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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato I - Onde Está a Rainha?

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    Danto
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 7/1/2018, 11:55

    O toque na mão de Alfonsus era muito bem quisto pelo homem que silenciosamente sorria a ti e girava a mão, para que suas palmas se encontrassem e os dedos pudessem se entrelaçar naquela breve caminhada até o topo da torre. Já no mirante, diante da maravilhosa visão que o local proporcionava, Alfonsus apertava brevemente a sua mão em uma breve despedida, afinal o gigante não iria realmente participar da conversa, as atenções dele se voltavam para os jardins e os arredores. Ao contrário da sua pequena que adorava observar o horizonte de todos os pontos possíveis, e ali, não faltavam locais maravilhosos para admirar.

    -Alexia... Já se fazem tantos anos que eu não a vejo.

    Comentava Melisande, demonstrando uma saudade e até mesmo nostalgia em torno do nome de Alexia, a primeira prole de Violetta. As duas mulheres se aproximavam de você para ouvir as suas considerações. A jovem Ellen mantinha uma expressão bem tranquila e os olhos atentos em suas reações, havia ali um pequeno encanto, afinal os seus reflexos humanos eram perfeitos. Já Melisande estava mais pensativa e só quebrava o silêncio após a sua pergunta.

    -A história de glória da minha linhagem começa com a queda da linhagem de Miguel da Constantinopla. Helena e seus filhos derrubaram o grandiosa cidade e causaram a destruição do Triunvirato que ali existia, esse evento causou uma verdadeira passagem de eras para toda a cultura mundial. Vitoriosa, Helena decidiu que era chegada sua hora de dormir, mas antes daria um presente para cada um de seus filhos. Para Eletria, sua primogênita, ela deu Esparta. Para Villon, seu eterno querido apaixonado, ela deu a cidade de Paris. E a Melinda, ela ofereceu Madrid! Porém, minha mãe negou a oferta e afirmou que faria seu próprio reino... Assim, Helena em desgosto pela ingratidão de sua filha mais nova, dormiu para nunca mais acordar.

    Contava Melisande, que só no final da própria fala levantava os olhos e os focava em ti. Ellen respirava fundo e comentava delicadamente após a Cardeal falar.

    -Eu discordo dessa teoria de que a relação das duas seja ruim. Pois, no momento de maior desespero de Melinda, ela só pensava na própria Mãe. Talvez essa história, contada pela própria Regente, seja parcialmente falsa, uma mentira para se convencer a alcançar algo grandioso, como por exemplo, ser Regente do Sabá e não ter apenas um País e uma cidade ou região como seus domínios, mas sim, construir de fato um Império.

    A pequena tirava os olhos da linda vista por alguns instantes, ela olhava agora para Alfonsus que estava de olhos fechados no centro do mirante. A altura dele o permitia dali ter uma capacidade de notar totalmente todos os arredores e o forte homem estava a tencionar a musculatura.

    -Interessante Ellen, vejo que minha mãe escolheu muito bem ao...

    A fala de Melisande era interrompida por uma ação de ultravelocidade de Alfonsus. O gigantesco homem, literalmente corria até a borda do Mirante e saltava! Tocando o solo como um felino extremamente ágil, o mesmo amortecia a queda e a usava como impulso para cruzar os jardins como um trovão, era possível então ouvir um grito seco de um homem. E a voz intimidadora de Alfonsus ecoava pelo corredor leste do jardim.

    -Me dê uma razão para não arrancar a tua cabeça neste momento! AGORA!

    Era possível ouvir um forte e altíssimo som de osso humano sendo partido, junto de um grito de desespero que vinha com uma resposta ofegante.

    -So-sou Stefano! Stef-stefano Alemán, bispo! Bispo da Espada!

    Ellen olhava paralisada de medo para toda a cena, claramente ela sequer havia conseguido acompanhar as ações. Enquanto Melisande, virava os olhos em uma expressão inesperada, ela não parecia tensa mas sim, entediada.

    -Já falei para esse pirralho insuportável parar de se esgueirar pelo castelo... Acho que vou pedir para Alfonsus arrancar-lhe a cabeça de uma vez por todas!

    Resmungava a Cardeal.
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    Jess

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 7/1/2018, 13:20

    O toque de nossas mãos e o sorriso de Alfie me faziam suspirar, de mãos entrelaçadas terminávamos de subir as escadas para o todo do mirante, ali nos despedíamos brevemente apenas com um olhar, o gigante ficaria de guarde e eu sabia que ele faria bem sua tarefa.

    “Espero que ele não tenha realmente que agir.”

    Sentindo a admiração e euforia da pequena minha mente se concentrava nas palavras de Melisande, era claro que ela e Alexia se conheciam, o que me deixava apenas mais curiosa para conhecer minha irmã mais velha tão amada. A história que me era revelado me fazia concordar com um breve aceno, mas eram as palavras de Hellen que me surpreendiam, a estrutura bem montada e observada da jovem diziam muito sobre sua capacidade e isso era um tesouro que cresceria com o tempo.

    “Ela tem razão, porque Melinda se contentaria apenas com Madrid se ela poderia ter todas as cidades que a Espada está presente. Ela conquistou seu próprio império, mas fez isso para conquistar algo de Helena.”

    Os movimentos da pequena me fizeram observa-la, por seus olhos eu sentia a musculatura de Alfonsus se endurecer, os movimentos deste depois disso não me foram suspresa, mas os gritos que se seguiram sim.

    Observando o susto de Hellen eu sorria a abraça-la e beijar sua testa com carinho para comentar.

    – Está tudo bem mia amata, ele apenas estava cumprindo seu dever.

    Olhando para Melisande meus olhos observavam as reações desta e eu não podia deixar de sorrir.

    – Acredito que seja de bom tom evitarmos sangue derramado, mesmo de bispos se bisbilhoteiros.

    A pequena que havia corrido para acompanhar os movimentos de Alfie farejava o ar, voltando-se em minha direção ela gemia incomodada e franzia o nariz, algo que me deixava curiosa.
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    Danto
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 7/1/2018, 19:32

    Os braços de Ellen abraçavam o teu corpo com firmeza, a jovem realmente não conseguia esconder o medo que havia sentido diante da demonstração de real poder cainita do gigante que agora, trazia em sua mão direita, o corpo de um rapaz que parecia uma criança de tão pequena perto de Alfonsus, ainda mais quando ele carregava o rapaz pelo pescoço e os pés dele sequer alcançavam o chão. O beijo dado na testa suavizava o terror e aos poucos ela te soltava, para apenas segurar a sua mão e exibir um sorriso mais tímido. Enquanto isso Melisande levava uma mão até a própria testa, resmungando outra vez:

    -Não se fazem mesmo mais homens como antigamente, olha só essa criança que chamam de Bispo, francamente... Eu não tenho mais idade pra lidar com isso.

    Esfregando brevemente a face, a Cardeal respirava fundo e olhava na sua direção. Concordando positivamente e tentando não parecer tão impaciente para lidar com a situação.

    -Você tem razão Pietra, deixarei você lidar com ele está bem? Se depender de mim prego os calcanhares dele junto da haste da bandeira ali em cima e o deixo conhecer o sol nascer.

    Ela apontava para o alto da bandeira do estado mexicano que voava sobre o cume do telhado do castelo. Ellen olhava para a Cardeal e comentava de maneira envergonhada:

    -Não seria injusto, querida Cardeal, puni-lo tão severamente por agir como uma criança? Acredito que tratá-lo como tal pode ser muito mais eficiente.

    Melisande olhava curiosa para Ellen e fazia um sinal de tanto faz com a mão e os ombros para responder.

    -Eu não vou lidar com isso, a autoridade já foi dada a Pietra. Ela irá tomar a melhor decisão. Correto?

    A pergunta era direcionada a você e antes que você respondesse, era possível ouvir os choros de dor do rapaz que agora estava bem perto da torre, Alfonsus olhava para cima e parecia calcular a altura do mirante. A construção deveria ter seus sete a oito metros de altura e ocupava a parte mais alta do território do castelo, nada disso no entanto era um desafio para Alfonsus que jogava o rapaz para cima, deixando-o se estatelar como um saco de batatas contra o chão do topo do Mirante e urrar de dor outra vez, Alfie surgia em um piscar de olhos ao lado dele, puxando-o pelo pé e trazendo-o até a sua frente. Era fácil notar o quão destroçado estava o ombro direito do mesmo e assim como dava para ver algumas manchas de sangue pela roupa do mesmo, devido ao impacto da aterrissagem, porém, nada ali chegava perto de ser letal.

    -Prazer, Vossa Senhoria Rafaldini... Pe-perdoe-me pela intromissão eu juro, jamais ocorrerá novamente!

    A fala do rapaz saia carregada e com alguns espaços para expressões de dor e falhas naturais de alguém machucado. Ele poderia se curar é claro, mas o fato de não o fazer simbolizava que ele entendia a punição que recebia. Já Alfonsus olhava no fundo dos seus olhos, ali você sentia que ele faria qualquer coisa que você o ordenasse.

    Stefano Alemán:

    Roupas:
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    Jess

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 7/1/2018, 20:23

    Abraçada a Hellen, minhas mãos esfregavam as costas da jovem acalmando-a, eu já havia me acostumado com a presença e força de verdadeiros anciões, mas ainda assim ver Alfonsus agindo era assustador isso não havia como negar. O suave resmungar de Melisande foi apoiado pela pequena que não escondia o desgosto que sentia pelo rapaz.

    – Obrigada Lady Melisande, eu entendo que esse tipo de situação é cansativa.

    Respondia ao segurar a mão de Hellen já bem mais calma, as palavras de Hellen me faziam sorrir com carinho para a jovem, era claro que ela não gostaria de ver uma punição mais severa, afinal o som do osso quebrado havia sido facilmente escutado por nós três, mesmo assim eu concordava com as palavras de Lady Melisande.

    – Irei sim cuidar da melhor forma possível disso. Não queremos que isso se torne algo maior do que já é.

    As ações de Alfonsus foram acompanhadas pela pequena, enquanto eu desviava o olhar do corpo de Stefano ao se chocar ao chão e urrar, a pequena o farejava indicando o cheiro de Althea no jovem, algo que a fazia bufar e cruzar os braços de desgosto.

    “Acalme-se! Ele não é Althea e já está machucado. ”

    Soltando a mão de Hellen com delicadeza eu dava um passo à frente enquanto Alfonsus puxava o jovem pelo pé, observando com calma meus olhos notavam a extensão dos danos, eram feridas que não colocariam em risco a vida do filho da lua, mas ainda assim dolorosas o suficiente para incomodar.

    Levantando a mão e olhando para Alfonsus eu indicava que já era o suficiente, mas não o dispensava é claro, afinal a presença do gigante ajudava a dar peso na bronca que seria dada. Ouvindo as palavras de Stefano eu concordava com um breve aceno de cabeça, cruzando as mãos por atrás de minhas costas eu mantinha a postura ereta ao comentar de maneira calma.

    – Espero mesmo que isso não se repita, está não é uma ação digna de um Bispo da Espada, concordas não é mesmo?

    Perguntava abrindo um leve sorriso no rosto que não demorava a sumir, porém sem rispidez ou a permissão de se curar eu ordenava a Stefano.

    – Primeiro levante-se! Segundo quero saber o exatamente o que escutasses e o que sabes sobre o assunto. Usarei isso para pesar sua punição.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 8/1/2018, 01:06

    Ellen agora a distância observava suas ações com enorme atenção, isso até a fazia se lembrar de como você em suas primeiras noites na Espada, buscava atentamente pelas ações de Monçada com seus subalternos. Por outro lado, Melisande de braços cruzados mantinha-se fria e silenciosa, mostrando a face distante e assustadora que ela sempre carregou durante os contatos que havia mantido contigo no passado. Enfim, o bispo se levantava com dificuldade após a sua fala, ele estava assustado e não ousava te olhar com qualquer forma de desrespeito.

    -Vossa excelência tem total razão, perdoe-me por minha falta de decoro. Concordo plenamente com vossa afirmação. E não pude escutar muito, havia acabado de chegar ao castelo e os vi indo aos jardins, ouvi que a Regente está a procura de um artista específico e que ela esta pela região.

    Afirmava o homem que não tinha a menor condição de mentir naquele momento, afinal, a simples presença de Alfonsus o fazia tremer como se estivesse de pé no centro de um terremoto! Ellen então dava um passo, aproximando-se, mas não dizendo nada, ela apenas parecia analisar se o rapaz estava a falar a verdade. Já a besta parava ao lado de Melisande e imitava com perfeição a expressão da matusalém.

    -Prisci Rafaldini, quais são as suas ordens?

    Questionava Alfonsus, pronto para agir sob seu comando. Ali você notava o quão poderoso era o teu cargo, afinal, se assim voce desejasse, aquele seria o fim eterno para aquele bispo enxerido e inexperiente. Que estava profundamente assustado e arrependido.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 8/1/2018, 02:37

    Ser observada por Hellen teria me feito sorrir, afinal nos meus primeiros dias na segurança da Espada eu havia feito o mesmo com Monçada, porem nunca tinha visto meu amado Cardeal ter de punir ninguém. A indiferença de Melisande me deixava claro o quão complicado era a situação em que Stefano estava.

    “Se essas informações saírem daqui seria terrível para a Espada, esse jovem sabe demais.”

    Ouvindo atentamente as palavras de Stefano eu sentia a pequena agir como Melisande, isso me fazia ter a mais pura vontade de rir, era claro que ela não gostava nem um pouco do rapaz devido a Althea, já a razão me impedia de criar antipatia por este.

    Voltando meus olhos para Alfonsus eu podia sentir o peso de minha posição ali, uma única palavra e Stefano seria morto sem nenhuma hesitação, algo que me preocupava por Alfonsus.

    Levantando a mão para que Alfonsus permanecesse parado eu respirava fundo, ainda avaliando toda a situação com calma e sem pressa, já a pequena não parecia disposta a me ajudar, sua exata cópia de Lady Melisande era a prova disso.

    – O correto nesta situação seria retirar seu cargo e faze-lo como exemplo a outros possíveis bisbilhoteiros. Antes de tudo está é a casa da Regente e não é certo que ela tenha que se preocupar com ouvidos assanhados em seu próprio lar, espero que saibas bem apreciar a sorte que tens Stefano, mas ainda assim iras ser punido.

    Comentava ao olhar para minha pequena que parecia ao menos aprovar isso.

    – Mais um erro como este e serás desposto de seu cargo de imediato e sem defesas, com o adendo de não poder retornar a pisar no castelo por 10 anos, posso lhe garantir que o próximo Templário terá a mão tão pesada quanto a de Alfonsus e muito menos paciência do que ele. Agora recomponha-se, terás que esperar como todos os outros até ser ouvido. Acredito que não preciso avisar que o assunto aqui tratado não deve ser mencionado não é mesmo?

    Perguntava de maneira sutil, esperando pela resposta de Stefano eu me virava para esperar pela aprovação de Lady Melisande, para só então dar ordens a Alfonsus.

    – Acompanhe-o até a presença de um serviçal que possa cuidar dele, depois retorne.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 8/1/2018, 14:10

    As suas palavras eram proferidas com a leveza de uma hábil e experiente aranha, que aos poucos tecia em volta do seu alvo uma camada inquebrável de teias que o sufocava em uma posição indefesa. Era notório como as dores causadas pela ação de Alfonsus pareciam pequenas diante da punição que o homem compreendia estar recebendo, envergonhado por ter protagonizado algo tão ridículo ele fazia uma reverência a ti, sem sequer ousar olhar na direção da sua face.

    -És justa como uma verdadeira liderança da Espada deve ser, envergonhado de minha atitude, retiro-me para refletir como pude ser tão baixo e falho. Tens meu eterno respeito, grande Lady Rafaldini e todos saberão que neste castelo, tudo está sob controle. E nada além disso será mencionado, tens a minha palavra e a promessa de que se eu a quebrar, acabarei com a minha existência de imediato.

    Lutando para não demonstrar nenhuma dor, o homem fazia uma gigantesca reverência enquanto Alfonsus silenciosamente concordava com a sua ordem e o puxava pelo ombro ainda saudável. O rapaz soltava um som de dor, afinal, a pegada do gigante não era nada amigável! Lady Melinsade apenas balançava a cabeça positivamente, enquanto a sua pequena estendia o braço esquerdo e fazia um sinal de negativo com a mão. Algo que claramente fazia Alfonsus sorrir de canto de lábio. Enfim, o bispo intrometido era retirado e Ellen respirava fundo para comentar:

    -Incrível como os ratos estão sempre prontos para aprontar não é mesmo?! Muito obrigada por essa demonstração Pietra, és uma líder fantástica.

    Melisande ria baixinho ao ver a reação da sua pequena e por fim, completava:

    -Uma aprendiz de Monçada não faria diferente, muito bem! Lidamos com o intruso, agora é esperar pelo retorno de seu templário, Pietra, e podemos finalizar a conversa. Mas antes, gostaria de lhe dizer que a presença de Lucita, a primeira filha de Monçada é inevitável nas próximas noites. Estamos tentando convencê-la a assumir um posto de comando, terias o interesse de conhecê-la?
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    Jess

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 8/1/2018, 15:45

    Com calma eu podia observar as colocações de minhas palavras, o peso que recaia sobre os ombros de Stefano tornava claro que apesar das dores, eram minhas palavras que abatiam com mais força, porem eu não podia retroceder em minhas decisões, não quando era necessário toma-las.

    Apreciando com um breve aceno as reverencias de Stefano eu ouvia suas palavras para enfim sorrir com calma, era certo que ele havia entendido a lição, algo que me deixava satisfeita.

    – Suas palavras e compreensão me alegram Stefano, esforce-se e eu ficarei feliz em retribuir seu respeito.

    Comentava antes de Alfonsus começar a retira-lo do mirante, as ações da pequena me fizeram balançar a cabeça, ela ainda não estava satisfeita, mas teria de aceitar, afinal o jovem se mostrava mais sensato do que Althea. O elogio de Hellen e o de Lady Melisande me fizeram sorrir com carinho, era difícil saber se minhas ações haviam sido pesadas em demasia ou leves.

    – Espero apenas ter feito o mais justo, ele ainda me parece jovem e uma boa lição pode ensinar mais do que castigo físicos. Além do mais Monçada me foi um querido professor e amigo.

    Andando para me recostar na mureta do Mirante eu respirava de leve aproveitando o vento da noite.

    “Espero ser capaz de orgulhar você meu Cardeal.”

    Ponderando sobre o possível encontro com Lucita, eu ainda tinha que lhe entregar o vitae de Monçada, uma promessa que estava disposta a cumprir.

    – Acredito que já esteja na hora de conhecer Lucita, mas apenas se isso não for atrapalhar em nada Lady Melisande, eu realmente não gostaria de atrapalhar em nada.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 8/1/2018, 22:02

    -Não se preocupe, fostes ponderada e justa. Exatamente como uma aprendiz dos caminhos do grande Cardeal deve ser. Infelizmente eu não o conheci profundamente, mas ele é um grande norte moral para toda a Espada de Caim.

    Afirmava Melisande que agora caminhava até a sacada do mirante, apoiando-se sobre o mesmo enquanto observava calma o horizonte daquela gigantesca cidade que se misturava com o verde o o urbano como um quadro caótico e cubista. Ellen se aproximava de ti, mas apenas o suficiente para se mostrar presente e atenta, mas não comentava nada, todas ali aguardavam pelo retorno de Alfonsus, especialmente a pequena que ficava a farejar e a olhar para o pulso como se houvesse um relógio ali.

    -Pronto, podemos continuar. O bispo foi escoltado até a saída do castelo...

    Dizia Alfonsus ao adentrar novamente a área do mirante, o homem vinha diretamente até você e buscava a sua mão com leveza, olhando nos seus olhos e esboçando um breve sorriso que você entendia perfeitamente: Ele estava agradecido pela sua decisão.

    -Acredito que devemos nos adiantar e tentar elaborar ou executar um plano. Afinal, agora temos a filha, a princesa e a aprendiz in loco. O que acham?

    Alfonsus balançava a cabeça positivamente, enquanto a pequena se animava e corria para abraçar o gigante que a acolhia com carinho. Melisande por fim, desencostava da sacada e se aproximava de ti.

    -Obrigada por vir Pietra, muito obrigada. Mas, me diga... Tens algum plano?
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 8/1/2018, 22:23

    A confirmação da ponderação de minhas ações vinda de Melisande me faziam sorrir, Monçada havia me dado uma chance quando nada mais se apresentava em meu futuro e o de Eva, por isso eu seria eternamente grata a figura do homem que fora meu pai e mentor.

    – Será assim que sua herança permeará os mais novos, uma conquista que poucos tiveram a chance de ter.

    O vento da noite misturado a paisagem no horizonte encantavam meus olhos, a presença de Hellen se fazia presente mas não intrometida, já a pequena reomia o tempo que Alfonsus permanecia longe, algo que eu entendia, ela queria saber se seu gigante estava bem.

    “Torço para que não tenhamos transgressores durante essa estadia, ele não poderia negar uma ordem de Melisande.”

    A chegada de meu gigante me fez suspirar, tocando em sua mão eu sorria resposta ao meu amado, as palavras de Hellen e a pergunta de Melisande me deixavam ansiosa, afinal elas pareciam acreditar que eu poderia ajuda-las, e em meu intimo eu queria ter esse poder.

    – Não me agradeça, eu devo muito a sua mãe e a Espada. Estaria mentindo se lhes dissesse que tenho um plano formado, mas podemos improvisar um pouco e ver o resultado disso. Diga-me Lady Melisande, o que ela esta a fazer no jardim? E o mais importante, temos no jardim um lago ou algo parecido?
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 9/1/2018, 00:16

    -Para responder a sua pergunta, preciso que Ellen diga quais foram as últimas palavras de Melinda e bem, sim, existe um lago no parque que rodeia o castelo, acredito que ele fica para lado oposto ao qual nós estamos agora.

    Indicava Melisande que em seguida olhava para Ellen, a jovem Ventrue recém chegada a espada não demonstrava insegurança ou nervosismo ao ser questionada daquela forma, a mesma ajeitava a postura e juntava as mãos, levantando o queixo para parecer confiante enquanto pensava, algo que tomava alguns breves segundos e fazia Alfonsus comentar brevemente em italiano ao seu pé de ouvido:

    -Ela não te lembra alguém?

    Porém, antes de você poder responder ao gigante, Ellen se pronunciava.

    -Lady Melisande, a Eterna Rainha da Espada de Caim me confessou a seguinte frase antes de correr na direção dos jardins: Somos todos seres vivos queridas, jamais se esqueça disto. Eu preciso encontrar algo perdido em minhas raízes, algo que eu enterrei para que hoje tudo isto fosse possível, algo que me dói tanto que eu sequer consigo sentir, anestesiada pela minha própria mente. Não posso encontrar o que busco sem preencher o vazio dentro deste tronco velho e seco de árvore...

    Melisande ouvia tudo com calma, ela respirava fundo e não conseguia esconder a frustração que sentia naquele momento.

    -Eu não posso ajudá-la. Minha mãe está totalmente fora de meu alcance e isso é uma decepção enorme, porém, eu tenho a resposta para sua questão Pietra. Eu realmente acredito que Melinda está desesperadamente tentando retornar a algum dos grandes ramos do Clã... Mas infelizmente eu sou uma rosa negra convicta e forjada para assim ser, eu não consigo ver o que há acima, apenas o que há para baixo da árvore da humanidade.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 9/1/2018, 01:03

    Ouvindo as palavras de Melisande meus olhos se voltavam para Hellen, a breve preparação da jovem me deixava curiosa, mas eram as palavras de Alfonsus em meus ouvidos que traziam um sorriso aos meus lábios, observando de leve meu gigante eu concordava com um breve aceno.

    As palavras de Hellen por sua vez se faziam presentes, escutando-a com atenção meus olhos se fechavam enquanto eu ponderava.

    “Trazer vida a sua casca...”

    Ouvindo as palavras de Melisande eu sorria com calma, tomando uma de suas mãos com delicadeza eu a respondia de forma suave.

    – Não importa qual a cor de suas pétalas, acima de tudo ela é sua mãe e senhora. Suas raízes são as dela, és o apoio de que ela precisa para se manter de pé. Acredito que suas palavras estão corretas Lady Melisande, ela está tentando, mas esse é um caminho difícil para alguém que esteve tanto tempo longe, então ela precisará de nossa ajuda.

    Apertando de leve a mão de Melisande eu sorria ao me voltar para Hellen e perguntar.

    – Se importaria de arranjar alguma roupa seca? Acho que iremos nos molhar um pouco.
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    Danto
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 9/1/2018, 01:30

    Melisande olhava no fundo dos seus olhos quando a sua falava iniciava, silenciada a mulher parecia parar no tempo. Como uma estátua encantada por uma medusa, ela ficava estática, porém, o teu toque encontrava uma mão a se aquecer! A besta ficava curiosa, inclinando a cabeça para a esquerda, a pequena demorava um pouquinho, mas entendia e sinalizava para Alfonsus apressar Ellen. Afinal a moça olhava curiosa para Melisande.

    -Ellen, querida! Procure por Francesco, ele é o vassalo de Pietra e meu melhor amigo. Certamente ele estará a explorar as estátuas mais belas do castelo e como você deve conhecer cada peça aqui, será fácil encontrá-lo. Estamos indo agora em direção ao lago, farias então, a enorme bondade de conseguir roupas secas para todos nós pequena? Isso incluí você e também Melinda tá bem?

    Dizia Alfonsus com uma voz bem tranquila e simpática, tomando com gentileza a mão de Ellen e conduzindo-a vagarosamente até a porta de saída do topo do mirante, a jovem respondia ao abrir a porta e começar a sair.

    -Claro claro! Eu os encontrarei lá! Já os vejo então, até logo!

    Apressando o passo, a jovem descia correndo as escadas e quando finalmente, só haviam rosas no mirante do castelo de Melinda. Melisande desabava do alto de sua pose, os olhos da mulher vertiam lágrimas poderosas de vitae e a face dela assumia uma tonalidade mais vívida e avermelhada! Puxando-a para um abraço a mulher que era menor que ti literalmente afundava a cabeça em teu ombro enquanto falava em uma voz abafada.

    -Por tantos séculos... Caminhei sobre os mais duros espinhos, sofrendo acusações de heresia, de brutalidade e selvageria. Cansada e ferida, eu levantei a cabeça e encontrei ao lado de minha mãe uma rosa branca perfeita. Tudo que ela sempre quis, tão branca quanto o amado irmão dela sempre foi! Tão branca quanto eu sempre desejei ser e nunca consegui, o sangue em meus pés... Eles não suportavam mais! Deus, como eu sofri por tanto tempo! Tanta dor imposta por mim mesma, perdida em minha própria saga de dor, escuridão e sofrimento eu perdi o contato direto com minha própria Mãe! Eu fui uma péssima filha!

    Ela esticava uma mão na direção de Alfonsus, claramente pedindo pelo apoio do forte homem, afinal, era notório como ela não tinha mais forças pra se manter de pé! Alfie se aproximava e com cuidado passava a mão direita pelas costas da mulher e a abraçava lateralmente, para que ela pudesse se apoiar. Assim, apoiada em Alfonsus ela continuava agora a falar, olhando no fundo dos seus olhos e esticando a mão para tocar a sua face.

    -Quando eu soube que tua filha, Lotte, havia sido aceita na corte de Berlim... Foi o dia mais feliz de minha vida! Juro! Ela alcançou meu maior sonho, que pode soar bobo, mas é ter meu nome inscrito junto de minha linhagem, na corte das rosas de Paris. Ainda não tive sequer a coragem de me apresentar a Helena, com medo de ser destruída ou enxotada como um monstro! E agora, você me diz essas palavras, tão belas e poderosas... Obrigada Pita e me desculpe por tudo que fiz.
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    Jess

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 9/1/2018, 02:14

    A reação de Melisande me surpreendeu, ve-la estática fazia com que pensamentos sobre ter passado do bom convívio viessem a minha mente, porem as ações da pequena em apressar Alfonsus me diziam ao contrário.

    Observando a retirada de Hellen, meus braços recebiam o corpo de Melisande sem medo, suspirando aliviada eu a apertava firmando meu corpo e deixando-a desabafar, minhas mãos tomavam o cuidado de brincar com seus cabelos em uma caricia de leve enquanto meus olhos lacrimejavam de carinho.

    “ Se eu soubesse disso antes, como eu fui cega.”

    Dando espaço para que Alfonsus pudesse apoia-la eu sorria para meu gigante, com delicadeza minhas mãos tomavam a face de Melisande limpando suas lagrimas.

    – Esta tudo bem mia amata, tudo bem. Como fomos duas bobas não é? Eu sempre a admirei, até invejei sua força mia amata, aos meus olhos sempre foste a rosa negra perfeita, aquela que eu deveria me espelhar para crescer, aquela que sempre seria um norte para as rosas da Espada.

    Abrindo espaço para a pequena, eu a via abraçar Melisande pela outra lateral e lhe beijar a face com ternura.

    – Ouça bem, não és vergonha para ninguém, Melinda se orgulha da filha que tem e do amor que sente por você, eu sempre a vi como minha avó, mas Violetta sempre será minha mãe, e você mia amata sempre será minha irmã, então não me peças desculpas, você não agiu errado, apenas não sabia. Iremos reencontrar nossa regina, e então tu se apresentarás ao lado dela a Helena, nós duas faremos aquela mulher se orgulhar de você, ela querendo ou não.

    Para confirmar minhas palavras a pequena rugia baixinho e de maneira desengonçada, apenas para abraçar mais forte o corpo de Melisande.
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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Danto em 9/1/2018, 13:15

    O choro de Melisande não era torrencial, era na realidade composto por lágrimas pesadas que encontravam dificuldades em cair, lágrimas de alguém que já havia desistido de chorar séculos atrás, porém, agora diante de tanta emoção e pela possibilidade de realmente corrigir os erros do passado e apresentar-se diante da progenitora de sua linhagem, Melisande não podia simplesmente desistir. Não de novo.

    -Nós duas nos apresentaremos ao lado de Melinda aos olhos de Helena de Troia. Mas... Seria injusto sermos apenas nós a nos apresentarmos não é mesmo querida?

    Melisande esticava a mão e fazia um carinho na sua face, sorrindo enquanto as lágrimas começavam a parar de escorrer. Em seguida ela olhava para a pequena e passava o braço pelas costas dela, puxando-a para perto e beijando o topo de sua cabeça. Para enfim olhar para Alfonsus e dizer:

    -Você também estará presente querido, especialmente por ser um iniciado no caminho que minha mãe criou. Ela irá adorar ver que hoje, existem poderosos homens honrados que carregam sua herança com tamanha vitalidade.

    Alfonsus sorria e respondia:

    -Obrigado pelo convite minha cara, estarei sim presente nesta apresentação. Será uma verdadeira honra!

    Melisande então sorria e fazia um suave carinho na face do gigante, algo familiar, como se o reconhecesse como parte da família, abraçando-o em seguida. Para posteriormente fazer o mesmo contigo. Ali a filha de Melinda finalmente a aceitava como família.

    [Off: Ultima ação antes do final do ato]
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    Jess

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

    Mensagem por Jess em 9/1/2018, 13:56

    As lagrimas pesadas de Melisande escorriam, com calma eu as enxugava entendendo o peso de cada uma delas, admirando a força daquela mulher que eu me orgulhava de chamar de irmã, uma irmã forte e determinada, mas que merecia sua parcela de cuidados e carinhos.

    “Nunca imaginaria conhecer Helena de Tróia, parece um sonho de uma criança se realizando.”

    O convite de Melisande estendido a Alfonsus me fez sorrir para meu gigante, feliz eu a via abraçar minha pequena que se entregava sem medo, algo que eu também o fazia, afinal eramos irmãs que finalmente haviam aceitado suas diferenças.

    – Obrigada mia amata, lembre-se que sempre estarei disposta a ajuda-la quando precisares, por isso não fique com receio de me chamar. És minha irmã e assim como todos precisa ser cuidada.

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    Re: Ato I - Onde Está a Rainha?

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