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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

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    Danto
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    Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 13/4/2016, 01:38

    27 de Setembro de 1911, Catedral de la Almudena, Madrid.


    Guiadas por Caroline até um dos incontáveis cômodos daquela enorme Catedral que ocupava praticamente um quarteirão inteiro da capital espanhola. Você e Eva são levadas a uma pequena locação onde haviam pequenos armários de madeira, chuveiros e uma espécie de vestiário para as freiras locais se banharem antes de darem inicio aos seus estudos, misas e congregações.
    Eva estava eufórica, parecendo uma criança feliz a brincar curiosamente com todos os objetos que a cercavam, com as texturas, espessuras e formas. Dando pequenas risadas, ela estava claramente sendo conduzida pelos próprios instintos e sem pensar duas vezes ficou completamente nua a entrou debaixo de um dos chuveiros, rindo com a água que caia em seu corpo.
    Caroline observa Eva com uma expressão de desgosto e censura, o mesmo olhar que em várias ocasiões iria se entreter profundamente com a própria Eva e dar excelentes risadas ao lado da mesma. Caroline então observou você e disse de maneira simples.

    -Se troque e lave suas mãos e face. Infelizmente não existe nenhuma outra veste a oferecer se não as roupas daquelas que aqui servem como eu, mas será muito melhor vesti-las do que leva-las ao encontro do Cardeal como duas Gangreis selvagens que acabaram de fugir de lobos.

    Eva então retruca.

    -Eu não vou conhecer Cardeal algum, não precisa do Plural! Eu só saio daqui quando o meu Sacerdote vir me buscar. Não sou louca de me descontrolar na frente de um dos maiores líderes do Sabá, não renasci para morrer de novo né, faça-me o favor!

    Caroline resmunga em espanhol.

    -Jovem impertinente, indisciplinada. É revoltante como tenho que simplesmente servir a uma criança como você, Edgard ouvira muitas reclamações! Ele deveria cuidar de suas ovelhas, não eu... Dai-me paciência oh Senhor.

    Eva em um tom de deboche balança os ombros e em Espanhol responde a Caroline, surpreendendo a mulher que esperava que nenhuma de vocês duas fosse versada no idioma da capital.

    -Moça, somos irmãs. Você não precisa me servir, ajude Pietra e me deixe em paz que eu também a deixarei em Paz. O que me diz?

    Caroline irritadíssima com a situação escolhe ignorar Evangeline e olhar exclusivamente na sua direção. Parando por alguns segundos para conseguir remover a face de irritação e então caminhar em direção a um dos armários de madeira, abri-lo e tirar de lá uma muda de roupas negras típicas do clero, para então coloca-las sobre uma bancada lateral próxima ao local de banho, apontando para um outro armário, ela e responde em Espanhol.

    -Lá você encontrará toalhas, não use nada além do próprio vestido negro, o branco faria de ti uma serva de Deus e certamente esta não é tua função aqui nessa paróquia. Estarei a sua espera do lado de fora! Antes que eu perca minha paciência com essa tua criança! E recomendo arrumar-se bem rápido, caso queira encontrar o Cardeal ainda essa noite, aparentemente o mesmo está recebendo a visita de um membro Ilustre que trouxe consigo um reforço.

    O membro ilustre não era familiar a sua memória, provavelmente a sua entrada nos
    aposentos do Cardeal ocorreram após a saída desse membro, quem poderia ser? O que o Destino estava preparando para você no final daquela noite inesquecível?!
    Após a sua resposta, a mulher apenas seguirá em direção a saída do pequeno vestiário onde você e Eva se encontravam, para ficar no corredor em seu aguardo.


    Última edição por Danto em 27/4/2016, 14:32, editado 2 vez(es)
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    Jess

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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 13/4/2016, 09:16

    Durante o caminho em que foram guiadas por Caroline, a cainita segurou a mão de Evangeline, seus dedos brincavam com a palma de sua companheira enquanto um leve sorriso estava formado no rosto de Pietra.

    " Qual o alcance das mudanças causadas pelo Amaranto?! Esta Caroline simplesmente não condiz com a que eu conheço... A aparência é a mesma, mas as personalidades..."

    As ações de Evangeline dentro do vestiário fizeram com que Pietra escondesse o sorriso, não por repreender as ações de sua amada, apenas para que Caroline não repreendesse as duas.

    - Acredito que não seja a melhor escolha levar Evangeline de encontro ao Cardeal. Seus sentidos estão aflorados e seu descontrole não seria bem recebido... Peço desculpas por surpreende-la com nosso conhecimento sobre a linguá destas terras... Simplesmente seria descortês de nossa parte ignorar a bela fala das terras espanholas...

    Retirando os restos de sua roupa Pietra começou a se limpar da melhor forma possível, as instruções seriam seguidas a risca usando-se de sua rapidez de sangue para cumprir as ordens recebidas a cainita se arrumou da melhor forma que dispunha, trançando os longos cabelos e lavando seu rosto braços e pernas.

    " Quem deve ser?! Eu gostaria de poder me lembrar de mais coisas com clareza..."

    Ao terminar de se vestir Pietra separou uma das toalhas para Evangeline, pegando a muda de roupa separada a cainita a vestiu com simplicidade, um sorriso educado se formou em seus lábios.

    - Eva... Tenha paciência com nosso irmãos... Pelo menos enquanto seus sentidos ainda estiverem aflorados mia bella...

    Jogando um leve beijo para sua companheira Pietra saiu do vestuário para ir se encontrar com Caroline, suas palavras em espanhol era ditas com clareza e fluidez.

    - Espero estar o suficientemente apresentável irmã...
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    Danto
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 13/4/2016, 16:02

    Evangeline pegou o beijo que por ti fora jogado e colocou gentilmente sobre os próprios lábios e sorriu para você, sem dizer nada, apenas os gestos eram mais do o suficiente. Além disso, ela notava a sua pressa e a compreendia completamente, assim, a francesa se dedicou ao próprio banho que claramente seria longo devido a enorme sujeira que estava encrostada em seu belo corpo.

    No corredor, Caroline a aguardava e com uma breve movimentação de saudação, que consistia em uma curta dobra de joelhos e um puxar lateral da enorme saia negra das vestes que usava. Após a sudação a ancillae do clã Lasombra dá inicio a uma caminhada em direção ao corredor lateral, saindo da catedral e atravessando as escadas e o largo pátio de mármore que separava o prédio central da igreja da menor construção que abrigava o alto clero de Madrid.

    E assim que vocês duas adentram a construção quadrada de pedra, o som dos cânticos gregorianos invadem seus ouvidos, Caroline então parava alguns segundos para observar o ambiente do interior da grande paróquia do Sabá Europeu. Não havia em nenhuma outra cidade no velho continente, uma força tão poderosa quanto a figura do Cardeal. Os cânticos vinham de homens, postos ao fundo e a metros de distância do altar, colocados precisamente de acordo com suas extensões vocais, dividindo-se entre os altos no primeiro andar e baixos no segundo andar. O reverberar das vozes mais grossas ecoavam com enorme presença.
    De pé em frente ao altar estava o próprio Cardeal, ao seu lado, uma mulher belíssima e com vestes medievais. De joelhos a frente do Cardeal, Artur.




    Caroline faz uma gigantesca reverência em direção ao altar, colocando-se de joelhos e realizando o sinal da cruz católica, terminando com um breve beijar na ponta dos próprios dedos e os apontando em direção aos céus. Ela então caminha até as cadeiras frontais daquele sacro ambiente, sentando-se e aguardando pacientemente o final dos cânticos.
    Mas a sua atenção estava simplesmente estasiada com as duas figuras de pé naquele esplendoroso altar. Primeiro a figura do Cardeal Ambrosio Luis Monçada, a potência de seu vitae era tão grande quanto seu enorme e redondo corpo que estava coberto pelas mais altas vestes que o clero mortal poderia oferecer, exceto é claro, pelas próprias vestes sagradas de um Papa. O Cardeal Monçada era citado por todos os Lasombra anciões como um grande líder do clã dês das noites mais antigas que a própria Revolta Anarquista, dentro do Sabá, ele era o único Cardeal que nunca ocupou nenhum outro cargo na hierarquia da Espada, existindo rumores que o nome "Cardeal" foram construído justamente para presentear o ancião.
    Ainda de pé sobre o altar, mas recuada em relação ao púlpito onde Monçada se encontrava, havia uma figura feminina de poder. Um titã do vitae de Caim, sua força e presença era mais fortes do que a própria figura do poderoso e imponente Príncipe de Paris e superava inclusive a presença imposta por Gustav em Berlim. Seus olhos tremiam e sua besta adormecia diante de tanta força, a antiga possuía um nome que seria primordial para toda a Espada no futuro próximo: Melinda Galbraith, a Regente.
    Artur era a menor das figuras nas proximidades do altar. De joelhos ele era abençoado por Monçada através de um simples ritual de recepção que estava claramente perto de seu fim, o Cardeal então fez um sinal para que Artur se colocasse de pé e sincronizado com o erguer daquele que anos à frente, se tornaria o Arcebispo de Berlim, os homens do coral se silenciam. Monçada então faz um sinal com a mão direita e todos do coral se retiram...
    Um olhar e seu corpo inteiro se estremece, a titã havia notado a sua presença e os olhos dela se aprofundavam na sua aura, na sua alma, no seu corpo e enfim em sua mente. E ela sorria ao ouvir da sua frágil mente o que o futuro a reservava. Era simplesmente terrível permanecer à frente de um ser que poderia, em um piscar de olhos, destruir todos os cainitas de Madrid como moscas frágeis utilizando apenas a própria vontade. Essa era Melinda Galbraith, a lendária prole mais antiga da lendária Helena de Tróia. Uma vergonha eterna para o clã das rosas, era Melinda Galbraith que carregava o título de progenitora da linhagem Anti-tribo, a mulher capaz de derrubar Justicares e de se colocar a frente de toda a Espada de Caim como a verdadeira e absoluta líder.

    -Que a benção do nosso Pai e Criador caia sobre teus ombros, jovem Artur, a Espada de Madrid o recepciona com os louvores sinceros e sob a recomendação da nobre e inexorável palavra de Melinda Galbraith. Ponha-se de pé meu filho, pois não és o único a ser apresentado a Espada nesta noite.

    Disse Monçada com uma frase simplesmente idêntica a que você se lembrava de ter ouvido em seu passado, dando inicio ao diálogo que se seguiria exclusivamente em espanhol, a cena era um reflexo do que havia ocorrido em sua vida, exceto pelas presenças de Caroline e Melinda. E a poderosa anciã, não desviava os olhos de ti nem por um único segundo, expandiu a própria voz por todas as paredes daquela ambiente.

    -Pietra Rafaldini, prole de Elonzo e futura Senhora de Lorenz. Apresente-se diante a Espada de Caim.

    Ambrosio Luis Monçada:



    Melinda Galbraith:



    Última edição por Danto em 14/4/2016, 01:39, editado 1 vez(es)
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    Jess

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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 13/4/2016, 22:22

    Pietra sorriu com o gesto de Evangeline, a urgência impedia com que as cainitas trocassem gestos de carinho uma pela outra, coisa que era entendida por ambas as partes. Do lado de fora Pietra respondeu o cumprimento de Caroline com uma breve mensura.

    Em silencio Pietra seguiu a figura da Ancilae, em sua mente esta remontava a cena de sua apresentação, mesmo sabendo que a figura de Caroline não se encontrava no ocorrido Pietra torcia para que tudo se repetisse na mais profunda qualidade e bons resultados.

    No altar nada poderia preparar a cainita para a cena que acontecia, o cântico gregoriano extasiou os sentidos da toreadora, a figura ainda jovem e desconhecida de Artur ajoelhado, o sangue poderoso do grande Cardeal Monçada, mas nada se comparava a figura bela e titânica de Melinda.

    " Que tipo de homem é Artur para conquistar tais aliados?! Como ele conseguiu... Porque no final ele se encantou por mim..."

    Os olhos de Melinda fizeram com que Pietra segurasse as saias de vestido com força o suficiente para deixar as juntas de seus dedos esbranquiçadas. Ter seu corpo, alma, aura, amago e até mesmo sua memoria vasculhada pela Anciã das Rosas fez com que a cainita retesasse todo seu corpo, o sorriso advindo desta não ajudou a diminuir a tenção.

    Controlando-se para não estremecer diante da recepção de Artur, Pietra assistiu a cena em silencio, seus olhos buscavam a imagem de Melinda, mesmo que temerosa a simples presença da mulher ainda era uma lembrança do quão poderosos as crianças das rosas poderiam ser.

    Ouvir seu nome ser dito pela colosso fez com que o corpo de Pietra acordasse do exstasse, fechando os olhos e respirando fundo em um ato tal mortal a cainita suspendeu de leve a saia do vestido se aproximando do local onde deveria se ajoelhar. Seus olhos por um breve instante buscaram os olhos de Artur em um velho sinal de companheirismo mesmo que ainda fosse desconhecido pelo Ventrue.

    Ajoelhando-se em sua melhor postura Pietra firmou bem seus joelhos antes de começar sua apresentação.

    - Atendendo o convite da Espada. Eu sou a criança da linhagem de Castili, prole da progenitora. Senhora de Rafael de Corazón e Elonzo... Elonzo primeiro príncipe de Milão e Primogeno de Roma... Senhor de Masdela meu irmão mais velho, meu criador e senhor de Soyer... Estou a sete passos de Caim... Me chamo Pietra Rafaldini... Aqueles que habitam a Torre de Marfim me pediram com a educação que dispensam as suas parias que recolhesse meus bens e abandonasse sua ilustre e decadente morada... Fui julgada por Elonzo sobre o pecado de entregar meu coração a criança que me acompanha, Evangeline Bourseiller minha companheira... A mesma acaba de passar pelo rito de criação... Esperamos assim provar nosso valor diante da Espada...

    Durante todo o seu discurso Pietra manteve seus olhos abaixados em claro sinal de respeito, apenas no fim deste a cainita ousou levantar seus olhos e olhar a face do Cardeal.

    Off: Teste de Aparencia + Etiqueta = 8d10
    Teste de Carisma + Etiqueta = 9d10 + 1FV


    Última edição por Jess em 13/4/2016, 22:27, editado 1 vez(es)
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    Danto
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 13/4/2016, 22:22

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 10, 2, 2, 6, 2, 4, 7, 4

    --------------------------------

    #2 'D10' : 9, 4, 9, 4, 4, 6, 4, 1, 2
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    Danto
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 14/4/2016, 03:06

    Os seus olhos se encontraram com os de Artur que de pé estranhou profundamente o olhar intimido que era expressado em seus olhos, permanecendo inquieto durante toda sua apresentação, mas recompondo-se rapidamente para não chamar a atenção do Cardeal. Mas haviam dois olhos a mais vindos do altas e nada passava despercebido desses olhos antigos, aquele que se tornaria a segunda Regente do Sabá, mantinham um sorriso na face como se estivesse a se entreter com o que conseguia ver através da sua alma.

    Monçada a ouviu atentamente e assim que seu rosto se levantava o enorme homem de idade avançada dá breves passos na sua direção demonstrando a pouco destreza física que aparentava possuir devido a estrutura corporal que possuía. Em seguida o ancião, que sempre foi um dos maiores pilares de influência de seu clã na Ibéria, retoma a fala para interromper o breve silêncio.

    -Teu Senhor é um dos mais importantes e tradicionais membros da Torre de Marfim, assim como teu irmão mais velho. Recordo-me de ter encontrado seu Senhor em algumas curtas ocasiões, mas é com uma enorme felicidade que lhe digo: Bem vinda, Pietra Rafaldini, tens a minha benção para provar teu valor para a Espada. Espero ouvir de ti no futuro, minha jovem, pois fostes julgada por falsos crimes e ausente da verdadeira justiça deste mundo, não há autoridade se não a do Máximo Senhor do Altíssimo.

    O Cardeal não possuía um semblante ameaçador e você se recordava do mesmo exatamente assim, um pilar da tradição do Verdadeiro Sabá, um conselheiro e guia para os órfãos da tirania dos antigos da Camarilla. Ele não era tão poderoso quanto a maioria dos grandes anciões, mas sua influência se estendia profundamente por toda a sociedade mortal da Ibéria por mais de quatrocentos anos.

    -Tenho toda a certeza desse mundo que você irá ouvir desses dois jovens que se colocaram a sua frente nessa noite, Cardeal Monçada, vejo um enorme futuro à frente de ambos. A Europa presenciará suas glórias e conquistas, as faces da nova Era da Espada de Caim...

    Disse Melinda com sua voz forte como apenas a voz daqueles de sangue realmente potente poderiam soar. A matusalém estava encantada com o que via diante seus olhos auspiciosos, ela então se aproximou de Monçada e sussurrou algo de maneira breve em seu ouvido. Enquanto o fazia, Artur buscava novamente olhar para ti. Intrigado e ao mesmo tempo fascinado, o então Anciallae do Clã Ventrue não conseguia compreender como você poderia olhar para ele com tamanha intimidade e cumplicidade. Mas ele não ousou dizer nenhuma única palavra, mas que tomava a fala era o Cardeal.

    -Meus jovens, a vocês desejo Boa Noite. Irei me retirar por hora e espero vê-los nas próximas noites. Lady Caroline, por favor, me acompanhe até meus aposentos.

    Caroline, prestativa como nunca fora em Berlim e submissa a ordens diretas, colocou-se de pé e caminhou até o altar auxiliando o enorme homem a descer do mesmo. Era curioso como um dos mais importantes Cardeais encontrava dificuldades em descer de um simples altar. Mas a sua longa experiencia era capaz de ultrapassar as percepções mais superficiais, não era uma questão dele não ser capaz, mas sim uma questão de ensinar lealdade e servidão aos que o seguiam, assim como, dar aos seus servos funções dignas e importantes para valoriza-los, uma lição que você havia aprendido com o Próprio Monçada nas noites seguintes à essa sua apresentação.
    E assim, apenas Artur, Melinda e você permanecem no local.
    A anciã faz um gesto para você se colocar de pé e desce graciosamente do altar, com pés uma bailarina nata. Então, caminhando até parar exatamente à frente de vocês ela diz.

    -Lady Pietra Rafaldini, este é Artur Scholl. Sir Artur Scholl, esta é Pietra Rafaldini. Você se recorda a razão pela qual eu o trouxe até Berlim, jovem Artur?!

    Indagou Melinda. Artur então respondeu, a voz do mesmo ecoou dentro de você com uma força potente, sua língua ainda sentia o sabor do vitae daquele homem, as memórias mais recentes de entrega e amor ardiam com intensidade em seu peito com tamanho vigor, que cessava a forte essência da besta milenar da anciã.

    -Sim minha Senhora, eu me recordo perfeitamente. Recolheu-me da sarjeta da cidade de Praga, agarrou-me pela mão direita e ordenou-me a ficar de pé, Tens um destino fantástico a sua espera jovem, siga-me e apresentarei a ti um caminho, você assim me disse naquela noite. Então aqui estou.

    Melinda sorriu e comentou com uma felicidade que já começava a transbordar por todos seus poros, expressões e posturas.

    -Não há mais razões para me seguir, pois acabas de encontra teu caminho. Lady Rafaldini, estarei a tua espera na torre do sino, quando terminar de conhecer Artur, vá ao meu encontro. Agora, me retiro...

    A anciã então caminha em direção à unica saída do local, que outrora fora utilizada por Monçada e Caroline. Sozinhos vocês dois então estavam, Artur se vira e olha diretamente para você. A movimentação rápida do mesmo fez teus olhos se confundirem mais uma vez, da mesma forma que haviam se confundido ao ver a face de Elonzo sobre o corpo de Edgard. Mas sobre o corpo de Artur, a face de Michelângelo estava a sorrir para você.

    -Prazer em conhece-la minha Senhora, é sempre uma grande honra estar diante de uma anciã da família das rosas. Me perdoe pela petulância, mas nós dois já nos conhecemos?! E pelo que posso entender, os líderes da Espada estão interessados em nossa aliança que nem sequer existe. Você saberia o motivo?!
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    Jess

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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 14/4/2016, 16:15

    Pietra não se ressentiu pela estranheza de Artur, a cainita entendia perfeitamente os gestos do Ventrue.

    " Porque uma completa estranha faria isso?!"

    As lembranças das inúmeras vezes que o próprio Artur repetira o ato em busca de conselhos e aprovação. Voltando a se concentrar em seu dever Pietra ouviu as palavras do Cardeal, sua imensa figura inspirava outro tipo de respeito, não havia temor ou a força de sangue, mas sim a qualidade inata de um líder, reger pela confiança e respeito.

    - Será uma honra servir a Espada... Falo por minha companheira e por mim...

    Os movimentos de Melinda e a pequena conversa em tom baixo com o Cardeal fizeram com que o corpo de Pietra sentisse seus músculos novamente se endurecer, a simples presença da Anciã do Clã ja era o suficiente para fazer com a cainita sentisse a pressão sobre seus ombros, e saber que a mesma ainda se divertia com os conhecimentos sobre o futuro piorava ainda mais a situação.

    Ainda de joelhos a cainita saudou respeitosamente a saída do Cardeal, o pedido de ajudo para Caroline fazia com que Pietra estudasse os gestos daquele homem. Por de trás do mais simples e singelo gesto se escondia um respeito e consideração por cada membro e servo da Espada, aquilo ajudara a construir a fama do Cardeal.

    " Vejo muito do Cardeal no futuro líder que Artur se tornara... Ele aprendeu bem... Acredito que seria sábio também o faze-lo..."

    Levantando-se apenas quando Melinda permitiu Pietra bateu de leve a saia do vestido negro, dando leves passos para se aproximar da Anciã a cainita sorriu educadamente durante a breve apresentação conduzida por esta. As palavras de Artur elucidaram em muito as duvidas. Olhar para Artur e sentir todos aqueles sentimentos contidos acabaram com a influencia da presença de Melinda, mesmo assim a cainita ficou surpresa ao ser convocada para o encontro particular.

    - Não ousarei deixa-la esperando mia signora.

    A sós com Artur o leve reflexo das faces de Michelangelo fizeram com que o carinho pelo cainita apenas crescesse, contendo seus sentimentos a cainita sorriu de forma leve enquanto brincava com as próprias mãos.

    - Os gregos acreditam que todos tem seu destino traçado pelas Moiras... São elas que no final cortam a linha da vida quando caímos nos braços e afagos da morte... Os próprios gregos acreditam que quanto mais se tenta evitar seu destino mais cruel ele se torna quando lhe encontra... Sinceramente não saberia dizer o porque de ambos esperarem uma aliança entre desconhecidos... Peço seu perdão por ter lhe causado desconforto durante minha apresentação... Por alguns instantes tu me lembrou de alguém que me era querido durante meus anos mortais... Realmente não era essa minha intenção...

    A saída de Melinda havia feito com que toda a postura de Pietra relaxasse, ali mais do que nunca a cainita era a artista que sempre fora, mesmo que no fundo tivesse que esconder de si mesma o que o futuro lhe reservava.
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    Danto
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 14/4/2016, 20:44

    Sua atenção agora estava livre para observar com clareza a figura de Artur, ele estava perfeitamente idêntico ao que a sua memória lhe contava todas as noites. Usando um terno cinza, comum e sem grandes marcas, sapatos em tons escuros de marrom. Um pequeno lenço em cor de grafite posto no bolso frontal do terno, cabelos penteados para trás e com um certo esforço para esconder a maioria dos fios grisalhos que haviam em sua cabeça. De acordo com seus cálculos, ele deveria ter exatos 235 anos de abraço nessa noite, sendo que 200 deles foram vividos em peregrinação pela Europa Oriental em busca do próprio desaparecimento, afinal, havia uma ordem de destruição para ele em Berlim.

    -Não há necessidades para pedir desculpas, Minha Senhora.

    Respondeu Artur com um tom calmo de voz, ele ainda não possuía a postura de líder que havia desenvolvido em Berlim, pelo contrário, ainda assemelhava-se a um cainita assustado que não possuía grandes expectativas.

    -Eu sinceramente não possuo grandes informações acerca da cultura grega, talvez só o básico como vários outros por toda a Europa aprenderam em seus estúdios básicos de história. De qualquer forma, irei escutar os antigos e sei que não possuo muito a oferecer a uma anciã como a Senhora, mas eu gostaria de ter a permissão de manter outras conversas com a Senhora durante a tua estadia aqui em Madrid. E se assim desejar, gostaria de compartilhar um pouco das minhas experiências e de como é ser um Ventrue Bastardo.

    A fala do homem era coberta de amargura, a palavra "bastardo" soavam ao seus ouvidos como uma faca de dois gumes. Ele claramente buscava ofender o próprio senhor com aquele termo, mas sentia profundamente o próprio golpe que desferia contra o alvo.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 14/4/2016, 21:54

    A imagem impecável de Artur, aquele homem ficaria marcado na mente de Pietra, não só em sua mente como em seu coração em um futuro distante. As palavras e modos polidos demorariam para lembrar a figura do lider que o cainita havia se tornado, mesmo assim era o mesmo Artur que estava a frente de Pietra.

    "Engraçado como completos estranhos puderam desenvolver um laço de amizade como o nosso... O destina é deveras curioso..."

    - Da mesma forma que não vês necessidades de desculpas, não vejo porque tu deverias me tratar por Senhora... Diante da Espada somos todos irmãos... Tais tratamentos ficaram para trás...


    Fazendo um pequeno sinal as os bancos a cainita sorriu com delicadeza num convite para que se sentassem.

    - Se preferir retrate-se a mim como irmã... Embora eu prefira que me chamem de Pietra... Chamar uns aos outros pelo nome cria laços de igualdade, algo que me parece ser bem visto dentro da linhas da Espada... Nunca diga que não pode oferecer nada a alguém, palavras amigas e pequenos gestos deveriam ser considerados como tesouros... Eles são raros e não cobram por sua existência...

    Tomando o cuidado de se sentar sem amassar o vestido usado Pietra respirou fundo ao encarar o altar por alguns instantes, cruzando de leve as penas a cainita as balançou brincando de não tocar o chão.

    - Posso sentir sua dor... Mesmo que seja apenas um reflexo do que tu deve ter passado eu sei o que é ser um bastardo de sua própria linhagem... Quanto a permissão... Não é preciso pedir permissão a um irmão... Alem do mais eu sempre tive uma leve tendencia a criar raízes... Um mal costume da Toscana eu acho... Estivesse em Praga, sempre quis conhecer a cidade... Ouvi dizer que a arquitetura é brilhante...

    Ainda brincando com as pernas Pietra estudava as reações de Artur, mesmo que o conhecesse tão bem a cainita se surpreendia o quanto o Ventrue havia mudado ao longo dos anos.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 15/4/2016, 18:35

    Artur caminhou ao seu lado até os bancos mas não se sentou no mesmo instante que você, o mesmo se dedicou a observa-la atentamente, os olhos do mesmo estava notoriamente encantados e profundamente curiosos ao ponto de se dedicaram exclusivamente a ti. Era interessante para a sua percepção da cena que estava sendo contava novamente, pois durante a primeira experiência que tivestes tua percepção estava dedicava a Evangeline e Artur havia passado quase que despercebido nesse primeiro encontro, vocês demoraram várias noites para se aproximarem, justamente por sua dedicação à ela. Enquanto isso, ele se esforçaria em incontáveis ocasiões até finalmente conquistar uma parcela do seu olhar.
    E então, finalmente o mesmo se sentou, cruzando os braços e olhando para a imagem de Cristo na cruz.

    -Sabe aquele sujeito ali? Eu sempre detestei ele...

    Disse Artur apontando para a sagrada imagem do filho de Deus. Havia algo de diferente nele naquele instante, mas ele continuou a falar enquanto você se dedicava a compreender o que era.

    -O filho de Deus, herdeiro dos céus, nascido para ser o soberano e para receber a devoção dos outros. Por apenas, ter nascido como tal. Somos doutrinados a centenas e milhares de anos a adora-lo e teme-lo, pois ele, ele é o filho de Deus. Todo o conceito de nascido pra liderar me incomoda profundamente, quem deu aos Ventrue o direito de se colocar acima de todos? Eu sempre detestei meu próprio clã... Eu me nutria pelo ódio a todos os significados tradicionais e talvez tenha sido isso que me conduziu diretamente a você essa noite, acredito que eu demoraria meses para lhe dizer algo, mas por alguma razão eu tenho algumas certezas em mente, então por favor, me escute. Venha comigo a Berlim e juntos desafiaremos aqueles que outrora nos humilharam!

    O jovem que iria se tornar Arcebispos terminava a frase e olhava diretamente para os seus olhos, com a força e determinação que apenas a sua versão do futuro era capaz de demonstrar. Rapidamente a sua besta reagia aquela demonstração de vontade do homem que estava ao seu lado, reconhecendo a força que o vitae dele realmente possuía.

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    Jess

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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 15/4/2016, 19:25

    Sentada no banco Pietra sustentou o olhar de Artur, a cainita agora podia rever velhos acontecimentos sob um novo ponto de vista, pequenas falhas e coisas que a mesma havia ignorado agora se demonstravam com clareza.

    O ar de admiração que o Ventrue carregava em seus olhos agora estavam mais claros do que nunca, já para Pietra havia a leve surpresa de como aquilo havia acontecido tão rapidamente.

    " Isso sou eu mudando o passado ou é apenas o reflexo do que realmente aconteceu?!"

    Observando os movimentos do Ventrue a cainita riu ao ouvir a proposta, não era um riso de deboche ou nada parecido, era apenas o reflexo de sua besta que sentia o poder do homem ao seu lado.

    - Primeiro... Não se deve cruzar os braços diante do Filho de Deus...

    Comentou a cainita enquanto ela mesma cruzava as pernas por cima da madeira do assento.

    - Segundo... Não deixe que Caroline escute suas palavras... Ela lavaria sua boca com sabão... Terceiro... Ainda temos muito a aprender aqui... Seria uma loucura partir de encontro aos tiranos de nossos dias sem o minimo de preparação...

    Voltando seus olhos para a figura esculpida na madeira Pietra deixou que o silencio tomasse o ambiente por alguns instantes, mesmo sem perceber a cainita respirava em um movimento tão natural, voltando-se para Artur a cainita o estudou por alguns instantes, por fim seus olhos avaliativos sorriram.

    - Não é engraçado como ele se escondeu de sua própria criação... Os únicos que tem a real certeza de sua existência somos nós... Seus filhos rejeitados, filhos do pecado dele... Não vou lhe negar o convite Artur Scholl... Mas o que três crianças perdidas poderiam fazer contra a Torre sem o minimo de preparo?

    Desviando o olhar para encarar sua própias mãos a toreadora encheu seus pulmões de ar, com delicadeza a cainita tocou de leve o banco de madeira, justamente no espaço que a separava de Artur.

    - Tenho certeza de que tu te tornaras grande... Que provaras teu valor a Espada... Mas tudo precisa acontecer no tempo certo...
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    Danto
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 16/4/2016, 23:17

    -Você está absolutamente certa, Pietra, e algo me diz que essa frase será dita por mim incontáveis vezes durante nosso convívio não é mesmo? E talvez eu possa agora criar uma pequena teoria de porque o Cardeal e a antiga Melinda teriam tantas expectativas positivas sobre a nossa aliança. Somos de certa forma dois lados de uma mesma moeda, entende? Em mim queima o desejo de agir, já passei anos de mais sentado no ócio e mormaço, quero construir algo com as minhas mãos. Enquanto isso suas palavras e ações são precisas, pensadas e estudadas, sabes onde pisa e como e porque pisa. Eu desejo fazer e você sabe como fazer. E é por isso que irei escutar as tuas palavras...

    Artur diz descruzando os braços e abrindo um sorriso simples na face, o homem estava claramente empolgado e acima de tudo, determinado. A força daquele olhar era a força que faria do mesmo o Arcebispo de Berlim e você mais do que ninguém sabia disso. Era uma sensação interessante observar a determinação do jovem Ventrue, principalmente porque você não era sequer de reconhecer isso nele durante os primeiros anos. Artur se fazia presente nas apresentações de Eva nos teatros locais, chegando a comprar grande parte das suas obras e atuando como um investidor nas atividades de você e sua amada protagonizaram durante vários anos em Madrid. Agora você conseguia entender que o esforço dele era exclusivamente voltado para conquistar a sua atenção, ele havia se apaixonado profundamente por ti nas duas primeiras palavras que vocês haviam trocado. E essa paixão nutriu novamente a alma fragilizada do mesmo.

    -Irei conhecer profundamente os membros do Sabá, irei aprender com os melhores líderes da Espada, construir fortes alianças e estruturar algo inquebrável. O tempo será meu aliado e assim que estiver confiante de que o tempo chegou, irei mais uma vez fazer a ti esse convite. O que me diz?!
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 17/4/2016, 00:32

    Ver as ações de Artur se aproximarem tanto do Arcebispo fez com que Pietra devolvesse o sorriso deste.

    " Não importa o quão rápido ele possa ter criado afeição por minha pessoa... Este homem é grandioso e mal sabe disso... Artur apenas precisava de alguem que o incentivasse..."

    Voltando a brincar com as pernas Pietra meneou de leve a cabeça, seus olhos continuavam presos na figura do Ventrue.

    - Eu seria uma péssima aprendiz alguma coisa da corte de Roma ou Paris não tivesse entrado em meus conhecimentos... Devo salientar que não me orgulho deles... Mas são uteis...

    Recostando-se mais no banco Pietra encheu o pulmão de ar, o liberando vagarosamente, o ato estruturado a fez observar a imagem em cima do altar por mais alguns instantes.

    Sem permissão esta se virou para Artur segurando a mão mais próxima deste, depositando ali um singelo beijo a cainita estudava as reações deste.

    - Quando este momento chegar eu ouvirei seu convite... Mas saibas que minha escolha não depende só de minha vontade... Eva ama esta cidade... Sua musica incansável e a surpresa que se esconde por cada esquina... Minha companheira tem uma personalidade forte... Se a conquistares eu não recusarei... Porque vejo com olhos esta singela amizade...

    Brincando com os dedos da mão de Artur cada palavra proferida por Pietra era um reflexo do desejo compartilhado com o cainita, saber do futuro não ajudaria a construí-lo, suas ações e atos o fariam.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 17/4/2016, 23:57

    Artur não ousava desviar os olhos de você, não mais, nada dentro daquela belíssima construção humana era capaz de encantar a atenção do jovem Ventrue. Com uma expressão de surpresa, ele arregalou os olhos quando sentiu o seu toque, mas ele não recuou e a surpresa virou felicidade em uma velocidade extraordinária.
    Sutilmente, ele balançou a cabeça positivamente.

    -Eu irei conquistar a confiança e a amizade de sua amada, Eva, nós três seremos uma das mais fortes forças que esse mundo já viu. Outrora, antes dos tempos dos príncipes, as grandes regiões eram controladas por Triunviratos. Constantinopla, Cairo, Atenas, Esparta, Roma, Jerusalém... Três iguais diante um ideal, três iguais a conduzirem os órfãos em uma direção. Prometo a ti, Pietra, eu irei conquistá-la!

    Respondeu em um lapso de sinceridade limpa de censuras e por menores, o mesmo sempre acabava por se expor completamente quando estava a sós com você e pelo visto, não era algo que só viria a ocorrer no futuro. Os olhos dele viam em sua face uma rara imagem dentro dos laços e contatos cainitas, confiança.

    -Mas isso levará tempo, tudo levará tempo. Aprenderei a controlar meu ódio, preciso abandonar meus antigos dogmas e revisitar vários aspectos e costumes que se tornaram vícios e falhas... Mas por enquanto, tempo é de fato o objetivo. Dessa forma, acredito que será mais prudente que você vá de encontro a antiga de teu clã, enquanto isso, irei ao encontro de Monçada.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 18/4/2016, 00:48

    As palavras inspiradoras de Artur com um final tão inesperado pegaram Pietra de surpresa, mesmo vendo o olhar que o mesmo lhe desprendia a cainita não tinha certeza se aquela primeira impressão teria tal força.

    " Meu querido Artur... Eu espero que consigas... Que Eva o aceite..."

    Sorrindo em resposta ao jovem Ventrue Pietra puxou novamente a mão deste para perto de si, colocando-a sobre seu rosto a cainita fechou os olhos apreciando a leveza daquele toque.

    - Tenho certeza de que terás aquilo que lhe pertence... Apenas precisas de um pouco de instrução... Porque eu vejo em ti uma figura grandiosa... Escondida em meio as cicatrizes do passado... Quando esta figura se mostrar os inimigos da Espada tremeram... Até lá estarei esperando... Apenas peço paciência com a impertinencia de Eva...

    Depositando um leve beijo na mão de Artur, Pietra se levantou fazendo uma mensura para este.

    - Tens razão quanto ao tempo... Tu deves ir a Monçada e eu a Melinda... Grandes figuras nos escoltam não?!

    Sem esperar a resposta do homem a cainita se pôs a caminho da titã de seu clã.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 01:15

    Artur simplesmente não foi capaz de reagir, aquela expressão jamais sairia da sua mente e memória. O homem que viria a ser o famoso Arcebispo de Berlim, capaz de desafiar os dois príncipes de sangue potente do próprio clã, de erguer do nada uma poderosa lâmina da espada de Caim, o Arcebispo ficou apenas boquiaberto e sem a capacidade de dizer uma única palavra.
    Era exatamente o que os neófitos do clã Toreador passavam quando sofriam o primeiro encantamento da maldição, um fascínio que devorava as palavras, dominava os olhos e parava o tempo por longas horas.
    A única reação que o jovem demonstrou enquanto você já terminava de fazer a sua despedida, foi de balançar a cabeça positivamente para também se despedir. E em silêncio ele descruzou os braços e ficou a observa-la até você sair do local.

    Então você se coloca a caminhar, atravessando o pátio de que separava a Catedral do Arcebispado. Retornando a Catederal, o caminho escolhido era fácil, afinal, você havia passado pelo mesmo instantes atrás com Eva e Edgard.
    Em poucos instantes e sem interrupções você começava a subir as escadas e algo estranho lhe vinha a mente, uma enorme incerteza sobre o futuro... Afinal, quando mesmo que vocês três chegariam a Berlim? Rebeka foi a primeira Lasombra a chegar ou foi Caroline que venho junto a vocês três? A enorme presença de poloneses era só uma impressão?! Em meio a breve confusão de memórias, você tinha apenas uma certeza: Suas ações estavam ecoam e o passado estava sendo modificado. Se para bem ou para o mal? Estava fora de suas mãos. Mas a maldição do sono que assolou Berlim se mostrava realmente poderosa após a sua confusão momentânea.
    Ainda perdida em seus pensamentos sobre o futuro, uma música forte e acelerada começou a ecoar pelos corredores da escada, sobrepujando o som da chuva que agora caia como uma suave garoa dos céus, era um violão tocado com maestria, força e delicadeza. A música que encantava o coração de Eva e arrebatava a paixão dela por Madrid...


    A música era tocada do final da escada, seus passos então eram conduzidos pela melodia e seus olhos se surpreendiam em ver a imagem de Melinda sentada no parapeito da janela, após o sino da Igreja, a tocar um violão antigo e belíssimo de madeira negra como a noite. Ela mantinha um pequeno sorriso nos lábios, um pé no chão e apoiando o violão na perna que estava dobrada sobre
    a pedra.
    Ainda com as mesmas vestes de antes, ela se portava como uma Rainha medieval, mas a música era bem mais contemporânea e belíssima. Você via que as mãos e braços da mulher estavam corados ao contrário de seu corpo pálido, a arte estava no sangue da anciã assim como estava em seu sangue.


    MELINDA GALBRAITH:
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 18/4/2016, 09:50

    Pietra riu ao ver a expressão de Artur, o riso cristalino de seus lábios não escarniavam do jovem Ventrue, pelo contrario exaltavam aquela cena entre os dois, lançando um ultimo olhar para este antes de atravessar a porta Pietra escolheu o caminho já conhecido.

    Já nas escadas a cainita se apoiou na parede sentindo uma leve tontura devido as mudanças causadas por ela mesma ao passado, o reflexo daquilo só seria sentido no futuro mas mesmo assim a maldição parecia atingir Pietra com força.

    " Espero estar fazendo o certo... Construindo uma base mais sólida... Evitando meus erros..."

    Em meio a tontura e confusão momentânea o som da música a atingiu, para a cainita era como se a própria Madrid estivesse cantando, sem palavras e apenas com seus ecos noturnos, ecos de sua vontade, vida e mistério...

    Terminando de subir as escadas Pietra retornou ao local onde havia acordado de seu frenesi, seus olhos se detiveram em Melinda. A rainha de seu clã dedilhava com dedicação o violão em seu colo, tal imagem fez com a cainita sorrisse. Invadida pela musica Pietra chegou a fazer um dois passos da dança flamenca.

    Parando o corpo antes mesmo deste começar a dançar com força, Pietra se aproximou de Melinda ajoelhando-se a sua frente, os olhos da cainita assistiam a mais velha tocar estudando cada movimento, suas mente porem bailava a cada nota tocada e vibrante.

    " A música é um dom... Quase divino... Mas um dom..."

    Ali de fronte a Melinda, Pietra esperou pacientemente que a Toreadora terminasse sua música.
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 15:35

    Os amendoados olhos da Rainha a sua frente mantinham fechados até o final da melodia que saía do instrumento musical que estava em seu colo, as cordas ainda ressoavam quando aquele belíssimo par de olhos finalmente se atentou a você. Repousando a palma da mão direita sobre as cordas e sorrindo suavemente a anciã parecia incrivelmente feliz e acima de tudo, viva.
    A arte era a grande força que regia a existência do clã Toreador, mas nem todos eram puramente talentosos e raros eram aqueles cujo talento era transcendental, Melinda certamente estava entre os raros.

    -Sou incapaz de tocar sem sentir o vitae correndo do meu coração até a ponta dos meus dedos, minha Senhora sempre insistiu em chamar essa necessidade de fútil, mas ela nunca foi uma artista. A beleza dela era sua arte, Helena de Troia a mais bela das mulheres... Enfim, fico feliz que tenha vindo tão cedo ao meu encontro, não toco para os ouvidos de alguém a muitos anos. Espero que ainda consiga executar um pouco dos sentimentos que nascem em minha mente e instintivamente se expressam pelos dedos...
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 18/4/2016, 17:36

    Durante todo o tocar de Melinda, Pietra se manteve quieta e de joelhos, em seus olhos ressoavam a velha essência de uma aprendiz, ao ver os olhos de Melinda a mais nova sorriu.

    " Tão viva quanto a musica que sai de seus dedos... Sera que minha arte um dia alcançara tamanha perfeição?!"

    Levantando-se do chão Pietra limpou a saia do vestido para então fazer uma pequena mensura a Melinda.

    - Seria tolice ignorar o conselho de Artur e me demorar demais a vir em seu encontro... Quanto a sua musica... Por todos os acordes acreditei que era a alma de Madrid cantando... Não com palavras, mas com os ecos de sua vida...

    Colocando a mãos sobre o colo a mais nova brincava com as próprias mãos em claro sinal de nervosismo.

    - Meu senhor acreditava que a politica era a forma de arte mais sublime... Ele se arrependeu amarguradamente quando descobriu que eu apaixonada pela tinta e mármore... Embora tenha sido por minhas palavras que ele me criou... Depois do abraço pouco tive o que escrever... Eu declamava para outro e Elonzo não aceitava isso...

    Se aproximando apenas alguns passos de Melinda a cainita afastou o semblante triste que havia tomado sua face, voltando a sorrir esta apontou de leve para o violão de madeira negra.

    - Agradeço pela oportunidade de vê-la tocar... A arte é intima, porque nela dividimos nossas almas e sonhos... Para cada um de nós ela tem um significado próprio e poderoso... Seria impróprio julgar o que é ou não é Arte... Ela simplesmente existe nos menores detalhes... Ela existe aos olhos daqueles que a enxergam...


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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 18/4/2016, 22:19

    -Você possuí uma forma peculiar de ver a arte, certamente devido as tuas experiências futuras não é mesmo?! A arte atravessa os séculos, os povos e todas as culturas. Ela é a tapeçaria, a pintura, a escultura. Ela é a guerra, a tristeza e o ódio. E é ela que faz de nosso clã um dos maiores e mais importantes, do que seria a Camarilla se não houvesse Máscara? Do que seria do Sabá se não houvessem as performances e tradições? Muitos irão olhar para o nosso clã e dizer, são só artistas... É para esses que eu me dediquei e são esses que vão temer o meu nome e o nome de nosso clã.

    Responde Melinda com uma enorme confiança na voz, colocando-se de pé e caminhando até o sino para colocar o vilão encostado na pequena parede de concreto que circundava as proximidades do mesmo, tal parede era uma intervenção moderna na arquitetura medieval, afinal, seria trágica a notícia pelos jornais de que um padre desatento caiu no fosso do sino. O modernidade estaria a partir dessa década, sempre interferindo no clássico, reconstruindo as estruturas antes inabaláveis e debochando das lógicas milenares que de fato, era dignas de boas risadas. O passar de dez anos seria muito mais intenso do que o passar de quatrocentos anos medievais e os anciões ficariam cada vez mais atrasados e escravos de suas memórias.

    Melinda então se virava novamente e caminhava em direção mais uma vez a sacada, passando ao seu lado a belíssima Rainha do Clã das Rosas encostava-se no parapeito e levava a mão direta para fora da janela, deixando que ela fosse molhada pela garoa do lado de fora.

    -Eu sempre me encantei pela chuva. Fui abraçada em uma noite de tempestade e matei meu primeiro inimigo em meio a uma chuva de verão... As gotas que caem do céu, ausentes de sincronia mas a bailar de uma forma singular, elas caem direto no chão ou tem seus caminhos interrompidos, mas são para sempre águas que caem do céu e para lá retornarão... É uma arte belíssima e natural, principalmente quando se é capaz de perceber que é possível interagir com a mesma...



    Melinda então fecha o punho com enorme velocidade e força, o fechar de mão da anciã ecoa aos arredores e e cria uma pancada de ar tão forte que faz a garoa recuar e se espalhar em outras direções. Logo em seguida, seus olhos ficam assustados ao verem a mão direta dela se movimentando pelo ar, esquivando-se das gotas de água em uma brincadeira divina. A mão da mulher era capaz de construir pequenos desenhos geométricos efêmeros como círculos, quadrados, triângulos e similares. Ela sorria enquanto fazia os movimentos que desafiavam todos os limites humanos e cainitas...

    -Diga-me, eu serei realmente a Regente da Espada de Caim?!
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 18/4/2016, 23:08

    As palavras e postura de Melinda fizeram com que Pietra assentisse com a cabeça, fechando os olhos a cainita sorriu de maneira simples enquanto andava para se encostar na parede do abrigo do sino.

    - Eu vi como a arte se modificou... Ela já não era a mesma quando meu primeiro mentor faleceu... E o que aconteceu com ela teria o deixado maravilhado... Durante meus anos seguintes me agarrei aos estudos, queria entender como um extinto tão primordial da identidade cultural sobreviveu aos anos... Eu encontrei resquícios dela em lugares estranhos... Na ciência da física,na casca das arvores que nos cercam, no minimo detalhe de persistência da vida...

    " O quanto de minha mente, passado e futuro ela viu?!"

    Aos olhos da cainita mais nova os detalhes modernos se contrastavam com a antiguidade, enquanto o tempo corresse aquela zombaria do mais novo sempre aconteceria. Tudo havia mudado e mudaria muito mais nos próximos anos, até mesmo a lua de agora parecia diferente da lua que Pietra conhecera como humana.

    - Foi numa tarde chuvosa que conheci Michelangelo... Eu tinha fugido de meus afazeres em casa para correr pelo campo de trigo... Ele foi surpreendido em meio a uma pintura... Acabamos por nos esconder de baixo da mesma arvore... Anos depois ele se tornaria meu mestre e a imagem dele molhado sorrindo em meio a chuva me persegue até hoje... Eu nunca tive fé... Mas a chuva sempre me pareceu divina...

    Enquanto falava a cainita observava cada movimento de Melinda, surpresa com a demonstração de força e velocidade Pietra deixou de se encostar na parede. Atonica com a pergunta da Anciã a cainita sorriu, se aproximando de Melinda esta fez uma longa reverencia respondendo.

    - Não sei o quanto isso influenciara o futuro... Então pelo seu bem Mia Signora peço que deixe as coisas acontecerem como deveriam... Tu te tornaras a filha da rosa mais temida... A Espada ganhara força e vigor, crianças rebeldes e desoladas encontraram em teu braço um lugar... Tu seras a regente mais temida e respeitada... O Titã que a Torre de Marfim teme... Esta criança perdida agradece o simples fato de poder dizer isso..
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 01:07

    As reverencias eram apenas costumes antigos para os cainitas experientes como você, as vezes feitas por respeito ou simplesmente por reconhecer o título do outro que estava a sua frente, mas aos olhos de Melinda, sua reverência foi um elogio e o enorme sorriso na face da mesma simbolizava exatamente isso. Melinda se vira para olhar diretamente para você, ela recebia a tua reverência como um cortejo a noites que nem sequer estavam próximas, o sorriso dela exibia levemente as presas que escapavam pelas laterias dos lábios carnudos da hispânica. Com um simples segurar de vestido, ela demonstrou toda a elegância de uma verdadeira rainha ao retribuir a sua reverência com uma saudação medieval. Em seguida com a mão direita ela joga os longos cabelos ondulados e castanhos para trás dos ombros que ficavam completamente expostos devido ao vestido que a mesma utilizava naquela ocasião.

    -Outrora uma criança perdida, passastes despercebida no oportunidade que hoje você reescreve. Não consigo compreender como você pode transferir tamanhas informações do futuro para o que para mim é o presente e para você o passado. Mas alguma força divina desejou dar a ti um novo destino...Você não é e nunca mais será uma criança perdida. És para sempre e eternamente aos meus olhos, Pietra, aprendiz de Michelangelo. Não se curve diante a minha presença, não mais, desta noite em diante irá me saudar como uma princesa reverência sua rainha.

    As palavras de Melinda soavam como poesia, harmoniosas, polidas e suaves. Mas era a visão daquela beleza sobrenatural que lhe encantava profundamente, a garoa a cair ao fundo e a molhar suavemente os cabelos e ombros da poderosa matusalém. Aquele sorriso após a frase que lhe havia sido dita. A lua a preencher o branco de sua pele, seus olhos estavam diante de uma obra de arte real, de carne, osso e enorme potência sanguínea.

    [Off: Teste de Fascínio, fraqueza do clã Toreador, autocontrole dificuldade 6]
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Jess em 19/4/2016, 11:23

    Ainda mantendo a postura ha muito aprendida Pietra não conseguiu conter o suspiro ao ver a imagem de Melinda, de seus lábios entre abertos suas presas escaparam sem ao menos que a cainita se apercebesse disso.

    " A mais bela entre entre nós... "

    Sentindo todo o corpo estremecer diante de Melinda, a cainita teve sua face singrada por lagrimas escarlates, o choro incontido era a mais pura declaração de encanto. A chuva e a lua pareciam coroar aquela beleza indômita tomando todo o coração de Pietra.

    - Mia regina... mia regina... se eu pudesse ao menos entender... esta resposta seria sua...

    Suspirou a cainita por fim enquanto as lagrimas em suas faces ganhavam força.


    Off: Teste de Autocontrole = 3d10, dif. 6
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 11:23

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 1, 6, 9
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    Re: Ato X - Narrativa de Pietra: Provecto IV

    Mensagem por Danto em 19/4/2016, 22:26


    O encanto.
    A maldição que assolava profundamente a alma de todos os cainitas que eram abraçados com o vitae do clã Toreador. Ao longo dos vários anos, ouvistes incontáveis explicações para a origem dessa obsessão pelo belo, pelo extraordinário. Alguns diziam que não era nenhuma maldição, mas apenas a ligação especial que as almas dos Toreador tinham com os próprios espíritos das musas e deusas, outros acreditavam que a progenitora do clã era tão bela que seus filhos por ela se encantaram, um encanto tão forte que todos os herdeiros daqueles primeiros filhos, sempre cairiam aos encantados da beleza.
    Seus olhos marejados viam a imagem de uma Rainha do Sangue.
    Essa olhava para ti com o mesmo encanto que era olhada, a mitológica "Dança das Rosas" estava acontecendo pela primeira vez com você. A Dança das rosas era um rumor antigo da família Toreador, simbolizava o encantamento mútuo entre dois irmãos de clã. O primeiro a ser afetado se tornaria uma rosa belíssima a ser admirada pelo segundo que causou o encantamento, um ciclo de olhares, de sentimentos e admirações.
    A dança só não se fez por completa, porque as dançarinas da vez eram antigas de mais para não possuírem o controle de seus pés e corpos. Mas a forte feitiçaria estava a conduzir os corpos de vocês para uma proximidade, não havia luxúria naquela aproximação, era apenas uma artista a admirar a arte que estava presente na existência da outra.
    Melinda sorria e esticava a mão, com receio, um movimento típico de um escultor receoso por tocar em uma escultura de um material que não era de seu conhecimento, as pontas dos dedos dela tocavam a sua face na altura da maça de seu rosto. Um pequeno riso escapou dos lábios da antiga e ela finalmente falou algo.

    -Obrigada, Peitra. Não é fácil se colocar acima de tantos monstros, tantos demônios e tantos espíritos perdidos. Esperam de ti a grandiosidade de um titã e você assim os responde, mas a tua essência desaparece e ao olhar no espelho, existe apenas um reflexo distorcido do seu verdadeiro eu. Obrigada, Pietra, por seus olhos verem em mim o que nem os meus próprios são capazes de ver...

      Data/hora atual: 24/6/2017, 17:53