WoD by Night

Narrativa de Vampiro a Máscara: 20 anos


    Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

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    King Narrador

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    Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 15/3/2016, 14:31

    30 de Agosto, 2005, 15:00




    Um raio. Um estrondo. Rasgou o céu. Rasgou a cidade. Seus olhos abrem quase que como reflexo. O relógio na parede apontava as três da tarde. Um susto passou por sua espinha. Algo estava muito errado. Era verão. O sol devia estar alto no céu. Mas sua janela apenas revelava chuva e trevas do lado de fora. Seu quarto como um todo estava um breu. Não havia eletricidade em canto nenhum daquele aposento. Mas o escuro não era absurdamente forte, foi rápido acostumar os olhos. E o que você vê lhe gera mais um arrepio.

    Estava lá na sua frente, na frente do lindo sofá vitoriano. Sua senhora. Com cabelos brancos como a neve, olhos azuis como o céu que você nunca mais viu tão claro, com um sorriso maternal que ninguém de seu passado humano jamais lhe proveu. Só que algo estava errado. Muito errado. O rubro do rosto dela estava incrivelmente forte, nenhum tom pálido que era profundo em sua feição podia ser visto. O poderoso talismã que ela nunca tirava do pescoço não estava lá. Mas o mais incrível era as lágrimas dela, não eram lágrimas de sangue. Eram lágrimas normais. Estava claro, era uma ilusão de sua senhora. E a mesma lhe encarava sorrindo.

    - Il mio amato figlio. Chegou a hora.


    Última edição por King Narrador em 15/3/2016, 19:15, editado 1 vez(es)
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 15/3/2016, 15:43

    "Izabel?! Oh, não não. Talvez mais uma de suas ações inesperadas e misteriosas, o que ela deve ter feito dessa vez que precisa tão urgentemente de mim assim? Não tenho nenhuma memória de vê-la chorar dessa maneira, nem quando Gabrielle se foi".

    Pensava enquanto me levantava com uma certa calma, afinal porque deveria ter pressa se o que estava em minha frente era uma ilusão criada pelos poderes incomuns de minha Senhora?! Já de pé, passo as mãos pela minha camisa social, removendo qualquer tipo de pó ou dobras indesejáveis no tecido. Caminhando então em direção até o cabide que sempre estava posto perto de minha cama, onde normalmente eu deixava meu terno ou sobretudo. Vestindo meu terno eu inicio a conversa com a ilusão de Izabel.

    -O dia virou noite, o céu se partiu e pelo que posso ver estamos próximos a um cenário de diluvio. Sarcástico não é mesmo minha Senhora?! Diga-me, por favor que não estas fora da cidade... Aliás, perdoe-me, Boa noite minha amável Senhora é chegada a hora do que exatamente?
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 15/3/2016, 20:16

    O pó sai com suavidade de sua roupa. Era pouco, afinal a qualidade de limpeza de seus aposentos sempre foi algo importante em sua rotina. Já que nos estudos da Mágika a limpeza e a organização eram um dom muito apreciado e necessário. O terno cinza estava ao seu aguarda, mas foi o sobretudo negro com um tecido interior acinzentado claro que escolheu. Escolha foi feita por acreditava que seria necessário algo mais resistente para com a chuva. Assim, com uma vestimenta mesclada de escuro com um claro cinza, você se virou para a miragem de sua senhora. As lágrimas não paravam de escorrer em seu rosto. Mas a mesma não escondia seu sorriso.

    - O dia morreu com a tempestade. Estamos no fim de uma grande era. Um dilúvio seria uma metáfora que eu aceiraria ouvir de você, meu filho. E não se preocupa querido, eu estou na cidade e não partirei da mesma. Infelizmente chegou a hora. A hora de lhe dizer adeus. O torpor clama por minha alma. Há magia nas nuvens acima de nossas cabeças e as mesmas impedem que eu prossiga acordada. Logo não tenho escolha fora me despedir de você. Meu mais querido e apreciado filho.
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 15/3/2016, 21:11

    A calma controlada e a paciência davam lugar a uma profunda tristeza com o avanço das palavras de Izabel, mesmo que aquela a sua frente fosse apenas uma ilusão, as palavras tinham forças de qualquer maneira. Caminhando na direção dela, eu me aproximo com cuidado, haviam poucas coisas que eu temia mais do que essa notícia, ainda mais diante de uma catástrofe como esse diluvio que castigava a terra.

    -Como não me preocupar diante uma notícia como essa? Caem sobrem meus ombros agora as responsabilidades muito acima das minhas capacidades, serei eu o responsável por Rebecca? Por Desmond e pelos mais jovens?! Como me colocarei à altura de enfrentar os inimigos de Franco, como os Baali? Entendo que o sono chegue para todos, mas minhas dúvidas são turbilhões de desespero tão grandes quanto as águas que rompem os céus nesse fatídico dia. Diga-me, Mãe, como farei para ser quem você precisa que eu finalmente seja?
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 15/3/2016, 21:49

    A voz de Izabel parecia ganhar força, mesmo com o tom triste permanecendo forte. As lágrimas lentamente iam cedendo e a mesma se mostrava a mulher forte que sempre fora. Isso era uma marca dela. Manter a cabeça erguida mesmo em momentos difíceis. Ela então aponta para sua estantes de livros com uma grande suavidade em seu braço. Mesmo levemente translúcido ainda realçava a beleza que aquela cainita possuía.

    - Eu preciso que você faça aquilo que eu sempre lutei para que não fosse necessário. Pois eu precinto a guerra chegando. Nossos inimigos são mais numerosos e desesperados do que pensas. Eles irão aproveitar deste dilúvio e do meu sono para acabar com você e meus outros filhos de uma vez por todas. Por isso eu lhe imploro que faça o impossível. Vá até aquele livro. Sim... Eu sei onde você guarda seu talismã. Traga ele aqui por favor. Você entenderá o meu pedido.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 15/3/2016, 22:19

    -É impressionante como você é capaz de me descontrolar em apenas poucas palavras não é mesmo, Minha Senhora. Não deve haver ninguém nesse mundo que saiba exatamente como falar comigo, farei o que pede sem indagar as razões, afinal, há momentos e momentos não é mesmo?!

    Era impossível não reagir positivamente à força de Izabel, sei que muito esta em jogo e que eu não sou capaz de proteger todos, tenho total conhecimento dos meus limites e poderes, das minhas capacidades e dos meus inimigos. Mas com aquele talismã eu não sei até onde posso ir e isso me assusta profundamente, mas a força dela precisa ser a minha. Dessa forma, sigo até a estante de livros de estudos da minha linha principal de Necromancia, entre os livros mais básicos, em uma capa dura falsa e antiga eu removo o talismã.

    "Tantos anos olhando com desejo por esse poder, tantas censuras, tantas brigas por causa disso. Eu matei por isso, causei uma guerra para ser proibido de aproveitar do que sempre foi meu, agora ela em prantos me diz para usar dessa energia. Minha vida é sem dúvida alguma uma enorme tragédia grega."

    Penso enquanto caminho de volta até a frente de Izabel e estendo para ela o talismã, com muita apreensão.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 15/3/2016, 22:30

    Um sorriso maternal é esboçado fortemente no rosto de Izabel quando o talismã lhe é oferecido. Uma lágrima escorre novamente de seu rosto. Era como se gosta brilhasse ao escorregar por sua face até cair no chão desaparecendo. A mesma encarou aquele talismã tempo suficiente para lhe causar desconforto profundo. Então com uma voz tranquila e ao mesmo tempo muito misteriosa ela finalmente voltou a falar.

    - Não querido... Seu avatar deve ser guardado, agora mais do que nunca. Ele ainda vai lhe ser importante. O que eu lhe pedi que trouce-se foi o livro ao qual você o esconde. Passe o seu sangue na contra capa de trás. Eu coloquei algo lá...
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 15/3/2016, 22:52

    "Se nós não estivéssemos em uma situação tão trágica, eu daria boas risadas dessa aflição que passei sem razão alguma".

    Penso enquanto esboço um pequeno sorriso, ver as lágrimas de Izabel caírem daquela maneira era um enorme incomodo. Não haveria nada que eu pudesse fazer para evita-las de verter e de alguma maneira ela queria me dizer algo com elas, nunca houve um contato sequer entre nós que não possuísse vários significados pequenos. E novamente me coloco a andar pelo quarto, dessa vez com o sorriso pequeno nos lábios e estendendo a mão pego o livro, guardando o talismã em seu devido lugar e seguindo até Izabel com ele em mãos. Segurando com firmeza o livro com a mão esquerda, levo o indicador direito até a boca e com as presas do vitae de Caim expostas, faço uma ferida larga e profunda. Para então passar o meu sangue na contracapa do mesmo.

    -Sinceramente, não sei o que esperar de tantas lágrimas e mistérios. Izabel. Mas nunca tive razões para duvidar de ti, meu único desejo é estar a altura dos desafios que baterão a minha porta.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 16/3/2016, 10:41

    O seu sangue com apenas poucas gotas tocando a contra capa do livro fez uma estranha reação. Pois a capa se abriu levemente revelando outro compartimento secreto. Sua surpresa não poderia ser maior. Afinal ali dentro havia um frasco pequeno, provavélmente de cristal. Dentro do mesmo tinha um líquido vermelho brilhante. Sangue.


    - Este sangue é muito podero meu caro filho. Franco sempre me disse que foi graças ao mesmo que ele acordou do torpor da úiltima vez. Mas ele nunca me disse como conseguiu essa segunda dose. Apena me disse que pertencia ao próprio Ashur. E então eu apenas o guardei no lugar mais seguro do mundo. E agora é hora de usá-lo meu filho. Não posso permitir que nossos inimigos lhe destruam quando o sono me derruba. Você precisa despertar Franco Giovanni.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 16/3/2016, 12:55

    (Off: Teste de Inteligência + NoD = 7 dados +1 sucesso garantido pelo uso de força de vontade)
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto em 16/3/2016, 12:55

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    'D10' : 5, 9, 7, 6, 10, 3, 9
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 16/3/2016, 14:18

    -O lugar mais seguro do mundo?! Perdoe-me mais o sarcasmo pode ser aplicado a essa frase com uma intensidade especial, Izabel. Eu não sou nada em comparação à Franco, nesse jogo de anciões poderosos e imprudentes eu me abstenho com toda a certeza de que não posso dar mais passos do que minhas pernas são capazes. Eu farei exatamente o que você pede, por confiar em seu julgamento, apesar dos vários pesares que existem dentro de mim e de sinceramente não desejar conhecer o monstro de Veneza, ele receberá o vitae desse frasco.

    Respondia demonstrando bastante certeza para minha Senhora, faria esse último desejo dela se tornar verdade, era minha minima obrigação e demonstraria à ela uma gratidão que talvez eu tenha falhado em demonstrar durante os longos anos de convívio que tivemos lado a lado. Mas minha mente não estava tão confiante e cheia de certezas, pelo contrário.

    "Eu sinceramente não quero conhecer Franco, meu desprezo por esses diabolistas é enorme. Mesmo sabendo que o Vitae da família Giovanni é inteiramente baseado nesse hediondo ato de dar fim a uma alma, meu desprezo não é minimizado. Eu tenho a consciência de que os tempos antigos eram diferentes, que eram muito mais selvagens e incultos. Mas a razão que corre por mim me impede de apenas concordar e aceitar... Tenho em minhas mãos um vitae antigo, pré-diluvio. Engraçado não é?! De qualquer modo, preciso estudar esse vitae, refletir sobre sua força e quem sabe consumir um pouco do mesmo. Mas antes, em primeiro lugar, vou satisfazer o último desejo de Izabel"

    -Fique tranquila, Minha Senhora, sua linhagem será protegida. Infelizmente não por mim, mas pelo seu amado Senhor Franco Giovanni.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 17/3/2016, 18:27

    - Não se subestime Lucien. Será você que irá proteger tudo que nós construímos todo este tempo. Será você que cuidará de seus irmãos. Sua bondade e sabedoria nunca me desapontaram, junto de seu natural pragmatismo. Franco será apenas um sangue poderoso para lhe ajudar à manter nossas tradições intactas. Mas cuidado com a corrupção que ele emana, houve muita dor no passado dele. Só que não o julgue, apenas tome cuidado.

    As últimas lágrimas de Izabel corriam por seu rosto. A imagem dela começava lentamente à esmaecer em sua frente. A mesma lhe devolvia um sorriso maternal. Ela claramente queria deixar claro que depositava toda a confiança e amor dela em ti. Era um ato que você nunca viu ser utilizado por ela de forma tão aberta. Ela sempre havia sido mais reservada com seus sentimentos, mas naquela noite, tarde para ser exato, ela deixava todas as cartas na mesa.

    - Mande meus sentimentos para todos os meus outros filhos. Incluindo Sarafina, não guarde mágoa dela. A existência dela roda em torno de você meu querido, ela sempre foi leal, e permanecerá sendo. Eu sempre lhe tratei com muito cuidado, como uma mãe coruja, agora não é mais hora de segredos. Quando tiver tempo, fale com sua irmã. E apenas saiba, que acima de tudo eu sempre lhe amarei meu querido e precioso filho...

    Então a imagem de Izabel desaparece e sua presença se esmaece do mundo dos acordados.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 17/3/2016, 19:20

    Em silêncio escuto todas as palavras de Izabel, finalmente uma demonstração de reconhecimento que eu tanto esperei por todos esses longos anos que fiquei a seu lado como a mais fiel das proles. Passando por tantos conflitos, guerras, traições... Uma lágrima de sangue escorre pela minha face e meu silêncio é a única resposta que poderia dar à minha Senhora naquele instante. No exato momento em que ela se torna incapaz de manter a ilusão e eu me encontro sozinho em meio a escuridão de meu refúgio, meus olhos correm por todos os livros que ali estavam.
    E uma enorme raiva subiu minha espinha, a dolorosa solidão, minha besta urrava nervosa por ser incapaz de manter Izabel acordada. A ansiedade fazia minhas mãos tremerem levemente, com uma expressão séria na face eu caminho para a saída do meu refúgio, tirando do bolso um pequeno guardanapo de tecido, bordado com o brasão da minha família mortal.  Limpando a lágrima de sangue.

    "Eu devo seguir em frente, sem nunca esquecer essas palavras e essa sinceridade. Nunca recebi tanto amor real em minha inteira vida, meus parentes mortais não se importavam com o bastardo que sempre fui, meus irmãos são irresponsáveis e imprudentes. A única mulher que amei está morta. A tristeza sempre assolou minhas esperanças de felicidade, sentimentos podem ser superficiais para muitos cainitas, mas para mim sempre foram tão intensos e importantes quanto o essencial sangue que nos nutre. Franco é um pilar de corrupção, dor e violência. Caberá à mim a missão de coloca-lo em um caminho racional, lógico e iluminado. Que os espíritos me ajudem nessa missão. Enfim, Izabel se preocupou muito em mencionar Serafina, uma desconhecida, distante e ausente irmã que é supostamente mais velha que Duncan. Talvez ela seja até mais antiga do que eu, isso não seria uma grande surpresa... Irei olhar com atenção a essa situação assim que colocar o italiano de pé."

    Pensava enquanto caminhava pelo interior da capela, minha direção era bem clara e sem nenhuma pausa ou dúvida, iria onde os Baali mais desejavam chegar, o refúgio do corpo de Franco Giovanni. Para chegar a essa lugar, que eu mesmo ajudei a construir e proteger, serão necessários tomar algumas precauções. Os quatro não são carismáticos, assim como a ponte precisará ser criada. Dessa forma, caminho até a janela mais próxima para olhar o lado de fora da propriedade que Desmond comprou para nós. Em seguida, vou até minha sala de rituais, reagentes e acervos místicos.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 18/3/2016, 17:36

    Vista da Janela:

    Veneza. Foi a primeira palavra que veio em sua cabeça. A ironia do momento fez um sorriso sarcástico em seu rosto. A água devia chegar até acima da cintura. Seria possível navegar de góndola ou canoa pelas ruas. E era claro que ficaria pior, pois a chuva não se mostrava parar. Só que seus olhos ficaram pouco tempo focados na água. Eles se prendiam em dois detalhes muito chamativos da sua visão pela janela. Primeiro que o céu estava negro. Não havia uma gota de iluminação vindo do mesmo. Nunca antes você ouviu de um relato tão pertubador. Era três da tarde de um dia de verão e você estava acordado olhando pela janela. O outro fator que lhe chamou a atenção também estava correlacionado. Eram as pessoas. Muitas delas. Todas andando por dentro da água ou de carros. Havia transito, buzinas, velhos, crianças, pessoas com roupas de trabalho. Havia um estilo inteiro de homem moderno ali que você nunca tinha visto, afinal a vida útil do mesmo funcionava de oposição para com a sua. Assim era impressionante ver a cidade pelo ponto de vista que estava agora. Era como se não houvesse maldição. Mas isso estava longe de ser verdade. Então você se afastou da janela.

    Andou longos passos até chegar em sua área reservada. Era um grande laboratório na parte da frente, todavia havia no fundo um aposento lotado de materias ocultistas coletados ao longo das décadas na cidade. Sem falar de uma grande coleção de livros das mais diversas línguas possíveis. Era de se esperar que o lugar fosse empoeirado e de péssima iluminação, mas organização sempre foi o seu forte e o lugar parecia uma sala de cirugia, totalmente impecável e esterelizado. Isso se não fosse por uns livros jogados no chão. Afinal em um puff que você dedicava todo o início de noite para leituras, estava Daisy dormindo. Em seu colo estava o diário de Franco. O que era algo absolutamente impossível, afinal o diário do mesmo estava guardado em uma gaveta que abria apenas com seu sangue. O livro estava caído nas pernas desnudas dela entreaberto amassando algumas páginas do meio do mesmo.


    Última edição por King Narrador em 19/3/2016, 19:00, editado 1 vez(es)
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 18/3/2016, 18:54

    "Felizes são aqueles que nascem e morrem"

    Refleti durante a breve observação da rotina daqueles desafortunados que haviam sido pegos em maio a tempestade. Ainda com o sorriso na face mantinha as impressões assustadores sobre a negritude daquele céu em pleno verão, era impossível em situações comuns e talvez a diluvio não fosse simplesmente um desastre natural. Certamente um tópico importante,mas não pare esse instante.
    Ao adentrar em meu laboratório e ver Daisy com o diário sob as pernas, aquela sobra na página remoía internamente o meu perfeccionismo e me irritava profundamente. O sorriso desaparecia para dar lugar a uma feição mais séria. Me aproximo para pegar o diário, analisando a profundidade da ferida causada nas páginas para depois coloca-lo em segura sob alguma superfície mais apropriada. Observando a jovem de camisola deitada em seus aposentos, Lucien abriu um sorriso maligno no rosto, sua irritação deveria ser demonstrada de alguma forma e nada melhor do que ensinar uma lição para sua prole postiça. Pegando do acervo de objetos místicos e de ocultismo uma moeda de cobre antiga e colocando-a na palma da mão da jovem.

    -Frederico, há uma lição a ser ensinada.

    [Off: Teste de Invocar o Espírito. Manipulação + Ocultismo]
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto em 18/3/2016, 18:54

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 19/3/2016, 18:49

    A página dobrada não possuía nenhuma lesão que fosse grave. Apenas incomodava seu perfeccionismo. Esta página em específico era de uma parte do diário ao qual você nunca passou muito tempo lendo. Eram as anotações de pesquisas sobre Lâmias. Uma análise sobre a artes dos quatro sentidos. Esta parte das anotações refletia sobre a capacidade de intensificar e passar determinados humores para o revestimento da pele de um necromante.

    Sua atenção em seguida se voltou para a jovem adormecida. A mesma estava apenas de camisola amarela curta e parecia estar dormindo em tranquilidade. Você então começou a refletir sobre o fato dela ter estado lendo uma página de quase do final do livro, fazendo se questionar sobre quantas vezes no passado a mesma já teria pego esse diário. Afinal essa era a sua primeira vez que acordara as três da tarde. Mas agora era hora de uma punição justa. Assim você depositou a moeda com a alma de um antigo bobo da corte veneziano na delicada mão de Daisy. A voz sorridente do espírito logo foi ouvida em sua mente.

    "- É claro meu senhor. Irei caprichar."


    Então você observa uma pequena névoa branca saindo de dentro da moeda. A mesma foi subindo lentamente se aproximando do rosto de Daisy até entrar dentro dela pela sua narina. Ela dormindo apenas coçou o nariz como se nada tivesse acontecido. Por hora parecia que nada iria acontecer. Até ouvir o primeiro gemido. "Não...", "Não...". Era um murmúrio baixo que ela fazia. Claramente estava sonhando. Dava para notar que ela estava ficando séria. O corpo foi lentamente reagindo, começando a se encolher. Logo ela começou a tremer de leve, estava com medo. "Não...", "Não!". Ela estava ficando mais nervosa. Podia ver claramente que estava tendo um pesadelo. Um suor avermelhado começava a escorrer por sua testa. "Não Franco!", "Não! Eu não trai Lucretia!". Os olhos dela começaram a escorrer uma lágrima vermelha. "Não Franco! Não me Diableriza! Não! Não!! Não!!!". Ela então solta um berro para finalmente abrir os olhos manchados de sangue.

    - Aaaaaaaaaa!!! Arf... Ar... Ar... ... Lucien, querido?
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 20/3/2016, 02:12

    Durante toda a ação do já famoso fantasma de pequenas punições, eu permaneci de braços cruzados e com uma expressão séria. Observando cada movimento feito pelo corpo da jovem que eu era apenas capaz de ver como uma prole, mas que claramente, sempre desejou muito mais do que eu posso oferecer. A culpa não é de nenhum de nós e a mim cabe instruir ela da melhor forma possível, ainda mais agora, nessa situação, na ausência Dela.

    -Perdoar uma criança com medo do escuro é uma ação fácil, mas perdoar um adulto com medo da luz é impraticável. A luz é o conhecimento, este vem por meio de livros, estudos, reflexões, filosofias e lógicas empíricas ou científicas. Tratar a iluminação com displicência é um ato covarde, ignorante e uma falha imperdoável.

    Minhas palavras eram duras, diretas e pautadas em todas as verdades que eu me forcei a aprender durante as várias noites de estudo. Dentro deles haviam filosofias gregas, pós-modernas, católicas e niilistas, era no fim uma própria reflexão que eu precisava ensinar a jovem. Em seguida eu olho profundamente para ela e digo, estendendo a mão direita.

    -Boa noite jovem Daisy, você adormeceu com o diário de Franco no meio de suas pernas como se fosse uma revista em quadrinhos, pedi então para Frederico fazer uma intervenção em seus sonhos... Enfim, levante-se! Eu não vim aqui para lhe cobrir de lições, não hoje, preciso da sua ajuda e afinal, porque tão pouca roupa garota?! Um grande ancião estará presente entre nós no futuro próximo, trate de aprender a vestir-se de maneira mais apropriada.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 22/3/2016, 10:07

    - Você não costuma acordar tão cedo? Que horas são? Bom, não importa. Essa foi a primeira vez que estive aqui!

    Ela logo se levanta depois de segurar sua mão com certa delicadeza. O sorriso no rosto dela sempre foi bastante contagioso. Era claro que ela estava mentindo e ela deveria saber que você compreendia isso. Mas parecia não se importar muito.

    - Não tenho medo da luz, meu amor. Sempre a estudo quando necessário... Mas você disse de um ancião? Vou então ficar bem vestida para receber o mesmo. Irei para o meu quarto. Já que ele não gostaria de me ver assim, né querido?

    A última pergunta dela foi com a mesma levantando a camisola para mostrar a sua pele desnuda nas partes íntimas. A mesma sorri e saiu correndo da sala. Quase que saltitando. Agora lhe deixando com o aposento vazio para seus preparos finais em sua última missão para com sua senhora.
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 22/3/2016, 14:34


    -Eu não deveria ter queimado tantas cruzes e quebrado tantos santos quando a bastilha foi tomada...

    Resmungo em um tom baixo de voz, balançando a cabeça negativamente enquanto observava Daisy e toda sua beleza jovial correr para seu quarto, sozinho eu me sentava e levava uma mão a cabeça, forçando uma respiração pesada já que respirar não era mais algo natural para meus pulmões amaldiçoados. O conflito era algo que nunca me abandonou, poucos, se não nenhum, sabem o que verdadeiramente acontece no interior da minha mente.

    "Luz e trevas, pecado e virtude, maldição e benção. O que sou? o que ela é?! Odeio profundamente esse desejo que me devora em mordidas pequenas, como um rato a se esgueirar pelas frestas e falhas de uma estrutura ele se alimenta de cantos da minha alma que eu nem sequer tenho compreensão total. Essa jovem não tem ideia de o quão insuportáveis estão essas provocações, ela se diverte, sorri, é um desafio delicioso para ela fazer tais exibições. Mas para mim são provações severas, eu sinto a besta dentro de mim mostrando as presas, pronta para devorar o corpo de Daisy. Assim como também escuto as palavras de Izabel que sempre nos viu como filhos, a raiva de ser comparado com aquele sórdido Giovanni me faz sentir ânsia de vomito. Se você  ainda estivesse aqui minha amada Senhora, se você ainda estivesse aqui Gabrielle, estou completamente só com tantos demônios a me assombrar, desejos e incertezas. Ainda há a problemática de despertar o monstro chamado Franco... Sinceramente, que tudo isso vá para os infernos, tenho prioridades!"

    Após a reflexão, me levanto claramente irritado e sem paciência alguma para qualquer interrupção. Com uma face fechada e passos contundentes, me movo até a estante de reagentes, com atenção procuro os baús que contem os reagentes necessários para agradar os quatro protetores da cripta de Franco. Com cuidado separo todos os objetos: A boneca de pano de Bertha, um punhado de penas de aves nativas para Wapti, o bilboquê de Theo e finalmente, um fragmento de poder espiritual para nutrir os poderes de Geya. Guardando todos eles em um bau portátil, para em seguida cobrir o baú com algo que o proteja da chuva torrencial, uma boa quantidade de lona servirá. Em seguida, coloco o baú sobre o chão a minha frente e novamente voltar a revirar os reagentes, pegando então um jarro de barro onde havia terra do meu cemitério, 1 jarro de tinta púrpura preparada no começo do mês, a antiga e funcional luminária e 5 tijolos de alvenaria idênticos e do mesmo lote daqueles utilizados para construir a proteção física do corpo de Franco.

    Off: Realizarei o Domínio da Mortalha. Teste de FV, dificuldade 9 e 2 pontos de FV gastos. Então farei o ritual de Ponte Espiritual, para em seguida pegar o baú e seguir em direção ao cemitério. Teste de Inteligência + Ocultismo, dificuldade 7 = Ritual de nível 4+3.
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    Danto
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto em 22/3/2016, 14:34

    O membro 'Lucien Devereaux' realizou a seguinte ação: Rolagem de Dados


    #1 'D10' : 2, 3, 6, 10, 9, 8, 10

    --------------------------------

    #2 'D10' : 3, 7, 3, 10, 8, 9, 8, 3, 6, 6
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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por King Narrador em 23/3/2016, 14:37


    Sua mão tocou o ar da sala do laboratório. Tateou o mesmo com grande suavidade. Até que sentiu algo. Algo que apenas seus longos e dedicados anos de estudo lhe permitiram sentir. Era uma fenda. E então sua unha cravou na mesma. O ar do quarto esfriou drasticamente. Uma brisa gélida começou a vir do outro lado. A iluminação precária do ambiente se tornou mais mesclada ainda com a penumbra. E então o portal pôde ser visto com clareza. Era um corte no meio da película. O outro lado era o mundo das sombras. O espelho destorcido do nosso mundo. O lugar onde residia Franco Giovanni.

    Assim pintando os cinco tijolos você os posicionou em linha na frente do portal. Segurou a lamparina de âmbar. A qual não emitia nenhuma luz e finalmente pegou o jarro com terra do cemitério. Completando o ritual você jogou o pó de terra sobre os tijolos e caminho por cima dos mesmos adentrando na falha da mortalha. Sua besta por um segundo desmaiou. Voltando a si quase que acuada. Estava escuro, um breu total. A rachadura da mortalha se fechou atrás de você e apenas o breu se perpetuou.

    Um pisque de luz. Outro e mais outro. Lentamente a lanterna de âmbar foi ganhando forças até começar à iluminar aquela sala inteira com sua luz amarela como ouro maciço. O ambiente era o mesmo que o que você deixara, apenas absolutamente escuro, seu perfeccionismo e limpeza era refletido na umbra. Agora um caminho no chão de tonalidade roxa brilhava para você. Era claro que era a rota segura de se andar naquele plano. Um passo para fora e você poderia se perder naquele mundo de sombras pela eternidade.

    Assim você faz seu caminho por dentro de sua capela. Carregando seus pertences mágicso e com a lamparina âmbar iluminando seu caminho por entre a escuridão que seu refúgio se tornou. Até que você chegou na porta de saída da capela. Precisou de bastante força para abrir a mesma e finalmente olhar para a rua. Neste momento um arrepio correu por sua espinha. Foi uma das visões mais assombrosas que já viu em toda sua não vida.

    A água chegava até o degrau de saída da capela, era um rio do lado de fora. Todos os carros e pessoas que você havia visto mais cedo ainda estavam lá, mas quase que totalmente transparentes. Como fantasmas quase apagados no meio daquela profunda escuridão que cobria todo o céu. Mas não foi nem o nível da água e nem as pessoas fantasmagóricas que chamou sua atenção. Foram os barcos.

    Canoa:


    Não havia nem um ou dois, haviam dezenas de milhares de barco descendo o Rio do Mississípi. Eram canoas e em cada um havia uma pessoa com um remo conduzindo a embarcação na direção do Delta do Rio. Era o fim da linha. aquelas eram as almas daquele continente e por aquele rio as mesmas estavam partindo para fora de sua esfera de conhecimento. Você já vira algumas canoas descendo o rio antes, mas nunca em um número tão grande e tão próximas das margens como via agora. Era o próprio Styx a sua frente. Não havia dúvidas sobre isso.

    Então uma canoa se aproximou de você. Parou exatamente na saída da capela. Tinha um suporte no fundo da mesma para se colocar uma lamparina e o remo estava estendido no chão da embarcação. Não havia ninguém guiando a mesma, ela estava a sua espera.

    Ultima Ação Antes do Final do Ato
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    Danto Jogador

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    Re: Lucien T. Devereaux - Ato I - Mother's Love

    Mensagem por Danto Jogador em 23/3/2016, 20:26

    "Porque o ritual não foi construído com o uso de uma lanterna à pilha?! Ah, claro, retirei ele das anotações de Franco e acredito que a capacidade tecnológica que o cercava era próxima de zero se comparada ao que temos hoje. Fico cá a me perguntar, como os anciões veem tantas reviravoltas modernas e robóticas, eu mesmo, que não sou tão velho sinto dificuldades"

    Refletia enquanto olhava para o âmbar que sempre demorava a ascender completamente, apenas um breve resmungo mental que se seguia de uma caminhada até a saída da minha querida capela. Mas diante ao rio, vendo tantos barcos seguindo em direção ao Delta, permaneci estático. Era uma visão trágica, sombria e principalmente, triste. Várias almas estavam a tomar seu destino final antes mesmo de terem esperança de alcançarem seus objetivos. Um passo à frente foi dado quando a canoa se aproxima, subindo na mesma e colocando a lamparina no devido local e pegando o remo nas mãos, dava o primeiro impulso para colocar ela novamente sob o fluxo do Styx.

    "O mitológico rio grego, limite entre a terra e o tártaro. Seguindo ele as almas chegam ao reino de Hades e lá são torturadas pelos erros que cometeram, existem tantas informações sobre esse rio, tantos mitos e tantas probabilidades. Sem contar a grande ironia, estou literalmente remando pelo rio dos mortos em direção à Franco, quem sabe eu não estou a remar em direção a minha própria morte? E se o pesadelo da jovem Daisy foi na realidade uma premonição!? O Ancião acordará com fome, o que o impedirá de me devorar!? Serei meu próprio Caronte..."

    O receio era inevitável, a cada nova remada o medo me consumia e aos poucos aquela ideia parecia simplesmente terrível e errada em todas as suas naturezas. Meus olhos buscavam os arredores, tantos outros Carontes presentes... Eu não poderia ceder daquela maneira, precisava de algo para me fazer chegar ao meu destino e remar pelo rio dos mortos seria apenas um começo. A morte não é um segredo tão improvável e distante, muito menos espíritos ou anciões. Cabe a mim portar-me como um verdadeiro Caronte, afinal, o barqueiro nunca encontra seu fim, mas seus passageiros sim. Olhando para a água, durante o intervalo entre a quarta e quinta remada, eu digo em um tom baixo, uma promessa que seria eterna.

    -Zeus prometeu que todos os juramentos reais seriam feitos diante as suas margens Styx. Clamo a ti que escute o meu... Juro fidelidade eterna à Izabel e cumprirei todos seus últimos desejos.

    Com mais decisão nos meus atos e convencido diante meu próprio julgamento, retorno a remar em meio ao rio dos mortos. Sem receio, olhar confiante e com o objetivo a minha frente. O meu caminho havia apenas começado e eu não poderia simplesmente ser levado ao Delta do Rio, com minhas forças eu forjaria meu próprio caminho.

      Data/hora atual: 19/8/2017, 06:22