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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

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    Danto
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    Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 28/3/2016, 14:08



    Agosto de 1961, Berlim

    A Segunda Grande Guerra havia terminado a anos para o mundo.
    Entretanto, em Berlim, ela seria eterna e você era o único que possuí esse conhecimento.

    Sua consciência retornava ao seu corpo com uma enorme dificuldade, o acordar era algo realmente difícil, afinal, seu corpo estava morto e o sangue precisava literalmente despertar cada pedaço do mesmo. Mas dessa vez, você despertava de uma maneira diferente...
    Seu coração estava batendo com firmeza dentro de seu peito, com tanta força que o ressoar era sentido em todas as extremidades, seus pulmões se enchiam de ar e você era capaz de respirar, o frio logo assolou a sua face e ardia como nunca.
    Você estava vivo!
    E não havia um motivo sequer para isso ser comemorado. Pois a sua mente, que despertava segundos após o seu corpo, lhe dizia que algo terrível iria ocorrer, sua irmã e sua mãe iriam ser devoradas pela fúria dos anciões, as tropas soviéticas estavam preparadas para impedir qualquer passagem do Oriente para o Ocidente e o contrário também iria ocorrer. Você conseguia se lembrar perfeitamente, nem todos estavam cientes que o muro seria construído na madrugada anterior, famílias seriam para sempre separadas, vários seriam executados a sengue frio. O Terror da Segunda Grande Guerra seria uma ferida eterna no coração de Berlim...

    Sua consciência ainda se lembrava de Joachim, do bispo Rahel, de Diana e Emily. Mas ela se mesclava à sua memória do ano de 1961... Que tipo de feitiçaria era essa?! Como alguém poderia ser poderoso o suficiente para banir a sua mente para tantos anos atrás? E o mais surpreendente, você sentia-se capaz de realizar toda a sua mágika Tremere, mesmo sendo um mortal!

    Sua confusão mental se acentuava. Você não sabia dizer exatamente onde estava, mas sentia seus pés caminhando, o frio o fazia se encolher e era extremamente doloroso. A cidade estava em escombros, com várias partes sendo reconstruídas. Havia pavor, desespero e tristeza em todos aqueles que foram afetados pelo muro construído na madrugada do dia 13 de Agosto.
    Você tinha absoluta certeza de que você estava na noite do dia 14 de Agosto. Assim como tinha absoluta certeza de que esse seria o dia da grande invasão, o Ancião conhecido como Gustav irá marchar sobre a cidade de Berlim Ocidental e o massacra será incontrolável.

    E enfim o primeiro tiro é disparado.
    Sua mente começa a funcionar perfeitamente na fração de segundos que sucede aquele som violento, terrível e agudo. Seus olhos desesperados buscam a imagem de sua irmã e mãe nas proximidades, mas elas não estavam lá. Você estava entre várias pessoas que estavam próximas ao Muro.
    Sim, havia uma razão para isso. A casa dos seus pais havia ficado do lado Oriental, sua irmã e você estavam do lado Ocidental mas a mesma estava desaparecida a duas noites, sem nenhuma explicação para o desaparecimento. Em alguns instantes, você iria reviver todo o holocausto causado por Gustav na noite e 14 de Agosto de 1961.
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    Miac

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 28/3/2016, 15:18

    " Será um sonho? Como, não é possível voltar a vida assim, não aqui nesse passado...doí, o frio doí, anos e anos e eu nem sei mais como era essa sensação..."

    Ulrich havia despertado á algum tempo, caminhava sem nenhum proposito, o mesmo se perguntava a quanto tempo havia ocorrido aquilo, olhou para suas mãos com as pontas dos dedos roxos por causa do frio e soltava o ar quente de sua boca neles. Era surreal, como ficar tão assustado assim por estar vivo de novo, anos e anos sem sentir essas sensações, quem que tenha feito aquilo utilizou de uma Magika assombrosamente poderosa o suficiente para pegar até mesmo os anciões, sua senhora havia lhe confirmado aquilo em suas palavras.

    - Frio...

    Seus olhos assustados observavam os arredores, precisava encontrar sua irmã, ele não acreditava em destino e tão pouco era um religioso dos mais fervorosos, ele colocou a mão na cabeça, eram tantas lembranças ele se lembrava do futuro e estava vivendo o passado, caso ele mudasse algo...se ele pudesse evitar a morte de sua irmã! O mesmo abaixou rapidamente ao ouvir o primeiro tiro, seu corpo doía por causa do frio, rapidamente tentando se encontrar em meio as lembranças e o que poderia ser chamado de agora o Tremere corria, ele forçava sua mente para saber onde seriam os ataques pelas historias que ouviu e o mais importante, ele ia em direção ao local onde ocorreu tudo, sua morte e renascimento em meio a dor. O local da morte de sua irmã.As lagrimas escorriam de seu rosto e com todo o ar que tinha agora em seus pulmões ele poderia chamar por ela.

    " Não, não, tudo de novo não! Eu havia superado isso não havia? Não vou suportar de novo isso...não de novo, está diferente, está diferente e ao mesmo tempo igual, Mãe...Sofie...eu ainda consigo sentir minha Magika, só que estou vivo.."

    - SOFIEEEEEEE...SOFIEEEEEEE...VALERIUS...SOFIE!
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    Danto
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 29/3/2016, 00:37


    Um dia aquela rua foi apenas uma rua, em seu centro, uma faixa coberta de pedras era utilizada como avenida e carros, pessoas e vidas por ali passavam. Mas o muro da censura estava agora no meio da rua, transformando-a em um lugar morto, onde apenas soldados, carros e armas existiam. Seus olhos estavam assustados, sua boca gritava pelo nome de seus familiares. Atraindo a atenção dos soldados soviéticos postos do outro lado, algumas palavras e russo são ditas e rifles apontados na sua direção. Mas antes que algo saísse de controle, você percebe uma imagem vindo do lado oriental, um único homem, marchando raivoso.
    Gustav estava a poucos metros de distância.
    Um segundo tiro é disparado, sua mente ferve e uma dor incontrolável de cabaça o faz perder ligeiramente o equilíbrio. Era como se algo, guardado a muito tempo na sua mente finalmente estivesse se libertando, a verdade da fatídica noite. Você estava de pé, literalmente no meio de uma grande quantidade de pessoas próximas ao muro que começavam agora a correr com medo dos tiros, uma enorme confusão estava para acontecer.
    O terceiro tiro é dado e destrói a perna de um homem próximo a você.
    Caos, Gustav marcha na direção da tropa oriental.

    -Ulrich!? SAI DAQUI AGORA!
    Gritou uma voz feminina desesperada. Era tão familiar, tão doloroso e linda... Sofie estava gritando seu nome. Seus olhos se viraram para o lado Ocidental, Sofie estava correndo no fluxo contrário da multidão, ela corria para salvar você dos tiros.

    A verdade.
    Seus olhos acompanham Sofie correr na sua direção e você só conseguia pensar em uma coisa: A culpa era sua. Você estava assutado e escolheu tentar ver o lado Oriental, sua mãe estava lá, talvez sua irmã tivesse ido para lá também. Toda a tragedia que assolaria seu coração para sempre, era culpa da sua inocência mortal.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 29/3/2016, 01:02

    Ulrich não sentia direito os pés o frio fazia aquilo, ao ouvir o tiro o mesmo se abaixa rapidamente, ele via a perna do homem sendo destruída na sua frente por aquela bala, ele quase caia no chão com o horror que plantava em seu intimo. A latência em sua cabeça o fez cair de joelhos no chão, ao ouvir a voz de sua irmã o Tremere sentiu um frio profundo e sombrio, eram aquelas sensações de que algo de muito ruim iria acontecer, como se alguém do outro lado o estivesse avisando de algo, as lagrimas brotavam de seus olhos, suas mãos se fecharam e apertavam a neve escura.

    " Não...não pode ser...eu sempre me lembrei de tudo, eu estava com minha mãe não o contrario...não, não, tá errado, SOFIE..."

    Ele se levanta e começa a correr na direção de sua irmã, naquele momento sua mente não pensava como o Ulrich gentil que ele sempre fora, estava com medo de mais para perder aquilo que um dia lhe foi tirado, ele empurrava quem quer que estivesse em sua frente para chegar até sua irmã, mais ninguém ali importava para ele.

    - SOFIE...vamos! Só corre!

    Seu corpo inteiro doía por causa do frio e do stress que estava passando naquele momento, sua mente lhe dizia que ele foi o culpado por aquilo, era como ter sua alma arrancada do seu corpo, precisava salva-lá, em meio ao sofrimento e lagrimas ele estende a mão para sua amada irmã que a anos havia perdido de uma forma tão brutal e selvagem.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 29/3/2016, 16:43

    Você corre por meio da multidão em pânico. Sua percepção estava focada apenas na imagem preocupada da sua irmã que esticava os braços para agarrar com as mãos a sua mão e puxa-lo para perto. O toque dela era real, ela então diz afoita, apesar de não ser mais capaz de respirar ou de esboçar qualquer reação de cansaço humano, afinal, nessa época ela era uma Tremere como você também seria.

    -Se esconde Ulrich! Ali! Vamos, o que diabos você faz aqui?! Você sabe que ela já se foi...


    Ela ponta para o lado o mais próximo beco e segurando com firmeza a sua mão, ela corre conduzindo você até o local. Mas o caminho até lá não foi fácil, vários tiros começam a serem trocados entre as tropas inimigas, claramente as coisas estavam mergulhando em um caos gigantesco. E algo parecia muito errado na frase da sua irmã, ela estava se referindo à sua mãe... A cada instante a história que você havia memorizado, parecia uma mentira.
    Desviando das pessoas desesperadas, você dois chegam ao beco. Sua irmã o coloca contra a parede oposta ao tiroteio das tropas humanas e o olha com uma expressão de censura. Para em seguida abraça-lo com força e falar.

    -A sua imprudência ainda vai te matar irmão...

    Vocês dois estavam de pé, na entrada de um beco sem saída. Repleto de escombros, lixo e ruínas dos anos de guerra. Um carro estava soterrado no final do beco, uma grande lata de ferro cheia até o ponto de ser impossível de ser fechada, cheia de escombros. O chão estava empoeirado, com tijolos e as paredes repletas de furos de balas.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 29/3/2016, 17:30

    Ulrich não entendeu nada o que estava acontecendo ali, as palavras de Sofie soaram de forma estranha de mais, ao sentir o abraço o Tremere também retribuiu da maneira mais calorosa e amorosa que poderia ser feita, não havia descrição para a felicidade do mesmo, a dor que sentia não era nada, ele permaneceu assim por longos segundos, sentiu o cheiro do cabelo de sua irmã o que lhe fez agora ter lagrimas de alegria, suas mãos a tocavam de todas as formas, rosto, braços, cabelo, cintura, sua fala era de preocupação como de alguém muito mais velho agora.

    - Eu tó bem, mais e você Sofie, cê tá bem? Ninguém te atingiu não é? Por Deus, você está tão linda!

    Era como se o inferno que estava ocorrendo nas ruas fossem algo que ele estava a ignorar, novamente abraçou sua irmã e lhe um beijo na testa, agora estava ofegante de mais, seu coração lhe causava uma sensação que á anos ele desconhecia, a dor em seu estomago demonstrava sua emoção, ele se abaixa um pouco e se apoia na parede respirando com força, olhou para os arredores e viu que estavam em um beco fechado, logo ele fechou a cara e começou a analisar o lugar em meio as respiradas pesadas.

    - Quem se foi mana? Droga tem muito entulho com escombros aqui, devemos sair daqui, é um beco sem saída.

    Enquanto falava sua mão segurava a mão de sua irmã, ela era fria como o gelo só que para ele era sentir na palma de sua mão aquela brisa de outono gelada e acolhedora.

    " Está tudo diferente do que eu me lembro? Isso tudo é novo, não estava com Sofie...estava com minha mãe! E minha irmã estava com Valerius, elas sempre estavam juntas...nada está de acordo! Essa Magika que lançaram sobre Berlim poderia até mesmo distorcer a realidade, ou ainda, continuo nesse transe?...se eu estiver com elas não quero acordar!"
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 29/3/2016, 23:15

    Os tiros ecoavam por todos os lados, gritos de homens, mulheres e crianças. A dor parecia sem fim, a dor do frio, a dor da guerra e principalmente a dor de saber com todas as certezas desse mundo e de qualquer outro, que a sua irmã não estaria viva quando esse sonho terminasse, um sonho que a cada segundo se mostrava o mais terrível dos pesadelos já produzidos pela sua mente.

    -Como assim quem!? E que história é essa de ficar me chamando de bonita assim garoto? Agente tá no meio do fogo cruzado e tem um monstro vindo pra cá! Eu te expliquei mil vezes, a mãe morreu tentando cruzar o muro! Você tem que aceitar isso! Olha só onde você nos meteu, Ulrich! Nunca mais faça isso...

    Sua irmã falava com um tom preocupado de voz, tentando como sempre fazia, ser a irmã mais velha e lhe mostrar o melhor caminho para as coisas. Mas as palavras dela pareciam verdades, verdades que você não era capaz de se lembrar... Seus pais ficaram do lado soviético do muro enquanto vocês dois ficaram no lado ocidental, porque sua irmã estava morando com Valerius.
    Segundos após a fala dela, os tiros param. O medo espreme a sua coluna vertebral e os passos de alguém começam a ecoar pelo chão de pedra... Você sabia o nome do monstro e você sabia que era naquele instante que ele faria sua travessia para o lado Ocidental... Gustav estava à caminho.

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    Miac

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 29/3/2016, 23:51

    - Eu...eu não me lembro Sofie, eu só queria agradecer tudo que fez por mim até hoje, por que eu não consigo me lembrar irmã? Está errado! Eu estava com ela da primeira vez...eu estava!

    Ulrich respirava de forma ofegante por causa das dores que sentia, seus olhos ficaram arregalados ao ver que os tiros haviam parados, tudo iria recomeçar, estava em um sonho mais desejava com todas as suas forças mudar aquilo, as lagrimas brotavam de sua face corada por causa do frio, o mesmo olhou para cima e os telhados que davam para aquele beco.Ele falava de forma assustada.

    " Não ele não, me desculpe Sofie, mais você não fica mais aqui!"

    - Não quero te perder de novo Sofie, não dessa vez, eu vou descobrir o que aconteceu com minha mente, nossa mãe...mais...mais você não pode ficar aqui, Gustav está vindo e você deve sair daqui o mais rápido possível, eu te amo mana, só não resista.

    Era como tomar uma facada no peito, a dor era semelhante, o Tremere deu um passo para trás e estendeu a mão, suas veias dilatavam e o sangue fluía por todo seu corpo, sua mão estava com a palma virada para baixo e lentamente ele curvou os dedos, as veias de seu braço estavam saltadas e a musculatura de seu braço se fortaleci, seus olhos permaneciam fixos em sua irmã e ele começava a levitar ela para o alto do telhado.

    OFF: Movimento da mente n3: Força de vontade + 1 ponto de sangue gasto + 1 de força de vontade queimado = 6d10
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 29/3/2016, 23:51

    O membro 'Miac' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 6, 9, 6, 3, 1, 5
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 30/3/2016, 15:30


    Sofie olhou assustada para a sua execução da feitiçaria, incapaz de compreender como você seria capaz de levanta-la daquela forma a jovem tentou se libertar, movimentando o corpo com intensidade no ar, sabendo que seria inútil ela grita contra você.

    -Como!? Me coloque no chão AGORA! Gustav? Você não deveria saber dessas coisas irmão, esse é o MEU fardo não o SEU!

    O grito de Sofie era o único som que ecoava pelas ruas próximas de Berlim. Naquele instante, realidade e ilusão, lembrança e fato, sonho e pesadelo, eram uma única coisa: Tormenta.
    O Céu se partiu em dois, um barulho forte e poderoso se fez ouvir. A terra então tremeu abaixo dos seus pés e uma coluna de fumaça cinza subiu em direção a ravina nas nuvens.
    Era o primeiro tiro realizado por um dos tanques postos nos limites da muralha que separava os dois mundos, da muralha que separava os dois céus e que separaria daquela noite em diante, as duas cidades. O muro atrás das suas costas vibra como se fosse feito de madeira e os blocos de cimento se partem como folhas de papel. Seu corpo é arremessado para frente, caindo do outro lado do beco. Seus olhos veem o corpo de Sofie caindo no telhado da casa mais próxima, mas também veem uma figura tenebrosa atravessando a cortina de fumaça, fogo, destruição e corpos mortos.
    Gustav havia atravessado.
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 30/3/2016, 16:36

    - Sou teimoso o suficiente minha irmã, faço isso por você! Eu sempre assumi isso e você sempre soube, vai ser como nos velhos tempos, igual quando eu me trancava com nosso pai no quarto para você não o ver daquele jeito! Esse lugar...É UM INFERNO!

    Deu tempo de virar levemente o rosto antes de ser arremessado para o fundo do beco, o Tremere tossia e olhava para o céu, tonto por causa do impacto o rapaz se colocava de joelhos e limpava as lagrimas juntamente com aquela neve negra e suja, seu corpo travou ao notar que Gustav havia atravessado. Medo e confuso, era assim que Ulrich se sentia, não tinha como parar um ancião, ele nem mesmo se imaginava na frente de um e aquele que estava por vir, era o que lhe engatilhava o mais puro ódio e pavor. Aquele monstro lhe tirou tudo um dia e agora a cena se repetiria.

    - SAI DAQUI SOFIE! SE ME AMA MESMO MANA SAI DAQUI!!! BUSQUE VALERIUS...e nunca enfrente Gustav...

    Ele murmurou no final de sua frase, era doloroso de mais esse mundo, cruel e torturante, ele se levantava de forma desordenada, o frio e as dores assolavam seu corpo mortal, sabia das diferenças de poder era assustadora. Ele pegava uma pedra no chão e arremessava na direção de Gustav querendo lhe chamar a atenção, antes mesmo da pedra tocar o solo ou Gustav o mesmo já saia correndo para o outro lado, como quando fugia do jogo...só que aquilo que estava em suas costas não podia ser contido.

    Ele corria com todas as suas forças, limpava os olhos, pois sua visão ficava embaraçada por causa das lagrimas.

    " Vem atrás de mim...sniff...vou morrer!"

    OFF: Queimo dois pontos de sangue para aumentar em destreza. Destreza + Esportes T_T = 4 + 1 = 5d10
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 30/3/2016, 16:36

    O membro 'Miac' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 10, 10, 3, 10, 3
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 31/3/2016, 00:14

    A sua pedra acertou o corpo antigo do Kaiser do grande Império Alemão, O príncipe de Punhos de Ferro então voltou os olhos titânicos para a sua direção. Sua corrida desesperadora revelava a sua frente um caminho por uma rua destruída que levava ao interior do bairro de Tempelhof, um dos bairros centrais que no futuro abrigaria o grande aeroporto internacional de Berlim, mas nessa época de guerra e destruição, haviam apenas corpos estirados e feridos postos sobre a rua e calçadas. Uma enorme tropa ocidental descia pela rua que você começava a subir, a guerra estava à pouco de acontecer, quando o titã do clã Ventrue ordena.

    -Jovem. De joelhos diante o teu Kaiser. Teu sangue será alimento para minha fome.

    Era o poder do sangue de Caim, exposto na forma mais poderosa e milenar da dominação. Nem sequer aconteceu uma troca de olhar entre vocês, apenas a voz dele era o suficiente para dobrar seus joelhos e interromper bruscamente a sua corrida. A violencia daquela ordem era tão grande que você sente seus joelhos quebrarem quando batem contra o chão, a dor era maior do que a dor causada pelo frio e o sangue encharcava a sua calça.
    Em uma fração de segundos, o grandioso e imparável Príncipe estava a sua frente e com a mão esquerda ele o ergue do chão. Cravando as presas no seu pescoço e alimentando-se de você, mas os seus olhos vagavam por todo o arredor, eles viam a imagem de sua irmã descendo do telhado da casa  e correndo na direção de Gustav.
    Um grito em russo ecoa, as tropas soviéticas novamente apontam as armas e disparam.
    Um, dois, três, quatro, cinco. Dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta... Era impossível contar as balas e os barulhos agressivos que rompiam seus tímpanos. Sua irmã é alvejada por várias balas, assim como Gustav e você. A tropa ocidental no alto da rua se posiciona e abre fogo. Vocês tres estavam entre as duas forças que usavam munição pesada e letal.
    Sofie cai no chão com o corpo dilacerado pelas balas, o seu corpo se encontrava em frangalhos e a morte estava a tocar-lhe a alma. Mas Gustav permanecia de pé e a se alimentar de seu sangue.
    Não parecia haver nenhuma esperança para aquele tormento...

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 31/3/2016, 11:59

    Ulrich corria de maneira desordenada, pulando os escombros e até algumas pessoas que ali estavam, seu peito doía por causa do frio e a fadiga que lhe assolava o corpo. Quando ouviu a voz de Gustav não teve tempo de pensar, apenas obedecer, ao cair no chão ele soltou um grito de dor, tentou se rastejar para frente em uma procura falsa de conseguir sair dali, sua mão tateava a neve e sua cabeça se virou para cima ao notar que havia pego uma perna, ele se debateu com medo quando o Kaiser lhe levantava como se ele não pesasse mais que 5 kilos e por fim amoleceu o corpo ao sentir a mordida, procurou pela ultima vez o telhado onde sua irmã estava, desejava o ver vazio, as lagrimas brotavam de seus olhos novamente, ele tentou gritar mais já era tarte, seu grito mais profundo e doloroso veio junto com as rajadas de tiros abafando o som que saia de sua boca até o primeiro tiro lhe atingir, outro e outro.

    "...era...era só...não devia ter descido Sofie! ...somos dois teimosos no fim..."

    Não tinha forças nem para virar sua cabeça, se forçava ainda para conseguir olhar sua irmã, ele tentava estender o braço para a direção que sua irmã estava, apenas os dedos respondiam. Sua voz saia fraca como um ultimo suspiro de uma afronta que apenas ele realizou em toda sua não-vida o Ódio que sentia por aquele homem.

    -...es...que sua queda...coff...seja eterna...FALSO...PRÍNCIPE!
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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Danto em 31/3/2016, 15:46


    As suas palavras enfureceram os céus que responderam a elas com um único trovão. Trovão esse que partia as nuvens negras que faziam um verdadeiro dilúvio cair sobre a terra, a chuva torrencial se mistura ao cinza do concreto, ao preto da pólvora e ao vermelho do sangue dos inocentes.Mas não foi apenas a fúria dos céus que suas palavras despertaram, o ancião que bebia do seu sangue o atirou contra o chão e urrou como uma besta milenar que era. Você sentia seu corpo morto, ferido por tiros, ferido pelas mãos do príncipe de punhos de ferro e principalmente, ferido por causa da morte brutal de sua irmã.
    Você estava morto e em seu leito de morte a verdade finalmente pode surgir em frente aos seus olhos, uma verdade que apenas você tinha e que poderia significar muito, uma verdade que mudara para todo sempre a sociedade cainita de Berlim. Mas apenas os olhos de um humano, o único sobrevivente do holocausto de 14 de Agosto de 1961...

    Gustav se movimenta em meio a chuva em direção ao seu corpo, mas antes que o ancião fosse capaz de pronunciar qualquer palavra. Algo o acerta, um homem alto e forte como apenas um gigante poderia ser. Esse gigante acerta um soco na face de Gustav e você ouve o som da face do mesmo rachar. Seus olhos estavam a observar o Peter Kleist, senescal da corte Ocidental, enfrentar diretamente seu próprio Senhor. Mas a verdade não era essa...

    -Você não é o meu irmão. Como ousas assumir a face do mesmo e usurpar os domínios dele?! Quem é você criatura insignificante?

    A voz de Peter era grossa e pesada como apenas os trovões eram capazes de ser. E em meio a chuva, o falso Gustav se colocava novamente de pé enquanto o sangue tratava de curar a ferida causada pelo soco desferido por Peter. E surpreso, o homem indaga o senescal.

    -Magnus?! Como você pode estar vivo?! Meu Senhor nos contou sobre a tua morte a anos atrás... Saia da minha frente! Ou entrefará a fúria do verdadeiro Príncipe de Berlim!

    Peter, que era chamado pelo nome de Magnus pelo homem que usava a face de Gustav, então responde de maneira ríspida.

    -Criança impetuosa e egocêntrica. Que o sol destrua a tua alma!

    E em uma fração de segundos uma batalha monumental é travada entre os dois, a sua consciência então começa a falhar, seus olhos são capazes apenas de ver fragmentos do conflito entre os dois. Os soldados de ambos os lados tentam, sem sucesso, abater os dois monstros. Seus olhos então se fecham, sua vida estaria acabando naquele momento... A chuva lavava o sangue das suas feridas e segundos antes do seu último suspiro, alguém o segura pelo braço e começa a arrasta-lo.
    Seus olhos então se abrem para ver a imagem de Peter Kleist, ou Magnus, sem um dos braços arrastando você pela mão em direção a um dos becos, o homem encosta suas costas em um enorme bloco de concreto.
    A luta havia acabado, a guerra e a chuva também.
    Ele olha profundamente nos seus olhos e diz.

    -Você esta morrendo jovem, mas eu posso salva-lo. Meu sobrinho cometeu graves falhas e caberá a Deus agora terminar com sua vida... Sinto muito pela vida de tua irmã, sinceramente, eu deveria ter chegado mais rápido para ter salvo vocês dois. Mas permita-me que eu salve pelo menos um inocente em meio a tanto caos e ódio, abra a tua boca e beba meu vitae. Irá impedir que a tua morte chegue e irá curar as suas feridas mais graves.

    O poderoso ancião então leva o único braço em direção a própria face e rasga o punho com as presas, o sangue dele era antigo e potente, mais antigo e potente do que qualquer outro dentro da cidade de Berlim. Ele então leva até os seus lábios esperando que você fosse capaz de beber.

    [Off: Ultima ação para o final do ato]
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    Miac

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    Re: Ato VIII - Narrativa de Ulrich: Sanctuary I

    Mensagem por Miac em 31/3/2016, 16:38

    O Tremere era jogado como nada no chão, aquilo o fez cuspir sangue pela boca, já estava começando a parar de sentir as dores, não por que estava se recuperando mais sim pela morte que vinha em sua direção, já não tinha mais forças para se movimentar, os tiros, ser arremessado por Gustav e ver sua irmã sendo morta daquela maneira o fazia não ter mais forças para nada, talvez no fim a loucura nós domine, ele permaneceu olhando diretamente para o Kaiser, seus olhos já estavam mortos, nem mesmo com a água batendo em seu rosto ele expressava alguma reação, seus lábios já estavam pálidos.

    " Falta tirar minha vida não é!...vai me fazer...favor!"

    Ulrich se espantou ao presenciar aquele soco, pode admirar e guardar aquela imagem em sua memoria, ele sorriu de uma forma fraca e tossia sangue pelo esforço de tentar soltar algum som, com os olhos se fechando como se estivesse sentindo muito sono ele conseguia ouvir os dois anciões falarem.

    " Não é Gustav...Irmão...Magnus...senti ódio de alguém...alguém que nem mesmo sei quem é..."

    Aquilo parecia um sonho, não tinha como descrever aquela cena, os flashes que vinham era de dois guerreiros lutando de uma forma nunca vista, por fim não ouvia mais nada, era como dormir, só que ainda dava para sentir algumas coisas, seus olhos abriam assustados pelo som forte de passos sobre o gelo e água, seu braço estava estendido e ali está o homem que o falso Gustav chamara de Magnus.

    " Por que?"

    Ulrich ouviu Magnus, não podia fazer muita coisa, mas, quando ele mencionou sua irmã o mesmo apenas fez negação com a cabeça para que ele não se desculpasse por aquilo, o que por toda sua vida estava adormecido em seu interior era uma mentira, uma farsa, falsas lembranças e um ódio por uma criatura que nem mesmo era quem ele pensava que fosse. O quanto ele tinha sido enganado e o quanto se enganou até hoje, o sangue que ele um dia amaldiçoou agora estava lhe dando a chance de seguir em frente. Ele aceitava o sangue Ventrue e desejava continuar vivo com todas as suas forças.

      Data/hora atual: 24/6/2017, 17:53