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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

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    Danto
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    Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 12:16

    17 de Março de 2002, Berlim.
    Nona Noite

    Quarto de Masdela:

    A porta do quarto estava aberta a sua espera, totalmente escancarada a tua espera e o seu interior charmoso era prontamente revelado. Uma decoração com traços turcos e vários traços modernos harmonizavam com perfeição naquele ambiente claramente preparado para hospedar alguém especial para a espada, já que aquela mobília pouco tinha haver com o esperado de um interior de um hotel voltado para a classe média germânica.

    O carpete estava desnivelado em várias partes, como se várias pessoas tivessem andado fervorosamente ou uma enorme discussão tivesse ocorrido recentemente. Sobre a cama havia uma troca de roupa estranha, similar ao estilo punk que você raramente via, mas que a fazia lembrar do Barão Vermelho. Já na mesa central de vidro, existia um notebook ligado, dois celulares e vários cadernos de cores diferentes e entre os cadernos, haviam lenços de tecido, exatos quatorze e todos eles sujos de vitae. Quatro pares de canetas prateadas estavam justapostas aos cadernos de anotação, ao lado da cama existia um enorme cello antigo e nostálgico. Esse havia sido o primeiro instrumento musical que teu ouvidos ouviram tocar após o teu abraço, Masdela o ensaiava quando vocês foram apresentados pela primeira vez.

    O ambiente inteiro cheirava a girassóis, era um cheiro suave e quase praticamente disfarçado pela presença de vapor vindo do banheiro, alguém havia terminado recentemente um banho muito quente e pela porta entreaberta vinha uma forte onda de quentíssimos vapores. Todos os detalhes eram mínimos, pois sentado na única poltrona de destaque do comodo, estava seu irmão de abraço. Faziam séculos des do ultimo encontro de vocês, era até curioso como você não se lembrava exatamente das proporções corporais do alto homem que chegava a mais de um metro e oitenta de altura. Seu porte atlético indicava sempre um passado de possíveis ações militares ou alta nobreza, ele se levantava quando você adentrava o ambiente e executando a famosa saudação da corte das rosas de Florença, ele a saudava da maneira mais formal possível. Mas, fazia tudo isso de olhos fechados.

    Posteriormente, com bastante calma, teu irmão ajeitava a gola alta da camisa de lã branca que usava na ocasião. Ele estava perfeitamente como você se lembrava, exceto o cabelo muito mais curto. Mas a barba era a mesma, a face pálida e misteriosamente fria. A maior diferença agora era a presença que ele emanava naturalmente, absolutamente nenhuma. Era como se ele nem sequer estivesse ali!

    -Boa noite, Lady Rafaldini. De acordo com meus cálculos, fazem setenta mil duzentos e nove dias, um pouco mais do que cento e noventa e dois anos, depois do meu torpor eu sempre me perguntei... Onde exatamente aconteceu o cisma que foi instaurado entre nós, todavia, falhei em todas as lógicas construídas. Entre e fique a vontade, acredito que temos muito a conversar. Ah sim, feche a porta por favor...

    Aguardando pacientemente a sua movimentação, sem ousar abrir os olhos nem por um único segundo. Masdela sentava-se agora no sofá e aguardava pacientemente por suas reações enquanto cruzava as pernas com bastante elegância. A beleza dele estava ali, isso não era nenhuma dúvida para ti, apesar de um visual um pouco mais atualizado e menos formal, teu irmão a tratava com todos os cuidados da etiqueta cainita, todavia, havia ali escondido uma enorme frieza pois ele nunca havia a chamado apenas pelo sobrenome, nenhuma única vez.

    -Primeiramente, peço desculpas por tua jovem russa. Devo assumir que presumi inicialmente que essa era tua companheira, quando entendi que não era o caso apenas improvisei da melhor forma possível. Não há razões para envolver mortais entre nossas diferenças, concordas? Agora, ouso perguntar, diante de tamanha felicidade que irradia de vossa aura, Lady Rafaldini. Estas orgulhosa com teu sucesso junto ao Sabá, mas sinto que não é apenas isso, estas feliz exatamente como eu me recordo que era, ainda quando aprendia a pintar em meu ateliê... O pós conclave tem sido bom contigo?
    Masdela:

    Roupas:


    Última edição por Danto em 24/5/2017, 15:34, editado 3 vez(es)
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    Jess

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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 13:22

    Os olhos castanhos de Pietra demonstraram a mais pura surpresa, a porta aberta do quarto cuidadosamente e esplendidamente decorado deixavam claro que a presença de seu irmão havia deixado seus traços pelo local.

    Cada detalhe foi estudado com cuidado por Pietra, havia um sentimento estranho de nostalgia que teimava em se impregnar em cada lugar onde a cainita pousava seus olhos, o cheiro das pétalas o violoncelo e até mesmo os vapores do banheiro, faziam com que Pietra sentisse o peso do tempo em seus ombros, um peso abrasadoramente pesado e antigo.

    Os cadernos de anotações deixavam claro que Masdela havia trabalhado duro em algum projeto recente, o tapete pisado e desnivelado era outro indicio claro, mas a curiosidade se fez presente diante das roupas que arremetiam ao Barão Vermelho.

    “ Flora. Será que ele foi até ela? Claro que foi, ela me avisou sobre ele!”

    Ainda parada a apenas dois passos da porta, Pietra apertava com força a pétala em sua mão, seus olhos por fim pousavam na figura imponente de seu irmão, a diferença de altura e o porte atlético de Masdela eram uma marca da qual a cainita quase havia se esquecido, mas aquela frieza que emanava não era antiga, era algo novo, algo que Pietra ainda não conhecia.

    Abaixando os olhos Pietra respondeu a saudação de Masdela da mesma forma, a forma que lhe havia sido devidamente ensinada, percebendo os olhos fechados de seu irmão a cainita permaneceu em silencio apenas escutando-o com atenção. Fechando a porta como havia sido pedido Pietra procurou algum lugar que pudesse se sentar de frente a seu irmão, encontrando um banco sem costas perto da penteadeira, a cainita tomou a iniciativa de carrega-lo até a frente do sofá para se sentar.

    “ Nós mudamos não é mesmo? Mas quanto mudamos aos olhos um do outro?”

    Em silencio Pietra ouviu Masdela pedir desculpas pelo envolvimento de Aylena, o italiano usado naquela conversa frio fez Pietra fechar os olhos, seus ouvidos simplesmente sentiam a saudade de sua língua natal, até mesmo seu coração o sentia. Retirando a jaqueta Pietra a dobrou cuidadosamente para coloca-la ao seu lado no banco, cruzando as pernas a cainita segurou o joelho ouvindo cada palavra do homem a sua frente.

    - Boa noite Alfonsus. Eu lhe agradeço por não ter causado nenhum mal a Aylena, ela ficou feliz por ter sido tratada como uma princesa durante o tempo em que mantiveram contato. Foi ela que me deu sua localização, mas eu acho que você esperava isso não?

    Brincando com a pétala em sua mão Pietra sentia toda a distância entre os dois ali bem a sua frente, de olhos abaixados a cainita concordou com um leve aceno.

    - Eu revi Violetta e Elsa, tive que sentir na pele a fúria de Elsa, mas ela sempre foi boa comigo, não foi diferente agora. Na verdade é por que fizeste a Aylena que estou aqui, me tornei mãe de duas rosas e o sentimento de estar mal resolvida com você apenas cresceu. Não posso fugir eternamente, muito menos me esconder agora. Então eu lhe respondo Alfonsus, o pós Conclave vem sendo bom, nele minha rosa branca e negra nasceram, adotei uma filha da lua como aprendiz, e estou pronta para tentar me redimir com você.
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    Danto
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 14:07

    Ali parado de olhos fechados, Masdela parecia uma estátua. Sua pele estava extremamente pálida, lembrando a tonalidade que apenas os mais antigos anciões alcançavam. Estático e até assustadoramente mórbido, seu irmão permanecia inerte durante todas as suas falas e ações.

    Entretanto, foram tuas últimas palavras que causavam algum efeito. Ao ouvir "redimir", o homem descruzava as pernas e abria um sorriso venenoso na face.

    -Pronta para se redimir comigo? Um termo profundamente católico, redenção é livrar-se de um passo arriscado, é livrar-se das penas do inferno. Tua escolha de palavras é fascinante, pergunto-me se serei eu o teu inferno...

    O silêncio então dominava totalmente aquele quarto, lentamente Masdela iniciava o movimento de abrir os olhos. A força do vitae dele no entanto não se fazia presente e isso ainda a incomodava em demasia, afinal, era impossível para você ter uma dimensão da atual força de seu irmão. Pela primeira vez em muitos anos, não era você que tecia as teias do destino daquele encontro.

    Finalmente de olhos abertos, ele a olhava. Por um minuto inteiro, ele apenas a olhou e deixou aquele sinistro silêncio devorar a sala por completo.

    -Tu sequer tem o conhecimento necessário para se redimir, Pie...

    No meio do teu nome, seu irmão interrompia a fala. Os lábios dele demonstravam insegurança, os punhos se fechavam e a musculatura do altíssimo homem se tensionava. Esforçando-se ele seguia a frase.

    -Responda a teu esquecido inferno, porque? Onde exatamente eu me transformei em uma figura terrível e repugnante, merecedora do vazio e do silêncio? É a única coisa que peço de ti, a razão. Você a tem ou teu coração também é de ouro?!
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    Jess

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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 14:35

    Os olhos claros de seu irmão causaram uma dor dentro de Pietra, a besta se recolhia com medo, aqueles eram os olhos que a cainita um dia admirará, que um dia havia nutrido um sentimento do mais puro amor fraternal, um amor que o senhor dos dois havia destruído.

    Fechando os olhos para não encarar o sorriso de seu irmão, Pietra respirou fundo diante de cada acusação e palavra, mas foi seu nome interrompido que fez abrir novamente os olhos castanhos e encarar Masdela.

    Ali Pietra não tecia mais as teias, não era a aranha, simplesmente era a velha Pietra ingênua e assustada, lutando contra isso a cainita balançou a cabeça arrumando a postura, de costas eretas a italiana recebeu a última acusação, talvez a mais dolorida de sua existência.

    “ Ouro... Como eu odeio o ouro de Elonzo.”

    Resguardando sua besta a cainita respirou com calma, a impossibilidade de sentir a força de seu irmão era um elemento assustador, já que Masdela podia sentir a da cainita sem esforço, algo que Pietra não escondia.

    - Eu... Tu nunca foi o inferno. Sempre foi um refúgio em meio ao que vivemos, mas foi me arrancado como todo o resto, rasgado na minha frente sem nenhuma piedade... Não Masdela eu não possuo um coração de Ouro, nós dois sabemos que o dele nunca foi dourado por dentro. Sou eu o seu inferno, me transformei nisso e estou aqui para tentar mudar...

    “ O que eu causei a ele? Quanto mal eu trouxe a vida dele?”

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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 14:53

    Masdela ouvia você pronunciar o nome dele e imediatamente fechava os olhos, o punho direito se fechava com força e as veias pulsavam por exatos dois segundos. Ali ele se controlava, para então encaracar você diretamente sem nenhum receio.

    -Engana-se ao não considerar o coração de Elonzo como ouro, o que é o ouro entre os humanos? Uma moeda de corrupção, motivo de ganância e ódio, uma falsa sensação de glória, luxúria e ego. Mas é justo você cometer esse erro, afinal, convivestes pouco com o mesmo... E tens razão, és a encarnação da minha danação... Mas me permita contar um história!

    Masdela cruzava novamente as pernas. Encostando as costas na poltrona e exibindo uma postura menos rígida.

    -Era uma vez um tolo apaixonado, distante de tua amada por motivos por ele nunca controlados. O tolo enviava cartas constantemente e morria de ansiedade a espera de respostas. Em uma determinada altura desse triste e distante relacionamento, o tolo descobriu algo terrível. Sua amada havia se atirado nos braços de um escândalo, o Senhor do tolo enfureceu-se a determinado a destruir sua amada, rumou em direção à Paris. Assustado, o tolo preparou um plano, pois sabia que seu Senhor estava cometendo um engano! E lá foi o tolo a escrever outra carta, implorando para que sua amada o encontrasse em Lyon e lá ambos iriam buscar justiça junto a maior de todas as cortes das rosas... Lá o inocente tolo esperou, trezentas e sessenta noites inteiras... O tolo cansado de chorar sua burrice, retornou para casa e lá dormiu por seis décadas, afinal a vergonha o devorava.

    Ele fazia uma outra longa pausa e descruzava as pernas e apoiava as mãos sobre a mesa central, abaixando a cabeça para olhar os próprios pés.

    -Esfomeado, o tolo acordou. Diante dele, encontrou uma serviçal, seu nome era Claudia Caccavale... Ele a devorou inteira, cada gota de seu sangue, o fez enquanto a agredia e humilhava. Apenas porque seus cabelos eram...castanhos... Desesperado, esse homem abraçou sua primeira rosa.

    Masdela então desferia um único soco contra a mesa de vidro, estilhaçando ela por completo e imediatamente ele se colocava de pé. Enfurecido o seu irmão tentava não esbravejar.

    -E você a desgraçada causadora de tudo isso, de tanta humilhação, de tanto sofrer! Eu só queria protegê-la, eu havia a ensinado tudo! Eu havia lhe dado tudo! E tu ousa dizer que ainda fostes acolhida pela linhagem de Violetta, diga-me como foi o abraço da tua rosa branca? ME RESPONDA SE É JUSTO?!

    Enfurecido, Masdela começava a andar pelo quarto, com passadas fortes ele ia na direção da cama.
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    Jess

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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 15:34

    O punho de Masdela se fechou e a besta dentro de Pietra tremeu por completo enquanto sua cainita se controlava para não demonstrar medo ou reação, as palavras frias mas controladas traziam um ponto de vista dolorosamente real a cainita.

    “A diferença é que o metal não tem culpa do que representa. Elonzo sabe bem o que faz e o que representa.”

    As palavras que se seguiram fizeram com que Pietra encarasse seu irmão, havia dor em cada palavra dita por ele, uma dor antiga de uma ferida á muito aberta e nunca tratada, um erro do passado de Pietra que agora voltava como um fantasma do natal passado.

    Abaixando a cabeça a cainita sentiu cada amargor das palavras sobre sua pele, cada esperança perdida de Masdela, tudo feria Pietra como a lamina fria da outra verdade, uma verdade da qual a cainita por muito tempo havia fugido.

    Uma lagrima escorreu dos olhos quando a cainita soube da prole de Masdela, a besta gritou em repudio e dor diante daquilo, Pietra a sentia debater-se dentro de si mergulhada na dor, a besta claramente pedia para que sua cainita paresse, que fugisse dali e procurasse abrigo, mas Pietra firmou os pés no chão mantendo-se parada. Seus olhos castanhos viram a fúria de seu irmão quebrar a mesa do centro, esbravejar ainda que tentasse se controlar, os olhos viram cada detalhe e pesaram a pergunta feita.

    Levantando-se do banco Pietra deixou que a pétala caísse ao chão, tinha uma sobrinha que havia sofrido algo monstruoso, algo que ninguém mereceria sofrer.

    - Minha rosa... Ele teve o abraço que Elonzo não me deu, ele não viu as chamas consumirem seu trabalho ou seus pais chorando em cima de um caixão fechado, ele também não teve o abraço de sua criança. Ele teve amor, carinho e paciência. Não foi atirado a cova dos leões na esperança que sobrevivesse por tempo o suficiente para aprender alguma coisa, não foi afastado de seu irmão e mentor porque sua presença impediria o crescimento deste. Ele não sofreu nada disso e mesmo assim se compadece de minhas dores...

    Respirando fundo a cainita enxugou a lagrima, alisando os cabelos de sua besta Pietra a acalmou cessando os gritos em sua mente, precisa estar forte, lidar com seus erros de cabeça erguida.

    - Eu te amava de outro modo, um modo que não iria te satisfazer. Sempre foste um irmão mais velho, mas ao mesmo tempo sempre foi a lembrança da dor que ele me causou... Nunca recebi sua última carta, e enquanto você esperava eu fugia dele, fugia de sua influência e das feridas que ele poderia abrir em mim, fugia para protege-la... Quando eles me tiraram ela... Eu murchei, teria me atirado ao sol se não soubesse que teriam a matado da pior forma possível depois disso. Enquanto eu murchava foi a linhagem de Violetta que cuidou de mim... Que me forçou o alimento e me deu alguma esperança.

    Apertando os calos de sua mão a cainita fechou os olhos, doía relembrar o passado, doía imaginar como as coisas poderiam ser diferentes, e de como havia ferido a tantos.

    - Eu sangrei a cada passo que dei! Durante anos recharcei a simples ideia de ter um filho, de macula-lo com meus erros. De que você o odiasse como me odeia agora! Eu tenho medo Masdela, medo de cada menção ao nome dele, medo de cada sombra que eu não conheço, medo de que no fim seja ele meu carrasco! O mesmo maldito carrasco que rasgou minha alma ao julgar meu amor por Eva. Eu a amo Masdela, a amo porque ela é melhor do que eu, porque ela tem mais coragem e força. Amar não deveria ser errado meu irmão...
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    Danto
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 16:01

    -Perfeito, ela ainda me chora sem o uso do vitae...

    Resmungava Masdela em um tom baixo, como se ele falasse consigo mesmo. Ao contrário de uma fúria desenfreada, algo que você consegueria entender, seu irmão mais velho batia uma mão no ar. Uma reação profundamente moderna, feita pelos mais jovens humanos do século XXI que demonstrava uma espécie de absurdo e indignação.

    De costas ele pegava o enorme instrumento musical e o colocava sobre a cama, passando suavemente as mãos pelas cordas do mesmo.

    -Eu nunca mais fui capaz de tocar, nenhuma única música. Acredito ter vivenciado um século inteiro no mais puro cinza, claro, houveram momentos felizes. Mas a tua traição deixou Elonzo determinado e isso nunca foi algo bom para ninguém... Você tem razão, amor não deveria ser algo errado.

    Batendo o indicador na corda mais grave, Masdela a deixou vibrar, parado ali ele simulou uma respiração.

    -Ainda és tão inocente, preferia que tivesse se tornado realmente uma rosa negra. Assim eu simplesmente a destruiria e tudo terminaria fácil. Mas eu atirei tantas pedras na desgraçada da cruz que o fácil simplesmente não existe em minha vida!

    Virando-se para olhar para ti mais uma vez, teu irmão andava agora na sua direção e parava na sua frente, a três passos curtos de distância.

    -Primeiramente, peço com carinho que não use minha prole como comparativos. Eu já me envergonho o suficiente por tê-la humilhado daquela forma, um cainita em frenesi nunca é uma visão bela. Não achas? Agora, teu medo por Elonzo é legítimo, nosso Senhor sonha em arrancar a tua cabeça e talhar teu corpo como uma ave qualquer. Isso certamente o deixaria feliz! Mas eu não estou aqui para fazê-lo feliz, essa nunca foi a minha prioridade.

    Os olhos de Masdela finalmente encontravam aquela pétala de girassol caída no chão, em uma fração de segundos. A postura controlada do homem começava a sumir, ele parecia ter finalmente entendido algo e imediatamente ele recuava. Com tanta força que praticamente se jogava contra a parede oposta à você. Expondo as presas e as garras, Masdela se permitiu soltar um urro potente, chegando a expelir algumas gotículas de sangue que simulavam o efeito da saliva naquela situação. Posterior ao urro, ele a indagava:

    -Se amar não é errado? Porque o meu amor por ti foi?! Hã? Porque eu nunca foi o suficiente? Eu sonhei sim em tê-la como amante, mas eu a amei PIETRA! Eu teria cuidado de vocês, tu realmente acredita que eu um dia me importei com a tua amada? Eu não poderia me importar menos! Eu queria a minha irmã! ERA MEU DEVER! Porque o meu era o errado?

    Lutando contra a própria fúria, Masdela pisava forte no chão e engolia as presas e sumia com as garras, mas não evitava em desferir um potente golpe contra a parede. Estremecendo o interior do quarto, exibindo uma força que ele não deveria ter! Era assustador! Resmungando baixo, teu irmão dizia enfim:

    -Eu deveria matá-la, você e toda a tua linhagem... Mas eu não consigo nem sequer falar o teu nome sem sentir toda aquela dor voltar! Maldição!
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 16:40

    As reações de Masdela eram estranhamente atuais e contemporâneas, isso teria feito Pietrar rir em outro momento, mas naquele a cainita apenas observava, nem mesmo Pietra sabia ao certo como suas mudanças haviam a modificado e aquele não era o momento para descobri-las.

    O toque suave sobre as cordas fez com que a besta levantasse os olhos, a besta adorava a música de Masdela, simplesmente adorava a música que seu irmão era capaz de produzir, a besta passaria séculos sentada a frente daquele instrumento se pudesse.

    Com a distância diminuída entre os dois a besta se encolheu, mas seus olhos já não se abaixaram mais, era a face de seu irmão que buscava, a face de seu primeiro protetor naquela vida. Concordando com um leve aceno Pietra escutou as palavras de Masdela com calma, a única lagrima já havia sido enxugada e não voltaria a correr.

    “ Elonzo nunca abandonou o osso da minha carcaça... Mesmo depois de tanto tempo... Mesmo depois de seu pedido ter sido recusado.”

    A mudança brusca de Masdela fez com que a cainita desse um passo para atrás, o urro e as palavras alteradas foram o suficiente para fazer a besta avançar alguns passos e se revelar, a besta mostrava as presas pronta para proteger sua cainita, enquanto a cainita encarava seu irmão sem nenhum medo.

    - Não era errado Masdela... Nunca foi... Mas ninguém nos deu tempo, ninguém deixou que eu crescesse. Ele simplesmente voltou a arrancar tudo ao que eu me agarrava. Me arrancou Eva, meu trabalho, me jogou na lama e me caçou como uma raposa... Afinal eu havia me envolvido com uma sereia, uma linhagem corrompida. Eu caí Masdela, caí muito fundo, e foi por Eva que permaneci branca, que não sucumbi ao inferno.

    A besta recuou guardando as presas, seus olhos castanhos se prenderam no instrumento deixado em cima da cama, havia saudades naqueles olhos, uma saudades que Pietra não escondia e a besta muito menos. Decedida a besta se sentou ao lado do violoncelo, seus dedos tocaram de leve as cordas sabendo que não havia talento nenhum para a musica.

    - Eu quis protege-lo, por isso me afastei. Não queria que a raiva de Elonzo recaísse sobre você, fugi para Madri e lá fiquei, tive que ficar. Nenhuma Torre seria segura, não quando Elonzo o dourado tinha tantos amigos e influencia... Eu era incapaz de te corresponder Masdela, incapaz de olha para você e não lembrar dele e de tudo que me foi arrancado... Chegamos aqui porque ele era incapaz de nos perdoar, de nos ver como filhos e não peças de xadrez.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 16:57

    -Tempo...

    Murmurava Masdela. Prontamente ele levantava a mão esquerda e exibia o indicador, pedindo à você um tempo. Virando-se de costas, você assistia o seu irmão se ajeitar. Demonstrando um controle sobre as próprias emoções que poucos membros do clã das rosas possuíam, um clã tão eloquente e apaixonado não tinha muitas vertentes racionalistas. Todavia, teu irmãos mais velho parecia profundamente reflexivo e sábio.

    Tornando a virar, ele concordou com a cabeça antes de retomar a fala. Agora usando o mais puro e tradicional dialeto da toscana medieval, algo que seus ouvidos não escutavam a muitos e muitos anos.

    -Tu não poderia ter escolhido uma Ventrue? Uma nosferatu seria melhor! Céus, seria tão mais agradável para época irmã! Sempre com teu impeto pelo caos não é mesmo... Impressionante... Mas você está certa, fostes caçada como uma raposa. Eu só queria estar contigo, se uma mão fosse de tua Eva, meu maior desejo era ser a outra mão.

    Finalmente ele parecia controlado novamente e começava a andar em direção ao sofá, sentando-se no mesmo e unindo as mãos em uma entrelaçar de dedos.

    -Sente-se por favor Pietra, eu queria ser capaz de causar-lhe algum mal. Mas minha covardia se faz presente aqui mais uma vez... Veja, eu não a odeio. Mas a tua presença me faz sofrer tanto, eu nunca mais beijei ou toquei nenhuma outra mulher de maneira consciente pelo trauma de deixastes em mim, por alguns anos eu realmente acreditei que seria possível viver o meu maior sonho. Que culpa eu tenho se tua beleza é incomparável? Como não amá-la? Eu não sei como Elonzo pode odiar algo tão lindo! Hoje eu sou um ancião que teme girassóis, que possuí uma filha e uma neta e não é capaz de tocá-las! Veja só o quão covarde eu são, surpreendente não é!?
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 17:20

    O pedido estranho de seu irmão prontamente foi atendido, dando alguns passos para atrás a cainita pode ver o auto controle de Masdela, uma surpresa estranha em meio ao caos de sentimentos que os filhos da rosa eram.

    Os olhos de Pietra se fecharam e a cainita quase sorriu ao ouvir o dialeto usado por Masdela, abrindo os olhos com calma a cainita viu a besta se virar para Masdela e olha-lo com amor, a besta sentia tanta falta daquele idioma, das palavras secas e ao mesmo tempo fluidas.

    - Não escolhi seguindo a razão irmão, escolhi o que meu coração pediu. O caos foi um brinde não muito desejável mas ele sempre pareceu me seguir. Não terias gostado de Eva na época, ela era ainda muito jovem e tempestuosa... Devo admitir que não mudou muito, mas foi por isso que a escolhi, porque ela é a força da que me liberta.

    Ainda de pé, Pietra viu seu irmão se sentar, a cainita sentiu-se dividida entre sentar-se ao lado de Masdela ou permanecer ali naquele banco, a besta por outro lado sabia bem o que queria, levantando-se esta correu para se agarrar aos joelhos de Masdela, em seus olhos havia um pedido silêncioso, um pedido que Pietra sentia em seu peito.

    “ Espero que isso funcione... Eu me odiaria por causar mais mal a ele...”

    Andando até a cama a cainita tomou a liberdade de pegar o instrumento, abraçando-o com cuidado Pietra apertou a madeira de encontro ao peito sentindo aquele cheiro de parafina misturado ao de seu irmão, Masdela sempre havia deixado seu perfume em tudo que tocava, era um dom do qual Pietra sempre o invejará. Voltando-se para Masdela a cainita estendeu o instrumento ao dizer.

    - Acho que nós dois somos covardes... Eu porque sempre fugi de Elonzo, consequentemente de você... Estamos aqui não é mesmo, e se seus olhos ainda são capazes de ver beleza em mim, talvez seus dedos ainda possam tocar em sua filha e neta, criar música e voltar a nutrir suas raízes... Se não por mim, por você meu amado irmão.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 17:40

    Masdela ouvia a sua primeira frase e concordava, demonstrando que havia entendido algo fundamental ali. Olhando para as próprias mãos ele se distraia enquanto você andava até a cama, nesse meio tempo a tua besta tomava aquelas ousadas decisões. Mas Masdela parecia simplesmente entorpecido demais para notar a sensibilidade que as ações dela requeriam.

    Levantando os olhos na sua direção, teu irmão olhava a sua ação com o antigo cello que apesar de velho, estava extremamente bem cuidado, a madeira ainda carregava consigo o cheiro único do passado, um nostálgico perfume suave. A reação dele foi magnífica e especial!

    Quem te olhava ali era o teu primeiro tutor e protetor, o sempre sensível e talentoso Masdela. O maior músico que teus ouvidos já haviam ouvido tocar, os olhos dele a admiravam como sempre faziam, o sorriso do homem nascia com uma potência especial. E naquele instante a tua mente conectava mais alguns pontos, afinal, Hans também tocava o mesmo instrumento e nada parecia mais apenas uma grande coincidência! Erguendo a manga esquerda daquela camisa branca de lã, Masdela exibia a ti o símbolo dos Alastores da Torre de Marfim.

    -Antes que eu possa tocar, queria que vistes isso. Eu lhe prometo, tu não sairá daqui sem me ouvir tocar mais uma vez, nem que seja nossa música de adeus... Mas eu preciso lhe contar tudo...

    Terminando aquela pergunta, Masdela se assustava quando sentia o peso do toque da sua besta. Arregalando os olhos, o antigo ancião Toreador da linhagem de Arikel olhava profundamente para a imagem da sua besta e tremendo de medo, esticava a mão para tocar na mesma. Encostando em uma mecha dos cabelos dela, teu irmão ficava paralisado.

    -Traga o cello, Pietra... e me diga, como podes alcançar as dádivas de Iontius sem um guia apropriado? Essa é a mais fascinante de todas as possibilidades!
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    Jess

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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 18:04

    Diante de seu irmão Pietra sorriu, já não havia mais como conter aquele sorriso, não quando o cheiro do Violoncelo entranhava em seus pulmões e a besta insistia com tanto afinco que queria a musica.

    Rindo a cainita escutou cada palavras de Masdela, de pé a frente do mesmo a cainita reconhecia o irmão que amava, o homem que não temia e a nada se parecia com o senhor de ambos.

    “ Por favor volte... Volte a ser meu irmão, o homem em quem eu podia confiar e amar... Nunca será do modo que você quer... Mas ao menos poderemos ser irmãos de novo.”

    Vendo a marca no pulso de seu irmão, Pietra não retirou o sorrriso do rosto, entendia completamente a posição de Masdela e de alguma forma ficava agradecida ao Fundador da Torre por não ter incluído seu nome na lista de inimigos.

    - Escolheste percorrer um caminho perigoso irmão... Acho que nós dois fizemos isso. Tivemos nossos motivos não?

    A besta sorriu triunfante ao ver que era notada, sem pudor nenhum esta agarrou a mão de Masdela para coloca-la profundamente em seus cabelos, claramente um pedido de carinho que não aceitaria recusas, Pietra revirou os olhos rindo disso.

    - Onde há luz também há trevas. E onde as trevas reinam existe a luz para equilibra-las. É uma verdade incontestável que vem me guiando durantes anos... E digamos que eu tive uma boa professora para me ensinar isso, e um guia adorável para me falar de nosso bisavô e avo... Eu adoraria tê-los conhecido.

    Com cuidado Pietra beijou a testa de seu irmão para então se sentar ao seu lado, o violoncelo pousava em seu colo com carinho enquanto as mãos da cainita brincavam com a madeira.

    - Foi você que ensinou Hans não foi? Ele é adorável, e muito melhor do que eu jamais serie com a musica. Você não sabe como te invejo Masdela, eu não consigo nem cantar direito.

    A besta olhou feio para sua cainita fazendo com que Pietra risse, voltando o olhar para sua outra parte a italiana mostrou a lingua reclamando.

    - Eu não vou roubar ele, fique calma!
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 18:18

    -Sim, se em algum momento Elonzo conseguisse o que queria. Seriam as minhas mãos a cumprir a tarefa, nenhuma outra.

    Afirmava Masdela com firmeza, quase como uma devoção total as própria palavras. Era uma louvável e poderosa convicção que se destacava no envelhecido homem. Todavia, instintivamente ele esquivava do beijo que você tentava dar. Não por não querer, mas com olhos assustados, com medo de um possível descontrole ele preferia evitar tocá-la diretamente.

    Um pouco envergonhado, o homem tinha a mão tomada por sua besta e ele não resistia a ela nem por um único segundo. Chegando a soltar uma pequena risada quando a pequena discussão entre vocês duas ocorria.

    Masdela fazia um rapido cafuné em sua besta e comentava feliz:

    -Essa é a imagem que eu sempre guardei de ti, inocente e linda. Como eu queria ter preservado isso para sempre...

    Deitando o tronco para frente, ele beijava a cabeça de sua besta. Para confirmas as suas suspeitas.

    -Sim irmã, foi um pedido insuportável de Violetta que não me deixava trabalhar em paz. Hans era um jovem atormentado, Violetta estava obsessiva e ele apresentava traços cinzas perigosos. Todavia, ele se mostrou um músico excelente, porque só você não conseguiu aprender. Eu era tão ruim assim contigo querida?


    Ele se comunicava contigo, mas olhava apenas para a sua besta. Amando cada pequeno segundo que podia tocá-la.

    -Ah, perdoe-me a falta de atenção. Ibrahim é o nome de nosso avô, eu pude me encontrar com ele em torno de 1900. Ele está agora dormindo na Argélia... Foi ele que me contou todas as verdades sobre nossa linhagem...
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 19:19

    A devoção de Masdela a causa escolhida fez Pietra admirar seu irmão em uma estranha situação, a recusa do beijo não incomodou a cainita, uma parte dela imaginava que isso aconteceria.

    Já a besta tomava toda a atenção de Masdela, sem fazer questão nenhuma de esconder que adorava isso, chegando a arrancar um riso de Pietra, a besta abraçou as pernas de Masdela depositando a cabeça sobre os joelhos do cainita chegando a morder o joelho sem se importar com mais nada.

    " Sua abusada! Toque nele por mim, afinal eu não posso pedir mais nada dele.

    Concordando com as palavras de seu irmão a cainita se encostou no apoio do sofá apenas ouvindo seu irmão, envergonhada pela pergunta a cainita sentiu uma onda vermelha dominar seu rosto.

    - Você foi um ótimo professor, eu só não consigo entender as cordas e sons. Amo a música mas não consigo reproduzir. Hans me contou a história dele, ele sofreu muito por minha causa, Violetta não soube lidar com minha fuga e fez de Hans um espelho meu... Obrigada por resgatar a alma dele meu irmão.

    Ouvindo que Masdela havia conhecido o senhor de Elonzo a cainita sorriu dando um pequeno pulo no lugar, saber que não era a única a saber da verdade sobre o abraço de Elonzo a deixou surpresa, mas de certa forma feliz.

    - Eu me encontrei com Lameth, um antigo Capadocium. Ele conheceu Iontius, foi ele que me contou sobre o caminho de nossa linhagem, sobre o abraço de Elonzo...
    Foi ele que me guiou e protegeu meu filho durante o abraço, serei eternamente grata a ele.


    A besta riu feliz com o nome de Lameth, ela deixava claro o quanto gostava do Matusalém e de como era feliz por poder se mover sozinha.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 20:14

    Masdela brincava com a sua besta da mesma forma que fazia contigo em suas primeiras noites após o abraço, com leves toques na face e alguns apertões na bochecha. Era para o antigo, uma experiencia linda que ele não era capaz de resistir. Apesar da enorme dificuldade que ele tinha de olhar para você, o contato com a sua besta vinha naturalmente.

    -Você tem essa capacidade irmã, de viciar as pessoas com a tua presença. É teu maior dom e maior maldição, há algo único na tua presença que não pertence a nenhum outro ser. Atente-se a isso e evitarás novos traumas...

    Beijando então a testa de sua besta, Masdela dizia com calma. Ainda sem olhar novamente para ti.

    -Lameth. Esse nome é mitológico dentro da história dos herdeiros de Caim, quarto de seu nome e prole de Ashur. Um dos grandes pilares da fundação da reflexão humanista dentro de nós cainitas ainda na era clássica. Pelo visto tu tiveras teus momentos épicos, fico feliz que tenha sido um homem tão honrável e venerável quanto ele.

    Esticando a mão na sua direção, Masdela pedia pelo cello. E assim que você o entregava, ele comentava brevemente:

    -Irei tocar apenas um pouco, mas com uma única condição. Que eu possa tentar tocá-la em seguida... E não irei esperar por tua resposta.

    [Off: teste de fascínio, dificuldade 8]
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 22:42

    Ali sentada ao lado de seu irmão, Pietra sentiu-se feliz ao ver como Masdela brincava com sua besta, a besta aproveitava cada pequena puxada em sua bochecha para tentar morder os dedos do cainita, quando o conseguia, segurava mão deste com cuidado dando pequenas mordidas carinhosas soltando apenas quando recebia carinho em troca. Essa cena arrancava risos de Pietra sem que a cainita percebesse.

    As palavras de Masdela sobre sua presença a deixaram curiosa, havia verdade no que seu irmão dizia, uma verdade da qual Pietra aos poucos começava a se atentar. Ver que seu irmão conhecia a fama de Lameth deixou a cainita orgulhosa, era a mais pura verdade, Lameth era um grandioso e sábio cainita, havia sido ele a lhe mostrar sua besta e a forma como ambas poderiam crescer juntas.

    - Nós dois acumulamos alguns séculos para isso não é mesmo? Além do mais eu o encontrei em uma situação estranha, foi uma boa conversa que tivemos, mas ainda estou em dívida com ele. Quem sabe um dia eu não seja capaz de pagá-la apropriadamente.

    Ouvindo o pedido de seu irmão, Pietra abraçou com cuidado o instrumento antes de entrega-lo, a besta não perdeu tempo em se afastar e cruzar as pernas esperando pela música, sentada a frente de Masdela os olhos castanhos da besta brilhavam na mais pura alegria.

    “ Me tocar. Deuses por favor consiga meu irmão, eu quero tanto abraça-lo!”

    Off: Teste de Auto Controle = 4d10 dif.8
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Dados em 16/5/2017, 22:42

    O membro 'Jess' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 6, 5, 2, 3
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 16/5/2017, 23:05

    Aquele linda melodia começava a ressoar por todo o quarto, os fragmentos de vidro que deixavam o chão brilhante como um céu estrelado vibravam timidamente a cada poderoso vibratto realizado naquelas cordas. Tua percepção começava então a gradativamente sumir, seus olhos se transformavam em poderosas correntes de águas cristalinas e o fascínio a devorava como nunca antes fizera.

    A música parecia nunca acabar, mas em alguns instantes você tinha a impressão que Masdela estava de pé, guardando o cello sobre a cama e a tentar falar contigo, o fascínio a arrebatava e ali impotente diante de seu irmão você ficava. A sua besta adormecia completamente e unia-se a tua alma outra vez, para então como uma única só criatura, você sentir toda a extensão da maldição de Caim a petrificar diante o talento sobrenatural e angelical de Masdela.

    Masdela falava algumas palavras, mas a musica ainda ecoava em um looping magnífico em sua mente. A imagem dele era turva e imprecisa, você sentia o toque gelado dele na sua face e lá estava ele a novamente tocar. Tua percepção a traía e sua consciência entorpecida também. Entretanto, tudo se rompia com o estouro de uma tempestade... Algo havia dado brutalmente errado...


    Uma lágrima de sangue caia dos olhos de Masdela e tocavam a sua face. Todo o controle e a compostura dele haviam desaparecido, tua mente ainda retornava perdida do fascínio, quando teu corpo era ferozmente agredido pela mão pesada do frenesi daquele enorme e forte homem. Um forte tapa encaixado contra tua maçã do rosto fazia a dor espalhar rapidamente.

    O fascínio terminava e o horror parecia apenas começar, em Frenesi, Masdela agarrava teus cabelos e a puxava para o chão. Arrastando-a por cima dos vidros e arremessando você contra a parede mais próxima, como um verdadeiro assassino sarraceno, o homem desaparecia em um borrão. Para surgir na sua frente segurando a tua face, batendo a sua nuca contra a parede várias vezes. Eram tantos golpes que a dor ultrapassava seu limite, até simplesmente não existir mais.

    Ele chorava enquanto cada potente golpe era desferido. Expondo as presas e armando as garras da mão oposta, garras negras e poderosas como os filhos de Ennoía possuíam. Se ele a atravessasse sobre teu peito, seria tua morte final.

    E o golpe era feito, o flash de sua vida mortal lhe vinha a mente. Os lindos campos da toscana, o calor do sol... Seria esse o teu fim? Ao menos tu tinha feito lindos herdeiros e vivido lindos amores. Mas as garras dele não chegavam a penetrar a tua carne, apenas perfuravam superficialmente na altura do seu coração.

    Quem segurava a mão de Masdela, era a própria besta dele. Que agora se manifestava exatamente como a sua, todavia não era a figura que você havia conhecido. Era na realidade, a imagem mortal de seu irmão mais velho, antes do abraço dele. Com vestes medievais simples, cabelos mais longos e uma barba descuida. A besta se aproximava de ti, farejando a procura de vida. Tua face estava inteiramente coberta por sangue, seu corpo também, as feridas começavam a se curar. Mas a dor também se fazia presente.

    -Nos perdoe, Pietra. Por favor... A racionalidade dele tem um limite e ele arriscou muito para estar aqui contigo hoje. Teu amor o machuca porque ele se dedicou a nunca mais ser amado, assustado e acuado como uma criatura, restou a ele a linguagem primordial. A violência... Essas são as trevas que existem dentro de cada um de nós, por favor Pietra, nos ilumine.

    Dizia a besta de seu querido e inconsciente irmão.

    a besta de Masdela:

    Off: -3 pontos de sangue e 3 de dano letal.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 16/5/2017, 23:54

    A música, cada pequeno vibrar das cordas foi sentido por Pietra, cada pequena mudança ecoou pela alma da cainita, saciando o vazio e a preenchendo com a presença dele. Era na música de Masdela que Pietra havia encontrado seu primeiro refúgio e ali sentada ao lado dele seu refúgio voltava a se erguer.

    O fascínio veio como um banho cálido, a bestas se entregou a ele adormecendo sem reforços, sua cainita sentiu as lágrimas escorrerem pela face sem ao menos se dar conta disso.

    Pietra não sentiu a música parar, mal viu Masdela se levantar e guardar o instrumento, em algum lugar a cainita ainda se perdia na música e em como ela saciada sua alma, foi o toque frio de Masdela que a guiou de volta, mas havia algo errado e Pietra percebeu isso tarde demais.

    A dor foi a primeira coisa a ser sentida, não houve tempo para surpresas já que a velocidade de Masdela ultrapassava facilmente a humanidade, na primeira dor a cainita gemeu evitando o grito, depois disso o silêncio a dominou mas era o grito da besta que ecoava em sua mente. Não era um grito de dor, mas um chamado, ela clamava por Masdela e pela consciência perdida.

    Entorpecida Pietra sentiu medo diante das garras, a besta urrou revelando as presas de sua cainita, as garras negras eram o fim, os campos dourados passaram pela visão da cainita trazendo um sorriso final saudoso, seus filhos estavam feitos e suas sementes germinaram.

    Mas as garras pararam e besta chorou, o choro se apagou com as palavras e a presença sentida, a besta abandonou o corpo de sua cainita para abraçar seu irmão, os olhos castanhos da cainita sorriram aliviados, embora logo a dor estivesse voltando a cainita riu, era um riso suave e aliviado.

    Com cuidado Pietra empurrou a garras para fora de seu peito, o corpo tenso relaxou quando as feridas eram fechadas pelo sangue, respirando fundo a cainita se controlou antes de prosseguir.

    - Eu causei tanta dor, tirei tanto dele... Me perdoe, mas eu nunca deixaria meu irmão nas trevas!

    Arrastando-se para sair do peso de Masdela, Pietra se colocou de pé, enrolando os cabelos e os jogando para atrás está viu sua besta encerrar suas lágrimas e responder o olhar decidida. Ambas sabiam o que deviam fazer, ambas não abandonariam Masdela, não uma vez mais.

    Com cuidado Pietra limpou o tapete, forçando o corpo de Masdela a se deitar a cainita fez o mesmo ao seu lado, a cabeça de seu irmão repousava sobre o colo da besta, enquanto a de sua cainita sobre o peito do mesmo.

    Foi a besta que cantou, era uma voz singela mas suave, era a voz de sua própria avó ali, uma voz velha e chein de amor, Pietra sorriu abraçando o corpo do irmão, se pensasse perderia o foco, então deixou que a besta guiase.

    De olhos fechados a cainita expandiu sua presença, queria misturar-se a de seu irmão, a besta controlou para que a presença não crescesse demais, mas deixou que a luz iluminasse sem nenhum pudor.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 17/5/2017, 00:15

    As bestas se abraçavam com bastante carinho, tudo parecia começar a finalmente melhorar após aquela forte trovoada. O corpo de Masdela era pesado, mas não possuía mais força alguma. Era uma péssima sensação de mover um corpo morto, a única reação do teu irmão era a de fechar os olhos e murchar vagarosamente, ao ponto de quando estivesse deitado, não houvesse mais garra ou presa, tão pouco sinal de vida ou qualquer sentimento. A face manchada pelas lágrimas de sangue e a gola branca levemente tingida pelo mesmo líquido viscoso e rubro chamavam atenção.

    Todavia a besta do homem se aproximava andando com calma, olhando a cena ela comentava sorrindo ao ver a tua besta cantar de forma tão amável.

    -Não irei estender a minha presença aqui, irmã. Mas saiba, nós a perdoamos sem qualquer resistência, mas a tua falta nos fez perder a capacidade de amar, tu levou contigo o nosso coração sem sequer saber disso. Eu sinto que você hoje tem o coração de outros, mas tenho que ser egoísta para o bem dele... Nós nunca deixaremos de amá-la. Obrigado por tua luz, é chegada a hora de recomeçar.

    A besta dele então desaparecia em um efeito esfumaçado e empoeirado, como a presença de Lameth também fazia. Mais uma clara declaração indireta de que Masdela poderia estar longe de ti, mas nunca deixou de existir em tua vida... E além disso, ele pertencia ao mesmo caminho que você.

    A canção de sua besta seguia sendo feita, com muito amor. Até que alguns minutos passavam e você ouvia uma batida no coração de Masdela, os pulmões dele se enchiam de ar e o mesmo tossia. Abrindo os olhos assustado, ele sussurrava sem saber que estava acompanhado.

    -Mais um sonho Alfie, mais um sonho... Estás perdendo tua sanidade...

    Todavia, o piscar dos olhos e a respiração frágil, faziam com que a tua cabeça pesasse no peito dele. E isso o puxava para a realidade, sem pensar duas vezes teu irmão olhava para cima e via a sua besta. Escondendo a face com as duas mãos ele dizia desesperado.

    -Meu Deus! É verdade! Meu Deus! Eu sou exatamente como ele, depois de tanto tentar, de tanto estudar! Que horror, que humilhação terrível... Porque? Eu deveria ser capaz de manter apenas um diálogo civilizado, um encontro simples, era só isso! Pietra porque tens que ser minha eterna falha? Porque não abandona esse homem de coração de ouro mais uma vez, o que ele pode lhe dar além de dor e violência?!
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 17/5/2017, 11:21

    Deitada sobre o peito de Masdela, a cainita finalmente relaxou, abraçando o corpo do irmão Pietra sorriu com as palavras da besta dele, era um sorriso cristalino e feliz, mas também o desafiava a seguir em frente à ser egoísta em nome de Masdela.

    " Eu abri uma ferida enorme em meu irmão, durante anos o culpei erroneamente... Nós dois somos vítimas, não somos culpados de nada. Eu não abandonarei minha promessa, não o abandonarei de novo.

    O desfazer da besta de Masdela trouxe compreensão a Pietra, seu irmão sempre estiverá ali, mesmo que distante, apertando-o com delicadeza a cainita esperou, quando o corpo reagiu a besta olhou para sua cainita, a besta sempre tinha alguma idéia de diversão e a faria sem remorso nenhum.

    As primeiras palavras de seu irmão arrancaram um suspiro de Pietra, quando sua cabeça pesou sobre o corpo de Masdela e a compreensão o atingiu a besta agiu, segurando as mãos do cainita a besta mordeu, a primeira mordida foi na ponta do nariz as outras foram espalhadas pela face de Masdela sem nenhum pudor.

    Pietra se aproveitou e segurou as mãos de Masdela, impedindo que está tampase o rosto, passando um das mãos sobre suas costas forçando um abraço, a outra mão Pietra segurou deixando claro que não saltaria. Entendo o sinal a besta deu uma última mordida no nariz de Masdela, retirando a cabeça deste do seu colo e saindo correndo enquanto mostrava a língua paras os dois.

    Rindo Pietra encarou seu irmão, apertando-o com força a cainita respondeu a pergunta ali deixada.

    - Por cento e noventa e dois anos eu quis esse abraço. Por quase dois séculos eu te odiei e te temi erroneamente, porque eu te amo Masdela e teu coração não é de ouro. Ele é de carne e sangue, ele é humano e gentil, ele é tudo que Elonzo nunca vai ser... Não me peça para abandonar você, porque minha resposta é não. Quero conhecer minha sobrinha, sua neta, abraçá-las e poder rir ao lado delas. Quero que você conheça meus filhos, que os ame e se encante com eles. Quero você em minha vida de novo Alfie, simplesmente quero e você não pode me negar isso.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 17/5/2017, 14:50

    Deitado no chão, teu irmão simplesmente não era capaz de negar os carinhos e ações da sua besta. Inicialmente ele até tentava firmar as mãos e esconder a face, mas a sua besta prontamente mordiscava a mão dele e assim que ele abria a guarda todo o movimento ocorria.

    Um sorriso leve nascia nos lábios de Masdela enquanto a sua besta agia e ali ele fechava os olhos, aceitando que não era capaz de lidar com ela. Todavia, quando o teu forte abraço era imposto, você sentia o coração dele acelerar de modo descompasado, quase beirando um desespero! Ele abria os olhos e te olhava diretamente, notando que não era a besta que fazia e sim você.

    Ele tentou se livrar daquele abraço por alguns segundos durante a sua fala, obrigando-a a manter-se firme e com força ali. Os olhos do teu irmão ficavam marejados quando você mencionava seu odio e temor em relação a figura dele, mas ele não chorava e sem conseguir sair, acabava por desistir. O coração dele só se acalmava quando o nome "Alfie" era dito. Ofegante, Masdela retomava a fala.

    -Eu... a amo tanto Pietra! Basta... de sofrer...

    Respirando fundo agora para forçar um controle sobre aquela sensação ofegante, Masdela retomava a fala.

    -Não haverá mais medo ou ódio entre nós. Eu irei amar todo o teu jardim, serei tão presente em tua vida que a farei se arrepender de não me abandonar dessa vez! E eu tenho a eternidade para conquistá-la! Quero conhecer tua Eva, teus filhos e até o homem de tua vida. Todos!

    Sorrindo livremente pela primeira vez, Masdela a abraçava com força. Com tanta força que empurrava o ar dos seus pulmões para fora. Sem se importar em sujar a própria camisa com o sangue que ainda estava pelo teu corpo devido ao estouro da fúria dele instantes atrás. Ele a amava, um amor puro e surreal.
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 17/5/2017, 16:32

    Forçando o abraço, Pietra deixou claro que não desistiria, não de seu próprio irmão e quando finalmente o encontrará, as palavras ditas saiam com a mais pura convicção.

    " Me escute irmão, pro favor. Deixe o passado, abra caminho para o futuro.

    As primeiras palavras de Masdela alegraram a cainita, ver que seu irmão finalmente sedia Pietra sentiu o alívio invadir seu coração, finalmente haveria paz entre os irmãos.

    O abraço apertado retirou o ar de seu pulmão, mas em troca um riso suave foi solto por Pietra, respondendo o abraço a cainita sentiu seu corpo ser puxado para cima do de Masdela, encarando com carinho.

    - Eu vou cobrar cada promessa sua Alfie, tenha certeza disso. Agora você me deve uma dança no Baile de Elsa e não pode me negar.

    Soltando-se com carinho, Pietra beijou a testa de Masdela antes de rir e comentar.

    - Também está me devendo um banho, roupas e um pouco de Vitae. Estou faminta Alfie! Você consegue isso meu irmão?
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Danto em 17/5/2017, 17:05

    A sua besta observava a cena a distância, ainda fazendo aquela pequena graça para seu irmão. Masdela olhava brevemente para ela, encarando ela como se estivesse a ameaçar pegá-la a qualquer segundo. Isso fazia ela correr e subir na cama, rindo bastante.

    Masdela agora podia voltar os olhos só para você, observando a sua ação de se levantar enquanto falava. Chamá-lo de Alfie causava um poderoso impacto no mesmo e isso ficava claro, ali então ele se permitiu agir. Sorrindo ele a impedia seu movimento, erguendo o tronco de maneira forte e rápida quando você ainda estava deitada sobre ele. Obrigando você e sentar-se sobre as pernas dele e naquele toque intimo, ele segurava a sua face ainda suja de vitae com as duas mãos e beijando a ponta do seu nariz.

    -Tu é a mais bela de todas, claro que eu aceito, será maravilhoso dançar contigo Pita!

    Rindo como uma leveza divertida, como um jovem apaixonado que acabara de aproveitar-se da inocência de sua amada. Masdela continuava falando, agora permitindo que você se levantasse a vontade.

    -A água ainda deve estar quente, tome seu tempo no banho. Quanto tempo for necessário e eu irei lhe dar tudo que me pedes, absolutamente tudo...
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    Re: Ato XI - Narrativa de Pietra: Herbstnacht I

    Mensagem por Jess em 17/5/2017, 18:51

    Pietra não conteve o riso ao ver a besta correr e se esconder em cima da cama, era claro que a besta se vangloriava de sua parte e a brincadeira de seu irmão encantava a ambas cainita besta.

    Levantando-se despreocupada, Pietra foi pega de surpresa pela ação de Masdela, o beijo na ponta de seu nariz a fez gargalhar de alegria abraçando o cainita a sua frente, beijando a face de seu irmão Pietra ria feliz.

    “ Esses dois juntos vão me causar crises de ciumes em Eva, ah se vão!”

    Limpando a face com as mangas da camisa, ainda rindo a cainita le levantou balançando a cabeça para se recuperar da pequena brincadeira.

    - Elsa vai ficar feliz de nós dois não causarmos nenhum escândalo no baile dela. Alias algumas de minhas obras vão estar expostas lá, espero sua critica ok?

    Se dirigindo para o banheiro, Pietra ainda sorria ao comentar.

    - Eu não posso me demorar demais, ainda tenho assuntos a resolver, são coisas que eu não posso deixar para depois, mas acho que Hans pode nos ajudar a nos encontrarmos mais vezes, ainda mais que Berlim vai ter sua própria Corte das Rosas.

      Data/hora atual: 23/8/2017, 09:03