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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

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    Danto
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    Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 17/6/2016, 02:39

    14 de março de 2002, Berlim.
    Sexta Noite

    Outro anoitecer, novamente seus olhos se abriam.
    Era o começo da noite mais importante de toda a história da Espada de Berlim, pois nessa sexta-feira aconteceria o mais importante Festim de Sangue, um Festim que dividiria a história da cidade, dos cainitas e dos mortais que nela viviam.
    Enquanto você ainda se arrumava em seu closet, a porta do seu refúgio se abria e a voz de Lorenz se fazia presente em seu quarto.

    -Senhora, boa noite. Perdoe-me a intromissão, mas recebo ordens do Arcebispo. Teu vitae é requisitado para a grande Cerimônia. Além disso venho até Vossa Senhoria para informa-lhe dos acontecimentos que se seguirão esta noite, primeiramente assistiremos a grande abertura. Após a grande abertura, ocorrerão os Rituais de Criação, seguidos pelos Ignoblis Ritae na seguinte ordem: Rito de Aceitação de Artur para Althea. Rito de Fidelidade do Sacerdote de Berlim para os novos postos, no caso, Eva, Caroline e a Senhora. Seguidos pelos Banhos de Sangue de vocês. Enfim o Rito de Hospitalidade entre os Lobos e os Marids e só assim o Festim será declarado como iniciado. Agora, acerca das ordens do Arcebispo, preciso que a Senhora deposite uma porção do teu vitae neste jarro de ouro que carrego em minhas mãos.

    Lorenz usava um terno púrpura impecável, de perfeito caimento. A cor era muito bem escolhida afinal, era a cor oficial do Sabá. Além disso, até os sapatos de couro do carniçal estavam suavemente refletindo uma aura purpura por cima do couro preto. A simples imagem da postura e das vestes do mesmo, agradavam seus olhos como poucos eram capazes de fazer. Nas mãos do seu mais fiel servo, havia um jarro de quase seis litros de profundidade, completamente de ouro e adornado por diamantes puros e enormes.

    Exemplo das Vestes de Lorenz:
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    Jess

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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 17/6/2016, 12:35

    O despertar da noite do Festim se fez silencioso e calmo, Pietra não demorou a se levantar e começar o longo preparo de se arrumar, mais do que nunca a cainita contava com a impecabilidade de Lorenz na Galeria, agora restava a própria Pietra cuidar de sua imagem.

    Ainda vestida com a leve camisola de cetim Pietra sorriu ao ouvir o chamado de Lorenz, a cainita havia se decidido iniciar primeiro o elaborado penteado que usaria para o começo da noite, brincando com grampos escuros esta se virou para a porta no mesmo instante em que Lorenz adentrou no Closet.
    Modelo do Penteado:

    " Meu querido... Impecável como só você consegue ser..."

    Deixando o penteado de lado Pietra se aproximou de Lorenz levando suas mãos até o ombro deste, erguendo-se na ponto dos pés esta beijou a testa do carniçal com delicadeza, deixando que suas mãos passeassem pela vestimenta de Lorenz, Pietra tomou o grande jarro de ouro das mãos destes com um sorriso gentil no rosto...

    - Mio adorato... Estás muito mais do que perfeito... Eu não poderia imaginar minha existência sem sua presença e ajuda...

    Levando o pulso até a boca Pietra usou suas presas para talhar a carne e verter sangue para o jarro, sorrindo enquanto o liquido rubro escorria esta olhou para os inúmeros vestidos previamente escolhidos para a noite para então sorrir ao dizer.

    - Por que não me ajudas a escolher o vestido da ocasião... Eu simplesmente não consegui me decidir ainda e confio plenamente em seu bom gosto... Adorato...

    Pietra ainda apontou de leve para o conjunto de joias separados para o Festim, a cainita sabia da importância daquelas pequenas escolhas na hora de determinar qual seria o melhor vestido para o Festim.
    Conjunto de Jóias:
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 20/6/2016, 23:33

    Enquanto seu vitae escorre para dentro daquele belíssimo jarro, Lorenz se manteve em perfeito silêncio e demonstrando um enorme respeito pelo mais sagrado dos líquidos, o vitae, ele só levantou os olhos quando o recipiente estava cheio o suficiente. Colocando com muito cuidado o mesmo sobre o criado mudo do quarto, ele sorriu com uma sincera felicidade.

    -Sabes que cada elogio que recebo de ti, inunda minha alma de felicidade e orgulho. Mas nada será mais brilhante para mim do que ver as reações de seus olhos quando chegarmos ao seu atelie, pois lá eu separei três opções de vestidos, todos de origem italiana, todos extremamente único e feitos sob medida. Me acompanha minha senhora?!

    Ele ainda sorrindo abre o braço aguardando que você caminhasse ao lado dele, era algo muito raro por parte de Lorenz, o fato dele dar inicio ao um toque tão próximo como esse certamente significava muito para o mesmo. E assim que você aceita o convite, o seu mais fiel carniçal a guia até o atelie.

    Abrindo a porta do mesmo com cuidado, uma suave melodia estava a tocar no interior do ambiente que estava claramente arrumado para dar notoriedade a dois manequins brancos e simples postos no centro, lado a lado, cada um deles apresentava uma opção de vestido para o Festim.


    -A primeira opção é um vestido cuja cor matriz é a própria cor de nossa Seita, o púrpura. É uma criação de um atelier Veneziano moderno, feito como peça única a seis anos atrás sob minha encomenda para uma oportunidade singular como esta que nos espera.

    Primeiro Vestido:

    -O segundo é um vestido também púrpura, com detalhes de flores negras uma grande fita de seda também escura. Feita por um querido amigo da Sicília, costurado à mão e feito sob medida exclusivamente para ti minha Senhora. Ele possui três anos de idade e como a Senhora deve saber, mantive como um presente para uma situação especial.

    Segundo Vestido:


    -O terceiro e último é uma criação de Elsa Schiaparelli, uma estilista Romana que faleceu em 1970, seu talento era extraordinário e acredito que o modernismo está simplesmente na simplicidade desse vestido roxo de saia negra. Sinceramente minha Senhora, este é o meu mais querido e preferido presente. Independente da pequena fortuna que custou, eu sinceramente acho ele magnifico.

    Terceiro Vestido:
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 21/6/2016, 21:48

    O convite feito por Lorenz fez com que Pietra sorrisse gentilmente, as palavras calmas e ações do rapaz encantavam claramente a cainita, esta por sua vez aceitou o convite entrelaçando seu braço com o de Lorenz encostando de leve sua cabeça no ombro deste.

    - Meu querido... Sabes bem que falo a verdade... Me serves a tantos anos e com tamanha perfeição... Que realmente não saberia me guiar sem sua ajuda nos últimos anos...

    Comentava a cainita enquanto era guiada por Lorenz, a musica suave e a demonstração cuidadosa do carniçal fizeram com que um pequeno lacrimejar tomasse os olhos da cainita, andando em volta dos manequins Pietra escutou atentamente cada palavra de Lorenz.

    Os vestidos e cada explicação dado pelo carniçal aumentavam a certeza de Pietra sobre o abraço deste, uma recompensa pelos longos anos de serventia, uma escolha feito pelo próprio.

    " Ele aceitou a sua maneira... Quisera eu ter tido essa oportunidade... Escolher ver as intermináveis noites dos milênios... "

    Três eram os vestidos e três foram o numero de voltas dadas por Pietra entre os manequins, por fim esta parou na frente do terceiro vestido dizendo.

    - Vou usa-lo esta noite... Mas peço que mantenha bem guardado o primeiro vestido... Eu o usarei na noite que tu te tornaras meu filho...

    Se aproximando do carniçal com o sorriso mais suave que tinha Pietra tocou em sua face com delicadeza.

    - Se houver necessidade usarei o segundo nesta mesma noite... Fizeste escolhas perfeitas mio amato...
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 22/6/2016, 23:21

    Infos Off Game:
    Pontos de Sangue -> 17/20
    FdV-> 7/7
    Vitalidade Atual -> 7/7

    Lorenz não se esforçava para disfarçar a felicidade que as suas palavras traziam para o mesmo. Imediatamente o mesmo caminhou em direção ao terceiro vestido e começou a retira-lo do suporte que o mantinha fixado ao manequim, com toda a cautela do mundo ao manusear o tecido, o homem então diz.

    -Obrigado minha Senhora. Do fundo do meu coração, obrigado. Agora, permita-me auxilia-la a vestir-se para que possamos então seguir então até o saguão. A pequena senhorita Luanah me pediu para alerta-la sobre o conteúdo explicito, selvagem e brutal que pode ser exposto durante a abertura do Festim que será feita pela Casa de Horrores de Berlim, mas rogou pela tua atenção para a dança que ela irá realizar, de acordo com as palavras da mesma, será uma homenagem direta à minha Bispo.

    O carniçal então remove o vestido do suporte e aponta para uma pequena plataforma de madeira onde você deveria se manter de pé enquanto ele a auxiliaria à vestir, como um verdadeiro alfaiate de grande talento era capaz de fazer, ele dava inicio aos preparativos e pequenos ajustes finais.

    -Agora, permita-me a insolência minha Senhora. Mas eu finalmente me decidi... Perdoe-me pela demora, pela insegurança e por fazê-la esperar pela resposta de um humilde servo. Mas aqui esta ela, eu desejo ser abraçado após o termino do Festim. Assim como também possuo uma indicação para ocupar o meu posto ao teu lado...
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 23/6/2016, 11:58

    Pietra simplesmente não disfarçava a calmaria que era ter Lorenz ao seu lado, seguindo com os olhos todos os movimentos deste a cainita concordou com um leve menear de cabeça.

    - Se a Casa de Horrores irá abrir o Festim acredito seremos bem representados... A pequena Luanah... Me parece quase impossivel não adora-la... Embora Eva não a entenda...

    Subindo na plataforma de madeira Pietra não exitou ao despir a leve camisola que usava, deixando-se ser vestida por Lorenz os cuidados inspirados do carniçal faziam com que a italiana apenas aproveitase aquele momento de paz antes da tempestade.

    " Todos esses cuidados... Será o poder de meu sangue ou o desejo dele?!"

    As palavras de Lorenz fizeram com que Pietra o puxasse pelas mãos, de cima da plataforma a cainita se equiparava a altura do carniçal, segurando com delicadeza a face de Lorenz esta sorriu de maneira singela.

    - Mio querido... Fico feliz em ouvir tuas palavras... Mas entenda... Agora sou o centro de um turbilhão politico indomável... Infelizmente não posso me deixar levar pelos meus desejos... Tu seras minha prole mais amada, por isso não desejo entrega-lo aos ritos da Espada... Não agora, e não porque devo... Se fizeres seras por sua escolha... Então lhe peço um pouco de paciência... O Festim sera um pequeno campo de batalha de vontades e eu preciso estar focada nele... Quero tempo para preparar seu abraço, que ele seja gentil como o meu não foi... Um pouco de paciência e te prometo uma recompensa unica mio querido...


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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 28/6/2016, 16:29

    Um sorriso sincero de Lorenz e uma simples resposta foram suficientes para que os sentimentos dele fossem expressados:

    -Eu entendo perfeitamente minha Senhora, apenas saiba que estou finalmente pronto. Mas acredito que agora devemos nos apressar, o Festim está para começar...

    E assim o seu carniçal de longuíssima data se focou em ajuda-la a por propriamente o longo vestido em seu corpo. E enfim você estava pronta para se encaminhar até a galeria onde acontecerá o primeiro grande festim da Espada de Berlim. Lorenz caminhou ato seu lado pelos corredores do seu refúgio até a porta que dava acesso à galeria. Abrindo a mesma para você, o carniçal ficou ali parado, afinal, só era permitida a entrada de verdadeiros Sabá.
    A visão da decoração a surpreendeu, tudo que você havia pedido para Lorenz dias atrás estava lá, mas a surpresa vinha precisamente do centro da galeria e do palco. No centro da galeria estava posta a enorme pedra de mármore que fora esculpida em uma enorme fonte de sangue, com precisos sete degraus e circundada por rosas brancas que adentravam a rocha por delicados e pequeninos círculos simétricos. Acima da fonte, haviam dez sorvos do sexo masculino, suas pernas estavam unidas e amarradas por correntes que estavam presas ao teto. Seus corpos completamente cobertos por camadas de panos de seda branca, sendo os braços as únicas partes dos corpos à mostra, nesses braços, haviam feridas expostas e profundas de onde escorria o sangue que preenchia a fonte. Com atenção, você era capaz de notar vários sorvos como estes presos no teto que certamente iriam alimentar os membros após o término dos rituais. No palco, uma enorme cortina púrpura escondia o que estava sendo preparado. Uma apresentação dos Malkavianos, segundo Lorenz, logo era de se esperar algo caótico, violento, sangrento e poético.
    Todos os membros da Espada estavam presentes, caminhando livremente pela galeria ou aglomerados em seus pequenos grupos de convívio. Os Assamitas estavam todos envolta do pequeno e antigo Arda, que como sempre, ocultava sua face com o gorro do manto cerimonial. Oleg e sua prole Esther estavam juntos e próximos do palco. Rosemarie estava junto dos dois Brujah's e conversava de maneira informal com a alta e loira Esther. As antigas Priya, Veronika e Draha estavam isoladas em um canto obscuro do salão, observando à distância como sempre fazia. Já os neófitos em misturavam e interagiam. Os Bispos estavam postos em altas cadeiras que ficavam centralizadas em relação ao palco e a fonte, sobre uma plataforma redonda e móvel, haviam uma cadeira vazia ao lado de Rahel, a sua cadeira. Haviam apenas duas ausências, Artur e Althea.
    Finalmente você adentrava a galera, o bispo Lasombra prontamente se levantava e todos se calam imediatamente, rapidamente dos os olhos se viram para você e o influente Bispo diz.

    -Sua Excelência, Pietra Rafaldini.

    Em resposta, todos os ali presentes levantam seus braços direito e urram.

    -Oh Madre Suprema!

    Os gritos eram felizes, orgulhosos, poderosos e convictos. Era a primeira vez que você finalmente era capaz de ver nos olhos dos jovens e dos antigos a sua verdadeira importância, nenhum presente ali se manteve em silêncio, até as três antigas e exóticas mulheres que apenas observavam, fizeram suas vozes ecoarem pela galeria. Enfim, Rahel sinaliza para você se aproximar e aponta a cadeira vazia acima da plataforma.




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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 28/6/2016, 22:11

    A postura de Lorenz fez com que Pietra sentisse o alivio tomar-lhe a mente, a escolha feita pela cainita já lhe havia custado longas horas de ponderação sobre o abraço. Na mente de Pietra a figura sempre solicita de Lorenz merecia algo melhor do que a serventia eterna.

    Encerrando o assunto com um leve beijo na testa de Lorenz a cainita sorriu enquanto era vestida pelo leal carniçal, por fim vestida e pronta para o Festim, Pietra deixou-se ser guiada por Lorenz.

    Quando este abriu a porta para Galeria a cainita sorriu ao sussurrar de forma leve antes de adentrar no Festim.

    - Apenas um pouco de paciência e você sera recompensado mio caro...

    A cainita suspirou ao ver a decoração da Galeria, todos os detalhes cuidadosamente seguidos a risca por Lorenz, tudo conforme a escolha da própria Pietra, os olhos acastanhados desta observaram com surpresa a fonte e como os sorvos haviam sido arrumados, toques pessoais que esta reconhecia serem os de Lorenz.

    " Simplesmente perfeito... Não esperaria menos de Lorenz... Mesmo assim fico satisfeita com a capacidade dele..."

    Os olhos de Pietra varreram o longo salão observando as figuras ali presente, a Espada e toda sua variedade estava ali, o que fez com que Pietra sorrisse contente com o Festim e seu inicio promissor. Curiosa com a apresentação preparada pela Casa de Horrores, Pietra demorou seus olhos sobre a cortina de cor purpura, o clã da lua e suas eternas extravagancias encantavam a cainita com a simples capacidade de sentir aos extremos todos os sentidos, coisa que para mesma era trabalhoso e complicado parecia vir com rapidez e voracidade nos Malkavianos que a serviam a Espada.

    A figura influente de Rahel relembrou a italiana de seus deveres, porem ver refletido o reconhecimento de sua posição e pessoa em cada menbro pegou de surpresa Pietra.

    Um sorriso franco se formou nos lábios desta ao termino da saudação, segurando a saia do longo vestido a cainita andou com delicadeza até as cadeiras, fazendo uma pequena mensura a Rahel e Elizabeth que ali ja estavam, Pietra se virou para a Espada de Berlim fazendo uma longa e polida reverencia, seus olhos percorriam pelo salão de forma a se assegurar de que todos ali fossem reconhecidos.

    - Longas noites de glória para os Irmãos da Espada...

    Encerrando a reverencia Pietra se levantou assumindo seu posto com um leve sorriso em seus lábios.
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    Danto
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 1/7/2016, 20:21

    Não houve tempo para uma resposta após a sua saudação aos ali presentes. Prontamente as luzes se apagavam após você se acomodar em sua cadeira, enquanto todos mergulhavam em um suspense, a voz de Elizabeth ressoou próxima de você com bastante suavidade, mas regada por um prazer sádico que já indicava o que estava para acontecer.

    -O Senhor Agteren escolheu uma excelente safra de ghouls para a apresentação...

    Então, o som das cortinas subindo atraiu a atenção de todos para o palco. Uma luz azul ofuscante desce bruscamente do teto da galeria, formando um cone azulado na ponta frontal do palco, onde era possível ver o líder da família Malkaviana de Berlim, o Senhor Steef van Agteren estava sentado em uma pilha de ossos, segurando um enorme e antigo cello.


    Assim que o primeiro acorde é realizado pelo líder dos filhos da lua, a iluminação revela os demais membros da pequena orquestra que se apresentaria no local. No Acordeon, Martien, com sua cabeça giratória de palhaço, feita de madeira. Mert estava sentado ao teclado, com uma roupa magnífica de características circenses. Em uma espécie de aparelhagem eletrônica estava o sombrio Adriaan, que estereotipava a moda gótica. Logo surge Leonah para cantar junto com seu próprio Senhor. O dueto então terminava a primeira estrofe da canção, neste exato momento a imagem das duas filhas da cacofonia preenche completamente o palco.

    Evangeline aparecia pelo lado direito do palco, com um enorme sorriso na face e com várias cordas amarradas em seu corpo, como se fosse uma marionete, ela inicia uma dança caótica e descompassada. Suas vestes eram simples trapos esfarrapados que pouco cobriam seu estonteante corpo.
    Diane então surgia pelo lado esquerdo do palco, completamente nua a exuberante mulher dançava mais ao fundo do palco, em seu corpo eram possíveis ver várias pinturas estranhas de circunferências incompletas, ao contrário da dança de Evangeline que era essencialmente artística, Diane parecia realizar algum tipo de ritual.

    A música então avançava e a dança de Diane e Evangeline começava a se misturar, nesse preciso minuto, manifestações espirituais começam a surgir ao redor do palco. Almas distorcidas pelo desespero, pela dor, pela agonia, espíritos caóticos e assustadores. Eles falavam, murmuravam, choravam, riam, debochavam e ameaçavam os presentes. Alguns se aglomeravam nas cordas de Evangeline e começavam a puxa-la de uma lado para o outro no palco enquanto ela se esforçava para se libertar. Outros se aproximam de Diane e começam a molesta-la de maneiras sexuais tão violentas que arrancavam sorrisos sinceros de Elizabeth. A música então terminava e todos ficavam simplesmente paralisados pelo horror que fora apresentado, o silencio devora todo o ambiente quando as cortinas descem e escondem toda aquela diabólica apresentação. Uma música eletrônica então começa suavemente no sistema de som da Galeria e todos começam a procurar pela origem da música enquanto ainda absorviam a primeira apresentação da Casa de Horres de Berlim...

    [Off: Teste de Consciência]
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    Jess

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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 1/7/2016, 21:38

    Sem esperar pela resposta que poderia vir dos membros da Espada, Pietra se sentou em sua cadeira, antes mesmo que a cainita pudesse esperar as luzes se apagavam, a voz de Elizabeth demonstrava um claro deliciar pelo oque aconteceria, o que fez Pietra se perguntar o que estava por vir.

    " Agteren e seus filhos dificilmente decepcionariam a Espada... Fico feliz em saber que o Festim se inicia com uma apresentação deles..."

    Em silencio os olhos de Pietra se abriram em um claro sinal de surpresa, a luz branca demarcando cada membro do Clã da Lua juntamente com os acordes fizeram com que uma onda de prazer e orgulho percorressem o corpo da Cainita.

    As vozes de Steef e Leoanh marcavam profundamente aquele inicio de apresentação, os dedos de Pietra depositados em cima de seu colo balançavam suavemente com as notas emitidas.

    Um sorriso suave se formou nos labios de Pietra quando esta viu as figuras de Evangeline e Diane, olhando desconfiada para a dança das duas houve um instante em que a cainita ficou feliz em velas juntas, isso até imaginar se estariam apenas executando seus papeis diante da Espada ou haviam finalmente se entendido.

    " Essas duas... Uma amizade entre as duas seria primoroso..."

    Conforme a dança ganhava força Pietra pode ver os espíritos, o simples vislumbre deles fez com que a cainita retesasse o corpo, havia um encanto fantasmagoricamente macabro na dança entre os espíritos e cainita, a disputa pelas cordas de Eva e o abuso de Diane.

    Quando o silencio tomou o salão juntamente com o fim da dança e o baixar de cortinas os olhos de Pietra procuraram o de Elizabeth, com toda a certeza a cainita podia imaginar que aquela apresentação havia divertido e muito a Bispo.

    OFF: Consciência = 4d10
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Dados em 1/7/2016, 21:38

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 3, 1, 4, 5
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 3/7/2016, 04:54

    O exagero sempre fora uma válvula de escape nas mãos dos reprimidos, exagero este que se manifestou de várias formas em frente aos seus olhos durante as várias noites que atravessaram a tua não-vida. Violência, ignorância, brutalidade, rebeldia, insubordinação, traição. Você conhecia várias formas de exageros, entretanto, nesta ocisão o exagero ultrapassou todos os limites...

    Aquelas almas amarradas contra a própria vontade, induzidas a se portarem como parte da decoração de uma apresentação, causavam um enorme desconforto em seu intimo. Mas nada era mais doloroso do que ver a sua amada brincando com aquelas entidades, você sabia perfeitamente que a moral de Evangeline era singular ou até mesmo distante de mais da sua, mas deleitar-se com o terror mórbido de almas desesperadas era muito para se poder fazer vista grossa. Uma dor forte e incontrolável adentrava o seu coração, um amargor lhe preenchia os lábios e sua consciência afirmava com toda a certeza que aquela apresentação possuía uma unica vontade: Profanar.

    E quando os presentes começavam a aplaudir, foi necessário um enorme esforço reagir de maneira neutra as palmas. Sua besta se revoltava, sua consciência censurava e seu bom senso a diziam para se distanciar de tudo aquilo. Seus olhos então buscaram pela figura de Artur, mas não encontraram a presença do Arcebispo. Rahel parecia distante de mais para se importar e Elizabeth se deleitava como a grande maioria. A única face que mostrava repúdio em meio a todos os presentes era a do jovem Lasombra, Erik...

    Enquanto as palmas finalizavam, a música eletrônica de fundo cresce e as luzes agora ao invés de se apagarem, são todas acesas com toda a potência que possuíam, causando ardências profundas nos olhos dos desprevenidos e arrancando verdadeiras reclamações dos mais sensíveis à luz.


    Um coral de vozes distorcidas cantam, iniciando a segunda apresentação da noite. Na primeira nota do piano, as luzes se amenizam e se espalham por todo ambiente, inundando o local em uma atmosfera esbranquiçada. No centro do palco, é possível ver uma bailarina encolhida, com o corpo pequeno e frágil, você a reconhece como a jovial Luanah. A música então tensiona em uma atmosfera mais sombria, as luzes se avermelham e a jovem cai com tudo contra o chão do palco. Contorcendo-se e sumulando uma convulsão violenta, a jovem treme até a música encontrar sua virada e retornar a calmaria.
    Ela então se levanta acanhada, desnorteada e começa uma belíssima apresentação de Ballet. Mas era uma dança nada ortodoxa, ela parecia profundamente aterrorizada, como se as assombrações de antes ainda estivessem a circunda-la. Mas não havia nada no palco, apenas ela. As roupas de Lunnah eram todas negras, literalmente uma bailarina de preto, com um corselete de couro fechado e extremamente apertado no tronco. As amarras tradicionais de seda que circundam as pernas, eram feitas de um material metálico, com mais atenção, você notava que consistia em arrame farpado que feria as pernas dela e faziam pequenas quantidades de sangue escorrem pelas pernas da jovem enquanto ela realizava a dança.

    Era a primeira vez que você via uma dança clássica ser tão perfeitamente executada e tão modernizada daquela forma, ela alterava o mais perfeito e limpo que o clássico oferecia com espasmos e contra-tempos que só os mais ativos clubbers eram capazes de realizar. E tudo aos poucos você conseguia ver as alegorias que ela representava na dança. Primeiro, ela recusava as assombrações que outrora foram abraçadas e veneradas em vários sentidos macabros, a jovem claramente se recusava a se jogar nas trevas profundas de um comportamento vil. Ela só fazia pequenas pausas na dança para ficar debaixo de grandes focos de luz branca, já o arame farpado em suas pernas simbolizava o martírio de um caminho violento, cruel, doloroso e sangrento. Mas a beleza e a graça a elevavam à algo muito maior do que todas as incertezas, os medos e as feridas. Ela estava personificando você e a dor sumia do seu coração para dar espaço a maior alegria que um Toreador poderia sentir, o prazer de ver a pura arte em execução.

    A música então termina, todos imediatamente se levantam e começam a aplaudir a jovem. Rosemarie chorava copiosamente, Rahel segurava as lágrimas em seus olhos marejados. Caroline estava simplesmente paralisada em profundo êxtase, Rebeka aplaudia enquanto permitia algumas lágrimas finas escorrem pela face. Elizabeth estava entorpecida e as duas antigas se levantavam no fundo da galeria para aplaudir. O antigo gangrel Saabir sorria em enorme felicidade e Edgard parecia tão entorpecido quanto Elizabeth... A pequena e frágil Luannah então caminha até a ponta do palco, abrindo os braços e juntando os pés em uma posição muito similar a de uma cruz ela diz.

    -A glória é a sombra da virtude, e acompanhá-la-á sempre, mesmo se esta não quiser. Mas, assim como a sombra ora precede, ora segue os corpos, a glória às vezes mostra-se visível à nossa frente, outras vezes, vem atrás de nós. Alerta-los-ei, pois o caminhar pela sombra pode nunca nos levar à ela, retornai-vos a virtude para a glória encontrar.

    A pequenina neófita então olha diretamente para você e se ajoelha, fazendo a maior de todas as reverências que você já havia visto em toda sua existência para dizer as últimas palavras.

    -A voi dedico questa danza, a te dedico la mia volontà, a te dedico il mio corpo, a te dedico la mia anima. Oh mia regina, mia regina eterna.

    As cortinas então se fecham e as apresentações são finalizadas sobre os mais fortes aplausos que a Espada de Berlim poderia oferecer à uma apresentação. E para a surpresa de todos a noite seria eternamente lembrada pela apresentação virtuosa de Luannah.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 3/7/2016, 20:49

    Por alguns instantes a imagem da dor que sentia se estampou na face de Pietra, ali sozinha e sem o apoio de Artur a sensação de solidão e amargor tomou em cheio o coração de Pietra.

    Aquela profanação sem sentido parecia atacar diretamente todo os longos anos de trabalho da cainita na tentativa de iluminar a alma dos filhos da Espada de Berlim, as inúmeras noites em que Pietra a outros com a simples intenção de ajuda, tudo pareceu pesar sobre a canita, até mesmo a face de desgosto que se mostrava em Erik não foi o suficiente para ajudar a toreadora.

    " Porquê mia bella? Porquê?... minha luz não lhe alcança... Porquê apenas minhas trevas ressoam em você..."

    Uma lagrima escorreu pela face de Pietra, a maior dor era saber que apesar dos longos anos ao lado de Eva, sua amada ainda lhe era desconhecida, o descaso de Evangeline era uma lamina muito mais dolorida do que Pietra poderia supor, mesmo assim em meio a sua dor havia o amor pela mais nova, amor pela selvageria e a musica eterna da mesma.

    Abaixando a face com cuidado Pietra limpou a lagrima com a mão enquanto acompanhava os demais na salva de palmas, quando a luz se tornou forte a cainita protegeu a vista com rapidez, não perdendo nenhum detalhe do que se seguia.

    Em meio a luz a imagem em negro de Luannah fez com que Pietra suspirasse, a dança delicada e ao mesmo tempo extravagante logo ganharam força, o mais simples detalhe não passava despercebido aos olhos da Toreadora.

    Quando a certeza da alegoria criada se fez foi impossível para a italiana segurar as lagrimas, um suspiro silencioso escapou dos lábios de Pietra.

    - Mijn kleine prinses ...

    Aos poucos a dor desabitou o coração de Pietra, dando espaço a felicidade, era estranho o tamanho do reconhecimento desprendido a cada nota e passo executado naquela dança, até mesmo as gotas de sangue que escorriam das delicadas pernas de Luannah, tudo era exaltado no mais profundo sentimento de alegria, os alicerces antes tombados por Eva agora tinham um motivo para serem levantados, mesmo com custo Pietra soube que seu papel ali não havia sido em vão e a dor sentida anteriormente seria uma ferramenta para fortificar seu papel...

    " Um Farol para os perdidos... Kleine... bedankt..."

    Ouvir as palavras sobre a glória, luz, virtude e trevas fez com Pietra deixasse que as lagrimas escorressem sem pudor, a cainita mais do que nunca era uma artista uma coisa que nunca havia escondido, porem foi com surpresa e encanto que esta recebeu a reverencia de Luannah, as palavras da jovem se assemelhavam em muito as próprias palavras ditas por Pietra anos antes. Palavras que selaram o encanto que sentia por Melinda...

    Foi com dificuldade que Pietra recuperou o controle de suas lagrimas, o fechar de cortinas indicava que as apresentações estavam encerradas, sua vontade era de poder abraçar o pequeno corpo de Luannah naquele instante, porem sua postura deveria condizer com a de seu posto.

    " A noite sera longa... Poderei vera ainda hoje..."
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 3/7/2016, 22:41

    O som da porta da galeria se abrindo simbolizava o inicio oficial dos Ignoblis Ritae do festim. Pela entrada chegavam as duas figuras mais poderosas daquela noite, infelizmente seria um enorme desafio superar o impacto ou a popularidade de Luannah, mas certamente as duas figuras que adentravam a galeria eram imponentes e incomparáveis.
    À direita, o seu amado Artur. O Arcebispo estava vestindo um manto cerimonial negro com detalhes dourados que se encontravam nos ombros e costas, onde formavam o imponente símbolo do Sabá. As cordas que amarravam o manto eram púrpuras e muito mais grossas do que o habitual, claramente era uma veste ritualística preparada por Sebastian.
    À esquerda, o Arauto da Estrela da Manhã, Althea. Com uma coroa de espinhos sobre os curtos cabelos negros, unhas pintadas em tons bem escuros de púrpura e o corpo completamente coberto por uma longa veste branca de algodão.
    Os dois caminham lado a lado até o centro da galeria onde estava localizada a fonte de vitae, Artur sobre primeiro e da altura do segundo andar, ele se vira e estende a mão para Althea subir. A breve subida de escadas finalmente termina no patamar mais alto e a uma curtíssima distância da enorme quantidade de vitae que ainda escorria dos sorvos pendurados mais acima.

    -Sangue, força e honra!

    Anuncia Artur. Em resposta todos os membros levantam seus punhos direito e gritam.

    -Prevaleça eternamente a Espada de Caim!

    Artur então se encaminha calmamente para as cotas de Althea e segurando as vestes dela com as mãos ele diz.

    -Eu, Artur Scholl, Arcebispo de Berlim ofereço o sacro vitae de nosso Pai à esta que se apresenta.

    Althea abre os braços e separa as pernas, olhando para o teto da galeria ela responde.

    -Eu, Althea Chontos, Arauto da Estrela da Manhã ofereço meu corpo e minha alma ao sacro vitae de nosso Pai.

    Em um movimento forte, Artur puxa com brutalidade as vestes delicadas da antiga Malkaviana, deixando-a nua e completamente exposta aos olhos de todos os membros ali presentes. Sem nenhuma vergonha, mas regada pelo mais profundo orgulho, Althea se ajoelha ainda de costas para Artur e fecha as mãos, entrelaçando os dedos e assumindo uma posição de oração católica. Ela fecha os olhos. Artur leva o próprio punho até os lábios, para morde-lo logo em seguida e fazer uma ferida grande o suficiente para uma notável torrente de sangue jorrar. O sangue do Arcebispo então é despejado sobre a cabeça da Althea.

    -Juro sobre o meu Vitae que és aos meus olhos e aos olhos de todos os meus, uma Verdadeiro Sabá. És uma igual e uma irmã, então, receba meus mais sinceros desejos de permanência e meus votos de fidelidade. Pois o Arcebispo de Berlim à recepciona com todos os louros e louvores.

    Enquanto o sangue de Artur jorrava sobre o corpo de Althea, a porta se abre e Sebastian adentra a galeria. Era a primeira vez que você presenciava o jovem sacerdote sob tantos olhares e o surpreendente era a honestidade que ele apresentava. Nenhuma simples modificação havia sido feita em suas roupas diárias, nenhuma modificação em sua postura ou aparência. O polonês de carne pútrida e quase decomposta caminha até os pés do altar e das vestes ele tira um enorme papiro antigo, levemente corroído pelo tempo. Era uma das cópias originais do tratado de Milão, uma das relíquias mais valiosas para os membros do Sabá estavam nas mãos do membros mais humilde ali presente.

    Ele então se vira para todos os presentes e anuncia.

    -Sob o sacro juramento de Milão, atravessaremos unidos meus irmãos, os caminhos tortuosos e obscuros do futuro desta cidade. Hoje eu serei o sacerdote de todos, hoje eu serei aquele que dirá: O Festim de Sangue está inciado!

    Os sorvos antes presos no teto, caem e os neófitos prontamente se aproximam para se alimentar. O Sacerdote do Festim então faz um breve comentário.

    -Estão todos livres para interagir, caminhar, desafiar, dançar, falar ou se apresentar. Os rituais se seguirão em breve e eu irei sempre anuncia-los. O Ritual de Recepção foi finalizado, o próximo acontecerá em dez minutos.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 4/7/2016, 11:27

    As palmas se silenciaram com a abertura das portas, diante de todos as figuras de Artur e Althea se apresentavam dando inicio aos ritos mais importantes da noite, a imagem impecavelmente bela e poderosa dos dois contrastava vivamente com a apresentação de Luannah.

    Enquanto Artur e Althea se aproximavam da fonte, Pietra enxugou suas lagrimas recuperando um pouco de seu controle, mesmo que ainda sentisse a tempestade que havia se formado em seu intimo, era hora de se concentrar e mais do que nunca não falhar em seu papel.

    Os olhos de Pietra brincavam entre o Rito que se passava na fonte e o salão cheio de cainitas, havia beleza entre o contraste de túnicas de Artur e Althea, até mesmo quando o Ventrue a desnudou havia o contraste entre a túnica negra e dourada com a brancura da pele da Filha da Lua.

    O juramento prestado por ambos juntamente com a ferida aberta no pulso de Artur, marcava o começo de uma nova era para Berlim e a Espada que ali habitava, uma era conquistada com o esforço de todos ali presentes, mesmo que ainda houvesse uma guerra de vontades a ser travada com Althea.

    " Althea... Que possamos faze-la ver que um ataque despreparado poria em risco vidas importantes... Em risco oque conseguimos construir..."

    Durante todo o ritual a cainita permaneceu em silencio, a entrada simplista de Sebastian e sua eterna figura imutável independente dos acontecimentos fez com que Pietra sorrisse de maneira gentil. Sebastian parecia alheio dos jogos de poder, embora sua Ductus não a ideia a figura dos dois cainitas representavam um pilar forte para a Espada de Berlim, coisa que Pietra sabia muito bem e respeitava.

    " Sebastian... Como não adorar esse sotaque eterno? Repudiado pela imagem externar vejo alguém grande internamente... Os lobos tem um bom Sacerdote, e Rebeka é uma mulher grandiosa por si só... Berlim não seria a mesma sem a ajuda destes dois..."

    A queda dos sorvos e a indicação de certa liberdade antes do próximo rito da noite, fez com que Pietra suspirasse, seus olhos ainda estavam sobre as figuras de Artur em seu manto negro e Althea banhada no sangue do Arcebispo. Pacientemente Pietra esperou que Rahel ou Elizabeth fossem os primeiros a se mover antes de faze-lo, a vontade de ter com Luannah e outros membros poderia ser saciada naquele curto espaço de tempo.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 6/7/2016, 01:52

    Os convidados começavam a se divertir com os sorvos enquanto Rahel levava uma mão para a parte de trás da própria cadeira, retirando um manto negro bem pesado, ele se levanta e caminha na direção de Althea que se erguia com o corpo coberto de vitae. De uma maneira breve ele comenta antes de sair de perto de vocês.

    -Melhor cobri-la e leva-la para se trocar não é mesmo?!

    A educação do Lasombra era sempre louvável e ela não faltaria em uma situação como essas. Elizabeth ao contrário de Rahel, não se levanta. Ela apenas muda a postura para algo mais informal, colocando uma das pernas sobre o braço da cadeira e cruzando os braços, ela preferia observar tudo da altura de sua cadeira e um sorriso de aprovação para os neófitos mais empolgados com seus sorvos.

    Você então tinha o caminho livre a sua frente, um caminho que ninguém ali sabia fazer melhor do que você afinal, era a sua galeria, o seu palco na sua propriedade. E no fim da noite seria você à dormir abaixo de tudo isso, assim sendo, você tomou o seu caminho em direção a coxia improvisada atrás do palco. Em noites normais a coxia era onde ficavam os corredores dos acervos exclusivos ou de peças para reposição, as peças haviam sido movidas para outro setor subterrâneo e as salas estavam sendo utilizadas para o preparo daqueles se apresentariam no festim. Procurando pela sala com o nome de Luannah, você finalmente o encontra e bate à porta, de dentro do local a jovem diz.

    -Pode entrar! Só toma cuidado com o arame perto da porta...


    Ao abrir a porta, você primeiro vê um amontoado de arame farpado sujo de sangue aglomerado de qualquer jeito e posto muito próximo à porta, com um pouco mais de atenção, era mais óbvio que o arame estava simplesmente jogado e não "posto". Em seguida você nota o simples "camarim" improvisado que havia sido montado para a jovem que até a apresentação, era apenas mais uma neófita local. A jovem estava sentada na cadeira em frente ao espelho, cabelos molhados e sem camisa, ela parecia ter acabado de sair do banho. Ao vê-la pelo reflexo do espelho, um enorme sorriso surge na face da mesma e ela prontamente se coloca de pé e um salto só, para começar uma frase extremamente empolgada.

    -Não acredito nisso! Você veio até aqui! Uau! Nossa! Er...quer dizer...

    Ela segura toda a afobação, respirando fundo e expirando. Fechando os olhos e passando a mão esquerda na frente da face. Ela olha para você novamente e abre um enorme sorriso na face, era uma felicidade tão genuína, tão deliciosa e tão especial que você sequer se lembrava de ter visto uma face tão alegre em toda sua vida.

    -Seja bem vinda Vossa Santidade. Espero melhor até a próxima apresentação, prometo!



    Luanah:

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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 6/7/2016, 11:25

    A postura polida e educada de Rahel fez com que Pietra concordasse com um leve aceno, o gesto seria bem recebido por Althea ainda mais que a mesma já havia revelado sua admiração pela figura do Lasombra. Levantando-se Pietra fez uma pequena mensura para Elizabeth, mesmo que não fosse necessário entre as duas Bispos.

    - Se me permite...

    Levantando de leve a saia de seu vestido Pietra deslizou pela galeria, pequenos cumprimentos e atenção eram dados conforme o avanço da Toreadora, alcançando com facilidade a coxia, em seus domínios a cainita não demorou a encontrar o quarto reservado a filha da lua.

    " Não posso me demorar demais... Além do mais ainda quero ver Eva, não seria bom despertar o ciumes de Eva..."

    Adentrando com cuidado devido ao aviso, Pietra se surpreendeu pela quantidade de sangue envolvido nos arames ali largados, ainda com o semblante surpreso a cainita sorriu ao ver a reação de Luannah. A franqueza e as palavras da mesma fizeram com que Pietra entrasse no pequeno camarim.

    - Como eu poderia não visita-la depois de tamanha homenagem klein...

    Tomando Luannah pelas mão Pietra a levantou para então beijar sua testa com carinho, sorrindo suavemente esta apontou para os arames demonstrando sua preocupação.

    " Ela respirou..Deliberadamente ela fez o ato de respirar... Uma revelação interessante vindo desta pequena... Uma artista perdida...

    - Devo dizer que me sinto honrada com sua performance, com um pouco de inveja também por nunca ter dominado bem o ballet... Maar vertel me hoe hun kleine benen?

    Ainda segurando as mãos da pequena Filha da Lua, Pietra esperava pela resposta da mesma com paciência, seus olhos castanhos procuravam o de Luannah em um claro sinal de igualdade e respeito pela mesma.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 7/7/2016, 02:20

    Ao ouvir o idioma neerlandês saindo dos seus lábios a jovem junta as mãos e entrelaça os dedos, em pura felicidade, levando as mãos em direção ao tórax, em frente ao coração. A face se avermelhava levemente em uma reação mais acanhada. Os olhos dela correm por todos os lados do pequeno camarim, a felicidade se transformava em uma terna desorientação. E enfim, veio a resposta toda pronunciada no idioma nativo da filha da lua.

    -Que maravilha poder conversar com alguém em meu idioma eu odeio tanto o alemão! Desculpa pela sinceridade, mas eu odeio profundamente o alemão! Minha Senhora, por tudo que é mais sagrado em todos os mundos, não me inveje, quem sou eu diante a tua suprema presença? Mas saiba que enches meu coração de um orgulho inenarrável quando afirma que minha dança a honrou. Era meu único desejo, meu verdadeiro sonho para essa noite! Eu sabia que meu Senhor e meus irmãos iriam profanar mais alguma coisa, então eu fugi dos ensaios deles e combinei algo em segredo com Lorenz. Espero que isso não cause nenhuma punição à ele, ele é um homem tão amável e carinhoso! Nossa eu estou falando muito não é mesmo? Estou histérica! Posso chama-la de algo além de Minha Senhora? Sei que é imprudente, impetuoso, mas eu a vejo como minha tutora, mesmo que você talvez jamais olhe para mim como a tua aprendiz. Você será para todo o meu existir a minha tutora!

    A chuva de palavras ressoavam pelas paredes, era belo ouvi-la falar com tamanha perfeição e com um sotaque marcante dos povos ao norte dos países baixos. O que indicava que a jovem era de uma região mais periférica e não necessariamente de Amsterdã e grandes cidades.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 7/7/2016, 18:29

    As reações de Luannah fizeram com que o sorriso de Pietra aumentasse de tamanho, os movimentos incontidos e a torrente de palavras ditas pela mesma em seu idioma natal chegavam a cainita mais velha como pequenas ondas de felicidade da qual a italiana compartilhava.

    " Posso entender perfeitamente a saudade de seu próprio idioma... Nos é ensinados de forma natural a considera-lo uma parte de nossas almas, quando forçados a nos expressar em outro sempre existe o receio do erro..."

    Um leve sorriso surpreso se apossou do rosto de Pietra quando a cainita ouviu sobre a imagem que a neófita fazia sobre sua pessoa, tomando a mesma pelas mãos Pietra arrumou com leveza o cabelo da mesma fazendo com que suas madeixas ficassem presas atras de sua orelha.

    - Façamos assim, enquanto estivermos sozinhas me chame por Pietra... Na frente dos demais seria bom mantermos as formalidades... É inevitável que o façamos assim... Agora fico feliz em dizer que sim, me foi muito especial ver que tens bons olhos sobre minha pessoa e meus atos, isso significa muito e me faz ver a importância de meus anos de trabalho... Quanto a ser sua tutora... Vejo certas semelhanças entre nós duas, e me sentiria feliz em poder ajuda-la... Seria uma imensa honra te-la como aprendiz, mas não se esqueça que tanto tutor quanto aprendiz tem muito a ensinar um ao outro... Já Lorenz eu realmente não tenho como ficar brava com ele, me alegra saber que o tens com bons olhos pequena..

    Encerrando sua fala com um beijo na testa de Luannah, a italiana procurou saber quanto tempo já havia se passado ali, a ultima coisa que pretendia era chegar atrasada para a próxima parte do Festim.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 12/7/2016, 00:25

    Luannah não precisava se abaixar para receber seu beijo, afinal, a pequena Malkaviana tinha uma estatura bem inferior a sua e isso não desmerecia em nada a figura cativante que ela apresentava ser. Claro que as torrentes de loucura deveriam assolar a alma daquela jovem, mas apesar de tudo, ela ainda era capaz de sorrir, respirar e até mesmo, de permitir o avermelhar de suas bochechas. Havia algo muito único dentro daquela pequena mulher, uma natureza belíssima que não florescia em qualquer lugar.

    -Obrigada, Pietra... Nossa é tão... Nossa... Me sinto até importante falando Pietra. Pietra.

    Ela sorri e leva uma mão até a própria boca para abafar uma risada nervosa que estava prestes a sair pelos lábios, a jovem então prontamente se vira para alcançar o próprio celular que estava posto próximo do secador de cabelo.

    -Olha, faltam uns seis minutos pro polonês retomar o próximo ritual. A Evangeline está logo no final do corredor, vi ela entrando lá com meu Senhor quando terminei minha apresentação, mas a essa altura eu acredito que ela esteja sozinha.
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 12/7/2016, 13:39

    Abaixar-se para beijar Luannah ou alguém era algo com que Pietra não estava muito acostumada, sempre cercada de pessoas altas a cainita muitas vezes tinha que se esforçar para demonstrar sua afeição. Diferente dos outros a filha da lua inspirava uma convivência sem esforços ou preocupações quanto a demonstração de carinho, quanto ao toque.

    " Uma tulipa perdida em meio ao trigo... Ela difere em muito dos outros, tem uma luz própria que insiste em brilhar... É um pequeno farol que precisa solidificar suas bases... Posso ver isso claramente, mas o caminho que ela escolher não lhe deve ser imposto..."

    Rindo da pequena explosão de felicidade de Luannah, Pietra ouviu atentamente as palavras da cainita mais nova sobre o tempo que ainda tinha, concordando com um leve aceno a italiana abraçou a mais nova dando um beijo no alto da cabeça desta.

    - Eu preciso ir ver Evangeline, ela deve precisar de ajuda para se arrumar... Depois do Festim teremos mais tempo para conversar pequena, até lá peço um pouco de paciência e que continue a ser quem és...

    Encostando a cabeça de Luannah sobre seu peito Pietra deixou que o ar tomasse seus pulmões por alguns instantes, beijando com delicadeza os cabelos ainda molhados da mais nova a cainita a soltou ao fazer uma pequena mensura.

    - Preciso ir pequena Luannah...
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Danto em 14/7/2016, 01:19

    Com delicadeza e ternura a jovem se encolhe contra o seu corpo e sorri ao ouvir a sua despedida. Ela parecia a cada instante uma resistente seguidora dos caminhos pouco explorados da Humanidade, era algo que sempre a incomodava na Espada, a necessidade de se abraçar o monstro, de se entregar a corrupção e ao espectro negativo dos sentimentos. Ela era exatamente como você, as pequenas ações importavam, os pequenos toques, os pequenos sorrisos e acima de tudo, a arte movia vocês a patamares inalcançáveis pelos outros. Eufórica, a pequena malkaviana apenas balançava a mão direita em um sinal de "tchau" e não dizia nada.


    Imediatamente quando você saiu do quarto de Lunnah, uma memória inesperada lhe vinha a mente. Seu último encontro com o enorme Cardeal de Madrid, Monçada. Um líder que o Sabá talvez nunca mais tenha, o encontro ocorrera na coroação de Melinda como Regente da espada. A memória talvez tivesse sido despertada pela ternura que a pequenina representava, ou pela humanidade contida em sua alma, mas o fato é que sozinha pelos corredores. Distante de todos os olhos, sua mente lhe trazia uma valiosa memória.

    Melinda já havia recebido a coroa, era fim de noite e todas as festividades haviam terminado. Todos estavam retornando a seus refúgios, afinal, o sol estava prestes a nascer. Mas a imagem do enorme Cardeal chamou sua atenção naquela ocasião. Ele estava só, em meio ao imenso jardim de sua própria mansão em Madrid, local da grande festividade. Parado como uma das várias estátuas que decoravam o jardim, ele olhava para o horizonte que estava prestes a receber a alvorada. Você então se aproximava, encontrando-o em um semblante triste, o Cardeal Lasombra dizia:

    -"Curiosa a relação entre pais e filhos não é? Nós como filhos nos esforçamos profundamente para orgulharmos nossos pais, ou para provar a eles que nós estávamos certos e eles retrógrados não poderiam possuir nenhuma razão. Somos assim, os filhos de Caim, grande parte de nós se dedicam a alcança-lo. Mas me diga, qual é o mérito em se igualar a um assassino? A um pecador? A um traidor? A um vingativo homem que por crueldade espalhou sua maldição pelos filhos de Deus? Somos poderosos, criaturas das Trevas. A escolha mais fácil é aceitar o que esperam de nós... Mas as coisas mudam quando não somos mais apenas os filhos, quando nos tornamos provedores, Senhores, Protetores, Tutores. Nesse instante entendemos que vidas dependem de nós e tudo muda para sempre. Não se esqueça, Pietra, não se esqueça que nosso dever como Provedores é nutrir as raízes que geram frutos e podar as que não."

    Distraída nos pensamentos, na memória tão forte e nítida do discurso triste de Monçada. Você finalmente retomava a atenção aos arredores, você se encontrava na frente do camarim de sua amada Evangeline.

    [Off: Ultima ação para o final do ato]
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    Re: Ato XIII - Narrativa de Pietra: Ex Terram

    Mensagem por Jess em 14/7/2016, 12:26

    Sentir aquela pequena chama de humanidade agraciar seus carinhos Pietra se retirou com a leveza, apesar que de querer permanecer ali por mais tempo havia pessoas a se visitar, conversas a serem travadas, pensamentos elucidados.

    " Eles se perdem em seus próprios terrores... Uma loucura auto-imposta que os destroi por completo... Aqueles que conseguem fugir disso são raros e muitas vezes tentados a se perderem... Não posso recrimina-los... Nem todos tem coragem para enfrentar seus medos... Para não se perder... Todos temos pecados..."

    As memórias de sua ultima conversa com Monçada fizeram com que um sorriso triste tomasse os labios de Pietra, a figura imponente do Cardeal era um marco inalcansavel para qualquer um, mesmo assim havia uma infinita sabedoria e preocupação em Monçada.

    As palavras, aquelas mesmas palavras ha muito ditas encheram o coração de Pietra com alegria, depois de muito anos elas revelavam um conselho importante, um conselho que acalmava a dor causada por Eva em seu intimo.

    " Somos tão diferentes... Tão estranhas e iguais... Conheci sua besta e ela a minha... Eva é o que eu não tenho coragem de ser, e eu sou o que ela nunca teria como ser... Uma completa a outra... Se eu sou sua salvação ela é meu eterno pecado... Isso me deixa triste e feliz ao mesmo tempo, porque Eva me alimentou com a vontade de viver quando tudo já não fazia sentido... Mia Eva..."

    Olhando por alguns instantes o nome de Evangeline na porta Pietra sorriu, havia uma leveza em seu coração, e a certeza de que mesmo ferida sempre existiria amor pela selvagem Eva. Batendo de leve na porta Pietra chamou o nome da amada pedindo sua permição para adentrar.

    - Eva mia Bella!

      Data/hora atual: 28/6/2017, 12:58