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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

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    Danto
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    Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 8/4/2016, 03:15

    27 de Setembro de 1911, Catedral de la Almudena, Madrid.

    A imponente Catederal ficava literalmente ao lado do Palácio Real de Madrid. Era simplesmente impossível não visitar a cidade e esquecer de visitar esses dois belíssimos pontos turísticos e monumentos históricos da arquitetura humana. De certa forma era sempre uma diversão lembrar-se de como os mortais viam a realidade e os locais que eram na realidade, completamente conquistados pela presença dos filhos de caim... O palácio era um desses locais, assim como a Catedral também...

    Maria a conduzia por dentro da Catedral, você sabia que o caminho que você tomou aquela noite era a direita, em direção ao sede do arcebispado mortal e imortal de Madrid. Mas ao contrário disso, a mulher caminhou para a esquerda, em uma direção que você desconhecia. Saindo então novamente da construção central, voces duas atravessam um breve pátio e se deparam com a cripta da catedral.


    A edificação era um outro marco da arquitetura espanhola, construída pelo marques de Cubás, a cripita deveria ter sido inicialmente construída no sub-solo da grande Catedral para oferecer maior sustentação para a enormidade que seria em seu projeto original. Essa era claro a história contata entre os mortais, pois os cainitas sabiam muito bem que havia sim uma construção subterrânea e que sua porta de entrada era pela cripta. Mas não era necessariamente nada disso que chamava sua atenção, mas sim uma aglomeração de cainitas em torno de um enorme buraco cavado no gramado do pátio.

    Você contava precisamente oito cainitas, todos homens. Além de quatro carniçais, vestidos de mantos negros, empunhando cada um duas tochas. E amarrada, jogada no chão nos e em frente aos pés de um daqueles homens, estava Evangeline. Com o corpo cheio de feridas expostas, derivadas de queimaduras severas e talvez alguns espancamentos. A figura de maior destaque entre os ali presentes, estava usando uma capa e vestes medievais, enquanto todos os demais estavam a usar roupas de membros do clero moderno, como padres. Você sabia muito bem o nome daquele homem, conhecido como o Sacerdote de Madrid, Sir Edgard da Capela Goratrix. Era um dos raros Tremeres que haviam se juntado a causa do Sabá e que auxilava profundamente a construção dos tradicionais rituais do Sabá. Sir Edgard se abaixava para tocar gentilmente a face de Evangeline quando Maria disse para você, soltando seu braço.

    -Boa sorte queria irmã, o ritual de criação nunca é belo de se assistir. Mas fará bem para a sua compreensão de o que a sua amada se tornará...

    Maria então se distanciava, seguindo novamente para dentro da Catedral. Naquele instante, Sir Edgard olhou para um dos padres, o único entre os demais que possuía um cabelo loiro e uma bela aparência e com um sinal de cabeça dava autorização. O ritual de criação estava acontecendo... Os homens então iniciam um cântico.


    Prontamente carniçais se aproximam e entregam uma tocha para cada homem, duas para um especifico que começava a caminhar em torno do círculo que eles formavam. Era um ritual complexo, pois seis homens segurando tochas faziam um circulo em torno do enorme buraco, um deles caminhavam muito rápido ao redor, com as tochas nas mãos, fazendo malabarismos incríveis. E Sir Edgard, o sacerdote, ficava no meio, junto com Evangeline. Os homens do circulo continuavam os cânticos enquanto o sacerdote tirava das vestes um frasco, abrindo-o e derramando o vitae que estava contido dentro do mesmo no perímetro do buraco, em um lento caminhar.

    -Conforme ando, aproximamo-nos do lugar e do tempo que existe entre os mundos;um lugar sem lugar, um tempo sem tempo; pois eu sou a ressurreição e a luze aquele que beber de mim viverá uma nova vida. Na Presença de Rafael à minha frente, Gabriel atrás, Miguel à direita, Auriel à esquerda, aqui, nesse círculo de fogo; Nós festejamos o poder das chamas; dançamos à luz da força e da sabedoria; colocamos-nos à mercê do fogo; Pois o fogo contem a ressurreição em suas chamas!

    Você sentia em cada pedaço do seu corpo o poder daquele ritual, era profundo, místico e macabro. Uma sensação horrível preenchia seu coração, sua alma sentia que não havia anda sacro naquele ato. Era uma arte observar o deboche feito da iconoclastia católico-romana, mas as palavras do sacerdote não soavam como chacota, elas ressoavam como verdade. O vitae então terminava e o sacerdote retornava até Evangeline, pegando-a no colo e dizendo.

    -Das cinzas às cinzas, do pó ao pó!

    Ao termino da exclamação, o sacerdote atira com brutalidade o corpo de Evangeline no fundo do buraco e os carniçais se aproximam com pás, para rapidamente atirar terra no buraco, na intenção de fecha-lo.

    -Assim como a grande fênix, nós todos devemos nos erguer; assim como Cristo ressuscitado, nós nos tornaremos Deuses; erga-se desta cova irmã, levanta-te do sepulcro eterno para servir e amar a Espada de Caim.

    A dança do cainita com as duas tochas se intensificava, assim como o movimento circular dos que mantinham o cântico e apenas seguravam as tochas para a iluminação. Eles caminhavam juntos, sincronizados e em sentido anti-horário. Os olhos de Sir Edgard finalmente encontram você. Eles estavam claramente encantados por algum poder único, pois neles queimavam chamas verdes e caóticas, profundamente vis e aterrorizantes como nenhuma outra chama era capaz de ser. Ele abre um pequeno sorriso e ergue as mãos para os céus, esticando os dedos e veios negros subiam pela pele branca de suas mãos. As chamas das tochas se esverdeavam, ardendo com brutalidade em auras sinistras.

    Sir Edgard:
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    Jess

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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 8/4/2016, 10:17

    Guiada por Maria, Pietra sentia cada vez mais a ansiedade tomar-lhe o corpo e mente. A cainita havia escutado historias sobre os ritos, mas presenciar um... Aquela seria a primeira vez, em seu coração as pontadas de medo começavam a se fazer presente, não era preciso do sonho para que Pietra lembrasse de como a personalidade de Eva havia mudado, a Filha da Cacofonia passara por grande mudanças em seu carcere em Paris e depois de seu ritual de criação a mudança de personalidade havia se acentuado ainda mais...

    " Eu deveria ter acordado não?! Por que estou aqui? Por que... Presenciar isso vai me fazer bem ou vai me destruir?!"

    Ouvindo as palavras de Maria a cainita mais velha concordou com um leve aceno, antes que a Inquisidora pudesse se distanciar Pietra pegou uma de suas mãos beijando em um leve gesto.

    - Obrigada Irmã...

    Se aproximando do ritual tudo a volta de Pietra passou despercebido, a beleza do local escolhido de nada servia para ajudar a alma da toreadora, a imponencia do Palácio e da Catedral foram apagados da mente da cainita quando esta encarou o corpo ferido e sujo de Eva no chão.

    A besta de Pietra urrou querendo se aproximar mas o medo do fogo, o canto dos homens vestidos de negro silenciava por completo qualquer pensamento da italiana, em seus olhos castanhos lagrimas se formavam sem nem mesmo esta notar.

    Um enorme esforço foi necessário de Pietra para que esta não clamasse por misericórdia ou enunciasse o nome de Evangeline. As feridas do corpo de sua amada pareciam ecoar na alma da cainita que por nenhum instante deixou de observar a cena que acontecia.

    A dança, as chamas e as palavras de Sir Edgard ecoariam na mente de Pietra por muito tempo, da mesma forma que agora calavam qualquer sentimento humano da cainita que não fosse a dor e o medo do que estava por vir. Por mais forte que tentasse ser, Pietra desabou de joelhos ao ver o corpo de Eva ser atirado no buraco, quando a terra o encobria também parecia encobrir toda a mente da italiana. Presa em sustentar o olhar do Sacerdote, Pietra gemeu quando as chamas se tornaram verdes.

    Apenas um grito de raiva conseguiu escapar da mente de Pietra, era a mais pura raiva de si mesma por deixar que Evangeline tivesse que passar por aquele processo, raiva de sua incapacidade de protege-la depois do carcere, a mais pura raiva por não ter tido meios de impedi-la... Havia sido Eva que se oferecera para o rito... E por mais que Pietra tivesse tentado dissuadi-la, a cainita não obtivera sucesso e no final havia sido Evangeline e seu espirito rebelde que protegeram Pietra.

    " Mia amata..."
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    Danto
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 8/4/2016, 18:48

    O som pesado das pás batendo contra a terra revirada, para então serem erguidas e os excessos de terra caírem pelos lados. Em seguida a terra era arremessada dentro da cova funda, tingida de sangue, onde residia o corpo ferido de Evangeline...
    Os homens de preto cravam no chão as tochas verdes no final do cântico. Para então caminharem em direção ao buraco e auxiliarem com as próprias mãos o processo de soterramento que estava sendo protagonizado pelos carniçais. Mas um som chamou sua atenção, os passos de um homem.


    Sir Edgard estava a caminhar até você. Ainda com os veios negros em suas mãos e pescoço, os olhos ainda queimavam em um tom esverdeado tão caótico quanto apenas o mais profundo dos infernos poderia ser. Ele esboçava um sorriso aterrorizante na face, o medo lhe devorava a alma, nenhuma criatura em todos os seus longos anos jamais foi capaz de aterrorizar completamente a sua besta como aquele sacerdote era capaz de fazer.
    Um calafrio lhe subia a espinha e um trovão cortou os céus de Madrid.
    Durante alguns instantes a face de Edgard se transformava na face de Elonzo, ele ergue a mão direita em sua direção e um grito de pavor lhe sobe a garganta com tanta força que lhe causava fortes dores musculares. Seus olhos estavam a ver seu próprio Senhor e ele esbraveja.

    -Essa é a tua escolha? Entregastes meu sangue, minha reputação, minha herança para essa barbárie? Esses monstros arrancam a alma da sórdida e repugnante que você ousou amar e no fim das noites, é a eles que juras lealdade?! Arrependo-me de não ter destruído teu coração e a vergonha de te-la como prole é infinita!

    O espanto era tão grandioso que seus olhos se fecharam e como uma criança atormentada por seus pesadelos, você desejou o fim daquele martírio... Seu corpo inteiro estremece quando um toque suave e gélido do indicador de um homem encosta na ponta do seu queixo. Seus olhos se recusavam a abrir, você não poderia encarar seu criador diante da tragédia que assolava Eva. E em meio a tanta violência contra sua sanidade, uma verdade ecoou em sua mente... Você não estava mais simplesmente em um sonho, o que acontecia era real.
    O passado estava sendo alterado por alguma razão...
    As lágrimas escorrem de seus olhos e eles finalmente se abrem, Edgard estava ainda a sua frente com um semblante preocupado o sacerdote diz com calma, enquanto você vê os veios negros desaparecendo do corpo pálido do mesmo.

    -Pietra?! Ouvi esse nome durante três noites seguidas, era a única coisa que saia constantemente dos lábios de Eva... Alguns dos meus aprendizes até começaram a chama-la de Pietra, acreditando que esse era o nome dela, mas não, você é Pietra a fugitiva de Paris... Seu choro me faz lembrar de minha querida irmã e por me fazer lembrar dela eu lhe digo, Pietra, acalme-se pois não há o que temer. Eva faz isso por ti, é o preço a ser pago para conquistar a confiança do Cardeal. Com ela vocês duas poderão forjar a liberdade de vocês onde desejarem. Só por favor, engula teu choro e teu ódio pois eu tenho toda a convicção desse mundo que ela sairá renascida da cova. E será um eterno orgulho para o Sabá!
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 8/4/2016, 22:08

    Cada pedaço de terra jogado dentro da cova fazia com que o peito de Pietra ardesse, o ar que teimava em encher o pulmões da cainita pareciam corta-la de dentro para fora como navalhas geladas.

    Os passos do alto sacerdote traíram a atenção de Pietra, os olhos castanhos da cainita imploravam sem falar, o medo e a dor estampados no alvo rosto da italiana contrastavam com as lagrimas vermelhas de seu rosto.

    O silencio e o temor da besta de Pietra ecoavam pelo corpo da cainita, as chamas e os veios negros sobre a pele pálida de Edgard apavoravam a italiana, aquela força espectral e toda a ira que ela parecia irradiar... Quando o trovão marcou os céus e no rosto do Sacerdote Pietra viu o reflexo de Elonzo, tanto a alma da cainita quanto sua besta urraram de medo, porem da garganta ardida desta ecoou apenas um gemido seco e brusco.

    " O que eu fiz... Porque eu não acordo... Porque eu tive de voltar ao passado..."

    As palavras de Elonzo ecoavam pelos ouvidos de Pietra, as imagens de Eva e o tumulo, até mesmo o som dos passos pareciam querer quebrar a alma da cainita que se abraçava em um sinal claro de querer se proteger...

    " Covarde... É isso que eu sou... Uma covarde... Elonzo não é mais meu senhor... Eu não sou mais uma criança... Era eu que deveria estar naquela cova... Não Eva!"

    O toque frio em seu rosto juntamente com o calor do sangue que escorria fez com que Pietra abrisse os olhos, a proximidade de Edgard a assustou, porem as palavras e a preocupação estampada no rosto do homem fez com que Pietra mantivesse seu corpo quieto.

    A vergonha que se estampou no rosto da cainita forçou com que seu rosto se virasse, com cuidado para não manchar o vestido que suava Pietra enxugou as lagrimas que teimavam a escorrer por seu rosto.

    - Peço desculpas se sou fraca irmão... E perdão se por acaso minha fraqueza tenha maculado a preciosa imagem de sua irmã... Mas... Eu não entendo como ela consegue ser mais forte do que eu... Como o espirito dela que já foi quebrado antes consegue se manter firme... Era eu que deveria estar protegendo ela... Mas ela teima em desafiar isso...

    Limpando o sangue de suas mãos na grama Pietra se levantou para então fazer uma mensura a Edgard.

    - Sim eu sou Pietra... Ela é Evangeline, mais do que minha simples companheira... Ela é uma parte minha... Ela é o espirito selvagem que não habita esta casca... Por isso eu lhe digo que de modo algum ela vai falhar neste teste... E quando sair de sua cova sera uma honrada filha da Espada de Caim...
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 8/4/2016, 22:25

    O sacerdote se ajoelha a sua frente, apesar de não haver nenhuma intimidade entre vocês, o homem estava notoriamente preocupado com as suas reações, ele ouvia as suas palavras como um Padre ouvia um fiel a se confessar. Não havia nem uma expressão sequer de julgamento e quando você citou a irmã dele, o mesmo balançou negativamente a cabeça.

    Removendo cuidadosamente a mão do seu queixo, ele mantinha uma curta distância entre vocês dois. Provavelmente para manter a conversa entre vocês o mais baixa possível, enquanto isso, no fundo, o ritual continuava sem nenhuma interrupção. As chamas verdes agora finalmente se transformavam, lentamente, em fogo natural. Os cainitas que pegam as terras com a mão, abençoavam cada porção de terra para então joga-la contra a cova.

    -Não Pietra, não. Você não macula nenhuma lembrança que eu possuo de minha irmã, pelo contrário, eu não me recordava da existência dela a anos e é com extrema satisfação que lhe agradeço por essa doce memória que despertastes em minha mente antiga. Mas peço que me escute...

    Edgard buscava olhar diretamente para a sua face, ele não estava sendo simplesmente gentil. Era uma sensação diferente que lhe chegava a mente, o sacerdote estava fazendo o papel de guia espiritual que dele era sempre exigido e não só isso, o homem estava determinado a lhe oferecer conforto, caminho e respostas.

    -Eu sei perfeitamente que a cena do ritual de criação é forte. Ele é construído para ser assim, é o abandonar da humanidade que corroí a profunda natureza dos filhos de Caim, mas nem toda humanidade corrói e nem toda humanidade precisa ser quebrada. Assim como não existe força sem fraqueza, Pietra, você não é fraca... Todos nós somos grandiosos, destinados ao divino, seja qual for a natureza desse... Antes do maior dos impérios se erguer, ele é uma pequena cidade conquistada. Antes dos maiores líderes surgirem, eles eram indefesos e sonhavam com a mudança. Quando Evangeline sair da cova, ela não será a única honrada filha da Espada de Caim, você também será.

    O sacerdote faz uma breve pausa na própria fala e comenta enfim.

    -Você se lembra da corte de Roma? O destino é realmente uma força descomunal... De estranhos a conhecidos, de conhecidos a sacerdote e fiel, para no futuro, sermos irmãos diante a Espada que nos liberta.
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    Jess

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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 9/4/2016, 01:16

    A ação de se ajoelhar pegou Pietra desprevenida, o figura imponente de Edgard não condizia com aquilo, mas as palavras gentis e calmas fizeram com que o choro da cainita encerrasse por completo.

    A visão das chamas retornando a cor natural fez com que Pietra suspirasse mais aliviada, enquanto o martírio de Evangeline continuasse a italiana não abandonaria seu posto, Pietra queria ser a primeira a encontrar a francesa, a primeira a abraça-la...

    - Fico feliz que tenhas boas memorias de sua irmã... E mais feliz ainda em saber que não a desrespeitei... Aqueles que amamos nunca devem ser maculados por ninguém...

    Sustentando o olhar do Sacerdote em silencio a cainita escutou as palavras deste, o tom e cada gesto foi bem recebido pela ovelha perdida do rebanho. O pastor ajoelhado a frente de sua ovelha perdida exalava a mais pura centelha de sabedoria, por isso um sorriso tímido se formou nos lábios da cainita.

    - Em nosso maior momento de fraqueza é quando percebemos o que real valor do que temos... Eva... Nunca desejei que ela sofresse por mim... Assim como ela nunca quis que tivéssemos sido expulsas... Mas foi por ela e simplesmente por ela que escolhi a Espada... Para servir em busca de algo muito maior do que as intrigas de corredores e olhares maldosos... Servir um proposito...

    Puxando de leve a mão de Edgard para seu colo, Pietra a beijou em sinal de respeito, virando-a para brincar com as linhas de sua palma a cainita sorriu alegre.

    " Faz tanto tempo assim que nos conhecemos? Edgard mudou... Eu mudei... Só espero que tenha mudado o suficiente para enfrentar meus medos..."

    - Cresceste muito irmão... Ainda me lembro do jovem que não tinha afinidade com as palavras... Deves também se lembrar de mim e a mais profunda impaciência com a corte de Roma... Tu tinhas teus livros e estudos e eu minhas tintas e mármore... Se o destino é curioso não cabe a nós dizer, mas tenho a profunda certeza de que ele é bondoso quando quer... Devo agradecer as Moiras por nos reunir novamente, e se com o renascimento de Eva o grande Mondança nos aceitar... Então terei orgulho de ser sua irmã sobre a Espada.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 9/4/2016, 02:13

    Edgard abriu um pequeno sorriso no canto da boca, era claramente uma expressão que o mesmo não fazia a tantos anos que talvez seus músculos já haviam esquecido de como a realizar com precisão de fluides. Era um pequeno sorriso de felicidade, dos raros e sinceros que lhe escapam os lábios sem que a sua consciência seja capaz de censura-los. Era uma felicidade que se conectava com o saudosismo que ele certamente carregava dentro de si em relação aos tempos primordiais, quando vocês dois eram jovens e habitavam a mesma corte na sacra cidade de Roma.

    -Eramos dois problemas para nossos Senhores, ambos tradicionalistas e gananciosos por coisas que nunca representou nada para nós. Eu devo assumir, tive dificuldades de reconhece-la Pietra... E realmente eu detestava falar em público, aquelas enfadonhas reuniões que não chegavam a lugar algum. Eu sempre fui um feiticeiro e você sempre foi uma artista. Aliás, eu ouso dizer que possuo em meus domínios uma quadro onde a sua face esta eternizada...

    Os olhos do sacerdote olham para a própria mão que estava sendo segurada gentilmente por você, de certa forma intrigado, ele arqueava uma das sobrancelhas mas não resistia ao seu toque. Existia ainda, na profundeza da natureza do sacerdote de Madrid, resquícios de humanidade e você era capaz de sentir.

    -Eva não está sofrendo por você, Pietra. Não aqui e não conosco. O frenesi e o medo escarlate são as maneiras mais rápidas de extrair a humanidade superficial de uma besta. Eu normalmente não sou escolhido para realizar tais rituais de criação, mas Monçada me pediu pessoalmente para que eu me assegurasse que Eva continuaria viva. Pois segundo ele, a filha dele havia previsto algo grandioso para ela...Mas devo alerta-la, quando Eva sair de lá, haverá apenas o monstro selvagem à mostra e ele estará faminto.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 9/4/2016, 14:27

    O sorriso de Edgard marcou profundamente a cainita, seus dedos continuavam a brincar entre as linhas da palma do Sacerdote com delicadeza. Rindo do comentário deste Pietra sentiu uma pequena onda de felicidade tomar-lhe o coração ferido.

    - Sim eramos... Lembra-se daquela vez que tu me encontraste encharcada porque eu havia fugido da corte para correr entre as ruínas do Coliseu em meio a chuva? Eu passei dias o evitando depois disso por medo que meu senhor descobrisse... Fico feliz em saber que tens um quadro de Micheangelo... Guarde-o bem irmão, ele me foi muito querido...

    Percebendo o arquear de sobrancelha de Edgard a cainita sorriu com aquilo, o toque tão distante da realidade cainita sempre despertava diversas reações, entrelaçando seus dedos aos de Edgard.

    " Porque isso surpreende tanto de nós?! Por que essa humanidade fingida é tão pesada em nossos ombros?!"

    - Fico feliz que seja você a guiar Eva, e mais ainda em saber que um destino maior nos espera... Não posso culpa-la de querer isso... Eva nunca sofreria por uma escolha própria... Quanto a sua besta... Eu a conheço, vi a forma como me odiava antes de nos entregarmos... Conheço sua fome... Se eu quiser permanecer ao lado de Eva até sua besta tenho de conhecer... Porque ela também é uma parte minha... Irmão...


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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 9/4/2016, 17:55

    O sacerdote balança a cabeça positivamente e ainda com aquele pequeno sorriso no canto dos lábios responde a sua pergunta inicial.

    -Sim eu me lembro, recordo-me com perfeição de ter ficado intrigado com a imagem de uma jovem correndo com um enorme vestido pelas ruínas. Demorei até entender que não era apenas uma visão ou algo sobrenatural, quando a encontrei, dei boas risadas internas e fiquei sem compreender durante várias noites a razão pela qual você evitava o contato, na época, havia compreendido que tinha cometido alguma ofensa contra você. Não entendi coisa alguma de etiqueta e sinceramente, não é algo que posso me vangloriar de ter aprendido com louvor.

    Ao fundo você percebe a movimentação dos cainitas, eles se afastavam do buraco que já estava quase inteiramente coberto por terra. E se sentavam na escadaria da cripta que ficava a vários metros de distância de onde você e o sacerdote estavam. Edgard olha para a direção dos carniçais, que terminavam de tampar a cova e davam fortes golpes para compactar a terra. Assim que eles terminam, Edgard faz um sinal para eles e assim, os carniçais se juntam aos cainitas na escadaria. Por fim, o sacerdote volta a olhar para você.

    -Tenho uma ideia. Porque você não participa da fase final do ritual? Quando ela sair da terra, estará faminta, provavelmente em frenesi. Nós dois a ajudaremos a se alimentar e a retomar a consciência. É algo que eu costumo fazer sozinho, sem nenhuma interferência por ser algo íntimo de mais para os desconhecidos. Mas você não é uma desconhecida Pietra, nem por mim, muito menos por ela.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 9/4/2016, 19:04

    O sorriso que se mantinha estável e único no rosto de Edgard, as palavras amigas de alguém de um passado distante e a preocupação deste com Pietra, toda aquela cena que no passado não havia ocorrido... Nada daquilo ainda era compreendido com totalidade por Pietra, a cainita simplesmente agia da melhor forma que podia e a todo custo evitava de cometer os erros do passado.

    - Perdão por ter deixado essa duvida em seu intimo por tantos anos... Mas a chuva... Como ela se tornava tão bela a escorrer pelas paredes do Coliseu... Ela sempre teve um encanto especial sobre minha pessoa e aquela noite estava tão enfadonha que nao resisti... Mesmo assim fiquei com vergonha por alguém ter me visto em um momento tão intimo...

    Acompanhando o olhar de Edgard, a cainita observou os movimentos dos carniçais e cainitas que terminavam de fechar a cova de Eva, foi impossível para Pietra não estremecer ouvindo o som da terra sendo compactada.

    " A espera pode ser pior do que o ritual..."

    Desta vez mantendo-se calma e senhora de seu corpo Pietra respirou fundo ao ouvir a oferta do Sacerdote.

    - Se a etiquete lhe foge de seu conhecimento... Deves imaginar que os próximos passos também me são estranhos irmão... Mas se acreditas que posso ajudar e se me dares um pouco de instrução... Eu ficarei feliz e ajuda-lo... Não quero deixa-la sozinha agora...
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 9/4/2016, 20:11

    Edgard observa você por mais alguns instantes e em silêncio se coloca de pé, estendendo a mão direita para que você também se levantasse.

    -Eu fiquei por várias noites, aflito, minha juventude havia se encantado com a dama da chuva. O seu silêncio me causou uma irritação que na época eu não era simplesmente capaz de compreender e eu a fechei dentro dos vários outros sentimentos que deveriam se manter calados. Mas de certa forma, você foi a última gota de água para transbordar toda minha raiva. Eu estava preparado para destruir meu próprio Senhor, mas infelizmente não fui capaz de realizar meus desejos... Então fugi de Roma... E esqueci tudo que aquela cidade um dia significou, tudo.


    Assim que terminava de falar e tivesse a ajudado a se levantar, Edgard caminha para a direção da cova de Evangeline e parava em frente a mesma. Cruzando os braços e observando com atenção a terra que estava inerte. Ele então olha em direção aos homens que estavam na escadaria e diz.

    -Entrem. Vocês já ajudaram o suficiente irmãos e servos.

    Os homens então se levantam e caminham para entro da cripta e apenas quando vocês dois estavam sozinhos no pátio, o homem olhou diretamente para você e abriu um sorriso malicioso na face. Um pequeno calafrio lhe subiu a espinha, um grande mal habitava o corpo de Edgard, uma força violenta e vil. A sua humanidade a fazia temor pelo pior, mas também parecia fazer algum efeito sobre a essência negativa do homem, porque ele claramente se conteve. Os olhos dele a observavam com atenção.

    -É um pouco difícil saber que você é a Pietra que conheci em Roma. Eu jamais pensei em reencontrar alguma memória de minha vida passada... Como eu queria ter sido capaz de queimar aquele homem... Apenas os anjos sabem o quanto eu tentei... Lembrar disso me faz despertar uma fúria tão antiga quanto as próprias memórias. E certamente, se a tivesse encontrado em qualquer outro lugar, Pietra, eu me esforçaria em arrancar o teu coração.

    O sacerdote desvia o olhar e dá um passo a frente. Ficando em cima da terra que cobria Eva e olhando unicamente para o chão ele diz.

    -Mas é engraçado, não é?! Somos irmãos agora e seria inapropriado arrancar-lhe a vida não é mesmo?! Tenho outras coisas em mente... Mas primeiro, venha. Vamos ajudar a sua amada...
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 9/4/2016, 21:29

    Sustentando o olhar do homem a sua frente Pietra sorriu ao aceitar a mão estendida para se levantar, com leveza a cainita bateu as anáguas de seu vestido mantendo-se um pouco afastada de Edgard.

    Observando os movimentos deste Pietra viu os cainitas e carniçais serem dispensados, o olhar e o sorriso encontrados na face de Edgard fez com que a italiana temesse, era o mesmo olhar voraz que a fizera lembrar de seu senhor.

    " Que tipo de monstro habita o corpo de Edgard..."

    Abaixando o olhar Pietra se aproximou mais ainda do tumulo de Eva.

    - Tu me culpa por um pecado do qual nunca tive a intenção... Mas estes são os piores pecados não?! Não consigo imaginar a dor que sentisses... Mas o desejo de livrar a terra de meu próprio criador... Este desejo eu consigo compartilhar... Tu ainda tiveste as chances para destruí-lo... Eu não... Quanto tu fugiste fui eu que tive que enfrentar as más linguás sobre minha pessoa e nosso convívio... Mesmo assim sempre tive carinho por suas lembranças...

    A cainita encarava diretamente a mão que até poucos instantes atras brincavam com a palma de Edgard, havia uma tristeza antiga sobre a face de Pietra e quando seus olhos acompanharam o avaliar do Sacerdote e seus atos.

    Um leve tremor passou pelo corpo de Pietra quando esta ouviu as palavras de Edgard, o destino parecia brincar de forma nada agradável para a cainita.

    - Nós dois mudamos Edgard... Eu não sou mais aquela Pietra e tu já não é o mesmo... Se ainda tiveres algo contra minha pessoa e o pecado que cometi contra a sua, peço encarecidamente que desconte somente contra a mim... Ninguém mais deve sofrer por meus erros e pecados... Por favor...

    Assentindo de leve com a cabeça Pietra esperou pelas explicação dos próximos passos a serem tomados, a pressão do despertar próximo de Evangeline fazia com que toda a musculatura de Pietra endurecesse por completo.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 10/4/2016, 07:41

    O sacerdote desvia o olhar da terra que encobria o corpo de Eva, algo nas suas palavras havia atraído intensamente a atenção do mesmo ao ponto de força-lo a dar um passo em sua direção, saindo de cima do punhado de terra que encobria a desacordada francesa. Parando a sua frente, ele a encarou com uma enorme intensidade e por um período de tempo acima do normal, causando-lhe um desconforto proposital. Para enfim ele finalmente romper o silêncio e lhe responder algo.

    -E não importa quantos séculos se passam, quantas histórias e vidas sejam deixadas para trás. Ainda somos capazes de compartilhar de um sentimento em comum... Nem que o mesmo seja o desejar a morte de alguns vermes. Mas enfim, não existem mais razões para culpa-la por um sentimento não correspondido a quase quatrocentos anos atrás. E peço perdão pelos possíveis respingos que a atingiram durante a minha tempestuosa fuga. Atear fogo em um refúgio de seu clã não é algo muito bem visto.

    Terminando a frase em um tom sarcástico, o sacerdote finalmente deu inicio aos preparativos para a próxima fase do ritual de criação de Eva. Ele olhou para você e apontou para a terra que estava sobre o corpo enterrado de Evangeline, para falar brevemente.

    -Temos duas opções. A primeira é sentar e esperar por longas e enfadonhas horas. A outra é você sangrar sobre a terra que está mantendo a jovem francesa soterrada, a besta dela irá reagir com vigor e imediatismo...

    O sacerdote então coloca a mão nas costas das vestes e tira um punhal de lâmina tortuosa e belíssimo como se fosse uma peça ilustre de museu. Certamente era uma relíquia que o mesmo havia adquirido nas distantes terras orientais.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 10/4/2016, 15:33

    Pietra sentiu o ar faltar-lhe no peito quando Edgard a encarou, foi preciso muito da cainita para que esta sustentasse o olhar por mais incomodo que fosse. Vendo a aproximação deste a italiana segurou com força a saia do vestido em um sinal claro de tensão.

    " Se eu já não conhecessem bem os homens acreditaria em tuas palavras."

    - Te enganas ao imaginar que apenas dividimos o ódio em comum contra nossos senhores... Mesmo depois de tantos anos ainda tenho carinho por sua pessoa... O pecado que cometi em te-lo afastado de mim não teria sido pior do que minha incapacidade de corresponde-lo... Isso teria me transformado em um monstro sob seus olhos... E eu nunca desejaria tal acontecimento...

    Observando os preparativos do Sacerdote a cainita pode relaxar um pouco, as palavras sobre o tempo que levaria até Evangeline despertar e sair da cova fizeram com que Pietra arqueasse as sobrancelhas, tempo demais seria necessário e sempre haveria o perigo da luz divina do sol.

    Olhando para a terra Pietra encarou de leve a longa e bela adaga de Edgard, se abaixando para pegar um torrão de terra Pietra o esmigalhou com as pontas dos dedos.

    - Este é um teste para nós duas... Maria não teria me dado a permissão de ver o ritual de passagem se soubesse que de alguma forma eu interveria... Esta escolha cabe a ti meu irmão, não a minha pessoa... Tu é o Sacerdote... Não eu... E tu tens o treinamento necessário para que seus sentimentos não interfiram com seu dever...

    " Eu adoraria ajudar Eva... Mas não haveria perdão dela sob minha interferência... Nós duas estamos sendo testadas... Eva fisicamente e eu sob meus sentimentos... A espada deve vir primeiro... Tanto Eva quanto eu sabemos disso..."
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 10/4/2016, 18:34

    Para sua enorme surpresa a sua postura e frase arrancaram do sacerdote uma única risada que saia involuntariamente dos lábios dele, como se fossem um pigarro ou algo similar. Em seguida ele olha em volta, ligeiramente inquieto com a resposta que havia recebido. Para no fim, simplesmente se sentar em frente a cova, colocar a adaga no chão e cruzar os braços. Ele então aponta para o lado direito dele e enquanto aguardava você se sentar ou realizar alguma ação, Sir Edgard retoma a fala.

    -Enfim fostes capaz de provar-me errado... Meu pre-julgamento estava equivocado e me cabe apenas engolir o orgulho e reconhecer a tua incontestável mudança. Minha memória a descreve de um jeito, mas meus olhos veem uma mulher completamente diferente, não há mais algemas em teus punhos e pés. És um espírito livre, vivo e forte. A vida faz de ti algo especial, único, necessário... Finalmente entendo o que o Cardeal viu em ti, jovem Pietra, ele viu em ti a filha perdida assim como eu vejo a irmã que me renegou.

    Sir Edgard então olhou para a terra mais uma vez, entretanto, seus olhos estavam limpos e verdadeiros. A sensação de observar um verdadeiro sacerdote, como o polonês do bando de Rebeka, era sempre fascinante. Com a mão esquerda ele tocou a terra e sussurrou para Evangeline.

    -Criança, abra teus olhos pois o despertar chegou. Use tua força, encare teus demônios. Volte dos mortos para olhar novamente na face de seu verdadeiro amor, para empunhar a espada e lutar pela liberdade de outros como você. Força criança, estou a tua espera.

    E seus olhos testemunham a primeira movimentação da terra como uma resposta imediata. Era improvável que a voz de Edgard tivesse chegado aos ouvidos físicos de Eva, mas certamente haviam tocado a alma da jovem francesa.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 10/4/2016, 20:47

    Pietra levantou de leve o queixo, era um sinal claro de seu orgulho escondido sobre a tela sempre simplista que trazia em sua face. Ver a inquietude de de alguém como Edgard era raro e de certa forma sempre um premio a ser recebido.

    Com leveza a cainita se sentou ao lado do sacerdote, tomando cuidado para que o vestido de cor escura protegesse sua pele alva da terra Pietra ouviu atentamente as palavras de Edgard, um sorriso calmo surgiu nos lábios da cainita, o sorriso que muito se aproximava da Pietra de Berlim.

    - Poucos são sábios o suficiente para reconhecer seus próprios erros... Também diferes em muito de minhas memórias, agora mais do que nunca és um homem do qual eu desejaria manter bons laços... Não posso saber o que tu e ou o Cardeal viram em minha pessoa... Mas enxergo em você alguém nobre e de grande convicção... Um irmão...

    " Não imaginaria que um dia nos reencontraríamos...O destino realmente é estranho... Por mais estranho que possa parecer eu senti falta de Edgard em Roma..."


    O silencio que se pôs entre os dois cainitas foi quebrado pelo Sacerdote, seus atos e olhos indicavam que seu trabalho havia começado novamente, Pietra sentiu um alivio ao perceber o verdadeiro homem por debaixo da tempestade de sentimentos e memorias deste.

    Em resposta a fala e o toque de Edgard a terra se moveu, um suspiro alto escapou da garganta de Pietra ao perceber que mesmo que o som da voz não chegasse a Evangeline a força do ritual atingia sua alma.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 10/4/2016, 21:55

    Sir Edgard observou por mais alguns instantes a terra se movendo lentamente, para então finalmente retornar a olhar para você. Ele sem perguntar se teria a permissão para toca-la, apenas estendeu a mão direta e agarrou a tua mão esquerda, para rapidamente coloca-la sobre a terra ao redor da cova de Evangeline.

    -Sinta a transformação dela, irmã... Ela está acordando e voltando para nós.

    E de fato, havia muita coisa a ser sentida naquela terra. Era uma sensação especial, inicialmente um tremor contínuo que se assemelhava a um pequeno terremoto, mas o toque do Sacerdote amplificava intensamente o seu tato. A terra cedia milímetros a cada fração de segundo, seus dedos sentido a sensação terrosa e áspera daquele soco seco e compacto. Mas o fantástico era a sensação de força e selvageria que ecoava pelas raízes, pelas pequenas rochas e maiores flocos de terra. Você tinha certeza de que a besta de Eva estava ali em baixo a poucos metros, você sentia ela urrar e se retorcer em desespero. O último grito de uma humanidade que jamais seria recuperada. Então a fome do monstro selvagem se estendia por toda terra e chegava a palma da sua mão, causando-lhe uma fome tão intensa quanto a mesma que era por ela sentida. A conexão empática, mental e física entre vocês duas nunca havia sido tão intensa. Aos poucos você começava a sentir o sufocamento, a claustrofobia de um ambiente escuro, o desnorteamento de não ter referencia de onde é o norte. O cheiro da terra, o gosto da terra. O murmurar de conversas distantes, abafadas.
    Você e a besta de Evangeline eram uma...

    [Off: Teste de Autocontrole dificuldade 9]
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 10/4/2016, 22:30

    Pietra observava cada novo pulsar da terra, seus olhos castanhos volta e meia se voltavam para a figura de Edgard, o movimento brusco deste pegou a cainita de surpresa, esta teria recuado se a força do toque na terra e as palavras do Sacerdote não tivessem tanta força.

    " O que ele esta fazendo?!"

    Perguntou-se Pietra ao encarar diretamente Edgard, a proximidade de seus corpos e o toque de sua mão logo foram substituídos pela carga sensorial, um gemido seco escapou da cainita que arqueou ao sentir a pressão da terra.

    O ultimo eco da humanidade de Eva rasgou a mente de Pietra, depois disso a selvageria e o contorcer da besta de sua companheira tomou sua mente o suficiente para que as presas alvas da cainita ganhassem seus lábios, crispando a mão Pietra sentiu seu corpo se contorcer da mesmo forma que Eva o fazia por de baixo da terra. A falta de ar e espaço a empurravam de encontro ao chão, sua mão esquerda se agarrou ao seu joelho fazendo força para que a cainita voltasse a ser dona de si, mesmo assim um rosnado seco escapou da garganta de Pietra.

    A artista e a besta se tornavam uma, a mente da artista tentava sobrepujar a da besta ecoando por seu intimo uma cançao francesa... A primeira que havia ouvido Evangeline cantar, a mesma que havia encantado a besta de Pietra sobre as luzes do Rouge...

    Off: Autocontrole = 3d10, dif 9
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 10/4/2016, 22:30

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 4, 8, 2
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 10/4/2016, 23:50

    Desespero.
    A terra acima de sua cabeça era infinita, debater-se era simplesmente a única coisa que você poderia fazer. E a cada movimento brusco, mais terra a encobria. Entrando pela sua boca, nariz e agarrando-lhe as pernas. A fúria então rasgava-lhe a carne, a fome ardia suas entranhas e seu corpo retorcia em agonia profunda. Os ossos estavam a ranger como gravetos secos, a boca finalmente se abriu e cuspiu a terra, junto com seu próprio sangue.
    A besta.
    A força descomunal e selvagem segura tua carne e a empurra para todas as direções, seus olhos se abrem e são encobertos por terra, mas a besta estava no controle das duas almas conectadas pela feitiçaria do sacerdote. Era impossível diferenciar quem estava sentido o toque da mão de Edgard e quem estava debaixo da terra, havia apenas uma única certeza e essa a besta e toda a sua força sobrenatural. A mão esquerda então encontrou o caminho, era necessário cavar!

    Essa foi a sua última memória mais clara, pois o restante dos fatos tornou-se um mesclado de sensações e borrões. A primeira sensação era a fome e o cheiro magnífico de um vitae poderoso, era como cheirar um favo de mel e o favo estava ao seu alcance, ninguém a impediria... Em seguida os fortes ventos frios da noite de Madrid... A água da chuva torrencial... O calor do toque de alguém. Impressões rápidas de ver o chão se distanciando, contornos da arquitetura do telhado da catedral. O favo de mel estava em contato direto com seus lábios e escorria pelos mesmos, uma sensação maravilhosa e poderosa. Suas garras cravavam com força na carne de uma presa até atingir o osso e enfim, apenas o silêncio da chuva.


    Uma mão tocou-lhe os cabelos, parando em sua nuca. Sussurros em seu ouvido, pequenas carícias gentis... A violência deveria terminar... A besta enfraqueceu.
    Seu ouvidos escutam então o grasnar de algumas aves e a forte presença da chuva que caia com força dos céus, mas não chovia em seu corpo nesse momento. Apesar de você sentir o mesmo completamente encharcado de água e sangue.
    Seus olhos se abriam e a primeira coisa que eles viam era a face de Edgard, o homem estava de pé e atrás dele havia um enorme sino. Ele segurava você em um braço e Evangeline no outro, agarrando ambas pela nunca e com enormes feridas no pescoço. O sangue que estava em sua boca e nas suas roupas era o sangue do sacerdote. Evangeline ainda estava em completo descontrole a devorar o pescoço do sacerdote.
    Vocês três estavam no alto da torre do sino da imponente Catedral. A chuva batia contra as paredes e escorria pelo interior das mesmas. Edgard então olha para você e com uma expressão calma no rosto diz.

    -Eu jamais poderia cometer o pecado de destruir a tua humanidade, mas a mim coube a obrigação de transforma-la em uma Verdadeira Sabá. Sofrestes os mesmos males e provações que tua Evangeline sofreu, vocês duas passaram pela ritual de criação. São a partir desta noite, Verdadeiras Cainitas. A forma que encontrei, Pietra, de oferecer a ti o mesmo que ofereci a ela, foi o espelhar de sensações. Você antes me disse que ela era uma parte de ti, por alguns instantes eu uni as partes... Bem vinda irmã.

    Enquanto a voz do sacerdote ecoava por dentro do pequeno ambiente em que vocês se encontravam, ligeiramente fraca e incapaz de sobrepujar a tempestade, o corpo de Evangeline começa a derrotar a besta. Ainda muito jovem nessa época, a francesa estava vestindo apenas uma saia, a parte de cima de seu vestido havia sido inteiramente destruída e rasgada durante o ato. Seu corpo antes ferido estava perfeito, seus cabelos molhados, a face o colo e os seios, sujos pelo vitae do sacerdote... Ela soltava o pescoço do homem e sorria para o mesmo e ao notar a sua presença ela abria ainda mais o sorriso.

    -Eu consegui?! Eu fiz?! Pietra! Você viu!? Você estava comigo?

    Indaga a jovem Evangeline em Frances. O sacerdote respondeu com enorme sabedoria e calma. E sua atenção e mente já estavam completamente reativadas após a fala de Eva, a voz dela certamente a ajudou a retomar a consciência completa e a interpretar os menores detalhes. Primeiramente, suas vestes estavam tão destruídas e em farrapos quanto as de Evangeline, apesar dela estar com o tronco praticamente inteiro exposto, você ainda tinha algumas porções de pano, mas não havia quase nada nas laterias e costas. Haviam enormes e profundos rasgos nas laterias do vestido, certamente feitas pelas suas garras e próprias pernas em alguma ação de corrida feroz. Seus olhos corriam pelo corpo de Edgard e encontravam várias feridas expostas, a capa do mesmo já não estava mais sobre ele e a cota de couro que forrava seu peito estava destruída com marcas de mordidas e arranhões.

    -Vocês duas passaram pelo ritual de criação, o frenesi de Pietra foi grandioso demais para ser conduzido em uma área aberta e a única solução foi subir até aqui. É com uma enorme honra que eu digo a ti, irmã, que és desta noite até a tua última, uma Verdadeira.

    Diz o Sacerdote que parecia ainda demonstrava uma enorme força por ser capaz de manter-se de pé enquanto o corpo de vocês duas estava completamente jogados sobre o mesmo.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 11/4/2016, 10:20

    O peso, a terra, a fome, a besta de Evangeline, tomaram a mente de Pietra. O cheiro do vitae poderoso fez com que o corpo reagisse mais vorazmente, o cavar e a ânsia pela liberdade.

    A chuva e o contato do corpo recém liberto da cova apagaram a mente das duas cainitas, o calor do vitae a luta entre bestas tudo passou despercebido por Pietra, mas o som da água batendo de encontro a parede aos poucos fez com que a consciência desta voltasse.

    Ver o rosto de Edgard tão próximo do seu, o corpo entorpecido e a falta de memoria fez com que Pietra estremecesse, seus olhos circularam a sala vagamente fazendo com que a mente da cainita aos poucos se recuperasse.

    Entender a cena e seu ocorrido encheu os olhos da toreadora de lagrimas, não havia medo ou ressentimento aquelas lagrimas expressavam apenas a gratidão ao Sacerdote, a voz cristalina de Eva tocou profundamente o coração da cainita.

    Se esforçando para permanecer de pé Pietra se agarrou ao corpo de Eva, abraçando-a com força e beijando sua testa e lábios, ter aquele corpo alvo em seus braços fez com que Pietra suspirasse fundo, todas as impressões do ritual ainda estavam gravadas na mente e no corpo da cainita.

    - Tu terás a minha eterna gratidão irmão... Peço perdão se minha besta lhe causou problemas em demasia... Mesmo que eu quisesse ela se apoderou rápido demais de minha mente, não consegui conte-la...

    Ajudando Eva a permanecer de pé a cainita sorriu ao ver o estado de suas roupas, seus olhos porem demonstraram um claro ar de preocupação ao ver a figura do Sacerdote, a força monstruosa de Edgard se fazia presente, não de forma ameaçadora mas digna.

    " Que força se esconde por de baixo deste homem?! Quais deveres regem sua alma..."

    Soltando-se de Evangeline a cainita simplesmente abraçou o grande corpo de Edgard, aquele ato tão humano e distante da natureza vampirica vinha de forma natural e sem preocupações.

    - Me orgulho de te-lo como irmão... Mas me sentiria feliz se pudesse ter tua verdadeira amizade novamente... Não quero que magoas do passado quebre o laço de nosso convívio...
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 11/4/2016, 16:22

    Evangeline se aninhou rapidamente em seu breve abraço, o sangue que estava no corpo da jovem se misturou a água que estava ainda contida nos panos rasgados do seu vestido e assim que você a soltava, ela dava um passo para trás e dois para frente. Levantando as mãos para cima e em seguida para baixo, a jovem sentia a mudança dentro do próprio corpo e parecia fascinada com o mesmo.

    -A besta de um ancião é sempre um enorme desafio... Mas felizmente nada de muito grave aconteceu, apenas uns carniçais assustados para eternidade e alguns jovens aterrorizados. Nada que não seja extrema...

    O Sacerdote interrompia a própria resposta quando sentia o seu abraço, o corpo gélido do ancião estremeceu e você sentiu que o mesmo chegou a recuar alguns centímetros, instintivamente assustado e incapaz de retribuir ao seu toque, o ancião surpreso enfrentou o próprio receio instintivo de recuar e colocou com temor uma mão nas suas costas, diminuindo a distância entre vocês e retribuindo de forma pouco tradicional ao abraço. Quando finalmente vocês dois se abraçam, o corpo do mesmo simplesmente cede como se não houvesse mais nenhuma força capaz de mante-lo de pé, com uma voz fraca ele sussurra.

    -Desculpe-me pela fraqueza momentânea, eu não sei explicar...

    A sua compreensão e vários anos de estudos sobre a musculatura humana e o comportamento físico do mesmo lhe davam a resposta que fugia da mente do sacerdote. Com a quantidade de ferimentos que haviam em seu corpo, ele deveria estar em torpor e não de pé e conversando com vocês. Além da notória falta de vitae que se expressavam pela ausência de força e capacidade de raciocínio, mas a sua analise era rapidamente cortada por uma única gota. Simples, mas carregada pelos mais sinceros e pesados significados que o universo poderia ser capaz de produzir. Uma gota de sangue caiu do olho esquerdo do sacerdote e tocou-lhe o ombro...

    -O que é isso que você está causando em mim irmã?! É algum tipo de disciplina, por favor me diga que não... Perdoe-me a confusão mental, estou exausto... Mas fico feliz, muito feliz em saber que terei novamente a possibilidade de manter uma amizade contigo, o passado não é importante agora, vocês são duas novas mulheres e eu já me tornei um novo homem. O futuro é para onde devermos sempre olhar.

    Eva finalmente olha para vocês dois e faz um comentário que arranca um sorriso inteiro do sacerdote.

    -Vocês parecem irmãos! Que cena linda! Vocês dois já se conheceram antes né?!
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 11/4/2016, 17:04

    As reações de Eva fizeram com Pietra a olhasse com carinho, a mudança pela qual a cainita havia passado deixaria muitas marcas na personalidade da francesa, marcas que o tempo ensinaria Pietra a conviver com a nova mulher que sua companheira havia se tornado.

    Já a reação de Edgard fez com que Pietra escondesse o riso breve enterrando seu rosto no peito do cainita, a frieza e a demora do abraço não diminuiu o carinho do simples ato, porem quando o corpo de Edgard cedeu Pietra o segurou com delicadeza em seus braços, a potencia de seu sangue fez com que a mais baixa sustentasse o corpo do homem.

    Olhando para face deste no momento em que a gota de sangue tocou seu ombro Pietra sorriu, colocando-se na ponta dos pés a cainita beijou a testa deste em um sinal de carinho profundo.

    - Edgard... Me conheces bem para saber que eu não usaria tais artifícios... Isso meu irmão se chama ternura... Algo que ha muito não sentias, sua reação é algo natural nestes casos... Já sua fraqueza momentânea requer um descanso adequado... Suas feridas e a falta de sangue o causaram...

    " Porque os cainitas esquecem destes sentimentos... Não é uma fraqueza sentir... Eles nos alimentam de outra forma..."


    Vendo de relance o rosto de Eva e sua pergunta Pietra assentiu com a cabeça, oferecendo o ombro para que Edgard se apoiasse a cainita procurou pela saída, o corpo do Sacerdote pedia por descanso e cuidados.

    - Sim minha querida... Tivemos uma singela amizade em nossos anos na corte de Roma... Felizmente o destino quis que nossos caminhos se cruzassem novamente, desta vez como irmãos sobre os cuidados da Espada...

    Assim que encontrasse a escada Pietra faria um leve aceno pedindo que Eva fosse na frente como guia.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Danto em 11/4/2016, 23:24

    A incrédula expressão de surpresa dominou a face de Edgard quando você beijou a testa do mesmo, você se lembrava bastante do mesmo quando ele ainda frequentava a corte de Roma e certamente lá ele não havia jamais estabelecido algum contato tão emocional ou próximo, os olhos dele haviam claramente se distanciado para memórias ainda mais antigas do que Roma, mas antigas do que o abraço...
    O homem simplesmente não disse nenhuma palavra, aceitando ser conduzido por você, apoiando-se em seu ombro e mancando levemente devido a própria fraqueza física em que se encontrava. Evangeline estava por outro lado, enérgica como nunca. Ela andava a sua frente, com uma mão na parede e outra no corrimão, se deliciando com as texturas das coisas que a rodeavam.

    -Vocês dois eram amantes em Roma? Seria uma linda história! Dois revoltados anciões, outrora amantes separados pelos orgulhos de seus Senhores, reunidos outra vez sob a tutela da força libertadora do Sabá. Mas seria uma pena, porque você é minha e eu não gostaria de começar minha nova vida ceifando a alma de um Sacerdote, daria azar, não é mesmo!?

    As palavras de Evangeline fizeram os olhos de Sir Edgard retornarem, não só os olhos, mas como também as suas palavras e atenção. O sacerdote sorriu e antes de responde-la, olhou para você e comentou com uma voz fraca.

    -Obrigado irmã...Agora, escute-me bem Evangeline, teus instintos estão aflorados. Eu entendo isso perfeitamente, mas preciso deixar claro que em hipótese alguma tais ameaças serão toleradas, nem sequer em tom de brincadeira. Entendido? Lembre-se sempre de quem a deu essa nova vida, a mão que dá é a mão que retira.

    Evangeline para de andar, ficando alguns passos a frente de vocês e vários degraus abaixo, virando-se e fazendo uma reverencia enorme para o bispo. Para então caminhar até vocês e pegar a mão direita do homem, dando um beijo na mesma e respondendo de uma forma que a surpreenderia.

    -Peço perdão, meu Sacerdote, pois a ti sou eternamente grata. Meus impulsos estão difíceis de serem controlados e preciso de tuas palavras para encontrar um novo caminho...

    Edgard respondeu então brevemente.

    -Eu irei guia-la, jovem, não se preocupe. Esse é minha função, meu dever e minha honra.
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    Re: Ato IX - Narrativa de Pietra: Provecto III

    Mensagem por Jess em 12/4/2016, 00:08

    Ver a expressão de Edgard e o aceitar da ajuda vinda do cainita fez com que Pietra mantivesse o silencio, era claro a nuvem das memorias que nublavam os olhos do Sacerdote e a italiana respeitava aquele acontecimento.

    " Memórias... Como pequenos atos podem desperta-las com tanta força... Como elas podem nos derrubar... Derrubar até mesmo as forças mais titânicas..."

    Tomando o cuidado para ajudar Edgard a se movimentar sem abrir mais suas feridas a cainita sorria ao ver os movimentos de Eva, o claro deliciar de seus sentidos a flor da pele era uma visão unica.

    As palavras da mais nova fizeram Pietra ficar atônita, seus olhos se encontraram com os de Edgard e em seus lábios apenas um pedido de desculpas eram sussurrados.

    - Perdoe-a... Ela esta animada demais...

    Recebendo o sorriso do Sacerdote, Pietra o ajeitou da melhor forma que pode, a diferença de altura entre os dois era um empecilho superado facilmente pelo sangue potente da mais baixa. Os atos de Eva fizeram com que a cainita arqueasse de leve a sobrancelha.

    - Eramos duas alma iguais presas a corte... Edgard tinha seus estudos e eu minha fugas para longe das intermináveis reuniões... Apesar do pouco contato na época sempre o vi como alguém parecido... Apenas com um foco diferente do meu... Fico feliz em saber que terás Edgard como tutor... Eu não conseguiria imaginar ninguém melhor para ajuda-la a se encontrar mia bella... Mas tenha um pouco de paciência nas próximas noites... Acredito que elas lhe serão complicadas... Tu melhor do que ninguém sabes que eu permanecerei ao teu lado...


      Data/hora atual: 25/6/2017, 19:23