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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

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    Danto
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    Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 16/3/2016, 22:13

    Março de 2002, Berlim.
    Segunda Noite


    Rahel olhou profundamente nos seus olhos e as sombras do beco começaram a circundar vocês dois. Em uma breve frase ele disse, em italiano:

    -Apenas confie em mim, não podemos perder mais tempo.

    As sombras agarraram o seu corpo como piche, eram frias e tenebrosas como o hálito macabro de um verdadeiro demônio. Elas serpenteavam pelo seu corpo e pelo corpo de Rahel, era um uso muito avançado da poderosa arte das trevas do clã Lasombra. Logo as trevas preenchiam todo o chão abaixo dos pés de vocês. Rahel esticou o braço para tocar o seu ombro e em uma fração de segundos, um turbilhão tenebroso e mais escuro do que a própria noite passou em frente aos seus olhos. Era uma sensação de queda, uma queda controlada e conduzida por Rahel. Você estava literalmente caminhando pelas sombras de Berlim em direção a um local específico. A velocidade era extrema, mas os borrões macabros de criaturas abomináveis e tortuosas saltavam por entre as profundezas daquele abismo obscuro. E em menos de cinco segundos, o chão estava novamente sob seus pés, o barulho de água corrente, a iluminação esverdeada. Você estava no covil de Karla Aarch.


    -Basta!

    Brandava a voz de Artur com força por dentro daquele local, sua percepção ainda estava letárgica por causa daquela movimentação inesperada e macabra. Mas logo seus olhos poderiam entender a razão daquele grito desesperado de Artur. Dentro daquele salão enorme de pedras velhas e cheias de musgo, haviam vários membros antigos e prontos para uma batalha violenta.
    Caído no chão está Rasputin, a Fúria Implacável de Berlim. Sob o enorme nosferatu que exibia suas presas e toda sua feiura amaldiçoada, estava o corpo pequeno, magro e poderoso de Elizabeth. Um corpo claramente afetado pelos poderes sanguíneos do clã Tzmisce que o transformava em uma criatura abominável, feita de muitos ossos e pouca carne, um par de asas e uma caixa torácica exposta. Era a terrível forma de Depredador Quiróptero, algo próximo a um morcego bípede torturado pelas mais vis ferramentas demoníacas desse mundo.
    A força do Xerife era enorme, mas não era o suficiente para remover a fúria de Elisabeth de cima dele. Em frente a Artur, estava Otto Goldstein, o Senhor dos Esgotos e dito ser tão antigo quanto o próprio Gustav. Observando a cena, estava Karla no centro da sala com os braços cruzados e uma expressão nervosa em sua face.

    -É de extrema infelicidade a atitude de sua Bispo, jovem Artur.

    Diz Karla, Elizabeth logo respondia em uma voz distorcida e aguda.

    -Trate meu Arcebispo com o devido respeito! O insulto foi feito por sua prole, essa mesmo que está abaixo dos meus pés como uma presa frágil! Ele não é um escravo de Gustav e sua pútrida linhagem!

    Otto então respondia de maneira intimidadora.

    -Saia de cima de meu irmão ou eu mesmo irei por um fim em seu Arcebispo!


    Artur rapidamente observava a entrada de você e Rahel, assim como Karla e depois todos os outros. Rahel prontamente se apresentava diante de todos.

    -Senhoras e Senhores, sou Narses, prole de Constantius o primeiro príncipe de Roma. Estou à seis passos de nosso Pai e Bispo do Sabá de Berlim. Venho até vocês para lembra-los que não há maior pecado nesse mundo do que derramar o sacro vitae de Caim. Devemos nos manter calmos, sem agressividades e sãos como criaturas superiores que somos.
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    Jess

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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 16/3/2016, 22:48

    Sustentando o olhar de Rahel a cainita apenas fez um leve aceno concordando com suas palavras, o que se seguiu fez com que todos os nervos de Pietra amolecessem para então retesarem com força em dobro.

    Envolvida pelas sombras do mais velho Pietra experimentou um pequeno pedaço do inferno, o abismo e suas criaturas dançaram pelos olhos e mente de cainita que a todo custo segurou o grito de horror.

    " Se isso é isso que Rahel vê... Como ele mantem a sanidade?! Como ele não se perde nesse mundo de sombras e abominações!!"

    O pouso mesmo que suave fez com que os joelhos de Pietra estremecessem por completo, todo o corpo da cainita parecia tremer enquanto esta se apoiava na parede mais próxima.

    Levou algum tempo para que Pietra entendesse o que estava acontecendo, seus olhos castanhos estudaram a cena e cada detalhe com rapidez, forçando o sangue em seu corpo Pietra firmou as pernas e seguiu ao lado do Lasombra.

    Deixando que este iniciasse a conversa a cainita sorriu de forma suave e educada, sua voz límpida ressoou alto pelos domínios de Karla.

    - Pietra Rafaldine... Bispo de Berlin...

    A grande mensura era dirigida a todos na sala, mas os olhos de Pietra indicavam que o respeito era dado diretamente a Karla.

    - Acredito que os ânimos estão um pouco alterados...

    Cuidadosamente Pietra andava até a figura de Artur colocando-se ao seu lado, seus olhos não evitavam de forma nenhuma a grande figura de Elizabeth em sua forma mais abissal, ainda assim o sorriso calmo se mantinha no rosto da Filha da Rosas.

    - Mas tenho certeza que esse pequeno mal entendido pode ser relevado em prol a um futuro melhor para ambos os lados...

    Off: Etiqueta + Carisma pra apresentação + 1FV
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    Danto
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 16/3/2016, 22:48

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 5, 8, 1, 10, 5, 9, 4, 9, 1
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 17/3/2016, 19:58

    -Sejam bem vindos Pietra Rafaldine e Narses.

    Diz Karla olhando para vocês dois, a poderosa e antiga nosferatu caminha até Narses e estende ao mesmo a mão direita, aguardando pelo beijo sob a luva negra de veludo. Aquela movimentação de Karla foi extremamente importante e demonstrava uma enorme educação e fineza da senhora das profundezas de Berlim. O bispo realiza o beijo em uma saudação formal e tradicional, Artur aproveita a situação para amenizar ainda mais os ânimos.

    -Acredito que agora podemos seguir de maneira mais civilizada a nossa conversa, Senhora Karla. Assim, por favor, Bispo Elizabeth, deixe o Xerife Rasputin livre.

    Elizabeth olha para o Arcebispo e a contra gosto sai de cima do Xerife, mas sem antes encara-lo em uma demonstração clara de "eu sou mais forte do que você". Era típico da Tzimisce uma exibição de força, fazia parte da natureza da mulher. Um breve silêncio se faz e Karla finalmente diz.

    -Por mais estranho que isso possa soar, jovem Artur, você é um bastardo. Criado sem a autorização dos Príncipes locais, agora você retorna à Berlim com o posto de Arcebispo do Sabá. Diga-me, como foi capaz de tal conquista? Já que fugiu de Berlim com as mãos abanando e temendo pela própria vida.

    Artur responde imediatamente a anciã.

    -Sendo um líder que nenhum dos Ventrue de Berlim jamais conseguiram ser, lideres verdadeiros e justos. Você já deve ter percebido claramente que estou cercado de seres mais antigos e mais fortes do que eu, o motivo para isso é simples, um verdadeiro líder não governa com medo, com corrupção ou com força. Ele lidera com confiança, sinceridade e razão.

    Karla sorri enquanto Rasputin se coloca de pé, a anciã faz um sinal para que as proles dela recuassem e ficassem atrás dela. Enquanto os dois homens realizavam essa movimentação, Karla olha diretamente para você e pergunta.

    -Senhorita Pietra Rafaldine, porque você não é a Arcebispo ou porque Narses não é?! Vocês dois são mais antigos e mais poderosos do que Artur. Diga-me, senhorita, o que ele diz é verdade? Qual é a razão de reconhecer nele um líder, uma autoridade e um homem justo?!
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 17/3/2016, 21:08

    Um certo alivio se apossou de Pietra quando a figura monstruosa de Elizabeth deixou o corpo de Rasputin se movimentar, as palavras de Karla e ações eram estudadas com afinco, as lendas sobre a Rainha de Berlim eram reais.

    " Ela tem o controle da situação... Seria quase impossível sair daqui se ela assim desejar..."

    As palavras dirigidas a sua Pietra a fizeram sorrir de forma educada, a cainita estudou a figura de Artur por alguns instantes antes de se virar para Karla com uma mensura respeitosa.

    - Se me permite Senhora... Reconheci em Artur o mesmo tipo de sofrimento e dor por quais eu passei... homens assim tem um valor pouco conhecido... Tendem a esconde-lo de si mesmos fazendo com que todos a volta também o façam.

    Levantando-se de maneira delicada e cainita colocou as mãos para frente deixando a mostrando as delicadas e suaves mãos para a Rainha.

    - Eu sou uma artista mia Senhora... Minhas mãos foram feitas para o mármore e as tintas, não para comandar vidas e escolher destinos... Isso seria demais para minha alma... Já Artur mesmo um bastardo tem os calos necessários... Ele sabe o que se passa com aqueles que não estão no topo da cadeia do comando... Ele mais do que eu seria capaz de inspirar os mais fracos e jovens, enquanto os mais velhos se sentiriam tentados a usa-los como joguetes em seus planos... Mesmo um bastardo ele demonstrou ser um líder muito maior e digno do que Gustav e suas crias...

    Abaixando as mãos e as guardando por de baixo do blazer branco Pietra sorria de maneira gentil, nem por um minuto havia desviado o olhar dos olhos de Karla, a cainita falava com convicção e certeza. Artur havia sido o homem que a ajudara a curar suas próprias feridas em Madrid.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 18/3/2016, 17:35

    Karla finalmente sai de seu lugar fixo, fazendo um leve sinal para que as proles dela ficassem paradas no mesmo lugar. Ela atravessa todo o salão de pedras negras, seus pés tocavam as pedras e ecoavam em um som agudo e profundo, ela claramente parecia pesar muito mais do que a aparência construída por ofuscação aparentava possuir. Ela passa por todos os ali presentes e para exclusivamente na sua frente, observando você por vários segundos.

    -O Sabá de Berlim é movido por coisas maiores, consigo ver claramente a necessidade que os unem. Respeito e amor. Almas unidas em prol de uma oportunidade, você é uma verdadeira artista senhorita, a arte é um pilar de extrema importância para a construção cultural de um povo, uma época e um senso de realidade. É um prazer finalmente conhece-la.

    Em seguida ela olha para Artur e diz de maneira breve.

    -Faça seu pedido jovem Arcebispo.

    A proximidade entre você e Artur obrigava a anciã Nosferatu a ficar a poucos centímetros do Arcebispo e a troca de olhar entre os dois foi profunda e poderosa. Artur então responde.

    -Essa reunião tem um único objetivo, Senhora Aarch. Mesmo como membros do Sabá é nossa obrigação moral nos apresentarmos ao Príncipe de Sangue de um território, assim sendo. Nos apresentamos à você. Desejamos permanecer em Berlim, sob sua tutela e benção. Mas não reconhecemos as proles de Gustav ou o mesmo como Príncipes, apenas a Senhora.

    Karla sorriu, Rasputin e Otto também. Elizabeth retornava a seu corpo original, ficando completamente nua dentro daquele ambiente, Rahel rapidamente se aproximava de sua querida companheira e tirava o manto de padre para vesti-la. Por debaixo da roupa de padre, Rahel usava apenas uma camisa social branca e uma calça preta, ambas simples e lisas. O sorriso dos poderosos anciões Nosferatus revelavam a incrível capacidade social de Artur, a situação parecia sob controle.

    -Um bastardo é mais digno de ser chamado de Ventrue do que os Príncipes e seus herdeiros... Sarcástico não é mesmo?!

    Diz Karla. Que logo em seguida continua a falar.

    -Recebo vocês, membros do Sabá, sob a exigência do respeito às leis do sangue. Dentro de seus domínios vocês terão liberdade total de executarem o que desejarem, com desejarem, mas em meus domínios deverão respeitar as tradições.

    Artur faz uma reverência e confirma.

    -Sim minha Senhora. Seus domínios serão sacros, garantidos pelo seu vitae e suas tradições. Somos sim fruto de uma revolução, buscamos nossos próprios caminhos, mas somos instruídos pela razão e não pela barbárie. As tradições serão devidamente respeitadas.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 18/3/2016, 19:39

    Pietra observou todos os movimentos de Karla, a clara impressão de peso deixava claro que a forma criada pela ofuscação escondia a figura de um ser grandioso.

    " É intencional todo esse peso? Se for essa é realmente uma bela tática de intimidação... Se não... Eu temo o que se esconder por baixo de sua ilusão..."

    Sustentando o olhar da Rainha, Pietra sorriu agradecida quando ouviu as palavras desta, uma longa mensura foi feita pela cainita.

    - O prazer é meu Mia Senhora, todo o artista sonha em ser reconhecido pela realeza...

    Voltando a postura normal a cainita deixou que a negociação voltasse a ocorrer, observando pelos cantos dos olhos a cena entre Narses e Elizabeth fez com que a cainita relaxa-se.

    As palavras trocadas entre Artur e Karla deixavam claro a real intenção do Arcebispo, um acordo que em muito agradava a cainita, o apoio da Rainha de Berlim seria de grande importância nas próximas noites.

    Reverenciando a figura de Karla assim como Artur o fazia Pietra demonstrava todo os anos de polimento em sua etiqueta, mesmo que a cainita nunca tivesse participado de uma corte aquela reunião tinha o peso de tal acontecimento.

    " Espero... Nunca ter que enfrentar a ira de Karla... Eu preferiria encarar o abismo novamente..."
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 19/3/2016, 17:42

    A reunião terminava com um aceno de Karla permitindo que vocês saíssem em segurança, quem conduz o caminho de retorno à cidade é o próprio Otto, o mais antigo das proles de Karla na cidade de Berlim. O homem de baixa estatura e largos ombros, sobe seu capuz cinza e velho sob a cabeça e conduz vocês quatro pelos corredores profundos, largos, escuros e macabros da galeria de esgotos de Berlim. Todos seguiram em silêncio até finalmente estarem de volta ao beco onde o carro de Rahel estava estacionado, o que indicava que claramente os Nosferatus sabiam exatamente quando e onde você e o Lasombra haviam chegado antes de seguirem pelo abismo até a sala de Karla.

    -Uma reunião quase trágica, obrigado a vocês dois pelo auxílio.

    Diz Artur seguindo em direção ao carro de Rahel, abrindo a porta do carona e sentando-se ao lado do motorista. Rahel sorria brevemente e sentava atrás do volante.

    -Acredito que a grande Karla reconheceu em você um líder em potencial, agora, será complicado convencer os jovens de respeitarem as leis da Camarilla em territórios inimigos.

    Elizabeth seguia em silencio, claramente incomodada com as vestes de padre que cobriam suas intimidas e sue corpo magro. Ela passa pelo seu lado e para observando-a de maneira profunda e pouco amistosa, mas sem dizer nada apenas senta no banco de trás e abre a porta por dentro para que você também entrasse no veículo.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 19/3/2016, 19:32

    O termino bom para ambos os lados não foi uma surpresa para Pietra, mas a cainita ainda assim ficou feliz por não ter atrapalhado o acordo e de certa forma ter até evitado uma batalha de proporções colossais no território de Karla.

    Em silencio assim como os outros Pietra seguiu a figura da primeira cria de Karla, a figura de Otto criava a sua volta uma aura de silencio, qualquer palavra dita ali sobre os domínios do Nosferatus rapidamente cairia nos ouvidos de Karla.

    De volta ao beco Pietra ficou surpresa ao ver o carro de Rahel estacionado a espera, segurando o riso a cainita observou as expressões de desagrado na estampadas na face de Elizabeth.

    " Karla estaria nos testando? Ela sabia que viríamos... Ou seus olhos e ouvidos são muito melhores do que eu imaginei..."

    Entrando no carro quando Elizabeth abriu a porta, Pietra sorriu de forma educada antes de colocar o sinto de segurança.

    - Obrigada.

    Murmurou a cainita escutando as palavras dos dois homens a frente do carro, se recostando na porta de passageiro.

    - Teria sido trágica para ambos os lados... Karla sabia disso e não gostaria de perder Rasputin... O que seria inevitável se as coisas tivessem realmente desandado...

    Comentava Pietra, parte daquilo era a mais pura verdade, a outra era um elogio não intencional a Elizabeth, mesmo que a mulher ao seu lado não precisasse ser relembrada de sua força, poucas pessoas poderiam derrubar a figura imponente do Xerife.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 20/3/2016, 01:53

    Rahel liga o carro e o coloca em poucos instantes em movimento, retornando para a sua galeria sem nenhum urgência ou velocidade, nessa ocasião ele optava por uma direção comum e de acordo com as leis locais. Artur olha de maneira breve para trás, buscando olhar diretamente para você quando falava novamente.

    -Felizmente a cabeça do Xerife não foi arrancada, seria complexo qualquer passo futuro com essa morte sempre sendo jogada contra nós.

    Elizabeth balança negativamente a cabeça e prontamente retruca Artur. A voz a mulher soava roca, profunda, contrariando todos os costumes que defendiam a suavidade e a fineza da voz de uma dama, a voz dela nascia na garganta e saia com várias conjugações simplificadas e grosseiras.

    -Cê fica preocupado de mais com'sas merda de Ancião! Nenhum deles é imbatível, nenhum deles é intocável! Mostrei que o Xerife é um merda, porque é! Nenhum Camarilla é merecedor de respeito, escravocratas humanizados, diviamos lastimar a não violência contra'ses putos...

    Artur então olha para Izabel e responde, com bastante calma.

    -Tua visão é correta, representa o grande pilar de conceitos da fundação da Espada de Caim. Mas antes de enfrentar diretamente, precisamos ter condições de guerrear. Se não seriamos vitoriosos hoje, mas derrotados amanha.

    Elizabeth olha para você e para Artur, resmungando em seguida.

    -A espada deveria ser liderada pelos fundadores originais. Cês nunca entenderão a razão real das nossas lutas...

    Rahel a interrompe antes que ela prossiga com a frase.

    -Elizabeth, lembre-se que foi com ajuda de Assamitas, Brujah e vários outros que nossa revolta existiu. Somos sim herdeiros dos clãs que a proclamou, mas os outros que caminharam conosco são merecedores, assim como nós. E não se esqueça, nossa Regente é uma Toreador.

    Elizabeth faz uma cara feia, cruzando os braços e demonstrando insatisfação. Ela em seguida bate o pé no piso do carro com força suficiente para causar um amassado, os olhos dela então assumiam uma coloração vermelha como o sangue, suas pupilas se dilatavam e suas presas ficavam a mostra, como uma verdadeira fera, os olhos dela buscaram imediatamente a sua face. O som do metal cedendo sob o pé dele chama a atenção urgente de Artur que lança um olhar de censura e imediatamente ela responde ao Arcebispo.

    -Perdoe-me pelo meu temperamento, Arcebispo. E perdoe-me pelas ofensas, Bispo Pietra. São apenas resmungos tradicionalistas, não tive a intenção real de desmerecer vocês. É uma irritação que simplesmente precisa ser externada, para não piorar ainda mais.

    A besta de Elizabeth se acalmava após o olhar de Artur e a cada palavra dita por ela, mais "humana" sua aparência ficava, até o ponto de ficar totalmente "natural". Ela modificava a forma de falar, claramente se esforçando para falar um alemão mais coerente e menos cheio de gírias e imperfeições, deixando bem claro que aquela não era sua língua materna. Mas sim um idioma necessário, pronunciado sem grandes cuidados.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 20/3/2016, 13:34

    A italiana devolveu o olhar para Artur, um sorriso suave se mantinha formado nos lábios de Pietra, o semblante calmo demonstrava concordar com as palavras do Ventrue a sua frente.

    " Isso se pudêssemos manter um acordo depois..."

    As palavras secas e bruscas de Elizabeth fizeram com que Pietra encarasse a mulher sentada ao seu lado. A discussão que se deu a seguir fez com que a italiana mante-se o silencio, aquilo era um embate de ideais ao qual parte deles era compartilhada entre Artur e Pietra.

    As palavras duras de Narses dirigidas contra sua companheira e o som do metal cedendo fez com que Pietra estremecesse um pouco, principalmente quando Elizabeth a encarou, era claro o desgosto da Tzimisce contra as linhagens pouco usuais dentro do Sabá, desgosto que infelizmente parecia atingir a figura de Pietra.

    Com um leve suspiro Pietra se sentou mais ereta no banco do passageiro, brincando com suavidade com suas mãos a cainita fez uma leve mensura com a cabeça em direçao de Elizabeth ao dizer.

    - Não se preocupe, não me ofendeu de forma nenhuma... Acredito que suas palavras tem certa razão, minha linhagem não demarcou muito a historia da Espada como demarcou a da Camarilla... Embora agora nossa regente pertença a Casa das Rosas, ainda há muito trabalho para que isso seja corrigido...

    Comentava a cainita com um leve olhar de compreensão, Pietra entendia muito superficialmente os ideias de Elizabeth, então preferia não opinar de forma a se manter neutra.

    - Mesmo assim causarias grandes perdas as linhas de Karla, antes de conseguirem se defender de forma adequada... Isso a colocaria em risco e és um importante pilar para a Espada de Berlim... Tens mais voz entre os mais novos, e eles a respeitam... Coisa que seria difícil e quase impossível para Artur ou para minha pessoa...

    Sorrindo de maneira gentil Pietra voltou a se calar, seus olhos passavam pelas figuras dos ali presente para então se prender na janela do carro e da paisagem que se passava pela vidraça.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 21/3/2016, 21:57

    O silêncio devorou o interior do carro após a sua fala, Elizabeth apenas concordou com um simples balançar positivo de cabeça e nada mais foi comentado. A pequena demônio encostou seu corpo na porta do carro e cruzou os braços, parecia cansada e seus olhos se distanciariam para um lugar inimaginável. Artur tirava o celular do bolso e dava inicio a uma conversa via mensagens com alguma pessoa, enquanto Rahel conduzia o veículo com a maestria que você já havia visto.

    O carro então estacionou em frente a sua galeria/boate, Rahel saiu do veículo e assim também fez Artur. Mas antes que você fosse capaz de sair, você sente a mão pequena de Elizabeth agarrando seu braço pelo cotovelo. Ela era tão forte quanto o Senescal que havia lhe agredido na noite passada, mas ao contrário daquele gigante, a pequena não parecia ter intenções de causar ferimentos. Artur e Rahel imediatamente olharam para Elizabeth, claramente preocupados e aflitos com aquela movimentação brusca e arisca. Ela ergueu a mão livre e fez um sinal para eles seguirem andando a frente, mantendo a mão parada no ar e movendo os dedos para indicar um "vai, vai, anda". Da mesma maneira que uma Lady dispensava a presença de algum convidado em seu aposento.
    Os homens trocam breves olhares, Rahel coloca a mão no ombro de Artur e os dois finalmente deixando vocês duas sozinhas no banco de trás do carro. Elizabeth então olha diretamente para você e diz.

    -Eu não sou um demônio, pode ficar calma. Mas nós duas precisamos conversar...
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 21/3/2016, 23:43

    Os olhos de Pietra vagaram junto com a paisagem da Berlim, a direção impecável de Rahel era relaxante o suficiente para que a Toreadora afundasse em seus pensamentos, muitos deles se voltavam para as criaturas do abismo das sombras do motorista.

    Desafivelando o cinto Pietra se preparava para sair quando o toque forte de Elizabeth se fez presente, a cainita sentiu o peso da pressão, forte e tão assustadora quanto a força do Senescal na noite anterior.

    " Espero não ter exagerado nas palavras... Seria de extrema infelicidade ter uma rixa com Elizabeth..."

    Mantendo o olhar firme Pietra não sorriu da forma que normalmente faria, a mulher bela e selvagem a sua frente parecia não gostar dos truques educados dos quais Pietra dispensava a todos a sua volta.

    Fazendo um pequeno sinal de que tudo ficaria bem Pietra terminou de desafivelar o sinto de segurança para se virar e ficar de frente para Elizabeth.

    - Me desculpe se por acaso passei esta impressão... Realmente não era esta minha intenção...

    Comentava a cainita ao dobrar a perna sobre o banco para ficar mais confortável, nem por um instante Pietra fez menção para Elizabeth soltar-lhe o braço.

    - O que quer conversar Elizabeth.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 22/3/2016, 12:36

    Elizabeth solta o seu braço para então se arrumar no banco de trás do carro, ajoelhando-se sobre o banco para depois sentar sobre as próprias pernas. A baixa estatura corporal da mulher de corpo magro a permitia fazer tais movimentações sem grandes problemas, além exibir uma enorme flexibilidade ao realizar o ato. O corpo de Elizabeth estava parcialmente coberto pelas vestes de padre que anteriormente estava sobre as roupas de Rahel, entretanto, a mulher não parecia muito preocupada em esconder o próprio corpo, mantendo apenas a parte superior da veste fechada e deixando as pernas mais livres e à mostra.

    -Você é uma das fundadoras do Sabá nessa cidade, você ser um bispo não me surpreende. O que me surpreende aqui e me deixa preocupada é o que a sua aura e a de Artur estão simbolizando, amor é um sentimento humano e humanos não podem liderar o Sabá. Humanos são fracos, frágeis, inferiores e dispensáveis... A partir dessa noite, somos iguais diante a hierarquia da Espada de Caim e por isso me pergunto até onde o envolvimento entre vocês será apenas entre vocês. Não me entenda mal, você pode fuder com quem você quiser, até mesmo amar quem você quiser. Mas quando isso envolve o Arcebispo, envolve todo o Sabá local.

    A mulher falava de forma direta, sem grandes pausas ou interrupções e claramente não se importava em falar de maneira vulgar. Não é que ela não saiba etiqueta ou algo assim, era muito mais um desprezo enorme por tantas normas de conduta e expressão.

    -Vocês dois são bons juntos, eu entendo isso. Podem trepar feito coelhos, não faz a menor diferença. Mas se vocês escolherem fuder ao invés de servir, serei obrigada a me importar. E eu não gostaria de fazer isso... Em Milão o Arcebispo se apaixonou por uma Ventrue e hoje a cidade é da Camarilla. Talvez seja um padrão, mas eu espero que não seja.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 22/3/2016, 13:48

    Tendo seu braço liberado por Elizabeth a cainita preferiu usa-lo para se apoiar no encosto do banco do carro, as palavras duras que se seguiram fizeram com que Pietra abrisse de leve os lábios revelando um meio sorriso tímido.

    " Então era isso... Fui uma tola em imaginar que isso não afetaria minha aura..."

    Acenando de leve Pietra fechou os olhos antes de voltar a abri-los, era incontestável a força que Elizabeth desprendia em nome da Espada de Caim e isso mais do que nunca merecia respeito por parte da Toreadora, ambas eram mulheres e apesar de seus pontos de vistas diferente havia a preocupação do bem estar, para Pietra o de Artur assim como o da segurança que a cercava, para Elizabeth era o bem da força da Espada.

    - Entendo suas preocupações... Não vou lhe fazer juramentos ou promessas, porque imagino que não seja isso que você espera... Imagino que saibas de meu passado, de meu tempo a serviço de meu senhor... Então peço que acredite quando eu digo... Eu farei de tudo para manter a força da Espada... O que acontece entre Artur e eu permanecera assim... Ele tem seus próprios motivos para querer transformar Berlim em um nova Madrid... Cheguei longe demais para me permitir tal descuido...

    Mantendo-se calma enquanto se pronunciava Pietra demonstrava toda sua convicção, a cainita mais do que nunca tinha em suas memórias os longos e terríveis anos sobre a tutela de Elonzo alem da humilhação de ser escorraçada diante de toda a corte de Paris.

    - Peço apenas que acredite em minhas palavras... Sei bem que não tenho como lhe dar provas que elas serão executadas... Mas durante os anos ao lado de Artur a Espada cresceu, parte disso é por sua causa e do Bispo Kranz... Não vou permitir que isso seja perdido...
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 22/3/2016, 15:18

    -O passado é exatamente o que a própria palavra sugere. Eu fui uma carniçal da família Zantosa por vários séculos, vivendo uma existência de vícios e coisas muito piores, passado. Hoje nós duas somos iguais diante a Espada de Caim, dividimos as mesmas obrigações, mas somos profundamente diferentes. Você é uma artista e conquista a confiança dos homens com facilidade, eu entendo, se eu fosse homem também desejaria você, não é só isso... Enfim, você sabe o quais são suas qualidades. O que eu quero dizer é, eu ao contrário de você, preciso do medo. Se em algum momento eu exagerar minha conduta contigo, por favor, não recue. Recuar é sinal de fraqueza e eu tenho nojo de fracos.

    Ela respondia prontamente após a sua frase, chegando até a falar inicialmente por cima de você. Ela não parecia fazer nada daquilo por mal, era apenas um coração selvagem natural, você conseguia ver até um sorriso se formando nos lábios dela quando ela terminava de falar, não era algo diabólico ou cruel, havia delicadeza naquele sorriso, ela estava sinceramente tentando demonstrar as próprias intenções e fragilidades para conquistar sua confiança.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 22/3/2016, 18:32

    Ouvindo as palavras de Elizabeth e vendo seu pequeno sorriso se formar Pietra meneou de leve a cabeça, a Toreadora mais do que nunca compreendia as palavras de Rahel sobre sua companheira e aos poucos começava a entender a mulher a sua frente.

    " Ela deve se sentir só... Sua personalidade faz com que todos a temam e isso é triste... Viver cercada de medo dos outros e sua própia solidão..."

    Um leve e sincero sorriso se formou nos lábios de Pietra, a cainita que se mantinha apoiada no encosto do carro se ajeitou ficando ereta a frente de Elizabeth, conversar daquela maneira era algo que Pietra não estava acostumada mas apreciava.

    - Foi um erro me manter distante do convívio com você e Kranz... Posso agora repara-lo e realmente ficarei feliz com isso... Quanto aos homens... Os mortais me oferecem seus segredos porque acham que assim irão conquistar uma amante bela e fácil de se dominar... Os cainitas me buscam visando Evangeline e sua luxuria... Ambos se esquecem que tenho uma mente e desejos, esquecem que me foi ensinado a tecer teias e transforma-los em meras marionetes... Já com você... Um homem teme uma mulher decidida e forte, eles não conseguem compreender isso... Homens são apenas meninos crescidos... Nada mais... Enquanto você é a loba que batalha eu sou a aranha que tece teias... Não vejo um monstro em você, vejo alguém forte fazendo o que deve ser feito e aprecio isso... Ignore os outros, terás minha amizade e respeito se este for seu desejo... Não irei demonstrar temor a sua frente, porque agora posso ver mesmo que singelamente a mulher por trás da loba.


    Pietra manteve o sorriso sincero no rosto, seus olhos castanhos por nenhum momento desviaram de Elizabeth e em sua voz a suavidade era apenas o reflexo de seu própia maneira de agir.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 23/3/2016, 03:12

    -Rafaldini, il Ragno.

    Responde Elizabeth com um sorriso nos lábios, o italiano saia dos lábios da mesma com pouca naturalidade e com um sotaque muito profundo de quem aprendeu a língua sem talvez nunca ter passado por lá. Claramente lecionado à uma pessoa do leste europeu e muito comum entre os estudiosos dos séculos passados. O significado da frase era simples, Rafaladini a Aranha. Alcunhas eram normais entre os membros do Sabá, vários até se vangloriavam por tais alcunhas e principalmente entre os do clã Tzimisce adoravam suas alcunhas. Vykos, o anjo de Caim; Velya the Flayer; Slonimsky, a assassina escarlate. Esses eram logo os que vinham a sua mente. De certa forma, era uma honra receber uma alcunha, mesmo que você nunca desejasse ou sequer gostasse da mesma.

    -Você fala muito bem, seu raciocínio é claro e cada pedaço das suas falas são construídas com muita atenção. Um deslise de atenção e você facilmente conduz o seu ouvinte para exatamente onde quiser... Existem incontáveis histórias assustadoras sobre grandes aranhas em minha terra natal. Uma delas, trata de uma grande e primordial aranha negra das montanhas de Cárpatos. Das profundezas de seu refúgio, dentro das rochas da montanha, ela fazia ecoar uma bela música, dedilhando entre suas teias. Os viajantes, estrangeiros e inocentes seguiam a música na esperança de encontrar conforto, proteção contra o frio e alimento. Mas lá encontravam a mais sorrateira e venenosa aranha...

    Em seguida a pequena mulher que parecia incrivelmente confortável com a situação inclinou o corpo para frente e tocou sem nenhum pudor o seu pulso com a ponta do indicador longo e fino que possuía, repousando a afiada unha sob a sua pele e pressionando suavemente.

    -črni pajek... significa em meu idioma natal, a aranha negra. Durante minhas expedições no norte africano, descobri que para eles, a aranha é uma criatura poderosa e capaz de controlar o destino dos homens. Você se definiu com muita precisão, mas cometeu um pequeno equivoco, eu não sou uma loba... Sou uma filha dos Pancha Mahabhuta, serva de Kalí grande mãe negra. Quem sabe com paciência e tempo eu não explico melhor para você sobre minhas origens, mas em resumo, não poderia ser uma loba sendo herdeira dos cinco elementos primordiais. Eu sei, é coisa de mais... permita-me resumir.

    A unha da mulher subia causando atrito e uma profunda sensação de sucção, era como se a ponta da unha da mesma fosse tão pegajosa quanto uma ventosa e ao mesmo tempo, tão afiada como uma lâmina. Você chegava a ver a mais fina das camadas superiores da sua epiderme cedendo suavemente diante da unha negra de Elizabeth, não chegava a causar nenhum dano aos vasos capilares, mas era de uma precisão inimaginável.

    -Eu gostei de você...Julguei que fosse apenas um rosto bonito e um par de coxas a serem possuídas pelos desejos do Arcebispo, mas entendo agora que és muito mais. Então aceito as suas desculpas e ofereço as minhas à você. E caso me permita, eu faço questão de compartilhar minha liberdade contigo.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 23/3/2016, 13:47

    As palavras em italiano rebuscado fizeram com que um ar de surpresa tomasse o rosto de Pietra, a cainita entendia muito bem as palavras em sua língua materna para saber que havia ganhado uma alcunha, uma vinda diretamente de uma cainita forte.

    Respeitando a escolha a toreadora sorriu ao ouvir as palavras de Elizabeth, havia uma concordância mutua com a definição encontrada naquele dialogo, dialogo esse ao qual Pietra se esforçava para compreender todas a nuancias de cada palavra.

    - A arte da qual falas sobre minha maestria me foi difícil... Levei muito tempo para aprende-la... Mesmo assim é um trabalho muito fino e se esvai com facilidade se não for bem executado...

    Comentava a cainita com delicadeza, ao contrario do que faria normalmente Pietra também inclinou o corpo em direção de Elizabeth, sentindo o toque em seu pulso a cainita o ofereceu com suavidade, havia dito que não sentiria mais medo de Elizabeth e suas ações.

    - Em Roma ecoa a história de Aracne... A mortal que desafiou Palas e por esta foi condenada a tecer eternamente... Infelicidade a minha ter escolhido um animal tão comum para compara-la... Ficaria grata em aprender mais sobre sua cultura e história... Seria um pecado de minha parte desrespeitar isso... Um pecado do qual eu não me perdoaria...

    A sensação do toque em seu pulso fez com que Pietra estudasse o que estava acontecendo, os olhos analíticos da Toreadora se encantaram com o estranho movimento, fechando e abrindo a mão Pietra riu ao ver os movimentos de seus próprios músculos por de baixo da pele.

    " Muitas histórias circulam as linhagens antigas dos Tzimisces... Se metade delas forem reais Elizabeth é senhora de um poder incontestável..."

    Encarando a cainita a sua frente Pietra meneou a cabeça em gesto calmo, fazia muito tempo que a toreadora havia aprendido a controlar cada movimento de seu corpo de forma a sempre faze-lo de forma teatral, ali com Elizabeth a filha das rosas não sentia tal necessidade e muito menos via lucros com isso.

    - Nenhum grilhão nos prende ou impede nossa liberdade... Fico feliz com suas palavras mas não é necessário um pedido de desculpas de sua parte... Apenas reforço o meu pedido de desculpas, você não precisa de minha permissão para nada... Fique a vontade para fazer o que deve ser feito...
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 23/3/2016, 19:26


    A unha negra do indicador direito de Elizabeth perfura profundamente o final do seu ante-braço na dobra exata onde se localizava o cotovelo, a dor era suportável até o ponto em que você sente a unha da mulher tocar o seu bíceps. Em um rápido movimento ela retira o dedo ensanguentado e a ferida se fecha de maneira veloz, regenerando os danos causados por aquela intromissão inesperada. Levando o dedo até a frente dos próprios olhos, Elizabeth balbucia várias palavras em idioma que você jamais seria capaz de compreender, fechando então os olhos e passando o seu sangue sobre os olhos fechados. Segurando firmemente então as suas duas mãos e ordenando.

    -Feche os olhos.

    Assim que seus olhos se fecham, uma sensação elétrica sobe suas pernas. Um arrepio intenso se une a estática que surgia sem maiores explicações, seus olhos começavam a arder como se sobre eles houvessem brasas. Logo em seguida o som dos lábios de Elizabeth indicavam que ela estava assoprando alguma coisa, a ardência logo começava a diminuir e o vento gelado como o mais severo dos invernos era expelido pela boca de Elizabeth e ia de encontro a sua face. A variação térmica lhe causou fortes dores de cabeça e uma incontrolável sensação de queda, o seu equilíbrio corporal estava comprometido. Você então sente seu corpo cair, dentro da escuridão que havia em seus olhos, o frio a fazia se contorcer e a rapidamente você sentia o impacto nas suas costas.
    Apesar de tudo aquilo não ser real, as impressões eram fortes de mais, seu corpo estava deitado sobre um tapete. Seus olhos então se abriram e viram uma única imagem:


    A voz de Elizabeth então diz. Ecoando profundamente em sua mente, como se ela estivesse a gritar da mais alta montanha desse mundo, sua voz chegava em seus ouvidos com a percepção de você estar aos pés daquela montanha. Eram sensações complexas, pouco claras e obviamente resultado de uma feitiçaria tão antiga quando a própria terra desse mundo.

    -A Imperatriz. Simbolo da Ação, resultado da união entre a ciência e a vontade.

    Após essas palavras, você sente novamente a estática percorrendo seu corpo e um beijo suave, gentil e quente em sua testa. Seus olhos piscam naturalmente e sua percepção a trazia de volta para o interior do carro, Elizabeth estava muito mais perto de você, recuando do movimento necessário para a realização do beijo.

    -Interessante como os elementos a guiaram até a Imperatriz, existem vários significados para essa imagem e essa previsão do seu destino, mas nada pequeno está a sua frente, Rafaldini il Ragno. As grandes lendas dizem que a Imperatriz é uma representação da sua querida Palas, esse será o seu destino.
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 23/3/2016, 22:50

    Quando o toque se tornou dor Pietra se esforçou ao máximo para não demonstrar ou recuar perante Elizabeth, a cainita entendia os pontos bases das convicções da Tzimisce e os respeitava. Vendo a ferida se fechar a italiana observava cada detalhe da cena, Pietra não era versada nas artes magicas mas as palavras ditas em um idioma incompreensível davam peso para o que estava acontecendo.

    Com suas mãos seguradas Pietra respirou fundo fechando as pupilas, em um voto de confiança a cainita se entregava as mãos de Elizabeth.

    " Ela não me machucará... Confio em suas palavras mesmo que seja apenas agora nosso contato..."

    Sentindo a ardência de seus olhos serem substituídas pelo frio soprar, Pietra rangeu os dentes assim como tensionou seu corpo, a cainita lutava para se manter o controle de seu equilíbrio em vão. A queda em meio a escuridão e o impacto de seu corpo fizeram com que um suspiro ecoasse pela gargante de Pietra.

    A visão que se seguiu entorpeceu os sentidos da cainita, a sensação de pequinês tomou por completo o corpo de Pietra diante daquela imagem, nada do que a cainita vira em toda sua existência podia se comparar a aquilo. Foi a voz de Elizabeth a que trouxe de volta.

    Agarrando-se ao som distante e suave Pietra sentiu com um tremor involuntário a escuridão a cercar novamente, o toque quente dos lábios de Elizabeth a despertaram. Todo o corpo tensionado de Pietra relaxou fazendo com que a cainita arfasse sem controle, ver Elizabeth tão perto de si e sobre o aspecto de uma Sacerdotisa fez com que Pietra sorrisse com as palavras desta.

    Tomando com suavidade uma das mãos de Elizabeth a toreadora beijou-a com delicadeza, era um claro sinal de respeito vindo de Pietra que manteve seus lábios encostados nesta.

    - Não consigo imaginar o que meu destino revela... Mas não fugirei dele... Não cometerei o erro de Édipo... Agradeço sua liberdade... Mas temo nunca poder paga-lo com igualdade Elizabeth Slonimsky...

    Levantando o rosto com suavidade Pietra mantinha o olhar agradecido em sua face eternamente jovem.

    - Se Palas está em meu futuro espero que ele seja rico para com todos que o compartilharem... E mais do que nunca que ele traga bons frutos para Espada...
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 24/3/2016, 22:48

    -Não há a necessidade de pagar algo que não será cobrado, agora vamos, Aranha... Os rapazes devem estar roendo os dedos de ansiedade pelo nosso retorno, devem estar imaginando coisas terríveis e sem nenhum cabimento. Onde já se viu, eu em toda minha etiqueta e boa conduta, esquartejar alguém sem nenhuma razão...

    Responde Elizabeth com um enorme sorriso na face em uma frase regada de deboche e ácida de tanto sarcasmo, afinal, haviam incontáveis histórias sobre a forma violenta e brutalizada da mulher que estava a sua frente. Não era atoa que ela conseguia ser mais temida do que própria Diabolista de Luxemburgo que por si só, já era uma das mais perigosas pessoas da espada em Berlim. A pequena então se vira rapidamente para abrir a porta do carro e sai do mesmo com bastante agilidade, as juntas de seu corpo pareciam se movimentar com uma maestria quase impossível. Já do lado de fora ela pergunta.

    -Você sentiu isso?!

    [off: Teste de Percepção + Acuidade, dificuldade 7]
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Jess em 24/3/2016, 23:31

    Houve um pequeno aceno de Pietra para depois a cainita rir das palavras de Elizabeth, o humor negro e acido desta condiziam bem com sua personalidade, a estranha cena entre cainitas tão diferentes era algo raro.

    " Acredito que nossas diferenças estão sanadas... Ou pelo menos aceitas..."

    Imitando os movimentos de Elizabeth, os movimentos delicados de Pietra não chegavam a alcançar a fluidez dos da Tizimisce, mas eram belos a sua maneira. Ouvindo a mulher do outro lado do carro Pietra levou algum tempo para responder.

    off: Teste de Percepção + Acuidade = 6d10, Dif. 7


    Última edição por Jess em 24/3/2016, 23:52, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 24/3/2016, 23:31

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 5, 7, 9, 9, 10, 3
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    Re: Ato VI - Narrativa de Pietra: Aurora

    Mensagem por Danto em 25/3/2016, 01:04

    Você e Elizabeth estavam finalmente fora do carro, de pé na calçada e em frente ao asfalto que separava os sentidos dos veículos na rua. Na outra margem do asfalto a sua galeria estava a sua espera, mas algo acontecia, claramente de natureza sobrenatural. Elizabeth havia notado primeiro e já olhava ao arredor preocupada, extremamente atenta. Mas não parecia ser nenhuma presença, muito menos alguém a observar vocês duas, era algo maior. Sua percepção a levava a ouvir um pequeno ruído, baixo, similar ao de uma agulha que começava a ler os sucos de um vinil. Mas não havia melodia alguma, havia apenas algo terrível se instaurando sobre a cidade de Berlim.
    Uma lufada forte de vento frio bateu contra seu corpo e imediatamente você se sentiu mais fraca, o sono chegava com intensidade e um cansaço incontrolável começava a tomar conta de cada músculo, era uma sensação similar ao sono diário, mas o sol ainda estava à horas de surgir no céu de Berlim.

    -Alguém amaldiçoou a cidade. Alguém de enorme poder, algo terrível irá acontecer!

    Comentava Elizabeth, ela ao contrário de você parecia muito mais resistente ao que acontecia. Provavelmente por ser versada em feitiçarias, era a única explicação que você encontrava. E sem nenhum aviso, em meio ao ruido, você é capaz de ouvir um verso sendo recitado por uma voz feminina.


    "O sangue de um Justo. O sangue de um Escravo. O ódio de um Ignorante. O sangue de um Covarde. O Sangue de um pecador. Serão esses sangues que os levarão ao sonhar, adormeçam crianças, para finalmente despertarem do pesadelo desta prisão."

    A voz era poderosa, divina, inigualável. O poder daquelas palavras era o maior que você havia visto em toda sua vida, nenhum ser poderia ser capaz de tamanha força, a não ser que esse fosse um dos mitológicos a terem existindo antes do dilúvio divino. Essa constatação lhe trouxe um pânico inexplicável, sua besta era mínima, era insignificante. Nem Karla nem Gustav poderiam ser considerados ameaças em frente a uma entidade divina como aquela que estava a falar pelos ventos gélidos de Berlim. O terror então devorou seu intimo, seus olhos começavam a se fechar, imagens de seu passado trágico na corte de Paris surgiam como demônios destinados a atormenta-la. Risadas, dedos apontados, as palavras violentas do seu Senhor, deboche, desprezo. Um pesadelo estava prestes a devorar sua consciência.

      Data/hora atual: 23/8/2017, 09:00