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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

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    King Narrador

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    Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 12/9/2016, 15:40

    31 de Agosto, 2005, 23:20



    Veneza era bela por seus canais. Paris por sua arquitetura. E aqui? Tinha ambas as belezas. A chuva podia trazer infelicidades. Mas a cidade era bela demais para sofrer apenas com as águas. A mesma era moldada pelo rio. As ruas em forma de canais apenas mostrava uma nova faceta única que esta cidade podia ser. A pérola do Novo Mundo. Uma cidade diferente de todas na América. Um pequeno pedaço de Europa conversado com carinho dentro de uma terra distante. Infelizmente era muito sofrimento que a comunidade humana estava passando. Mas aquele povo era forte, já foram o estado mais pobre do país e deram a volta por cima uma vez e darão de novo.

    Dentro da lancha contigo estava Simone. A mesma já havia se estabilizado totalmente agora. A mesma começou a viajem de barco tentando usar um guarda chuvas, mas logo desistiu e aceitou a água correndo em seus cabelos. Ela parecia muito pensativa ao seu lado. Como se tivesse mil coisas passando na cabeça dela. Apenas olhava para frente enquanto mantinha o controle do barco que atravessava as ruas da cidade. Em questão de cinco minutos estariam na casa de sua queria carniçal. Era um pequeno palacete que a mesma viva com a mãe de idade e a irmã mais nova. Ela sempre fora muito talentosa em sua arte de moda. Querida por muitas modelos da região. E assim conseguiu a vida que sempre sonhou em ter.


    Última edição por King Narrador em 23/9/2016, 16:49, editado 2 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 12/9/2016, 15:56

    "É uma terrível situação, apesar da beleza e de tanta força... A tristeza dessa chuva será lembrada para sempre pelos sobreviventes e pelos finados...Por favor, não esteja no segundo grupo que acabo de citar minha pequena..."

    Eu estava encolhida dentro de um sobretudo bem fechado, por baixo do mesmo havia uma jaqueta, cujo gorro eu puxava logo no começo da viagem de sobre a lancha. A chuva poderia até me causar pequenas irritações em noites normais, mas hoje, não havia porque lutar contra ela. Era apenas um detalhe que deverias aprender a viver com, de certa forma era nostálgico, chuvas fortes e inesperadas era bem mais comuns em minhas terras natais do que aqui.

    -Querida, primeiramente... desculpe-me... Eu não pretendia causar-lhe constrangimentos...

    Eu falava quando me aproximava de Simone, seria um breve diálogo em direção a residencia de minha querida vassala. Logo em seguida, eu me aproximava mais um pouco para seguir o diálogo.

    -Você me disse que os Malkavianos serão importantes para construir uma frente de resistência aos Ventrue, poderia me explicar melhor essa dinâmica?!
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    King Narrador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 14/9/2016, 15:19

    - Não se preocupe com isso Minha Querida. Foi apenas um descuido meu.

    A harpia olhou para você finalmente fazendo um sorriso totalmente sincero. A mesma não conseguia mais se esconder com sua máscara na sua frente. Só conseguia ser absolutamente honesta expondo sua verdadeira natureza sem lhe dar muito trabalho de identificar aquela pessoa emotiva e idealista que ela era. Assim ela começou a falar com calma, tentando deixar bem claro a situação.

    - Primeiramente tenho minha amiga Ivy Carter, a Harpia Malkaviana. Ela conseguiu para mim, ontem mesmo, o contato de ninguém mais que Karen Rippel. Esse nome pode não significar nada para você. Essa garota é a segunda prole da primeira prole da Primogênita Ventrue. Bastante distante do Príncipe, mas não o suficiente para não causar problemas para ele. Ela era considerada uma amante da libertinagem e foi declarada pela Senhora uma Desgraça para o Sangue. Até ai nada demais, fora mais um escândalo. Só que a garota fugiu ano passado e os Patrícios prepararam uma caçada contra ela de forma colossal. Como se a mesma tivesse matado um deles à sangue frio. Eles ficaram muito desesperados com o ocorrido ao nível de chamar minha atenção. Está claro que essa menina sabe mais do que deveria e agora os Filhos da Lua a localizaram.

    Simone fez uma breve pausa quando viraram uma curva fechada. Agora restava apenas uma longa reta até chegaram no casarão de sua carniçal. Já podia ver ao longe a luz piscante de um barco da polícia. E então, com um tom de voz mais hesitante, a Harpia prosseguiu cus história.

    - Isso sem falar de Leone Thompson. O atual Xerife. Eu e ele fomos escravos na mesma fazenda em tempos passados e ele sempre respeitou muito a mim e meu senhor. Chegando ao ponto dele jurar para minha pessoa em 1963 que acharia a todo custo o meu Senhor. E ontem, mesmo no meio dessa desgraça toda, ele contratou um novo Delegado só para me ajudar nessa empreitada. Normalmente ele precisaria do aval do Príncipe para contratar um funcionário novo, mas como o mesmo está dormindo, ele pôde finalmente colocar alguém nesse serviço.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 14/9/2016, 17:12

    O nome de Ivy arrancava dos meus lábios um pequeno sorriso, ao lado de Simone, essas eram as úncias duas pessoas que eu consegui me apegar de maneiras mais reais nessa belíssima cidade submersa.

    "A nova Veneza, onde a arte francesa encontra o clima italiano... Que belíssimo cartão postal, mas sinceramente eu espero que o numero de sobreviventes seja alto, eu quase consigo ver a dor das perdas, a agonia dos mortos e o terror daqueles que perderam tudo... E os humanos ainda dizem com orgulho: Vivemos sob os olhos de um Deus misericordioso..."

    Com um sorriso ainda presente em meus lábios e meu corpo cada vez mais encolhido por dentro do sobretudo, que eu desejava profundamente ser uma capa de chuva. Levo minha mão direita ao gorro que cobria meus cabelos, puxando-o um pouco para frente enquanto falava, olhando para frente.

    -Ivy é uma querida, eu realmente me pergunto como ela está após essa calamidade... Me entristece ouvir essa história envolvendo uma jovem, sinceramente, libertinagem? O falso pudor e o moralismo Ventrue sempre me arrancaram expressões de desdem. Todavia é de fato interessante, um clã não tem autoridade de criar uma caçada a não ser que tenha a voz do príncipe. E se um Príncipe caça um neófito com tanto esmero, algo de errado há e caberá a nós descobrir correto?!

    Uma pequena pausa após a pergunta era feita, pois eu literalmente me colocava ao lado dela bem próxima de onde a lanche era habilmente conduzida pelas mãos de Simone. Com um tom mais sério eu prosseguia o raciocínio, com os olhos bem atentos ao caminho a nossa frente, quase sem conseguir controlar a ansiedade de saber se minha querida Carroll estaria a salvo ou não.

    -Um Xerife da família da lua, tenho boas experiências com esse fato. Teu Senhor sempre foi um homem grandioso, se a morte dele for confirmada não sobrará pedra sobre pedra no refúgio Ventrue que os protegerá da represália da Camarilla. Eu sei que a cidade está sob olhares cautelosos e até maiores que os meus, mas eu assumirei a responsabilidade com a máscara... Alias, essa contratação é válida, porem arriscada. Se cada membro começar a dar postos sem uma autorização maior, a reestruturação que o próximo Príncipe dará será complexa e arriscada... Noto que tua aliança com eles é forte, não pretendo romper isso. Peço que me veja apenas como uma preocupada agente de uma Justicar que se preocupa com a própria linhagem que curiosamente reside nessa cidade...
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 16/9/2016, 17:24

    Simone balançou os cabelos molhados em concordância com sua pergunta. Ela deu um leve sorriso deixando claro que compartilhava a ideia. A mesma parecia agora totalmente recuperada e se mostrava agiu controlando o barco. Dava um ar experiente para a mesma, não muito sofisticado no entanto, a postura que ela sempre se mostrava fazer. Parecia estar conhecendo uma nova pessoa naquela chuva. Chuva esta que não deixava nenhuma de suas peças de roupa menos que ensopada. Trazendo para ti um longo e desconforto frio, até te lembrando das sensações de acordar depois de quase ter caído no torpor. As palavras da Harpia chegaram em seguida.

    - Não se preocupe com a questão política da nova Delegada, eu inclusive ajudei o Leone a escolher. Até agora os Malkavianos de fato me ajudaram bastante. Por isso fiquei tão preocupada com seu alerta. E por isso gostaria de lhe pedir para ser mais detalhada sobre qual é de fato a ameaça que eles representam. Pois posso estar muito exposta se esse for o caso.

    Ela olhava para você enquanto terminava de falar foi lentamente desacelerando o barco. Este agora se aproximava das lanchas da polícia. Eram duas que estavam logo na frente da casa de sua querida carniçal. As luzes estavam acesas lá dentro. A residência tinha aquelas colunas na frente numa mistura do estilo clássico com a arquitetura típica sulista. Era uma bela propriedade. Já na sua frente, era possível ver por entre a chuva uns policias embarcados. Talvez uns cinquenta metros. E lá estava Jonas Johnson segurando uma potente lanterna enquanto mantinha o perímetro.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 18/9/2016, 13:21

    Minha postura estava a essa altura, totalmente encolhida, o frio me afetava de uma maneira muito diferente do que fazia com os demais cainitas. Eu o sentia como se ainda fosse viva, sentia meu corpo tremendo e meus dentes batendo de maneira incontrolável por causa da exposição aquela chuva forte. Eu tentava sorrir para Simone, mas a água gelada que corria pelos meus lábios faziam meu sorriso ser muito breve.

    -Gary Moore é o que levanta suspeitas e demanda investigação. Ele é prole de Elblaf, antigo Príncipe de Aberdeen e isso faz dele membro da linhagem da Justicar Malkaviana... Quando Elblaf dormiu, Gary não teve força para assumir o cargo e suas posturas nada ortodoxas o motivaram a vir para cá e dar inicio a uma linhagem... Ele demonstrava uma forte tendência anarquista e desejava ser algo parecido com um Barão. Apesar dele nunca mais ter levantado tais suspeitas, considerando o caos que cai sobre nossas cabeças e inunda nosso chão, é necessário averiguar essa situação entende? Como você mesmo disse, ele é influente na cidade e na região, seria trágico ver um Barão emergir dessa tempestade...

    Minha voz não saia com firmeza, não porque eu tinha incertezas ou dúvidas, mas sim porque o frio me obrigava a impor pausas, minha respiração estava mais pesada e eu expirava em várias ocasiões com bastante força. Fechando os olhos quando as fortes luzes da polícia ficavam mais próximas e já exausta de tanto sentir frio, eu me esforço para reconhecer Jonas no meio dos policiais. Eu prontamente me movimentava com cuidado até a parte frontal da lancha e fazia um breve aceno, diretamente intencionado a Jonas. E assim que fosse possível eu falaria em um tom mais alto de voz.

    -Jonas! Oi! Fico feliz em vê-lo bem! Sou eu a Pam! Alguma notícia sobre a Rachel?

    Pam era apenas uma das minhas várias faces. Uma jovem turbulenta de personalidade direta e uma postura mais agressiva e desprovida de pudores, normalmente eu teria uma expressão mais fechada, até alguns piercings ou maquiagem mais escura. Mas estávamos a nos afogar e esses pequenos detalhes eram facilmente removidos com água.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 18/9/2016, 17:42

    - Entendo o que dizes. Não é tão aterrador quanto me fez pensar. Podemos lidar com este problema investigando amanhã. Posso marcar uma reunião com Ivy caso prefira, pode até ser lá no recinto deles ou em algum lugar mais neutro ou até em uma de nossas propriedades. Mas decidimos isso depois. Hora de resolver seus problemas, minha querida.

    Simone se mostrou agora um pouco mais aliviada e fez o último movimento com o volante para os dois barcos se aproximarem o máximo possível. Era possível agora ver com clareza seu escolhido escondido por detrás de seu uniforme e uma capa azul transparente para chuva. O mesmo logo sorriu quando lhe viu. Não demonstrou nenhum incômodo em vê-la com vestimentas diferentes do costume. Afinal a chuva atrapalhava muito este se manter focado. Ele direcionou a lanterna no sentido oposto à vocês por gentileza antes de lhe responder.

    - Boa noite Senhorita Pam! Finalmente pudemos vir aqui, tivemos muito problemas para resolvermos com um massacre no cemitério Saint Luis... Mas agora estamos aqui e já cercamos a área e fizemos algumas perguntas aos vizinhos. Mas por recomendações do Senhor Bachman, apenas mantivermos o perímetro até vós chegar. Bom... Descobrimos que houve dois momentos que ocorreram muito barulho lá dentro. Ontem no final da noite, vidros quebrando, gritos... Algumas horas atrás relataram terem ouvido som de tiros e mais gritos. Agora está tudo em silêncio entretanto... Poderemos entrar?
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 19/9/2016, 14:41

    "Massacre no cemitério Saint Luis?! Ele falou mesmo massacre? Quem faria um massacre em uma situação tão horrível como essa? O pior de nós sempre surge em momentos de desespero e agonia, espero que isso seja apenas um problema mortal..."

    Me esforçando bastante para ficar o mais perto possível do barco onde estava Jonas, apoiando as mãos na proa da embarcação e projetando o tronco para frente, tentando visualizar bem o que estava a minha frente, cerrava os olhos e segurava com firmeza as mãos. O frio e a chuva dificultavam em demasiado qualquer percepção comum, seria então uma oportunidade interessante a utilização de alguns poderes simples que o vitae me proporcionava, fechando os olhos brevemente eu digo para Jonas.

    -Claro! Vamos sim, vamos entrar o mais rápido possível. Mas me explique melhor, foram dois momentos de confusão então certo?! Primeiro muitos barulhos, briga?! E hoje a coisa parece ter evoluído para algo bem mas sério, mas você sabe dizer quantos tiros foram disparados? Porra, to morrendo de medo que tenha acontecido alguma merda muito séria com ela Jonas... E que história é essa de massacre?!

    Eu abria novamente os olhos, meus sentidos agora estavam amplificados pelos poderes do meu vitae e eu buscava uma análise melhor dos arredores. Procurando as janelas quebradas, possíveis marcas de tiros, minha preocupação estava beirando o desespero. E o desespero de um cainita sempre termina em um descontrole de sua besta...
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 21/9/2016, 13:14

    O negro sorriu ao ver seu rosto com clareza. Mas ele estava com um semblante pálido em seu rosto. Como se tivesse apavorado com algo. Mas não parecia ser com você, afinal o mesmo se mostrava mais aliviado agora. Com os dois barcos colados e Simone se aproximando de você, Jonas falou mais calmo agora.

    - No primeiro momento relataram som de vidro quebrado e gritos femininos. Som de coisas quebrando e alguns barulhos estrondosos. No segundo momento, que disseram ter sido a mais ou menos uma hora atrás, houve o som de dois disparos bastante potentes. E em seguida o som de uma correria e silêncio.

    Com sua visão aguçada era possível ver melhor o casarão. Chovia por cima das copas das árvores que protegiam a entrada colonial da mansão permitindo uma visão melhor para você. E era claro os sinais de perigo. Vidros quebrados em uma janela. Manchas de sangue na vidraça e um rastro de sangue escuro para fora da casa entrando no matagal da propriedade. Uma das luzes do primeiro andar piscava, como se o lustre tivesse sido quebrado. O portal de entrada estava arrombado também, pancadas fortes no mesmo, como se alguém o tivesse abrido com as próprias mãos. E enquanto você observava cada um desses detalhes, o policial prosseguiu falando.

    - O massacre... Nunca vou me esquecer daquilo. Vários corpos boiando nas águas. Órgãos, pernas, tantas partes. Foi terrível ter que checar a cena. Felizmente a polícia federal fechou o lugar em quarentena e nos tirou de lá. Mas nunca vou esquecer as coisas assustadoras que eu vi. Mas me perdoe Pam, vamos nos focar aqui.


    Última edição por King Narrador em 21/9/2016, 17:42, editado 1 vez(es)
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 21/9/2016, 13:34

    Minha atenção para os sinais de violência no casarão eram brutalmente interrompidos pela descrição que Jonas me fornecia sobre o massacre, olhando para o mesmo e notando o espanto em sua face, eu desejava abraça-lo e dizer que tudo ficaria bem, entretanto, seria uma fortíssima quebra de minha persona e já haviam ocorridos quebras de máscaras de mais para uma só noite.

    "Isso não foi um ato mortal, impossível. Em uma situação como essas de total desastre?! O Sabá? Não me parece a forma deles agirem também... Merda de cidade, essa chuva parece ter removido todas as censuras de seus membros, preciso fazer algo bem rápido... Mas depois, tenho prioridades maiores..."

    Esticando meu braço em direção ao Jonas, eu dou um tapinha leve em suas costas e exibo um sorriso confiante. Com a gentileza que só a Pam poderia ter eu digo.

    -Nossas vidas são marcadas por essas desgraças Jonas, ou paramos em frente a elas ou mandamos a merda e seguimos andando, vamos lá... Tem rastros de sangue em direção aos matos da propriedade, alguém fugiu para lá. Vou começar por lá, vocês podem entrar na casa, tem uma luz ainda ligada lá em cima...

    Eu olhava para Simone, a presença dela seria uma enorme ajuda, afinal ela tinha um vitae poderoso e prontamente reagiria para me ajudar, afinal, Gideon havia sido genial como sempre. Sem esperar muito, eu iria me direcionar para o matagal, fazendo um sinal para Simone me acompanhar.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 21/9/2016, 14:29

    Jonas apenas balançou a cabeça concordando. Não havia muito mais para se dizer no meio daquela chuva. Assim ele se virou apontando para seus parceiros lhe acompanharem. Eram ao todo quatro que pularam dos barcos para a rua encharcada indo para a entrada arrombada do casarão. Enquanto isso você e Simone se dirigiram para o rastro de sangue logo na varanda externa da casa. Primeiramente tiveram que pular para dentro daquela água gélida. Terminando de se encharcar por completo. Até quase a cintura estava submersa. Mas não demoraram muito para saírem da calçada e chegar na varanda da casa. A qual não estava alagada. Simone se aproximou um pouco mais de você para falar em voz baixa.

    - Eu ia falar desse massacre com você quando tivéssemos uma oportunidade melhor. Aparentemente foi um ataque macabro de Infernalistas. Felizmente o Justicar que esta na cidade está cuidando disso. Mas vamos focar nisso aqui agora.

    Olhando com mais calma para a vidraça quebrada que revelava o salão interno com o candelabro quebrado e caído com os policiais já dentro investigando, era possível ver o sangue escuro. Era grosso e escuro, claramente vitae cainita. Tanto que não havia rastro de gotas. Mas algumas poças de passada em passada na direção do matagal. Seja lá quem fosse, estava com algum ferimento muito grave no tórax. Mas antes de você poder seguir o rastro, Jonas gritou de dentro.

    - Achamos um corpo Pam!

    - Melhor você ir lá ver minha querida. Eu sigo esse rastro para dentro do matagal. Estou acostumada à andar nestes brejos, infelizmente. Farei de bom grado, agora vá lá investigar o que eles acharam.


    Disse Simone sorrindo para você e se oferecendo para se adiantar seguindo aquele rastro pela varanda. Os policiais dentro se mostravam meio desconfortáveis, inicialmente era só com o fato de Jonas lhe dar tanta satisfaço, mas agora pareciam estar com expressões realmente tensas.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 21/9/2016, 15:00

    "Droga!"

    Era a inevitável reação ao ter meu corpo debaixo de tanta água suja e fria. Era também inevitável sentir as reações negativas por causa de tanta exposição, eu abraçava com força o meu tórax inicialmente e esfregava meus braços nas primeiras passadas em direção ao matagal.

    -Justicar...bom, acredito que isso esteja em boas mãos. Mas eu preciso ver isso depois, depois...Afinal...

    Minha frase era interrompida com o grito que anunciava o encontrar de um corpo, virando-me para Simone eu digo preocupada.

    -Os rastros são de vitae cainita, tome muito cuidado e se precisar assovie e eu irei escutar... Obrigada Simone, obrigada!

    Sem pensar duas vezes eu saio correndo em direção aos policiais, era até difícil me manter sob a persona que Jonas conhecia, muito difícil mesmo. Correndo afoita e com uma respiração ofegante, aproveitava para esquentar um pouco mais o meu corpo e sem me importar com os policiais eu tentava me aproximar para ver o corpo. Era um problema pequeno para mim naquele momento a dinâmica entre Jonas e seus companheiros, mas não era um problema ignorável, mais uma coisa a ser trabalhada em breve... Primeiro... Carroll.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 21/9/2016, 15:22

    [Off: Teste de Percepção + Prontidão. Nível de Auspícios está ativo]
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Dados em 21/9/2016, 15:22

    O membro 'Danto Jogador' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 8, 4, 7, 8, 1, 5
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 21/9/2016, 17:46

    Seus instintos logo foram acionados quando se virou para a entrada da casa. Sua colega logo desaparecia no meio dos arbustos e agora seu foco ficava para o interior. Logo vós passou pelo portão da casa. O qual estava totalmente arrombado. Com marcas de punho marcado na madeira clara de Riga. A porta quebrou em várias partes e uma delas voou longe. Era possível ver restos desta em cima do candelabro. Revelando o que o derrubou. Seja lá quem entrou não temia chamar a atenção. E a força era realmente chamativa. Mas havia muitas marcas de socos e chutes nos destroços para poder pensar ter sido apenas um invasor.

    Agora o lado de dentro. Tudo estava quebrado. Como se vândalos tivessem passado por ali. E havia sangue respingado pelas paredes. Algumas marcas redondas de sangue podia ser vista em algumas partes altas da parede do hall. Mas o assustador era a cabeça humana totalmente deformada presa em cima de um troféu de cabeça de alce. A face estava totalmente esfolada e muito suja de sangue coagulado. Os rastros de sangue claramente humano se esparramava pelo chão até se concentrar no corpo que os quatro policiais olhavam incrédulos. Um deles se virava para vomitar.

    Antes de tomar coragem para se aproximar seu foco ia para a escada. Havia ali o rastro do sangue escuro que descia do andar de cima e ia deixando poças pelo caminho até a janela quebrada. Só que era inevitável ver aquele cadáver no chão. Então em pequenas passadas você foi chegando perto. E podia ver o absurdo. O corpo estava decapitado e o vestido branco estava totalmente sujo de sanje. E havia mais. Os braços, pernas e pescoço estavam infestados de marcas de mordidas. Todo o corpo fora perfurado. E pela coagulação do sangue, estava claro que isso não fora muito recente, diferente do sangue escuro pegajoso. Só que a pele era enrugada, era um corpo de idade. E assim você logo se tocou. Não era Rachel ali e sim Linda Carroll, sua mãe.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 21/9/2016, 18:15

    "Porque um cainita atacaria a minha vassala com tamanha intensidade e dedicação? Sinceramente nada disso me parece ser cabível de explicação, a porta foi destruída por ações típicas da potência física que os cainitas possuem... Agora uma cabeça arrancada e jogada em cima de um alce empalhado, parece até uma brincadeira de péssimo gosto. E ainda deixam para trás o corpo claramente devorado e usado para alimentação, isso deve ter acontecido na noite passada... Uma quebra de máscara para agredir uma vassala. Isso foi pessoal, impossível não ser... Realmente não sei como prosseguir, nada parece se justificar diante os meus olhos, não sou a melhor especialista em uma situação como essas. É uma violência selvagem, estúpida e cruel... Eu deveria ter vindo antes, Gioden deveria ter feito algo, alguém deveria ter feito algo... Bom, alguém fez algo e isso é na verdade a pior parte. Alguém fez algo contra mim e pra mim já chega..."

    Eu pensava enquanto corria meus olhos sobre todos os detalhes, de pé e em frente ao corpo totalmente vandalizado de Linda Carroll, eu não demonstrava muitas emoções, não havia nada a ser demonstrado ali. Meus olhos calmamente se direcionando para os mortais ali presentes, sentindo pena de cada um deles, afinal, era um problema da Camarilla agora e não um simples caso de polícia. Esse ataque foi uma quebra de máscara que aconteceu na mesma noite de um Massacre feito por Infernalistas. Minha vontade era de sair da cidade o mais rápido possível e pedir ajuda do Círculo Interno...
    Pam teria regido com gritos e expressões de terror, mas eu não tinha mais espaço para me divertir com as interpretações das minhas personagens e isso me irritava profundamente, me irritava talvez até mais do que toda essa violência direcionada a Carroll. Sim, é algo egoísta, mas eu nunca fui uma pessoa totalmente altruísta... Pelo contrário...

    "Tenho que falar com o Justicar, tudo saiu do controle... Precismos de um Dux imediatamente..."


    Eu me dedicava a expandir meus outros sentidos, a visão apenas não bastaria. O olfato e audição poderiam ser essenciais nessa situação, assim como o próprio tato. Abaixando-me próximo ao corpo da mulher morta eu buscaria por outros rastros, o vitae de minha vassala teria padrões parecidos com os meus. De joelhos flexionados eu olhava para frente, para o teto e para o chão e em seguida todas as possíveis direções que uma fuga poderia ter sido realizada.

    Off: Ativação de Fae Sight
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 21/9/2016, 20:28


    Mais uma vez a chuva virava uma canção. O vento vindo pela janela quebrada se tornava um assobio forte. Mas a canção agora era intensa. Menos harmonia em seus toques. Era um som mais dolorído. Como se o ar ao seu redor estivesse ferido com a dramaticidade do lugar. Cores fortes e escuras manchavam o panorama, tons mais desbotantes tomavam conta da casa. Não havia beleza ali, apenas uma dor profunda. A sensação para seu corpo era como se o ar faltasse. Todos os sentidos agora lhe mostravam claramente a crueldade que aquele lugar realmente reservava. Poder ver o mundo com mais claresa é apenas uma dádiva em lugares belos. Ali era mais como uma maldição.

    Os policiais distraídos com sua presença se mostravam tão incomodados quanto. Um deles não parava de vomitar no canto. Enquanto os outros dois se mostravam claramente alterados e Jonas tentava acalmar os ânimos. Mesmo se mostrando tão desconfortável como os outros. Era o delegado no comando e tinha que se portar como tal, mesmo que isso fosse quase uma missão impossível.

    - Caceta isso parece aqueles filmes de terror com vampiros e monstros do pântano. - Indagou o primeiro policial.

    - Nem lhe tiro razão. Se foi um humano que fez isso consegue ser tão insano quanto aqueles que fizeram o massacre do cemitério. Esta cidade foi pelos ares. - Indagou o segundo policial.

    - Merda! Melhor chamarmos a central. Tem de vir aqui mais viaturas. Vou pegar o rádio. E melhor tirarmos a civil daqui. - Voltou a falar o primeiro.

    - A Senhorita Pam está abalada. Deixa eu cuidar dela. E eu mesmo vou chamar os reforços. Vocês façam uma investigação para ver se acham mais alguma coisa no térreo. Vão! - Ordenou Jonas.


    Enquanto a conversa ocorria seus ouvidos escutavam mais que apenas a vozes deles. Ouvia uma respiração, mais como um suspiro. Era fraco e estava se esvaindo por completo. Vós sabia de quem era. Era Rachel e a mesma estava quase morrendo, o som parecia que iria terminar em qualquer instante. E vinha claramente do andar de cima, logo no corredor depois das escadas. E enquanto você olhava para cima, notava seu contato se aproximando.

    - Perdão Pam. Mas acho melhor a senhorita esperar lá fora. Pelo menos até eu chamar os reforços. Isso aqui não é lugar para um dama, sinto muito por ter visto tudo isso.
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 21/9/2016, 23:34

    Cada lufada de vento contava uma história, cada excesso de cor, existe um ditado de que o demônio mora nos detalhes, um ditado que eu sempre discordei. A verdade sim, mora nos detalhes. Nos menores deles... Tomando meu tempo para observar com mais profundidade e principalmente, ouvir eu não dava muita atenção para a conversa dos policiais e o simples fato deles se distanciarem já me aliviava. Setando-me brevemente eu tirava os tênis de salto embutidos e os entregava diretamente para Jonas... Com eles estendidos seria possível sentir com mais intensidade os pequenos defeitos do assoalho, texturas e muito mais que pudesse me auxiliar a compreender a cena, mas a respiração atraia a minha atenção de imediato, com tanta força que eu interrompia a fala que eu preparava para Jonas e simplesmente soltava os tênis. Correndo na direção de Rachel sem pensar duas vezes.

    -Vem Jonas!VEM! ELA ESTA AQUI!

    Correr descalça era uma experiência que eu apreciava intensamente, cada carpete poderia ser um mar de informações, os assoalhos guardavam impressões importantes. Seguir passos sentido eles abaixo de seus próprios pés era uma maneira diferente que eu havia aprendido quando ainda era uma sonhadora. Atravessando tudo que poderia estar em minha frente, sentindo o vento gélido tocando a minha pele, meus cabelos molhados esvoaçando...

    "Não morra! Por favor! Não! Esteja viva, eu tenho que te proteger querida, por favor... Se existir algum tipo de Deus, não deixe ela morrer.... eu imploro!"
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 22/9/2016, 16:21


    O toque úmido. Havia tanto sangue coagulado naquele carpete. Restos de madeira, cacos de vidro. Era possível sentir a lama tocando em seus pés também. Muitos detritos deixados para trás. E sua sensibilidade dizia ainda mais conforme vós corria para o andar de cima. Sentia as formas das pegadas no chão. Pegadas de sapados de diferentes tipos, todas com suas marcas de lama. Pegadas descalças, muitas delas. Pegadas de pés enormes e desproporcionais. E uma única pegada de um salto alto. Era possível sentir todas elas pela sola de seus pés na medida que corria até o alto do corredor do segundo andar.

    Então a imagem da cena logo bateu em seus olhos enquanto você andava até o fim do corredor quase que automaticamente. Ali não havia mais carpete. Era um piso de madeira. E logo no meio do corredor uma tábua estava solta revelando um buraco retangular, como se fosse um esconderijo secreto para algum objeto comprido. E este objeto estava logo mais a frente também jogado no corredor. Era uma potente espingarda. As marcas que a mesma deixara eram clara. Pois aquele rastro de sangue escuro que vós acompanhara, começava ali. Logo numa parede do corredor que estava queimada pela potência do tiro daquela arma.

    O outro disparo deixara um alvo mais evidente. Logo no chão atravessado por entre uma porta que ia para algum quarto. Estava um cainita de pele acinzentada. Cheio de bolhas vermelhas e verrugas latentes por seu corpo. Era um Nosferatu nada agradável aos olhos. Mas o mesmo estava com a cabeça totalmente estourada e aberta pela potência daquela arma que agora residia no chão. O tiro fora perfeito e cacos do crânio se espalhavam pelo chão. Só que nada disso era importante. Apenas uma coisa era importante e era aquela que estava sentada de costas para o final do corredor. Rachel.

    Sua carniçal segurava no colo uma menina, talvez nos seus doze ou quatorze anos. Sangue cobria todas as partes da garota, a irmã mais jovem dela, Milena Carroll. A qual possuía inúmeras marcas de mordidas por todo o seu corpo. Seus olhos deixavam claro que a vida havia abandonado a jovem de cabelos castanhos claros. Só que a vida ainda residia em sua querida amiga. Residia por um pequeno fio que se romperia em instantes. Dádiva de seu potente sangue que corria em suas veias. Mas a mesma também estava cravejada de mordidas e de cabeça baixa com o cabelo totalmente emaranhado cobrindo seu rosto. Sua sensação olhando para a mesma era que esta estava ainda a lutar para não morrer. Pois qualquer um já teria sucumbindo, mas não Rachel.

    - Meu deus! Pam, meus pêsames... Vou lhe dar cinco minutos... Mas depois lhe pedirei para se retirar e vou chamar reforços... Com sua licença... - Disse Jonas respeitosamente enquanto o mesmo lhe dava seu espaço se afastando para a escada novamente.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 22/9/2016, 19:45

    "Foram vários invasores, isso foi um massacre... Porque? porque... eu não encontro respostas, nem razões... Um dos ratos, exposto como a escória que é. Um dos assassinos foi destruído, mas porque tantos para apenas mortais comuns?! Eu odeio profundamente essa sensação, essa raiva, esse rosnar..."

    Meu pensamentos paravam, meu andar, minha postura, minha respiração e minha vida. Jonas falava, mas eu só o via abrir e fechar a boca, para em seguida se movimentar pela extremidade da minha percepção periférica... Tudo havia parado naquele instante... Os pesadelos voltavam...


    Minhas pernas falhavam, meus joelhos iam então de encontro com o assolhado daquela maldita casa, a dor me fazia gemer baixo... Um rosnar de uma besta a muito tempo adormecida, o calor de uma força destruidora despertava mais uma vez no meu interior... Meus olhos vertiam lágrimas como uma nascente do próprio Mississípi. Minhas mãos socam o assoalho com toda a força que a minha besta possuía. O pesadelo não deveria nunca voltar, nunca!
    Era impossível desviar os olhos daquela imagem, uma criança inocente morta, uma jovem inocente devorada pela escória que o mundo poderia gerar. Não havia mais luz naquele lugar, não haviam sonhos... Apenas um suspiro e um monstro em toda sua agonia...
    Me rastejando na direção de Rachel eu lutava para não deixar meu descontrole me dominar por completo, eu queria ser tudo que eu mais desprezava. Naquele instante, eu me encontrava com as presas expostas, garras a arranhar a madeira do piso e o sangue... Inundando toda a dor do meu fracasso.

    "Eu nunca mereci ser uma criatura do sonhar, nunca. Esse é o meu destino, o pesadelo, o macabro... O banal, profano e tenebroso! Eu sou exatamente isso! Não há paz, não há luz, somos todos dragados pelas bocas do grande devorador! Odeio o que eu me tornei, odeio o que eu era, eu só sinto uma coisa real: Meu ódio! Porque isso não aconteceu comigo? Eu deveria... O pesadelo é eterno..."

    Gentilmente eu me aproximo de Rachel e sua irmã, tirando o corpo da pequena de seus braços eu a puxava para os meus. Engolindo meu choro a força eu termia inteira, meus lábios reverberavam por causa do pranto desesperador que devorava a minha alma. Olhando para os céus eu amaldiçoava a minha própria existência... Mas o meu pesadelo não deve ser o destino daqueles que tem a infelicidade de se aproximar, tocando a face da minha vassala com carinho eu a reconhecia, pela primeira vez, eu a via... Sinceramente... Sem as facetas falsas, sem as máscaras, sem o teatro, distante das brincadeiras e da alegria que eu tanto adorava fingir possuir. O peso da cruz em meus ombros estava a me dilacerar...
    Com calma eu colocava a face dela sobre as minhas pernas, abrindo a boca da mesma eu esperava o último suspiro se ir, eu assistia ela morrer na minha frente. Mas meu coração chorava intensamente e como a tempestade que destruía Nova Orleans para que ela pudesse renascer, minhas lágrimas caiam sobre a boca aberta de Rachel... Unidas na dor, no pesadelo e no sangue.

    "Eu jamais irei me perdoar, mas eu não posso deixa-la indefesa. Não mais. Não quando o pesadelo me perseguir... Por favor minha querida, por favor, continue a sonhar... Por favor..."

    Estava naquele instante quebrando minha própria palavra, minha honra e minha convicção. Eu estava perdendo tudo, mais uma vez. Eu apenas perdia, sempre, em todas as situações, primeiro eu perdi minhas asas, depois minha inocência. Perdi a minha vida, meus sonhos e liberdade. Vivo em um eterno pesadelo, regado de sangue e migalhas, sou uma escrava das minhas personagens, dos sentimentos alheios, uma eterna desgraça...

    "Mas essa sou eu, essa não deve ser você Rachel. Esse não tem que ser você Gideon... Eu não mereço vocês ao meu lado, nenhum de vocês... Preciso ser verdadeira, pelo menos uma vez... Estou cansada de pagar um preço tão alto pela minha busca egoísta. Vocês dois serão fortes, fortes para se libertarem dessa aura de danação que me devora, fortes para sobreviverem ao pesadelo que é existir ao meu lado. Rachel, você vai continuar sonhando querida, custe o que custar!"

    -Nada em todo o mundo tinha importância nesse instante, nada... E será do nada que Rachel renascerá, a filha do pesadelo, minha Faerydae, minha Titania!

    Reunindo então as forças que eu jamais sonharia possuir, eu me levantava com ela nos braços e caminhava com esmero para a saída daquela assombrada mansão, minha Titania merecia passar por seu sofrimento final comigo, em segurança, no meu lar...

    Off: Gasto de 3 pontos de sangue para aumentar a Força.
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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por King Narrador em 23/9/2016, 14:20


    Era como se o sangue ficasse frio e claro. Como manchas de gelo que marcavam as paredes e se alastravam pela mesma. O corredor inteiro parecia agora gélido enquanto vós caminhava com sua querida Rachel no colo. Era difícil saber o que aconteceria com ela. E nenhuma das possíveis resoluções pareciam lhe agradar. Assim o mundo inteiro parecia mais opaco e pálido para ti. Nada mais parecia ser belo e aquela casa só revelava pesadelos sombrios. Descendo as escadas era possível ver mais cristais de gelo espalhados pelo salão, principalmente cobrindo o corpo da mãe de sua vassala. Como um grande castelo de gelo sem vida.

    Vós nem percebia que sua Fae Sight ainda estava ativa. Afinal a música agora mudava para um lamento profundo e as sombras corriam por entre os aposentos distantes. Só que nada parecia lhe importar muito. Seu único objetivo era tirar aquela em seu colo daquele lugar desolado. Só que o sono em sua cabeça parecia ficar cada vez mais forte. O que fazia nada ao seu redor ter muito sentido. Como quando os policiais se aproximaram falando várias coisas inaudíveis. E depois quando todos se afastaram assim que Simone entrou pela porta. A mesma falava e vós não ouvia. Apenas tentava escutar os sonhos de Rachel e era possível ouvi-los. Agora era hora de ir embora. Hora de dormir.

    Ultima Ação para o Final do Ato
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    Danto Jogador

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    Re: Eleanor A. Patterson - Ato III - The Not End Dream

    Mensagem por Danto Jogador em 23/9/2016, 14:32


    Não havia mais o que ser feito, meus olhos observavam os cristais de gelo, a sola dos meus pés ainda ousava desafia-los enquanto persistiam a caminhar. O frio subia pelas minhas pernas, congelando minha cintura e avançando pelo meu tórax... Eu ainda precisava tirar a minha pequena e corajosa vassala daquele amaldiçoado lugar... Eu havia sofrido um pesadelo real e meu fim seria inevitável, mas ela poderia continuar, o término do meu sonhar não deveria ser o dela... Minha Titania...

    O sono final se aproxima com tanta força, eu sei que existem coisas a minha volta, luzes vermelhas e azuis, homens de farda, lindos cabelos crespos a se comportarem como uma graciosa e frondosa planta dos jardins da minha casa em Londres. Tantas coisas, impressões, sentidos e sensações... Mas tudo estava opaco, fora de foco, embaçado e disforme... Não haviam mais contornos, não havia mais beleza, era o fim do pesadelo e eu sorria aceitando o sono que me devorava. Era meu fim e eu o aceitaria sem lutar, era melhor assim, eu poderia finalmente dormir...

      Data/hora atual: 22/10/2017, 17:14