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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

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    King Narrador

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    Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 25/3/2016, 01:24

    30 de Agosto, 2005, 16:00



    A água era a morte. Pura e profunda. Olhando para a mesma você sabia que a cristalinidade aquosa lhe observava. Sua promessa foi ouvida. Se você seria capaz de cumpri-la ou não já era uma pergunta que vós jamais saberia. Pois a morte não lhe respondia. Apenas lhe observava. As marolas do barco quebravam a fragilidade do lençol do Styx na medida que você remava por entre as ruas alagadas. Assim o escuro absoluto se mantinha em miríades de formas estáticas e dinâmicas. Até que uma imagem tocou em sua alma fazendo você evitar seu olhar para água novamente. Afinal você viu o rosto de sua noiva parisiense e de Gabrielle, ambas lhe observando em silêncio.

    Outras embarcações passavam por perto. Todas elas com uma sombra escura remando seu próprio barco na direção do Delta. Na direção do fim supremo e absoluto. Mas seu caminho era outro. Enquanto todos aqueles barcos iam seguindo a maré da redenção, você remava contra a corrente. Indo para a perdição de Franco. Era seu dever, sua obrigação e sua promessa que lhe davam forças para seguir contra o fluxo. O escuro profundo só era aliviado pela luz de âmbar que iluminava o caminho a frente. Pequenas miríades roxas mostravam o caminho mais seguro para se seguir. claro que esse rastro roxo tinha várias bifurcações por todo o plano profundo da umbra, mas você já conhecia o caminho para o cemitério. O caminho final que poderia extinguir a pureza de sua alma.

    Todavia antes de chegar perto do mesmo você reparou algo. Primeiro foi uma temperatura crescente próxima de você, para ser acompanhada de uma luz branca forte. Seus instintos logo lhe fizeram olhar para trás e ver que você não estava sozinho no barco. Havia alguém contigo, sentado. Parecia uma mulher e a mesma tinha asas de anjo. Ela não mostrava seu próprio rosto, escondendo com as mãos, dando uma imagem melancólica para você. Até que sua voz entrou em sua mente. Era uma voz feminina frágil e com um eco profundo.

    "- Para encontrar a imortalidade deve encarar a morte. Para encontrar o amor deve encarar o ódio. Para encontrar a luz deve encarar as trevas. Vós está no caminho correto. Não temas seu percurso. Afinal eu sempre estive e sempre estarei lhe observando."

    Mentor Espiritual:



    Última edição por King Narrador em 2/9/2016, 15:31, editado 2 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 25/3/2016, 05:46

    "A morte me fascina... Para os homens do ocidente, a morte é o destino. Para o oriente, é necessário ter uma vida que valha a pena viver, para então morrer. Não posso ser tolo em ignorar que a morte sempre cercou minha existência, em situações eu considerei a minha morte, em outras, considerei a morte de todos ao meu redor. Morte de um irmão. Morte de esposa. Morte de crianças. Morte de amigos..., mas minha própria morte continua a me iludir... A ciência vê a morte com naturalidade, as atividades biológicas de um ser encontra seu fim, sua carne se decompõe. A morte é a manutenção da vida, assim afirma a biologia. A filosofia e a teologia caminham em ramos distantes da biologia nessa questão, para onde vamos quando morremos? Nossa consciência será jogada no esquecimento eterno? Nossa alma irá reencarnar? A morte nunca parará de me fascinar. Olho para essas águas e vejo Gabrielle, vejo Thérèse, me pergunto então se a mente delas está perdida, se a alma delas encontrou algum caminho... eu me pergunto, porque se assim não fizesse, incapaz eu seria de continuar.
    Inocentes seguram com vigor seus remos, pessoas que talvez não estavam prontas para ir, pessoas cujo destino era morrer cedo, de maneira covarde e cruel. O céu rompeu sobre elas sem avisar, simplesmente cedeu. Seriam então elas destinadas a tanta dor? A morrer em terríveis afogamentos, esmagamentos e torturas infinitas? Como posso olhar para os Céus e crer que nele existe um ser Bondoso? Que bondade há diante desses que remam a favor da maré do rio dos mortos?!
    A morte é fascinante..."


    Assim eu refletia enquanto me esforçava contra a maré, olhos cerrados para serem capazes de perceber melhor a escuridão que me circundava, escuridão que jamais irá me abandonar. Serei eternamente o único que luta a favor da luz em meio a toda essa tenebrosidade.

    -Um anjo!?

    Falo surpreso com o calor que surgia próximo de mim, minha atenção agora era exclusivamente daquele ser alado. Abrindo e fechando os olhos por algumas vezes para me acostumar com aquela luminosidade branca forte que emanava da mulher, as mãos junto ao remo se afrouxavam nos primeiros instantes, mas antes que a maré assumisse o controle, meus dedos se uniam e as forças retornavam. Não importa o que surgisse em minha canoa, seja um anjo, Deus ou a própria estrela da manhã chamada Lúcifer. Minha promessa jamais seria quebrada, a morte era a minha maior testemunha e nada em mundo algum é maior do que ela. Com os olhos atentos observo o anjo e reflito acerca da existência de uma criatura como aquela.

    “O Espiritismo, minha religião, faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã em relação a essas criaturas aladas, considerando-as seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores, sem, no entanto, tentar atribuir forma ou aparência a tais seres.  A diferença da minha visão acerca dos anjos se faz apenas pelo raciocínio de que Deus, sendo soberanamente justo e bom, não os teria criado perfeitos, pois isso seria creditar a Deus a capacidade de ser injusto, face à necessidade que os homens enfrentam de experimentação sucessiva para aperfeiçoarem-se. O que me faz crer que tais seres angélicos, independentemente de suas hierarquias celestiais, estão nesse ponto evolutivo por mérito próprio, são espíritos santificados e livres da interferência da matéria pelas próprias escolhas que fizeram.”

    Ao término da frase dela, que invadia a minha mente de maneira familiar, um sorriso sincero aparecia em meus lábios. Era sempre maravilhoso saber que eu não estava sozinho, a dor da solidão era trágica demais para ser carregada eternamente. Minha Senhora estava longe agora, talvez eu nunca mais a veria, mas eu havia outros que olhariam por mim. Essa mulher esteve sempre ao meu lado, guiando-me pelos caminhos mais livres, libertando-me de minhas próprias prisões.

    -Fico feliz, querida, com sua constatação. Pois eu jamais seria capaz chegar a tal conclusão, o caminho me parece escuro em demasiado, me parece perigoso e caótico. Mas com suas palavras eu tenho a obrigação de sorrir, tenho inimigos grandiosos à minha espera. O ódio, as trevas e a fascinante morte. Espero um dia ser capaz de expressar a ti a minha gratidão, minha querida, pois és e sempre será a minha verdadeira guia, seja sob o fogo revolucionário de Paris ou através das ameaças ao meu despertar, por entre minhas viagens à Umbra, das chamas dos feiticeiros Tremere, da agonia e da ausência de Izabel e enfim, até novamente o encontro de Franco que é, por definição, um filho dessas três forças que irei enfrentar. Obrigado, sinceramente, obrigado. Apenas uma pequena curiosidade que me devora, eu sempre me referi a você como O Arquiteto, mas pelo visto o gênero era mal aplicado por mim. Dessa forma, por qual nome eu irei chama-la!?
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 26/3/2016, 17:10

    "- A mim, nome não existe, pois nunca ninguém teve de se referir a minha pessoa. Afinal eu não sou um anjo ou muito menos um ser físico. Sou apenas fruto das energias deste plano ao qual estamos. E gênero é algo totalmente incoerente para descrever isto que os teus olhos vêem. Minha imagem a ti é fruto unicamente de sua mente. Se vós tivesse outra maneira de raciocinar, minha aparência seria outra... Você em breve será testado de todas as formas que sua ética lhe permite pensar. E esteja ciente, três serão aqueles que baterão em sua porta. Acolhê-los ou não mudará seu destino para sempre. Mas por hora apenas saiba, existe cura para a morte e para sua maldição, mas não para ambas."

    A imagem as vezes ficava quase que totalmente ofuscada para depois se regenerar. Funcionava como um farol e estava em total dinamismo. Era de uma luz que se mostrava complexa demais para um espectro conseguir analisá-la com clareza. Se havia algo que nenhum livro jamais lhe mencionara era sobre tal presença em seu barco. Mas sobre o rio ao qual vós navega, os livros sempre descreveram bem. Cada gota de lágrima que o criou tem uma história. Cada grande guerreiro que ousou o navegar também tem sua história. Do Delta à Nascente, cada curva desse rio tem uma história de dor e de amor. E ali você podia ver que tudo que vocês estudara era verdade. Afinal o rio finalmente mostrou sua verdadeira essência nesta cidade. Antes sempre sendo discreto e oculto, agora era ele que dava rumo ao destino de todos aqueles ao qual o mesmo possuía. E uma coisa era certa. O rio tem consciência e está lhe observando, e sempre estará. Mesmo sua viajem por ele quase chegando ao fim, você sabia que esse rio ainda teria muita história para lhe contar.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 28/3/2016, 15:45


    "Três baterão a minha porta... Uma quantidade precisa, o número três simboliza o triângulo, o elemento do ar e é associado a expressão, criatividade. Por fim, também simboliza o planeta Júpiter que não é nada menos do que o próprio Zeus. Enquanto o um significa a indenidade e o 2, o que se completa no outro, 3 é a necessidade da construção social da comunicação, o elo de ligação. Por sua vez o triângulo é complexo, fazendo alusões às tríades: inicio, meio e fim/ corpo, alma e espírito."

    Penso enquanto refletia sobre a resposta do ser angelical que minha consciência continuava a me mostrar daquela maneira, era interessante como meu subconsciente era capaz de ignorar minha razão e conhecimento para a construção da imagem de algo que não sequer possuí um nome ou imagem, algo que na realidade é apenas uma força ou uma máxima. Assim eram construídas as religiões e os mitos. Mas a mim cabe apenas o ato de remar em direção ao meu destino, determinado a me entregar aos desafios.

    -Existe cura para a morte e para minha maldição, qual delas eu irei buscar?! Nem sequer consigo diferencia-las com clareza nesse exato momento, mas se você as separou significa que eu preciso aprender a também fazer dessa maneira. Você sempre se dedicou a me guiar, a olhar por mim, como nenhum outro ser ou força jamais fez... Obrigado pelas revelações, aguardarei ansiosamente pelos três visitantes e que a trindade seja então construída de acordo com as minhas decisões.

    Falo olhando diretamente para o anjo, sorrindo de maneira sincera e deixando finalmente meus medos e amarguras em segundo plano. Não haveria porque sofrer, não haveria porque temer. Havia sim muito a minha frente, um longo caminho, o rio dos mortos era apenas uma das estradas e meu destino ainda estava sendo tecido.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 29/3/2016, 03:54


    Entrada do Cemitério:


    "- Escolha com sabedora. E não esqueça, eu estou aqui..."

    A imagem se desmaterializa, ficando primeiro apenas um borrão de luz para finalmente se esmaecer até totalmente desaparecer. E assim a sua visão se voltou para onde você estava agora. Havia chegado. Era o cemitério. O barco para de leve na frente de uma pequena praia na calçada. Como de esperar, os cemitérios de Nova Orleans foram feitos para evitar os alagamentos. Uma cautela muito especial que aquela cidade tinha. Mas claro que muitos cemitérios em outros lugares deveriam estar submersos agora.

    Assim a luz âmbar, agora em sua mão lhe trilhava o caminho por entre as sepulturas. Aquele brilho dourado fazia as sombras de dentro de seu cemitério se esconderem de medo. Você sabia bem quem ali descansava e compreendia que muitos dos espíritos inquietos tinha medo de sua aproximação. Mas pela umbra havia mais que apenas espíritos e algumas das anomalias que ali haviam eram melhor que se mantivessem longe mesmo. Afinal havia grandes aberrações neste plano. As quais você sempre teve sorte de evitar. Pelo menos até agora. Pois você estava de frente para a Cripta de Franco.

    Pela umbra o aposento de descanso do ancião não era belo e cheio de anjos. Era uma construção impregnada de energia negra. Era como uma luz negra que fluía por toda a aura do local. Vós sabia que ali dentro haviam seis salas internas. Uma de entrada, uma com cada um dos espectros e a última onde Franco estava. Cada uma tinha seu próprio obstáculo. E o primeiro de todos era o próprio aço frio da entrada. Forjado com a alma de dez mortos que outrora foram assassinos.

    Crípta:

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 29/3/2016, 19:46

    "Eu nunca vou me esquecer..."

    Coloco o remo no barco, seguro com firmeza a lamparina e os reagentes, para seguir o meu caminho em direção ao destino. Atento aos arredores porque eu sabia que aquele local poderia até ser meu domínio, mas não seria inesperada uma ofensiva dos inimigos de Franco em uma situação de calamidade como essa. Ainda mais se algum deles suspeitasse do torpor de Izabel.

    Passo a passo, chego em frente a cripta. A imagem retorcida e em ruínas da mesma na umbra era uma grande verdade, nada santificado existia dentro daquelas paredes e eu precisaria enfrentar todos os desafios que estavam por vir. Flexiono levemente os joelhos para me abaixar e conferir dentro do saco os objetos que irão ser oferecidos as espectros. Assim que todos estão devidamente conferidos e organizados novamente após a viagem pelo rio dos mortos, me coloco de pé. Respiro fundo e trago as forças do meu sangue para a minha pele, seria necessário amplificar a minha resistência física para que o aço frio não destrua minha mão inteira.

    E assim, eu abro a porta para adentrar o cripta.

    [Off: Gasto 2 pontos de sangue para aumentar vigor. Teste de Vigor + Acuidade]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto em 29/3/2016, 19:46

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 29/3/2016, 23:01

    A porta se abriu lentamente. Você teve de fazer bastante força empurrando ambas as abas para que finalmente conseguisse entrar na primeira câmara interna. O som do rangido aparentou ecoar por todo o cemitério. Dentro, apenas o escuro lhe aguardava. Enquanto suas mãos gélidas se mostravam arder com o toque no aço. Mas sua mente lutou contra aquela paranormalidade e você conseguiu adentrar a sala sem danos profundos. Apenas se sentindo um pouco fatigado.

    Agora vós está na primeira sala da cripta. Lugar onde os cadáveres mais antigos foram colocados. Mas não de pessoas muito importantes. Deveria haver ali muitos ex-escravos e serviçais do início do século XIX enterrados. Mas não era isso que lhe chamava a atenção naquele ambiente mórbido de atmosfera pesada. Eram as risadas.


    Afinal vós sabia que os Baalis haviam tentado invadir aquele lugar. E sabia que sete carniçais morreram ali. Você nunca tirou os corpos para mantê-los como aviso. Todavia nunca soube o que o mundo profano da umbra escura aguardava para aqueles que ali pereceram. Eram sete cadáveres. Todos sentados pela extensão ovalar da sala. Apenas o esqueleto restava. Mas dentro de cada um, preso pelas costelas, estavam seus espíritos. Dava para ver claramente aqueles seis homens e uma mulher, presos por seis décadas dentro de seus próprios cadáveres decompostos. A única coisa que restava para eles era uma risada insana que ecoava pelo ambiente escuro que sofria unicamente com a penumbra criada por sua lanterna de âmbar. O caminho prosseguia para uma segunda câmara logo abaixo de uma escadaria no final da sala.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 30/3/2016, 15:43

    -Eu causei isso à vocês...

    Falo em um tom baixo de voz ao rever os corpos que havia abandonado outrora no interior dessa amaldiçoada cripta. E enquanto me esforçava para ativar um dos poderes que foram herdados do vitae de Izabel, para amplificar minha capacidade cognitiva e perceptiva, eu penso com bastante calma a cerca daquelas almas aprisionadas.

    "Dedico minha existência à nutrir a luz dentro de todos os seres que são naturalmente possuídos pelas trevas. Meus esforços são todos direcionados pela minha fé, pela minha razão e principalmente por minha principal força: minha família. Entendo que causei um sofrimento à todos vocês, mas eu não poderia fazer diferente, sei que serei punido por isso e que o julgamento divino não será tão subjetivo quanto eu consigo ser comigo mesmo, afinal, estou agora mesmo a me convencer de que infligir tamanha tortura é aceitável e perdoável. Eu sei que não é, mas eu preciso que seja. São inimigos, servos de forças malignas que corroem e sacrificam inocentes. Faço o mal a esses seres para que eles não façam o dobro sobre a carne e alma daqueles que são exclusivamente feitos de luz"

    Eu então me coloco a caminhar em direção a escadaria no final da sala, deveria me apressar e chegar o mais rápido que pudesse na segunda câmara. Apenas observando brevemente os espíritos aprisionados a seus corpos e desejando, que para o bem deles, eles permanecessem assim.

    -E sinceramente, vocês foram os culpados.

    Termino meu pensamento de maneira breve com uma frase pequena, sussurrada para que fosse ouvida apenas como um murmúrio dentro daquele ambiente.

    [Off: Ativo nível 1 de auspícios. Sentidos Aguçados]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 1/4/2016, 17:38

    Passando pelos corpos era possível ver umas tênues linhas azuis saindo de seus espíritos e se prendendo em suas costelas. Assim, mais decidido que nunca, você se posicionou nas escadas. Já observando o salão que viria abaixo das escadas. Uma névoa cobria esse cômodo logo depois dos trinta e três degraus que o separavam do mesmo. Lá embaixo parecia que era inverno. Como se estivesse nevando. Todavia com sua audição apurada um som veio de trás. Sete fontes de som. Cada uma presa em um eco de repetição. Aparentemente por debaixo das risadas haviam palavras para serem ditas. A última que você escutara era a da mulher.

    "- Me salve... Me salve... Me salve..."
    "- Sinto dor... Sinto dor... Sinto dor..."
    "- Está escuro... Está escuro... Está escuro..."
    "- A porta fechou... A porta fechou... A porta fechou..."
    "- Fui enganado... Fui enganado... Fui enganado..."
    "- Perdão... Perdão... Perdão..."
    "- Quero meu noivo... Quero meu noivo... Quero meu noivo..."


    Última edição por King Narrador em 1/4/2016, 22:25, editado 1 vez(es)
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 1/4/2016, 19:07

    [Off: Teste de Raciocínio+Acuidade, dificuldade 7]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto em 1/4/2016, 19:07

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 1/4/2016, 23:51

    O caminho para a invernal sala do primeiro espectro protetor estava próximo, mas as vozes daquelas criaturas agonizantes me atraíram. Não pela dor que elas sentiam, muito menos pela tortura violenta que fora imposta sobre suas almas, mas sim exclusivamente pela voz daquela mulher... Seria necessário então fazer um desvio no caminho e me direcionar exclusivamente até a mulher que clamava por seu noivo. Havia algo errado naquela voz, não só o senso empático por eu também ter perdido minha noiva, o fato era que meus sentidos haviam me guiado especificamente até o corpo da mulher.

    "Thérèse Liotard?! Essa é você?! Isso foi o que você se tornou? Graças aos Deus que nós não nos casamos... Como você pode permitir tanta escuridão dentro de ti? Seria então você uma alma deturpada des de nosso primeiro encontro?!"

    -Thérèse?! Sou eu, Lucien, seu noivo... Você consegue me reconhecer após tantos anos?! Como você pode chegar a tamanha agonia minha querida? Porque servir a essas criaturas?

    Digo em um tom baixo de voz, colocando-me diante da alma que rogava por seu noivo, no exato momento em que eu a reconhecia. Era algo que eu jamais havia imaginado, em nenhuma hipótese, em nenhuma circunstância, nem na maior de todas as tragédias ou cenários apocalíticos. Minha razão sempre havia me dado a certeza de que ela estava morta. E enquanto meu corpo e voz, se esforçavam para atrair a atenção daquele espectro que um dia fora minha noiva, minha mente maquinava interpretações.

    "Uma carniçal dos Baali? Como poderia eu acreditar em Deus depois dessa revelação macabra?!Como haveria uma força máxima e benevolente diante a tamanha arquitetura macabara dos nossos destinos? Eu preso a uma maldição eterna que me condena a uma infinta luta contra as trevas de um pecador divino, você, minha querida, presa a sua própria costela e largada para lembrar-se eternamente do erro que cometeu ao atentar contra Izabel. E como poderia você, Izabel, condenar essas almas de maneira tão arbitrária? Logo você que sempre se colocou como uma diferente dentro da família Giovanni... Pelo visto o sangue de Augustus é sim sórdido e impuro no fim das contas e sempre influenciará nas decisões macabras de seus herdeiros. Pobre Thérèse Liotard... Cultuastes as forças malignas? Em seu leito de morte você realmente desejou a minha presença? Ou seria apenas um deboche, sabendo você onde estava e contra quem estava... Sinto muito minha querida, sei que um dia nossos destinos poderiam ter sido selados para a eternidade. Mas eu fico grato, eternamente grato, por isso nunca ter ocorrido, afinal, no fim, você terminou como um lacaio de um cultista determinado a sacrifica-la na primeira oportunidade. Thérèse Liotard, minha querida noiva, você decaiu como uma pecadora e impura e esse tormento é tua recompensa.

    [Off: Teste de Carisma + Empatia]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto em 1/4/2016, 23:51

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 3/4/2016, 00:25


    A visão oca do fantasma de sua noiva esta estagnado no vazio. Todavia suas palavras foram mais que suficiente para tirarem o tom acinzentado dos olhos dela. O que fez a mesma olhar diretamente para você e finalmente sorrir. A risada parou instantaneamente junto do lamento. Assim a voz fraca dela começou a falar.

    - Lucien! És você! Depois de todo esse tempo. Finalmente lhe encontrei. Havia perdido minhas esperanças há tantas décadas atrás. Mas eu nunca desisti de você. Sabia que algo errado havia acontecido contigo quando não voltou a Paris em 1805, mas não pude ir atrás de você. Tive de cuidar de nosso filho. Sim, nosso filho. Dei para ele o seu nome, em sua homenagem, é claro. Lucien Liotard Devereaux. Quando o mesmo se casou eu finalmente pude partir em sua busca. Mas fui barrada no Alabama por um grupo que me dizia que você estava em perigo. Não consegui lutar contra a vontade deles. Eles logo me contaram a verdade sobre o que eles eram e o que você se tornou. Eu, como uma marionete, aceitei que ajudaria eles a livrarem você da tal Izabel que os mesmos disseram ter lhe aprisionado. Passei então vários anos servindo os mesmos em Murano, Veneza. Mas sempre que tive oportunidade visitei nosso filho. Ele se tornou um grande filósofo na França, ganhou muitos prêmios e escreveu muitos livros. Foi morrer aos noventa e quatro anos em 1898, com todos os filhos, netos e bisnetos, junto de mim, lhe observando. A vida foi boa para nosso filho e a família que ele criou, fruto de nosso amor, vive até hoje no sul da França, em Nice. Todavia minha história foi mais triste quando a Segunda Guerra começou. Os Baalis disseram que era a hora certa para destruir Izabel, e então fomos finalmente para Nova Orleans. Mas então eu descobri a verdade. Eles queriam destruir todos da linhagem dela, incluindo você, meu amor. Eu tentei resistir ao poder deles com todas as minhas forças, mas eles eram poderosos demais e me obrigaram à invadir esse túmulo como uma isca... Jamais consegui sair daqui... Estou tão feliz de poder finalmente lhe encontrar... E lhe falar sobre nosso amado filho... Ele era idêntico a você...
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 3/4/2016, 01:06

    Meus olhos se enchem de lágrimas sinceras, mas nenhuma delas cai dos mesmos. A dor era forte, mas não era forte o suficiente, não havia porque chorar diante de uma história como essa, uma história verdadeira de um amor tão antigo que já havia sido esquecido por mim. Com os olhos marejados eu esboço um pequeno sorriso e estendo a mão direita em direção à alma de minha falecida esposa, na esperança de ser capaz de toca-la novamente, mesmo sabendo que não seria exatamente isso que aconteceria. Mas a razão nem sempre será capaz de sobrepujar a emoção.

    -Oh querida. Você estava correta em entender que algo de errado havia acontecido comigo, uma grande tragédia assolou meu destino e me impediu de retornar, eu morri. Para renascer como um cainita herdeiro de uma linhagem de necromantes... Logo eu, um defensor da luz, da vida e da esperança. Tive minha existência selada entre mentes tortuosas, apesar de minha Senhora ser uma mulher especial, eu fui obrigado a conviver e dividir minha existência com traidores, com egoístas e verdadeiros impuros... Eu a amei tanto e por muito tempo... E é por esse sentimento que eu ofereço a ti, minha querida, duas opções. Eu posso leva-la comigo ou posso lhe ajudar a encontrar o descanso eterno...

    Ao terminar a minha frase eu mantenho a mão direita estendida, expondo exatamente qual era o meu desejo. Mas eu respeitaria a decisão dela acima de tudo.

    "Somos sim responsáveis por nossos destinos, você poderia ter simplesmente aceitado a minha ausência querida. Permanecido ao lado de nosso filho, de nossos herdeiros e ter encontrado seu fim em uma cama confortável, possuir uma lápide linda em seu nome e com as homenagens daqueles que receberam tua nutrição, teu amor e teu carinho. Mas eu não posso julga-la, eu não sou Deus, muito menos um juiz... Eu sou um navegante e cabe a mim, mostrar os caminhos para as almas que aventuram-se por seus caminhos, jamais irei decidir por ti, minha querida esposa. Mas sou obrigado, por minha moral, a oferecer à você o meu melhor"
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    King Narrador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 5/4/2016, 21:21


    A ação de Thérèse lhe causou uma dor mental. Apenas por imaginar o ato que a mesma estava fazendo. Era como se pudesse ouvir mentalmente cada estalo advindo da mesma. Pois seu braço se separava do esqueleto, fazendo cada um dos elos de alma, com um tênue tom azulado, se romperem. O processo deveria ser totalmente doloroso. Contudo a mesma conseguiu lentamente desvincilhar seu braço direito daquela prisão cadavérica para finalmente "tocar" sua mão. Uma projeção fantasmagórica do anel de noivado era visível em sua mão. Da mesma forma que nos ossos. Era claro que aquela aliança deveria estar na outra mão, mas este não era o caso. Um arrepio forte foi sentido quando o espírito lhe tocou. Era uma sensação bastante comum já em seu longo ramo com atividades paranormais, todavia dessa vez não era o sentimento de frio que vinha a sua cabeça, era de algo mais quente.

    - Eu vivi muito Lucien... E dediquei toda essa vida à cumprir a promessa que nunca pude fazer a você em um altar. Mas mesmo não tendo essa cerimônia, nosso filho nascer foi tão simbólico quanto. Graças a isso abandonei toda a vida que eu poderia ter tido para poder me reencontrar com você. Abandonei tudo para trás, inclusive minha humanidade, só para poder um dia caminhar ao seu lado. Se vós agora, tantos anos depois, ainda oferece esse caminho para mim, eu jamais iria recusar.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 6/4/2016, 17:47

    -Você finalmente me encontrou e a mim cabe a honra de prover a continuação do seu caminho. É com enorme felicidade, Thérèse, que eu lhe digo: Fique ao meu lado.

    Minha mão direita segue estendida para que minha finada noiva a segure com firmeza. Apesar de estar perfeitamente habituado ao contato com os seres não-materiais, era muito mais complexo quando esses seres possuíam significados profundos para mim. Ainda mais sendo esse espírito o que um dia habitou o corpo da mulher que em vida, eu sonhava em casar. A mão esquerda eu direciono até a minha boca, para que com as presas eu fosse capaz de romper levemente uma ferida superficial para que vitae necessário para a utilização da feitiçaria fosse possível. Era através do consumo do meu vitae que as minhas palavras virariam ordem para os que ouvissem.
    Assim, deixo a mão esquerda esticada e apontando ela a cada uma daquelas almas, após apontar primeiramente à minha antiga noiva.
    A cada apontar, a mesma frase era dita.

    -Encontre tua paz, atormentado espírito. Ordeno que escolha o caminho do descanso eterno e que desprenda-se das amarras carnais que o punem. Seus sofrimentos aqui terminaram... É hora de encontrar o destino final.

    Ao terminar a realização da feitiçaria, uma breve reflexão sera inevitável:
    "Seria hipocrisia apenas salvar minha finada noiva, seria surrealmente contraditório e paradoxal. Contra tudo que eu creio ou defendo, não que essas almas tenham méritos para minha intervenção, mas essa nunca foi a minha prioridade. Eu não sou o juiz dos mortos, sou apenas aquele que oferece aos que se perdem, uma maneira de reencontrar seus caminhos. Tenham sido esses em vida até os mais sórdidos dos mortais..."


    [Off: Utilização da linha do sepulcro. Teste de Manipulação + Ocultismo x5. / Gasto de 3 pontos de sangue / Gasto de 1 Ponto de FdV para o teste relacionado à Thérèse.]


    Última edição por Lucien Devereaux em 6/4/2016, 17:48, editado 1 vez(es)
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto em 6/4/2016, 17:47

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 2, 8, 3, 3, 8, 9, 3, 1, 4

    --------------------------------

    #2 'D10' : 2, 4, 6, 7, 8, 1, 10, 3, 6

    --------------------------------

    #3 'D10' : 8, 10, 1, 2, 6, 1, 9, 6, 1

    --------------------------------

    #4 'D10' : 8, 6, 3, 9, 9, 8, 4, 3, 8

    --------------------------------

    #5 'D10' : 7, 7, 7, 3, 5, 4, 4, 6, 3
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por King Narrador em 8/4/2016, 23:08


    Humildade. Para alguém que nascera com tão pouco... As favelas de Havana lhe deram pesadelos na infância. Mas uma nova vida estava à sua disposição. Mesmo que vivendo na cabana que tinha. Nada podia lhe dar mais satisfação que uma chance de oportunidades. Todos eram ricos e prósperos ao seu redor agora. Ser o indicado na universidade de Baton Rouge à ganhar um bolsa completa de medicina era algo único. Saber viver entre aquelas pessoas era um grande desafio. O sentimento de conquista era forte, mas era necessário impedir que o orgulho lhe subisse à cabeça.

    Tristeza. Mãe solteira era algo difícil. Pagar as dívidas sempre fora uma tarefa complicada. Mas depois de sua única filha adquirir câncer de pele tudo virou um inferno. O câncer dela era aquele tipo bem lento. Entretanto se mostrou imbatível contra todos os tratamentos. Dês dos seis anos assolou a vida dela. E mais de uma década o mesmo passou apenas crescendo seu grau de intensidade lentamente, definhando a amada de seus olhos. Suas contas e dívidas apenas cresciam enquanto a cura e salvação apenas se afastavam. A morte estava chegando e a mesma era cruel em chegar lentamente. Ter o corpo miúdo de sua filha, apenas em pele e osso em seu colo lhe causava uma dor que poucos saberiam lidar.

    Loucura. O verde era amarelo e o lilás era um morcego. Seu destino voava em sua cabeça. Nada nunca pareceu fazer sentido atrás de seus risos. Raiva vinha e tristeza ficava. Era uma miscelânea de pensamentos e idéias. Mil formas de agir e mil formas de pensar. Cada dia era diferente, só que o mundo nunca se mostrou nítido. Dês daquelas pessoas carinhosas que choravam muito, até aquelas de branco que lhe davam pílulas da escuridão. Tomar aquelas coisas lhe fazia dormir. Mas sua mente nunca descansava. Sonhos viravam pesadelos e gritos corriam por sua gargante. A paz nunca fora um conceito para ti. Mas fugir do escuro sempre lhe deu força para correr, mesmo que literalmente.

    Ódio. Fora sua mãe que morrera assassinada na primeira noite. Na segunda havia sido sua irmã. Na terceira seu irmão e na quarta sua namorada. Nem tê-la mandado para Phoenix adiantou. Tudo pela dívida de seu finado pai. Filip Gray não era um homem de aceitar a morte como o fim de uma dívida. E lhe torturou até onde foi possível. Agora não era só mais dinheiro que você não possuía, mas a vida de todos que uma dia amou. Apenas o ódio era capaz de lhe nutrir agora. Só o ódio lhe permitia dar um passo na frente do outro. Pois sem o ódio você não seria nada.

    Desilusão. Doía saber que sua mulher havia lhe traído, o amor que você havia nutrido por anos. Os risos pela suas costas e as vezes até na sua frente. Aquele filho que descobrira que não era seu. Aquele trabalho que só possuía para pagar suas contas. Toda sua vida foi levada para um momento de incerteza. Tudo que fizera e aprendera fora em vão. Não havia segundo plano. Era um beco sem saída. Onde o tédio havia derrotado o amor pela vida. E nada mais parecia lhe animar. Apenas o álcool parecia lhe trazer sentido, pois aquela vida estava perdida.

    Arrependimento. A luxúria havia lhe consumido. A adolescência tinha sido divertida e abandonar a vida fácil era uma tarefa que nunca lhe ocorreu. Das bebidas paras as drogas e das drogas para o sexo. Todos os prazeres carnais se mantinham fortes em seu corpo e sua alma. Cada dia mais fundo você queria chegar. Mais intenso eram seus desejos. A intensidade só ganhava forma e a força vinha acompanhada. Quando a prostituta lhe pediu mais força e mais socos, foi difícil se conter. Era tudo pelo prazer. Foi assim no primeiro e no segundo soco. Mas no terceiro o prazer vinha do próprio soco, e assim no quarto e quinto. No décimo ela não se mexia mais. E então todos os prazeres morreram junto com a jovem. Uma pobre alma perdida por seus erros e seus pecados. Nada podia ser feito e o desespero lhe consumia. Na cadeia apenas a fé se mostrou se importar com sua dor.

    Amor. Aquele mago ousado que sempre viu um futuro para seu país era seu farol no horizonte. Ele foi para as colônias francesas em busca de sua alma e você ficou para trás para cuidar do filho que estava por vir. O sonho morreu com a queda de Napoleão e a falta do regresso de seu amado. Todavia desistir nunca lhe foi uma opção. Sabia que ele era forte demais para simplesmente morrer. Assim educou seu filho até partir em sua busca. Vós sabia que ele estava vivo. E de certa forma ele estava, aqueles vampiros deixaram isso bem claro. Era tenebroso andar próximo dos mesmos, mas se o objetivo fosse encontrar aquele que fazia sua vida ter sentido, nada lhe pararia.


    Sete foram os sentimentos que vieram em sua mente. Era a sensação que corria dentro da mente de cada alma daquela sala. Era possível sentir todas ao mesmo tempo, uma grande miscelânea de sentimentos distintos. A emoção de suas palavras fizeram cada uma daquelas almas brilharem. O escuro havia desaparecido daquela cripta e cada centímetro da mesma resplandecia de luzes. Luzes essas que iam se revelando em cada corpo, como o despertar de uma bela flor de primavera. A iluminação parecia ter a cor de todos os sentimentos ali impostos. E assim era possível ver as almas atravessando o manto e sumindo no invisível. Teriam elas chegado no Delta do Styx? Essa era uma dúvida para outro dia. Só que para a alma de sua antiga noiva, a resposta estava clara. Afinal o osso dela virou pó, mas o anel da mesma permanecia no chão brilhando com as cores da aura dela em um forte azul com amarelo.

    OFF - Mais um ponto de Humanidade

    Ultima Ação Antes do Final do Ato


    Última edição por King Narrador em 28/9/2016, 19:21, editado 1 vez(es)
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato II - Sons of Styx

    Mensagem por Danto Jogador em 12/4/2016, 02:19

    "Humildade, do latim humilitas. É a virtude que consiste em conhecer as suas próprias limitações e fraquezas e agir de acordo com essa consciência. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas; do ponto de vista da filosofia, Kant afirma que a humildade é a virtude central da vida, uma vez que dá uma perspectiva apropriada da moral. Nietzsche, em contrapartida, acredita que a humildade é uma falsa virtude que dissimula as desilusões que uma pessoa esconde dentro de si. Mas eu vejo agora que a humildade é uma face importante, independente das grandes conquistas que tenha feito, lembrar-se de sua origem é essencial. Hoje sou capaz de compreender o quão distante eu me tornei da Humildade, o orgulho de ser a Primeira Prole, a necessidade de existir em comparação aos antigos, minha relação esnobe para com os mais jovens de minha linhagem...

    A tristeza é uma das "seis emoções básicas", junto com felicidade, raiva, surpresa, medo e nojo... É cruel como uma das mais básicas emoções de um humano possa ser a fatídica tristeza. Eu simplesmente não tenho como me colocar no lugar dessa mulher, ver seu próprio filho definhando em seus braços. Mas posso comparar a dor de Izabel ao receber a notícia do falecimento de Gabrielle... Como eu posso ter sido tão insensível? Fui capaz apenas de olhar a minha própria dor, meu próprio fardo, mas a tristeza é presente em todos e nenhum de nós é capaz de resistir a mesma. Eu deveria ter lhe ouvido, oferecido meu ombro, não ter me amargurado por tantos anos, mas dessa noite em diante, eu serei capaz de compreender a tristeza, de ouvir os lamentos e oferecer a eles um conforto.

    Loucura. Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade, outras acusam deformidades neurais e até mesmo, imperfeições na alma. Os tormentos dos pesadelos podem assolar a todos nós, mas poucos ficam presos eternamente a eles. A sanidade é de fato alto muito sutil, acredito sinceramente que ela não exista e seja sim apenas um aglomerado de moldes sociais que aprendemos a reproduzir no intuito de nos sentirmos como parte de algo, pertencentes a alguém. As significações da loucura mudaram ao longo da história. Na visão de Homero, os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses e teriam, por isso, seu destino conduzido pelos "moiras", o que criava uma aparência de estarem possuídos, ao qual os gregos chamaram "mania". Existem também as quatro loucuras de Sócrates: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. O ritual, em que o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais, ao fim dos quais seria possuído por uma força exterior. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, e a loucura poética, produzida pelas musas... enfim, a loucura é um fragmento da própria construção de realidade que nos acompanha durante toda vida, um passo para além dela e somos loucos aos olhos daqueles que acomodados estão. Obrigado por me fornecer a tua visão, tornar-me-ei menos agarrado ao real e ouvirei do surreal com atenção.

    Ódio. Eu sou perfeitamente familiarizado com esse sentimento, não me surpreendo que o ódio seja direcionado então a um familiar meu. Eu mesmo já fui capaz de odiar profundamente meu próprio irmão! O mais puro desejo de lhe arrancar o coração, partir seus membros e destruir tudo que por ele era querido..., mas tudo que por ele era querido, por mim também era. Arrancar seu coração, arrancaria o coração de nossa Mãe. Eu fui exatamente como você, movido pelo ódio! Mas consigo vê-lo por outro prisma, o ódio jamais conduzirá nos conduzirá a algum caminho, pelo contrário, apenas o perdurará na mesma direção que o caminho de outro.

    Desilusão. Uma palavra que durante meus primeiros anos significou apenas uma coisa, Gabrielle. Ela escolheu meu irmão e não a mim, ela desejou ele e eu me vi obrigado a apenas observar e até mesmo a esconde-los de nossa mãe. O quão vergonhoso não foi para nós, poucos sabem o que é a humilhação de uma desilusão... perdoe-me, poucos não. Todos sabem perfeitamente. Mas o sofrer silencioso é a principal escolha. O teu álcool foram os meus estudos, compartilho contigo muitas semelhanças e agora abro meus olhos para a desilusão dos outros que me circundam. Da jovem Daisy que aguarda por minha reação a suas investidas, a Duncan que sofre por sua inocência que terminou na morte de Gabrielle, em Izabel que esperava uma melhor atitude minha em relação a Sarafina. E até mesmo a própria Sarafina que recebeu de mim apenas o desprezo e péssimas atitudes... retornarei a vocês os ajudarei a encontrar um novo caminho.

    Arrependimento. Eu jamais deveria ter deixado minha noiva, jamais! Como pude me entregar aos meus desejos? A luxúria do meu próprio poder? E o que isso me trouxe? Morte. Inimigos. Guerras. Maldições. Eu me senti tão impotente quanto você, mas a fé também me foi um norte... ela deve ser o Norte que ilumina o caminho de todos nós e nos ajuda a superar tais arrependimentos. A luxúria carnal nunca me atingiu, sempre a julguei com soberba, talvez seja isso que me faça punir tão severamente a jovem prole de Duncan. Talvez a morte que causei aquele jovem Tremere foi apenas um reflexo de meu real arrependimento, a dor de saber que jamais seria capaz de voltar... me fez ceifar uma vida, uma alma... eu compreendo teu arrependimento e saiba que na eternidade existe sim formas de encontrar a paz, até mesmo para nós, almas arrependidas de nossas próprias falhas.

    Amor. Izabel e seu amor materno, essa foi a grande força que me agarrou o coração durante meus longos anos como um amaldiçoado. É claro que recebi alguma forma de amor pelo mês outros irmãos, mas nada se comparava a minha Senhora. Sim, minha senhora. Meu amor beirou o egoísmo em várias ocasiões, assim como aproximou-se da mesma devoção que você, minha querida noiva, tinha para com o seu amor por mim. Eu não tenho mais palavras para dizer a ti, nenhum perdão será grande o suficiente para amenizar as dores que o seu amor por mim lhe causou. Eu irei amar como você foi capaz de amar..."


    Minha mente então era finalmente capaz de compreender inicialmente cada fragmento de alma que havia compartilhado comigo suas impressões, suas vidas, suas dores e seus caminhos. E eu estava profundamente orgulhoso de ter finalmente sido capaz de oferecer um caminho para tantos tormentos, tantas dores e tantas possibilidades verdadeiras que haviam sido desperdiçadas. Eles morreram como carniçais de uma causa que não lhes dizia respeito, mas hoje são libertos com a esperança de encontrarem seus verdadeiros caminhos e que suas escolhas os levem para onde estavam destinados a ir.
    Estão livres para jamais servir novamente.
    Lentamente me aproximo do anel, me abaixando para pegar o mesmo e colocar no no anelar direito. Observando atentamente a aura que estava ali exposta, a aura de minha noiva,  Thérèse que se mantinha profundamente apaixonada por mim. Mesmo depois de tantas falhas, tantas lutas e tantos anos. Um amor que construiu dentro de si um idealismo potente, que certamente me auxiliará no futuro.

    "Finalmente juntos minha querida, não da forma que sonhávamos como estávamos vivos. Mas finalmente juntos após a morte, quem diria não é mesmo? Que os votos se interrompem após a morte, nós dois como bons revolucionários das tradições, poderemos ser felizes na morte..."

    Com um sorriso sincero no rosto, caminho em direção ao primeiro espectro. Pegando novamente do chão o saco de reagentes e renovado para um futuro incerto, mas com uma única grande certeza em mente: Eu não serei o mesmo homem que acordou essa noite, serei uma força da mudança e ativamente iluminarei aqueles que irão buscar pela luz, não porque eu a possuo, mas sim porque eu também estou a sua procura.

      Data/hora atual: 24/6/2017, 17:51