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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

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    Danto
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    Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 16/8/2016, 01:32

    Março de 2002, Berlim
    Dia Desconhecido


    Sua última memória era no interior da Malefice, sentado enfrente ao balcão enquanto esperava por um drink. Era uma noite como outra qualquer, fazia um pouco de frio e a boate havia abrido suas portas a poucos instantes. Você estava no aguardo de ser chamado por Albert, os chamados do alto homem negros sempre culminavam em um encontro breve com uma linda e perigosa mulher de cabelos loiros que jamais havia se apresentado à você. Mas naquele noite, não foi Albert que se aproximou, mas sim uma mulher de cabelos ruivos e sotaque espanhol. Sua pele era extremamente branca e ela sentou-se ao seu lado no balcão... Essa era sua última memória antes de acordar dentro de um pesadelo.

    Uma fome voraz o acordava, sua barriga doía e ardia em fome. Seus olhos se abriam e você não sentia nada além do gosto de barro na boca, imediatamente você tentava cuspir mas se surpreendia com a ausência de saliva na boca. Uma tosse instintiva então o domina e você se senta, notando que suas vestes estavam imundas de terra, ao seu lado havia um pedaço de madeira que parecia uma espécie de tacape com um prego na ponta. Olhando ao arredor você notava mais de vinte pessoas também acordando, todas tão desnorteadas quanto você. Seus olhos se esforçavam para ver dentro daquela escuridão, buscando compreender o que acontecia.

    Uma forte luz avermelhada e quente se ascendia no teto do local, o calor o afastava e o assustava. O fogo ardia sua pele e o forçava a fechar os olhos. Mas porque?! Se esforçando para observar seu arredor, a primeira coisa que você nota é a arena que o circundava, arena esta composta por um circulo de grandes presas de marfim, o limite do circulo era feito por correntes que se conectavam as presas de marfim e o teto era extremamente alto, muito mais alto do que o teto da arquibancada, que eram na verdade simples aglomerações de toras de madeira cravadas na terra. Uma sensação horrível lhe subia a espinha, uma força selvagem e brutal era presente dentro do seu íntimo. Haviam incontáveis manchas de sangue na terra batida, pedaços de ossos, armas quebradas e farrapos de vestes. E a força selvagem parecia responder as manchas de sangue, o cheiro do sangue era algo que você conhecia muito bem, mas dessa vez ele o atraia. Como o mel atrai uma abelha. Logo, sua percepção revelava para você a única saída:
    Por entre as enormes presas de marfim ligadas entre si por corretes grossas, você via um único caminho. Esse levava para um porta de metal pesado, as portas estavam cravadas na rocha que compunha basicamente toda a parede ao redor da arena e das arquibancadas. Você compreendia agora, você estava em uma espécie de arena subterrânea, sentado dentro da área de combate e com um arma improvisada ao seu lado. A porta tinha uma pichação provocativa, "Don't open dead inside". Era uma chacota com um show de tv, mas a chacota terminava quando algo se chocava contra a porta, vários murros começavam a serem desferidos contra o metal da porta. Todos os presentes na arena começavam a se levantar. Não era apenas uma chacota com o seriado norte-americano, era verdade! Seus desespero crescia de maneira inconsciente e instintiva, você sente a enorme dor nos seus lábios, seus caninos dobravam de tamanho e saltavam como presas de um lobo feroz. Seu corpo treme inteiro, seu coração não batia e você não respirava...
    O cheiro de sangue se intensificava, vindo da porta. Logo as mãos começavam a empurrar a porta, vazando pelo seu meio e forçando as correntes que estavam muito mal colocadas... Não demoraria muito para que as portas se abrissem e os seres do outro lado que cheiravam a sangue entrassem.
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 16/8/2016, 02:00

    Formigamento. Melhor sentimento para falhar em descrever a dor latente e absurda na mão esquerda. Dor desgraçada que cobria o corpo todo. Não havia sequer como pensar. Os movimentos eram instintivos para tentar sobreviver. A mão doía demais, mas antes mesmo de levantar a mesma já buscava o tacape. Era uma ferramenta de proteção, podia arder, mas melhor que ficar ali no chão moribundo. A força para segurar a madeira foi tão forte, que era provável algumas farpas entrarem na minha mão. Mas sequer dava para sentir, a dor estava incontrolável.

    Levantar não era mais uma mera questão de equilíbrio. E sim de resistência. Cambaleio de um lado para o outro forçando a musculação à ignorar toda aquela dor. Mas dói tanto. Estico os braços rápidos para conseguir me equilibrar à ficar de pé. Me estico inflando o pulmão para sentir um vazio horrível rasgando o corpo. Era alucinantemente forte o sentimento, impossível raciocinar. Mordo o lábio com toda a força. Como uma manobra de escape. Enfio a presa fundo o suficiente para rasgar o tecido interno da boca. Até sentir algum sangue e um choque de dor para combater as outras.

    Cambaleio mais ainda enquanto estou de pé, tentando abraçar aquele sentimento horrível por todo o corpo. Tentando sentir algo vindo do meu lábio ferido. Enquanto faço uma respiração forçada rápida, muito rápida e inútil. Mas então sinto aquela presença, aquela força. Aquele lobo. Era uma sensação de estar sendo observado a todos os instantes. Meus instintos estavam a flor da pele. E então as tossidas viram um rugido estranho. Aquela sensação não era tão ruim, tinha algo forte ali e eu não desgostava inteiramente. Cuspo um pouco de sangue enquanto meus gurnidos viram algo parecido com um rosnado roco e rasgado.

    Forço mais ainda minha mão com o tacape enquanto finalmente para de cambalear. E foco naquela porta. As palavras ali davam raiva. Aquela piada de mal gosto, aquele lugar. O inexplicável apenas gerava ódio, muito ódio e vontade de retribuir aquele ódio. Aquela dor. Uma respiração forçada voltava novamente, mais uma vez de forma inútil para viram mais uma progressão do rosnado. Mas dessa vez era mais como um grito de seu velho e instintivo russo. Sua língua mãe, a qual nunca aprendeu direito, mas sempre correu em suas veias. Um grito de ódio ao escuro e desconhecido.

    - Приходите ваши черви. Я уничтожит всех вас. Ваше дерьмо!
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 17/8/2016, 00:47

    Todos os presentes na arena se colocavam de pé, havia apenas uma jovem que continuava sentada, completamente desnorteada com toda a situação. Nas mãos dela havia apenas um prego e nada mais, enquanto todos os outros estavam armados com paus, tacos e tacapes, ela não possuía quase nada. Mas não havia muito tempo de ver o que estava acontecendo, a iluminação superior aumentava e causava uma forte ardência na sua pele, era uma chama de um forno industrial que fazia a iluminação e o fogo parecia o empurrar para as trevas.
    As criaturas de sangue se jogavam contra a porta e enfim, as correntes sediam. Eram vários seres humanos, de todos os sexos, raças e etnias que você poderia imaginar. Todos sem roupas e untados em sangue, eles gritavam e corriam na direção de vocês feito loucos, naquele instante você sente algo dominar o seu corpo...
    Uma força selvagem, assustadora e poderosa. Uma criatura rugia dentro da sua carne, agarrava suas tripas e as rasgava com brutalidade. Seu corpo inteiro treme, sua visão se torna avermelhada, seus olhos estavam sangrando. Sua mente entrava em colapso, uma espécie de pesadelo então se seguia em flashs para seus sentidos.
    O cheiro de sangue, o barulho de ossos quebrando, um líquido doce e nutritivo descendo pela sua garganta. A dor de golpes sendo desferidos contra as suas costas, ponta pés contra a sua face quando você caia o chão. O sabor terrível da terra imunda da arena. O som da carne humana sendo dilacerada... Finalmente sua consciência retornava, você estava deitado em um mar de corpos mortos, esquartejados, semi devorados e trucidados. A fome havia desaparecido, mas era simplesmente impossível saber quem havia sobrevivido e o que diabos estava acontecendo...
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 17/8/2016, 15:02

    Era como um grande barulho ensurdecedor. Se eu estava gritando ou não sequer sei. Sequer importo. A gargante doía demais. Dói demais. Mas o gosto ferroso e pegajoso nela deu uma aliviada. Talvez tenha ajudado à gritar mais alto. Essa era a única vontade, botar aquela fúria pra fora. Extravasar enquanto não houvesse amanhã. Dor demais para manter apenas para mim. Tinha que passar para outros por minhas unhas e dentes. Nem caindo no chão me permitir parar de dançar aquela dança insana ao qual estava. Mirei numa canela ou outra, rasgar o que pudesse, esmagasse o que desse. Apenas machucar tudo, afinal tudo doía e tudo merecia apanhar naquele momento. Um ódio absolutamente inexplicável.

    Quando a consciência volta a minha maior força é para me lembrar do que aconteceu. Não sinto vergonha, apenas alívio. Passou, estou vivo no pesadelo que não acabou. Mas estou vivo. Busco o tacape mais uma vez enquanto tento levantar. Aquele sangue e carnificina não me enojavam, mas já era hora de eu despertar ou sair daquele lugar fétido. Tento ver se há alguém se movendo, se ainda há algo hostil no lugar. E finalmente olhar para mim mesmo, se estou vestido, se estou imundo. O que restou de mim mesmo?
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 17/8/2016, 17:39

    Com mais consciência, você era agora capaz de interpretar seus arredores. Seu corpo estava literalmente jogado por cima de vários pedaços de corpos humanos, o teto ainda era iluminado pelo forte fogo de uma chama industrial que passava por uma espécie de tubulação superior esculpida na rocha do local. O chão que outrora fora de barro, estava inundado por uma camada pegajosa de sangue, vísceras e terra. Criando um enorme lamaçal por toda arena, quase uma espécie de pântano de sangue e morte. O cheiro era terrível, mas não lhe causava nenhum tipo de ânsia ou repulsa. Suas roupas estavam rasgadas, sua camisa praticamente havia se transformado em farrapos e sua calça estava sem uma das pernas. Seus pés descalços tocavam aquela lama vermelha pegajosa e quente devido a presença do sangue fresco.
    Não era possível encontrar o seu tacape, você não sabia nem sequer onde ele estava e tinha certeza que estava a metros de distância de onde havia acordado anteriormente. Com atenção você busca por outros, a primeira imagem que lhe chama a atenção é da mulher que não havia reagido antes das portas se abrirem, a que estava armada apenas com um prego e nada mais.
    Ela emergia do lama rubra e se ajoelhava, com uma expressão forte de pura raiva. Ainda mais atento a sua busca, você conseguia identificar três homens se movimentando com dificuldade por entre os corpos, mas eles estavam bem distantes de você, ao contrário da jovem que parecia olhar diretamente para você.

    A primeira sobrevivente:
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 18/8/2016, 23:56

    Aquele fogo no teto. O arrepio inconsciente me fazia desviar o olhar. Mesmo que fosse para deslumbrar aquela cena abaixo. Não posso dizer que já vi coisas piores. Pois não vi. Incrivelmente não me enojo com aquilo, nem me surpreendo por isso. E agora posso ter certeza que isso não é um sonho ou pesadelo. De alguma forma tudo isso é real. Consigo pensar com clareza agora. Ou quase isso. Aquela loucura toda, eu fiz tudo aquilo e eu quis fazer. Senti prazer, gostei. O que foi tudo isso?! E essa garota?! Algo me incomoda nela...

    Tento inicialmente limpar o sangue, mas desisto antes mesmo de tentar. Olho um pouco para o chão procurando pela arma, só que também abandono a ideia de achá-la. Mesmo acreditando que o pior ainda vai chegar. Fico com a atenção ligada para aqueles que se levantam. Cruzo meus braço, meio que na defensiva mesmo. E apenas postergo observando, me recuso à desviar o olhar daquela mulher. Não sou eu que irei me esconder, não estou num lugar para agir como uma criança com medo. Por mais que isso não fosse algo ultrajante, dado a situação. Como dizem, se está no inferno, seja o capeta e eu fui aparentemente.
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 19/8/2016, 01:46

    Ainda de joelhos a mulher puxava bastante ar e inflava o tórax, para então soltar um grito alto e forte. Era quase um urro, uma espécie de válvula de escape para todos os sentimentos terríveis que deveriam estar correndo por dentro da cabeça dela. Ela então se levanta, com o corpo intacto e completamente coberta pelo sangue e barro, sem se importar por nenhum único segundo, ela caminha na sua direção sem recuar nem por um único segundo. Ao fundo você notava que três homens se assustavam com a mulher e prontamente se colocavam de pé.

    -Eu sei o caminho. Você é o Herman?

    O alemão dela era típico de um nativo de Munique, com uma entonação mais agressiva e grossa do que o nativo de Berlim. Os outros homens começavam a se aproximar após a fala da mulher, todos interessados no que ela havia dito. As portas duplas de ferro continuavam abertas.
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 22/8/2016, 09:56

    Tremo de leve com o reflexo pelo grito. Não por medo, mas por um natural susto. E agora meus alertas ficam acima do suportável. Meu punho fica fechado e meus braços não mais cruzados na medida que ela se aproxima. Todavia elemino a feição hostil quando percebo que a mesma começa a falar. Assim a respondo com a voz arranhada de uma garganta quase sem voz. Era possível sentir o sotaque eslavo em minhas palavras.

    - Sim, Herman Mikhailov. Sabe o caminho para fora desse inferno então... É por aquela porta?
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 23/8/2016, 10:25

    A jovem balança a cabeça em resposta a sua pergunta, era um confirmação simples e direta, um simples "sim" e nada mais. Ela então se vira e fala em um tom alto de voz, naquele instante você sentia uma natureza de liderança selvagem ecoando do corpo dela que agora se encontrava mais próximo do seu.

    -Vocês três, venham logo. Somos os sobreviventes e devemos continuar avançando, se não, jamais sairemos desse inferno!

    Sem esperar pelos outros, ela se vira e caminha na direção da porta de aço que estava aberta, caminhando descalça por cima dos pedaços de corpos e poças enormes de sangue e terra, a mulher não demonstrava mais nenhuma confusão como antes. As portas de aço eram pichadas com vários símbolos que não faziam sentido algum aos seus olhos, fragmentos de frases e várias marcas de arranhões e amassados. O caminho que se seguia era por um corredor de terra, esculpido no solo firme, terminando em uma escadaria de pedras e uma porta de ferro pesado, muito similar a uma porta de um submarino ou navio, desprovida de maçaneta, mas com o enorme círculo de ferro no centro que deveria ser girado para ser aberto. Entretanto, havia alguém sentado na escadaria em frente a porta.
    A iluminação era terrível, muito mal feita com lampadas amarelas penduradas no teto com as fiações expostas, algumas eram falhas e outras tão sujas que quase não brilhavam. Mas era possíveis compreender que havia alguém a espera de vocês, mesmo à meia luz.

    -Boa noite, testas de ferro. Meu nome Caroline Distler e não estou disposta a deixar todos vocês passarem... A espada não será empunhada por ignorantes, tão pouco por humanos. Me mostrem seus demônios e deixarei vocês passarem e façam rápido, estou faminta.

    As palavras da mulher eram carregadas de sotaques, soava com misturas tchecas ou eslávicas, era na realidade exótico e difícil de se compreender. Mas as sombras pareciam reagir ao temperamento dela e as palavras agressivas, havia uma aura poderosa e tenebrosa circundando o corpo da mulher, era até muito difícil ver com clareza o corpo da mesma ou suas vestes, ela parecia estar acobertada pelas próprias sombras do ambiente. Uma imagem extraída dos mais violentos e assustadores contos de horror. Ela aponta para um dos homens, o mais forte deles que parecia ser um lutador ou atleta e dizia.

    -Começando por você...

    O homem olha na direção da mulher, demostrando confusão. Sem esperar mais nenhum outro segundo, a mulher segura com firmeza alguma coisa que seus olhos não viam e fazia um movimento rápido de chicotear. Ao mesmo tempo, algo assombroso ocorre. As sombras do ambiente que pareciam se mover devido a fraqueza das luzes, reagiam como se estivessem todas vivas. As luzes se mostravam então perfeitamente funcionais, elas não falhavam em iluminar por seres fracas, falhavam porque as sombras eram sólidas! Você sente as sombras empurrarem o seu corpo e via um aglomerado abissal se transformar em uma fração de segundos em um braço tenebroso que reagia ao movimento do braço da mulher, o braço agredia o teto, causando um estrondo forte, fazendo uma porção de terra cair e o ambiente inteiro tremer, logo em seguida o braço caia sobre a imagem aterrorizada e confusa do homem que não havia respondido nada. Em frente aos seus olhos, o corpo daquele sujeito era destruído, esmagado como uma laranja. O som dos ossos se partindo, da carne rompendo e do sangue jorrando. O homem virava em segundos apenas um aglomerado repugnante, nojento e horroroso de carne e ossos expostos.

    Com a outra mão, ela apontava para você.

    -Sua vez russo...

    Caroline Distler:
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 25/8/2016, 17:50

    Teste de Resistir ao Fascínio
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Dados em 25/8/2016, 17:50

    O membro 'King Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 7, 6
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 28/8/2016, 03:48


    O sangue jorrou contras as paredes de areia e pedra, o vermelho vivo se chocava com enorme violência contra o marrom arenoso e o mais tenebroso dos tons de preto que poderiam existir a frente dos seus olhos. Os sons eram verdadeiras excelências, notas perfeitas, ressoadas com o mais puro vigor musical. Os vibratos dos estalos dos ossos se partindo lhe causavam calafrios intensos, seus olhos não eram capazes de ver nada além do suprassumo criativo que se apresentava a sua frente. A carne dilacerada pela força constritiva daquele tentáculo vil e obscuro, que serpenteava com o mais chicote. As porções mais lindas e simétricas de detritos orgânicos, os órgãos internos, outrora mortos, agora demostravam vida, expostos em meio ao sangue e aos últimos espasmos musculares. Era como ver uma galinha degolada a se debater, morta, inconsciente, desesperada, em torno do próprio solo que irá acolhe-la para a eternidade e em frente aos que irmão devora-la. O corpo enfim parava de se debater, era agora uma escultura vanguardista, os ossos se expunham de maneira vulgar, pontiagudos, imperfeitos, quebrados, sem nenhuma preocupação com o pudor de sua natureza falha e horrível, orgulhosamente eles saiam pela sangue e carne, representando uma força indescritível. Diante de tamanha destruição, eles ainda eram capazes de perfurar, rasgar e conquistar. A caixa torácica era a maior de todas as maravilhas, elas se abria em duas partes conectadas, duas cestas ósseas que erguiam com orgulho os pulmões daquele homem morto. Os nervos torácicos estavam brilhantemente atuando como barbantes que ligavam os pulmões aos pedaços dispensados pela cesta de ossos, uma magnífica analogia aos  louváveis seres que ascendiam sem esquecer suas verdadeiras raízes. O diafragma estrava triturado entre as duas cestas, desprezado, destruído, entregue ao mais profundo e caótico caos. Mas era desse caos que a beleza do coração surgia, sem palpitar, ausente de tudo mais presente como uma lembrança indestrutível daquele que outrora sobrevivera, daquele que outrora nutria. Era a mais pura das essências, a morte.
    Seu corpo tremia em imaginar a intensidade das sensações que aquele corpo sofreu para chegar tão rapidamente naquele estado, seus olhos choravam, tomados pela inveja de não ser o responsável por aquela obra, suas mãos tateavam as poças de sangue próximas, pelo simples prazer de sentir o calor daquele sangue. Era fascinante, era belíssimo. Um encanto que devora todos seus pensamentos, que inundava de prazer todos os seus sentidos e que lhe beijava carinhosamente a alma. O tempo desaparecia, a necessidade, o medo, a lógica, eram conceitos inexistentes. Havia apenas você e a perfeição divina, apenas você e a manifestação iluminada da face de Uriel... E você estava feliz, tão feliz que nem palavras, tão pouco sensações, eram capazes de compreender tua admiração.

    15 de Março de 2002, Berlim.
    Sétima Noite

    O som da portinhola de ferro girando quebrava o encanto, seus olhos piscavam e você era finalmente capaz de retornar a realidade. A fome imediatamente rugia dentro do seu estomago, seu corpo estava incrivelmente dolorido, um frio violento machucava seu corpo, você estava nu, deitado em uma poça seca de sangue. Encoberto por uma viscosa camada de lama, sangue e órgãos humanos triturados, tentando obter uma visão mais ampla dos fatos, seus olhos eram atraídos para a imagem da jovem que sobrevivera junto com você naquele fosso assustador. Ela estava deitada em cima dos corpos dos outros dois homens, corpos esquartejados, ela parecia usar as carcaças deles para dormir de maneira mais confortável, literalmente, ela vestia o tórax de um deles, enquanto escondia os pés dentro da bacia do outro. Dormindo feito uma criança inocente, encolhida e com uma expressão calma, ela começava a acordar lentamente.
    Pela porta, entravam duas mulheres.
    Uma delas era uma loira, extremamente bem vestida, usando um vestido vermelho decotado, jóias nos pescoços e um salto baixo, que imediatamente ria ao ver a cena de vocês dois em meio aos corpos. Eram risadas de mais puro entretenimento, risadas tão sinceras e fortes que soavam como o mais puro escárnio. A outra mulher, muito mais séria e com uma face quadrada, vestia uma camisa preta sem estampa, calça jeans e botas militares de canos bem altos, entrava pela porta enquanto a loira continuava a se entreter com a imagem de vocês. A segunda mulher tinha os cabelos negros, uma pele branca como o mármore, totalmente ausente de expressões, ela movia os olhos pela cena inteira, abrindo então a boca para pronunciar palavras em um alemão carregadíssimo por um sotaque eslavo.

    -Crianças, vocês são as únicas sobreviventes do fosso, essa é a noite de 15 de março de 2002 e vocês estão na cidade de Berlim. Eu sou Elizabeth Slonimsky, Bispo do Sabá e vocês deverão se referir a mim, sempre pela nomenclatura referente e necessária. Coloquem-se agora de pé e venham, as apresentações serão inevitáveis e necessárias. O ritual de transformação em verdadeiros membros da espada apenas começou.

    No momento do término da frase da Bispo, seus sentidos já estavam novamente funcionando perfeitamente. E a loira na realidade era uma face que você reconhecia, Evangeline, uma grande amiga da italiana que possuía a boate que você tanto frequenta e que o desprezava com uma naturalidade assustadora.

    Spoiler:
    Elizabeth Slonimsky


    Evangeline Bourseiller
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 30/8/2016, 20:36

    Aquelas lembranças... Aquele sangue todo, tão belo... Aquela carne com ossos. Podia ver até a medula escorrer. A epiderme rasgada em diversos pontos. Eu já vi a morte de perto muitas vezes. Já mexi com corpos, ou os senti na medida que a vida se esvaia dos mesmo. Entretanto, por mais que nunca me aterrorizei com o fato, nunca senti prazer em ver aquilo tudo. Agora é diferente. Aquelas lembranças me tocaram. Queria poder reviver tudo aquilo, mesmo que eu não ficasse à saber o que diabos está acontecendo comigo. Se estou mesmo no inferno, não é tão ruim quanto aqueles padres ortodoxos embasbacados me disseram.

    Evangeline... Me lembro de ter ido na boate hoje. Ou seja lá quando foi... Mas lembro de ter ido e ela deveria estar lá. Sempre fui bem recomendado á visitar aquele lugar... Mas uma seita? E que deveras seita surreal é essa? Bom, aparentemente eles me recrutaram, e eu passei. Pelo menos na primeira parte. Vai que agora essas duas me matem. Consigo sentir que elas poderiam fazer isso a qualquer instante se quisessem. Bom, entendi a hierarquia, na verdade não, mas entendi que não posso chamá-las de forma inadequada. Certo... Vamos tentar...

    Levantado eu tento ignorar aquele desconforto. O que ao falhar me dava um certa vertigem, mas me mantinha forte para não me abalar. Mesmo com o corpo dolorido, tentava agir como se tudo estivesse bem. Tento sorrir, tento fazer uma mesura. E finalmente tento falar da forma mais calma que eu conseguia naquele momento. Por mais que faço a mesura para as duas, falo apenas com a que permitiu uma conversa. E a respondo com uma fala com um sotaque tão carregado quanto de russo. Falando o sobrenome da mesma de forma rápida e costumeira de um russo fluente.

    - Prazer em conhecê-la, Senhora Bispo Slonimsky. A seguirei com prazer para as apresentações. Assim que desejar.
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 31/8/2016, 23:26

    -O prazer é exclusivamente seu. Será meu apenas se você se tornar um verdadeiro membro da Espada...

    Retrucava Elizabeth de maneira seca e agressiva, simpatia era pelo visto algo que a mulher não demonstrava possuir. Com mais calma agora você conseguia reparar nos detalhes do corpo dela, um corpo esguio e magro, com ossos protuberantes nos cotovelos e ombros. Um rosto bem fino e nada delicado, uma pele profundamente e assustadoramente branca. Enquanto você a observava, a mulher que havia sobrevido junto contigo ao fosso também se colocava de pé. E foi a própria Bispo que retomou a fala.

    -Finalmente...vamos!

    Sem esperar por vocês, ela se vira e começava a caminhar pelo corredor que se seguia após a porta de aço. Nesse instante, Evangeline já havia parado de rir e cruzava os braços para analisar vocês dois com mais calma, deixando que vocês passassem por ela, a loira caminhava a vários passos de distância de você. A direção do caminhar é ditada pelos passos de Elizabeth, o cenário que o circundava era estranho, escuro e inteiramente feito de metal velho e pedaços de madeira improvisados. Enfim a mulher parava de andar e virava bruscamente para a direita, um forte foco de luz imediatamente se chocava contra seus olhos quando você a seguia.
    Uma potente unidade de led estava pendurada no alto do teto desse pequeno comodo, que muito se assemelhava a um banheiro comunitário antigo, com tubos de cobre e peças de ferro enferrujados. Não haviam divisórias ou portas para delimitar a área dos chuveiros e no total, eram apenas quatro. Elizabeth havia desaparecido completamente e a voz que chamava a atenção de vocês agora era a de Evangeline.

    -Vamos crianças, entrem de uma vez! Cada um se coloque debaixo da água e se limpe o mais rápido possível. Existem roupas para vocês dois postas dentro de um saco de lixo logo no canto esquerdo... Vocês tem dez minutos.

    A loira espera vocês dois entrarem no banheiro e fecha a porta com muita força. Aparentemente trancando a mesma pelo lado de fora. A arquitetura interna no ambiente era curiosa, não haviam janelas, mas havia claramente uma enorme placa de ferro no teto que se assemelhava a um alçapão ou algo similar. Os assoalhos estavam quase todos trincados ou quebrados, o ambiente era muito sujo e mal cuidado, contendo lodo nos cantos e poças de água imunda entre os buracos deixados pelos azulejos estilhaçados. A jovem caminha até um dos chuveiros, procurando uma forma de abrir o fluxo de água. Encontrando instantes depois e deixando a água cair com bastante força sobre o próprio corpo.

    -Me chamo Lotte Bethmann, e você russo, qual é o teu nome?

    Pergunta a jovem que lavava os cabelos com a água quente que jorrava do chuveiro velho logo acima de sua cabeça.

    Lotte Bethmann:

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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 5/9/2016, 13:50

    Finalmente a sós me dirijo para o outro chuveiro e me livro daqueles trapos sujos para me banhar. Não me incomodo de forma alguma com a temperatura da água. Só de já ser água, me deixava mais que satisfeito. A moça agora me chamava menos atenção, afinal ela aparentava estar na mesma situação que eu. Logo a escuto e a respondo sem mesmo olhar para a mesma, só o faço quando termino de falar e desligo a ducha.

    Evangeline é uma mulher estranha, sempre a achei diferente. Como grande partes dos funcionários daquela boate. Não me surpreende muito eles terem uma seita estranha. Mas poê estranha nisso. Homicídios em massa não faz parte do meu dia a dia. Espero apenas poder entender melhor que esses caras são e qual foi a merda que me meti. Essa rapariga talvez não saiba nada também. Mas já gosto dela, pois gosto de qualquer um que me trata como um russo de verdade e não como um bastardo alemão.

    - Sou Herman Mikhailov. Encantado Lotte... Sabe me dizer algo sobre essas pessoas ai? Eu conhecia a loira...
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    Danto
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 5/9/2016, 22:31

    Virando-se para olhar a jovem que tomava banho a poucos metros de você, seus olhos notavam que a mesma tirava a roupa debaixo da água, fechando os olhos enquanto limpava o rosto e ouvia as suas palavras. Era inevitável deixar a beleza dela passar despercebida, assim como a juventude de seus traços corporais. Fechando também a ducha ela olhava na sua direção e comentava.

    -Não, não conhecia nenhuma dessas duas. Mas conheci um homem, um tal de Arcebispo... Ele me explicou algumas coisas... Nós estamos mortos, o fogo nos fere e o sangue é nosso único alimento. Temos que sobreviver para obter maiores informações, seremos uma espécie de nova geração para o futuro de Berlim, seja lá o que isso possa significar!

    Caminhando sem pressa, ela segue até o canto esquerdo do local, onde havia um enorme saco preto. De dentro do mesmo ela tirava dois mantos marrons enormes, jogando um para você ela prontamente vestia outro. A porta então era aberta, revelando agora a presença de um homem. Ele estava com praticamente o corpo inteiro coberto por uma veste longa e negra, era possível ver apenas as mãos e algumas partes de sua face. Ele levava as mãos até o gorro que escondia a própria face e ao remove-lo, um terror incontrolável assolava seus olhos. Era o mesmo que ver um cadáver animado, a carne gangrenada da face, ossos expostos, um verdadeiro mostro morto-vivo.

    -Sobreviventes do fosso, essa noite será problemática e confusa para todos nós. Minha função nesse exato momento é apresenta-los a nossa causa e fé. Depois vocês serão submetidos a fase final de abdicação de suas humanidades e serão aceitos entre nós. Meu nome é Sebastian e eu sou o Sacerdote dessa cidade. Vocês são Herman e Lotte... Herman quais são as modificações que você sente em seu corpo dês do momento do seu despertar naquela arena?

    O homem falava em alemão, mas seu sotaque polonês era fortíssimo.
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    King Jogador

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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por King Jogador em 11/9/2016, 18:08

    Arcebispo, bispo... Já dá para entender um pouco a hierarquia dessa seita. E aparentemente estão recrutando. Espera! Estamos mortos? Bom, não me sinto respirando e nem o pânico de forçar parar de usar os pulmões. E não acho um pulso na minha mão. Merda! Caralho! Isso não faz sentido algum! Espere, melhor não entrar em pânico. Isso pode até ser verdade, ou apenas estou insanamente drogado, o que não acredito muito. Bom, estou de pé, então estou vivo o suficiente para mim. E que parada idiota de o fogo me ferir? Isso sempre me feriu, é como dizer que um tiro na cabeça é perigoso.

    Absorvo as palavras da moça sem dizer uma palavra. Visto aquela túnica como um bom aluno de um colégio católico e espero a porta se abrir. Quando vejo aquele homem morto... Não posso negar o desespero que sinto. Mas isso explica tudo, estou realmente morto. Me tornarei apenas um reles cadáver em breve. Pior forma possível de morrer... O que diabos ele diz por tirar minha humanidade? Vão me jogar de novo naquele lugar cheio de sangue e insanidade? Merda... Melhor manter o respeito pelo menos.

    - Percebo que meu corpo está morto. Sem pulso ou respiração. E me lembro de uma força incrível em minhas mãos naquela arena... Estou morto então... Se me permites perguntar, nós dois iremos se decompor até apodrecermos?
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    Re: Ato I - Narrativa de Herman: Crush 'em!

    Mensagem por Danto em 12/9/2016, 22:59

    Lotte esticava as mãos para frente e olhava a mesma, claramente preocupada com a possibilidade de ter seu corpo decomposto como você acabara de perguntar. O homem estranho e terrivelmente horroroso na frente de vocês simplesmente começava a rir, como se tivesse a escutar perguntas de crianças do primário. Logo em seguida ele comenta em russo.

    -Não seja tão burro assim... Permita-me ser mais claro.

    O homem interrompe as risadas de uma hora para outra e olha de maneira séria para vocês dois. Um vento gélido circundava o seu corpo e subia pela sua espinha, seus olhos tremem de medo e de maneira inconsciente eles buscam os olhos daquele horripilante ser.

    -Lembre-se!

    Ele ordenou. Seus olhos se esbulhavam, seu corpo se enfraquecia e ao mesmo tempo se tornava rígido como uma pedra, imediatamente algo vinha a sua mente. Uma memória: na sua última noite no Malefice uma mulher ruiva sentou ao seu lado, claramente uma estrangeira. Ela não falava nenhuma palavra, você era o único que falava naquela breve conversa no balcão da boate. Sem razão alguma você contava para ela tudo que havia acontecido na sua vida, seus medos, suas qualidades, suas ambições, sem nenhum único pudor. E ela então sorriu, agarrou seu pescoço e o ergueu do chão. Para em seguida dizer: "Serás minha prole, filho do meu sangue, sobreviva e seja eterno ao meu lado criança!".

    -O que ela lhe disse garoto?

    Indagou o monstro polonês, rompendo as suas memórias daquela sua última noite como um ser vivo.

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