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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

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    Danto
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    Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 18/12/2017, 23:43


    Quarto:
    Local: Monteriggioni,Castel Pietraio.
    Data: 17 de Abril de 2016: Após o Desmaio.

    Seus olhos se abriam e encontravam o teto de um quarto desconhecido, você não estava mais na sala e sequer conseguia se lembrar dos acontecimentos após a sua pergunta direcionada a Loretta. E não era apenas isso, sua fome parecia um pouco menor, mas estava ali ainda presente. Ajeitando-se mentalmente para compreender o que havia acontecido, a sua constituição física não aguentou tantas forças e fome e cedeu a um desmaio que chegava ao fim.

    Sentando-se na cama você via imediatamente um enorme figura no quarto, um homem alto, bem mais alto do que o Aloísio! Com costas largas e fortes, cabelos castanhos escuros e uma figura realmente surpreendente. Porém, seus instintos relaxavam quando enfim, você o reconhecia como Alfonsus. Ele olhava para você de canto de olho e dizia:

    -Bem vinda a família Valentina.

    Ele então pegava dois cálices lindos que estava sobre o criado mudo e entregava ambos para ti, para posteriormente andar calmamente até a estante, para pegar um jarro enorme de barro, uma peça que deveria ser mais velha que o próprio Sebastian. Pareciam haver muito litro de vinho ali dentro, mas quando Alfonsus inclinava o jarro pesado e enorme, como se este fosse feito de cristal e não tivesse sequer dez centímetros, você via um sangue perfumado por uma charmosa essência de baunilha.

    -Já cuidei da sua fome mais urgente, por tanto não se preocupe. Apenas compartilhe comigo essa breve alimentação minha jovem.

    Ele servia os dois cálices e colocava a jarra no chão, para então sentar ao seu lado na cama e respirar fundo. Seus olhos viam ali um ancião poderoso, antigo e que surpreendentemente, respirava, tinha a pele corada e parecia muitíssimo vivo, ate a presença dele era suavemente morna.

    -Acho que é enfim chegada a hora de nos conhecermos de uma maneira menos distante e formal não concordas? Que tal uma pergunta e uma resposta? Isso ainda é feito correto?! Você me faz uma pergunta, se eu respondê-la tenho direito de perguntar, se não, é sua vez de novo. Se sim, porque não começas?!

    O homem sorria e demonstrava bastante tranquilidade, era realmente a primeira vez que só haviam vocês dois em um cômodo e surpreendentemente a presença do gigantesco homem não lhe assustava nem um pouco.


    Imagens de Apoio:
    Garrafa de Barro:
    Cálices:
    Alfonsus :

    Roupas:


    Última edição por Danto em 18/12/2017, 23:48, editado 1 vez(es)
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 18/12/2017, 23:44

    As luzes pareciam ganhar mais cor e a ficarem mais desfocadas a medida que as palavras saiam de minha boca e, ao final de minha frase, todo o local perdia a nitidez e se tornava um grande borrão de luz que se apagava subitamente. A escuridão bloqueava minha visão e todos os meus sentidos e de repente meu corpo desabava sem forças, mas com aquela cena ainda vibrando em minha mente.

    Aos poucos eu conseguia retomar minha consciência e, assim que conseguia ver novamente eu percebia que não estava em meu quarto. Ainda atordoada pelo que havia acontecido, me levantava lentamente com a mão na barriga, ainda sentindo meu estômago se remoer de fome, mas, assim que me sentava, meus olhos logo viam a imagem de um homem enorme de costas. A princípio tomei um susto, mas ainda quieta eu ficava a observar melhor que era até notar que era Alfonsus e instantaneamente relaxar.

    “No fim das contas eu não consegui aguentar e desmaiei… por Cristo! Eu fui descuidada e subestimei minha fome. Só espero que não tenha sido um vexame tão grande, mas, pensando bem, além da fome eu não estou sentido nenhuma outra dor. Então acho que acabei não caindo da escada.”

    A mão que estava em minha barriga começava a tatear minha testa e minhas costas a procura de algum ponto de dor, pois ainda não tinha certeza se todos os meus sentidos estavam funcionando corretamente naquele ponto. Já mais aliviada depois de checar que estava tudo certo, eu me movia na cama, ainda sentada, e ia até a beira, onde eu via meu tio se virar com duas taças nas mãos e me recepcionar.

    “A família… Ele disse a família.”

    – Obrigada, Alfie…

    Mesmo com a fome ainda presente era impossível não sorrir com aquela fala, pois era a primeira vez que ele falava claramente sobre isso. Assim eu o respondia de forma um pouco tímida e recebia os cálices do homem, segurando-o enquanto ele ia até a estante pegar um jarro de barro incrivelmente antigo e belo. Estava claro que aquele era um jarro muito antigo, mas que havia sido muito bem cuidado ao longo dos anos para sobreviver tanto tempo. Minha curiosidade para com aquele jarro crescia a medida que este se aproximava de mim, mas, deixando-o um pouco de lado eu voltava a prestar atenção em meu tio e afastava um pouco para que ele pudesse se sentar.

    – Achei que ia conseguir sair de lá ainda de pé, mas pelo visto não deu muito certo. Obrigada por tomar conta de mim, mas o que aconteceu depois que eu… apaguei.

    Apesar de falar de uma forma um pouco mais tímida e envergonhada pela cena que havia feito, eu não demonstrava tudo aquilo fisicamente. Me mantendo firme, mas ainda relaxada pela presença de meu tio, eu aproveitava a resposta dele para apreciar alguns curtos goles do líquido rubro em minha taça.

    “Um jogo para se conhecer? Que divertido e interessante! Pode ser uma boa oportunidade para me aproximar mais da família de Sebastian. Mas… o que eu pergunto!? Ai Deus, sou péssima nesses jogos.”

    A proposta de Alfonsus era inesperada, divertida e muito interessante, e logo eu o olhava um pouco surpresa e com um sorriso tímido animado no rosto. Além disso, como o homem havia falado, minha postura se relaxava um pouco mais, deixando os ombros caírem levemente e assumindo a forma da Valentina mais simples de origem humilde da Sardenha.

    – Concordo plenamente. E eu acho que é sim, não que eu seja muito experiente nesses jogos sociais de jovens, até por que eu nunca fui de ter muuuitas amizades assim, talvez a Mirian saiba mais.

    Falando calmamente e bem mais à vontade, acabava até soltando uma curta risadinha no final, fazendo assim uma pequena pausa, e retornando a falar em seguida.

    – Mas bem, vamos lá. Não sou a melhor nesses jogos, mas tem algo que eu sempre quis saber. O Bash sempre me falou muito sobre você e toda a família dele. Sobre como você foi o grande Alfonsus Masdela, a primeira prole de Elonzo, mas eu queria saber antes disso, como você era antes de ser abraçado?

    Me escondendo um pouco atrás de um gole no sangue em meu cálice, eu completava a pergunta com um pedido de desculpas, para caso ele não estivesse a vontade com a pergunta.

    – Sei que pode ser uma pergunta estranha, mas eu meio que gosto de saber as pessoas, sobre como elas eram e como elas são…

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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 19/12/2017, 00:54

    Sua simples ação de levantar e sentar causava uma sensação de ardência pelos músculos, especialmente os inferiores, era uma sensação similar a uma exaustão que ocorre após exercício físico excessivo! Mas por fim, você se colocava ali sentada na cama e abria espaço para o enorme homem, ali ele segurava o outro cálice em mãos, bebericando aquele sangue com um sabor adocicado de baunilha que eliminava o amargor tradicional e esperado de sangue, uma sensação nova para ti e principalmente para a sua fome que ainda grande, aos poucos o doce trazia uma gostosa sensação alegre que atuava como contenção para a dor que ali antes havia.

    -Não fiquei para ver muito também querida, mas lembro que Sebastian entrou em um fortíssimo fascínio após suas palavras e teve de ser amparado. Certamente ele está com a mãe e tudo corre bem, porém, você precisa ser mais cuidadosa com teu vitae... O desmaiar pela falta dele sempre causa uma fortíssima dor muscular, especialmente que você é de uma linhagem mais pura e forte.

    Comentava o homem que logo virava o conteúdo da própria taça e buscava o jarro para se servir, olhando na sua direção e pacientemente esperando que você tomasse tudo que houvesse no teu para encher novamente. O mesmo sorria para suas falas, apesar de toda a musculatura e postura, o mesmo parecia ali muito simpático e até de simples contato.

    -Alfonsus Masdela Materazzi, o Apolo de Florença, herdeiro do grão ducado da Toscana, O Inexorável Alastor. São tantos títulos, mas nenhum deles é mais importante do que o mais simples deles, eu tenho muito mais orgulho de ser o pretor desse jardim ao qual você faz parte querida... Mas sem devaneios não é mesmo? Deixe-me respondê-la!

    Ele abaixava o jarro e respirava brevemente, para sorrir enquanto parecia buscar na memória sobre a própria vida.

    -Eu nasci em Nápoles, em uma família pobre. Tão pobre que eu tive de ver meus filhos morrerem de doença ou fome, ambos... Já sem mais aguentar, resolvi deixar de trabalhar com obras e alistar-me a algumas forças militares para ao menos ter algum significado em minha vida. Foi servindo a um nobre que conheci Elonzo, um jovenzinho magricela e frágil que com as palavras dobrava todos a sua volta. Eu sequer sabia ler, tão pouco sabia o que era arte. Minha vida era a espada e minha honra o sangue... Estamos aqui falando do século quatorze! Então, eu fui um Pai, fui um mercenário e um trabalhador. Só pude conhecer arte, glória e luxo após o abraço, Elonzo ainda era bem jovem quando me escolheu, não muito mais experiente do que hoje tu és e nós dois conquistamos a Toscana.

    Havia muita tristeza, nostalgia e principalmente orgulho naquelas palavras do experiente ancião que você não esperava ser tão antigo assim! Isso fazia dele mais antigo do que a própria Camarilla! Ele então olhava na sua direção e direcionava uma resposta direta:

    -Eu já sei como Sebastian a escolheu, mas a figura de Miriam me é muito nova, por favor, me explique sobre ela. Ela me parece uma nítida possível escolha de Bash para o abraço, mas ela é uma Patrício? Enfim, por favor, minha questão é: Quem Mirian e como ela se encaixa na vida de vocês?
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 19/12/2017, 03:54

    “Bash entrou em Fascínio!? Ai Deus, ainda bem que eu desmaiei!”

    Ao ouvir sobre Sebastian, meu sorriso singelo ficava maior, mas, eu o disfarçava com um gole do vitae em minha taça. A reação dele era linda e eu não poderia pedir mais, porém, ao levar o puxão de orelha eu o olhava novamente e concordava com a cabeça, afirmando que havia compreendido.

    – Eu não esperava que isso fosse acontecer, na verdade eu pretendia me alimentar antes de ir falar com vocês, mas, bem, tudo aconteceu. Isso não vai acontecer outra vez.

    Respondendo bem determinada eu finalizava de beber o que havia em minha taça e já direcionava a mesma para se reabastecida pelo ancião. - Obrigada. - Após fazer o breve agradecimento, eu imediatamente dava mais uma golada e voltava a prestar total atenção na resposta de Alfonsus a minha pergunta.

    Ouvir aquela história, saber do mais profundo passado das pessoas e ver todo o caminho que eles fizeram até os dias de hoje era algo que, de alguma forma, preenchia meu coração e fazia-me abrir com as pessoas. A história de Alfonsus não era diferente. Revelando um passado difícil e glorioso, eu ficava a imaginar os detalhes de sua longa vida enquanto admirava, que nem uma criança, cada parte de sua história.

    “Então ele é o Apolo de Florença!? Certo, ele é mais antigo do que eu imaginava e, ainda assim, ele continua tão vivo como se fosse um mortal. Acho que eu não lhe dei o devido respeito, Alfie.”

    – Esse é o tipo de coisa que não está nos livros e que eu fico verdadeiramente feliz em poder ouvir. Obrigado por compartilhar a sua história comigo.

    Agradecendo-o com um grande sorriso no rosto, eu dava mais um gole enquanto ouvia sua pergunta, que quase me fazia rir, mas que me despertava a curiosidade acima de tudo.

    “Ele acha que a Mirian é uma Ventrue? Que interessante… A única ligação que ela tem com os Patrícios são seus familiares, mas ela aparenta tanto assim ser uma também?”

    – Por que você acha que a Mirian é uma Patrício?

    Fazendo uma pergunta com um sorriso um pouco debochada no rosto, eu percebia que aquela não era a minha vez de perguntar. Balançando a cabeça negativamente e levantando a mão em uma forma de pedir desculpas e para desconsiderar aquela pergunta, eu retornava a falar.

    – Bem, ainda é minha vez de responder. Mirian não é uma Patrício, ela é uma filha da lua. Na verdade a família dela tem alguns Ventrues, mas ela fugiu a regra.

    Tomando uma pose mais contempladora, meus olhos se perdiam pelo quarto enquanto eu pensava em meu passado e na forma mais simples e contar aquilo.

    – Ela é minha amiga de infância e meu primeiro amor. Enquanto eu vim de uma origem humilde ela vem da parte nobre da minha cidade e desde cedo o destino tratou de nos unir. Acontece que eu e a Mirian tivemos de sair da Castelsardo, quando Sebastian me abraçou, por que o irmão louco dela queria me forçar a casar com ele. Por isso ela não é um Patrício, por que ela veio para a Inglaterra conosco e foi abraçada lá.

    Fazia mais uma pausa, desta vez para respirar fundo e terminar, outra vez, de beber o conteúdo da taça.

    – De fato ela era para ter sido abraçada pelo Bash, mas ela sempre foi um pouco difícil de lhe dar e acabou negando o abraço dele. Foi então que um dos aliados do Bash, Sir Braylon, a abraçou. Como ela se encaixa conosco é bem… peculiar, eu diria. Ela é dona de metade do meu coração e também conquistou uma parte no de Sebastian, com certeza, mas não tem como alguém segurar ela.

    Dando uma risadinha no final, eu olhava de volta para checar se ele estava entendendo o que eu queria dizer e, se sim, eu continuava para fazer minha pergunta. Apesar de fazê-la de forma incisiva, eu não a fazia em tum mandatório ou arrogante, mas sim de uma forma divertida pois estava animada para saber o porque dele ter se interessado pela minha melhor amiga. Após perguntar eu me levantava para andar um pouco e tentar sentir como meus músculos estavam enquanto ouvia a reposta de Alfonsus.

    – Agora é minha vez. Por que o interesse pela Mirian? Foi só por que o Bash assumiu ela na nossa relação ou tem algo a mais?

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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 22/12/2017, 23:48

    O mesmo sorriso que você oferecia após mencionar os livros, você recebia do grande homem sentado ao seu lado, era até curioso ver o quão diferente era a proporção de toda a silhueta de Alfonsus se comparada com qualquer outra homem que já havia ficado assim tão perto de ti, e Bash e Aloísio não eram pequenos! Porém, Alfonsus não oferecia uma resposta imediata a sua pergunta, ele apenas seguia sorrindo e deixava com que você falasse tudo.

    O homem acabava rindo quando você mesma censurava a sua pergunta e oferecia a resposta para mesma. Em seguida, pacientemente ele ouvia todas as suas palavras, para então respirar fundo, tomar todo o conteúdo do próprio cálice e encher novamente o dele e o seu, para comentar enquanto enchia o seu:

    -Nós dois vinhemos de uma situação menos grandiosa e luxosa, sabemos como é ter pouco e por isso vivemos ao máximo as chances que temos, eu fui um jovem tão interessado e apaixonado quanto você era, mas os temos antigos eram bem mais brutais e eu demorei muitos séculos para regressar as minhas origens, espero que você não passe por desilusões como as minhas querida Valentina.

    Posteriormente ele terminava de servir-lhe o sangue, claramente preocupado com te alimentar. O homem oferecia a resposta:

    -Sendo bem direto, preocupei-me com o fator familiar que ela carrega. Seria problemático se um Ventrue tivesse como influenciar diretamente o futuro príncipe da Toscana, eu lutei para que essa terra fosse de minha linhagem e totalmente dela. Sebastian veio para reconquistar a Toscana, eu vim para reconquistar o ducado inteiro...

    Afirmava seu tio com uma notória convicção, sem tirar os olhos de ti. Para então fazer a retomar a fala:

    -E não se preocupe, eu entendo bem como é amar vários corações. Meu primeiro grande amor foi Pietra, em seguida encontrei Evangeline, Friderich, Loretta e acredito que algo poderá nascer com Olympia... Enfim, deixe-me perguntar então, afinal é minha vez correto?!

    Ele fazia uma curta pausa e bebericava do próprio cálice e questionava:

    -Lembro-me de ouvir que você passou alguns anos em Paris, diga-me então querida quais artes dominas, quais gostarias de dominar e qual é a tua maior e incondicional paixão artística?
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 23/12/2017, 03:33

    Era ainda um pouco estranho ficar do lado de uma pessoa tão grande como ele, mas, apesar de seu tamanho, Alfonsus não transmitia medo ou qualquer sentimento de insegurança. Na verdade, era justamente o oposto. Mesmo ficando um pouco envergonhada com a sua risada, eu não interrompia minha fala e agradecia, mais uma vez, o reabastecimento em meu cálice.

    Agora já um pouco mais saciada, eu não tomava o líquido todo e sim o apreciava com pequenas goladas em intervalos maiores enquanto ouvia o comentário e a resposta do homem. Sua resposta, no entanto, me lembrava de Mauro e me fazia suspirar um pouco mais pesado. Eu não tentava disfarçar aquela mudança, mas também não deixava ela me afetar totalmente, até por que ela não conseguiria com a imagem de Sebastian e Mirian brilhando em meu coração e espantando todas as energias negativas de perto de mim.

    “Talvez você não tenha se preocupado a toa. Quem sabe o que Mauro fará? Talvez ele não tente me atingir e sim atingir o Bash. Principalmente quando a notícia que Sebastian vai mesmo querer ser príncipe da toscana.”

    Apesar de me perder por meio segundo em meus pensamentos, quando ele falava dos amores dele, meu sorriso de abria novamente. Desta vez um divertido e muito simpático. De fato era estranho para mim uma pessoa ter tantos relacionamentos, mas, Alfonsus era, provavelmente, mais antigo que toda minha família mortal.

    – Sim, por favor.

    Eu o respondia brevemente erguendo um pouco o cálice e fazendo um gesto positivo com a cabeça para, então, ouvir a sua pergunta e arregalar um pouco os olhos em uma notória animação e surpresa.

    – Uau! Acho que eu já esperava uma pergunta sobre minha arte, mas não dessa forma. Bom, Paris não foi exatamente onde eu me desenvolvi mais como artista. Lá eu aprendi muitas coisas, a maioria relacionada a comportamento e etiqueta, mas, ainda assim, não teria como não aprender nada de arte estando em Paris, afinal aquela cidade por si só já é uma obra de arte. Atualmente eu despertei o interesse em aprender a dançar depois de ver a apresentação da Loretta ontem, mas, que eu domine é apenas a olaria. Mas a ela não é minha paixão, é a minha forma para transmitir minha paixão.

    Com um sorriso que crescia mais a cada palavra. Inconscientemente eu abaixava um pouco o cálice, para me concentrar mais, e voltava a falar após um brevíssimo intervalo.

    – O que eu amo mesmo é conhecer as pessoas e todas as peculiaridades delas! É isso que me motiva a fazer a minha arte, por que eu moldo minha visão delas em meus vasos.

    Assim que terminava de falar, eu tomava mais um gole do vitae em meu cálice e caminhava até o criado-mudo ao lado da cama para deixar a taça ali.

    – Mas antes de fazer minha pergunta e interrompendo um pouco nosso joguinho, eu quero lhe fazer um convite e também lhe contar algo sobre a família da Mirian. Primeiramente, eu gostaria de lhe convidar a me ver fazer um de meus vasos, no caso o que é o motivo maior de estarmos conversando agora. É um vaso muito especial que eu pretendo fazer para a Lotta e para deixá-lo aqui, nesta casa, e eu também ficaria muito feliz em mostrar um pouco do que eu sei fazer para você.

    Em seguida, eu andava até ficar de frente para Alfonsus, a uma certa distância, e suspirava pesadamente durante o percurso, exatamente da mesma forma que havia feito quando ele havia respondido minha pergunta.

    – Sobre a família da Mirian, talvez nos devemos sim nos preocupar. Como eu falei, o irmão dela é um Patrício e ele nunca conseguiu superar o que aconteceu em Castelsardo. Acontece que agora ele parece estar voltando para infernizar minha vida novamente. Eu não pretendia tocar nesse assunto agora, por ainda não é certeza, mas ele pode sim tentar algo contra nós, principalmente quando souber de tudo que aconteceu hoje a noite. Além do mais, depois do que me disse, eu acho que vocês deveriam saber, até por que logo eu também vou me preparar para quando ele aparecer!

    Mesmo falando com uma voz um pouco pesada, eu não abaixava a cabeça, mas sim a levantava mostrando o quanto estava determinada a lutar para proteger Sebastian e todos que eu amava.

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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 23/12/2017, 20:28

    Era de fato a primeira vez que você via um sorriso de aprovação tão verdadeiro e sincero vindo de um real ancião e este sorriso aparecia na face de Alfonsus justamente quando você terminava a sua primeira frase, referindo-se a sua forma de transmitir a tua paixão. Havia admiração e até mesmo orgulho na expressão positiva do gigantesco artista que se mantinha sentado ao teu lado.

    -Compreendo, Loretta realmente tem um talento fantástico com a dança é cativante vê-la movimentar-se junto de uma canção regional...

    Comentava Alfonsus de maneira singela por entre as ações que você realizava de se colocar de pé. Nesse momento, Alfonsus propositalmente colocava o cálice no chão, um pouco distante de onde os seus pés se aproximavam e assim que a sua fala enfim terminava, o gigante esticava o braço para tocar com a ponta dos dedos a tua única mão livre, em um claro convite não-verbal para sua aproximação.

    -Primeiramente, obrigado por paralisar o jogo eu também são um péssimo jogador, só não pude construir uma forma adequada para iniciar esta conversa, mas fico contente que ao menos tenha funcionado. E saiba que eu fico honrado com este convite e já me sinto verdadeiramente ansioso para poder testemunhas as suas mãos em trabalho artístico, eu consigo ver em ti o talento, mas ver o processo inteiro é e sempre será incomparável a qualquer outra experiência e é até por isso que eu aproveito para convidá-la a acompanhar um dos meus ensaios... Apesar de toda essa estatura, é a música a minha forma de transmitir a minha paixão.

    O homem fazia uma curta pausa para respirar e olhar nos seus olhos, atuando como uma figura paterna ele a convidava para que você assumisse um espaço no colo dele, todas as ações dela e inclusive a forma com que ele te olhava indicavam que ele a via como algo muito similar a uma filha, havia um carinho nítido e uma tentativa clara de realmente fazer parte de tua vida.

    -Veja querida, deixe que ele venha. Não se preocupe demasiadamente com isto, mas também não seja displicente, entenda que você está na terra que pertence a ti, o teu vitae carrega as heranças destas terras e portanto elas são a tua fortaleza. Teu futuro marido será o Príncipe e você será uma Princesa, toda coroa apesar de seu peso fornece a teu usuário um alcance fantástico, comece a entender e conhecer a tua zona de influência, deixe que este rapaz chegue e o coloque em eu devido lugar. Espero que saiba que estarei sempre disposto a ajudá-la, sempre.
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 24/12/2017, 03:11

    - Exatamente! Ontem ela me inspirou a seguir esse novo caminho e esse também é um dos motivos pelo qual eu quero deixar uma peça minha aqui!

    A cada minuto de conversa com Alfonsus mais confortável eu ficava, principalmente depois que o mesmo me olhava com orgulho e me fazia ficar ainda mais tranquila. Depois de falar e me levantar para andar um pouco pelo quarto, eu retornava a falar, mas desta vez para responder sua pergunta e lhe explicar sobre o irmão da Mirian. Ao terminar eu parava a sua frente com as mãos na cintura e em uma pose convicta e determinada.

    Entretanto, minha pose era prontamente quebrada quando ele estendia sua mão em minha direção, me convidando para me aproximar e, de certa maneira, aquilo me pegava um pouco de surpresa. Embora surpresa, prontamente eu aceitava o convite e dava-lhe minha mão para então me aproximar alguns passos e ouvir o que ele havia a dizer a princípio. Sua frase começava me tirando uma pequena risada, ao falar do jogo, e logo se transformava em um sorriso alegre no decorrer de sua fala.

    “Bash sempre falou o quão talentoso Alfonsus é no canto e eu nunca ouvi um CD dele. Vou me certificar de levar a Mipa quando isto acontecer, ela também vai adorar!”

    – Ora, Alfie! Eu ficaria honrada em ouvi-lo cantar. Sebastian sempre me falou muito bem, mas eu nunca o ouvi, tenho certeza que será maravilhoso.

    Assim que eu o respondia, eu também notava um novo elemento, um elemento que por anos eu havia forjado em Sebastian, mas que em Alfonsus tinha um peso muito maior e concreto. Seus olhos me diziam como ele me via e suas mãos me convidavam a tomar um lugar em seu colo, para assumir, de fato, a forma como estava sendo vista. A princípio eu hesitava, ainda não estava muito convicta daquilo, mas o homem a minha frente havia se mostrado alguém que eu poderia confiar cegamente e a falta que eu sentia de ter uma figura paterna faziam-me mover e sentar em seu colo.

    Me sentando de lado para ele, mas o olhando diretamente, eu me atentava para o que o homem havia a dizer e concordava com a cabeça, assim como uma filha fazia ao ouvir os ensinamentos de pai.

    “É justamente disso que eu tenho medo, do peso dessa coroa e do que ela pode me fazer. Eu realmente queria apenas auxiliar Sebastian a tomar o seu lugar como o Príncipe desta terra, mas sem assumir esse título. Talvez eu ainda consiga me manter como uma figura discreta depois que Sebastian atingir seu objetivo, mas quando a hora chegar, se ela chegar, eu não temerei em usar as ferramentas que eu tiver ao meu alcance.”

    Reabrindo novamente aquele sorriso e acenando positivamente com a cabeça uma última vez, ao término de sua fala. Puxando o ar com um pouco mais de força e soltando um suspiro que aliviava um pouco da tensão que aquele assunto me trazia.

    – Obrigada Alfie. Eu não posso me dar o luxo de não me preocupar com esse indivíduo. Ele é a causa do meu maior ferimento e da Mirian também! Mas eu prometo que irei me controlar e me preparar com calma para quando a hora chegar. Agora… vamos mudar de assunto por que eu realmente não quer ficar pensando nesse traste!

    Assim eu calmamente me levantava e dava dois passos para o lado, abrindo o espaço para que ele também o fizesse, e então voltava a falar.

    – Já me sinto muito melhor, graças a você querido, mas sinto que precisamos voltar logo para o festival, afinal temos que trabalhar para que Sebastian e você retomem o que é de vocês! Além disso, se me permite, eu gostaria de lhe perguntar duas coisas e acho que você é a pessoa perfeita para me ajudar!

    Enquanto falava, eu rapidamente ia até o criado-mudo e pegava meu cálice, imediatamente tomando todo o líquido do mesmo, e voltava até Alfonsus para lhe oferecer meu braço e saímos juntos do quarto. Assim eu também esperava pela aprovação do mesmo para fazer as minhas perguntas e, quando as tivesse, eu dizia em um tom animado.

    – A algum tempo eu tenho tentado me manter mais… viva, se é que você me entende, e não pude deixar de notar que você, mesmo sendo um grande ancião, é, provavelmente, a pessoa mais viva que eu já vi em minha vida. Então, eu gostaria de saber se você poderia me explicar e ensinar a ser como você é! Em troca posso lhe ensinar a mexer com cerâmica e a fazer alguns cálices para combinar com essa bela garrafa. Por falar nisso, de onde e quando que ela é? Ela parece ser bem antiga, mas está muito bem cuidada!

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 28/12/2017, 23:22

    Alfonsus sorria ao ouvir você pronunciar "Alfie", ele claramente preferia o apelido e deixava claro apenas pela forma com que a expressão facial positiva era feita.

    -Não apenas cantar querida Tina, eu gostaria de lhe mostrar todo o processo em torno da minha composição musical e quem sabe não descobrimos um talento adormecido dentro de ti, seria perfeito!

    Afirmava o mais antigo dentre todos os membros da sua família. Assim, a breve interação ocorria, contigo sentando-se no colo daquele enorme homem e sentindo-se não só segura, mas como se pudesse realmente encontrar ali, naquela figura algo que você pensou que haveria com Sebasitan, algo que a muito tempo você procurou e não encontrou: Uma figura paterna. Silenciosamente, o fortíssimo homem ouvia as suas palavras, demonstrando confiar em ti e apoiar a sua decisão ele se oferecia como um ouvinte e um porto seguro, para assim, com o mesmo carinho que lhe recebia, ele a permita a sua ação levantar.

    -Não se preocupe em agradecer querida, se ele um dia foi a causa da sua maior ferida, eu mesmo o farei sangrar se assim for necessário. Por muito tempo eu realmente me senti perdido dentro da própria confusão que é viver por tantos séculos... Porém eu pude pisar firmemente no chão e me acertar com meus próprios pensamentos e prioridades, minha família é minha prioridade. Simples não?!

    Ele sorria e então balançava a cabeça positivamente, permitindo nitidamente que você pudesse fazer a pergunta. O homem por fim se colocava de pé e como um verdadeiro cavalheiro, tomava o teu braço para já iniciar uma caminhada, porém esta era lenta e ausente de qualquer pressa.

    -Sim eu sou bem grande, aconteceu e não sei explicar como...

    Brincava o gigantesco homem, com um sorriso até mais abobalhado na face. Porém ele logo provia as respostas que você aguardava:

    -Já pude aproveitar um pouco do que cada grande ramo da árvore da humanidade pode nos oferecer e escolhi adentrar-me fielmente no ramo da respiração e seria um alegria infinita instruí-la no mesmo! Uma troca bem justa então, perfeito! Estamos combinados Tina! E bem, a garrafa foi feita por Pietra quando esta ainda era apenas uma jovem aprendiz, já deve ter seus quinhentos anos eu acho. Eu gosto de preservar o que me é eterno, ainda tenho o primeiro cálice dela, assim como tenho o de Bash e assim terei o teu. Meus verdadeiros tesouros são estas memórias...
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 29/12/2017, 21:52

    “Ai meu Deus! Eu cantar fora do chuveiro!? Definitivamente não vou chamar a Mipa para ver e ouvir essa cena, vai ser o resto da minha vida de chacota!”

    As minhas bochechas ficavam incrivelmente coradas e eu levemente abaixava a cabeça após ouvir a proposta de Alfonsus. Cantar era algo que eu havia tentado apenas uma vez e que, depois daquele dia, eu somente o fazia no banho e quando não estava com ninguém por perto. Entretanto, eu havia mudado desde então e, depois de anos algo poderia também ter mudado em mim. Assim, eu respirava profundamente, ainda um pouco chocada, de uma boa maneira, e embaraçada pela minha reação e logo o respondia, após pigarrear baixinho e antes de me colocar de pé.

    – Ah, bem… cantar realmente não é meu forte. Eu gosto bastante de música e adoro dançar, só que não tenho boas experiências com canto. Mas, independente disso, eu fico lisonjeada com o convite e irei aceitá-lo. Só quero deixar avisado de ante mão que, talvez, você fique desapontado…

    Timidamente eu respondia tentando esconder um pouco o rosto corado ao evitar, um pouco, o contato visual. Minha resposta havia sido, de certa maneira, impulsionada pelo medo que eu tinha de falhar em algo, e alguém, que eu realmente admirava e no final desapontar. Afinal, depois de experimentar várias formas de arte da França, e algumas vezes me descobrir uma falha total, eu tinha criado uma regra para não me arriscar muito em algo que não pudesse fazer com minhas mãos, que era essencialmente o meu forte.

    “Espero que ele não entenda isso como uma recusa ou algo do tipo. É só que… eu não queria mostrar esse meu lado feio para eles. Mas, quem sabe com a ajuda de Alfie eu não consiga, pelo menos, afinar um pouco minha voz? Minha nossa eu estou ficando muito empolgada com isso! Contenha-se!”

    Assim eu caminhava travada até o cálice e, quando o tinha em mãos, aquele sentimento de vergonha era interrompido pela declaração de Alfonsus. O sorriso tímido e envergonhado dava lugar a um largo sorriso alegre pois, assim como ele, eu também priorizava minha família, minha nova família, a cima de tudo.

    – Obrigada Alfie, mas se o que eu estiver planejando der certo, vai ser mais doloroso do que uma ferida externa! Mas isso só vai acontecer se ele aparecer por aqui. Fora isso eu também compartilho das mesmas prioridades, afinal, eu e a Mirian não temos mais família biológica como a Loretta tem. E, além disso, fomos renegadas de nossa própria terra, por isso que eu estou tão feliz em fazer parte desta família e por ela eu lutarei até o fim!

    O meu peito tremia quando a emoção quase me tomava durante a fala, mas ao beber o sangue de meu cálice e tomar mais uma respiração profunda, eu me acalmava e começava a caminhada lenta ao lado de Alfonsus. Uma caminhada que não durava muito pois logo que o homem me respondia, eu parava de andar e o olhava um pouco confusa com que ele havia falado.

    “Grande? Oi!? Do que ele…”

    Demorou alguns poucos segundos para que eu entendesse o que ele queria dizer com aquela frase e assim que entendia, eu levava minha mão livre até a boca para conter uma risada desenfreada que estaria por vir.

    – Alfie seu bobo!

    Falando, com dificuldade, enquanto ria intensamente, aquela pequena brincadeira tinha me pegado de surpresa e me fazia rir muito mais do que eu poderia esperar. Depois de algum tempo rindo, eu finalmente conseguia me controlar e checava se não havia escorrido nenhuma lágrima depois de tanto rir.

    Mesmo já recomposta, eu segurava a nossa movimentação depois de ouvir o que ele havia a dizer. Eu estava surpresa, alegre e ansiosa. Poderia até estar pulando de alegria se eu não estivesse toda arrumada e usando um vestido mais curto. Mas os meus olhos deixavam claro o que eu estava sentido e logo as palavras pulavam da minha boca como se eu fosse uma criança que havia ganhado um presente!

    – Sim! Eu quero sim, por favor! Desde que eu aprendi sobre os ramos eu estive procurando um mentor para segui-lo! Eu não tinha certeza se você era dele, por isso não perguntei de primeira!

    Fazendo uma brave pausa eu abraçava rapidamente Alfonsus e depois balançava múltiplas vezes a cabeça em forma positiva.

    – E… Uau, fez muito tempo mesmo, né? E pensar que ela fez quando ainda era aprendiz… a habilidade da tia Pita é realmente incontestável. Quando eu estava aprendendo só fazia vasos tortos! Também será uma honra fazer um cálice para ti, ainda mais sabendo que ele será tão bem guardado!

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    Última edição por Lugo em 5/1/2018, 16:05, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 5/1/2018, 15:53

    -A única forma de me desapontar querida é se você realmente não tentar e já como você certamente não vai querer me desapontar, acredito que você não irá escapar dessa.

    Comentava Alfonsus com um sorriso simpático no rosto, levando suavemente a mão livre até o seu queixo e fazendo questão que a sua cabeça não se abaixasse muito, na verdade, ele até impedia que você desviasse totalmente o olhar, transmitindo para ti uma confiança confortável. Em seguida ele deixava com que você fosse até o cálice e contentemente observa a sua ação. Concordando com a sua fala sobre a família e em seguida, rindo junto contigo, afinal as suas risadas eram muito bem vindas pelo gigante e forte homem ao teu lado.

    -Fico feliz que tenhas a certeza agora de que sou, é um elogio muito bem vindo querida!

    Afirmava Afonsus que sorria diante do abraço e a apertava brevemente, para já lhe libertar e concordar positivamente sobre já ter se passado muito tempo des das noites em que a tua tia era apenas uma aprendiz.

    -Será uma um tesouro que guardarei com bastante alegria. Mas bem, veja, Pietra antes de ser lecionada por mim, aprendeu com um dos maiores artistas do mundo moderno, comparar-se com ela é um pouco desvantajoso, por isso, não se preocupe. Eu mesmo fui abraçado sem sequer saber ler! Nossos corpos e mentes são bem similares a argila fresca, nunca se esqueça que parte da maldição que carregamos também traz consigo a benção da constante mudança.

    Após a fala o homem enfim abria a porta do quarto e permitia que você saísse na frente, para posteriormente se colocar ao teu lado e oferecer o braço.

    -Já que por tanto procurou e enfim encontrou, digo que aceito ensinar-lhe sobre o caminho e que começamos hoje. E só iremos parar quando você me disser exatamente o que eu espero ouvir, combinados?
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 10/1/2018, 01:08

    As ações e palavras do gigante conseguiam ser o suficiente para me inspirar e ceder ao profundo medo da falha que havia crescido dentro de mim. Durante todos esses anos, de alguma forma, um mecanismo de proteção havia se desenvolvido e fechado algumas portas artísticas a minha frente, porém, desde que chegará a Toscana, esse mecanismo tinha se afrouxado e, agora, com esse último incentivo eu sentia que era o momento de se livrar disso.

    “Alfonsus você é totalmente diferente do que eu imaginava. Mesmo tendo te conhecido há alguns anos, eu não te entendia muito bem e não me sentia totalmente a vontade para falar com você… Bem, agora eu tenho a certeza do tipo de pessoa que es é e não tenho motivos para me esconder ou me reprimir.”

    Durante o abraço eu encostava a lateral de minha cabeça em seu troco e o abraçava bem forte, um abraço rápido mas que significava mais do que ele apresentava, pois nele eu podia ver uma imagem mais nítida de algo que há muito tempo sentia falta. Assim que o abraço terminava eu recuava alguns passos para me recompor, me colocando a frente dele com as mãos entrelaçadas a frente de meu corpo, e o ouvia com atenção.

    “Você tem razão. Nos temos a oportunidade de viver eternamente, mas isso não significa que seremos eternamente as mesmas pessoas. Alfie, sinto que aprenderei muito contigo! Estou ansiosíssima!”

    Suas palavras, por si só, já conseguiam colocar um sorriso animado em meu rosto, mas quando ele usava o exemplo da argila, aquilo intensificava minha expressão e provocava um sentimento de alegria diferenciado.

    – Não poderia concordar mais com você, Alfie! Já me sinto cem por cento mais confiante e animada para aprender a cantar a maior voz de todas!

    Minha fala saia com um sorriso largo que chegava até a estreitar meus olhos e um dos principais motivos era o trocadilho que havia na mesma. Um trocadilho, porém o mais puro e sincero elogio que vinha em uma forma divertida antes de finalmente sairmos do quarto.

    Indo junto dele para fora do quarto, eu aceitava seu braço e o seguia em nossa caminhada, que era rapidamente interrompida por uma ótima notícia. Eu o olhava feliz e, um pouco, surpresa, afinal não espera uma resposta tão rápida assim e nem que os ensinamentos fossem começar hoje. Por mais que eu hesitasse em minha comemoração, que geralmente seria alguns saltos de alegria, ela vinha quando eu dava um pequeno grito de afirmação e erguia meu braço livre.

    – Sim! Combinados! Muitíssimo obrigada Alfie!

    Por mais que eu tivesse aceitado de imediato o que havia acabado de acontecer, somente depois de aceitar é que eu pensava direito sobre as palavras de Alfonsus. Sem deixar aquilo transparecer, uma ponta de curiosidade havia sido acessa dentro de mim e vários questionamentos surgiam e se misturavam com a animação em aprender e dava um toque misterioso, no bom sentido, a tudo aquilo.

    “O que ele espera ouvir? O que será que ele espera ouvir? Ai meu Deus, estou muito animada!”

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 10/1/2018, 18:08

    Alfonsus ria diante de suas comemorações e maiores demonstrações de emoções, era simples ver como o homem adorava ser chamado por "Alfie" e especialmente como ele admirava a sua beleza de uma forma diferente, não havia malicia ou intenções, havia de fato um encanto de um artista que busca por inspirações e encontrava na sua alegria uma fonte.

    -Perfeito, então vamos aproveitar e começar exatamente agora!

    O homem dava um passo a sua frente e parava ali, esticando a mão e tocando o teu queixo com o indicador para levantá-lo, assim seus olhos se encontravam e o gigante patriarca da sua linhagem dizia:

    -O Ramo da Respiração compreende que as sensações humanas são maravilhosas e que dentro delas estão os maiores ensinamentos. Nós temos uma anatomia única, jamais seremos como outrora fomos, mas isso não nos impede de ficar bem perto de nossos corpos originais.

    A voz de Alfonus então soava diferente nos seus ouvidos, era um convite impossível de ser negado:

    -Permita que o teu corpo sinta o cansaço das suas ações. Comece a entender os teus limites corporais e sensoriais e veja a primeira lição: O primeiro passo para voltar a respirar é entender qual corpo precisa do ar.

    Ele então beijava a sua testa e imediatamente, uma dor nova vinha para o teu corpo! Subindo pelas suas pernas e alcançando a sua cintura, você começava a sentir sensações novas que você só se lembrava de sentir quando era viva! Todo o teu corpo parecia mais sensível, mas as suas pernas tremiam por causa do esforço do começo da noite e a falta de vitae de instantes atrás, assim como devido a correria!

    -Olá Nina, cansada querida?

    Alfonsus questionava com um sorriso maroto na face.
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 15/1/2018, 00:21

    A risada de Alfonsus era contagiante e me deixava ainda mais tranquila e confortável ao seu lado. O sorriso em meu rosto se intensificava pelas reações de meu novo mentor e, principalmente, quando o mesmo indicava que iríamos começar as lições ali mesmo.

    – Serio!? Perfeito! Vamos sim!

    Animada eu batia algumas palminhas e o via ficar a minha frente. Após o suave toque dele em meu queixo, eu abaixava meus braços e entrelaçava minhas mãos a frente de meu corpo, ficando assim em uma posição relaxava para prestar atenção ao que o homem diria.

    Durante as primeiras palavras de Alfonsus meus olhos nem sequer vacilavam. Eles ficavam o olhando enquanto eu prestava atenção em cada palavra dita, mas elas eram apenas uma introdução e eu ainda me mantinha focada para absorver o máximo do que ele havia a dizer. Porém, algo começava a mudar, uma mudança sutil e, ainda, incerta.

    “Espere… aconteceu alguma coisa. A voz dele… esta diferente? Por que ele alterou a voz…”

    A voz dele tomava uma nova tonalidade, não tão diferente do que ela era, mas, ainda assim, aquilo me causava uma duvida: será que ele havia alterado a voz, ou eu que estava ouvindo diferente? Aquela era uma pergunta que surgia em minha mente e que era respondida com a continuação da frase dele.

    “É isso… Esse tempo todo eu estive apenas simulando as reações corporais e havia esquecido da importância delas. Não é sobre tentar parecer ser humana, é sobre ser humana!”

    Após a fala dele, fechava meus olhos e fazia uma respiração profunda, entretanto dessa vez eu me focava por completo para sentir o ar entrar em meus pulmões e, assim, realmente sentir aquela reação básica como não o fazia a muitos anos. Somado a isso, Alfonsus me dava um beijo na testa e imediatamente causava uma mudança completa em meu corpo. Eu abria os olhos em um pequeno susto que vinha quando sentia o toque em minha testa, mas o maior espanto era o efeito causado pelo mesmo.

    A muito tempo que eu não sentia algo como aquilo, afinal, já estava, há algumas décadas, acostumada com a nova resistência corporal que tinha, mas por um momento aquela resistência havia sumido e minhas pernas mostravam as consequências de minhas ações. A dor aparecia de supetão e subia com velocidade, tomando toda minha parte inferior do corpo e me fazendo perder quase toda a força ali.

    – Ai meu Deus! Alfie me ajuda!

    Para não cair, eu me segurava em Alfonsus enquanto procura um local para que pudesse sentar antes que realmente caísse. Assim eu seguia, com a ajuda de Alfonsus, até uma cadeira e, assim que sentava, eu novamente fechava meus olhos. Apesar da dor e do cansaço que apareciam de supetão, eu não expressava sofrer ou coisa do tipo. Respirando ofegante, eu levantava a cabeça para olhar na direção de Alfonsus, mas dessa vez não lhe mostrava um sorriso, pelo menos não completamente, e sim a língua em resposta a piadinha dele.

    – Isso foi maldade! Eu quase cai no chão!

    Após o pequeno drama, eu fazia uma curta pausa e, já mais calma, retornava a falar com uma expressão tranquila no rosto, mas adotando um tom mais irônico e divertido ao final.

    – Eu não me sentia assim ha muito tempo. Mas agora eu pude perceber a diferença do que eu estava tentando fazer para o que você falou. Só que você deveria ter, pelo menos, me colocado sentar em algum canto porque eu não tenho um corpo forte como o seu sabe!?

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 15/1/2018, 16:11

    Alfonsus não deixava de sorrir durante o seu maior momento de fraqueza, o homem porém oferecia o apoio necessário para que você pudesse se manter de pé e logo a tomava no colo sem fazer nenhuma pergunta ou sequer dizer algo, ali ele a carregava até a cadeira mais próxima e a colocava sentada, para posteriormente, ajoelhar-se na sua frente. Mantendo os dois joelhos no chão o homem a olhava d e bem perto.

    -Se eu a alertar-se, querida, teu próprio instinto a manteria de pé. É essa a função da besta que vive conosco após o abraço, mas não se preocupe... Eu nunca, em hipótese alguma, irei colocá-la em alguma forma de perigo.

    Afirmava o homem agora com a voz que você estava aprendendo a gostar de ouvir. Ele esticava as mãos e as colocava sobre seus joelhos, fazendo um leve apertar que trazia um alivio considerável a musculatura rígida e irritadiça deles.

    -Desculpe-me pelo susto, mas a lição estava atrelada ao mesmo. Agora, me responda uma coisa... Notei que cortastes o cabelo e o coloriu. Isso é interessante, ficou realmente muito belo. Mas a convido a tocar nos meus e sentir a diferença do tato... O nosso caminho da respiração envolve todas as partes do nosso corpo, o grande desafio é trazer o oxigênio ao vitae e fazê-lo redescobrir pequeninas funções que antes eram ignoradas. Como por exemplo, a macies dos cabelos, o brilho dos olhos, a respiração passiva, o tato mais vívido e o toque menos gélido.
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 29/1/2018, 18:45

    A fraqueza em minhas pernas era muito maior do que eu poderia esperar e, com isso, me manter em pé sozinha era além de um desafio, era quase impossível. Com a queda das minhas resistências sobrenaturais, meu corpo ficava muito mais pesado, devido ao cansaço, e com todas as minhas forças eu tentava permanecer de pé o tempo suficiente para exclamar pela ajuda de meu mentor.

    O braço de Alfonsus para me dar apoio teria sido o suficiente para me ajudar a chegar, mas, mais uma vez, eu era pega de surpresa pelo homem que me carregava em seus braços até a cadeira mais próxima. A ação dele ia além do que eu esperava e em reflexo eu soltava um baixo – Ai meu Deus! – que precedia uma risada divertida reprimida pelo cansaço.

    Apesar da surpresa naquela ação e de ainda ter pouca intimidade com o homem, eu não me sentia desconfortável e ao olhar em seus olhos eu podia reparar que não havia maldade ou qualquer outra intenção. Assim meu sorriso se abria ainda mais, mesmo ainda me adequando ao cansaço corporal, e eu ouvia o que ele havia a dizer para, ao final, concordar com a cabeça e com uma expressão bem mais calma.

    – Não se preocupe Alfie… eu só estou brincando com você.

    Já sentada na cadeira que ele havia me levado, eu falava em um tom compreensivo e enquanto massageava rapidamente os músculos de minhas pernas, até ele se ajoelhar a minha frente. Quando ele ficava a minha frente novamente, eu endireitava minhas costas e voltava a fazer o contato visual durante sua fala.

    As suas primeiras palavras eram, além de um elogio, um lembrete pois, com tudo que havia acontecido, eu simplesmente tinha me esquecido da mudança em minha aparência. Apesar do elogio eu apenas respondia com um breve acenar de cabeça, para não atrapalhá-lo, e logo fazia o que ele me pedia. Levando minha mão direita até os cabelos do homem, eu o tocava com a ponta dos dedos ainda enquanto terminava de ouvir o que ele havia a dizer.

    “Então esse é o ponto fundamental: o ar, a respiração. Algo tão básico mas essencial para existência da vida. So que não basta fazer o ar entrar para simular a respiração, é preciso sentir e deixar que ela reative todas as funções do corpo… e da alma. Afinal, mesmo que seja apenas o primeiro grande ponto, ainda existe muito mais!”

    Ao final de sua fala eu recuava minha mão e voltava a respirar de forma bem concentrada, sentindo o ar entrar pelas minhas vias respiratórias e preencher meu pulmão. Após aquele momento, eu voltava a olhar diretamente ao homem a minha frente com um sorriso animado no rosto.

    – A respiração é efetivamente a origem da vida… Essa frase nunca fez tanto sentido quanto está fazendo agora. Não há como ser viva sem que eu sinta a vida como ela é.

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 30/1/2018, 13:25

    O seu tato encontrava nos cabelos de Alfonsus uma suavidade natural que a surpreendia, havia ali um toque típico de um cabelo realmente natural que era muito bem cuidado por cosméticos e hidratantes. O realmente impressionante era de fato a sensação perfeitamente vívida.

    -Precisamente querida, não há vida complexa sem ar e nós estamos a viver dentro de uma complexidade enorme. Sem o ar, caímos para uma simplicidade que não nos convém e passamos apenas a sobreviver. Todavia, não somos monstros ou bestas para apenas sobreviver...

    O alto e forte homem então se levantava e demonstrava um sorriso bastante gentil nos lábios enquanto esticava a mão esquerda em um convite claro para que você se colocasse de pé.

    -A primeira lição foi dada, você já pode voltar a caminhar sem restrições. Nosso principal objetivo é que você passe a sentir esses cansaços naturalmente e não por causa de pequeninas manipulações ou ordens. Perdoe-me pela falta de avisos e pela violência da ação, amanha ou ainda hoje pela madrugada continuaremos, tudo bem?

    As palavras do homem ecoavam como um pequenino encantamento que ia dissipando a dor dos seus músculos, assim, gradativamente você conseguia sentir todo o equilíbrio voltar e deixar para trás apenas um suave dolorido e uma ardência.

    -Vamos então até os convidados querida? Acredito que temos muito mais a conversar e além disso, preciso apresentá-la apropriadamente a minhas filhas!
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 31/1/2018, 01:15

    “Quem diria que um ancião como Alfonsus seria uma pessoa tão viva ao ponto de usar cremes para o cabelo… Ele deve ser o mais antigo dentre todos nessa região e, ainda assim, é o mais vivo sem dúvidas nenhuma!”

    A sensação do toque nos cabelos de Alfonsus me instigava de forma ímpar e me motivava ainda mais em seguir aquele caminho. Após recuar minha mão e falar, eu ouvia o que o homem havia a dizer e, ao fim, aceitava o convite do mesmo.

    Fazendo uma breve acenar positivo com a cabeça antes de me erguer, eu segurava em sua mão e a outra em meu joelho, fazendo assim um pequeno apoio, para me colocar em pé e logo voltava a ficar ao lado do mesmo. Ainda com o cansaço evidente em meu corpo, rapidamente eu procurava pelo braço do homem para me apoiar enquanto que gradativamente minha resistência sobrenatural começava a retornar.

    – Certo, voltarei a abaixar minhas resistências em breve… agora acho que não daria certo, a menos que eu fique andando em uma cadeira de rodas! Deus! Jamais vou me colocar numa situação dessas de novo.

    Falando em um tom divertido, que misturava um pouco de sofrimento próprio e arrependimento, eu dizia enquanto balançava a cabeça de forma negativa, como se estivesse me repreendendo mais uma vez pelo que havia feito.

    – E, de novo, não se preocupe. Eu sei que não fez por mal. Não teria sido a mesma coisa se você tivesse avisado. Além disso, sempre que pudermos poderemos continuar as lições, estou muito empolgada, tenho de admitir, mas para a próxima lição vamos fazer isso sentados, certo?

    Dizia ainda com o tom brincalhão e até mesmo soltando umas risadas após falar. Entretanto, depois das risadas, eu o olhava de forma menos descontraída e falava após concordar com o que ele falava.

    – Elas também vieram!? Maravilhoso! Apesar do tempo que passei em Berlim naquele ano novo, eu não pude conhecê-las muito bem. Além do mais eu também tenho que lhe apresentar a Mipa!

    Falar de Mirian para as outras pessoas geralmente vinha acompanhado de um sorriso que não cabia em meu rosto, porém, assim que a imagem de minha amiga se encontrando com Alfonsus surgiu em minha mente, as palavras que a ruiva haviam falado anteriormente também reapareciam com força.

    “Aquela profecia… eu tenho que falar dela para Alfie, afinal ele esteve junto de Elonzo quando eles conquistaram a Florença! Mas, primeiro vamos confirmar com Luna se o que ela sentiu é verdade ou não.”

    Eu tentava disfarçar aquela sensação estranha, que me fazia respirar pesadamente, ao puxá-lo para andar e rapidamente voltando a falar sem deixar uma brecha para que ele me indagasse sobre aquilo.

    – Bom, acho até melhor nos apressarmos um pouco, tenho medo da Mipa aprontar alguma coisa por aqui, principalmente por que os convidados já devem ter chegado e ela, apesar de ter um bom coração, não tem limites!

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 31/1/2018, 20:49

    -Prometo, estaremos sentados sim Tina.

    Respondia Alfonsus que não deixava de sorrir diante das suas falas mais bem humoradas, o homem gradativamente ia perdendo a postura intimidadora e grandiosa, essa postura suavemente adentrava um espectro bem mais amigável e até paterna.

    -Perfeito, estou ansioso para conhecer estava famosa ruiva que atende por Mipa! Meu pequeno Sebasitan não conseguia deixar de olhar para ela, claro que primeiro ele tinha que romper aos teus encantos não é mesmo?

    O homem seguia a manter um sorriso gentil na face e lhe oferecia o braço, um movimento que era sincronizado com a total dissipação das suas dores musculares, deixando para trás apenas um pequenino eco que incomodava mas não chegava a realmente dor ou lhe atrapalhar.

    -Vamos então agora retornar ao festival querida? Ou ainda temos alguma questão a resolver antes de nos colocar no maravilhoso hall de entrada decorado por Aylena por onde os ilustres convidados dessa noite chegarão?

    As palavras do alto homem eram simples, mas o mesmo claramente dedicava-se a prestar atenção em ti e notoriamente lhe dava o espaço necessário para que você fosse capaz de se recompor e até mesmo agir, se movimentar ou questionar sobre qualquer tópico. Para só depois, iniciar uma caminhada sem pressa para o salão principal.
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 2/2/2018, 01:05

    A sensação de cansado e dor se dissipavam de meu corpo deixando apenas um resquício que somente incomodava. Livre daquela sensação eu conseguia me mover bem mais fluida e logo reparava na diferença entre o que eu estava acostumada e no que iria me acostumar.

    “Não foi só minhas resistências que caíram, tudo do meu corpo voltou ao natural. Incrível! Mas por um lado também estou com um pouco de medo… preciso logo melhorar o meu corpo de verdade.”

    Apesar da preocupação, a pergunta de Alfonsus me chamava a atenção e logo o respondia com um sorriso animado decorado com minhas bochechas coradas.

    – Não é bem assim também… mas então… a Mipa é uma pessoa única! Ela é delicada como uma princesa e intensa de mais. É como fogo e as vezes machuca a si mesma e aos outros, mas, no fundo, é uma boa garota.

    Ao falar de Mirian daquela forma, os meus olhos se perdiam na visão do corredor a nossa frente e as imagens da noite anterior surgiam em um flash rápido que provocava uma levíssima mudança em meu sorriso durante uma fração de segundos. Claro que aquelas palavras me remetiam a um duplo sentido, mas, em predomínio, havia a mais pura visão que eu tinha dela bem como todo o meu respeito e admiração pela minha mais antiga e queria amiga.

    Balançando levemente a cabeça para sair daquele desvaneio, voltava a olhar para Alfonsus ainda mais corada do que da primeira vez. A minha hesitação não havia passado em vão dos olhos do ancião, mas, mesmo tendo a oportunidade de contar logo aquilo, que de certo modo me afetava, eu balançava a cabeça negativamente.

    “Não seria bom falar disso agora, até por que ainda não temos certeza daquela visão e daquela profecia… por mais que tenha me dado um pressentimento terrível! Eu também não quero o preocupar a toa, mas, se aquilo for mesmo verdade… Alfie precisa saber.”

    Mesmo recusando com uma expressão bastante calma, aquele novo nome me atiçava e despertava minha curiosidade que recuperava minha animação. Assim eu o acompanhava na nossa lenta caminhada de volta ao festival e eu o perguntava um pouco confusa enquanto buscava em minha mente a resposta para quem seria Aylena.

    – Aylena? Acho que não a conheço… além do mais, eu achava que era um dos vassalos de Lotta que estava cuidado da decoração do festival.

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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 2/2/2018, 12:38

    -O seu amor por ela é algo genuíno e puro, fico verdadeiramente feliz por isso querida. Afinal, o grande desafio de manter uma relação ampla é encontrar dentro do teu coração um castelo para cada um dos seus amores e decorá-los de maneira equivalente e ao mesmo tempo, única a seu modo.

    Respondia o homem que a conduzia de volta ao salão principal que você sequer havia notado em sua totalidade por causa de toda a tensão da cena e o inevitável desmaio por fome. Com calma, Alfonsus parecia estar atentando-se a sua coordenação motora, afinal, o choque anterior havia sido deveras forte e ele havia prometido não deixá-la sofrer algo similar novamente.

    -Aylena foi por muitos anos vassala de Pietra, mas quando ela veio a adormecer...

    Nesse momento a caminhada parava, era possível ver em toda a postura do homem uma manifestação incontrolável de saudades, algo tão poderoso que o fazia parar e buscar pelo ar para preencher seus pulmões.

    -Eu assumi a responsabilidade de mantê-la, para no futuro apresentá-la a Loretta. Aylena será a nova filha de Loretta no futuro próximo... Eu a dei autorização de decorar apenas as salas iniciais de recepção do festival, o restante é de fato uma obra dos vassalos da nossa anfitriã.

    A fala do alto homem encaixava perfeitamente com o som de alguém caminhando também pelos corredores, essa pessoa estava a se aproximar e se anunciava:

    -Oi, Nina! Você tá por aqui? Deus eu tenho que encontrar que encontrá-la antes dos convidados chegarem!

    Era a voz de Miriam a ecoar do fundo do corredor, ela chegaria em breve. Mas ainda havia uma curta janela de tempo para vocês dois interagirem.
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 7/2/2018, 00:44

    As palavras de Alfonsus faziam meu coração quase palpitar novamente. O sentimento forte e vivo que nutria pela minha amada amiga e amante se intensificava após ouvir o elogio do homem. Ainda segurando em seu braço, meus olhos se desviavam dos dele por um momento, fitando o espaço vazio a minha frente, e logo eles conseguiam ver, por um momento, a imagem de Mirian e, também, a de Sebastian. Minhas bochechas ficam coradas e minha mão livre repousava sobre meu peito enquanto eu ficava claramente sem jeito, mas muito feliz.

    “Incrível como ele e o Bash conseguem falar dessa forma e me deixar sem graça… Agora estou até curiosa para saber como Elonzo é e se eles aprenderam isso com ele. Mas enfim, com certeza Bash e a Mipa possuem o mais grandioso e belo castelo em meu coração, tanto que agora eu não consigo mais nem me imaginar sem eles.”

    Depois daquele pequeno desvaneio, voltava a olhar para Alfonsus com o amplo e radiante sorriso que parecia não desaparecer de meu rosto.

    – Eles, sem dúvida alguma, são as duas pessoas que mais amo em toda minha vida.

    Caminhando calmamente ao lado do homem, continuava a prestar atenção no que ele havia a dizer, principalmente após a minha pergunta sobre o novo nome que surgia. A primeira frase dele me surpreendia de forma constrangedora e engraçada. De fato eu não havia me lembrado imediatamente quem era a garota, mas ao ser lembrada um sorriso besta surgia em meu rosto e eu o virava para que Alfonsus não visse a minha cara de besta.

    “Ai meu Deus… Como eu pude esquecer dela? Sou muito tapada mesmo!”

    Entretanto, aquele sentimento de constrangimento rapidamente passava. Quando Alfonsus parava de andar, aquele sorriso se apagava um pouco e logo meus olhos o procuravam novamente. Observando agora eu podia notar o forte sentimento que ele possuía por minha tia Pietra e assim um sorriso empático se abria.

    “Não há dúvidas que ele sente muito pelo sono de tia Pita. Apesar de um homem forte, ele ainda é muito sensível.”

    Levando minha mão livre até o seu braço, eu o tocava suavemente como uma forma de dizer que o compreendia e que ele tomasse o tempo que precisasse para continuar. Apesar da comoção com a reação do homem, saber que ela, Aylena, seria a mais nova filha de Loretta era uma surpresa interessante.

    “Filha da Lotta? A noite está apenas começando e já foram surpresas de mais… Acho que preciso me prepara mais para o que está por vir.”

    Eu sorria boba e então erguia a cabeça já para respondê-lo, porém, logo era interrompido pela aproximação de alguém pelo corredor. Não demorava muito para que a pessoa se anunciasse e fosse a voz de Mirian que se revelasse antes mesmo dela aparecer em nossas vistas. Tomando aquele curto tempo, antes da aparição de minha amiga, eu me colocava de frente para o homem e então falava:

    – Entendo. Tenho certeza que tia Pita ficará muito feliz em saber que Aylena é a filha de Lotta. Apesar de não conhecê-la muito, tenho certeza Aylena é uma mulher incrível e Lotta dispensa comentários, não é? Bem, além disso…

    Assim eu fazia uma curtíssima pausa e me aproximava para dar um breve, mas apertado, abraço nele e falava mais uma vez antes de responder a Mirian.

    – Obrigado por tudo, mais uma vez, Alfie. Agora vou lhe apresentar devidamente a minha querida Mipa.

    Após falar eu me afastava dois passos e me virava para onde a voz de Mirian vinha para respondê-la em alto e bom som.

    – Estou aqui Mipa!

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Danto em 8/2/2018, 01:35

    O seu toque empático em Alfonsus era bem recebido, o homem sorria de maneira suave e movia a cabeça em um sinal positivo de agradecimento. O mesmo então respirava fundo e já se apresentava melhor para seguir junto de ti, todavia, as suas palavras seguintes pareciam ter sido ouvidas por sua amiga que corria, virando a dobra do corredor e vindo imediatamente lhe abraçar com força, apertando-a com os braços e só soltando quando notava que você estava acompanhada. Os olhos de Mipa encontravam a figura de Alfonsus por poucos instantes, já que ela logo olhava para chão e juntava as mãos acanhada e assustada diante a figura do homem.

    -Então querida, me apresente a sua companheira. Afinal, ela fará parte da família e devemos evitar essas reações no futuro não é mesmo?

    Mirian levantava a cabeça confusa, olhando na sua direção e depois na de Alfonsus. Para depois falar de maneira tímida, não era do feitio dela ficar assustada com homens, mas o patriarca da sua família conseguia realmente ser uma figura de muito poder e ameaça, mesmo que ele não o quisesse ser.

    -Nina, está tudo bem?! E sim... Sim, o Senhor tem total razão. Isso não pode mais ocorrer!

    A jovem de cabelos vermelhos então endireitava a postura, mas aguardava que fosse você a apresentá-los, como havia sugerido o homem.
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Lugo em 9/2/2018, 17:15

    Off: Teste de Empatia + Percepção = 7d10
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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Dados em 9/2/2018, 17:15

    O membro 'Lugo' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 3, 3, 7, 4, 5, 5, 1

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    Re: Primeiro Arco de Valentina: Ato VII - A Família

    Mensagem por Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: 23/4/2018, 06:37