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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato II - A Primeira Chuva

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    Danto
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 12/1/2018, 14:56

    Todos já estavam do lado de fora da Van, Alfonsus carregava a figura de Melinda nos braços e ao fundo você poderia ver Ellen fazendo um breve aceno de até logo para você e Alfonsus. Melisande por outro lado, os acompanhava até o primeiro hall da ala oeste para ali, responder a sua fala de maneira bem simples e tranquila.

    -Eu não tenho mesmo razões para me preocupar. Afinal eu sei, sempre soube, o quão familiar é a relação entre vocês... Acredito que nos veremos em breve, quando Helena acordar. Até logo Pietra.

    Melisande se despedia então com um beijo em sua face e um toque gentil no ombro de Alfonsus, para em seguida beijar a testa de Melinda que estava quase a dormir ali. Enfim a caminhada seguia, sem interrupções e apenas contigo e Alfonsus na direção dos aposentos da regente, que nessa altura, já estava cochilando nos braços do seu amado.

    -Você sempre pode usar a pequena como escudo na hora de contar, mas não o deixe descobrir sozinho, isso o deixaria bem nervoso e suas orelhas estariam em risco querida!

    Comentava Alfie com um tom divertido na voz, a pequena que os circundava e farejava em busca do caminho correto, parava para soltar um pequenino gemido, indicando que ajudaria... Por um preço! Afinal, ela já gesticulava ao fazer o desenho de frutas com as mãos.

    Imagens referencias:
    Acesso aos aposentos:
    Sala de estar:
    Quarto:
    Banheiro:

    A besta os guiava até uma lindíssima escadaria que terminava em uma porta, abrindo a porta ela começava a saltitar e sinalizava animadíssima, vocês haviam chegado! Correndo para dentro do local, a mesma estava eufórica! Seguindo-a, era chegava-se a uma maravilhosa sala de estar de extremo luxo. Poltronas costuradas com tecidos de fios de ouro, móveis de valores inimagináveis e obras de arte de talentosos artistas do período renascentista. Era até possível ver uma das suas esculturas menores ali, uma estátua que você havia feito do busto de Yer, muitos séculos atrás!

    O caminho se seguia até o quarto de Melinda, outro cômodo simplesmente fantástico! Não era possível se imaginar algo menor para a poderosa Rainha e eterna Regente da Espada. Porém, a decoração era mais feminina do que o esperado, especialmente pela grande presença do rosa e o salmão, características que pareciam bem novas ao ambiente, afinal, seus olhos experientes conseguiam facilmente imaginar o ambiente com vermelho e marrom, seria o mais clássico para o mesmo e o deixaria com um ar "medievo" que muitos antigos preferem.

    -Por debaixo da enorme e pesada máscara de Regente inabalável e grande Rainha, existe uma menina jovial e delicada... Essa nossa condição sempre reserva experiências tão únicas. Pergunto-me o quão sofrida pode ter sido a vida de outros grandes titãs do sangue, com tamanho poder, mas com necessidades tão pequenas quanto a daqueles que eles esmagaram ou se apaixonaram...

    Alfonsus comentava, fazendo uma curta pausa para olhar na sua direção e falar.

    -Espero, sinceramente, não ter me transformado em uma peça de museu. Compreender o quão solitário possam ter sido os séculos a frente da Espada de Melinda me faz pensar muito sobre a forma com que eu conduzirei minha vida daqui para frente, eu quero ser o mais vívido possível...

    O gigante parecia estar falando consigo mesmo, porém, a voz alta não era um erro. Na realidade, era uma espécie de confissão! O homem estava realmente mais aberto do que nunca antes estivera e essa era a primeira declaração clara de que ele estaria disposto a compartilhar tudo contigo, sem exceções e isso incluiria seus medos, angústias e fraquezas.

    O homem no entanto, não se mantinha parado enquanto falava e isso os levava até o banheiro da regente. Outro comodo magnífico, com uma banheira de mármore rosado e um beleza única. A pequena que não havia ficado parada para ouvir o gigante, já estava a escolher quais sais de banho usar, separando-os próximo a banheira.
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    Jess

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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 12/1/2018, 17:26

    Sorrindo para o breve aceno de Ellen, respondendo-a com um aceno eu seguia ao lado de Alfonsus e Melisande até o hall da ala oeste, as palavras da Cardeal me fizeram sorrir concordando com a mesma.

    – Não esqueça que essa relação familiar inclui você mia amata. Até mais tarde mia sorella.

    Seguindo ao lado de Alfonsus e a pequena que farejava o ar a nossa frente nos guiando, as palavras de meu gigante me faziam encolher e colocar as mãos sobre as orelhas para concordar com seu conselho.

    – Será a primeira coisa que contarei a ele assim que nos virmos, tenha certeza disso.

    O respondia apenas para rir da pequena e sua clara cobrança por uma possível ajuda.

    “Por deus onde vai parar tudo que você come?!”

    Perguntava a pequena e a sua insaciável fome, reconhecendo os sinais que ela nos dava eu sorria ao entrar no acesso dos aposentos de Melinda, ali eu suspirava ao ser surpreendida pela beleza e elegância do lugar, as obras que ali estavam expostas teriam feito com que eu passasse horas a contemplaras. Porem aquele não era o momento, mesmo que em meio as obras eu pudesse visualizar um busto de Soyer feito por minhas próprias mãos.

    Seguindo para a bela sala de estar e quarto eu sorria admirando os pequenos detalhes daquele lugar, os tons vivos e suaves combinavam com a personalidade carinhosa de Melinda, mas eram as palavras de Alfie que me chamavam a atenção.
    – Algumas posições nos pedem mascaras, outras nos deixam livres. Mesmo que não queiramos acabamos por vesti-las sem saber, afinal ainda somos humanos, mesmo que nossa condição nos afaste disso.

    Aproximando-me de Alfonsus, minha mão o segurava no ombro com carinho, era em seus olhos que eu via a confissão do mesmo e sorrindo o respondia.

    – Eu sempre acreditei que aprender era o melhor meio de não me perder no tempo, mesmo que seja difícil e por vezes complicado, ainda mais devido aos avanços tecnológicos dos últimos anos. Mas isso vem se mostrando o mais certo, e sei que nossos filhos vão cuidar para que não fiquemos para atrás meu querido. Eu só tenho medo de sempre vê-los como crianças, problemas de ser uma mãe coruja eu acho.

    Esperando pela reação de Alfonsus, eu sorria ao correr até o maravilhoso banheiro de Melinda e sorrir ao ver a pequena começar a preparar os sais para o banho, abrindo as torneiras de água quente eu começava a prepara um lugar para colocar Melinda até que a banheira estivesse pronta.
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    Danto
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 12/1/2018, 18:13

    Alfonsus sorria de maneira delicada, com o canto dos lábios, demonstrando entender perfeitamente as suas palavras, para brincar de maneira suave com a própria idade avançada:

    -Eu sei bem como é esse medo de vê-los como crianças, na minha ultima visita a Cláudia eu tentei colocá-la para dormir e ela quase me arrancou os cabelos!

    Alfie se divertia ao lembrar dessa recente memória e adentrava o banheiro, enquanto ria silenciosamente para não acordar Melinda. Todo mês de setembro, o gigante ia a Toscana e por lá ficava durante a primeira semana, as vezes até duas. E a grande brincadeira era o fato de Claudia já ser considerada uma anciã!

    -E não se preocupe, todos estão felizes com a mamãe coruja que eles tem! Acredito que eles iriam até estranhar se você não os tratasse assim daqui a trezentos anos sabe?

    Comentava o gigante que aguardava pacientemente pela sua ação de encher a banheira com água quente. Suavemente ele indicava para sua pequena forrar o mármore a beira da banheira com toalhas para ali colocar a adormecida Melinda, o homem então contornava a banheira para tomar a sua face e beijá-la com todo o amor que possuía, o que não era pouco! Para enfim, olhar no fundo dos seus olhos e dizer:

    -Irei me retirar por enquanto querida, cuide de nossa Rainha. Eu preciso lidar com a ansiedade de encontrar a precursora do meu novo caminho e refletir sobre a relação do nosso progenitor e a própria Helena... Afinal, duvido que eu consiga escapar de ser apresentado a ela, não é mesmo?!
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 12/1/2018, 22:40

    Ouvindo as palavras de Alfie sobre sua última visita eu ria baixinho, conhecendo bem Claudia eu sabia que eram verdadeiras, além do mais ela já tinha idade o suficiente para ser uma competente Anciã e uma eximia rosa.

    – Tadinho do meu gigante, teve que enfrentar a fúria de Claudia!

    Comentava ainda rindo, escolhendo sais de cheiros cítricos e leves eu começava a prepara a agua para Melinda com calma, as palavras de meu Gigante me deixavam feliz, já que eram a mais pura verdade, aos meus olhos eles sempre seriam crianças, mas eu me esforçaria para que eles crescessem.

    – Não me anime, ou serei a mãe mais coruja do mundo. Algo que me deixaria feliz, mas fico mais feliz em saber que tenho você para me ajudar nisso.

    Vendo a pequena arrumar as toalhas e Alfonsus depositar ali Melinda eu sorria ao ser beijada por meu Gigante, ele estava ansioso e eu compreendia isso, o entendia muito bem, afinal também ficaria assim se estivesse a conhecer o progenitor de nossa linhagem.

    – Tudo sairá bem meu amor, respire e tome o seu tempo. Mas se quer um conselho, eu me acalmo melhor quando minhas mãos trabalham, talvez isso lhe ajude um pouco. E não acho que seja educado fugir desse encontro meu amor.

    Beijando a ponta do nariz de Alfie eu sorria com carinho, a pequena suspirava de amor por seu gigante, algo que eu entendia bem.

    “Helena de Tróia, a mulher mais bela que já existiu... Espero que ela nos aprove.”

    Dobrando as mangas da camisa eu me aproximava de Melinda, era com delicadeza que eu retirava sua roupa tentando não acorda-la.
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 13/1/2018, 03:27

    -Estarei sempre ao teu lado, sempre. E obrigado pelo pequeno conselho, manterei minhas mãos ocupadas... Não tenha dúvidas disso!

    Alfonsus sorria gentilmente ao receber o beijo no nariz, chegando até a fechar brevemente os olhos para em seguida beijar teus lábios de maneira curtíssima. Indo até a pequena ele beijava a testa da mesma e a abraçava com ternura para finalmente, deixar com que você pudesse cuidar tranquilamente de Melinda.

    Deitada sobre as toalhas, a fragilizada rainha não oferecia resistência alguma as suas ações de a despir, já a pequena aproveitava para literalmente preparar o banho e fechar a torneira quente quando a água finalmente alcançava um bom nível, o perfume cítrico daquele maravilhoso banho quente na banheira de mármore rosa era um fator encantador que fazia a experiente rosa abrir os olhos.

    -Onde eu estou?!

    Ela se perguntava um pouco confusa e enfim notava a sua presença, para abrir um sorriso envergonhado e encolher-se um pouco.

    -Ah, sim... Oi Pietra... Me desculpe se eu a lhe preocupei...

    A mulher então respirava fundo e adentrava na banheira, mergulhando totalmente na água e ali permanecendo por alguns segundos. Para então, emergir com uma expressão bem mais saudável na face.

    -Você deve ter muitas perguntas, prometo que vou responder todas. Mas antes, minha princesa, em que dia e ano estamos mesmo?!
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 13/1/2018, 15:11

    As palavras de Alfonsus me faziam sorrir com carinho, nos entendíamos bem o suficiente para saber que aquela breve promessa era verdadeira, uma promessa verdadeira que ecoaria sempre em nossos corações, recebendo o breve beijo de despedida eu tomava suas mãos para beija-las e lhe pedir com carinho.

    – Caso você veja um vassalo peça a ele algumas maçãs, a pequena se esforçou e logo vai sentir fome. E não se esqueça que estou cuidando de meu amor, e isso significa que estou cuidando de você meu gigante.

    Vendo Alfonsus se retirar eu suspirava com calma, enquanto a pequena preparava a agua quente eu despia Melinda, quando por fim o cheiro cítrico invadia o banheiro era com cuidado que eu terminava de retirar sua roupa.

    Vendo-a despertar eu a abraçava para ajudar a entrar na água da banheira, sentando-me do lado de fora ouvia suas palavras e a via mergulhar.

    – Eu me preocupei muito com você, mesmo que não sejamos da mesma linhagem eu sempre a vi como minha avó, a personalidade das duas é bem parecida.

    Respondia para logo depois lhe beijar na testa, fazendo com que Melinda ficasse de costas eu tomava uma esponja para lavar suas costas e pescoço, tomando o cuidado de lhe massagear qualquer possível musculo mais enrijecido.

    “Ela vai relutar um pouco, mas vou coloca-la na cama, por hoje nada de esforços, não quando Melisande pode resolve-los e o fará de bom grado.”

    Virando Melinda eu tomava suas mãos para lavar qualquer sujeira por debaixo de suas unhas, a pequena enroscava-se na beirada da banheira brincando com a água de leve e aproveitando o cheiro de maracujá que saia da essência.

    – Tenho muitas perguntas, você me conhece bem não é? Mas bem, eu recebi uma carta de Alexia não faz muito tempo, nela minha irmã me pedia para ir atrás de você, ela estava preocupada porque você parecia cansada e perdida. Isso ocorreu no dia 30 de setembro, oficialmente meu último dia de serviço na Espada de Praga. E hoje estamos no dia 5 de outubro de 2005, não se passou muito tempo minha querida, mas mesmo assim você nos deixou bem preocupados.

    Era com calma e delicadeza que eu verificava cada pequeno detalhe das mãos de Melinda, com toda a certeza eu não ficaria satisfeita até ver a pele da minha rainha limpa e sedosa.

    – O que aconteceu com você após Nova Orleans? Segundo Ellen e Melisande você voltou mudada de lá, e eu acredito que esse tenha sido o ponto de partida dos acontecimentos que nos trouxeram aqui.
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 13/1/2018, 15:52

    Alfonsus não precisou verbalizar mais nenhum único som com os lábios, os olhos dele diziam o quão importantes eram tuas palavras e o os próprios lábios, a sorrirem, denunciavam o incontestável amor que o gigante sempre e para a eternidade, sentiria por ti.

    Assim havia o tempo para que o contato mais privado entre você e sua rainha ocorressem. Ali você a via tão exposta quanto nunca e mesmo assim, ela não parecia pequena, pelo contrário, vê-la ali a respirar de maneira tímida e claramente sentindo-se relaxar pela água quente, era encantador. Havia uma notória tensão nos músculos do pescoço da rainha, que suspirava ao sentir o seu toque vívido durante a curta massagem.

    -Então eu demorei vinte e sete dias para alcançar Alexandrina, isso significa que eu passei... basicamente o mês inteiro de setembro longe de minha casa. Ao menos não foi tanto tempo, tudo pareceu ocorrer tão lentamente, temi que anos houvessem se passado!

    Comentava a aliviada rosa sentada na banheira que permitia todas as suas iniciativas e até sorria brevemente para cada uma delas, afinal, haviam notórias camadas de sujeira acumuladas abaixo das lindas unhas de Melinda, sinais de contato direto com a terra e possíveis ações de cavar. A pequena, tirava as sapatilhas que usava e com um sorriso bem gentil, subia o vestido para enfiar os pés na água quentinha e soltar um pequenino rugido de alegria, ela propositalmente encostava os pés quentinhos dela nos de Melinda para aquecê-la e transferir um pouco da própria Luz para ela, afim de fazê-la mais confortável possível e que feridas não físicas pudessem ser curadas.

    -O que aconteceu?! Bem... É difícil de colocar em palavras. Mas eu vou tentar, se não for possível, podemos amanha tentar algo mais imersivo se você não se importar é claro!

    Sorria Melinda, fazendo uma pequena pausa para logo retomar a fala:

    -Veja bem, eu estava em Nova Orleans para cuidar de assuntos delicados. Ocorreu uma explosão no porto e os membros locais estavam a correr riscos reais para criaturas violentas e selvagens, garous. Mas meu objetivo foi totalmente modificado, na verdade, eu fui surpreendia pelo destino. Diante dos meus olhos eu a vi, o meu Sol! De longos cabelos negros, pele branca, de uma única beleza escocesa incomparável. Seus pés, sequer no chão tocavam, era como se esta voasse pelos céus! E eu conseguia, ver em sua aura, o par de asas mais lindo de toda criação! Meu Sol me mostrou a Luz, um novo caminho... Pietra, ela dissipou todas as trevas do meu coração, minhas pétalas, brancas outra vez... Eu precisava encontrar minha mãe, deveria ter pensado em ti, me perdoe por isso! Mas, mas... Me senti tão frágil, tão confusa, eu não conseguia pensar em outra coisa! Como nenhum único artista ou pessoa era capaz de reproduzir o sol, só ela poderia invadir minha mente e me mostrar outra vez, assim eu teria respostas!

    Confessa Melinda, com uma voz agora menos fraca, mas ainda com uma expressão de exaustão por todo o corpo.
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    Jess

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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 13/1/2018, 19:23

    O reflexo puro dos olhos de Alfonsus me faziam sorrir, nosso amor ecoava por nossos corpos sem medo de ser ignorado ou mal interpretado, já não havia barreiras ou feridas entre nós e isso me enchia de felicidade.

    Cuidando de Melinda eu a percebia de outra maneira, mesmo fragilizada era sua respiração suave e seus reflexos mais humanos que me prendiam a atenção, eram pequenos encantos que me faziam cuidar ainda mais de Melinda e sua clara tensão em seu pescoço.

    – Por sorte não se passou muito tempo, caso contrário você teria conseguido se expor ao sol minha querida, então eu acompanharia Melisande até o fim do mundo e dos tempos para puxar suas orelhas, sorte nossa que nada disso tenha de acontecer.

    Comentava de forma suave e brincalhona, afinal eu tinha certeza de que Melisande o faria e sem medo nenhum eu a acompanharia nessa empreitada. Melinda era uma parte importante de nossa vida que ambas não estávamos dispostas a perder.

    Observando o cuidado da pequena eu sorria ao ouvir as palavras da Regente, era curioso saber que ela abriria suas memórias caso assim eu desejasse, algo que intimamente eu não descartaria.

    Enquanto cuidava das mãos de Melinda, limpando cada pequena sujeira e revelando a verdadeira pele de minha rainha, eu a escutava com atenção, até mesmo a pequena se mostrava interessada nesse Sol que aparecerá para a Regente.

    – Curioso como o destino nos prepara coisas grandiosas e estranhas. Não posso imaginar o tamanho do peso que seu Sol carrega em suas costas, mas sei que muitas vezes aqueles que portam uma luz desse resplendor tem suas cicatrizes.

    Avaliando com calma o serviço feito nas mãos de Melinda eu a colocava deitava sobre o apoio da banheira para me sentar melhor na borda desta e puxar um de seus pés para meu colo, ali com uma toalha e esponja começava o trabalho de limpa-los e massageá-los.

    – É natural procurarmos a figura feminina de maior impacto em nossas vidas, é algo que fazemos desde nosso nascimento e é nos braços de nossas mães que aprendemos o significado de segurança. Helena é sua mãe e você foi atrás dela, não há nada de errado nisso, minha querida. Porém o tempo adormecida e as mudanças que se decorreram enfraqueceram Helena, mas não acredito que ela vá demorar muito mais para se restabelecer.

    Massageando os pés de minha rainha eu sorria ao comentar de maneira breve mas calma.

    – Hoje não, porque eu quero que você descanse. Mas amanha, podes me mostrar teu sol, quem sabe eu não consiga lhe pintar. Ela deve ser muito forte minha rainha, suas pétalas logo irão resplandecer em brancura e não há como negar isso.

    “Ela seria um farol ou um anjo?”
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 13/1/2018, 22:35

    Os olhos escuros de Melinda a observavam com curiosidade e encanto durante os carinhos oferecidos naquele banho, ela não comentava inicialmente sobre as suas palavras, preferindo ouvir tudo e aproveitar o máximo possível da sensação agradável de ter os pés massageados e limpos por ti. Era notória a alegria que ela sentia com aquela situação, encostando-se parcialmente em uma das paredes da banheira e suspirando. Para só enfim, respirar fundo, mergulhar outra vez e só quando saia da água, ela sorria alegre e dizia:

    -Você tem razão, ela tinha lindas cicatrízes nas costas, onde as asas deveria antes existir. Imagino o quão sofrida deve ter sido a vida dela, o quão difícil deve ser a sua... Afinal, se ela é meu sol é você a minha luz.

    Comentava a experiente regente que passava as mãos pelos negros cabelos e suspirava bem feliz e tranquila.

    -Sabe, minha mãe é uma figura de imenso poder. Sempre foi! Mas não a deixe crescer desas forma. Digo, ela é na realidade uma mulher alegre, espontânea, vibrante e extremamente apaixonada pela própria vida. Eu posso ir com você nessa apresentação, juro que não irei postergar a minha presença e já irei para meu quarto. Juro!

    A regente tentava claramente convencê-la através de uma expressão manhosa e uma fala bem mansa e delicada, abusando dos agudos e um drama que fazia a sua pequena rir baixinho.

    -E fico feliz, minha netinha querida que você tenha se oferecido para tal, será um alivio tão... Tão importante para mim, poder ver o meu sol outra vez! Especialmente porque eu sei que o seu talento é muito, mas muito capaz de reproduzir exatamente o que eu vi! Obrigada!
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 13/1/2018, 23:27

    Era com calma e sem pressa que minhas mãos trabalhavam, afinal o perigo já havia passado e podíamos nos dar aquele luxo, acompanhando os movimentos de Melinda eu sorria ao recebe-la com um beijo após seu novo mergulho.

    – No começo ela não foi fácil, eu e Elonzo não nos entendíamos e isso pesou para ambos. Mas hoje eu sou grata a você e Monçada, você me deram a oportunidade de ter uma casa e segurança, desde então as coisas se tornaram mais fáceis. Mas tudo isso só pode ser realmente visto, devido as penúrias que passei, elas abriram meus olhos para os presentes que eu recebi.

    Respondia a Melinda ao acariciar de leve seus cabelos, ouvindo seu conselho eu concordava com suas palavras, mesmo que fosse difícil imaginar Helena, mas era preciso confiar nas palavras de minha avó, afinal ela era a filha e sabia bem como era sua mãe.

    – Tudo bem, mas só porque sua presença vai acalmar Alfie, ele está ansioso com esse encontro. Depois quero que você descanse pelo resto da noite, se não vou colocar Ellen para puxar suas orelhas mocinha.

    Puxando de leve o nariz de Melinda para salientar que minha ameaça era real, eu a virava de costas para começar a lavar seu cabelos, a certeza de que minha arte seria boa o suficiente para criar uma tela para Melinda me fazia sorrir feliz.

    – Bom, eu posso ao menos tentar, se sair algo bom então ficarei feliz em saber que fui capaz. Não ache que digo isso por humildade, mas por temer não ser capaz de capturar uma fração do que seu Sol representa.

    “Cabelos negros e escocesa... Ela tem cicatrizes de asas... Assim eu fico curiosa para saber quem ela é e o que ela foi. “
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 14/1/2018, 12:11

    O seu beijo era recebido por Melinda com um largo sorriso animado e alegre, a mesma ouvia as suas palavras sobre o começo difícil que agora fazia apenas parte do seu passado distante e ela ali, comentava sobre o assunto com leveza:

    -Elonzo sonhava alto, mas cometeu o mesmo erro que seu tão venerado Rafael, espero que ele tenha entendido isto antes de dormir. Ou ele acordará como uma peça de museu... Como tantos outros já o fizeram.

    Posteriormente, diante da sua ameaça, Melinda levava as duas mãos na orelha e fazia um enorme bico com os lábios, preparando-se para novamente fazer manha:

    -Mas a mão da Ellen é pesada! Ela vai arrancar as minhas orelhas fora, sem minhas orelhas onde eu poderia usar meus lindos brinquinhos? Fora que eu ficaria tão feia!

    Melinda ria baixinho, sem conseguir manter por muito tempo toda aquela manha, para então virar-se de costas de acordo com a sua indicação e suspirar por ter os cabelos cuidados por ti.

    -Eu acredito em ti querida, pois só aqueles capazes de entender a luz podem retratá-la. Vocês duas tem a vida em comum, mas ela não tem a sua pequena... Use-a a teu favor e ela ira te guiar, assim como fez comigo. Mas sabe, eu realmente adoraria ir! Mas to ficando tão casada, existe algo que eu possa fazer por Alfie para acalmá-lo sem precisar ir a reunião? Querem uma dica de como lidar com Helena e toda sua grandiosidade?
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 14/1/2018, 13:30

    Ouvindo o comentário de Melinda eu sorria com carinho, suas palavras eram verdadeiras e nós duas sabíamos bem disso.

    – Eu também espero, espero que ele possa ao menos ser feliz uma vez em sua existência. Quem sabe não possamos ao menos aceitar um a existência do outro sem mágoas.

    Rindo diante da pequena manha de Melinda, até mesmo a pequena ria sem medo, logo depois ela se levantava para ir procurar o roupão mais fofo que pudesse encontrar nos pertences de Melinda.

    – Por isso mesmo sua bobinha, assim eu sei que você vai obedecer ela direitinho e não vai perder suas orelhas.

    Começando a lavar e massagear os lindos cabelos de Melinda eu sorria ao ver seu suspiro delicado, algo que me enchia de amor e carinho.

    “Ela está exausta, precisa mesmo descansar.”

    Esfregando de leve o nariz na cabeça de Melinda eu a beijava com carinho para lhe responder.

    – Eu adoraria alguns conselhos sim, já mandei Alfie ocupar suas mãos, eu faço o mesmo quando estou ansiosa e sempre sai alguma peça esculpida em madeira. Minhas ultimas criações foram uma rosa em madeira negra que dei para Melisande, e o trono de Friedrich.
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 14/1/2018, 13:56

    -Se um dia todas as linhagens das rosas se detestaram e hoje elas tornaram-se uma, posso crer sem dificuldades na possibilidade de existência mútua e sem mágoas dentro de qualquer relação querida...

    Comentava Melinda que agora olhava curiosa para a ação da sua pequena que tirava os pés da água e ia procurar atentamente por um maravilhoso roupão, abrindo as gavetas e armários do banheiro até achar onde os roupões eram guardados para assim, iniciar a mais dedicada e complexa forma de análise que este mundo já havia visto. Ela puxava cada roupão por vez e o abria, para esfregar a face contra o mesmo, até encontrar o ideal! Melinda então ria baixinho adorando ver a cena que a pequena protagonizava e a enorme bagunça que a mesma fazia.

    -Uma rosa negra talhada? Eu quero ver! Que ideia adorável! E bem, se Alfonsus está a ocupar as mãos, eu imagino algo maravilhoso em alguns instantes! Mas bem... Dicas!

    Dizia Melinda que agora se levantava da banheira e olhava na sua direção, com um lindo e carinhoso sorriso na face. A mulher então gesticulava enquanto sentava-se na beira mais próxima de ti.

    -Minha mãe foi abraçada muito jovem. Então ela se comporta como uma adolescente quando está confortável, quando não está a coroa imaginária estará sob sua cabeça e isso tende a encontros tensos e desconfortáveis, pois a Princesa de Troia não aceita bem contradições ou comportamentos de fracos... Sabe, coisa de espartanos!?

    Melinda ria baixinho e imitava uma postura de brutamontes. Para depois seguir falando:

    -Então, a minha dica é não sejam totalmente formais. Não se ajoelhem, demonstrem respeito de outras formas! Se vocês se comportarem como súditos, assim serão tratados! Você é família Pita, não pense o contrário! E Alfie está no caminho dela, diga a ele para respirar sempre. Ainda não leve seus filhos, Helena não tem controle ainda sobre a própria presença e o sangue distante e frágil pode parecer para ela um fator assustador. Mesmo que teus filhos hoje, sejam considerados de sangue forte, para época dela não.
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    Jess

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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 14/1/2018, 14:35

    A resposta de Melinda me fez avaliar suas palavras, elas eram acima de tudo verdadeiras, já que entre os filhos das rosas muitas pétalas haviam sido marcadas pelo rubro do sangue derramado.

    “Quem sabe não possamos ao menos conversar sem medo Elonzo.”

    Observando as ações da pequena eu ria ao balançar a cabeça e comentar de leve.

    – Ela é uma bagunceira incrível. Peça a Melisande para lhe mostrar, ela é bem delicada e eu fiquei bem feliz com o resultado.

    Abrindo espaço para que Melinda pudesse se sentar à minha frente na beirada da cama, a escutava com atenção não podendo esconder o sorriso carinhoso e alegre pela troca de conselhos e palavras.

    – Ouvi muitas histórias sobre os espartanos, será curioso ver um pessoalmente.

    Comentava rindo diante da postura de Melinda de imitar um brutamontes, ainda ouvindo suas palavras eu as entendia bem, eram conselhos que nos seriam uteis para o encontro com Helena e a introdução da mesma ao novo mundo.

    – Esperarei até que ela esteja melhor adaptada a esse novo mundo, não queremos sobrecarrega-la demais e nem colocar os mais novos em perigo. Embora ela já pareça ter conversado com Ellen, meus filhos ainda são jovens para se colocar a frente de uma presença tão grande.

    Levantando-me para pegar uma toalha e enrolar nos ombros de Melinda eu começava a enxuga-la antes de lhe vestir o roupão escolhido pela pequena.

    – Passarei seus conselhos para Alfonsus, ele ficará mais tranquilo com isso, venha vamos lhe secar e deixar bem quentinha na cama, Melisande já deve ter contatado os membros de seu rebanho e logo você já deve estar alimentada.
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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Danto em 15/1/2018, 00:16

    Melinda concordava com as suas palavras e se encolhia totalmente quando era envolvida pela toalha, totalmente entregue aos carinhos que recebia a regente da espada de Caim não deixava de suspirar alegre e até fechava os olhos quando começava a ter os cabelos secos por ti. Enfim, a pequena chegava com o roupão escolhido e lhe ajudava a vestir a pequena rosa fragilizada e cansada, que agora, bocejava e demonstrava um enorme sono.

    -Eu vou pedir mesmo para ver essa rosa esculpida, deve ter ficado lindíssima!

    Já vestida com o roupão, Melinda sorria na sua direção e puxava a pequena para um abraço que era seguido por uma corrida divertida, lado a lado, as duas moças pequenas presentes no banheiro corriam para a cama e se atiravam ao mesmo tempo no colchão. Melinda ria alto e se divertia como você nunca a tinha visto rir antes, era risos aliviados e totalmente ausentes de preocupações, um sorriso de liberdade. Ali mesmo a besta beijava a face de Melinda e começava a empurrá-la para debaixo das cobertas, uma ação que era pouquíssimo resistida pela regente que se aninhava junto as cobertas pesada e fazia um sinal, convidando você a se aproximar para então falar:

    -Estou orgulhosa de teu trabalho como minha Prisci querida, eu sempre soube que o teu destino seria grande, não tão grande quanto eu vejo que é agora, mas mesmo assim... Sua mãe certamente dorme sorrindo, feliz por ter a filha que tem. Por hora, eu digo até logo, mas na próxima noite temos muito a conversar! Fique com Deus minha neta amada.

    Afirmava a exausta Melinda, já em um tom de despedida temporária.

    [Off: Ultima ação para o final do ato]
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    Jess

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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

    Mensagem por Jess em 15/1/2018, 00:46

    Poder ver e estudar a nova gama de reações de Melinda me enchia de alegria, era incrível visualizar as mudanças tão latentes devido a mudança de caminhos escolhidos durante nossa existência. Com cuidado e delicadeza minhas mãos não se cansavam em prover conforto a minha rainha, não quando eu lhe devia muito e estava disposta a pagar com os mesmos cuidados.

    – Eu estava ansiosa, fico feliz que tenha saído algo bem feito disso.

    Respondia ao vestir o roupão confortável em Melinda, a cena que se seguiu me fez rir com carinho, afinal a pequena estava tão animada quanto a própria regente e isso era claro. Andando até os roupões deixados no chão pela pequena, eu os recolhia e dobrava para deixa-los em cima da pia, só então me dirigia para o quarto para ver a pequena e Melinda brincarem na cama.

    “Se eu não arrumasse toda a bagunça que ela faz, Francesco e Enzo enlouqueceriam. Talvez não o Cesco, mas o Enzo sim.”

    Ajudando a pequena, eu abria os lençóis para receber Melinda, cobrindo-a de maneira confortável apenas para lhe beijar a testa com carinho, ouvindo suas palavras eu suspirava feliz, meu trabalho era sempre feito pensando no melhor, embora nem sempre fosse possível.

    – Obrigada mia regina, quero deixa-la orgulhosa de sua escolha. Ela está feliz por saber que encontrei boas pessoas em meu caminho, e mais feliz ainda por saber que você está entre elas. Descanse bem e fique com os anjos mia nonna. Amanhã podemos conversar, mas por hoje descanse e sonhe.

    Esperando que Melinda por fim deitasse, eu convidava a pequena para sairmos nas pontas dos pés e irmos até Alfonsus.

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    Re: Ato II - A Primeira Chuva

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