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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

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    Danto
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    Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 1/4/2016, 00:40

    Julho de 1902, Paris.


    O verão boreal de Paris era provavelmente o mais lindo de todos os verões europeus, mas para Pietra o verão da Cidade Luz sempre irá representar o amargo sabor do desprezo e da vergonha.
    Seus olhos se abriam e lentamente se acostumavam com o trágico quarto dentro da corte de Paris onde você havia se isolado após o aprisionamento de Evangeline. O Xerife da corte, após receber informações dadas pelas harpias locais, descobriu seu envolvimento com a problemática e herege Filha da Cacofonia, uma linhagem repudiada pelos mais tradicionais do clã Toreador na época.
    Apesar do século XX já se fazer presente, a decoração interna da corte de Paris permanecia intacta a grande tradição da alvorada do grande Império de Napoleão, haviam tantos detalhes, todos eles desinteressantes a sua percepção da época. Já que nada a consumia mais do que a dor de saber que sua amada estava presa, sob torturas e ameaças contra a própria vida...
    Mas a dor e a tristeza de uma alma censurada foi rapidamente unida à mente experiente e antiga de Berlim. O processo de transição foi bem mais rápido do que a vez anterior, a experiência imposta pela maldição parecia não possuir um fim.


    Seus olhos passavam por todos os detalhes, incluindo o único quadro ali pendurado. Era um quatro feito por Violleta, um presente que na época foi completamente ignorando por você, mas que agora possuía um sentido especial. Era uma dama, a observa-la em sua maior tristeza e angústia, uma maneira de dizer subjetivamente à você que havia ainda alguém que olharia por ti. Em meio a reflexão, alguém bate a porta...
    O pavor lhe subiu a espinha, o corpo da jovem Pietra estremeceu. Você sabia exatamente o que aquela batida significava, era uma dama da corte enviada para notificar a chegada de seu Senhora à corte. A grande humilhação aconteceria em algumas horas e seria feita na frente de todos os mais tradicionais membros do Clã das Rosas.

    -Senhora Rafaldini, com licença. Boa noite, trouxe-lhe alimento, vestes e um pouco de água...

    A porta então se abre e quem adentra seu quarto é Marcelle, a primeira prole da experiente anciã Elsa. Ela faz uma reverencia adequada e breve, você nem sequer se lembrava da face daquela bela jovem, muito menos da existência dela nesse dia.
    Sua mente era apenas capaz de imagina os terrores que eram afligidos a Evangeline e que ela poderia estar morta... Mas a experiência de Berlim lhe dizia que Evangeline sairia ao seu lado, viva e determinada de Paris. Assim foi possível atentar-se a figura inocente e calma de Marcelle, que se dedicava todas as noites a lhe servir durante seu isolamento auto-infligido. Trazendo-lhe água para limpar-se, vitae de humanos em pequenas taças delicadas de porcelana e vestes limpas.
    O mais interessante era o fato de ninguém nunca ter dado à ela a função, era apenas algo que ela fazia de bom grado... Você realmente não era capaz de se lembrar das poucas, mais muito boas almas, que existiram em Paris.

    A jovem adentrava então com um carrinho de prata, no primeiro piso haviam alguns jarros e bacias de prata com água. No segundo piso, um jogo de quatro taças de porcelana oriental, lindas, com vitae fresco. No braço esquerdo da jovem, havia um belíssimo vestido azul... Você possuía aquele vestido até hoje em seu armário em Berlim, era o vestido que você usou no corpo na noite da sua fuga da corte.

    Marcelle:


    Última edição por Danto em 2/4/2016, 15:53, editado 1 vez(es)
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 1/4/2016, 01:49

    Pietra tentou se agarrar ao colo de Violleta, mas a maldição caída em cima de Berlim foi mais forte. Abrindo os olhos a cainita sentiu o medo tomar conta de seu corpo enquanto as duas mentes a velha e a nova voltavam a se mesclar.

    " Então chegou a hora... A hora de enfrentar o criador e o monstro que a figura de Elonzo representa..."

    Sentando-se na cama Pietra observou cada detalhe do quarto onde havia por muitas noites chorado por seu destino, cada pequeno detalhe havia se apagado da mente da cainita quando abandonara aquele lugar. Os olhos acastanhados de Pietra se voltaram para a pintura depositada logo a frente da cama.

    O presente de Violleta e sua representação materna tocaram profundamente o coração da italiana. O som das batidas fez com que tanto a jovem e a antiga Pietra sentissem medo. As lembranças difusas demais daquela noite ainda permeavam a mente da anciã, e no coração da ancilae o medo do desconhecido era palpável.

    " Controle-se... Tu não podes falhar com Violleta... Não depois do perdão que ela concedeu.."

    Forçando seu corpo a se levantar Pietra encarou a figura esquecida e bela de Marcelle, o conhecimento do futuro trágico da jovem fez com que Pietra sentisse seus olhos lacrimejarem, controlando-se para não chorar.

    Respirando fundo Pietra devolveu a mensura, seus olhos se apegavam a imagem de Marcelle e sua bondade, a italiana sabia que a perda daquela criança deveria ter sido um golpe duro para Elsa.

    - Sempre foste tão atenciosa com a minha pessoa... Me sinto culpada por não poder retribuir da forma correta... Fico feliz em te-la conhecido Senhorita Marcelle...

    Se aproximando da cainita mais nova Pietra pegou com delicadeza o vestido azulado escolhido para aquela noite, passando com suavidade a mão sobre os detalhes deste Pietra se lembrou que mesmo o mantendo consigo aquela seria a ultima noite que o usaria.

    - Obrigada por tudo que fizeste para me ajudar... Eu não teria aguentado meu carcere sem sua presença...
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    Danto
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 1/4/2016, 19:24

    A doce Marcelle olhou você, claramente surpresa com as suas frases. A surpresa não era algo inexplicável, pelo contrário, ninguém mais do que você sabia que as palavras não saiam dos seus lábios durante o seu carcere, nenhum sorriso e não era atoa que a tua mente havia deletado os detalhes daquele quarto, a própria imagem de Marecelle e muitas outras coisas... A dor sempre inflige traumas profundos nas almas daqueles que ainda preservam a humanidade.

    -Perdoe-me pela falta de postura e educação, minha Senhora, nunca ouvi a tua voz antes... Não sei exatamente como lhe responder, apenas faço o que acredito ser o correto. Entendo a sua dor e a tristeza que lhe prende à cama... Quando fui abraçada, ouvi muito sobre você, sobre sua arte... Escolhi servir a ti e é com muita felicidade que escuto suas palavras. Mas tenho péssimas notícias..

    A jovem fez uma breve pausa no final da frase, olhou para os lados e se aproximou para cochichar.

    -Acredito que alguns anciões italianos chegaram na corte....
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    Jess

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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 1/4/2016, 20:21

    As palavras de Marcelle fizeram com que Pietra assentisse com leveza, a cainita se lembrava bem do vazio deixado pela falta de Evangeline em seu carcere, na época tudo havia perdido o colorido e a beleza para seus olhos.

    " Tudo naquele tempo me passou despercebido... Não posso culpa-la... Não seria certo... Seriamos sidos boas irmãs..."

    Depositando o longo vestido na cama, Pietra andou até Marcelle segurando delicadamente as mãos da mesma, um fino sorriso se formou nos lábios da cainita mais velha.

    - Uma hora isso iria acontecer... Peço desculpas por minha antipatia, dificilmente eu poderia ser gentil sem uma parte minha... Uma pena que nos conhecemos em meus piores dias... Eu teria adorado criar algo para você... Mas acho que depois desta noite não sera possível...

    Beijando com suavidade as mãos de Marcelle a mais velha sorriu com um leve suspiro ao apontar para o quadro recebido por Violleta.

    - Fique com ele... Não é de minha autoria, mas veio de alguém com quem eu me importo... Tenho certeza que ela não sim importará...
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 2/4/2016, 16:07

    -Ficar com ele? Minha Senhora, eu não poderia... Não tenho palavras em meu vocabulários capazes de agradece-la da maneira mais apropriada. Agora, preciso me retirar e preciso também notifica-la de que a sua presença se fará necessária, por bem ou por mal, na corte. Pelo menos foi isso que eu ouvi ser comentado na noite passada.

    Você se lembrava precisamente de como funcionava "por mal". Suas memórias eram dos capatazes do Xerife invadindo seu quarto, arrancando-lhe à força de sua cama e arrastando-a como uma qualquer pelos corredores. Os olhares dos servos, dos neófitos e dos antigos... Todos os olhares a observarem com desprezo a cena triste daqueles brutos removendo você contra a sua vontade até a presença do Príncipe de Paris.
    A jovem Marcelle fez uma reverência, para então sorrir para você com uma candura especial e enfim, retirar-se do quarto. Deixando-a sozinha mais uma vez dentro daquele local triste e solitário. Seus olhos eram capazes de ver as marcas feitas pelas suas unhas na madeira da cama, marcas causadas pelas crises de choro. Manchas profundas na madeira aos pés da cama, resultado das suas lágrimas e dor. Pequenos detalhes que sua antiga memória não eram capazes de ver, a cortina a frente da janela, sempre fechada que impedia a entrada das luzes da noite de Paris...
    As luzes... Era estranho perceber como as luzes sempre dançavam em frente a sua janela, sua versão mais jovem sequer se preocupava com aquela luz, mas a sua experiência como anciã de Berlim lhe dizia que havia algo à mais naquelas luzes, um padrão, uma tentativa de comunicação. Alguém passou várias noites tentando atrair a sua atenção. Como você nunca havia percebido isso?
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 2/4/2016, 21:55

    Pietra devolveu a mensura de Marcelle com um sorriso suave no rosto, um leve agradecimento ecoou pelos lábios da cainita quando o aviso de que sua presença seria requirida foi feito.

    - Logo estarei pronta... Tenha certeza...

    Sozinha novamente no quarto Pietra encarou cada detalhe a sua volta, as marcas profundas de dor que exalavam do comodo, detalhes e lembranças esquecidas por auto preservação de sua mente.

    " Entendo meu eu mais jovem querer esquecer tudo isso..."

    Os olhos de Pietra que varriam o quarto se abriram mais em um sinal de surpresa ao ver a luz dançante a frente de sua janela. Na epoca o que passou despercebido para a partida cainita agora se revelava algo muito mais importante para a anciã.

    Respirando fundo Pietra retirou a roupa de dormir enfiando-se o mais rapido em seu vestido, levaria ainda algum tempo para que sua presença fosse requisitada mas era prefirivel estar pronta quando ocorresse.

    " Quem?! Quem?! Poderia ser?!"

    Perguntava-se a cainita ao abrir a janela, apoiando-se no parapeito desta Pietra esvaziou a sua mente deixando-a seguir uma unica direção. Usaria a luz como um farol para seus pensamentos, e neles uma unica pergunta se fazia:

    " Quem quer falar comigo?"

    Off: Teste de Inteligência + Lábia +1FV (dificuldade igual a força de vontade do alvo), para usar Telepatia.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 2/4/2016, 21:55

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 6, 1, 5, 2, 4, 9, 3, 6
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 2/4/2016, 22:45

    A cortina é aberta, assim como a janela e seu corpo é estendido sobre o parapeito. Um vento suave e frio tocou-lhe a pele e dançou em seus cabelos, seus olhos incrédulos com a visão se esforçavam a manter-se sãos devido a beleza que esteve todos as noites do lado de fora de seu carcere... A corte de Paris sempre ficou no interior do majestoso palácio de Versailles e a sua janela possuía uma visão única de uma dos vários ambientes do extenso jardim daquela magnífica construção humana.


    Mas haviam prioridades maiores do que apenas observar a beleza daquele jardim, que sua mente naturalmente modernizava para um cenário mais próximo do século XXI, e não necessariamente era capaz de se lembrar de como o jardim era durante aquele período histórico. Sua lógica racional estava a adaptar os fatos e detalhes mais distantes da sua memória...
    O seu vitae poderoso então a permitiu enviar para a luz que vinha dos arredores da fonte do jardim, uma mensagem simples. Que não parecia ser respondida por ninguém ou sequer ouvida. Mas ali você permaneceu, com as mãos apoiadas no parapeito e os cabelos ao vento, aguardando durante alguns segundos que pareceram minutos, até que seus ouvidos escutam uma pequena melodia. Os insetos dos jardins estavam a ressoar e sua mente vazia dos impulsos melancólicos dessa realidade e da experiência de Berlim, foi capaz de compreender finalmente o que estava acontecendo...


    A luz não era natural, não vinha de nenhuma fonte específica e muito menos esteve ali durante todas as suas noites. Não... Aquela luz vinha de outro lugar, era alguém tentando encontra-la de uma realidade muito distante. A grande verdade que circundava aquela turbulenta experiencia estava expressa nos pequenos detalhes, não era um sonho, muito menos um pesadelo. Era uma representação da sua própria consciência sobre os acontecimentos. Isso faria o seu encontro com Violleta ter sido real, mas não necessariamente físico ou inserido no tempo-espaço que regia o universo em si. Mas em um tempo-espaço que rege o subconsciente dos seres pensantes, em outras palavras, você e todos os outros que estavam sobre aquele encantamento, estavam literalmente na terra do sonhar...
    A luz então iluminava diretamente a sacada da sua janela, mais precisamente, as vinhas que se entrelaçavam junto as colunas que suportavam o parapeito. As vinhas então começavam a se movimentar, era como assistir o mais belo espetáculo da natureza, pois ela estava a construir uma forma em frente ao seus olhos e do interior daquela forma similar a de um broto, surge uma face. A face de uma mulher.


    De uma força que você não era capaz de explicar, mas era perfeitamente capaz de sentir. De olhos e lábios fechados ela diz.

    -Você conhece Priya, O Espírito de Müggelsee?!
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    Jess

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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 3/4/2016, 00:19

    A beleza de Versailles, Pietra observou o jardim por alguns instantes se perdendo em sua magnifica extensão e verde. A natureza bela do lugar delicadamente moldada pela vontade humana deixava o ar quase magico, porem a tragedia que aconteceria a qualquer momento havia apagado aquela beleza.

    A brisa fria assim como o toque gélido do parapeito trouxeram a mente de Pietra de seus devaneios, seu sangue potente e antigo a fez permanecer ali, encarando a luz enquanto sua mensagem não obtinha respostas.

    Os olhos acastanhados de Pietra teriam desistido da luz e se preparado para o pior se alguma coisa nela não a chamasse, não dali mas de outro lugar, distante e impossível de se visualizar, como um chamado ecoando no tempo e no infinito espaço...

    O minimo reflexo do que estava acontecendo fez com que o corpo de Pietra estremecesse, o sonhar imposto, cada pessoa caída pela maldição, todos os pensamentos e vontades estavam interligados e costurados como uma colcha de retalhos feita a mão, cada ponto um pensamento e cada novo pano um mundo inteiro de memorias sensoriais e sonhos, um cainita adormecido.

    " Como alguém consegue dominar o reino de Morfeus com tanta facilidade?"

    Saber que suas ações e de Violleta eram o reflexo conjunto de suas mentes fadadas ao um estado semi adormecido faziam com que Pietra estremecesse diante daquele poder imensurável, estar no mundo dos sonhos e vê-los misturados ao seu passado era grandioso e aterrador.

    Guiada pela luz a cainita abaixou o olhar para as vinhas de sua sacada, o espetáculo criado pelas plantas se assimilavam em muito as lendas das dríades que habitavam as terras gregas, a imagem porem era muito mais bela do que Pietra um dia pudera imaginar.

    O rosto que se formou entre as colunas verdes pelas vinhas, o rosto feminino e de lábios e olhos fechados. A mente da cainita foi simplesmente tomada por ele, quando sua voz ecou tomou Pietra com força, os lábios da cainita se abriram em uma resposta, porem o silencio os dominou fazendo que fosse a mente desta que respondesse.

    - Sim, Priya, O Espírito de Müggelsee ou o própio Müggelsee... Nós fomos apresentadas...
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 4/4/2016, 17:59

    Toda a vegetação próxima da sua sacada reagia com intensidade a presença daquele ser, a impressão era de que as raízes, cipos, caules, folhas e troncos, estavam entreligadas por algo muito maior e especial e que esse ser era capaz de se comunicar e agir como todas as plantas ao mesmo tempo, em nenhum instante em que a face continuava exposta, as plantas se silenciavam ou ficavam estáticas. Estavam mais vivas do que nunca, a se mover lentamente e com barulhos de madeira rangendo e plantas ao vento.

    -Priya tem uma mensagem para aqueles que a conhecem. Priya diz, para aqueles que a conhecem, que não há realidade ou sonho diante seus olhos, há memórias e desejos. Todos unidos através da vontade. Priya diz para aqueles que a conhecem que não há outra maneira de sair a não se pela própria vontade daqueles que aqui foram aprisionados. Se não houver vontade suficiente, não haverá despertar. Fácil será, perder-se dentro dos próprios sonhos, desejos, medos e paixões. Difícil será erguer-se sobre esses, olhar o horizonte e ter a vontade necessária para voltar. A mensagem de Pryia para aqueles que a conhecem termina assim, afirmando que o que você vê é o que você quer ver, o sentir e o perceber são expressões da vontade daqueles que sentem e percebem. Um passo à frente, mãos firmes e olhos determinados.

    Diz o ser de face feminina, mas que manteve sua boca e seus olhos fechados. Ao terminar de se comunicar telepaticamente, ela não esperou sequer a sua resposta. O encanto da luz guia parecia encontrar seu fim, as plantas, vinhas e flores começavam a retornar rapidamente a seus lugares originais e a face era encoberta pela própria natureza e começava a desaparecer.
    Uma batida forte é dada a sua porta.
    Uma batida forte capaz de ecoar profundamente na natureza mais bestial do seu ser, havia chegado a hora e o horror iria destruir a sua carne, a sua mente e a sua moral mais uma vez.
    Era a batida dada pelas mãos do Xerife da corte de Paris.
    A segunda batida é dada e o ser desaparece completamente, o encanto era rompido na mesma velocidade que o medo lhe subia a espinha. Os contornos do jardim começavam a se embaçar e a ficarem distantes, afinal, sua consciência jovem era incapaz de descrever aquele jardim, ou sequer aquela sacada. Mas ela era perfeitamente capaz de lhe descrever a fúria do Xerife.

    [Off: Teste de Coragem]
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 4/4/2016, 22:23

    O encanto lançado sobre as plantas de sacada roubaram a atenção de Pietra, seus olhos e mente se entregavam aquele ser mitológico de sua infância, porem o nome de Priya fazia com que a mente da toreadora não se perdesse por completo. Presa nas palavras da dríade a cainita estudava cada palavras e seus inúmeros sentidos.

    " Desejo... Mas porque eu desejaria passar por isso de novo?! Não... Não é o desejo mas sim a culpa... Culpa por ter falhado com Violleta e até mesmo esquecido a singela Marcelle... Eu sempre me culpei por isso, principalmente depois que Violleta chegou em Berlim... "

    As batidas... Elas quebraram todo o pensamento de Pietra e desfizeram com rapidez o encanto da luz, o medo tomou o corpo da jovem e da anciã fazendo com que os nós de suas mãos ganhassem a tonalidade branca ao apertar o mármore da sacada.

    Uma arfada longa tomou o peito de Pietra quando esta se virou para encarar a porta, ser destruída e destroçada daquela forma novamente só a prenderia naquele mundo e todo o corpo da cainita sentia isso gritar em sua mente, a anciã tentava tomar o rumo dos pensamentos enquanto o corpo da mais jovem tremia.

    - Eu não quero estar aqui... Não ha nada que me prenda aqui e reviver meu passado não me trara nenhum bem... Meu passado não vai mudar mesmo que se eu desejar, mas meu presente precisa de mim e mais do que nunca precisa que eu seja forte... Eu tenho um Festim para realizar e tenho assuntos inacabados em Berlim... Eu não quero estar aqui... Por que o aqui não me pertence e não me agrada... Eu sou Pietra Rafaldini, Bispo de Berlim, ha muito deixei de ser Pietra a criança de Elonzo...

    As palavras da dríade tinham força dentro da mente da cainita, que aos poucos fechava o cenho encarando a porta de seu quarto, para Pietra aquela era uma prisão que não poderia segurar seu espirito ou sua vontade de viver.


    [Off: Teste de Coragem 3d10
    Raciocínio + Consciência 8d10 para manter a linha de pensamento.]
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 4/4/2016, 22:23

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 4, 8, 7

    --------------------------------

    #2 'D10' : 10, 5, 8, 2, 8, 3, 10, 10
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 5/4/2016, 00:07


    Suas palavras eram ditas e algo as ouvia...
    As batidas na porta pararam, os sons dos passos do lado de fora também. O silêncio impregnou todos os arredores e cômodos da corte de Paris, nem sequer um único soar de existência era possível de ser percebido.
    Não havia mais nada desse lado... Um impacto forte lhe atingiu o corpo por inteiro...
    Uma enorme força lhe agarrava, fazendo uma pressão igual em todas as partes do seu corpo. Era como se um enorme gigante lhe pegasse e espremesse com o desejo de transforma-la em pó. Mas havia apenas a pressão, não havia dor, seus ossos não se partiam...
    Um grande impacto então rompe o silêncio. Sua vontade foi atendida.
    Uma enorme ventania começa a destruir o palácio de Paris, arrancando em questão de segundos o telhado que estava sobre a sua cabeça. Seus olhos então veem o mais profundo desespero...
    Casas sendo engolidas pelos ventos, pessoas sendo arremessadas pelas forças daquele tornado, chocando-se contra os escombros, seus membros se partiam e vidas eram devoradas pela fúria daquele que ouviu as suas palavras.
    Incontáveis almas eram engolidas pelo céu mais macabro que seus olhos já haviam visto em toda sua vida.


    As nuvens rubro-negras rodopiavam em caos em torno de um circulo negro, tão negro quanto o abismo. E as vidas eram atiradas diretamente para aquele profundo e profano círculo negro.
    Você não era capaz de compreender profundamente o que estava acontecendo, mas algo lhe dizia - como se fosse uma verdade que havia sido talhada nas profundezas mais intimas da sua alma - que o sofrimento de todas as almas da cidade de Berlim estavam tingindo aquele céu de vermelho, toda a corrupção, toda a destruição e os mistérios sórdidos, tudo estava sendo concentrado naquele céu e o mesmo estava próximo de explodir.
    A explosão atingiria e o abismo e do abismo ela chegaria a realidade.
    Porque era assim que os manipuladores do abismo fazia, você se lembrava perfeitamente de Rahel e a viagem pelo abismo que vocês dois haviam feito. O sangue corrompido de Caim traria o céu vermelho para Berlim!
    Seus olhos então se fecharam e a sensação de "viajar pelo tempo" se fez presente mais uma vez. Entretanto, quem conduzia o caminho agora era você e seria necessário conhecer Pietra Rafaldini.

    ...


    27 de Setembro de 1911, Catedral de la Almudena, Madrid.

    Catedral de Santa María la Real de la Almudena, era uma das mais tradicionais e belas estruturas da paisagem urbana da grandiosa cidade de Madrid, Espanha. Dentro dela se estabelecia a sacra arquidiocese da Igreja Católico Romana de Madrid, havia lá para os olhos mortais, era a morada do alto clero e de toda a tradição católica que flui intensamente nos costumes de todo o nativo daquela cidade.
    Para os imortais e descendentes de caim, a Catedral também possuía seus maiores líderes e alto clero. Assim como as maiores tradições e forças que faziam o sangue de Caim fluir pelos habitantes da cidade.
    O lema da construção da cidade de Madrid ressoava suavemente em sua mente:
    "Fui sobre agua edificada, mis muros de fuego son. Esta es mi insignia y blasón".
    Uma pequena lembrança que poderia conversar tão abertamente com a própria formação de Pietra Rafaldini, bispo da Espada de Caim da cidade de Berlim. A aranha.
    Você sabia exatamente o que a aguardava naquela noite, o grande Festim de Madrid. Essa seria a noite que você seria apresentada a Artur. A noite em que Evangeline passaria pelo seu rito de criação e a noite em que forjaria as muralhas de fogo que circundam a poderosa anciã do Sabá que você havia se tornado.

    Dessa vez, não havia diferença nenhuma entre a antiga e a atual consciência ou corpo. Era apenas você, com toda sua experiencia, de pé e observando diretamente a majestosa catedral.
    E do interior da mesma, seus olhos observam a saída de uma das mais notórias e tradicionais cainitas da espada de Madrid, prole do próprio Cardeal Monçada, Maria Sandoza, a Grande Inquisidora. Você se lembra perfeitamente desse encontro que havia sido uma verdadeira casualidade do destino, ou assim, você sempre havia acreditado.

    -Boa noite, quem exatamente seria você?!

    Indaga a mulher que caminhava na sua direção.


    Maria Sandoza:
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 5/4/2016, 01:14

    O silencio que se formou, pesado e denso, Pietra sentiu um frio percorrer por toda a extensão de suas costas, até mesmo o ar que a cainita teimava em colocar para dentro de seus pulmões estava quieto. O vazio tensionou cada músculo do corpo de Pietra, como se a preparasse para o turbilhão de acontecimentos que se seguiria.

    Sentindo seu corpo ser pressionado Pietra se arcou para frente quando o vento começou, era com estar presa dentro do olho de um tornado tamanha a força e selvageria do vento, mas o pior ainda era encarar o rubro céu de Berlim. O abismo refletido no rubro, o olho que a tudo devorava...

    Pietra abraçou o próprio corpo em um sinal claro de defesa contra aquilo que sua consciência não conseguia compreender ou mensurar o poder.

    " O que esta acontecendo a Berlim?! Sera que o abismo encontrou as portas celestiais e agora brinca conosco..."

    Fechando os olhos Pietra sentiu o corpo ser tragado pela sensação de viajar, ao contrario das outras vezes foi o consciente de Pietra que a guiou, sem saber como a cainita apenas seguia em frente.

    Quando seus olhos se abriram a bela e ilustre imagem da Catedral de Santa Maria tomaram o acastanhado dos olhos de Pietra, um suave sorriso se fez em seu rosto.

    As palavras que descreviam a criação da cidade de Madrid pareciam ter sido talhadas na memoria da cainita assim como em sua alma, percebendo seu próprio corpo como único a filha das rosas olhou para o pórtico da igreja.

    " Meu primeiro passo para ser quem eu sou..."

    Aquela noite, tantas coisas circundavam aquela noite, tantas escolhas e gestos, Pietra se lembrava daquela noite com perfeição.

    Percebendo a figura da renomada Maria Sandoza, a cainita respirou fundo, aquela mulher por si só inspirava respeito e temor, lembrava em muito a figura de Elizabeth e sua força.

    " Oque esta me reservado agora?"

    - Pietra Rafaldini, senhora Sandoza... Estou aqui para minha apresentação para a Espada...

    As palavras calmas de Pietra transpareciam a confiança que cainita sentia, mesmo assim estar diante de alguém tão importante para Espada era um peso que Pietra sentia em suas costas.
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    Danto
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 5/4/2016, 05:21

    Sandoza, a Grande Inquisidora, Herdeira das Chamas de Miguel e prole do Cardeal de Madrid. Os títulos daquela mulher eram enormes e você tinha certeza de que ela não era uma das mais antigas cainitas do Sabá ou da Camarilla, mas a grandiosidade dos seus feitos eram simplesmente incontestáveis. Uma força em nome de Deus contra os infiéis, uma ceifadora de cultistas e principalmente, uma tradicionalista da essência do verdadeiro Sabá.
    Era por causa de cainitas como ela que a Espada havia se estruturado com tantas semelhanças com a Igreja católica, a força do clã Lasombra dentro da Espada era simplesmente avassaladora e inigualável, apesar dos poderosos Tzmisces se esforçarem, o Sabá sempre será uma lâmina forjada pelas mãos da linhagem italiana de manipuladores do abismo.

    Ela então observa você e faz um sinal para você se aproximar, estendendo a mão direita na sua direção e aguardando o beijo que deveria ser dado especificamente sob o anel de prata posto no indicador. Era o único anel e joia que a dama utilizava em seu corpo, algo raro para uma mulher tão renomada, de origem da mais alta nobreza espanhola. Mas os votos de humildade exigidos pelo ofício faziam dela, uma bela, mas simples mulher.

    -Você é a companheira de Eva, a Sedutora. Correto? Acredito então que tenha caminhado até a catedral para presenciar o ritual de criação da mesma. Ao olhar para teu tom de pele, posso presumir que seja uma Anciã. Mas não há glória, orgulho ou qualquer sinal de uma tradicional cainita da família das Rosas... Não estou censurado a sua apresentação, não entenda dessa forma, mas essa noite estaremos a realizar um Festim em homenagem a nova geração de jovens reforços à Espada. Seria grandioso incluir você a lista de apresentações diante os olhos do Cardeal. Entretanto, pergunto a ti, o que desejas?
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 5/4/2016, 12:31

    Nomes e atos feitos por pessoas como Sandoza que faziam da Espada o que ela realmente era, a força destruidora de seus inimigos e a grande capacidade tatica haviam criado a fama dos filhos da Espada. Mas entre suas fileiras haviam os jovens que em força e poder superavam em muito os inertes anciões da Camarilla e sua politica.

    Havia muito tempo que Pietra abandonara sua fé no divino e nem por isso a cainita deixava de admirar os feitos da Igreja Católica ao longo dos anos, estruturado de forma similar o Sabá também havia despertado o respeito e admiração da cainita.

    " Se eramos todos pecadores aos olhos de Deus... Aqui somos todos filhos de Caim..."

    Se aproximando que foi lhe feito o sinal, Pietra beijou de leve o único anel na mão da Inquisidora, a pequena joia deixava claro o poder do posto que Sandoza ocupava, o voto de pobreza e a falta de adornos criava em volta da cainita uma aura muito mais bela do que qualquer joia poderia almejar.

    Erguendo seu corpo Pietra sorriu com leveza enquanto ouvia as palavras de Maria Sandoza, a mais velha entendia sua posição e a importância daquele Festim.

    - Sim, Evangeline e eu somos companheiras, e sim estas correta quanto a minha idade Signora... Seria uma honra presenciar os ritos de minha companheira, significa muito para nós duas... Quanto ao orgulho, eu o abandonei a muito tempo... Sinceramente acredito que posso aprender com mais facilidade sem tê-lo como uma cortina sobre meus olhos...

    Calma e delicada Pietra se expressava sem segundas intenções, seu corpo e vestimentas reapresentavam claramente suas palavras e sentimentos.

    - Compreendo perfeitamente sua preocupação com o Festim, é um acontecimento muito importante para que algo aconteça errado... Quanto ao desejar... Eu desejo muitas coisas, mas apenas posso poucas... Se eu apenas pudesse presenciar o Festim eu já estaria feliz Signora.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 5/4/2016, 15:41

    -Fico lisonjeada por ouvir uma antiga se referir a mim pelo termo Signora. Mas me sentiria mais feliz se você se direcionasse à mim apenas pelo meu nome, porque não há nenhuma diferença entre nós, somos iguais diante os olhos de Nosso Senhor, independente das funções, heranças, posses ou títulos... Você foi criada nas cortes da Camarilla, eu nasci no interior dessa Catedral. Nossas origens são diferentes, mas nosso futuro é o mesmo. Caminhe ao meu lado irmã, irei apresenta-la oficialmente à Espada de Caim e irei ouvi-la essa noite.

    Ao terminar de falar, a Inquisidora se vira em direção a Cadetral de onde havia acabado de sair e a surpreende a lhe dar o braço. Exatamente como os cavaleiros da corte medieval faziam para acompanhar as damas. Nesse caso, você seria a dama que ela iria escoltar para o interior da grandiosa e tradicional Espada de Madrid. O mais interessante era que você se lembrava perfeitamente de todas as ações daquela noite, mas a Inquisidora parecia se movimentar de maneira diferente, talvez ela estivesse consciente?!

    -Vamos? Alias, posso sugerir algo Pietra?
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 5/4/2016, 18:38

    Pietra abriu um pouco seu sorriso, o ato deixou de ser a mais pura formalidade para se tornar real em seus lábios, um leve menear da cabeça desta a cainita segurou no braço de Maria.

    " Esta mudado... Porque? Se eu ainda não despertei porque as coisas estão diferentes?!"

    - Se assim desejas Maria, mas este me é um costume arraigado demais... Não posso prometer que não a tratarei novamente como Signora, mas o evitarei.


    Andando ao lado de Sandoza, a filha das rosas estudava aquele ato com interesse, diante da Espada eram todos irmãos e irmãs mas alguém de tal renome dizer isso de forma tão aberta era raro.

    Atentando as palavras da Inquisidora, Pietra cerrou de leve o cenho ao responder:

    - Qualquer sugestão é sempre bem vinda irmã.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 5/4/2016, 23:14

    -Reencontre o seu orgulho o mais rápido possível, não o perca jamais. Assim como também não o cegue e não o nutra com falsos sentimentos, o orgulho é uma ferramenta poderosa contra a fraqueza de nossas almas e é através da falta ou excesso dele que as trevas devoram os corações dos Filhos de Caim.

    Disse a Inquisidora enquanto a conduzia até a praça frontal da grande Catedral. Haviam poucos humanos ao redor, afinal, já era muito tarde da noite espanhola e os que por ali passavam certamente eram servos do Sabá. O que permitia que o diálogo entre vocês pudesse ocorrer sem censuras e de forma direta. Mas algo lhe dizia que aquela frase de Sandoza havia sido dito anteriormente, mas não para você. Foi para Artur... Durante o Festim...
    Foi através dessa frase que você foi capaz de compreender que ela era uma adepta da mesma trilha de sabedoria que regia a tua não-vida, não só isso, ela era uma das maiores iluminadas na mesma. Antes de ir a Berlim, você pediu gentilmente ao Cardeal informações sobre a trilha de iluminação de sua prole e estudando-a, finalmente chegastes a se tornar uma "Iluminada".
    Mas como poderia ela ser capaz de alterar e influenciar a sua consciência de tamanha distância, nem em Berlim a mulher estava...
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 6/4/2016, 00:07

    O ecoar daquelas palavras, aquelas mesmas palavras já foram ditas por Maria Sandoza, mas não haviam sido destinadas para a cainita da primeira vez.

    " Como... Como essas palavras ecoam assim..."

    Pietra teria parado de andar e apenas encarado a cainita mais nova se não soubesse que aquela não era a melhor atitude, engolindo em seco seu próprio espanto a cainita sorriu em resposta a Maria.

    - Tuas palavras estão certas... Agradeço profundamente o conselho que acabas de me dar...

    Observando o calmo movimento da Catedral a cainita mais velha deixou que seus olhos se perdessem no local, havia muitas lembranças das noites em Madrid, as primeiras provações e de como o relacionamento com Eva havia progredido, até mesmo a simples presença de Sadonza havia estava marcado na memoria de Pietra.

    - Irmã... Eu levei muito tempo para acreditar em algo mais do que o simples acaso e mesmo assim muitas vezes a ideia de deus e diabo me parecem cruéis demais... Secas... Sei que existe a luz e a trevas, e uma se da pela ausência da outra... mesmo assim meu coração por muito tempo foi apenas habitado pelas trevas... Evangeline conseguiu de alguma forma fazer com que a luz voltasse a habita-lo... É de meu profundo desejo que quando as trevas que nela habitam se tornarem forte, que a minha luz seja um farol para que ela não se perca... Talvez seja um sonho grandioso demais... Mas é o que me mantem firme, ser o farol do que os perdidos necessitam...
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 6/4/2016, 16:07

    -Não irmão, uma não existe na ausência da outra. Uma existe exclusivamente devido a presença da outra.... Entendes a diferença?

    Indaga da Inquisidora do clã Lasombra. Que continuava a conduzir você para o interior da Catedral, mas nenhuma visão naqueles metros iniciais era nova ou diferente, sua memória ainda era perfeita sobre aqueles acontecimentos. Exceto pelo diálogo com a mulher que a conduzia gentilmente. Entretanto, ao invés de pegar o corredor que dava acesso ao pátio central da Catedral, o ambiente entre os muros que faziam parte do colégio católico, a mulher seguiu em frente em direção a entrada da própria Catedral.

    Atravessando então as portas de madeira, uma visão belíssima invade seus olhos e a luz do luar banha cuidadosamente o interior do ambiente.


    O interior da Catedral era especial, havia um vitral superior que foi claramente posto para permitir a entrada a luz solar no interior da Catedral durante as misas realizadas durante as manhãs e simular com enorme eficiência a luz divina do céu, a presença de Deus e o calor de seu amor pelos seus fieis. Mas a noite eram ainda mais linda, a luz do luar passava pelo vitral e preenchia o ambiente com uma aura prateada indescritível, uma verdadeira obra de arte que jamais poderia ter sido arquitetada por um mortal.

    -Não consigo deixar de pensar, irmã, que não foi Evangeline que trouxe a luz para o seu coração. Mas que você mesma nutriu a luz em si para não deixar que as trevas consumissem a tua companheira por inteiro, como um dia fizeram contigo. Você escolheu a luz, ninguém a escolheu por ti. Somos as guias, querida irmã, as guias dessas almas monstruosas e perdidas em suas dores, pecados e trevas. Em nós, elas se perdem na espiral de corrupção, da mesma forma que os anciões da Torre de Marfim fazem.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 6/4/2016, 23:31

    As palavras e Maria fizeram com que Pietra permanecesse em silencio, apesar de mais velha fazia pouco tempo que a cainita se dedicava ao estudo de sua própria iluminação.

    " Ela é mais nova e mesmo assim tem uma grande sabedoria..."

    Adentrando na catedral Pietra deixou que seus olhos reconhecessem cada detalhe da igreja, a luz prateada da lua invadindo o relicário fez com que a cainita sorrisse, nem mesmo a iluminação solar poderia se comparar aquela visão quase magica.

    - Em Paris não tive tempo ou recomendações para me aprofundar em nada mais do que fosse minha postura ou educação... Nunca foi de bom tom questionar... Tens razão quando dizes que nutri a minha luz... Evangeline sofreu muito durante o carcere e sua alma teria se perdido do corpo... Eu fiz o que pude para ajuda-la... Nós somo faróis expostos ao meio da tempestade... Atraímos aqueles que querem ajuda...

    Sorrindo ao andar ao lado de Maria a cainita mais velha sentiu-se bem, ha muito não tinha com quem dividir seus estudos e aquela simples conversa demonstrava ser produtiva.

    - Sei que carregamos um fardo do qual poucos estariam dispostos a faze-lo... Mesmo assim não o vejo como tal... Minha arte cresceu muito depois que escolhi esse caminho... É egoismo de minha parte extrair sentimentos das trevas dos outros... Mas acredito que... Que tais sentimentos não deveriam ser mantidos em silencio... Cala-los é dar força a eles, enquanto expô-los é fazer com que sua força perca poder sobre si...
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 7/4/2016, 03:17

    -Cala-los é dar força a eles, enquanto expô-los é fazer com que sua força perca poder sobre si... Existe muita sabedoria dentro de ti irmã... Muita.

    Repetiu Maria que finalmente soltava seu braços, ela fez um breve sinal para você esperar e caminhou sozinha em direção ao altar. Ajoelhando-se em frente ao mesmo e abrindo os braços por exatos três segundos, para então uni-los novamente e entrelaçar com força os próprios dedos. De joelhos perante a imagem de Cristo, Maria curvou-se e você pode ver seus pés, postos um sobre o outro em baixo do vestido negro. Ela tocou os lábios na ponta dos polegares e reverenciou a presença do divino com uma intensidade que você nunca havia visto antes, nem humanos de fé, muito menos cainitas ou qualquer outro ser.

    -No princípio da Bíblia, nos contam que os seres humanos são uma parte honrada da criação Divina. Na verdade, nos contam que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança! A palavra Hebraica para imagem é “tzelem” que é derivada da palavra mais curta, “tzel”, que significa “sombra”. Você vê a conexão? Quando raios de luz caem sobre qualquer coisa, uma sombra, tzel, aparece perto dela. De acordo com a Bíblia, um ser humano é nada mais do que a imagem, tzelem, de Deus, porque nós refletimos de diversas maneiras a perfeição e beleza Divina. Assim, quando um ser humano ora para o Deus do Céu e da Terra, é como se ele ou ela andasse em cada sombra de Deus, tornando-se parte dela...

    Disse Maria com a cabeça baixa, erguendo-a finalmente ao final da própria frase e mantendo um breve silêncio para então encarar diretamente a figura sagrada de Cristo. Você sentia as nuanças mais profundas no comportamento da Inquisidora, portadora de uma pureza acima do normal, mas mesmo assim, jamais submissa a nenhuma presença, nem que essa fosse a presença do próprio filho de Deus.

    -Mas sinceramente, creio que a imagem de Deus pertence à nossa natureza moral-intelectual-espiritual. A bíblia diz que somos todos herdeiros do pecado de Adão e as escrituras de Nod nos dizem que somos herdeiros dos pecados de Caim. São muitos pecados encostrados em nosso âmago. Entretanto, mesmo assim, somos semelhantes à ele... Assim, somos capazes de refletir a pureza e a ira divina, a benevolência e a malevolência... Irmã...

    Maria finalmente se coloca de pé e dá as costas para a sacra imagem, olhando agora exclusivamente para você.

    -Irmã, nós caminhamos pelas sombras para sermos capazes de encontrar a luz e mostra-la aos outros. Porque eles, irmã, eles precisam dela muito mais do que nós.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Jess em 7/4/2016, 13:55

    Pietra apreciou o elogio vindo de Maria, a toreadora levara anos para entender aquilo e grande parte adivinha diretamente de suas próprias experiencias pessoais.

    Assentindo o pedido de espera a italiana observou os movimentos de Maria, a fé da cainita mais nova era um ato de mais pura beleza aos olhos de Pietra, esta mesma havia abandonado aquilo ha muito tempo e durante os anos ao lado de Elonzo e na corte de Paris Pietra não havia encontrado nada que lhe devolvesse o minimo sentimento de adoração.

    As palavras e atos de Maria faziam com que Pietra refletisse, revendo conceitos e os reestruturando novamente.

    " O Sabá esconde dentre seus filhos grande sábios... Nossa fama de monstros é apenas uma fachada... Famas criam impérios e os filhos da Espada sabem disso... Mas é preciso sábios para manter um império e isso a Torre de Marfim não tem..."

    Mantendo o silencio perante as palavras de Maria, Pietra devolveu o olhar a mesma quando esta se virou, a fé, os movimentos singelos e até mesmo a postura de Sandoza inspiravam respeito e mais do que nunca um poder justo.

    - Aqueles que se perdem em si mesmo e no final renascem de suas próprias cinzas... São aqueles que inspiram os outros em sua própria busca...

    Pietra fez uma longa mensura, não só para Maria mas também em respeito a imagem do homem divino retratado na cruz.

    - Tuas palavras me faram refletir por um longo tempo... Não posso dizer que as compreendo por completo... Mas entendo muito de seus significados... E isso cria novos aspectos que eu ainda não havia mensurado... Devo dizer que me sinto grata por te-la como irmã e mais grata ainda por você dividir um pouco de sua sabedoria e tempo comigo...

    Retornando a postura Pietra sorriu com leveza dando apenas alguns passos em direção de Maria, por respeito ao altar a cainita evitou de se aproximar demasiadamente.
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    Re: Ato VlII - Narrativa de Pietra: Provecto II

    Mensagem por Danto em 7/4/2016, 23:13

    Maria observou a sua distância em relação ao altar e claramente esboçou um pequeno sorriso na face. Era dito que a alegria e emoções mais exageradas eram manifestações do mal durante a idade média, você se lembrava muito bem disso, das regras impostas as posturas, aos padrões de tom de voz e tantas outras formalidades. Mas Maria não foi abraçada durante a Idade das Trevas, ela era um espírito mais livre, ligado as épocas revolucionárias da história humana. Era curioso observar como ela expressava a própria fé, a própria trilha e as sinceras reflexões.

    -Peço a ti, irmã, que reflita sobre o que conversamos. Eu não espero nenhuma resposta de ti, espero apenas que tenha me ouvido e que quando sentir-se segura retorne a mim, ou chame por mim. Será um enorme prazer reencontra-la no futuro. Agora, devemos ir, seria deselegante chegar antes do soar das cornetas. Não é mesmo? Deixei você para assistir o renascimento de sua companheira enquanto falarei com nosso Cardeal a cerca da sua pessoa.

    [Off: ultima ação para o final do ato]

      Data/hora atual: 19/8/2017, 06:23