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Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 20/4/2017, 15:15

    As palavras da mulher me faziam acreditar que sairia sem maiores problemas daquele local, mas, assim que olhava para o ancião ao meu lado, o pesadelo tomava novas proporções assim que ele dava a primeira ordem. Suas palavras eram fortes e diretas e meu corpo simplesmente obedecia aos comandos sobrenaturais do mesmo sem hesitar. Ele ma forçava a permanecer deitado no chão e sem me mover até ele me colocar de frente para a sacada da casa. “Seu pervertido maldito! Filho da puta! Eu ainda vou fazer você sofrer o dobro do que eu sofri nas suas mãos!” Meus olhos encaravam cheios de raiva, apesar de meu rosto não demonstrar, o chão a minha frente enquanto tirava meus sapatos e logo meu corpo tenso continuava a andar na direção ordenada. Minha respiração ficava pesada como se tentasse se preparar para o que viria, mas era inútil e assim que chegava na beira da sacada, meu corpo pulava sobre a mesma e ao me chocar com o chão tudo ficava preto.

    Não sabia quanto tempo eu tinha ficado desacordado, mas a dor do impacto e o poder sobrenatural me acordavam de supetão e, sem tempo para poder pensar no que faria, eu já me colocava de pé e a correr na direção de minha casa. Eu não sabia quanto tempo demoraria para chegar, nem mesmo se conseguiria chegar, mas aquelas dúvidas apenas ficavam em minha mente e meu corpo ignorava todas as barreiras da sanidade e seguiam a ordem com vigor.
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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 22/4/2017, 01:28


    Finalmente a sua vontade de correr parava. Haviam se passados vários minutos, até talvez uma hora inteira, seus pés estavam esfolados e deixavam no asfalto um rastro de sangue e seu corpo sentia uma dor terrível. Era uma dor tão forte que as suas pernas trêmulas falhavam em mantê-lo de pé, assim seu corpo agora totalmente consciente pendia para frente, seu joelhos se chocavam contra o chão fazendo estalos altíssimo e intensificando ainda mais a dor. Prontamente teus músculos retesavam e em uma fração de segundos você estava caído a beira da estrada, naquele asfalto gelado e sujo. Ao seu redor havia apenas a presença da enorme força natural das florestas nativas da região e uma estrada que parecia infinita nos dois únicos sentidos que possuía.

    Você ficou ali por breves instantes,  enquanto a sua mente retrabalhava todas as informações. Você estava em seu perfeito estado mental, apesar do seu corpo estar totalmente fragilizado e severamente machucado. Seus ouvidos logo ouviram o som do vento se chocando contra as árvores, fazendo uma verdadeira sinfonia macabra. O frio começava então a se fazer presente, cada vez mais forte e intenso, não era só o frio que ganhava forças o vento também... Dentro das rajadas de vento, seus ouvidos conseguiam ouvir um choro abafado de uma criança. Era talvez apenas uma impressão, todavia essa parecia cada vez mais nítida aos seus ouvidos e a cada segundo, mas próxima de ti. Estranhamente o asfalto começou a esquentar, como se tivesse exposto ao sol da manhã...

    O som de passos na outra margem daquela estrada atraíram seus olhos, alguém estava andando ali! Mas seus olhos simplesmente não viam nada, o som da criança vinha da direção oposta, ou seja, do seu lado da margem. Mas sua mente lhe afirmava que havia alguém do outro lado! E como um flash que não durou mais do que três segundos, você via uma figura sinistra. Um ser vestindo um longo manto negro com uma máscara branca feita de algo muito similar a ossos, em sua cintura havia um maço de chaves antigas e uma argola. Com a mão direita ele segurava um galho que era usado como apoio para um caminhar lentíssimo, aquela criatura macabra do outro lado da rua irradiava uma presença maligna e tenebrosa, como se o próprio demônio estivesse encarnado ali! Ela então olhou na sua direção e sumiu com uma lufada de vento, entretanto, o graveto ficava lá... De pé como se ainda desse sustentação à algo ou alguém.
    A presença sinistra:
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 22/4/2017, 16:15

    Assim que retomava o controle de meu próprio corpo, os efeitos da corrida noturna era sentindos de uma única vez, fazendo-me serrar os dentes ao cair de joelhos no chão e me apoiando com as mãos para não cair de cara no asfalto. A fonte da dor era, principalmente, oriunda dos meus pés e ao me virar para o caminho atrás de mim, me deparava com um rastro de sangue que deveria se estender desde o momento que pulei daquela sacada.

    “Arrg! Mas que merda! Aqueles pervertidos vão me pagar, com juros! Mas… isso ainda é tudo culpa minha… Eu falhei na missão e esse é o preço a se pagar…”

    Alguns segundos se passavam, enquanto eu resmungava mentalmente, e, logo, um clima sinistro começou a tomar conta dos arredores ao mesmo tempo que o asfalto parecia queimar como brasa. Minha reação era tentar me levantar, mas eu sabia que se o fizesse machucaria ainda mais meus pés, que estavam descobertos. Em contrapartida meus ossos começavam a ranger de frio e medo e meus ouvidos captavam um choro abafado de uma criança, que começava a se aproximar. Virava minha cabeça de um lado para outro procurando pela fonte daquele som e ao olhar par ao outro lado da estrada, meus olhos paravam sobre aquela presença macabra que me encarava.

    “Deus, pai todo poderoso. Aquele não é o… Não! Isso não pode estar acontecendo! O que diabos ele está fazendo aqui e o que quer comigo? Eu tenho que sair daqui imediatamente, mas não posso ignorar essa criança!”

    A fixação no indivíduo do outro lado da rua me prendia por uns segundos até ele desaparecer misteriosamente, deixando apenas sua bengala parada, anormalmente, no lugar que estava. Começava a olhar para os lados, procurando mais intensamente pela criança e pelo homem que havia sumido e me esforçava para fechar minhas feridas abertas nos pés, para assim me levantar.

    [OFF: Gasto 2 pontos de sangue para me curar.]
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    Danto
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 24/4/2017, 11:13

    Ali você estava, literalmente em uma cena arrancada dos filmes mais terríveis e sádicos de horror que a imaginação humana poderia ser capaz de criar. O ar parecia pesado e a pressão sobre seus ombros escalava drasticamente sem nenhuma explicação lógica, alias, lógica não era algo aplicável ali.

    O graveto começou então a riscar algo no chão, uma frase simples era feita na areia que havia junto do acostamento da margem oposta a onde você se encontrava agora. Terminando de escrever, o graveto simplesmente caía no chão, fazendo um ruído enorme! Seus ouvidos captavam um estrondo forte, aquele simples graveto deveria pesar toneladas para soar daquela forma! E em uma fração de segundos depois, seus olhos piscavam contra a sua vontade e nada mais estava errado.

    Tudo parecia ter sido um pesadelo, uma piada de mal gosto. O asfalto estava normal, seu corpo ainda estava ferido e cansado, mas não havia nada de diferente, nenhum choro infantil, nenhuma presença macabra. Nada. Todavia, havia uma frase escrita do outro lado da rua: "Você não é merecedor", justaposta ao graveto.
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    Lugo

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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 24/4/2017, 15:07

    Sem saber como reagir ao que acabara de acontecer, ficava parado durante alguns segundos olhando para as palavras que foram escritas no chão a minha frente. Eu estava atordoado com tudo que havia acontecido, a repentina pressão, o barulho absurdo do graveto e do fato dele ter se mexido sozinho, mas, diante de todas aquelas coisas estranhas, as palavras gravadas no solo faziam com que eu parece até mesmo de força a respiração.

    “Co-como!?”

    Essas eram as únicas palavras que ecoavam em minha mente e logo depois eu começava a cruzar a rua, indo em direção a onde estava o graveto e as palavras marcadas na areia. Andando cautelosamente, por conta do medo e para não machucar mais os pés, me aproximava do local e me inclinava na direção da escritura. Observava-a por alguns segundos e minhas mão direita se fechava em um punho para, em seguida, dar um soco no local. Após os soco, começavam a limpar a areia para tentar tirar aquelas palavras dali.

    “Eu sei, merda!”

    Meus olhos se fechavam com força enquanto a dor do fracasso me apunhalava ao ler aquelas palavras. Assim que limpasse o chão para que as palavras sumissem, pegaria o graveto para me apoiar como uma bengala e continuaria correndo na direção que já estava indo, mas indo no meio da rua, tentando evitar os cascalhos.

    “Merda, eu nunca vou conseguir chegar em casa nesse ritmo, eu preciso encontrar um abrigo caso vá amanhecer, mas não vou entrar nessa floresta nem fudendo. Vou tentar seguir por aqui e se aparecer algum carro vou tentar arrumar uma carona...”

    Começava a traçar meu plano em minha cabeça e a correr, ainda tomando cuidado para não cair na estrada e sempre observando para ver se vinha algum carro pela pista e se avistava alguma casa ou algo que serviria como um abrigo.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 24/4/2017, 18:51

    Você então caminhou por aquela estrada sozinho após aquele encontro estranho e assustador. Seus pés ainda doíam bastante e a sua locomoção estava obviamente reduzida, entretanto a pior sensação foi a de cruzar mais de uma hora inteira de caminhada sem nada encontrar, não havia um abrigo possível ou sequer um único carro parecia usar aquela estrada de madrugada.

    Dentro da solidão, você começava a sentir o cansaço e a humilhação começava a lhe roer por dentro, tudo havia saído errado e do controle nessa noite, absolutamente tudo! Mas seus olhos eram surpreendidos por um farol alto vindo de uma curva metros à sua frente, um veículo finalmente se aproximava. Um sedan de luxo, robusto e de cor familiar, um verdadeiro alívio chegou quando o carro parou a sua frente e piscou a luz duas vezes, para então diminuir o farol e o vidro se abaixar.

    -Finalmente encontrei você, entre logo no carro rapazote ou enfrentarás um destino terrível. Afinal restam apenas três horas para o nasceu do sol e você nunca chegaria nesse estado físico até Volterra. Venha logo e deixe esse pedaço de pau aí!

    Era uma voz feminina, sua mente prontamente reconhecia a voz de Ada a mais antiga e importante vassala da matriarca da família Francesco. Muitos diziam que ela já era vassala de Letizia quando a mesma ainda era uma simples neófita. As duas eram primas diretas de primeiro grau.
    Ada di Francesco:

    Roupas:
    Carro:


    Última edição por Danto em 25/4/2017, 15:11, editado 1 vez(es)
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 25/4/2017, 00:24

    Mais uma hora havia se passado e eu não encontrava nada. Simplesmente estava no meio do nada e provavelmente pronto para ser apagado pela luz do sol que deveria nascer a qualquer hora, afinal, eu não sabia quanto tempo tinha sobrando para que isso acontecesse. A dor dos meus pés era insignificante a dor que meu coração sentia a cada minuto que se passava, a cada minuto que eu ficava mais próximo da verdadeira morte.

    “Não! Não, por favor! Eu preciso… encontrar um abrigo. Preciso de ajuda. Por favor, meu Deus! Tenho que voltar para minha amada! Não posso deixá-la ser mais uma marionete!”

    E foi então que uma luz apareceu para mim. No primeiro momento eu achava que era algo sobrenatural, novamente, mas, após piscar algumas vezes e perceber que a luz, que se aproximava, era oriunda de um carro, uma bomba de alegria explodiu dentro de mim e fez minha respiração ficar ofegante. Eu corria mais rapidamente, desta vez sem nem encostar o graveto no chão para me ajudar a andar, apenas levantando os braços para pedir para o motorista parar o carro e, então, era surpreendido pela maravilhosa Ada.

    Assim que via seu rosto e ouvia sua voz, eu soltava aquela bengala improvisada e corria até a porta do carro onde fica o lado do passageiro. Naquele momento eu apenas ignorava a dor e ia em direção a minha salvadora. Abria a porta e sentava rapidamente no banco, já me jogando para abraçá-la e dar-lhe um beijo em seu rosto, para em seguida falar enquanto engolia o choro de alegria.

    - Meu Deus, como você me achou aqui!? Deve ter sido um milagre! Muito obrigado, Ada! Sou eternamente grato por isso!
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 25/4/2017, 15:19

    Ada olhou com um ar de censura a sua ação de sentar-se no banco do carona, esticando a mão direita e batendo-a com força contra o seu peito impedindo a sua tentativa de beijá-la ou sequer tocá-la.

    -O que você pensa que está fazendo? Lorenzo, se coloque imediatamente no seu devido lugar ou eu o deixarei na beira dessa estrada!

    Ela prontamente esfregava a mão que havia usado para empurrar você contra a calça jeans, limpando-a sem nenhuma vergonha ou receio. Demonstrando o claro nojo que sentia do seu estado.

    -A minha Senhora e sua Matriarca conversou com a Lady Loretta e ambas entraram em acordo, fui enviada para tentar achá-lo. E por sinal, a Senhora Letízia me pediu para lhe adiantar os parabéns, você falhou como poucos conseguiriam, ela está surpresa.

    Aguardando as suas ações com bastante irritação, ela só se moveria ou ligaria o veículo quando você a obedecesse. O tom de voz dela era seco e bastante agressivo, a face bela da mulher estava totalmente fechada e séria.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 25/4/2017, 17:55

    A repreensão por parte de Ada me fazia acoar no assento do carro sem protestar. Suas palavras eram fortes e incisas como as de Letizia e eu não tinha como revidar aquilo. Minhas mãos se agarravam uma a outra com os dedos entrelaçados e me mantinha em meu lugar.

    “Então, elas já sabem… Sabem de todas as minhas falhas e de tudo que aprontei…”

    O peso do fracasso era esmagador. Eu o sentia sobre minhas costas me pressionando contra o banco do carro e me retraindo aos poucos enquanto me perdia em pensamentos durante o percurso.

    “Eu não só destruí as expectativas que ela tinha em mim, eu as joguei na lama! Tudo que eu precisava fazer era achar uma simples informação e assim poderia tentar quebrar aquele poder sobre Danielle, mas, ao invés disso, acabei jogando fogo no território do inimigo… a única coisa que eu quero é que minha punição não caia sobre ela.”

    Meus pensamentos nebulosos acabavam me ferindo ainda mais ao pensar na possibilidade de colocar a vida de minha amada em risco e meu corpo reagia tensionando os músculos. Naquele momento eu estava todo retraído, mas, eu não queria ser assim.

    “Por mais que eu tenha falhado, deve haver uma maneira de me redimir. Eu tenho que fazer isso, não só por mim, mas pela minha querida Danielle que está nas mãos da mulher mais poderosa de minha família.”

    Assim eu começava a respirar lentamente, tentando relaxar meu corpo para sair daquela posição de retração que estava e começava a me sentar direito. Meu olhar agora não era mais de um chorão e não mirava o chão e sim ao que vinha a minha frente.

    “Seja o que for, tenho que encarar de cabeça erguida…”
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 26/4/2017, 22:37

    Ada olhou na sua direção e apertou com força o corou do volante daquele caro luxuoso dela, irritadíssima ela ameaçava falar algo e apenas desistia, balançando a cabeça em um sinal de reprovação. Ela então religava o carro e o manobrava, ajeitando-o na pista para finalmente dizer:

    -Pare de respirar, é ofensivo e ridículo.

    Em seguida ela ligava o som do veículo e acelerava, o volume era alto suficiente para que nada que você pudesse dizer fosse ouvido por ela. E ela fazia todo o percurso sem sequer ameaçar olhar na sua direção.


    Local: Volterra, Villa Porta all'Arco.
    Data: 15 de Abril de 2016: Domínio de Marcella di Francesco.

    Domínio de Marcella:

    O carro finalmente parava, alguns minutos haviam se passado e a madrugada estava próxima de seu fim. Ela apenas parava e destrava as portas em frente a casa de sua Senhora, esperando silenciosamente que você saísse o mais rápido possível e preferencialmente em total silencio.

    E quando você fazia o esperado, logo foi fácil notar que a porta estava aberta da casa de Marcella e de pé, com os braços cruzados estava a própria mulher. Com uma expressão triste na face e os braços cruzados, ali ela te esperava pacientemente.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Lugo em 27/4/2017, 14:50

    O clima no carro era tenso e ao se repreendido, mais uma vez, eu soltava um último suspiro longo, fechando os olhos e virando meu rosto para a janela ao meu lado, olhando para a rua durante todo caminho ate a casa de minha senhora. Quando chegávamos no destino, eu saia do carro em silêncio, como ela bem queria, e caminhava calmamente até a casa a minha frente.

    “Agora é chegada a hora do primeiro julgamento…”

    A distância era curta, mas o medo, do que estava por vir, transformava aquela caminhada em algo tão assustador como a visão do homem que usava a máscara de médico medieval. Assim que eu chegava na porta, notava que a mesma estava aberta e a primeira imagem que me aparecia era de minha senhora com uma expressão de desaprovação.

    “Você não é merecedor.”

    Eu ficava parado por alguns poucos segundos, na frente da porta, e aquela frase ficava se repetindo em minha cabeça até que eu dava o primeiro passo para dentro da casa. Adentrava e seguia em silêncio até minha senhora, com os olhos focados na mesma, parando a dois metros dela, ficando em silencio e esperando por suas palavras.
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    Re: Primeiro Arco de Lorenzo: Ato II - A Penumbra

    Mensagem por Danto em 28/4/2017, 18:04

    Não era necessário entrar na casa para se aproximar de Marcella, sua Senhora estava de pé logo na entrada da casa, precisamente posta na parte central, abaixo do batente da porta. Braços cruzados e uma face irritada que parecia explodir de ódio quando os olhos dela finalmente encontrava a sua face.

    As sombras do ambiente reagiam ao sentimento violento da mulher, as quinas e detalhes finos se alongavam mais e criavam angulações pontudas como verdadeiros espinhos. E das grandes massas sombrias, nasciam tentáculos do mais profundo abismo, quatro deles. Se o seu medo era grande antes, agora ele se tornava mais uma vez irracional e seu medo ofendia profundamente a mulher.

    Ela não argumentava ou sequer demonstrava algo além do mais puro ódio, imediatamente após os tentáculos surgirem, os mesmos balançavam no ar e iam de encontro ao seu corpo, em uma situação normal você seria capaz de reagir, mas seus olhos eram devorados por um piche negro. Sua mente perdia a capacidade de orientação e aquela substância o deixava cego, surdo e mudo! Uma forte náusea arrebatava sua garganta e assim os tentáculos começavam a lhe agredir, era impossível dizer da onde eles vinham, mas eles o acertavam por todos os lados. Foram dois golpes, fortes e violentíssimos que rasgavam a sua carne, quando seu corpo caía nas trevas que o circundavam, os tentáculos pegavam seus membros. Cada um pegava um dos seus membros e começavam a puxar, sua cerne ardia e começava a ser dilacerada, seus olhos choravam sangue e sua besta rugia em total descontrole.

    O primeiro estalo foi ouvido, seu braço esquerdo era desconectado do seu tronco e a dor era insuportável. Infelizmente a sua condição imortal o impedia de desmaiar daquela forma, o segundo estalo foi da sua perna esquerda e posteriormente, um só estouro. Seu corpo caia contra o chão da casa e as trevas começavam a sumir gradativamente, restava agora apenas o seu tronco estirado no chão, esquartejado. Os tentáculos balançavam as suas pernas e seus braços pelo ar, como pedaços de carne.

    Seu tronco residia na entrada da casa, sobre uma enorme poça de sangue. Marcella andava na sua direção e chutava a sua face com um enorme desprezo, para então se abaixar dobrando os joelhos e tomar a sua barba pelas mãos.

    -Foi você a minha única falha, meu maior desespero e incomparável humilhação. Eu esperei muito de ti, pequeno. E no fim a culpa é minha, vamos ser sinceros, você é simplesmente ridículo! Não tenho mais paciência, não quero mais ser culpada pela sua falta de masculinidade e força. Então, me diga suas últimas palavras, meu pequeno, pois sua vida acaba agora.
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      Data/hora atual: 18/10/2017, 21:47