixo dos pés de Othello. Como se o mesmo já estivesse tão profundamente com a velha árvore anciã quanto qualquer outro grande e experiente cedro que a circundava.

    E a voz de Othello finalmente ecoava em sua mente:

    -Filha, escolha seu lugar. Faça pequenos buracos na terra e coloque seus pés, aceite o teu lugar aqui. Qualquer um pode ser seu! Só peço que se lembre, aqui suas folhas não sofrerão, eu cuidarei delas. Serei o mais cuidadoso e amoroso Pai que minhas forças me permitirem ser! E quem sabe um dia não poderemos olhar para o nosso lado e ver nossa própria linhagem, nossa família de pequenos cedros a crescer ao nosso redor!

    A voz da poderosa arvore se juntava a conversa:

    -Será maravilhoso ver tua família finalmente crescer, querido Othello. Tu já fizestes tanto por nós, por todas nós, apenas pela bondade de seu coração. Permita-nos cuidar de sua filha da mesma forma que as suas mãos cuidaram das minhas!

    Othello respondia:

    -É claro que permitirei, com enorme alegria! Mas pergunto se também poderei levá-la até o encontro dos guardiões...

    A arvore ponderava e saciava a dúvida de Othello:

    -Uhm... Porque não?! Se as raízes dela ficarão conosco, ela deve vivenciar todos os aspectos de nosso lar.

    O teu Pai e Sensei enfim sorria e olhava para você, curioso e ansioso para ver onde você escolheria para "plantar as suas raízes".
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 30/6/2017, 16:38

    Ouvindo atentamente as palavras da antigo cedro, Ume sorria como estivesse sorrindo para sua avó cada nova demonstração de sabedoria e força fazia com que a jovem admirasse mais ainda a ancestral arvore.

    Mas ouvir que já não tinha escolhas a não ser colocar suas raízes ao lado das de Othello, fez Ume ficar exultante, abraçando o grande tronco a sua frente a jovem se esforçou para segurar as lagrimas de felicidade, com carinho um leve beijo foi deposito no tronco.

    - Subo Sama, nada me deixa mais feliz do que fixar minhas raízes ao lado das de meu pai. Aqui eu sei que o vento será menos frio e mais amigo, que ele soprará por minhas folhas como uma brisa amena. Sei que serei protegida e quando o momento certo chegar meu herdeiro também o será. Nada nesse mundo me deixa mais feliz do que saber disso.

    Comentava a jovem ao cuidadosamente se levantar, assentindo para seu pai Ume não conseguiu não abraça-lo com carinho e força. Sentindo a vibração vinda dos pés deste a jovem sorriu com carinho.

    A conversa sobre espíritos surpreendeu a jovem, mas por respeito e delicadeza está preferiu se manter calada mas atenta.

    “Será que é aquela sensação no coração da floresta? Sensei me contará no momento certo, ou quando eu estiver preparada.”

    Soltando-se do abraço Ume deu exatamente cinco passos de Othello, no exato local a jovem usou as mãos para abrir dois buracos e ali depositar seus pés.

    “ Aqui minhas raízes cresceram, serão amadas e cuidadas. Em troca cuidarei de minhas irmãs pelo tempo que meu corpo permitir, ensinarei meus herdeiros a fazerem o mesmo e o legado de meu pai nunca se perderá.”

    Batendo de leve as mãos a jovem se ergueu para sorrir tanto para a grandiosa Subo quanto para seu pai.

    - Pronto, longe o suficiente para que nossas raízes não briguem por alimento e perto o suficiente para sempre estar sobre seus olhos.

    Comentava a jovem com carinho, fechando os olhos Ume deixou que suas raízes se vinculassem a terra amada de seu pai.


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:33, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 3/7/2017, 11:44

    Othello claramente não era mais capaz de verbalizar ou pensar em nada mais, os olhos do homem se enchiam de orgulhosas lágrimas e o sorriso dele era enorme! Assim, diante daquela pura emoção do seu Pai, você depositava seus pés no solo fértil daquela linda e frondosa floresta.

    No mesmo instante, uma curiosa sensação de vibração ocorria. Era lógico entender que não haviam realmente raízes saindo dos teus pés, mas o que o teu espírito sentia era exatamente isso! Não era uma experiencia física, havia ali a construção de uma verdadeira e intima relação entre o teu corpo e o daquele solo místico.

    -Ele está pronto e a espera de vocês... Até logo pequeno broto de cerejeira!

    Afirmava o velho cedro com sua rouca e feminina voz. Othello então se aproximava de ti, ajudando-a a sair da terra com bastante cuidado, afirmando mais uma vez através das vinhas:

    -Temos que aproveitar a permissão, ela é rara! Vamos, você irá adorar!

    Sorrindo alegremente, Othello segurava a sua mão e a conduzia para o interior da floresta, mas sem antes tocar no tronco da velha árvore em um sinal de respeito e despedida. Permitindo que você desse um breve adeus a ela, para enfim, seguir contigo até o coração da floresta.

    O acesso era feito por uma subida mais ingrime que exigia de vocês uma subida feita com o uso das mãos e dos pés, que iam conquistando pedras e raízes maiores. Não havia pressa, por tanto, com calma vocês dois tomavam o tempo necessário para não fazerem nenhuma ação arriscada.

    Enfim, alcançando a região mais selvagem da floresta, com árvores bem mais espaçadas e com a presença de maiores clareiras que davam uma linda visão do céu limpo daquela linda noite. Não demorava para que a caminhada de vocês começasse a ter pequenas companhias...

    Primeiro vinham os sons de pequenos animais, aves e insetos. Mas seus olhos não conseguiam encontrá-los! Em seguida, o cheiro típico de um ambiente selvagem e cheio de vida se apresentava, para instantaneamente, começarem a surgir pequenos feixes de luz branca e prateada, inicialmente disformes, como borrões rápidos de luz. Que começavam a tomar forma da fauna local, um coelho em específico trançava por entre as suas pernas, atravessando-a como se para ele, essa fosse totalmente imaterial.

    -Esse é o centro do pulso inicial da vida dessa mata, existem outros pela região. E o maior deles está sob a proteção do clã Gangrel... Iremos nos encontrar com o grande cervo, ele é até simpático eu diria!
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 3/7/2017, 20:34

    As lagrimas e o orgulho estampado de Othello faziam com que o coração de Ume batesse forte, aquele era um sentimento único pelo qual a jovem sempre procurara em seu próprio progenitor sem sorte nenhuma.

    “ Othello, meu pai. Eu tive que viajar meio mundo para encontrar isso, não me arrependo disso. Não mesmo!”

    De olhos fechados Ume respirou quando o eco de seus pés foi sentindo, mesmo que ali não houvessem de fato raízes, a ligação com aquele solo era muito mais do que física, era uma ligação de vontades e desejos.

    Abrindo os olhos para ouvir as palavras da cedro, Ume sorriu fazendo uma mensura educada na direção da grade progenitora.

    - Obrigada Subo Sama, foi um prazer e uma honra poder conhece-la e conversar com você.

    Recebendo ajuda de seu pai, Ume sorria para este com carinho e orgulho, não era preciso de palavras para saber que seria Othello a guia-la pela floresta, de mãos dadas a jovem japonesa seguia ao lado do homem que a acolherá em sua vida.

    O caminho por mais difícil que fosse, foi trespassado com calma e paciência, usando as mãos e os pés para seguir Othello, Ume tomava cuidado com as vinhas em seu pulso afim de protege-las de qualquer mal. Quando o terreno finalmente melhorou a jovem arfava um pouco, mas não era nada que seus pulmões não pudessem aguentar ou se ferir.

    “ Acho que foi nessa região que eu senti aquela presença. ”

    Ouvindo atentamente as palavras de seu pai, Ume observou a sua volta com interesse, as luzes e as presenças da extensa fauna alertaram sobre a diferença daquele lugar, mas foi o coelho que mais surpreendeu Ume, tocando na própria pele a jovem conseguia visualizar brevemente o que seu pai lhe dizia sobre pulso de vida.

    - Eles são yokais? Espíritos da natureza que tem uma forma mesmo que incorpórea? O grande cervo deve ser então o protetor desse pulso não?

    Na mente da jovem as histórias de yokais voltavam de sua infância, histórias de raposas e outros animais com poderes sobrenaturais não eram raras de serem contadas por sua avó, ali porém elas se tornavam reais.

    “ Espero que ele goste de mim, eu não quero enfrentar o desgosto de um yokai, ainda mais de um guardião.”


    Última edição por Jess em 10/7/2017, 19:34, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 5/7/2017, 18:10

    -De certa forma sim! É difícil definir com precisão filha, não há maneira correta de afirmar rótulos, afinal são criaturas que exigem dos nossos olhos uma abertura sensível e mágika. Por tanto, elas irão sempre reagir de acordo com o que nossos olhos são acostumados a ver.

    Afirmava Othello, ele parecia muito mais confortável agora que conseguia se comunicar totalmente contigo através daquele elo natural que os aproximava. Era curioso vê-lo tão contente em poder não tropeçar nas próprias palavras!

    -Mas sim, é ele mesmo o protetor do pulso local. Quando eu ainda era bastante jovem, a terra sofria para se recuperar das pragas que ocorreram, era um cenário de instabilidade. Sempre que muita dor, morte e sofrimento eclode, os pulsos de vida ficam instáveis e ameaçados... Entendi sozinho que tudo que nos circunda reage a nossas ações, não imediatamente, mas reage!

    A caminhada seguia por pouquíssimos metros, até a chegada a uma enorme clareira. Era possível ver até o estrelado céu da Toscana, o ambiente era profundamente natural, como se as arvores e arbustos tivessem escolhido circundar aquele local sagrado. Inclusive, todas as criaturas translucidas pareciam correr na direção dessa linda clareira e quando ali chegavam, tornavam-se vivas!

    Seus olhos escuros então começavam a perceber algo ainda mais fantástico! Como se um espectro azulado planasse à meia altura da grama, um corpo grandioso de um cervo com poderosas galhadas que alcançavam proporções surreais! Metros e metros para cima e para os lados! Enfim, a criatura revelava-se aos seus olhos.

    Ao contrário da grande árvore, ela não demonstrava capacidade de se comunicar verbalmente, dessa forma, Othello prontamente lhe disse:

    -Infelizmente não somos criaturas com conexões espirituais poderosas. O cainismo nos impede de tatear e ouvir o que os espíritos de fato tem para nos dizer, existem é claro, artes para tal. Chamada de necromancia, todavia, ela só abrange o lado negativo. Para esses que estão ao nosso entorno, nós somos criaturas imateriais assim como eles são para nós! Mas eu queria lhe mostrar, o que realmente existe no interior das florestas e porque eu me dedico tanto a protegê-las...
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Jess em 6/7/2017, 10:13

    Ouvindo atentamente as palavras de seu pai e mentor, Ume concordou com um aceno positivo a essas, com cuidado a jovem tomou a mão deste para caminhar ao seu lado, ali em meio a linda clareira feita pelo pulso e a vida que o circundava a japonesa voltava a ser uma criança sonhando com antigas lendas de seu passado.

    “ Os pulsos reagem a longo prazo, se cuidados o resultado é este que eu vejo. O quanto um pulso pode crescer? Qual o limite? Nem quero imaginar como era essa terra sem os cuidados do Sensei.”  

    Diante de tamanha beleza Ume suspirou de leve, entendia claramente as palavras de seu pai, ou ao menos conseguia compreender os sentidos básicos delas, isso a fazia respeitar mais ainda o esforço de Othello e a distância de certa forma tomada por livre arbítrio de se manter afastado da Capela.

    “ Cuidar de uma região tão grande e mantê-la tão viva deve consumir muito tempo. Aos poucos essa responsabilidade será minha, espero fazer um trabalho tão bom quanto o dele!”

    A presença e a beleza da figura natural do cervo fizeram Ume arregalar os olhos castanhos, ali estava o guardião do Pulso a força motriz que protegia todos os outros pequenos animais espirituais ali presentes, um marco da natureza mágica do lugar.

    Soltando-se de seu pai a jovem se ajoelhou fazendo uma longa mensura ao guardião, era a forma mais pura que a jovem tinha de demonstrar seu respeito por este.

    – Uma pena que não possamos nos comunicar, é estranho imaginar que nossa natureza seja um empecilho tão grande em certos aspectos, afinal ela é sobrenatural. Mas ao adentrar nesse mundo percebo que existem diversas diferenças, diferenças grandiosas e interligadas.

    Levantando-se a jovem permaneceu ao lado de seu pai a observar o grande e belo cervo guardião.
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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

    Mensagem por Danto em 10/7/2017, 16:19

    O guardião claramente estava com os seus poderosos olhos voltados para vocês. Sua expressão era calma, até mesmo curiosa diante da sua ação de ajoelhar.

    -Sim, é de fato uma pena. Caso o teu despertar não tivesse sido tão problemático e difícil, você seria sim capaz de até tocar no guardião. É a nossa ausência de vida que nos distancia dele entende? E quem sabe com tempo eu não a apresente a outras criaturas fantásticas e sobrenaturais dessa mata? Dizem que entre os Gangreis existem até fadas! Nunca as vi, mas não há porque duvidar não é mesmo?

    Comentava Othello, sempre usando as vinhas como uma forma mais confortável de diálogo. O Grande servo então se movimentava, saindo de seu altar e aproximando-se de vocês:

    -Fi-filha, cui-cuidaado... Ele q-quer apre-ap-apresentar...

    Verbalizava Othello antes da linda cena que aconteceria em seguida. O espiritual cervo azulado se colocava a distância de toque das suas mãos, esticando a pata direita a frente e inclinando o corpo para trás, para fazer algo muito similar a uma reverência. Devido ao seu enorme tamanho, as galhadas do mesmo circundavam você e seu Senhor! O cervo então olhava diretamente na sua direção e exibia um olhar contente.

    -Ele deu permissão, aproxime-se dele querida e tente tocá-lo. Não será possível, mas vocês dois saberão disso. Mas a ação é importante, mantenha a mão no limite do toque, entendes? E diga seu nome completo, ele ecoara para os espíritos locais e isso impedirá que eles a tratem como uma desconhecida.

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    Re: Primeiro Arco de Ume: Ato IV - Mágika e Equilibrio

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